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sexta-feira, 11 de outubro de 2024

BDlite


Alexandra Saldanha, André Coelho, António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches, José Smith Vargas, Maria João Worm, Miguel Rocha e Miguel Santos (que irá participar na Massa Crítica!) são os autores que vão estar representados na exposição Flexágono no Fólio, em Óbidos.

Por cá, uma leitura dramática por Ana Água do Xeique PHDA de Marko Turunen na Loja de Bicicleta de Carnide, AMANHÃ, às 19h, no âmbito da Noite da Literatura Europeia:


Kiitos Instituto Iberoamericano da Finlândia!

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Formas de Pensar a Banda Desenhada: Autores Portugueses Premiados


Apesar de não curtirmos prémios de BD temos de admitir que o sítio em linha Bandas Desenhadas na sua modéstia soube este ano estar bem sobretudo por este vídeo em que os vencedores dizem mais coisas do que todas as conversas de Bejas e Amadoras juntas. LIKE!

sexta-feira, 25 de junho de 2021

ccc@RAIA.5 ---- atenção aos NOVOS horários pandémicos!!!!

cartaz de Filipe Abranches


Depois de confinada duas vezes eis que a RAIA volta ao espaço habitual (embora tenha mudado de gerência e denominação) Núcleo A70 - onde há duas semanas atrás houve a Feia. 

Eis pois o mais importante evento nacional ligado à edição independente que teremos todo o orgulho em participar.

Sábado e Domingo: das 10 às 15h30 

Apareçam!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Relatório pró Mariano #2 sai na quinta-Feira!

Fikaris admirado com a edição portuguesa de Megg, Mogg & Mocho, Farrajota alegre com o livro do australiano e a fofura em pessoa a promover o seu Mariano. Algures em 2016.

O Relatório Anual de Fanzines e Edição Independente de BD portuguesa de 2016 vai ser publicado este ano no fanzine Mariano #2 (um projecto único em Portugal, diga-se) que sai no dia 1 de Junho no Estrela Decadente (Lisboa). 

Depois de publicar os últimos dois relatórios no Maga e no Portuguese Small Press Yearbook continuo a preferir o "formato papel" para este texto, nada a fazer... Para este ano, o texto é ilustrado com desenhos sacado ao caderno de esboços do Rodolfo Mariano. Obrigado por tudo, ó dois Marianos! 

PS - gosto da cor salmão em papel para impressão!

rabiscos de Rodolfo Mariano



domingo, 25 de setembro de 2016

Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno /// ESGOTADO ... SOLD OUT


one comix collection about the WINTER (Inverno, in Portuguese) to comemorate 20 years of the zine Mesinha de Cabeceira created by Pedro Brito and Marcos Farrajota in1992
published by Chili Com Carne 
edited by Marcos Farrajota
designed by Joana Pires 
covers by José Feitor e Pedro Brito 
500 copies, 352 A6 b/w pages ALL in ENGLISH
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Antologia comemorativa dos 20 anos do zine Mesinha de Cabeceira, criado em 1992 por Pedro Brito e Marcos Farrajota.
Publicado pela Associação Chili Com Carne
Editado por Marcos Farrajota
Design por Joana Pires
capas: José Feitor e Pedro Brito
Foram impressos 500 exemplares, são 352 páginas A6 a preto e branco. todas as BDs foram redigidas em inglês.



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Com trabalhos de / comix by João Chambel, Daniel Lopes, Sílvia Rodrigues, Afonso Ferreira, Rafael Gouveia, Sara Gomes & André Coelho, José Smith Vargas, Bruno Borges, João Maio Pinto, Silas , Stevz (Brazil), Martin López Lam (Peru/ Spain), Lucas Almeida, Dice Industries (Germany), Uganda Lebre, Filipe Abranches, Tea Tauriainen (Finland), João Fazenda  and Zé Burnay.
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Apoios / support: Instituto Português do Desporto e Juventude e Trienal Desenho 2012 
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ESGOTADO / SOLD OUT - maybe still some copies at Mundo Fantasma (Porto), Neurotitan (Berlin), Lambiek (Amsterdam), LAC (Lagos), Strips & Stories (Hamburg) and Orbital (London).
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Lançamento na exposição 20 anos do Mesinha de Cabeceira, 25 de Outubro, na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa. Released 25th October at the exhibition "20 years of Mesinha de Cabeceira" at Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisbon.



 

Feedback:
dei uma olhadela na Mesinha de Cabeceira, e parabéns, gostei muito do que vi, a capa e primeiras folhas estão muito boas, assim como as ilustrações do José Feitor a fechar a publicação, com as folhas só a uma cor... 

parabenizo-te pela excelente edição! Graficamente, o conteúdo é todo excelente, com soluções muito interessantes por parte dos artistas - em especial, a história do Chambel (...) das melhores do zine. (...) Grande edição, com uma autenticidade que se sente logo de imediato, muito boas BDs, bem impresso e acabado num formato muito cativante - com as "tripas de fora", à livro setecentista, como um verdadeiro objecto contra-cultural e "bruto" como se deseja - e das tuas melhores edições, como um todo, dos últimos tempos. Dou-lhe cinco estrelas!

 Despite the theme, “Winter” (surely of many discontents but celebratory nonetheless), the stories presented are solid, readable (even if not for the faint of heart) and supported by a great variety of bold, stylised and grounded artwork. 
Pedro Moura in Paul Gravett site

Em termos gerais, o tom desta nova antologia é de facto melancólico. Não deixa de ser algo expectável construir tramas em torno de cenários apocalípticos, paisagens inóspitas ou em que se desenrolam características colhidas de variadíssimos géneros para que sejam subvertidos numa certa amoralidade. É uma espécie de celebração pelo desencanto, de que as imagens criadas por Brito e Feitor são um signo potente. Não se cantam aqui vitórias, nem se glorifica o passado, e tampouco se esperam promessas de desenvolvimentos futuros muito específicos, mas constitui-se mais um gesto editorial muito marcante de um percurso, de uma atitude e de uma certeza em relação à forma de trabalhar, cujo testemunho é a própria existência deste pequeno grande tomo.

livro magnífico (...) tem excelentes trabalhos 

Que brutalidade! (...) Capas diferentes e tudo, parece uma cena sem fim! 
Silas (Pontos Negros)

fanzine já mítico (...) que cumpriu recentemente duas décadas de vida (...) O que talvez não tenham imaginado foi o potencial que se guardava naquelas primeiras páginas, em 1992, e que haveria de desenvolver-se numa teia de colaborações, experimentalismos, abanões estéticos e narrativos de toda a espécie e a capacidade de manter uma publicação arejada e vibrante ao longo de tanto tempo. De tal modo que quem queira, hoje, conhecer o que se faz no campo da banda desenhada de autor e com poucas preocupações comerciais pode continuar a usar o MdC, e concretamente este número 23, como guia fiável. (...) uma babel de traços e estilos numa estranha e inquietante harmonia, (...) E se a coerência do conjunto não nasce do traço ou do estilo, é provável que se deva aos temas, uma radiografia nítida daquilo a que chamamos ar do tempo, com o tom apocalíptico, o peso do desperdício, a contaminação (real, nos montes de lixo que excedem da indústria de consumo e ocupam os campos, e visual, nas manchas que parecem alastrar como fungos) e uma certa ideia de no future que deve muito ao punk, mas deve ainda mais aos dias que vivemos. 

nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Obra Curta (Filipe Abranches, João Chambel, João Fazenda) e Melhor Argumento (João Fazenda) para os Prémios Central Comics 2012

Some amazing inkwork and disturbing imagery
White Buffalo Gazette

quinta-feira, 14 de julho de 2016

QUADRADINHOS : Sguardi sul fumetto portoghese / Looks on Portuguese Comics : ESGOTADO / SOLD OUT



Treviso Comic Book Festival is the third most biggest Comics Festival in Italy but still is a relaxed event and most important it has a good eye on comics made outside of Italy! Blame Alberto Corradi for this, as curator he already made exhibitions about Sweden, New Zealand, Denmark and this year... Portugal!

And for the first time there's a catalogue thanks to the effort of Treviso Fest, Mimisol and Chili Com Carne with the important support of Portuguese government - DGLAB and IPDJ institutions.

This catalogue is a comics anthology made by the artists invited for the festival's exhibition and includes a preface by Marcos Farrajota and a small History of Portuguese comics by Corradi. Most of the comics have been published in Portugal but then... have you seen them?

So you can enjoy 88 pages of comics (most are full colour) of a wide range of authors, coming from the underground to the international mainstream and from the new breed to older artists: João Fazenda, André Coelho with Manuel João Neto (same team of Terminal Tower), José Smith Vargas, Ana Biscaia (Best Portuguese Illustration Prize 2013) with João Pedro Mésseder, Nuno Saraiva, Francisco Sousa Lobo (The Dying Draughtsman, Art Review), Afonso Ferreira (Love Hole), Pedro Burgos, Filipe Abranches, Miguel Rocha with Susana Marques, Joana Afonso with André Oliveira, Jorge Coelho (Image, Marvel) with Paul Allor (from USA), Pepedelrey and Rudolfo (Negative Dad).

Book written in Italian and English.

Last copies at Mundo Fantasma, Matéria Prima, LAC, Utopia, Quimby's (Chicago) and BdMania.





Feedback: in Ler BD blog in Portuguese here ... one of best Portuguese "graphic novels" by Pedro Moura / Paul Gravett ... Nominated for Best Comics Related Publication and Short Story (by Rudolfo) for the Central Comics 2015 Prizes ... Presentation in Modo Infoshop (Bologna) on the 6th Juin 2015 ... se da una mezcla de estilos e influencias lógica, dado el espíritu de la publicación. Así, nos movemos del cómic de raíz más comercial, representado por Paul Allor y Jorge Coelho —ambos experimentados en el mercado estadounidense— hasta el experimentalismo radical de la historia de Filipe Abranches, excelente. (...) Afonso Ferreira, uno de los más jóvenes, es un representante del nutrido grupo de dibujantes profundamente influidos por la animación contemporánea del tipo Hora de aventuras y por Michael DeForge, y por eso recuerda también a lo que está haciendo Cristian Robles en España. Y por último, hay que destacar la contribución de Francisco Sousa Lobo, quizás el más interesante y personal de los autores portugueses que conozco.  Luego volveremos sobre él. Geraldo Vilches in The Watcher and the Tower

domingo, 10 de julho de 2016

Forrobodó Visionário - Fotos de António Pilar

Filipe Abranches, Pedro Massano, Carlos "Zíngaro" e Marcos Farrajota

Carlos Barradas e Nuno Amorim 
António Pilar, Barradas, Amorim e Abranches

Marcos Farrajota - lançamento de Revisão

Barradas, Massano, "Zíngaro" e Amorim
Fotografias do lançamento de Revisão : Bandas Desenhadas dos anos 70 na Feira Morta (jardins da Biblioteca dos Olivais / Bedeteca de Lisboa, dia 9 de Julho)...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Quantos š tem "desassossego"?


CHEGOU a antologia š! número especial dedicado à BD portuguesa e ao "Desassossego"!!! 

A Chili Com Carne deu apoio na selecção dos artistas a incluir neste volume e numa discussão com a redacção da Letónia chegou-se à conclusão que Portugal tem a mania de dizer que é um "país de poetas". Se for verdade, ao menos que se actualize ao século XXI e que eles sejam "visuais"! Daí a razão de explorar explorar o "desassossego", um dos maiores marcos literários do século XX do "nosso" Fernando Pessoa, para definir as tensões gráficas e narrativas angulares que unem esta lista de artistas ímpares: Amanda Baeza, André Lemos, André Pereira, Bruno Borges, Cátia Serrão, Daniel Lima (imagem), Daniel Lopes, Filipe Abranches, Francisco Sousa Lobo, Joana Estrela, João Fazenda, Marta Monteiro, Milena Baeza, Paulo Monteiro, Pedro Burgos, Rafael Gouveia e Tiago Manuel.

à venda aqui




...
texto (original e em português) de Marcos Farrajota para este número: 


Tudo o que fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer*. 

Os meus olhos queimam de tanto tempo que passo em frente ao monitor para escrever algo de original sobre a banda desenhada portuguesa. Desta Arte só podemos dizer que ela será boa para ti se tu fores boa para ela. Ainda assim, ela é uma tontura, uma pechincha, um suplício, um esforço inútil sem causas nem consequências, sem glória ou recompensa. Em Portugal e noutras partes do mundo, fazer BD é simplesmente um acto isolado, sem consciência de classe e sem localização de parentescos e aliados - que safodam as redes sociais, elas não ajudam em nada para quem se mete numa mesa a tentar equilibrar imagens e textos.

Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito de viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade, e a hiperexcitação*. 

Perguntei a António Kiala** opinião. Ele responde-me com a sua habitual fúria: “o que distingue a BD portuguesa das outras é a História do seu próprio país que sempre se acomodou ao esclavagismo e colonialismo e que devido à periferia europeia não teve problemas de sustentar um fascismo “light” (tudo é leve no nosso país) durante 50 anos. Esse clima católico e bem-comportado (senão iam para fogueira da Inquisição) tornou o povo analfabeto e dócil num húmus nauseabundo o que não impede que o génio sobressaia em alguns autores!” Tem de ser assim, senão a palavra “génio” nem existiria. Poucos mas bons! De baixa estatura também. E morenos, embora essa pureza genética dê vontade de rir – só os ingénuos e idiotas é que acreditam em eugenias e raças puras de cavalos. Por acaso, só na selecção de autores feitos neste número do Kuš! muitos têm mais que um metro e setenta e alguns até são loiros. Podiam passar por letões ou um eslavo menos deslavado. Em comum são autores que se dissociam obviamente do cliché da BD masculina, heterossexual e caucasiana – embora pouco importa a cor de pele ou a opção sexual quando não se tem talento ou vontade de dizer o que lhe vai na Alma.

Porque se sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura (Alberto Caeiro)* 

Pediram-me para escrever sobre a BD portuguesa. Um exercício inútil. Que adianta escrever aqui nomes de autores, publicações ou obras se nem os portugueses os conhecem ou se dignam a reconhecer? (incluindo as gentes da cena da BD que são uns merdas ignorantes) Para quê o “name-dropping” se não se pode encontrar os trabalhos de forma acessível? Se vierem a uma livraria portuguesa estranhamente até poderão encontrar duas obras reeditadas dos anos 70 - Wanya, de Augusto Mota e Nelson Dias e Eternus 9 de Vitor Mesquita - mas irão se rir da naivitée da época. Dos anos 80 nem há livros para falar. Só a partir dos anos 90 que até podem encontrar livros de BD portuguesa no estrangeiro como História de Lisboa de A.H. Oliveira Marques e Filipe Abranches e Mr. Burroughts de David Soares e Pedro Nora, ambos em francês. Neste milénio até há mais livros editados, alguns 14 anos depois da sua publicação portuguesa como os do Pedro Burgos e o do Pedro Brito com o João Fazenda em França, Polónia e Itália.

Por cá, o mercado da BD popular foi desaparecendo ao longo do século XX mas os seus autores sempre estiveram bem alinhados aos sabores dos tempos: dos grandes mestres do desenho realista e aventura (Victor Péon, Fernando Bento) aos fabricantes dos “grandes narizes” (Carlos Roque, António Fernandes Silva), dos que esmiuçam os políticos na imprensa (Nuno Saraiva) até aos que mostram as cuecas dos super-heróis no seu mercado (Jorge Coelho), houve sempre um pouco de tudo em doses homeopáticas e sempre com qualidade técnica irrepreensível. Mas não é destes que interessa escrever nem dos seus problemas profissionais – tal pode ser lido em Quadradinhos: Looks on Portuguese Comics, catálogo-antologia editada no âmbito do Festival de Treviso 2014.

Viver não vale a pena. Só olhar é que vale a pena. Poder olhar sem viver realizaria a felicidade, mas é impossível, como tudo quanto costuma ser o que sonhamos. O êxtase que não incluísse a vida!* 

Os movimentos da BD portuguesa não são de fluxo em progresso mas de interrupções contínuas que não oferecem passado nem futuro. Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) deu o verdadeiro arranque editando jornais e álbuns humorísticos que deveriam ser modelo para todos e até fez o primeiro acto de autobiografia com No Lazareto de Lisboa (1881). Não teve seguimento... Carlos Botelho (1899-1982) será excepção à regra da História com o seu misto de crónica, autobiografia, jornalismo e sátira, sabe-se lá como resistiu entre 1928 e 1950 a fazer uma página semanal no jornal Sempre Fixe! O Estado Novo tinha sido instalado dois anos antes embora seja verdade que algumas vezes a Censura deixou passar desenhos seus em que Mussolini e Hitler seminus eram expulsos do Paraíso – já agora, o ditador italiano fazia de “Eva” e é nomeada de “Mussolina”. Os especialistas internacionais da BD não pensam nestes dois autores como património mundial, Pinheiro ou Botelho não tiveram impacto internacional (nem poderiam com um país fechado ao mundo) por isso: continuem a brincar com as pilinhas da Krazy Kat (apesar de ser uma gata) e do Calvo!

Logo após a revolução de 25 de Abril de 1974 já havia Visão (revista entre 1975-76) aberta ao psicadelismo e à anti-autoridade. O anarquismo era “light” (Kiala dixit) mais a dar para o maoísmo resminga e não foram longe nem parecem ter tido consequências… É preciso esperar pelo pós-modernismo da revista Lx Comics (1990-91) para se ver a amplitude que a BD poderia ter mas ninguém percebeu aquilo. Depois veio a instituição pública da Bedeteca de Lisboa para conduzir a geração “indie” dos anos 90 para um “boom” mediático e editorial em que de repente, tudo parecia ser possível. Esse trabalho destes tempos foi decaindo lentamente a partir de 2002 até ao esquecimento de hoje, embora a biblioteca continue num edifício amarelo e com o maior acervo de BD nacional para consulta e empréstimo domiciliário. Desde 2005 que a cena portuguesa em geral vive um vazio existencial mas que não tem durado mais tempo do que os intervalos entre as outras referências históricas aqui indicadas neste parágrafo.

Este vazio nem deveria ser problemático porque há muito que vivemos sem Deus ou qualquer outro tipo de centro. É impossível agrupar estes artistas que entram neste livro a qualquer movimento até porque há aqui idades e percursos muito diferentes, isto ao ponto de apesar os conhecer quase todos, nem sabia que a Marta Monteiro fazia BD – foi o David Schilter que “descobriu” esse facto. Tal como foi ele que me indicou a Joana Estrela (tudo bem, ela andava pelos países bálticos) mas o mais importante foi que o Kuš! publicou o primeiro livro da Amanda Baeza.

Chegamos ao ponto deste mistério total que é porque raios a Kuš! está recheada de dissidentes? Existe outra palavra para eles? É certo que alguns até se movem em colectivos organizados como a Chili Com Carne (Daniel Lopes, André Lemos, Francisco Sousa Lobo, Rafael Gouveia), Oficina Arara (Bruno Borges) ou Clube do Inferno (André Pereira) – esse fenómeno incompreensível para os portugueses: a colectividade – mas a maior parte são “lobos solitários” como a Cátia Serrão e o Daniel Lima. Há “lobos” cheios de gente como o Tiago Manuel que deverá ultrapassar “as pessoas do Fernando” com o seu projecto de 25 heterónimos – a sua belga Marriette Tosel foi seleccionada pela Society of Illustrators no ano passado! E há o Paulo Monteiro que apesar da sua faceta institucional à frente da Bedeteca de Beja e respectivo Festival de BD, tem poesia pelos poros que afecta editores estrangeiros – é o autor português com mais edições estrangeiras do seu único livro! Estas internacionalizações são um fenómeno recente, durante muito tempo Portugal não participava na festa do intercâmbio. Sentia-se bem a comer gordura animal e batatas vindas da aldeia, era preciso que “viessem cá” para perceber o que se passava. O génio cria para a gaveta e é preciso que o chateiem!

Eles ficam comovidos com os desafios, claro. Afinal, o isolamento que sofrem é digno de um Arthur Dent*** que durante anos foi abandonado sozinho num planeta qualquer no Universo. As respostas sobre tudo isto da BD portuguesa que não consegui escrever na verdade estão nas sábias palavras que Dent pronunciou ao aparecer-lhe o primeiro ser inteligente, Bowerick Wowbagger the Infinitely Prolonged, nesse exílio e faço questão de citá-las: Whh...? Bu...hu...uh ... Ru...ra...wah...who?




*Frases do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa
**Prof. Universitário angolano de Sociologia que reside entre Lisboa e Belfast, um dos fundadores do zine Mesinha de Cabeceira e “think tank” na cena alternativa nos anos 90.
***Atenção, estamos no domínio d’O Guia Galáctico do Pendura de Douglas Adams!






quarta-feira, 8 de outubro de 2014

The Treviso Team


Os autores por cima: João Fazenda, Filipe Abranches, Alberto Corradi (comissário da exposição Quadradinhos : Sguardi sul fumetto portoghese) e Pedro Burgos. E editores por baixo: Marcos Farrajota e Luigi Filippelli da MalEdizioni (que tem publicado livros de BD portugueses em Itália). Fotografia de Joana Pires após uma conferência sobre BD portuguesa.
Grazie Alberto C., Alberto P., Nicola e Mirko (Mimisol)!
Entretanto os catálogos já chegaram a Portugal! Esta semana passarão a estar acessíveis ao público...

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Chili Com Carne @ TREVISO Comics Festival

desenho de Pedro Burgos

   
Portugal é o país convidado para o Treviso Comic Book Fest, a acontecer entre 24 e 28 de Setembro.

Importante festival de Banda Desenhada que graças ao comissário Alberto Corradi (também autor que foi publicado na nossa seminal antologia Mutate & Survive) tem estado atento às recentes edições italianas de livros dos portugueses Filipe Abranches (História de Lisboa com argumento de A.H. de Oliveira Marques), Pedro Burgos (Airbag) e João Fazenda (Tu és mulher na minha vida, ela a mulher dos meus sonhos com Pedro Brito), autores que aliás estarão presentes no evento.

A exposição com originais Quadradinhos: sguardi sul fumetto portoghese contará com 14 artistas nacionais como Filipe Abranches, Joana Afonso, Ana Biscaia, André Coelho, Jorge Coelho, João Fazenda, Afonso Ferreira, Francisco Sousa Lobo, Pedro Burgos, Pepedelrey, Miguel Rocha, Rudolfo, Nuno Saraiva e José Smith Vargas.

Estará patente no Spazi Bomben / Fondazione Benetton, inaugurando dia 27 de Setembro e estará patente até 12 de Outubro.

De realçar que haverá um catálogo bilingue (italiano e inglês), co-editado entre a MiMiSol e a Chili Com Carne, que inclui um prefácio de Marcos Farrajota, uma eficiente História da BD portuguesa por Corradi e BDs dos autores participantes na exposição, e em alguns casos com textos de outros autores - Biscaia com texto de João Pedro Mésseder, Rocha com Susana Marques, Afonso com André Oliveira e Jorge Coelho com Paul Allor.

O catálogo teve o apoio da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e do Instituto Português da Juventude e Desporto.

...

No regresso desta aventura haverá catálogos disponíveis para Portugal - mais tarde podermos dar informações de preço, quantidades, descontos para associados, jornalistas e lojas.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Seitan Seitan Scum / ESGOTADO


O número #22 do zine Mesinha de Cabeceira edita trabalhos de projectos frustrados pela inércia alheia e uma série de novos trabalhos vindos do outro lado do Atlântico sobre o tema das "Seitas"
.
Chegou em 2010 numa altura que Portugal recebeu o decadente representante da Seita Seminal - a que criou as estruturas repressoras mais complexas da História da Humanidade. O Papa Rammstein fez de Portugal o seu penico católico e os portugueses nem piaram. Fecharam a Baixa Lisboeta para ele poder mijar disparates e o Estado português subserviente e salazarista deixou os seus Ministérios serem fechados, bem como escolas, universidades, bibliotecas e tudo o que é "seu" e ainda mandou rebocar carros para que o Papa Mais Feio de Sempre ("por cada pecado cometido, uma ruga te marcará a cara", como está escrito na Bíblia Sagrada!) possa sujar as nossas ruas com a sua legião de beatas pestilentas
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A única hipótese de salvar o país seria se o Representante Máximo do Porco Nazareno tivesse trazido a Peste Negra que lhe deve estar naqueles genes de Rato Negro e dizimasse todos os tontos que lhe cortejam. Mas o Universo é injusto e cruel e isso não acontecerá...

Restou-nos publicar o Seitan Seitan Scum
...
Depois de mil atribulações, em que os editores do projecto já achavam que haveria uma Cabala contra o livro, conseguimos reunir ilustrações (muitas) e BD's (poucas) dos portugueses Bruno Borges, Pepedelrey, Filipe Abranches, Pedro Zamith (capa), Mulher-Bala, Jorge Coelho, André Lemos, José Feitor, João Maio Pinto, Daniel Lopes, João Tércio, Ricardo Cabral, e ainda cartuns de Silas - a representar a ala Protestante, bem como o Panque Roque do Senhor (ele pertence à banda Pontos Negros e outros projectos FlorCaveira)
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Do Brasil surgiram muitas propostas de bd vindas dos colectivos mais dinámicos do momento como o pessoal das revistas Prego (Chico Fêlix, Guido Imbroisi e Alex Vieira) e Samba (Gabriel Mesquita, Gabriel Góes e LTG), e do colectivo Pégassus Alado representados por Biú, Roberta Ramos e Stevz, e que nos visitaram em 2008 no evento Brucutumia. Também temos o Fábio Zimbres - excelente grafista e responsável pela extinta mas muito influente revista Animal - que desenhou uma história de Marte (Loverboy, NM), argumento escrito para outro projecto frustrado
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Por fim, temos ainda o norte-americano satânico-que-baste e polémico Mike Diana que numa BD decide homenagear a banda portuguesa industrialita Bizarra Locomotiva! Os originais, aliás, já tinham sido apresentados no evento Furacão Mitra, em Dezembro de 2008 na sua visita papesca, e nunca chegamos a perceber porquê a razão de tal coisa... aliás, não se percebe nada deste livro!
Amén!
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60p A4 a cores. edição brochada.
ISBN: 978-989-8363-00-8.
co-edição El Pep e Chili Com Carne
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Historial: lançamento a 20 de Maio 2010 na loja Trem Azul / Chiado After Work com a presença de alguns dos autores ... 3º prémio do Slowcomics Best Fanzine 2010 pela Fundação Franco Fossati (Itália) 
... 
Feedback: uma excelente antologia de histórias em quadrinhos, colagens, cartuns e ilustrações que falam – ou emitem pensamentos telepáticos – sobre as mazelas das religiões como um todo – ou como a própria contra capa resume, descrença secular. Nada recomendado para os de fraco estômago e os mais ortodoxos. Amém. Pula Pirata ...
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exemplos de trabalhos (Stevz, Mulher-Bala, Mike Diana e Daniel Lopes):

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MESINHA de CABECEIRA POPULAR #200 / ESGOTADO

a continuação do zine CriCa Ilustrada, ou se preferirem do Mesinha de Cabeceira foi lançada na 5ª Feira Laica (Dez'06) / Mesinha de Cabeceira Popular (Popular Bedside Table) comix-zine is out!!!
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formato e número de páginas (lombada de livro) / format and number of pages : 21 x 26 cm, 72p
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o tema é a "cultura pop" / the theme is "pop culture"
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o objectivo é fazer uma reflexão sobre a cultura popular: ícones, mediatização, globalização / we want to do a reflection about the pop culture: icons, mass media, globalization..
línguas oficiais: português e inglês / official languages: Portuguese and English..

colaboradores / contributors: Eric Braün, Claudio Parentela, Jano, Jakob Klemencic, Brian Chippendale, Stijn Gisquiere, Nuno Pereira, Filipe Abranches, Dalibor, Katharina Hausladen & Dice Industries, Tommi Musturi, João Chambel, André Lemos, João Maio Pinto, Pedro Zamith, S.G. & José Feitor, Monia Nilsen, Nuno Duarte & Pepedelrey, Joana Figueiredo e Marte & Jorge Coelho
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apoio / support: Instituto Português de Juventude
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feedback: MdC deu passinhos curtos e devagarinho, mas não deixou de os dar. E como um pesado dinossauro, quando dá uma dentada, ela é valente e deixa marca (...) apresentando um programa “curatorial”, uma vez que o editor convidou os autores a se pronunciarem sobre a noção de “popular”, apresentam-se aqui as mais díspares vozes e perspectivas sobre o que de mais normalizado nos pauta a vida (...) um novo passo para a consolidação deste como um dos melhores zines ou revistas de bd da actualidade em Portugal - Pedro Moura / Ler BD

há a considerar a elevada qualidade gráfica do objecto artístico de recente realização, e do numeroso grupo de prestigiados colaboradores nacionais e alguns estrangeiros - Geraldes Lino / Fanzines de Banda Desenhada

MdC tem-se vindo a afirmar como um espaço privilegiado de divulgação do meio bd underground, de Portugal e não só, e cada novo volume tem elevado bastante a fasquia da qualidade. Este tomo popular, talvez o mais bem conseguido das MdC’s, representa o que de melhor se vai fazendo na bd portuguesa e já vai sendo altura – tanto do projecto como dos seus autores – de terem outro nível de exposição - Ricardo Amorim / Entulho Informativo

Para os amantes da bd a revista Mesinha de Cabeceira representa quase um espécie de "Bíblia" (...) sempre foi uma espécie de revista mutante - Umbigo

Se há algo que consegue transmitir na perfeição o espírito tresloucado que anima as 70 páginas de Mesinha de Cabeceira Popular#200, edição dedicada ao tema “Pop”, são as intrigantes ilustrações nos versos da capa e contracapa, assinadas por Nuno Pereira: estes Monstros Modernos parecem embriões dos Novos Deuses imaginados por Neil Gaiman em American Gods: os deuses do hiper-consumo (na terminologia de Gilles Lipovetsky) e da tecnologia. Na realidade, faz sentido a tecnologia ser endeusada, visto que, ao contrário da ciência, na qual ela se suporta, vive da adulação, da “busca espiritual” de quem compra. Um culto da compra cujo evangelho é a “Popblicidade”. O MdC Popular#200 é um excelente compêndio de bd's e ilustrações esgrouviadíssimas que satirizam excessos e tiques da Pop Art. Os trabalhos de João Maio Pinto, Marte & Jorge Coelho e Monia Nilsen são, na minha opinião, os mais sólidos, mas como ficar indiferente à musicalidade de um título como “Gang-Raped by Dolphins” ou ao sentimento de absurdo montypythoniano que atravessa as pranchas de Nuno Duarte e Pepedelrey? Ah! Já vos disse que Jacob Klemencic desenhou um velhote mal-humorado com um barrete de lã igualzinho ao capacete do Astérix numa galeria de sósias feiosos de personagens famosas? Digam lá se o “Pato Donald” não parece mesmo o Thomas Pynchon…Trata-se de uma edição feita com bom gosto paranóico pela Chili Com Carne, responsável por algumas das mais arrojadas experiências visuais que se podem encontrar neste preciso momento nas livrarias. 4,6 - David Soares