blogzine da chili com carne

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Visita de Estudo ao Milhões 2017 - Histórias de encantar dos alunos da C+S de Corvos (Anais)


O fanzine que vai estar grátis no Milhões de Festa a quem for esperto o suficiente para visitar a NECROmancia EDITOrial!




As BDs entretanto andam a ser animadas no Fezesbook do Milhones! Eis a primeira AQUI!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

NECROmancia EDITorial SETE / MILhões de FESta 2017



é o mercado de edições independentes que intercepta música e grafismo 
e está de volta ao 
Milhões de Festa 
numa nova fórmula:

dentro do recinto do festival de 20 a 23 Julho das 19h à 1h da manhã

Além de fornecer do melhor do que se faz neste país no que diz respeito a BD, discos, fanzines, k7s e livros, pelas mãos da Chili Com Carne, Lovers & Lollypops, Gato Mariano, MMMNNNRRRG, Rui Moura (autor do cartaz), Signal Rex e Xavier AlmeidaEste ano o "merch" das bandas que tocam neste divertido festival estarão também por nossa conta. 

Quer dizer, mesmo que não queiras ter acesso ao melhor do underground português, se ouvires/ vires/ gostares de uma banda do Milhões, vais ter de vir ter connosco! 

Mais tarde ou mais cedo, vais ter de lá bater com os costados! 

Ouve só mais esta: 

vamos oferecer-te um fanzine de BD com esta malta: 
Rui Moura, Ana Caspão, Joaquim Almeida, João Silvestre, Xavier Almeida, Marcos Farrajota, Tiago da Bernarda, Gonçalo Duarte, André Pereira, Rudolfo e Ricardo Martins

Vai ser uma verdadeira peça de colecção!

E tu irás pedinchar por ela! 

Olha, não te armasses em cagão!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

DESERTO e NUVEM na Utopia (prá semana) e STET



Deserto Nuvem
por

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1 claustro vazio em Évora
1 ordem católica de silêncio e solidão
1 inquérito espiritual
2 livros num só 
20 cartas sem resposta 
Muitas visitas do autor em dúvida

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Sexto volume da colecção LowCCCost editado por Marcos Farrajota com arranjo gráfico de Joana Pires e publicado pela Chili Com Carne.

Dois livros / split-book, 64p  impressas a 1 cor + 124p impressas a 2 cores, 16,5x23cm

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à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Linha de Sombra, Artes & Letras, Letra Livre, BdMania, MOB, Tigre de PapelTasca MastaiPó dos Livros, Utopia, StetMundo Fantasma, Palavra de Viajante e brevemente na Matéria Prima...

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Lançado no dia 10 de Junho de 2017 na Feira do Livro de Lisboa com a presença do autor (que residente em Inglaterra) ...




Deserto e Nuvem são obras de longo curso que examinam a forma de vida na Cartuxa de Évora, onde alguns monges resistem aos costumes do mundo, em absoluto silêncio e solidão. Serve este exame de pretexto para focar a própria natureza da fé humana, do apego às coisas do mundo, do que nos faz sentido. 

Deserto é composto de uma única narrativa centrada numa semana passada junto a Scala Coeli (escada do céu), que é como se chama a Cartuxa de Évora. É um livro quase jornalístico. 

Nuvem é composto de 20 cartas endereçadas a um monge cartuxo, e pode ser lido como uma resistência contra ambos os extremos que circundam a fé – o extremo que sabe que Deus não existe, e o extremo que se contenta com absurdos.

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sobre o autor: Chamo-me Francisco Sousa Lobo, tenho 43 anos e vivo no Reino Unido, entre Londres e Falmouth, onde ensino ilustração e faço banda desenhada. Já estive do lado dos católicos e dos que renegam as raízes católicas. Agora ando sossegado, sentado numa espécie de muro baixinho, a ler Simone Weil e Kierkegaard. A perspectiva que tenho de cima do muro é curiosa. Tão curiosa que me deu para escrever sem ver que três ou quatro anos se passaram nisto.



... 
 Acabei agora de ler o Deserto e a Nuvem. O meu obrigado sincero à Chili por tê-lo editado. 
M. Robin (via e-mail, 11/07/17)

BRUMA de AMANDA BAEZA na Utopia

El deslumbrante debut de Baeza (...) Autobiografía de vanguardia para el siglo XXI. 
The Watcher
.
un estilo y una narrativa subversiva en la que la artista (...) utiliza el humor, juega con la ironía y desarrolla un discurso en el campo social y político que la propia autora ha decidido bautizar como activismo visual.
Cactus
.
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Amanda Baeza nasceu em Lisboa, em 1990, cresceu no Chile e regressou a Portugal com 10 anos. Talvez seja por ter crescido entre dois hemisférios que haja quem diga que os seus desenhos vêm de outro mundo.

No entanto sabemos que as bandas desenhadas seleccionadas neste volume baseiam-se em eventos e sentimentos reais. O seu grafismo tem tanto de assertivo como de mutante e é na fusão com as palavras que nos surgem estas originais narrativas e poesias visuais.

Baeza actualmente reside em Lisboa e desde 2012 que trabalha para várias publicações internacionais. Bruma compila quase duas dezenas de histórias, a maior parte delas inéditas em Portugal, uma delas com texto de Pedro Moura.

Já se encontra à venda na nossa loja em linha e na Linha de Sombra, Letra Livre, Artes & Letras, Blau (Fac. Arquitectura de Lx), MOB, A Ilha, Pó dos LivrosBdMania, Matéria PrimaTasca Mastai, STET, Tigre de Papel, Bertrand, FNAC, UtopiaMundo Fantasma.









10º volume da colecção Mercantologia
160p. 15x21cm a cores, edição brochada
edição apoiada pelo IPDJ

Sairam entre o final de 2016 e juntamente com esta edição, um livro em castelhano pela Fulgencio Pimentel - Nubes de Talco (128p., formato 17x24cm) - e em inglês pela letã kuš! - Brume (116p., formato A5). Na realidade isto foi uma parceria entre os três editores para reunir o trabalho desta estimada autora sendo a edição portuguesa a mais completa, a espanhola a mais bonita e a inglesa a mais universal.
:)

Dankas very muchas Cesar & David!

;.;

sobre o livro:

Apresentado oficialmente no dia 26 de Março 2017 na Feira Morta na Estrela (Lisboa) com uma exposição dos trabalhos da autora.
...

Quando a maioria das obras de banda desenhada portuguesa editadas anualmente é distribuída por canais alternativos às livrarias e aos pontos de venda de periódicos (...) cabe ao leitor interessado fazer um esforço extra para acompanhar as obras dos autores que lhe interessam, sem garantias absolutas de sucesso nesta demanda. A sua exposição reduzida implica que sejam lidas e analisadas por poucos, correndo o risco da memória histórica nem sempre as considerar. Foi a pensar em tal, que a Chili Com Carne concebeu a sua série Mercantologia, dedicada à reedição de “material perdido”. O seu 10.º volume (...) não poderia simbolizar mais o propósito da coleção. Amanda Baeza é uma das mais interessantes e prolíficas autoras nacionais – com o devido respeito à sua origem chilena – cuja obra mui raramente chegou às livrarias e, nesses poucos casos, sempre em antologias de vários autores. A acrescentar ao nem sempre fácil acesso ao mundo dos zines e demais edição independente, Baeza tem sido publicada em diversas línguas e países, por vezes com material inédito em Portugal. Por tudo isto, uma antologia dedicada à obra de Baeza era imperativa há já algum tempo e finalmente os leitores interessados poderão conhecer um importante conjunto de bandas desenhadas representativo do seu trabalho. Bandas Desenhadas
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Foda-se, este livro é mesmo bom. Para além de ser um assombro, de ser bonito - coisa rara na Era Irónica -, para além de ser o melhor que a BD pode ser, para além de ser um livro em que se sente o que se está a ver como se fosse um deleite déjà-vu, é um livro que deve ser aberto quando precisamos de nos relembrar ocasionalmente de que somos humanos. Obrigado, Amanda Baeza. Filipe Felizardo

Uma compilação de quase duas dezenas de histórias, grande parte inéditas em território nacional, muito "focadas em temas sociais", conta a jovem de 26 anos ao P3. E "muito íntimos" e biográficos. (...) uma brevíssima BD em que Amanda fala da sua experiência ao chegar a Portugal e do "estigma" que enfrentou desde criança como imigrante. "Embora as ruas tenham um ambiente multicultural, é por trás de quatro paredes que as pessoas expressam todos os seus medos e preconceitos", lê-se, num dos balões. O traço tem sempre algo de mutante e alienígena, quebrando as barreiras tradicionais da BD ("Tenho muito a influência do design e, como não estudei banda desenhada, quebro muito a estrutura") e, hoje em dia, dando especial importância à cor ("Não é apenas decorativo, é outra linguagem"). P3 / Público 

Aquilo que é salientado, em primeiro lugar, é o campo magnífico visual em que Amanda Baeza trabalha. Há aqui um felicíssimo encontro entre uma figuração ultra-estilizada e uma liberdade dos espartilhos estruturais mais clássicos da banda desenhada que a lança a vários experimentos de organização do campo visual, da estruturação narrativa, da concatenação de linhas divergentes, modos de atenção, etc.(...) A re-descobrir de um modo sustentado ou como primeira apresentação, Bruma, esperemos, será um gesto de introdução de uma autora com uma voz particularmente original Pedro Moura in Ler BD

(...) Amanda consegue fazer um trabalho perfeitamente perturbador. Tiago Baptista in Cleópatra #10

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Sobre a edição espanhola: Las escenas no responden a una lógica, porque Baeza parte de una certeza que muchos otros autores autobiográficos soslayan: los hechos tal y como sucedieron se han perdido para siempre y son irrecuperables. ¿Qué queda, entonces? Las emociones, las imágenes deformadas tras años de anidar en nuestro cerebro, a veces algo inconexas. Baeza no reconstruye lo que pasó, sino la impronta que dejó en ella. Es una autobiografía emocional, por inventar algún palabro que alcance a explicar un poco su trabajo. The Watcher

Sobre a edição em inglês: They experience a broad range of nuanced emotions, but they also seem to be completely untethered to our world of muddled pop-cultural references and political worries, as well as a little more physically amorphous than earthly people. Rookie 

Corta-e-Cola / Punk Comix na UTOPIA (prá semana)



 Dois livros em um, ou seja um split-book, bem à punk!

No ano em que se “celebram” os 40 anos do punk em Portugal, a Chili Com Carne, em parceria com a Thisco, edita o (duplo) livro sobre este fenómeno: 


Corta-e-Cola : Discos e Histórias do Punk em Portugal (1978-1998) de Afonso Cortez 
Punk Comix : Banda Desenhada e Punk em Portugal de Marcos Farrajota.

Escrito a partir de um levantamento exaustivo de fanzines, discos e demo-tapes, ao longo de 256 páginas, os autores dissecam todo esse material para tentarem perceber como através de uma ética - do-it-yourself - se conseguiu criar uma (falta de) estética caótica e incoerente que hoje se identifica como punk. Através da produção gráfica desse movimento se fixaram inúmeras estórias - até agora por contar - de anarquia e violência; de activismo político, manifestações e boicotes; de pirataria de discos e ocupação de casas; de lutas pelos direitos dos animais; de noites de copos, drogas e concertos...

Corta-e-Cola / Punk Comix é ilustrado com centenas de imagens, desde reproduções de capas de discos a páginas de fanzines, cartazes, vinhetas e páginas de BD, flyers e outro material raramente visto.

E porque punk também é música, o livro vêm acompanhadas por um CD-compilação com 12 bandas de punk, rock ou música experimental actuais como Albert Fish, Dr. Frankenstein, The Dirty Coal Train, Presidente Drogado, Putan Club, Estilhaços Cinemáticos... As bandas ofereceram os temas, todos eles inéditos, sobre BD na forma mais abrangente possível, sobre personagens (Batman, Corto Maltese), séries (O Filme da Minha Vida), autores (Vilhena, Johnny Ryan) ou livros (V de Vingança, Caminhando Com Samuel). Alguns mais óbvios que outros mas tendo como resultado uma rica mistura de sons que vão desde o recital musicado ao Crust mais barulhento.






Volume -8 da colecção THISCOvery CCChannel publicado pela Associação Chili Com Carne e Thisco com o apoio da Zerowork Records, editado por Marcos Farrajota com o arranjo gráfico de Joana Pires. Capas por Vicente Nunes com 9 anos (Lado C-e-C) e Marcos Farrajota (Lado P-C) sacado da BD do disco Raridades (Zerowork; 2008). 256p 16,5x23cm impressos a 540U, capa a duas cores.


O livro é acompanhado por um CD que reúne faixas exclusivas de Grito!, Mandrake, Albert Fish, Melanie Is Demented, Dr. Frankenstein, The Dirty Coal Train, Putan Club, Presidente Drógado com Banda Suporte, FDPDC, GG Allin´s Dick, dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS e Estilhaços Cinemáticos (Adolfo Luxúria Canibal, António Rafael, Henrique Fernandes e Jorge Coelho). Devido a constrangimentos logísticos apenas os exemplares deste livro comprados directamente às editoras é que são acompanhados por um CD. No entanto, esta compilação, intitulada de Punk Comix CD (ZW057) pode ser escutada e descarregada futuramente e gratuitamente em thisco.bandcamp.com.

à venda na nossa loja em linha e na Pó dos Livros, Glam-O-Rama, Tigre de Papel, Letra Livre, STET, BdMania, Louie Louie (Lx e Porto), Artes & LetrasRastilho, Tasca Mastai, Mundo Fantasma, Tortuga (Disgraça), Matéria-PrimaMOBLinha de Sombra, Leituria, FNAC, Utopia e Bertrand.







Historial : Saiu no 10 de Junho na Feira do Livro de Lisboa 2017 ... Obra selecionada para a Bedeteca Ideal ...

















(...) it looks really cool! But goddammit your Punk book seems at first glance to be entirely in portugese, I will check out both books now and listen to the music and maybe I have to learn some portuguese 😊 I don't have that much nice things in my life, so this was fun! Melanie is Demented (via e-mail) 
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Corta-e-cola, de Afonso Cortez, e Punk Comix, de Marcos Farrajota, são dois livros unidos pela mesma lombada que sistematizam informação e recordam, de forma cronológica, quem foram os protagonistas do punk em Portugal que deixaram discografia e como o movimento foi representado na BD. "O punk não foi um movimento contínuo, mas fragmentado, esporádico, dissolvido entre outras propostas, em permanente mutação, como aliás qualquer movimento juvenil", afirma Afonso Cortez na introdução. (...)  Depois de mais de 150 páginas, Afonso Cortez conclui que ao longo daqueles vinte anos (1978-1998) o grafismo foi entendido "apenas como um pormenor. E que a falta de cultura visual, ou mesmo de estudos, se reflecte de forma catastrófica na falta de qualidade do que é produzido". Embora os Faíscas e os Minas & Armadilhas sejam referenciados como os iniciadores do punk na música portuguesa, Afonso Cortez assume "Há que violentar o sistema", de 1978, dos Aqui d'el Rock, como o primeiro disco punk português. A partir daí, faz um levantamento dos discos editados, comenta a vertente gráfica das capas, mapeia os locais de concertos e a crítica na imprensa e complementa com testemunhos de músicos recolhidos pelo próprio. Mata-Ratos, Crise Total, Kus de Judas, Cães Vadios, Censurados, Nestrum, Desarranjo Cerebral, Renegados de Boliqueime, Vómito, Peste & Sida, X-Acto são algumas das bandas referidas no livro (...) Já sobre a BD, Marcos Farrajota explica o mote do livro: "Serve como uma base de referência para quem quiser pegar na BD para relacioná-la com o punk, subculturas urbanas, música, cultura DIY, artes gráficas e editoriais". (...) Farrajota recua a finais dos anos 1970 para encontrar as primeiras referências ao punk na BD portuguesa. Surgem na revista Tintin, assinadas por Fernando Relvas e Pedro Morais, "mas são situações em que os punks são apenas paisagem urbana". Será Fernando Relvas a assinar, em 1983, no semanário Se7e, "o primeiro trabalho de corpo inteiro" sobre punk, "sob a forma de uma personagem forte e feminina" chamada Sabina. Marcos Farrajota faz ainda referência à atitude "militante e amadora" de publicação, da auto-edição, dos fanzines, das colectâneas e da tecnologia da fotocópia e enumera vários autores que desenharam sobre o punk (...) Quanto à ideia de um livro-duplo sobre punk, Marcos Farrajota afirma que é somente "um modus operandi punk que fortalece o espírito de comunidade e de entre-ajuda, opondo as ideias tontas de competição selvagem que dominam todos os aspetos das nossas vidas".  Lusa / DN 
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O livro está fixe, gostei sobretudo da ideia sociológica que associa o movimento punk a uma cena local que envolve fotocopiadoras, fanzines, salas de concertos, demos, ou seja, um conjunto relativamente pequeno de infraestruturas e dispositivos técnicos que acabam por contribuir para aproximar fisicamente as pessoas. Isto ter-se-á passado com qualquer movimento musical underground, do metal ao punk, do hardcore ao grunge... Hoje em dia, a Internet é tudo isto no mesmo pacote, com o resultado de que já não há movimentos -- nem musicais nem políticos... ou, se calhar, somos nós que estamos a ficar velhos... D.L. (via e-mail)

terça-feira, 18 de julho de 2017

Livros do contra

Apontamentos rápidos de vários livros de editoras independentes que tenho apanhado por aí...

Tudo indicaria que este seria o livro do ano mas Desobedecer às Indústrias Culturais (Deriva; 2017) de Regina Guimarães desilude. Metade do livro é uma análise acertada às ideias neo-liberais das "indústrias criativas e culturais" e sobre os desastres do Porto sobretudo por causa do merdas do Rui Rio e a gentrificação / disneylização da cidade - fenómeno que está atingir quase todas as cidades no mundo. Mas a outra metade é uma preguiça que só se justifica porque já se sabe que os poetas não curtem trabalhar. Então para encher chouriços Guimarães mete as (poucas) respostas a um questionário que fez a grupos "do contra" que só dizem leviandades para despachá-la. O pior, é que nada é dito COMO desobedecer! Não que um gajo queira uma cartilha de (des)obediência mas pelo menos entender o que fazer num cenário tão complicado em que vivemos. Já se sabe que quem trabalha neste meio independente artístico e cultural (sobre)vive cheio de contradições e paradoxos, justamente por isso é que merecia mais análise e discussão, não basta manda uns bitaites a soar a ressabiado. Shame on tha hippie!


Prosa poética feminista-queer pós-25 de Abril é a forma mais fácil de apresentar Lábio/ Abril (Traveller + Presente; 2015) de Daniel Lourenço - o nosso "agente provocador" quando apresentamos publicamente o livro sobre o Queercore do Camarada REP. Para simplificar ainda mais, ou para ficar mais angustiado, é escrito que foi dito no 25 de Abril que "a revolução não foi feita para prostitutas e homossexuais reivindicarem" - General Galvão de Melo dixit. Com isto, nada melhor que uma revanche literária dedicada a todos que ficaram excluídos da "democracia". Mesmo que se possa dizer que no máximo este bandalho de militar poderia estar ser reaccionário de forma meramente coloquial (seriam as prostitutas os vendidos? e os homossexuais os covardes?), convenhamos, a declaração serve na mesma para posicionar as mulheres e queers num cantinho sossegado e servil em 1974. Sendo data zero da nossa actual sociedade então este servilismo ainda está presente em 1984 ou 2014. Lourenço escreve contra um evento político feito de espingardas e pilas (os standards mentais dos militares) onde nitidamente precisava de mais cus e de conas. Imaginem como seria Portugal se o Mário Soares fosse gaja, o Eanes paneleiro ou o Pinto Balsemão transgender? Teria sido um país bem melhor, sem dúvida...


A Grain of Sound além de ter voltado e continuar a lançar música experimental de qualidade (um dos melhores discos de sempre foi feito por eles - este), agora mete-se nos livros! Já antes - há muito tempo - tinha uma revista em linha, a Sonic Scope Quartely, que mostrava que não brincavam em serviço. Cinza (2016) é um livro de fotografia de Nuno Moita mas para os puristas não será nada disso. As fotografias tiradas entre 2009 e 2016, em viagens a vários continentes, estão sobrepostas umas sobre as outras criando um caldeirão de cinzas que não permite fazer reconhecimentos de lugares ou de situações, como se espera da "realidade" da fotografia. Se calhar o que temos aqui é um livro de "foto-montagem" em que as cidades reais são transformadas em locais dignos do Blade Runner ou Neuromancer. O "cinza" da excelente impressão lembra que esse locais imaginados futuristas (mesmo que distópicos) deram lugar ao deserto do nosso século incapaz de ter uma visão de futuro mesmo que seja só para os próximos cinco minutos. O livro é acompanhado com um CD de Carlos Santos, tão nubloso como livro, sendo impossível não o considerar uma banda sonora. A voz da quarta faixa lembra os manifestos "this" do Rasalasad dos Antibothis... Hum, ladrão que rouba ladrão, mil anos de perdão.

Os portugueses continuam a ser uns broncos no que respeita à imagem. Prova disto é Fátima Kitsch : Outra estética (Fronteira do Caos; 2017) da Camarada Ondina Pires, um livro que deveria ser um "picture book" e não, é uma cagada digital... Depois de tratar do realizador maldito Kenneth Anger e o "rei do rock português" Victor Gomes, este terceiro livro de Ondina é sobre o "merch" que se produz naquele penico chamado Fátima. Para alguns poderá ser considerado oportunista lançar um título assim no ano em que se celebrou, com laivos de ecoterrorismo e acidente social, os 100 anos das revelações alucinadas dos três pastoritos. No entanto, conhecendo a autora, o interesse pelas santinhas de plástico e faiança é genuíno, a Ondina é uma coleccionadora nata, uma "nerd" pelo kitsch mais kitsch - não teria ela sido dos The Great Lesbian Show ou co-autora de fotonovelas com bonecada? Foi uma coincidência cósmica o livro ter saído por esta altura...
Feito de um texto simples e respeitoso, é explicado o kitsch, a criação e fabricação dos objectos de devoção a Fátima e para finalizar deveria ser uma galeria de fotografias da colecção de Ondina mas infelizmente as imagens são colocadas ao molho, mal impressas (impressão digital), com legendas pouco explicativas - aliás, nem são numeradas para indexar as referências no texto - e sobretudo mal-paginado sabe-se lá porquê! É preciso estar a rodar o livro centenas de vez para ver tudo como deve ser. A culpa, parece-me, é pelo facto de ser um "split-book" (de um lado em inglês e de outro em português) e por isso, talvez, os editores não quiseram colocar as imagens por uma ordem de leitura conforme se venha do lado inglês ou do outro. Assim colocaram todas as imagens na horizontal num sentido de quem vem do lado inglês e do outro de quem vem do português tornando-se num caos que dá jus ao nome da editora. É uma pena, este curioso acervo e extravagante conhecimento sobre o mesmo merecia ser melhor tratado. Diria que parece um livro da Paulus mas até estes emissários da ignorância fazem melhor...

Tonto (Ed. Valientes; 2017) é uma compilação de BDs, cartoons e cartazes para concertos punk do mexicano Abraham Diaz que também faz jus ao título... quanto à edição, antes demais, é excelente, o design de La Sanntera (aka, Camarada Lam López) melhora de edição para edição, julgo que se pode dizer que é um dos melhores designers de livros de BD do momento.
O conteúdo é divertido, desenhos porcalhões e tal, o grafismo é como se o estilo do Don Martin (da revista Mad) tivesse sido roubado pelo Vuillemin usando as "falhas" do Gary Pather. Tal como o Mike Diana quando foi para tribunal explicar os seus desenhos mostrou que o que fazia era por necessidade de deitar para fora os horrores da violência que lhe chegava pelos media e pela sociedade, também Diaz reage à ultra-violência da sociedade mexicana e deposita-nos em tanta merda sem sentido que se pode sufocar nela. A diferença entre os dois, é que o primeiro oferece ainda personagens inocentes, em que ainda se pode identificar naqueles bonecos toscos um bocado de humanidade que irá ser posta em prova com o Sade como Júri, em Diaz isso não acontece. Depois de fechar o livro, já não me lembro o que aconteceu de tão horribilis nas suas páginas...

Por fim, Comiczzzt! Rock e Quadrinhos : Possibilidades de Interface (Contato Comunicação; 2015) de Márcio Mário da Paixão Júnior - o granda-boss da Monstro Discos, Voodoo! e festival TRASH - é a sua tese de Mestrado, onde ele procura um interface entre o Rock e a BD.
Livro interessante que peca pelos trejeitos chatos da escrita académica - boooring - e pelo descuido gráfico do livro - nada de grave, como o livro da Ondina, mas percebe-se que quem o fez faltava-lhe amor pela coisa... Aprende-se várias curiosidades culturais no que respeita ao grafismo de discos ou sobre o underground comix dos anos 60, sendo que a procura de Márcio acaba por ir parar ao seu projecto musical, a banda Mechanics, mais concretamente no CD e o livro de BD Música para Antropomorfos de autoria do grande Fábio Zimbres - que assina uma bela capa, estragada pelo logótipo da editora, breargh... É este "making of" que acaba por ser mais incisivo pois se seguiram os "links" desta resenha já perceberam que a Música para Antropomorfos tem um conceito (e bom resultado, faça-se justiça!) muito interessante e híbrido. Food for brain!

ANARCO-QUEER? QUEERCORE! na Rastilho


O livro mais f.o.d.i.d.o. de 2016!!!

ANARCO-QUEER? QUEERC0RE!
de 

Uma edição 
CHILI COM CARNE / THISCO
com ilustrações e grafismos de Bráulio Amado, Astromanta, Hetamoé, Joana Estrela, Joana Pires e Rudolfo e capa de Carles G.O.D.

O queercore foi-se esvaziando nos últimos anos, apesar da existência de novas bolsas de liberdade, apesar dos sinais de que a hecatombe do capitalismo pode mesmo acontecer e apesar do nomadismo dos sexos. Muito de bom foi produzido no impulso de enfiar os dedos em lugares quentes e húmidos, mas não será pouco? O hardcore queer ainda resiste, mas resiste porque está na defensiva, porque está fraco. É como se tivesse sido geneticamente programado para falhar. Mas quando ouvimos um estridente feedback dos Apostles e dos Nervous Gender tudo, absolutamente tudo, parece possível… Vamos acreditar que sim, OK?


PVP: 10€ à venda no sítio da Chili Com Carne, Linha de Sombra, Letra Livre, Artes & Letras, MOB, Glam-O-Rama, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Pó dos Livros, Flur, Tasca Mastai, FNAC, El Pep, Bertrand, Tigre de Papel, UtopiaBlack Mamba, XYZ / A Ilha, Tortuga (Disgraça), Purple RoseRastilho e Matéria Prima.


ilustração de Astromanta

Historial: entrevista no Bodyspace ... lançamentos a 8 de Abril no MOB 9 de Abril de 2016 na SMUP com apresentações de Daniel Lourenço (Lóbula; poeta, activista queer) e João Rolo (A Lata Music, Música Alternativa; divulgador de rock independente), com mostra de videos de bandas queercore (Nervous Gender, Super 8 Cum Shot, Limp Wrist, The Gloryholes, Shitting Glitter, Lesbians on Ecstasy, Hidden Cameras, The Clicks), DJ sets de Pussybilly (MOB) e Lóbula (SMUP) e concerto de Vaiaapraia e as Rainhas do Baile (SMUP) ... artigo n'Observador ... artigo na Time Out ... reacção de José Smith Vargas ao artigo da Time Out in Mapa Borrado (secção de BD do jornal Mapa)
...










Feedback:
parabéns pela edição do queercore, está alta objecto, o livro!
Bernardo Álvares (dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, Zarabatana,  Älforjs)

Quase a acabar de ler e foi, sem dúvida, uma agradável surpresa (...) empolgante de ler. A verdade é que aguça a curiosidade e a vontade de saber mais. (...) Daqueles livros que nos fazem olhar para as coisas com outro olhar e em diferentes perspectivas. Aconselho vivamente!
Margarida Azevedo (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova)

Característica fundamental deste livro é o próprio formato físico e a sua paginação atípica, que se aproxima do formato “fanzine”. Numa escolha estética pouco comum (e exemplificativa do espírito rebelde do livro), cada capítulo é paginado e ilustrado por um artista nacional diferente (...) Este é um documento atípico que pode interessar a curiosos que queiram descobrir um universo musical pouco explorado. 
Nuno Catarino in Bodyspace

Bandas como Gay For Johnny Depp (...) ou Tribe 8 entre outras, são retratadas numa narrativa húmida e sem preconceitos.
Luís Rattus in Loud!

"a" maiúsculo com círculo à volta de Rui Eduardo Paes --- últimos exemplares!!!


Muitas vezes, e não em poucos casos abusivamente, o punk foi/é identificado com o anarquismo. Em outra área, são habituais as analogias da chamada "livre-improvisação" com os princípios libertários, mesmo quando quem toca são músicos com perspectivas políticas e sociais influenciadas por correntes marxistas como o trotzkismo e o maoísmo. Seja como for, há mais conexões entre Música e Anarquia do que aquelas que se supõe. Um contributo para o seu desvelamento, tanto quanto para a desmitificação de algumas ideias feitas, está neste novo livro de Rui Eduardo Paes, o segundo do autor na colecção THISCOvery CCChannel, depois de Bestiário Ilustríssimo.

O novo livro de Rui Eduardo Paes relaciona as músicas de hoje (jazz, improvisação, pop-rock, noise, electrónica experimental, música contemporânea) com as novas tendências do pensamento libertário, descobrindo analogias mas também desmistificando ideias feitas. Daniel Carter, Lê Quan Ninh, John Cage, Fela Kuti, Frank Zappa, Thom York (Radiohead) e Nicolas Collins são algumas das figuras retratadas pela escrita analítica e de dimensão filosófica, mas não raro com humor e alcance provocatório, do ensaísta e editor da revista “online” jazz.pt. Entre os temas percorridos ao longo dos 10 capítulos amplamente ilustrados estão o ocultismo, a espiritualidade, a ciência, a ficção científica, a tecnologia, o amor e o sexo, com referência a autores como Robert Anton Wilson, Hakim Bey, Murray Bookchin, Starhawk e Ursula K. Le Guin.

A
O livro é ilustrado por vários artistas da Associação Chili Com Carne: Joana Pires, Marcos Farrajota, André Coelho, Jucifer, Bráulio Amado (acumulando o cargo de Designer do livro), José Feitor, David Campos, Daniel Lopes, André Lemos, João Chambel e Ana Menezes.

A
Edição da Chili Com Carne e Thisco
80p p/b; 16,5x22cm
ISBN: 978-989-8363-21-3
à venda na loja em linha da CCC, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Flur, Letra LivreMatéria PrimaFábrica FeaturesPó dos LivrosArtes & Letras, UtopiaLAC, FNAC, Glam-O-RamaLouie Louie do PortoApop ShopBlack Mamba, Tortuga (Disgraça) e MOB.

A
Historial : lançado em 29 de Maio de 2013, na Trem Azul, Lisboa, com a participação do escritor Rafael Dionísio e do músico Paulo Chagas, seguido de concerto de Shameful Iguana [Luís Lopes: guitarra eléctrica; Hernâni Faustino: baixo eléctrico; Marco Franco: bateria] ...

A
Sobre o autor: Com quase 30 anos de actividade repartida entre o jornalismo cultural, a crítica de música e o ensaísmo teórico, Rui Eduardo Paes é autor de vários livros sobre as músicas criativas. É o editor do site jazz.pt, membro da direcção da associação Granular e autor dos press releases da editora discográfica Clean Feed. Foi um dos fundadores da Bolsa Ernesto de Sousa. Assessorou a direcção do Serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian e integrou o júri do concurso de apoios sustentados do Instituto das Artes / Ministério da Cultura para o quadriénio 2005-2008.

A
os textos estão soberbos e o trabalho gráfico ficou excelente! parabéns a quem concebeu e materializou este objeto literario-grafico-musical absolutamente único! António Branco ... novo livro traz é que o ponto de vista essencial é o ponto de vista político associado às manifestações estéticas contemporâneas. O título é, de resto, todo um programa de intenções: "A" Maiúsculo Com Círculo à Volta". O anarquismo histórico e as suas formas libertárias de expressão são intercaladas, pelo autor, com múltiplas abordagens a músicos, escritores, cientistas ou artistas multimédia. Um livro que, uma vez mais, prova que o autor rejeita o conformismo de pensamento e ousa analisar novas abordagens, novas relações, novos pontos de vista sobres os fenómenos artístico-culturais-sociais-filosóficos do mundo contemporâneo (...) relaciona as músicas de hoje (jazz, improvisação, pop-rock, noise, electrónica experimental, música contemporânea) com as novas tendências do pensamento libertário, descobrindo analogias mas também desmistificando ideias feitas. Entre os temas percorridos ao longo dos 10 capítulos amplamente ilustrados estão o ocultismo, a espiritualidade, a ciência, a ficção científica, a tecnologia, o amor e o sexo, com referência a autores como Robert Anton Wilson, Hakim Bey ou Murray Bookchin Kubik in O homem que sabia demasiado ... Dando sequência a uma consistente abordagem político-musicológica, por vezes fraturante e polémica, REP continua a revelar neste novo conjunto de reflexões a lucidez intelectual, a densidade de análise e o rigor enciclopédico que sempre caracterizaram a sua escrita. António Branco in Jazz.pt ... 4 estrelas (em 5) in Público ... Atenção, isto não é apenas um livro: é um perigoso "cocktail molotov" para o cérebro. E, já agora, também para os ouvidos. Nuno Catarino in Ípsilon / Público ... ambicioso, extraordinariamente documentado, e uma porta perfeita para teses de maior valor intelectual. Bons Encontros ... No abandonando su sentido del humor, desde la espiritualidad, el sexo, el amor, el ocultismo a temas más de actualidad, la ficción científica, la nueva tecnología (...) Oro Molido