domingo, 29 de março de 2020

Publicutin!



texto integral aqui

terça-feira, 24 de março de 2020

Saúde e Anarquia

Como sabem desisti de divulgar edições que escapam ao radar público desde que passei a colaborar no jornal A Batalha, tendo transferido essa tarefa para esse enorme prazer que se chama papel impresso.

Dado ao drama que vivemos e sabendo que a maior parte dos leitores tem medo de fazer assinatura de um jornal de expressão anarquista, decidi voltar a este blogue divulgar uma coisita ou outra para evitarem o lixo da edição nacional - já agora, para quem procura o melhor dos livros de BD em Portugal, consultem o sítio Bedeteca Ideal.

Não foi desistir de escrever em linha que me fez abandonar este blogue mas também alguma confusão de projectos - a participação no sítio oficial da Mundo Fantasma - que me levaram a acumular pilhas de livros e zines para um limbo promocional, desculpem! Entre as coisas para divulgar ficaram edições da canadiana Conundrum Press.

Science Fiction (2013) de Joe Ollmann parece uma peça de teatro entre um casal que passa uma crise gerada após o visionamento de um filme de ficção científica que irá incutir ao elemento masculino do casal, à beira de um ataque de esgotamento nervoso, a lembrança de ter sido raptado por um OVNI, quando era jovem. Ora como podem imaginar isto irá criar um stress em Sue (a mulher) que terá de sobreviver uma situação paradoxal, por um lado não pode acreditar no rapto e por outro que não pode abandonar o companheiro de seis anos de harmoniosa relação, que está em negação, recusa visita médica e mete-se no esterco da 'net à procura de comunidade de "idênticos" raptados.

É quase uma comédia de costumes, que pelo toque caricatural do grafismo e acutilantes diálogos lembra Hate do Peter Bagge, mas também é um livro inteligente sobre relações humanas, que sete anos depois torna-se ainda mais evidente dada a esta fase de isolamento social que estamos a viver - com toda a gente a queixar-se que vão ter de viver os próximos meses com a sua cara-metade e pimponhos que meteram neste planeta todo fodido.

O final, SPOILER!!!!, é pouco conclusivo e interessante, infelizmente, ainda por cima, o final da BD é imediatamente seguido por uma caricatura do autor a desculpar-se se está a ofender ou não os que acreditam em raptos alienígenas. Tontice final que estraga o livro. Uma solução é rasgar as páginas do livro a partir da página 105.

O primeiro volume da série Hobtown Mystery Stories de Kris Bertin (a) e Alexander Forbes (d) é o melhor antídoto para quem não papa as pobres chachadas norte-americanas da Dark Horse/ Image/ Vertigo, lançadas cá em Portugal, em regime de "dumping" nos últimos três anos. Quem têm aquele "guilty-pleasure" por géneros literários populares como os de Crime / Mistério / Aventura / Fantástico - sim, é verdade, HMS mete isto no mesmo saco - eis a solução totalmente inesperada.

The case of the Missing Men (2017) é um tijolo de 300 e tal páginas que invoca vários imaginários do passado (a acção para começar passa-se em 1996) e os ambientes dos tais géneros literários Pop, a começar logo pelo grafismo rigoroso de Forbes, a lembrar esteticamente alguma ilustração inglesa do início do século passado mas também muito da BD "indie" dos anos 80/90 como as de Dave Sim, Chester Brown, David Collier (Epá! Todos eles do Canadá! Curioso!!), quando isso significava trabalho árduo da técnica de traços cruzados, fundos detalhados e texturados.

É importante pensar que este livro extenso como é, com esta arte assertiva, sabendo (acho eu) que o livro / série não tenha uma grande exposição de vendas nem de traduções internacionais, que autores doidos serão estes para se dedicarem a anos de produção para a qualidade de livros assim??? É que isto não se faz desde do virar do milénio. Definitivamente não são assalariados da indústria dos "comic-books" e só tenho pena a CCC não tenha um modelo económico para lançar esta obra na sua Colecção Rubi.

O enredo lembra o cruzamento das aventuras dos Cinco com o Twin Peaks, referências mais do que gastas pelas críticas ao livro e desde logo exposta pela sua própria sinopse oficial. Certo! Só falta acrescentar o elemento fantástico que não irei revelar para não estragar o prazer da leitura. Sabem quando há livros de BD que nos levam umas boas horas de leitura mas não por verborreia? Eis um desses casos raros! Não comprem em Amazones e outros poluidores, existem ainda lojas de BD importada, é mais caro mas é mais justo, amigos!


Já referi aqui o David Collier. O seu livro Chimo (2011) estava guardado para escrever no sítio oficial da Mundo Fantasma, ia ser um artigo extenso porque este livro bem o merece, o autor também porque é daqueles que foram esquecidos com a cores histriónicas da geração "riso" deste milénio e porque tenho especial admiração pela sua obra. Também tenho de reconhecer que o esqueci durante uns anos e que só há poucos me apercebi que foi um autor influente no meu trabalho, sei eu ter dado por isso. Collier é daqueles autores que facilmente poderão colocar numa baliza entre Robert Crumb e Joe Sacco mas que tem uma voz própria, não é displicente e agressivo como Crumb nem político e formal como Sacco. É um observador, que tal como Aleksandar Zograf, sabe escrever crónicas interessantes em BD, seja sobre atletas ou sobre memórias de amigos punks dos anos 80. Pequenas estórias da História. Teve o seu próprio "comic-book" pessoal como todos tiveram direito nos anos 90, o Collier's que foi publicado em duas séries, a primeira pela Fantagraphics e a segunda pela Drawn & Quarterly. A primeira editora encomendava-lhe sempre umas BDs prá inacreditável antologia Zero Zero, foi daí que conheci o seu trabalho, destacava-se por ser o mais (o único?) sóbrio entre "animais" como Mike Diana, Richard Sala, Blanquet ou Kim Deitch. E a segunda editora publicou a maior parte dos seus livros a solo, até a Conundrum ser a sua nova casa.

Chimo (saudação inuíta) conta como Collier alistou-se no exército aos 42 anos, casado e com um filho! Aliás, realistou-se porque ele já tinha feito serviço obrigatório sem bem me lembro de BDs suas na Collier's. Porque raios este gajo fez isto!? Não foi para se armar em palhaço como o líder do CDS que só se ofereceu para motivos meramente mediáticos. É muito mais marado e interessante, Collier quis ser como o jornalista Sacco e ir para a frente de guerra no Afeganistão para participar num histórico programa artístico do exército canadiano mas o máximo onde ele conseguiu chegar nesse programa foi uma missão num barco militar e repreender uma traineira portuguesa a pescar fora dos limites de território - I shit you not! O exército não o deixa ir para uma frente de risco por questões de segurança (e de seguro). Frustrado, decide voltar prá tropa, naquela de ir para o conflito mas... fuck!, spoiler ou não, acaba por lixar o joelho nos treinos. A idade não perdoa! Isto dito desta forma não rende justiça às 130 páginas desta obra, tal a minúcia gráfica que referi em HMS e da informação en masse, desde a sua experiência militar - semelhanças e diferenças em 20 anos de vida - à história do SNS do Canadá, ufa! Tal como em Paying for it de Chester Brown, mistura-se autobiografia, ensaio e reportagem, deixando a sensação que ainda há BD excitante a descobrir caminhos.

Claro, que é daqueles obras que os parvinhos da BD vão dizer que só graças a vidas interessantes é que se faz boas BDs autobiográficas. Será? Claro que não e por várias razões, algumas poéticas que esses imbecis nunca perceberão... Mais Collier:


O nosso Primeiro Ministro insiste no desastre humano e ecológico que será o aeroporto no Montijo, especialmente nesta altura que a Natureza deu-nos a bela bofetada de humildade. A calamidade que vivemos vêm da destruição do planeta para consumo tonto. A propagação veio do turismo de massas que poluem em viajar futilmente - digo, por sabemos que as pessoas nem olham prás ruas onde andam, os olhos estavam sempre no Google Maps, deviam ter ficado em casa a curtir o Google Earth nesse caso. Viajar de avião e turismo parvo nos próximos anos vai ser privilégio das elites, dizer o contrário é mentir, por isso quem quiser aventura que se prepare como Collier em Morton (2017) que juntamente com a sua família atravessam o Canadá inteiro usando o bom e velho comboio! YEAH! Dica de semana para o Costa: mete as linhas da CP a funcionar, sff

Em íntimo autobiográfico e "factoids" de mil ordem - é o Collier! Memórias de família, bastidores do mundo da BD, episódios históricos, etc... etc... etc... Assim, viajamos num território com "pouca História e muita Geografia" no tom típico deste autor tão humano e pedagógico, no melhor registo de cadernos e literatura de viagem - claro, sendo BD tem sempre essa dupla vantagem: texto e imagem, viva! Era daqueles livros que podia estar na nossa colecção LowCCCost, até tem um mapa do trajecto na contracapa como nós temos nessas nossas edições!! Para quem já sabe que não irá para aquela parte do planeta, é aqui que deve apanhar a boleia!

Thank you Andy!

PS - sem misticismos baratos, há sempre estas coincidências na minha vida, quase três anos sem pegar nestes livros para os relatar e agora, eles batem em cheio com esta crise humana, especialmente Ollmann e Collier. Se calhar valeu a pena esta deriva.

quarta-feira, 18 de março de 2020

segunda-feira, 16 de março de 2020

WE


Genesis P-Orridge (Neil Andrew Megson), musician, writer and performance artist, born 22 February 1950; died 14 March 2020

Talvez o artista mais comentado e admirado na nossa colecção de ensaios partiu num mundo que ficará em casa nos próximos meses a ouvir os seus discos e a ler os seus feitos.

Dia 20 de Março a sua memória seria celebrada num evento entretanto cancelado.

sábado, 14 de março de 2020

The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros - Obra vencedora do concurso "500 paus!" (2013) --- recommended by DJ Cat!


The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros
de

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! 2013

"Peter Hickey is to paedophiles what birdwatchers are to hunters". Peter Hickey dixit. What is meant by this oblique statement is the crux of this graphic novel. Peter Hickey is a godless catholic perv. Peter hickey has a saint syndrome. "Peter Hickey está para os pedófilos como os observadores de aves estão para os caçadores", assim diz Peter. O possível sentido desta frase obscura forma o próprio cerne deste romance gráfico. Peter é um católico tarado e sem deus com um síndroma de santo.


140p. duas cores 16x23cm, capa duas cores, edição brochada
ISBN: 978-989-8363-32-9
In English with Portuguese subtitles / Em inglês com legendas em português


Buy: Neurotitan (Berlin), Orbital (London), Quimby's (Chicago), Dead Head Comics (Edinburgh), Just Indie Comics (Italy), Ugra Press (S.Paulo), Modern Graphics (Berlin), Mont en  L'Air (Paris)...



Historial: 

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2013) 
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Lançamento na BD Amadora 2015 
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Lista dos Melhores Livros de 2015 no Expresso 
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Best Graphic Novels (Portugal) by Pedro Moura in Paul Gravett site 
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Nomeado para Melhor Argumento pela BD Amadora 2016 
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Um dos Melhores Livros de 2016 no Expresso (apesar de ter saído em 2015... mucho weird!)
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Nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Desenho e Melhor Argumento pela Central Comics 2016 
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Spanish edition El Cuidado de los Pájaros by Reservoir Books (Penguin / Random House Spain)
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French edition by Rackham in 2020
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Best of 2019 by La Cárcel de Papel



"peeping tom" aqui / here





Feedback:  

Já li o livro do Francisco Sousa Lobo. Gostei, apesar de toda a problemática do pedófilo e de às vezes ser difícil lidar com o que se possa sentir pela personagem (mas pensei que em relação a isso o livro era mais problemático e comprometedor), tem momentos muito bonitos, dos pássaros presos na rede, ele a conversar com as aves, desadequação do personagem ao mundo... e a parte final em que enlouquece (não estaria já louco?) e se deita do chão de cara para baixo à espera de um raio que o fulmine. Achei bastante poético. 

I like its mysteries and allusions, the gaps left in the dialogues, great use of the gaps and faultlines between what we are shown and what we are told.  Congrats, it’s further proof of Francisco's great work and development.
Paul Gravett (by e-mail)

Um dos mais discretos e interessantes autores portugueses de banda desenhada regressa com uma edição bilingue, uma narrativa que revolve as vísceras da natureza humana para as mostrar frágeis e inúteis enquanto conta a história de um homem que podia ser o nosso vizinho do lado. 
Sara Figueiredo Costa in Parágrafo, suplemento de Ponto Final (Macau) 

Desta vez Sousa Lobo debruça-se sobre um dos assuntos mais sensíveis, o da pedofilia. Esta é a história de Peter Hickey, um homem que parece acreditar que “está para os pedófilos como os observadores de aves estão para os caçadores”, um conceito que será explorado ao longo destas páginas naquele que é, sem qualquer hesitação, um dos mais portentosos livros do ano.

Is eager birdwatcher Peter Hickey ‘a godless Catholic perv’ or does he have ‘a Saint syndrome’? Deeply discomforting themes of sin and sincerity are cleverly underplayed and implied. I enjoy the book’s allusiveness, the gaps Lobo leaves in the dialogues, and his great use of the faultlines between what we are shown and what we are told, leaving what is left for us to tease out. “Words can become phantom limbs we never knew we had…”

LE PETIT OISEAU VA SORTIR... The Care Of Birds est un roman graphique de Francisco Sousa Lobo publié initialement en 2014 par Chili Com Carne, une maison d'édition post-psychanalytique portugaise dédiée à la BD et au dessin. Peter Hickey est ornithologue: il a été formé à 9 ans par un homme qui aimait beaucoup lui tenir la main. A présent, à 60 ans, il aimerait transmettre sa passion pour les oiseaux, en tout bien tout honneur. Dans cette histoire, où "les mots sont des membres fantômes", le dessin ne fait que suggérer ce que le langage ne recouvrira jamais. Le personnage principal communique avec les oiseaux, qu'il aime plus que tout étudier en compagnie de jeunes garçons. Les oiseaux lui disent des choses, et semblent lui obéir. L’ambiguïté de ses rapports avec ses petits collaborateurs est développé à la manière d'un malaise onirique, d'une torpeur fiévreuse.
Benjamin Efrati in Droguistes (e-mail newsletter)

The Care of Birds é, sem qualquer dúvida, um livro maior. Um livro que se desprende de toda e qualquer amarra de género e dos mecanismos (narrativos, visuais, estruturais) habituais da banda desenhada, portuguesa ou outra. Um título que não tem qualquer ambição de chegar a “todo o público”, nem sequer de serenar ou emocionar aquele ao qual chegará. A poeticidade de Francisco Sousa Lobo é sofrida, exigente, abole quaisquer consensos possíveis. Sem efeitos de pirotecnia emocional, lê-lo é uma armadilha se se toca a raia dos seus perigos. Difícil, profundo, angustiante, de uma lentidão que não significa tranquilidade, desprovido de quaisquer adornos e de efeitos, The Care of Birds é um jogo de tensões entre o melodrama de um Dostoievsky e a paralisia de um Kafka.
Pedro Moura in Ler BD

Despite its 100-plus pages, The Care of Birds is a tale mostly made of silences and doubts, both of the protagonist and the reader. Peter Hickey is an older man, an accomplished birdwatcher, birdsong imitator and bird draughtsman. But he is assaulted by strange feelings of seemingly innocent friendship toward children, which might be interpreted by many as pedophilia. A profound Catholic, Hickey is at the same time well aware of an uncrossable line but also haunted by sinning, that may or may not have taken place. All the questions that arise from the little plot there exists, if answered, are ambiguous. Difficult, profound, agonising, slow-paced but not tranquil, bereft of adornment and effects, The Care of Birds is a tour de force between Dostoevskyan drama and Kafkesque inaction, making it not only a great book within the Portuguese context but internationally as well.
Pedro Moura in Paul Gravett site

I just red The Care of Birds, liked the how the narration goes and the angle, remind me a bit of Hornschmeier work 
Franky (Les Requins Marteaux)

Se quisermos reduzir Sousa Lobo ao Santo Graal da assinatura do artista, podemos falar num programa que é recorrente no seu trabalho e que envolve estruturas de autoridade, doença mental e perversão. (...) Com um pezinho dentro e outro fora, entrar na galeria de arte ou na igreja com uma BD debaixo do braço continua a ser mais que uma provocação. É um acto de rebelião.
Hugo Almeida in Mundo Fantasma

The books look amazing, really nicely presented and designed. So far I've only had time to read the first section of The Care Of Birds, which I really enjoyed - looking forwards to continuing, also looking forwards to reading the other books as well. Andy Martin, one of the chaps in the band UNIT is a total bird fanatic, so maybe I'll pass The Care Of Birds on to him when I've read it
pStan Batcow (Pumf, Howl in the Typewriter) by e-mail

Même si quelques points d’appui, assez rares, quasi hors champ (à l’exception de la dispensable image de couverture) viennent peut-être inutilement-nous rappeler de quoi nous sommes en train de parler, c’est de loin le travail le plus subtil, le plus saisissant et le plus intelligent que j’ai vu traiter de la pédophilie depuis bien longtemps. Cette position, évoquée ici par un prisme clinique dont je n’ai jamais entendu parler — le syndrome de sainteté — mais qui n’est peut-être qu’une métaphore de l’auteur lui-même, se superpose à celle du birdwatcher — l’observateur ornithologique. Chaque touche nous faisant lentement approcher la psyché de la figure centrale est amenée de manière à produire, très finement, plus de questionnement et de trouble que de réponses ; ce sont les mouvements de fond des représentations de l’enfance chez l’adulte qui sont décortiquées, exposés à la lumière de désirs informulables, conduits dans de beaux couloirs métaphoriques, plutôt que la lecture factuelle d’une criminalité sexuelle tangible (et rien, d’ailleurs, dans le récit, ne laisse imaginer que la pédophilie soit menée ici à son terme ; ce n’est pas l’objet). Je me suis laissé faire assez rapidement par ce dessin au départ un peu rebutant, ces montages de plans exsangues, pour y voir pas à pas tout ce que cette claudication ouvrait comme inattendu de la marche, comme sortie de champ, comme invention. Il faut vraiment traduire urgemment ce truc, les gens. Il y a une intelligence warienne assez rare de la métaphore et des jeux de durée, mais également une solide culture littéraire qui affleure sous cette écriture subtilement polysémique.
The Care of Birds was definitely my favourite. There was something about the character that made me think of Raymond Briggs' book When The Wind Blows (the old man character in that story seemed to have similar mannerisms and characteristics). Your character is appealing, despite being a little twisted.
pStan (Pumf) by email

Curiosa y compleja aproximación la que hace Francisco Sousa Lobo al meterse dentro de la mente de un pedófilo, no practicante, que deambula en su día a día atrapado por sus bajas pasiones y su amor por el mundo de los pájaros. Una historia que remueve la conciencia y de paso también las tripas del lector, no tanto por lo que cuenta sino por lo que sugiere. Lleno de silencios, este cómic es una verdadero prodigio de narración demostrando que no siempre lo que se muestra es todo lo que se cuenta. (...)
El escritor, Francisco Sousa, se ha metido en un jardín y ha salido de él con nota. (...) De lectura sencilla, amena y reflexiva, este libro editado por Reservoir Books es un pequeña joya que podría pasar desapercibida si el mensaje no fuera la angustia vital de un hombre destinado a no encajar en la sociedad.
(sobre a edição espanhola) in Negra y Mortal

Hay que apostar por los cómics y los autores valientes, que arriesgan adentrándose en cuestiones de lo más espinosas, explorando las posibilidades que el medio proporciona. Es el caso de El cuidado de los pájaros del portugués Francisco Sousa Lobo, que publica Reservoir Books (...) El mérito de Francisco Sousa Lobo es lograr sumergir al lector en una obra tan tensa y oscura sin cargar las tintas de un asunto tan sensible ni subrayar el drama. Su uso de la elipsis narrativa es sensacional, sugiriendo —esas páginas 94 y 95— más que mostrando, y sin miedo a las viñetas que no necesitan texto para contarlo todo —esos sudores—. Una sutileza que asimismo se refleja en el aspecto visual, austero hasta el extremo, tanto en el parco uso del color —verdes y negros—, como en la simplista ilustración. Elementos que ahondan en lo enfermizo y la comezón interna del personaje central, y que permiten al lector centrarse en el meollo de un relato perfectamente armado, y de indiscutible pegada, sobre la oquedad y fragilidad humanas.
(sobre a edição espanhola) in Indienauta

Franciso Sousa Lobo se atreve, ni más ni menos, que a abordar el tema de la pedofilia. Pero lo hace sin amarillismo, sin efectismos, de una manera intima, y personal, casi tratando de comprender qué pasa por la mente de un pedófilo, en este caso, la de Peter Hickey, un hombre que vive agobiado por las dudas, por lo que sabe que es y no quiere ser, por tratar de entenderse, y siempre bajo la atenta mirada de la fe cristiana. No es un tebeo fácil, pero merece la pena enfrentarse a estos temas y alabar la valentía del autor.
(sobre a edição espanhola) in Blog de Comics

A slow-paced story that I’m not entirely sure how to describe, but that I enjoyed in all its mundanity.
The Care of Birds is so simple and beautiful

Feliz Natalixo! Porque o Natalixo é quando um homem quer!



Mesinha de Cabeceira #27 : Special XXXmas : Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno de Nunsky

Publicado pela MMMNNNRRRG ... 44 páginas a cores 16x23cm

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Quimby's (Chicago), Linha de Sombra, Dead Head Comics (Edimburgo), Seite Books (Los Angeles), Universal Tongue, UtopiaRastilhoLAC (Lagos), Ugra Press, Desert Island (New York) e Black Mamba.


Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou neste zine, o Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Em 2014 o regresso deste autor foi feito com o romance gráfico Erzsébet (Chili Com Carne), 144 páginas que regista a brutalidade da Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude. O livro venceu o Melhor Desenho do Festival de BD da Amadora em 2015 e terá uma edição no Brasil pela Zarabatana Books.

Em 2015 Nunsky apresenta-nos este Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno... verdadeiro deboche gráfico anti-cristão para quem curte bandas de Hair Metal de Los Angeles dos 80, fãs distópicos do RanXerox e revivalistas da heroína. A MMMNNNRRRG nunca deseja "Feliz Natal" aos seus amigos mas com a Nadja até... ehhh





Historial: lançado no dia 17 de Dezembro 2015 no Lounge Bar com o concerto da banda canadiana Nadja, organizado pela Associação Terapêutica do Ruído.

Feedback: 

A 32.ª publicação da MMMNNNRRRG é a mutável Mesinha de Cabeceira #27, desta vez subintitulada XXXmas Special. Na verdade, é uma obra a solo de Nunsky, intitulada Nadja – Ninfeta Virgem do Inferno. Esta trindade é transposta no design de Joana Pires, com a capa a evocar duplamente o fanzine com 24 anos de existência e a banda desenhada de Nadja (...) Após o registo a preto e branco de Erzsébet, que galardoou Nunsky com o Prémio Nacional de Banda Desenhada Amadora BD 2015 de Melhor Desenho para Álbum Português, o autor regressa a uma temática demoníaca – desta feita mais expressa que evocada – mas com uma palete de cores, cujos tons saturarão a visão dos mais incautos. Nuno Sousa 
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a um só tempo, pesada e leve, séria e cómica, fresca e desesperante. (...) Existem traços de alguma soberba crença na mundividência católica e a associada crença no Demo. Tratar-se-á este Nadja de um tortuoso panfleto de um Católico atormentado por gostar dos discos dos Slayer e Iron Maiden e querer ver realizadas as suas capas? Uma homenagem a todo um historial de comics de séries Z? (...) Nadja é um bafejo de hálito quente e cerveja quente. Pedro Moura
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O especial de Natal assinado por Nunsky não terá estado entre as oferendas mais populares da quadra, mas vale a pena não o perder mesmo depois disso. Numa banda desenhada onde se cruzam o hardrock metálico-meloso dos anos 90, um fascínio adolescente por satanismos e uma estética onde a sexualidade explícita e o kitsch se misturam sem remorso, Nunsky volta a confirmar por que é que o seu trabalho há-de ser sempre uma surpresa renovada. Blimunda 
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Merci pour ton envoi satanique Bertoyas 
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es una marcianada muy divertida. Cuando Marcos Farrajota me explicó su contenido, me dijo que se parecía a la obra de Benjamin Marra, y en cierta forma estoy de acuerdo con él: se trata de una apropiación del material de serie Z más casposo, del terror barato y descerebrado que mezcla erotismo soft con invocaciones a Satán, grupos heavies e internados para niñas. (...) Nadja, una cría de doce años, se mete una droga chunga con su novio, Franz, y acaba en el infierno, donde Satán le ofrece un pacto: la enviará de vuelta a la Tierra con «supernatural satanic powers», y por cada alma que lleve a la perdición, podrá pasar un día con su amado Franz. The Watcher and the Tower
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Grazie mille por los comics [Najda Eh eh] Arte Tetra
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Nadja - Virgin Teenie from Hell, the artwork in that was stunning. I'm not a massive comic fan, so haven't seen a large number of comics with which to compare it, but I'm positive that I've seen many mainstream comics with far inferior artwork. Great storyline, too! pStan Pumf

Nadja is also fun to read because I was a metalhead for over 30 years! "Demon Bitch" probably is inspired from Motley Crue and the logo (...) by (...) black metal bands, I guess. Heavy Metal magazine should hire Nunsky! Harukichi



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Brouhaha do Erzsébet:

Muito boa BD, me inspira para criar logotipos - Lord of The Logos

Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição… - Rui Eduardo Paes

Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. André Coelho

o romântico está presente antes na sua dimensão histórica e o trágico se aproxima do monstruoso. - Pedro Moura