domingo, 31 de maio de 2020

Nódoa Negra na SNOB


Projecto vencedor da edição deste ano do concurso interno, Toma lá 500 paus e faz uma BD (2018), a antologia Nódoa Negra reúne as participações de doze autoras: Bárbara Lopes, Cecília SilveiraDileydi FlorezHetamoé, Inês Caria, Inês Cóias, Marta Monteiro, Mosi, Patrícia Guimarães, Sara Figueiredo Costa, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro.

No nosso imaginário a Dor pertence ao campo físico, neste pensamento associamos sempre o nosso corpo a um estado de dor físico e facilmente nós esquecemos que existem vários níveis de dor, entre eles, a dor emocional/ psicológica, que por sua vez, ocupa o mesmo peso que a dor sentida fisicamente. Assim, partindo da vontade de trabalhar a plasticidade da temática da dor e de querer perceber os vários entendimentos ao seu respeito, foram convidadas onze artistas e uma escritora, que partilham a paixão pelo desenho, a banda desenhada e a ilustração, para que através do seu olhar e desenho/ escrita, reflectissem sobre a dor. Ao longo da antologia, será perceptível que cada artista tento tido como ponto de partida a temática geral da dor, escolheu desenvolver graficamente uma dor específica: do parto, do confronto com o outro, dor menstrual, de amar, da solidão, de esconder a dor, da ausência, do luto, do crescimento, de alma...

NN

Curiosamente e historicamente esta poderá ser a primeira antologia de autoras coordenado exclusivamente por autoras. Isto é, apesar de alguns números especiais de revistas, fanzines ou livros de "BDs no feminino" que apareceram nos anos 90 (G.A.S.P. ou Azul BD3) e no novo milénio (Quadrado #3 / 3ª série, Allgirl'zine e QCDA #2000) estas publicações não foram organizadas pelas próprias autoras como acontece no presente projecto vencedor.

NN

19º volume da Colecção CCC. 138p. p/b, 16x23cm, capa a cores, edição brochada. Coordenação, design e capa por Dileydi Florez. Contra-capa: Marta Monteiro. Projecto apoiado pelo IPDJ
In Portuguese with English translation. 

NN

Historial: 
lançamento no dia 18 de Outubro 2018 na ZDB com exposição de originais e apresentação por Catarina Cardoso (Portuguese Small Press Yearbook) ... Apresentação na BD Amadora 2018 dia 10 de Novembro, com presença de algumas das autoras seguido de sessão de autógrafos... nomeado para Prémio de BD Alternativa no Festival de BD de Angoulême 2019 ... artigo de Pedro Moura na Mundo Crítico com BD sobre o livro por Dileydi Florez ... exposição no Festival de BD de Beja de 29 Maio a 16 Junho 2019 ...

O livro está disponível na loja em linha da Chili Com Carne e na Tigre de Papel, Linha de Sombra, Sirigaita, BdMania, Tasca Mastai, Matéria Prima, Utopia, Black Mamba, ZDB, Mundo Fantasma, Kingpin BooksLAC, Stet, Bertrand, Snob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), A Vida Portuguesa, Tinta nos Nervos e Letra Livre.
BUY @ Le Mont-en-L'air (Paris), Neurotitan (Berlin), Quimby's (Chicago), Ugra Press (Brazil)

NN

Feedback:

um livro-barómetro no feminino sobre a dor
Amanda Ribeiro in P3 / Público

O título é duro (...)
João Morales in Time Out (Lisboa)

ontem li o Nódoa Negra. é tão bonito que até dói, meu. a história da Patrícia Guimarães é incrível. parabéns! 
Francisco C. (por e-mail)

São testemunhos no feminino, são força, são ruído, são rasgos de agitação num panorama - ainda - pouco dado a movimentos bruscos. A primeira antologia totalmente construída por autoras em Portugal é muito mais do que uma afirmação, é a casa de uma intimidade que fende tabus e nos mostra que a existência inevitavelmente dói.
Tiago Neto in Vogue Portugal

Um livro sobre dores que desenham e escrevem num mais difíceis exercícios...
Inês Fonseca Santos in Todas as Palavras (RTP)

Tive conhecimento desta edição enquanto folheava um dos últimos números da Vogue. Como a recepção do livro na imprensa também passava pelo P3, Time Out e por um programa de TV apresentado por uma das tipas do Câmara Clara, tudo indicava que se tratava de mais um livro do ano. São só autoras a fazer este livro e ao que parece esta ideia surgiu da Dileydi Florez, que há uns anos tinha desenhado o Askar, o General, em tempos em que a associação Chili Com Carne estava imbuída por um espírito de masculinidade militar. Mas isso foi lá atrás, agora a associação pugna diariamente pelos direitos dos mais fragilizados pela ideologia dominante no tardo-capitalismo: entre essas figuras encontra-se a mulher. A premissa para o livro é interessante e tem um importante significado político: não há espaço na edição de banda desenhada para mulheres, por isso é preciso arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Quando estamos à espera que a bd da organizadora deste volume seja, então, um grande manifesto feminista, eis que termina com dois enormes paradoxos: primeiro, ao escrever que se alguém tiver uma vida mais consciente está a dar um passo para sofrer menos, Florez parece estar a preparar uma sólida carreira como autora de manuais de auto-ajuda; segundo, a bd termina com o salvamento da mulher frágil pelo seu príncipe encantado, desvirtuando a ideia da autonomia feminina. No entanto levanta um problema importante que será transversal a todo o livro: o corpo e a sua vulnerabilidade. (...) Mas o sofrimento também se revela de outras formas e é aqui que o livro se transcende (...) é também o sufoco provocado pelo assédio doméstico que acompanha o crescimento da futura «dona-de-casa» - eufemismo para «escrava da família patriarcal», se puxar do meu jargão a transbordar de ideologia. É este o tema dos «Bons costumes», de Sílvia Rodrigues. A Nódoa negra beneficia ainda de uma multiplicidade de linguagens gráficas, destacando-se a manga da Hetamoé e a arte bruta da Inez Caria (...) há ainda a contribuição da Susa Monteiro, que me parece estar cheia de referências eruditas à arte contemporânea, ou então mostra apenas a tristeza profunda de um tenista que não consegue jogar ténis contra um cavalo. A fechar o livro, a Patrícia Guimarães colabora com a melhor bd do volume, não só porque ataca o importantíssimo tema da apatia provocada pela rotina quotidiana, como estiliza a narrativa num daqueles puzzles de deslizar peças, como que a dizer que a efemeridade da arrumação é mera ilusão e que o próprio caos é só mais um episódio da organização da vidinha. Mas a vida é só pathos? Não: a Cecília Silveira diz que também há espaço para minetes e para fisting com luvas de boxe, como que a lembrar que o sexo falocêntrico é também uma forma de violência e de exercício de poder sobre o corpo feminino.
Russo in A Batalha

(...) o muito interessante Nódoa Negra.
Jornal de Letras

NN

Ficam aqui algumas páginas:

Bibliografia das autoras na Chili Com Carne: 
MASSIVE (2009) c/ Marta Monteiro
Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 (2010) c/ Sílvia Rodrigues
Boring Europa (2011) c/ Sílvia Rodrigues
Futuro Primitivo (2011) c/ Inês Cóias, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro
Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno (2012) c/ Sílvia Rodrigues
QCDA #2000 (2014) c/ Hetamoé e Sílvia Rodrigues
- Askar, o General (2015) de Dileydi Florez
Malmö Kebab Party (2015) c/ Hetamoé
QCDI #3000 (2015) c/ Hetamoé
Maga : Colecção de ensaios sobre Banda Desenhada e afins (2015) c/ Hetamoé
Lisboa é very very Typical (2015) c/ Dileydi Florez
- Anarco-Queer? Queercore! (2016) de Rui Eduardo Paes, c/ Hetamoé
- Pentângulo #1 (2018) c/ Cecília Silveira e Dileydi Florez

sábado, 30 de maio de 2020

MAXIMUM TROLL-ON de BENJAMIN BERGMAN @ SNOB


Maximum Troll-on por Benjamin Bergman editado pela MMMNNNRRRG

Troll On é uma BD de dois elfos e um cavalo metidos em várias aventuras que devem mais aos Freak Brothers ou aos Blue Brothers que ao Senhor dos Anais ou a Guerra dos Cornos ou lá o que é. 

As BDs são mudas mas canta-nos as aventuras destas personagens fantásticas entre ácidos e Sword & Sorcery, cogumelos mágicos e ZZ Top, MDMA e Conan, o BárbaroComparando com muita freakalhada da produção contemporânea como o Matthew Thurber ou Joe Daly, que parecem sempre pálidas imitações de Gary Pather, venham antes para este livro. 

Ele rocka prá caralhu!

Benjamin Bergman quando era puto deve ter absorvido demasiado desenhados animados e bonecada em PVC, daí ser um autor do famoso atelier de Helsínquia Kutikuti. Já nos visitou em 2009 numa Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e até sobreviveu até hoje um mural seu na entrada da biblioteca, feita colectivamente com Tommi Musturi, Jarno Latva-Nikkola e Tiina Lehikoinen. 





 108p TODAS a CORES e MUDAS (sem palavras) 12,5x17cm. edição brochada. Tiragem de 666 exemplares, publicado pelo autor na Finlândia e pela MMMNNNRRRG em Portugal - para cá estão disponíveis apenas 333 exemplares. Este 43ª volume da MNRG foi possível graças ao apoio do FILI - Finnish Literature ExchangeEsta série foi originalmente publicada em quatro fascículos pela Kutikuti e Boing Being, entre 2008 e 2013.

capa do primeiro fascículo

Livro distríbuido pela Associação Chili Com Carne
+
à venda na Linha de Sombra, Tigre de Papel, Tasca Mastai, Utopia, Mundo Fantasma, Matéria Prima e LAC, Kingpin BooksBdMania, Nouvelle Librarie Française, MOB, Snob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), FNAC, CotoviaLeituria, Bertrand, Rastilho and... Floating World  and Quimby's (USA), Just Indie Comics (Italy), Ugra Press (Brazil) und Big Brobot (Berlin)



Historial: 

Lançamento do Festival de BD de Helsínquia 2018
+
Lançamento português no 8º Necromancia Editorial no Milhões de Festa no dia 7 de Setembro como os CIRCLE como "banda sonora"
+
Autor presente nos dias 1 a 3 de Novembro na BD Amadora 2019




Feedback:

(...) extravasa a concepção clássica de BD, aliando as técnicas da ilustração ao mais puro expressionismo pop.
Time Out (Lisboa)

Num registo gráfico só aparentemente infantil, o autor finlandês Benjamin Bergman cria histórias em banda desenhada onde ecoam referências populares como os ZZ Top ou a série Conan, o Bárbaro, sempre atravessadas por um psicadelismo desencantado onde a acidez omnipresente parece dever tanto às substâncias químicas como à ironia mais aguda.
No final dos anos 1970 e depois 1980, existiam bonecos de PVC com cores garridas de todas as séries de animação, banda desenhada e outras. Tendo todas o mesmo tamanho, era prática comum guardá-las no mesmo local e não haveria quaisquer limitações a, quando se brincava, criar crossovers. O Estrumpfe de óculos e o Marco da Montanha podiam perfeitamente juntar-se para dar cabo do Flip, da Abelha Maia, enquanto o pai do Vickie e Willy Fog faziam apostas. E havia uma certa beleza em tê-los simplesmente empilhados, onde as formas de plástico e as cores garridas se misturavam num padrão promissor, numa espécie de alucinação visual sem drogas e confortavelmente caseira. Folhear Maximum Troll On partilha dessa energia.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

ANTOLOGIA da MENTE de TOMMI MUSTURI na SNOB



A Antologia da Mente (AdM) é uma colecção de histórias curtas pelo artista Tommi Musturi que inclui 37 trabalhos realizados entre 1997 e 2017. É um mergulho profundo na diversidade e formas diferentes de narrativa gráfica, pois Musturi usa estilos visuais e formas de contar histórias para nos entregar mensagens e ideias complexas. AdM inclui um artigo de seis páginas escrito pelo autor sobre o “Estilo” enquanto ferramenta artística.

As suas bandas desenhadas são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresentasse sempre em mutação.

128 páginas a cores em formato A4.
Tradução de Anna Katajamaki.
Edição limitada a 400 exemplares pela MMMNNNRRRG e apoiada pela FILI.




Historial: 
lançamento no Milhões de Festa 2018 / Necromancia Editorial ao som dos CIRCLE 
...
autor presente na BD Amadora 2019


Disponível na loja em linha da Chili Com Carnena Linha de Sombra, BdMania, MOB, Tasca Mastai, Black Mamba, Mundo Fantasma, Matéria Prima, A Banca, Utopia, Letra LivreLAC, Stet, Bertrand, FNAC, SnobCotoviaNouvelle Librarie Française, XYZOficina (CIAJGKingpin Books.

...

Feedback : 

Gostei muito, adorei o texto do Tommi Musturi sobre o estilo. É incrível ver um trabalho que mais parece ter sido feito por várias pessoas. 
Goran Titol (via e-mails)

Um primeiro olhar, desprevenido, sobre estas mais de cem páginas poderia induzir a ideia de estarmos perante um volume colectivo, tamanha é a diversidade de registos, cores e estilos presente nas histórias curtas de Tommi Musturi. A amplitude cronológica poderia justificar essa diversidade, não fosse tal justificação não só desnecessária como contraproducente. Musturi é um autor que preza a experimentação, a descoberta enquanto processo de criação e a liberdade gráfica e isso reflecte-se neste livro de um modo muito evidente. 
(...) Não há um tema único, sequer dominante. Musturi cria histórias sobre as pequenas alegrias e misérias do quotidiano, os abismos existenciais ou a límpida observação de um fenómeno. (...) Entre os 37 trabalhos, encontram-se histórias pensadas para os mais novos, como «Amizade» – realizada a convite da colecção de livros infantis Nuppuset, reflexões abstractas e marcadas pela auto-referência, como «Matéria Negra», criada para uma antologia literária, ou adaptações como a que se mostra em «Milagres», que resgata o poema homónimo de Walt Whitman em duas pranchas de uma imensa beleza formal. 
Sara Figueiredo Costa in Blimunda

Na Lista de Melhores Livros de BD de 2018 do Expresso
Sara Figueiredo Costa

(...) voltamos a ficar impressionados com a forma como Musturi procura explorar diferentes traços e estilos, um factor que faz parte do seu DNA enquanto autor, uma opção sobre a qual o autor se debruça no artigo A Prisão Do Estilo (E Um Plano De Fuga).
Gabriel Martins   



sexta-feira, 22 de maio de 2020

Os Homens Não Se Querem Bonitos



Homem Faca #1 é um fanzine de Guimarães com data de Dezembro de 2019 que até parece que vem substituir a hibernação do Surto. Não é só a geografia do berço nacional (fuuuuck that!) e formato A4 que partilham mas sobretudo a tomada de consciência que poesia, fotografia, desenho e banda desenhada podem e devem partilhar destinos editoriais em conjunto, por muito que isso meta nojo aos poetitas e "bedófilos". A diferença em relação ao Surto é que o Homem Faca é mais testosterona (e androstenodiona?), irrita por esse excesso e pelas páginas pixelizadas da inexperiência da "não-edição". 
O trabalho que mais se destaca é a versão em BD do excelente tema White Jazz de Metadevice, é curioso mas não imaginei aquelas imagens quando ouvia a música e letra mas mais fiel do que isto não poderá ser porque tem em comum a mesma autoria, o Manuel João Neto e o André Coelho. Mas vá, é preciso que este Homem Faca ande em frente para não parecer uma versão violenta do Fazedor de Letras... 

Não sei se sou eu que sou um nabo a procurar na 'net ou se não há mesmo nenhuma página oficial do projecto por isso digo-vos onde se compra, ou seja na Snob, a única livraria que leva a edição independente à séria!

sábado, 9 de maio de 2020

Regresso à anormalidade


Anda tudo entesado com a "normalidade" quando as narrativas são iguaizinhas, quer à Esquerda (trabalho, trabalho!) quer à Direita (a economia, temos de salvar a economia!), só merda, todos desejam voltar a vender patinhos de plástico e ir no fim-de-semana para a quinta muito-ecológica limpar a consciência com a prole (ops, herdeiros, prole é prós miseráveis). Felizmente há coisas que sairam nestas semanas para mantermos a cabeça sã e contra a velha ordem, como este livro Defects do norte-americano Thomas Grant Stetson pela Black Blood Press - editora de graphzines que há 10 anos que nos oferece as imagens mais chocantes aqui da periferia.
Na linha de arte grotesca, que se pode localizar nos punks anos 70 com o movimento graphzine dos franceses Bazooka vindo até aos dias de hoje com os Le Dernier Cri, eis uma galeria de corpos em formol, dissecados e esfolados, colocados em poses estatuárias a posarem arrogantes. Para quem? Talvez para quem as vendeu comida envenenada, para quem poluiu os ares que respiram, para quem lhes vendeu remédios que geraram abortos, quem sabe? Estes corpos corrompidos ter ar de desafio, isso é certo, fazem-nos mijar nas calças.
Edição menor que o formato A4 (o A4 é para parolos!) com 40 e tal desenhos feitos em caneta esferográfica cuja impressão offset capturou bem, eis a publicação mais "pro" da Black Blood, parabéns! Do autor nada se sabe, fez algum "artwork" para fonogramas pós-industrialitas mas também, queriam saber o quê mais depois disto?

Pode ser adquirido aqui ou pedido à Chili Com Carne - tanto faz, isto é underground, não há concorrência.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Gato Diplomatique




Como tem acontecido, há um ano para cá, eis na edição deste mês a participação de Tiago da Bernarda (O Gato Mariano) no Le Monde Diplomatique com uma banda desenhada segundo a seguinte premissa: Será a caneta mais poderosa do que a espada? Nestes tempos assanhados, desafiamos autores de Banda Desenhada a reagirem a esta pergunta. Nos próximos meses, a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique vai publicar as suas respostas...