blogzine da chili com carne

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

FESTA de LANÇAMENTO de ACEDIA e os 500 PAUS com SMELL & QUIM e shhh... vs RASALASAD

FESTA!!!!!
{tri-produzida pela Chili Com Carne, Nariz Entupido e Thisco}

A vida não pode ser só trabalho!

Se bem que no mundo pós-moderno o trabalho & os tempos livres já quase são a mesma coisa - mandem os tlms pró lixo!!!

Mas vá... Dia (noite!) 6 de Outubro no Lounge Lisboa há muita coisa para celebrar:


- o lançamento do regulamento do concurso interno TOMA LÁ 500 PAUS e FAZ UMA BD! pela Associação Chili Com Carne

- o novo livro-bomba de André Coelho, ACEDIA, vencedor da edição de 2015 do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD!

- estreia absoluta em território nacional dos Smell & Quim, uma verdadeira banda de bailarico! Mentira! Vai ser Noise do valente, vamos ver quem é que vai ficar até ao fim! Antes deles, o versus mais simpático de Portugal: Rasalasad e shhh...


cartaz de André Coelho

Sobre os músicos:

Smell & Quim --- Nos idos anos oitenta surgem no circuito internacional da musica ruidosa experimental uns iconoclastas sonoros britânicos de seu nome Smell & Quim que tomam de assalto a cena musical internacional aparecendo frequentemente em fanzines, com entrevistas nonsense e criticas aos seus trabalhos discográficos que muitas vezes roçavam a raiva e a aversão. Com um nome em jeito de trocadilho com a dupla pop britânica Mell & Kim, os Smell & Quim foram uma presença habitual no catálogo da editora nacional SPH (percursora da Thisco), já que era esta que distribuia todo o seu catálogo por cá, catálogo este que era difícil de actualizar já que frequentemente os seus discos ficavam retidos nas alfândegas ou eram devolvidos à procedência devido ao alto teor provocatório das suas capas, já que o imaginário e fascínio visual dos Smell & Quim pela pornografia, fetichismo e necrofilia era bastante explicito, tudo isto na era pré-internet.
Os Smell & Quim têm discos editados um pouco por todo o mundo, com destaque para as editoras Cheeses, Old Europa Cafe, Tesco, Red Stream ou Elsieandjack e gravaram com Aube, Merzbow, Evil Moisture, entre outros. Recentemente a Thisco editou uma cassete com uma colaboração com Rasalasad. As suas raras actuações ao vivo nunca foram concensuais e eram habitualmente incómodas para aqueles a que elas assistiam pela sua estética visual crua e visceral. Estarão hoje os Smell & Quim domesticados? Esperemos que não e é ver para crer.

shhh... --- Rui Bentes iniciou o projecto shhh… em 2003 e que conta com quatro álbuns editados, apara além de diversas participações em splits e compilações, ultrapassando as duas dezenas de edições fonográficas em CD, DVD, vinil, cassete, disquete e on-line nas editoras Thisco, Enough Records, Cold Model Records, Floppy Kick Records, Signal Void e Cobra Discos, em países como Portugal, Canadá, Espanha, Hungria e Japão, tendo colaborado com Sci-fi Industries, Dave Philips, Thisquietarmy, Anla Courtis, Philippe Petit, Cris x, Francisco Lopez, Kenji Siratori, Carlos Zíngaro entre outros. Partilha o projecto The Sleeper Has Awakened com Helder Luís e como complemento da música que faz, também cria a maioria dos vídeos para shhh… e produz composições para teatro, exposições, dança e instalações audiovisuais para o Bando, Útero, A Gaveta, Adriana Queiroz, Galeria da Salgadeiras, The Brooks Museum of Art, Fábrica da Pólvora, contando já com mais de quarto dezenas de peças. Em conjunto com a Overlook Filmes produziu três curtas-metragens, fazendo captação, mistura, sound-design e música original. Também criou o som para o filme de animação Alda e exerceu funções de co-director de som no filme Eclipse em Portugal, tendo até ao momento participado em seis filmes. Recentemente fez a composição sonora para um filme multimédia do Planetário de Lisboa.

Rasalasad --- Fernando Cerqueira iniciou as suas actividades no final dos anos 80 com o seu projecto de musica electronica industrial Croniamantal, com o fanzine Atonal e a editora SPH, onde editou Jim O'Rourke, Merzbow, Brume, The Haters, Telectu, etc... No final dos anos 90 funda o projecto de musica electronica Ras.al.Ghul com que edita vários CDs para a Symbiose, Thisco,  SPH, Grado, Blocsonic, Illuminated Paths, La Nostalgie de la Boue e Moloko +. No virar do século lança a editora Thisco, onde edita Merzbow, KK Null, Rapoon, Lasse Marhaug, Jarboe, Von Magnet, entre muitos outros.  A par da Thisco é editor das antologias oculturais Antibothis, onde participam Hakim Bey, V. Vale, Carl Abrahamson, Critical Art Ensemble, André Coelho, Pentti Linkola, Robin Rimbaud, Francisco Lopez, DJ Balli... Participa no documentário sobre a musica electrónica nacional, TeclaTónica.  As suas mais recentes edições incluem edições em colaboração com Matthew Waldron de irr.app.(ext.) e Nurse with Wound, Merzbow, Emil Beaulieau, Jarboe, Von Magnet, Hiroshi Hasegawa, Smell & Quim, Wildshores entre outros.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

ACEDIA - novo livro de ANDRÉ COELHO - Obra vencedora do concurso "Toma lá 500 paus e faz uma BD!" (2015)



Acedia é o novo livro de André Coelho e na realidade é o seu verdadeiro primeiro livro a solo - os outros livros foram colaborações como, por exemplo, o caso de Terminal Tower com Manuel João Neto...

Acedia é um romance gráfico que foi o vencedor do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD deste ano e junta-se a uma série de livros da Chili Com Carne que resultam dos resultados desse concurso onde vamos encontrar O Cuidado dos Pássaros / The Care of Birds (vencedor de 2013) de Francisco Sousa LoboAskar, O General de Dileydi Florez e O Subtraído à Vista de Filipe Felizardo.

Um livro que consegue estabelecer um equilíbrio entre experimentação e tradição na banda desenhada estabelecendo um paradoxo entre a sua energia criativa com o ambiente mórbido da narrativa. Especulamos que a personagem do livro seja um alter-ego do autor e que alguns episódios sejam autobiográficos mas na essência estamos no domínio da ficção - ou da auto-ficção?

Sinopse: Um homem, Daniel, sofre de distorções na sua percepção visual devido a um corpo estranho alojado algures na cavidade ocular. Apesar da insistência das notificações hospitalares para dar início aos seus tratamentos, ele vê-se confrontado com a hipótese das suas alucinações estarem a proporcionar-lhe uma fuga para uma nova percepção da realidade. Daniel terá que optar entre encarar a sua doença como um sinal evidente da sua mortalidade ou como uma intensificação da vida.


Eis algumas páginas da obra:


104p. (muito) preto e branco 18x24,5cm, 500 exemplares

O concurso 500 paus tem o apoio IPDJ e de todos os associados da Chili Com Carne.

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PVP: 10€ (50% desconto para associados e jornalistas) à venda na loja em linha da Chili Com Carne e nas lojas BdMania, Mundo Fantasma, Letra Livre, Linha de Sombra, El Pep... brevemente na Artes & Letras, Matéria Prima, Utopia, FNAC e Bertrand...

Historial Lançamento dia 6 de Outubro Lounge Lisboa com a presença do autor e ainda a estreia absoluta em território nacional dos Smell & Quim e o versus mais simpático de Portugal, Rasalasad com shhh... ... 


André Coelho nasceu em 1984 em Vila Nova de Gaia, onde reside. Tem vindo a desenvolver o seu trabalho como ilustrador no âmbito do Rock, Punk, Metal e música experimental, criando capas de discos, merchandising e cartazes.

Paralelamente faz edições de pouco ou nenhum sucesso através da Latrina do Chifrudo, editora que mantém com Sara Gomes, na qual edita fanzines e discos. Tem vindo a trabalhar regularmente com a Witchcraft Hardware e com a Malignant Records. Entre várias bandas que fez parte destacam-se os Sektor 304 e Profan. Têm participado nas várias antologias da Chili Com Carne com desenho, BD e textos e em exposições pelo Reino Unido, Finlândia, Suécia, EUA, Espanha, Itália, Portugal e Brasil.

A sua estreia monográfica foi com Terminal Tower, em 2014, em parceria com Manuel João Neto. Neste mesmo ano, os originais do livro foram mostrados no Festival de BD de Beja, Amplifest (Porto) e no Treviso Comics Fest.

Bibliografia: SWR Chronicles (SWR; 2014), Terminal Tower c/ Manuel João Neto (Chili Com Carne; 2014), Sepultura dos Pais c/ David Soares (Kingpin; 2014) e Evan Parker - X Jazz (c/ prefácio de Rui Eduardo Paes, Chili Com Carne + Thisco; 2015) Colectivos: MASSIVE (Chili Com Carne; 2010), Destruição (Chili Com Carne; 2010), Subsídios para MMMNNNRRRG #1 (MMMNNNRRRG, 2010), Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011), É de noite que faço as perguntas c/ David Soares et al. (Saída de Emergência, 2011), Inverno (Mesinha de Cabeceira #23, Chili Com Carne; 2012), Antibothis, vol.4 (Chili Com Carne + Thisco; 2012), "a" maiúsculo com círculo à volta c/ Rui Eduardo Paes et al (Chili Com Carne + Thisco; 2013), Zona de Desconforto (Chili Com Carne; 2014), PostApokalyps (AltCom, Suécia; 2014), Quadradinhos : Looks in Portuguese Comics (Treviso Comics Fest + MiMiSol + Chili Com Carne, Itália; 2014) e Altar Mutante #3 (Espanha, 2015).

REVISÃO : Bandas Desenhadas dos anos 70 .......... na Bertrand e FNAC prá semana!

Capa de Isabel Lobinho e títulos por João Maio Pinto
2016 marca 40 anos do fim da icónica Visão, uma revista improvável num país com graves problemas económicos mas que se apresentava nas bancas com ar luxuoso, cores ácidas e brilhantes, temáticas políticas e libertárias.

 Quisemos comemorar esta publicação que fez uma ruptura com a BD tradicional portuguesa mas sobretudo recuperar um conjunto de BDs esquecidas dos anos 70 cheias de frescura, rebeldia e prazer criativo, vindas de outras experiências editoriais como Evaristo, O Estripador ou &etc.

Contem com António Pilar, Bruno Scoriels, Carlos BarradasCarlos "Zíngaro", Fernando Relvas, Gracinda, Isabel Lobinho, J.L. Duarte, João Manuel BarrosoNuno Amorim, Paralta & Zé Baganha, Pedro Massano, Pedro Potier, Tito, Zé Paulo (1937-2008), Zepe e ainda António Pinho, Carlos Soares, Jorge Lima Barreto (1949-2011) e Mário-Henrique Leiria (1923-1980) para muita BD psicadélica, urbana, cósmica, mórbida, erótica, pessimista, ácida, crítica, tão ying & yang tal como foi a década de 70 neste país periférico.

Nova paginação! 
Vintage Free! 
Completista!
Uma delícia!!!

(((o)))

9º volume da colecção Mercantologia 
editado por Marcos Farrajota 
arranjo gráfico de Joana Pires
184 páginas a cores 23,5x34cm
Capa com uma bandana


(((o)))




Historial: Apresentação no Festival de BD de Beja (29 de Maio) ... Notícia no P3 ... Lançamento no dia 9 de Julho, às 16h na Feira Morta na Bedeteca de Lisboa com as presenças de Marcos Farrajota (editor) e António Pilar, Carlos BarradasCarlos "Zíngaro", Fernando Relvas, J.L. Duarte, Nuno Amorim, Pedro Massano e António Pinho (autores) ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ... Notícia no jazz.pt ... Artigo na revista Visão por Sílvia Souto Cunha ... Artigo n'Observador ... Artigo na Umbigo ...






















Feedback: 

Visão looks like an AMAZING magazine - a bit like a Portuguese GARO?! So important that people today see this pioneering work from 40 years ago and BUILD on it and push comics still further. Bravo (...) I see the relationship to Pilote/Metal and of course US comix underground too. As you say daring, radical for the times and politics. This work needs more exposure in Portugal and outside too 
Paul Gravett (via e-mail) 
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A Revisão é fascinante, principalmente porque para mim não é revisão nenhuma que só conhecia as bds do Pedro Massano (e o Fardeta do JL Duarte se não me engano). As histórias são algo insubstanciais, mas os desenhos, a diversidade de estilos são um festim. Muito bom. E o livro está muito bem produzido, palmas para os dois. 
M.R. (via e-mail)
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Parabéns pela edição, tá do caralho! Até podes perder dinheiro com a brincadeira, mas o prestígio ninguém te tira! 
Nunsky (via e-mail)
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4 estrelas na Time Out Lisboa
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5 estrelas no Expresso
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Revisão não pretende reinventar a história, nem reescrevê-la, mas pretende sim que se a repense, num contexto em que há sempre tão pouco pensar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Já não sou eu que vivo /// MUNDO FANTASMA até 29 de OUTUBRO




It's no longer I that liveth é um livro sobre ter treze anos em 1986. Relata alguns meses na vida de Francisco Ferreira, entre a região de Lisboa e Évora. Francisco Ferreira tem a pior das idades. Uma idade em que o Deus da infância já não existe e não há ainda outro Deus que o substitua. Uma idade em que já não se brinca e ainda não se tem amigos verdadeiros. Uma idade niilista. Uma idade sem nada. Mesmo assim Ferreira descobre qualquer coisa, agarra-se a qualquer coisa.

inaugurou no passado dia 6 de Agosto na Galeria da MUNDO FANTASMA [Shopping Center Brasília Avenida da Boavista, 267 1o. Andar, Loja 509/510, Porto] e estará patente até 29 de Outubro

Francisco Sousa Lobo nasceu em 1973, em Moçambique, e vive entre Londres e Falmouth, no Reino Unido. Estudou primeiro arquitectura, depois arte. Em Londres acabou recentemente um doutoramento em arte, em Goldsmiths. Em Falmouth University ensina na licenciatura de Ilustração. Publicou vários livros de banda desenhada: Câmara Escura (Bedeteca de Lisboa; 2003), O Desenhador Defunto / The Dying Draughtsman (Chili Com Carne; 2013), O Andar de Cima (Ar.Co + Chili Com Carne; 2014), I Like Your Art Much (ed. de Autor; 2015), The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros (Chili Com Carne; 2015) e O Problema Francisco (Gulbenkian; 2015), também publicado em Espanha pela Ediciones Valientes. Prepara agora dois novos livros: Os Quarenta Ladrões (inquérito a artistas e críticos sobre a questão da influência) e Nuvem (sobre a Cartuxa de Évora).

ENTRETANTO:


O novo livro de Francisco Sousa Lobo, co-edição entre a Chili Com Carne e a Mundo Fantasma, não saiu na inauguração, devido a atrasos de impressão - o trabalho afinal é, como sempre com as BDs de Sousa Lobo, extenso... São 88 páginas e a duas cores, o que requer tempo quando se imprime em risografia.

Redigido em inglês e a imprimir sobre papel Munken Pure de 130g, numa edição limitada a 300 exemplares, este livro custará 15€ - desconto de 30% para sócios da Chili Com Carne.
Aceitam-se encomendas deste livro para o e-mail ccc@chilicomcarne.com 
(saída prevista para Outubro)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Espelho de Mogli / metade da edição esgotada



   
         
                                      

O Espelho de Mogli
Por

26º volume da MMMNNNRRRG
ISBN: 978-989-97304-7-2
56p a 2 cores, 25x30cm
500 exemplares

...
PVP: 10€ (desconto 30% para sócios da CCC) à venda na loja em linha da Chili Com Carne, El Pep, Mundo Fantasma, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Artes & LetrasPó dos LivrosMatéria PrimaLetra Livre, Tasca Mastai, BdManiaLACLinha de SombraUtopia e Nova Livraria Francesa.

ATENÇÃO:
este livro é muito frágil, devido a esse factor terá uma distribuição extremamente limitada sendo que metade da edição já se encontra esgotada.

...
Olivier Schrauwen não deixa nunca de me inspirar. É o autor mais original que encontro desde Ben Katchor e Chris Ware. - Art Spiegelman 

Pegando no Livro da Selva de Rudyard Kipling, quer dizer, apenas no cenário e o nome da personagem, Olivier Schrauwen apresenta-nos uma tragicomédia entre o encontro de um símio e um menino selvagem, numa Banda Desenhada que não usa palavras e que emprega estéticas gráficas com cheiros do passado sem que isso afecte o seu real valor contemporâneo que faz dele, segundo muitos especialistas como é um dos cinco autores de banda desenhada de vanguarda mais importantes no panorama mundial actual...

O autor flamengo emprega espelhos deformados para reflectir sobre o papel do Homem no Mundo e a fina fronteira que separa o homem do animal.

Este livro é um "remake" com um novo tratamento das cores, aumento de páginas e de formato, de um livro saído em 2011 que foi seleccionado para os Prémios do Festival de BD de Angoulême.




Feedback : Schrauwen tem já um passado na àrea da animação, da ilustração e da banda desenhada. Alguns dos seus trabalhos - que partem das premissas da escola da "linha clara" mas vão bem mais além destas -, são hoje clássicos contemporâneos que receberam aplausos por parte dos seus pares, críticos, leitores ou estudantes de design e de escolas de arte. Comicology ... ¿Cómo llamamos a esto? Como género, quiero decir. ¿Comedia primitivista? Da lo mismo, claro. Es una historia que precisamente por ser muda pude profundizar en una pulsión preverbal, que podría definirnos: son pocas las especies animales que pueden reconocer su reflejo en el espejo, y ser conscientes, por tanto, de su propia identidad. Vida, muerte, sexo e identidad: Mowgli en el espejo trata todos esos temas presentes en la ficción desde sus inicios pero consigue un contraste tan violento como acostumbra al abordarlo desde la vanguardia más radical y el estilo de dibujo más inhumano del que es capaz. Entrecomics ... Se hoje vivemos no “futuro negro" e só visitamos o passado enquanto nostalgia, a única solução é restituir os dois tempos e comunicar com eles. A banda desenhada é perfeita para isso e Schrauwen um acertado porta-bandeira. Clube de Leitura Gráfica ... O oráculo de Delfos continha duas lições inscritas no seu portal: “conhece-te a ti mesmo” e “nada em excesso”. Será possível que o auto-conhecimento também poderá ter um excesso? Será esse excesso aquele atingido por Mogli? Eis uma possível interpretação de um exercício visual, narrativo, estrutural mas também filosófico, na banda desenhada, magnífico da parte deste autor.  Pedro Moura / Ler BD ... O espelho do Mogli, é muito triste. muito bom! As cores são incríveis também.Tiago Baptista (por e-mail) ... um objecto notável Sara Figueiredo Costa / Actual / Expresso ... é lindo de morrer Goran Titol ... o lançamento mais relevante de 2014 Gabriel Martins / Alternative Prison ... é sensacional André Ruivo ... Melhores do Ano 2015 (através da edição inglesa) segundo Paul Gravett  ... Com um conjunto de obras internacionalmente reconhecidas inéditas no nosso país, a primeira obra de Olivier Schrauwen publicada em Portugal em nada o envergonha, tendo sido incluída na Sélection Officielle a concurso no Festival d’Angoulême 2012. Trata-se de uma banda desenhada muda mui livremente baseada no personagem d’O Livro da Selva de Rudyard Kipling, onde é narrada uma tragicomédia com laivos de fantasia sobre o encontro do nosso selvagem com um símio. Mais que uma aventura, cria-se uma desventura obsessiva na procura de família e constituição de uma família que, aparentemente, se revelará não tão importante assim… Bandas Desenhadas ...






terça-feira, 27 de setembro de 2016

NEURO-TRIP / metade da edição esgotada!!!!

    

Antologia de Ilustração e BD de Neuro, autor romeno que começou a sua carreira artístico com o grupo "The Church" numa procura iconoclasta. Devido às suas raízes ortodoxas Neuro explora as imagens dessa Cristandade fundindo citações de Terence McKenna, super-heróis parasitários, Mechas bacterianos, decorações freaks provando para quem ainda não sabia que nada é Sagrado no Milénio da Banda Larga. Este é o seu primeiro livro, verdadeiro meta-portfolio de imagens alucinantes.
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160 páginas 16,5x23cm p/b + vermelho; capa a preto, vermelho e prateado, 500 exemplares, ISBN: 978-972-98527-9-4
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algumas páginas:

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Historial : Lançado na Festa Laica, Trem Azul em 2011 ...
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PVP: 15€ (50% desconto sócios CCC, lojas e jornalistas) à venda na shop da CCC, Matéria PrimaAnthony Frost Libreria Englesa, Jumatatea Plina, Fábrica Features, Mundo FantasmaStaalplaatUtopia, Objectos MisturadosNeurotitanLetra Livre, XYZ BooksLambiekOrbitalBlack Mamba e Seite Books.
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Feedback : Cool stuff Aleksandar Zograf ... Nice drawings in the Neuro trip book! Reminds me a bit of Blair Wilson's work. Marcel Ruijters ...

Dead Scene

Aconteceu mais uma Feira Morta este Sábado (na porreira Cinemateca) mas há  poucos motivos de entusiasmo tirando o facto de ter sido uma festa para encontrar amigos e conhecidos logo a seguir às férias, e claro, a visita do Camarada Lam de Valência - um grande artista e editor que parece-me que pouca gente reparou, na típica timidez parva dos portugueses. De resto? Mesma coisa de sempre, promoção fraca, programação paradoxal... E infelizmente, as mesas dos editores e dos artistas têm se apresentado como já há algum tempo em apenas meia-dúzia de folhitas agrafadas que voam muito facilmente quando vêm uma rabanada de vento. O que se passa com os estes ilustradores / autores de BD que pouco fazem? Que produzem ligeirezas? Será impossível de (ser eu a) responder a tal mas o inverso de tudo isto estava a poucos minutos a pé da Cinemateca quando se comemorava o dia de "open studio" na escola MArt. Falo de Rodolfo Mariano que nesse mesmo dia apresentou o seu trabalho enquanto artista residente, onde finalizou e lançou o livro Outro Mundo, Ultra Tumba.

Em formato A4 auto-publicou 44 poderosas páginas, trabalho desenvolvido durante os últimos cinco meses entre Coimbra e Lisboa. Ao que parece, para além dos livros, no "open studio" tinha os originais para consulta/ apresentação e estava disponível para toda e qualquer questão acerca do seu trabalho e projectos que está a desenvolver. Não deveria ser a Morta ser assim ou então o Mariano estar nela? Estamos num mundo às avessas sem dúvida...

Este OMUT é um pequeno colosso gráfico DIY que mostra trabalho, esforço e persistência. Tem uma estrutura clássica de narração, tipo Sherazade ou Os Contos de Canterbury, ou seja, personagens contam histórias uns aos outros ou se preferirem, há histórias dentro de histórias. Neste caso é uma guitarra, uma caveira e três alienígenas a mamarem vinhaça num descampado que vão contando cenas, topam? É o que as pessoas, se fossem ainda humanas, deveriam fazer sempre desligando os smart-phones e o fezesbook...

A "coisa" quase roça para o Heavy Metal fajuto de "Espada & Bruxedo" mas usa calão da streeta para não cair no ridículo. É que ridículo já o é a fantasia e o palavreado do Metal mas como Rodolfo eleva-a ao quadrado, a coisa torna-se airosa de se ler. Ehm... Mesmo assim, admito que adormeci duas vezes ao ler a sua prosa literária mas a desculpa é que além de não perceber nada da exagerada confusão que vai práqui (mete meta-física à Hawkwind acho) e estar-me a cagar para o que está acontecer na realidade (o pós-modernismo não perdoa), o livro tem ainda "power" - é das poucas edições DIY actuais que se não tivesse texto e fosse mais um dos milhares de "graphzines" que andam praí, ainda assim o compraria!

Desenhos lambidos para quem curte o Dark sem homo-erotismo ou folhados à D'Artagnan, grafismo de autista Art Bruteiro (quem viu os originais diz que são maravilhosos!) ou para quem esta em sintonia com o Petit Comitê del Terror e outros monstros pictóricos pela Europa fora. Tem algo de excitante como os primeiros zines de David Soares ou o Carneiro Mal Morto de Rafael Gouveia nos finais dos anos 90, é material negro mas não cheira a mofo. Seja quais as razões que Mariano tem para escrever ou desenhar assim, independente do que transmite ou que o leitor perceba, topa-se que a produção vêm do fundo do seu corpo (da próstata ou do dedo médio do pé tanto faz) e que essa pujança não pode ser apagada nem esquecida. No meio de tanto zines e/ou livros monográficos que pupulam na Morta poucos se erguem e mantêm-se de pé como este pequeno menir impresso do século XXI. Parabéns, meu!

domingo, 25 de setembro de 2016

Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno /// ESGOTADO ... SOLD OUT


one comix collection about the WINTER (Inverno, in Portuguese) to comemorate 20 years of the zine Mesinha de Cabeceira created by Pedro Brito and Marcos Farrajota in1992
published by Chili Com Carne 
edited by Marcos Farrajota
designed by Joana Pires 
covers by José Feitor e Pedro Brito 
500 copies, 352 A6 b/w pages ALL in ENGLISH
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Antologia comemorativa dos 20 anos do zine Mesinha de Cabeceira, criado em 1992 por Pedro Brito e Marcos Farrajota.
Publicado pela Associação Chili Com Carne
Editado por Marcos Farrajota
Design por Joana Pires
capas: José Feitor e Pedro Brito
Foram impressos 500 exemplares, são 352 páginas A6 a preto e branco. todas as BDs foram redigidas em inglês.



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Com trabalhos de / comix by João Chambel, Daniel Lopes, Sílvia Rodrigues, Afonso Ferreira, Rafael Gouveia, Sara Gomes & André Coelho, José Smith Vargas, Bruno Borges, João Maio Pinto, Silas , Stevz (Brazil), Martin López Lam (Peru/ Spain), Lucas Almeida, Dice Industries (Germany), Uganda Lebre, Filipe Abranches, Tea Tauriainen (Finland), João Fazenda  and Zé Burnay.
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Apoios / support: Instituto Português do Desporto e Juventude e Trienal Desenho 2012 
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ESGOTADO / SOLD OUT - maybe still some copies at Mundo Fantasma (Porto)Neurotitan (Berlin), Lambiek (Amsterdam), LAC (Lagos), Strips & Stories (Hamburg) and Orbital (London).
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Lançamento na exposição 20 anos do Mesinha de Cabeceira, 25 de Outubro, na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa. Released 25th October at the exhibition "20 years of Mesinha de Cabeceira" at Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisbon.



 

Feedback:
dei uma olhadela na Mesinha de Cabeceira, e parabéns, gostei muito do que vi, a capa e primeiras folhas estão muito boas, assim como as ilustrações do José Feitor a fechar a publicação, com as folhas só a uma cor... 

parabenizo-te pela excelente edição! Graficamente, o conteúdo é todo excelente, com soluções muito interessantes por parte dos artistas - em especial, a história do Chambel (...) das melhores do zine. (...) Grande edição, com uma autenticidade que se sente logo de imediato, muito boas BDs, bem impresso e acabado num formato muito cativante - com as "tripas de fora", à livro setecentista, como um verdadeiro objecto contra-cultural e "bruto" como se deseja - e das tuas melhores edições, como um todo, dos últimos tempos. Dou-lhe cinco estrelas!

 Despite the theme, “Winter” (surely of many discontents but celebratory nonetheless), the stories presented are solid, readable (even if not for the faint of heart) and supported by a great variety of bold, stylised and grounded artwork. 
Pedro Moura in Paul Gravett site

Em termos gerais, o tom desta nova antologia é de facto melancólico. Não deixa de ser algo expectável construir tramas em torno de cenários apocalípticos, paisagens inóspitas ou em que se desenrolam características colhidas de variadíssimos géneros para que sejam subvertidos numa certa amoralidade. É uma espécie de celebração pelo desencanto, de que as imagens criadas por Brito e Feitor são um signo potente. Não se cantam aqui vitórias, nem se glorifica o passado, e tampouco se esperam promessas de desenvolvimentos futuros muito específicos, mas constitui-se mais um gesto editorial muito marcante de um percurso, de uma atitude e de uma certeza em relação à forma de trabalhar, cujo testemunho é a própria existência deste pequeno grande tomo.

livro magnífico (...) tem excelentes trabalhos 

Que brutalidade! (...) Capas diferentes e tudo, parece uma cena sem fim! 
Silas (Pontos Negros)

fanzine já mítico (...) que cumpriu recentemente duas décadas de vida (...) O que talvez não tenham imaginado foi o potencial que se guardava naquelas primeiras páginas, em 1992, e que haveria de desenvolver-se numa teia de colaborações, experimentalismos, abanões estéticos e narrativos de toda a espécie e a capacidade de manter uma publicação arejada e vibrante ao longo de tanto tempo. De tal modo que quem queira, hoje, conhecer o que se faz no campo da banda desenhada de autor e com poucas preocupações comerciais pode continuar a usar o MdC, e concretamente este número 23, como guia fiável. (...) uma babel de traços e estilos numa estranha e inquietante harmonia, (...) E se a coerência do conjunto não nasce do traço ou do estilo, é provável que se deva aos temas, uma radiografia nítida daquilo a que chamamos ar do tempo, com o tom apocalíptico, o peso do desperdício, a contaminação (real, nos montes de lixo que excedem da indústria de consumo e ocupam os campos, e visual, nas manchas que parecem alastrar como fungos) e uma certa ideia de no future que deve muito ao punk, mas deve ainda mais aos dias que vivemos. 

nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Obra Curta (Filipe Abranches, João Chambel, João Fazenda) e Melhor Argumento (João Fazenda) para os Prémios Central Comics 2012

Some amazing inkwork and disturbing imagery
White Buffalo Gazette