blogzine da chili com carne

sábado, 29 de Novembro de 2014

Editores Estrangeiros da Morta à pala da CCC

Graças aos contactos internacionais da Chili Com Carne, finalmente a Feira Morta vai receber pela primeira vez uma série de autores / editores estrangeiros!!!

Nesta próxima edição marcada para 29 e 30 de Novembro outra vez nos Estúdios Adamastor, teremos três convidados, a saber: Michał Słomka, um dos responsáveis da editora polaca de BD Centrala (imagem) e organizador dos concursos internacionais de BD "Ligatura" e "Silence"; o francês BeauSoir que volta a Portugal depois de ter estado na primeira edição da Feira do Jeco (2011); e ainda Kaja Avberšek do colectivo esloveno Stripcore / revista Stripburger, com que participamos na antologia Greetings from Cartoonia.

Vai ser bom!

O Tempo da Geração Espontânea ::: lançamento lisboeta na FEIRA MORTA


Depois do lançamento brasileiro e universal n'A Bolha (Rio de Janeiro), O Tempo da Geração Espontânea, novo romance de Rafael Dionísio será apresentado na próxima Feira Morta por Pedro Madeira, dia 29 de Novembro (Sábado), às 16h, nos Estúdios Adamastor.

Este livro Atravessa o arco temporal de fins do século XIX até aos anos oitenta do século XX. No entrelaçar da vida de algumas personagens estalam as contradições do colonialismo, da esquerda, da revolução e da vida depois disso. É um retrato de uma certa geração que nasceu em Angola e que cresceu dentro do regime, na posição de estarem contra ele, e das dificuldades e adaptações que sofreram para se manterem à tona, cada um à sua maneira. É uma obra de um maior fôlego narratológico, sendo, simultaneamente um romance histórico e uma reflexão sobre Portugal. Mas tudo isto a la Dionísio, como é evidente.


Design de Rudolfo. Capa de David Campos.
ISBN: 978-989-8363-26-8

pré-encomendas a partir de AGORA!

sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Papá em África, prestes a esgotar...

              
25º volume da MMMNNNRRRG, editado por Tommi Musturi e Anton Kannemeyer.
Posfácio por Marcos Farrajota e Crizzze.

64p. a cores, capa dura, álbum A4
ISBN : 978-989-97304-8-9
500 exemplares

PVP: 15€ (50% desconto para sócios CCC, lojas e jornalistas) já à venda na loja online da CCC e na El Pep, Feira do Livro de Poesia e BD, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Mundo Fantasma, Sr. Teste (Soc. Guilherme Coussol), Bertrand, Artes & Letras, Pó dos Livros, Matéria Prima, Letra Livre, Livraria Luar (Moçambique), Fatbottom Books (Barcelona) e BdMania.

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O que é que choca mais a um puritano do que uma imagem pornográfica? Um negro a foder uma branca! Os Public Enemy “rapavam” isso no LP Fear of a Black Planet (1990), onde aliás, o sul-africano Anton Kennemeyer (n.1967) foi roubar o título para uma exposição de pintura em 2008.

Antes demais Anton usa muitas vezes o pseudónimo de Joe Dog, criado em 1992, para assinar BDs, porque ouvia música punk e entrou naquele esquema do pseudónimo podre, como é hábito dessa subcultura. Além do mais, nesse mesmo ano juntamente com Conrad Botes (que nos visitou recentemente numa exposição na Fundação Gulbenkian) tinham criado revistas de BD bastante polémicas na África do Sul. A dois anos antes do fim oficial do Apartheid, um pseudónimo sempre ajudava a ter menos problemas com a sociedade africânder.  O título mais famoso foi o Bitterkomix, onde Joe Dog e Botes faziam BDs que chocavam os africânders e os supostos liberais ingleses, denunciando a loucura ideológica e religiosa do Partido Nacional, perito em segregação racial e deseducação sexual e colocavam em questão a identidade do sul-africano, especialmente a do homem branco. Não será à toa que o artista Joe Dog tenha colaborado com os Die Antwoord, também eles iconoclastas com os códigos de identidade naquele país.

Papá em África é uma crítica à dominação racial e colonial que atravessa, ainda hoje, em pleno pós-apartheid, a sociedade sul-africana, mostrando como certas estruturas sobrevivem à destruição dos quadros legais que lhes deram origem. Mas não se enganem, não vão encontrar na obra de Anton, caminhos ou sonhos para uma “nação arco-íris”; nem é oferecida nenhuma reinvenção do lugar do negro na BD ou alguma espécie de “herói” negro da resistência que pudesse ser “voz” da população negra sul-africana, de que Anton, aliás, na realidade não faz parte nem tem a pretensão de ser.

O objectivo central de Papá em África é pontapear com escárnio e pontaria certeira a hipocrisia e a (má) consciência da África do Sul branca, num pós-apartheid lobotomizado. Anton sampla e crítica corrosivamente o imaginário colonialista e racista, como aquele oferecido por Hergé em Tintim no Congo (1931), álbum que Anton admite ser a sua Bíblia visual, onde volta sempre para sacar mais uma imagem ou uma sequência narrativa.

Numa entrevista o autor adverte sobre esse livro de Hergé: (…) eu penso que não é um bom álbum, é mais direccionado para um público infantil. E é aí que o problema reside para mim. Porque se fosse dirigido para um público adulto, ele funcionaria melhor. Mas porque é para crianças, elas vêem os estereótipos e (…) pensam que esses estereótipos são reais (…). Eu lia o álbum com a minha filha, quando ela era muito jovem, talvez com dois anos, e a certa altura, ela perguntava-me: “o que este macaco está aqui a fazer?” e eu dizia-lhe: “Isso não é um macaco. É uma pessoa negra.” E ficava completamente confusa, não conseguia perceber: “estes são os macacos!”

Após processos judiciais, nos últimos anos e em alguns países (como no Reino Unido), o acesso à obra Tintim no Congo tem sido restringido à população adulta ou explicitamente sinalizado. Na sua terra natal, na Bélgica, Tintim no Congo, apesar da acção judicial instaurada pelo congolês Bienvenue Mbutu Mondondo em 2007, continua a circular sem problemas. Recordamos que Mondondo queria que a edição deste álbum de BD tivesse uma introdução a explicar que se trata de uma obra feita sobre a perspectiva colonialista da época, para que os estereótipos racistas que o álbum vincula pudessem ser entendidos à luz dos nossos dias. Tal não foi permitido e os fãs aplaudiram cegamente o veredicto sem se olharem ao espelho.

Em Portugal, o primeiro país a traduzir a obra de Hergé, pelas mãos do padre e sociólogo Abel Varzim e por Adolfo Simões Müller, director do jornal infantil O Papagaio, Tintim no Congo foi rebaptizado em 1939 precisamente para essa publicação como Tim-Tim em Angola (seja como for para muitos ainda hoje, África é apenas um país enorme). Aqui, a obra não é alvo de qualquer controvérsia e ainda hoje conseguimos encontrá-la sem dificuldade ou especiais advertências nas secções infantis/ juvenis das livrarias. Na edição de 1996, da Verbo, no seu interior continua lá a degradante expressão “Siô”...

Chegamos ao fio condutor que liga o trabalho de Anton a Portugal, em que só a MMMNNNRRRG é que poderia editar um álbum destes - perdoem-nos a falta de modéstia. Esta selecção da obra de Anton, quer como autor de BD quer como pintor deveria reavivar todos os “traumas” que o branco, seja ele sul-africano, europeu ou português, tem em relação ao negro, fazendo repensar como a relação com esse outro é constitutiva da própria concepção de si mesmo e de como esses espinhos históricos que são a escravatura, a colonização e a segregação racial estão cravados no convívio e interacção social, nas relações político-económicas entre “norte e sul” e no próprio capitalismo. A crítica à sociedade sul-africana do pós-apartheid cabe que nem uma luva a países ex-colonialistas como o nosso. Poder-se-á estender a crítica de Anton em Preto e Die Taal à questão da lusofonia e da língua portuguesa? Vejam-se palavras como “catinga”, “escarumba”, “mulato” ou expressões como “trabalhar como um preto”, “e eu sou preto, não?” Poderemos nós encontrar em fenómenos como o do pseudo-Arrastão na praia de Carcavelos, criticamente esmiuçado no documentário de Diana Andringa gratuitamente disponibilizado na Internet, como sinais parecidos àquela distorção da realidade fabricada pelo misto de sentimento culpa e preconceito da população branca sul-africana que os faz temer e esperar uma “revolta” bárbara dos negros? 

Será que África do Sul desmemoriada do pós-apartheid, criticada por Anton, tem alguma semelhança com o Portugal “pós-colonial” que teima em vangloriar-se dos “Descobrimentos” (veja-se o novo museu inaugurado no Porto, World of Discoveries, mas também os manuais escolares de história) e de uma colonização “branda” (o dito luso-tropicalismo), sem assumir a sua quota-parte na chaga global que é a exploração e subjugação dos países africanos e dos afro-descendentes onde quer que estes nasçam? É que não sejamos ingénuos ou hipócritas, Portugal foi o primeiro e maior traficante de escravos africanos no Atlântico, portanto, um dos maiores responsáveis do chamado “holocausto africano”; foi dos últimos países europeus a reconhecer a independência das suas colónias em África - quem ainda duvidar que leia Viagem ao Fundo das Consciências (Colibri; 1995) de Maria do Rosário Pimentel. Se os portugueses puderam até aqui “fechar os olhos” e “fazer ouvidos moucos” às históricas trapaças portuguesas no Ultramar, eis que com o acelerar da globalização, com o desnorte português e europeu e com a progressiva ascensão a potências mundiais do Brasil (onde o movimento negro e afro-cultural tem peso) e de Angola (onde as chagas da colonização e da guerra são grandes), a história fará rewind e vir-se-á chapar na nossa cara.





 

 

  

 


   

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Feedback:  o melhor álbum publicado em Portugal durante o corrente ano (...) Atenção que isto não é assunto para rapazes ou raparigas sensíveis. Comicology ... um petardo editorial (...) é o melhor álbum traduzido publicado este ano em Portugal e também um dos mais significativos de sempre na edição nacional. A Garagem ... Mestre dos estereótipos a preto e branco Deutschlandfunk Corso ... Kannemeyer refere-se ao álbum de BD original mas de forma modificada, expondo o racismo que lhe está completamente inerente Spiegel ... O Papá (...) fez mais sentido depois de ler o Tintin no Congo!! Tiago Baptista (por e-mail) ... Kannemeyer não perdoa a sociedade afrikaner tal como Thomas Bernhard não perdoava a austríaca José Marmeleira / Público

O Espelho de Mogli



   
         
                                      

O Espelho de Mogli
Por

26º volume da MMMNNNRRRG
ISBN: 978-989-97304-7-2
56p a 2 cores, 25x30cm
500 exemplares

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PVP: 10€ (desconto 30% para sócios da CCC e jornalistas) à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na 1359, El Pep, Mundo Fantasma, Fat Bottom Books (Barcelona), Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Feira da BD e Poesia, B Shop (CCB), Artes & LetrasPó dos LivrosMatéria PrimaLetra Livre, Tasca Mastai e BdMania.

ATENÇÃO: este livro é muito frágil, devido a esse factor terá uma distribuição extremamente limitada - e também a razão pelo desconto menor aos associados do que é habitual.

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Olivier Schrauwen não deixa nunca de me inspirar. É o autor mais original que encontro desde Ben Katchor e Chris Ware. - Art Spiegelman 

Pegando no Livro da Selva de Rudyard Kipling, quer dizer, apenas no cenário e o nome da personagem, Olivier Schrauwen apresenta-nos uma tragicomédia entre o encontro de um símio e um menino selvagem, numa Banda Desenhada que não usa palavras e que emprega estéticas gráficas com cheiros do passado sem que isso afecte o seu real valor contemporâneo que faz dele, segundo muitos especialistas como é um dos cinco autores de banda desenhada de vanguarda mais importantes no panorama mundial actual...

O autor flamengo emprega espelhos deformados para reflectir sobre o papel do Homem no Mundo e a fina fronteira que separa o homem do animal.

Este livro é um "remake" com um novo tratamento das cores, aumento de páginas e de formato, de um livro saído em 2011 que foi seleccionado para os Prémios do Festival de BD de Angoulême.




Feedback : Schrauwen tem já um passado na àrea da animação, da ilustração e da banda desenhada. Alguns dos seus trabalhos - que partem das premissas da escola da "linha clara" mas vão bem mais além destas -, são hoje clássicos contemporâneos que receberam aplausos por parte dos seus pares, críticos, leitores ou estudantes de design e de escolas de arte. Comicology ... ¿Cómo llamamos a esto? Como género, quiero decir. ¿Comedia primitivista? Da lo mismo, claro. Es una historia que precisamente por ser muda pude profundizar en una pulsión preverbal, que podría definirnos: son pocas las especies animales que pueden reconocer su reflejo en el espejo, y ser conscientes, por tanto, de su propia identidad. Vida, muerte, sexo e identidad: Mowgli en el espejo trata todos esos temas presentes en la ficción desde sus inicios pero consigue un contraste tan violento como acostumbra al abordarlo desde la vanguardia más radical y el estilo de dibujo más inhumano del que es capaz. Entrecomics ... Se hoje vivemos no “futuro negro" e só visitamos o passado enquanto nostalgia, a única solução é restituir os dois tempos e comunicar com eles. A banda desenhada é perfeita para isso e Schrauwen um acertado porta-bandeira. Clube de Leitura Gráfica ... O oráculo de Delfos continha duas lições inscritas no seu portal: “conhece-te a ti mesmo” e “nada em excesso”. Será possível que o auto-conhecimento também poderá ter um excesso? Será esse excesso aquele atingido por Mogli? Eis uma possível interpretação de um exercício visual, narrativo, estrutural mas também filosófico, na banda desenhada, magnífico da parte deste autor.  Pedro Moura / Ler BD ... O espelho do Mogli, é muito triste. muito bom! As cores são incríveis também.Tiago Baptista (por e-mail) ...






Erzsébet na BdMania!



Erzsébet
por
Nunsky

17º volume da Colecção CCC editado por Marcos Farrajota.
Design por Joana Pires
Capa por Nunsky
144p p/b 16,5x23cm, capa a cores
500 ex.
ISBN: 978-989-8363-24-4

Sinopse: Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara contemporânea de Shakespeare, ao contrário deste, incarnou como poucos o lado negro e animalesco do ser humano. São-lhe atribuídos centenas de crimes inomináveis que lhe grangearam alcunhas como "Tigreza de Csejthe" ou "Condessa sanguinária" e que a colocam no mesmo lendário patamar de bestas humanas como Gilles De Rais ou Vlad, o Impalador. Por detrás do seu rosto pálido, de olhar impassível e melancólico ocultava-se o próprio demónio, Ördög.

PVP: 15€ (desconto 50% para sócios CCC, lojas e jornalistas).
Já à venda na loja em linha da CCC, e na Mundo Fantasma, El Pep, Feira do Livro de BD e PoesiaArtes & Letras, Pó dos Livros, Matéria Prima, Letra Livre, BdMania...









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sobre o autor: Nunsky é um criador nortenho que só participou no zine Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

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Feedback: Muito boa BD, me inspira para criar logotipos Lord of The Logos (via e-mail) ... Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição… Rui Eduardo Paes ... O Erzsebet é um grande livro. Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. André Coelho (por e-mail)




O ANDAR DE CIMA - The Upper Room


Uma co-edição da Chili Com Carne com a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a escola Ar.Co.
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Uma nova Banda Desenhada de Francisco Sousa Lobo baseada na palestra A Modulação da Tomada de Decisão: Pode o cérebro ser influenciado? ocorrida em Maio deste ano e com as participações de Miguel Esteves Cardoso, José Manuel Pereira de Almeida, Alexandre Castro Caldas e Nuno Artur Silva.
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20p. 21x27cm impressas a castanho, capa a duas cores.
ISBN: 978-989-8363-28-2
edição em português com legendas em inglês
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new comix by Francisco Sousa Lobo (from The Dying Draughtman fame) inspired in a congress about neurology, in Portuguese with English subtitles. It's about the brain and about a conference on decision that took place at Universidade Nova in Lisbon. It's not institutionaley didactic comics, it's straightforward fiction.

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à venda aqui e em breve nas melhores livrarias como na El Pep, Letra Livre, Artes & Letras, Mundo Fantasma, BdMania...








quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Homenzinhos

Merda! Gostei do disco dos Facção Opposta, o Lendas Urbanas (Dunkel; 2013)!!! Juro que não queria porque o disco tem tudo o que menos gosto desde há muitos anos: directo, revivalista, skins e futebol. A sério, malta sem imaginação a querer ser algo que já não podem ser nem nunca poderiam ser, ou seja, elementos de uma subcultura criada na xungaria da Inglaterra nos finais dos anos 70 - man, nem houve Revolução Industrial em Portugal! Assumem-se Skins apolíticos sendo meramente reaccionários, nada contra. Não são racistas ainda que usem imaginário e letras com laivos nacionalistas que irritam mas como se calhar é para enganar e converter os Skins Nazis até passa. Algumas letras são sobre a bola e hooliganismo ou sobre malta proletária mas que se calhar até gastam uma milena para ter as marcas certas de roupa para o curtir este non-stop de síndroma Peter Pan que todas as subculturas da Humanidade sofrem desde que a web.2 passou a ser parte da nossa vida. Seja como for este será dos melhores projectos de Punk em Portugal nos dias que correm pois há aqui força masculina e letras contudentes - a maior parte delas acho de dificil identificação burguesa mas outras como Esquema é universal q.b. Claro que é estranho ouvir músicas sobre uma tradição urbana importada quando se quer fazer hinos à cultura portuguesa num disco editado no Brasil mas na pós-modernidade tudo se engole e tudo se perdoa. A nível instrumental 'tá bem tocado dentro do cânone Oi! mas há pequenas situações inesperadas como umas cordas em Celtiberos ou pífaros no História do 12. Para quem gosta dos brasileiros Garotos Podres (lembrei-me deles porque estão em digressão por Portugal esta e na próxima semana) este é o disco! E caramba até ao o artwork impressiona de estar tão bem feito e telúrico ao ponto que se eu fosse um jovem Nazi cagava-me todo!

E por falar em boas edições de Punk 'tuga (coisa rara!) destacava o Split-EP lançado o ano passado pela Zerowork e Raging Planet dos Albert Fish e Grito! que tem uma capa super-porreira (quem é que fez a ilustração? não há créditos quando as cenas são boas!?). A mesma anuncia que vamos encontrar um encontro entre Skins e Punks com o cliché todo ao de cima - vendo as fotografias das bandas o que menos temos é moicanos e suspensários. As tribos urbanas em 2000 é todo um mundo Cosplay... A música dos Grito! é também um Oi! com pronúncia do Norte - um orgulho bairrista que só se encontrava ainda há alguns anos na cultura Hip Hop (a excelente e saudosa Matarroa ou o Rey por exemplo). Albert Fish é Albert Fish, Hardcore de sing-a-long escorreito que já não precisa de apresentações, só não sei se os temas são inéditos ou são de registo anteriores que nunca sairam em vinil (é verdade o pessoal desculpa-se com esta!). Quem desenhou a capa carago?

E ainda em vinil temos reedição dos únicos temas gravados dos Grito Final, ou seja Ser Soldado e Bairro da fome, temas que sairam em 1986 originalmente na compilação Divergências (da mítica Ama Romanta). Esta edição (pirata?) pela Teia Edições é deste ano e usa um estilo minimalista gráfico para apresentar uma banda da segunda vaga punk portuguesa. Podia ser um grafismo para uma banda Dark da altura do que para punks... Um erro de "casting"? Ao ponto de ser um design muito mais bonito que a música que ouvimos que é um Punk mais ou menos a abrir a lembrar bandas dessa altura como os Vómito. Talvez porque o som seja rançoso de "vintage" que o design envoque justamente esses outros tempos quando havia ainda esse nojo que era o serviço militar obrigatório e mal se sabia que ia haver o Cavaquistão I e II.

segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Çuta Kebab & Party / ÚLTIMOS 17 EXEMPLARES


Çuta Kebab & Party é um projecto devoto à música popular e "fast-food" euroasiáticas, protagonizado por três produtores portugueses que se deixaram seduzir pela colisão entre antiguidade, modernidade, tradição e imediatismo que ambas propõem. Durante uma semana a fluxo de Falaffel, Kebabs e Narguilé, foi produzido um EP que homenageia esta cultura híbrida, evocando-a a partir de uma perspectiva ocidental, com o uso de "found tapes" oriundas de bairros turcos de cidades europeias, gravações feitas em "kebab shops" e ritmos da música tradicional turca e curda.

O disco de 10" de estreia deste projecto é uma co-edição Chili Com Carne e Faca Monstro. Edição limitada a 300 exemplares, a capa é em serigrafia e inclui um encarte-poster com ilustrações das músicas por André Lemos, Bruno Borges, João Chambel, Jucifer, Marcos Farrajota, Margarida Borges e Ricardo Martins.

Porquê é que nos pusemos a editar um disco em vinil? Porque achamos este projecto de suma importância cultural para o nosso país cinzento e rural. Negámos África até há pouco tempo ficarmos de Kuduru. E o nosso lado sarraceno? Aquele que nós absorvemos de tal forma que já nem sabemos que somos mais mouros que celtas? Çuta Kebab & Party será um marco na História como o regresso do espírito árabe à cultura portuguesa mesmo que seja IDM com "found-tapes" turcas.
De resto, até prova contrária, não nos interessa editar mais nenhum outro disco.
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FIRST VYNIL RECORD at CHILI COM CARNE
(and maybe the last one, we like only this music to make a physical record!)
Çuta Kebab & Party it's project devoted to popular music and Euro-asian fast-food, made by three Portuguese producers seduced by the clash of Ancient, Modern, Tradition and Contemporary.
During one week consuming Falaffel, Kebabs and Narguilé, they produced this EP, true homage to hybrid culture in an Occidental perspective using "found tapes" from Turkish neighborhood in European cities, recordings in Kebab shops and Turkish and Curd traditional rhythms.
It's an edition of 300 copies, silkscreened with poster and 6 different illustrations by Ricardo Martins, João Chambel, André Lemos, Margarida Borges, Marcos Farrajota, Jucifer and Bruno Borges.
credits: released 25 June 2011 at Feira Laica / Trem Azul, all tracks produced by Pedro What, HHY and Ghuna X. Mixed by HHY. Mastered by Ghuna X at The Environment. Released by Faca Monstro and Chili Com Carne
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compra / BUY VINIL últimas 20 cópias / last 20 copies (12 euros; 50% desconto para sócios CCC, jornalistas e lojas / 50% discount for stores) @ Chili Com Carne shop, Matéria PrimaGlam-O-Rama, StaalplaatDigelius, Urgence Disk/ and Neurotitan DIGITAL - 5 euros na / in facamonstro.bandcamp.com

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Historial: lançado dia 25 de Junho 2011 na Trem Azul, no âmbito da Festa da Feira Laica ... lançamento portuense no dia 5 de Agosto 2011 no Café au Lait ...
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Feedback: Yes Kebab rules. I like it a lot as a vegetarian. I must find my dancing shoes. Jyrki Heikkinen ... the Kebab mix, I really like first song on A side and the “Halhat” on B side, perfect for LSD kebab fiesta!!!! its a good LP for my collection of “strange vyniles” Bertoyas ... Kebab 10" is a great record. Our boss, Stephane, really liked it! VP / Ici d'Ailleurs

domingo, 16 de Novembro de 2014

Časopi X #3/4 (2013)



Esta "Revista X" veio da Eslováquia e ao abrir a publicação que é uma pasta com dezenas de páginas volantes ou desdobráveis ou fólios de desenhos para nosso deleite. A publicação é dedicada ao "desenho contemporâneo"eslovaco e ao ver o seu interior a única coisa que me ocorre escrever é que nos tempos dourados da Laica deviamos ter feito publicações destas! Não que alguns projectos editoriais não o tenham tentado fazer como foi o caso do Derby da Imprensa Canalha ou o Qu'Inferno d'Os Gajos da Mula - o caso mais conseguido, diga-se - mas perdeu-se todo o registo desse "zeitgeist", agora mais fantasma do que outra coisa. É que as melhores exposições de ilustração em Portugal foram feitos nessa altura (algures entre 2006 e 2009) até a exaustão do evento e o que sobrou são meia-dúzia de fotografias na 'net que não lhe fazem nenhuma justiça.
Vendo esta revista, que tem algumas coisas interessantes, não deixo de fazer analogias a desenhadores portugueses dessa altura e pensar que os nossos eram bem melhores - sem que esta afirmação seja vista como uma concorrência com paixão nacionalista, coisa que aliás abomino. A revista é bonita e bem produzida, embora como já se percebeu o contéudo não me provocou grande efeito. É mesmo uma pena não termos sido "nós" a editá-la...

Gracias ao Andrej Kolencik pela oferta desta surpresa eslovaca!

sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Um fim-de-semana Fantástico e Monstruoso



A Chili Com Carne já é perita em ubiquidade e este fim-de-semana divide-se entre Lisboa e Genebra... Em Lisboa André Coelho irá apresentar o Terminal Tower no Fórum Fantástico (um regresso desde a edição de 2012 em que foi mostrado o Futuro Primitivo) e teremos uma mesa com as nossas publicações. Em Genebra, o André Lemos terá uma exposição do seu fantastico trabalho no Festival Monstre e claro que temos também mesa com livros!