blogzine da chili com carne

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

AcontorcionistA / segundo volume: CALENDÁRIO


O Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer, as edições MMMNNNRRRG e a boutique Purple Rose (erotic luxury) têm o prazer de convidar V. Exa. para o lançamento do segundo número da rapsódia erótica AcontorcionistA, intitulado Calendário, o qual se apresenta como um instrumento devidamente preparado para assinalar de maneira condigna, e ao longo de várias décadas, os mais emocionantes compromissos relacionados com os prazeres carnais.
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Esta publicação integra-se na série gótico-erótica AcontorcionistA, projecto de carácter maleável e formato diversificado que conta já com um primeiro volume, Manifesto, igualmente disponível na boutique Purple Rose.

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O evento terá lugar no dia 17 do mês Plutónico (ou 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados, no calendário gregoriano) na Pensão do Amor, às 19h, contará com uma pequena exposição de originais e dança de varão com a participação da Sofia Pinkpepper.
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Do presente décimo oitavo volume das edições MMMNNNRRRG foram impressas duzentas cópias, 24 páginas em formato XL (A3 para os amantes do papel). Aceitam-se reservas através do e-mail ccc@chilicomcarne.com / estão cento e setenta exemplares ainda disponíveis...



Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Angoulême report / (muito) devagarinho...


Quem da CCC foi este ano de Angoulême ainda não se recuperou da viagem de 13 horas de carro de regresso... Por isso, a reportagem anda a passo de caracol.
Começamos com uma fotografia tirada à socapa a um quadro (absolutamente maravilhoso!) da alemã Anke Feuchtenberger, autora que estará em Março, no Porto, no novo evento MAB. O quadro estava patente na exposição Une autre histoire : bande dessinée, l'ouvre peint, no Museu da BD, dedica às relações entre a bd e a pintura. Tema curioso e abordado sobre o prisma europeu, cujo único senão era forma de disposição das obras. O museu não tinha condições para expor arte de grande formato, como acontece com telas de pintura, ficando tudo um bocado encafuado...



No antigo CNBDI (agora Bâtiment Castro) que alberga a Bedeteca de Angoulême, estava a exposição de retrospectiva de Art Spiegelman, o homem que mudou os paradigmas da bd umas duas ou três vezes. Desde os seus primeiros passos como ilustrador de trading cards como no movimento "underground" dos anos 60 e 70, da revista Raw ao Maus, passando pelo 11 de Setembro até ao seu trabalho gráfico na New Yorker, estava representada a sua carreira por completo. Algo que já merece uma deslocação a Angoulême caso Spiegelman não tivesse também criado uma exposição da sua colecção particular de originais de bd, que faziam uma "História dos Comics" no Museu da BD.
Depois deste ano, acho que não é preciso ver mais exposições de bd, afinal tudo o que é de se respeitar estava lá representado: Harvey Kurtzman, bds da EC Comics, originais da Raw (Gary Panter, Charles Burns, a bd Here de Richard McGuire, etc...), tiras e pranchas do príncipio do século XX,... e a joía da coroa: os originais "perdidos" de Binky Brown Meets the Holy Virgin Mary, de Justin Green, a primeira bd autobiográfica norte-americana.
Voltando ao "CNBDI-Castro" havia uma exposição de "BD Sueca" (assim mesmo divulgada) mas que não passava de uma colectiva de seis autores suecos. A Sociedade de BD Sueca, nossa parceira do Futuro Primitivo que nos perdoe, mas esta foi a pior exposição que já tenha visto em Angoulême em 10 anos que lá vou. Até a bd norueguesa está a ser melhor promovida.


Dizia que afinal não haveria mais exposições de bd para ver? Eis que apesar de tudo aparece uma surpresa ou outra em Angoulême, neste caso era a de Vincent Sardon, no Teatro Municipal, que mostrava os seus "originais" - carimbos que usa para fazer ilustrações.

Só vejo monstros por todo lado...




A escatologia, paganismo e mau-gosto andam de boa saúde. Nunca antes na História da Humanidade se criou e editou tanta arte "degenerada" e "herege", graças às tecnologias baratas (ou demográficas como as impressoras, k7s e CD-Rs) ou às digitais e à cultura DIY. A censura não pode controlar a produção "underground", tanto que se pode comprar, por exemplo, o disco Urine Junkies dos Abscess na Amazon - por acaso gamaram-me este CD na única vez que me assaltaram o carro, os agarrados devem ter ficado a pensar que estava a gozar com eles... E o que se pode fazer quando há bandas portuguesas com nomes como Vai-Te Foder ou Putas Bêbadas? De repente Holocausto Canibal, Presidente Drógado ou Traumático Desmame parecem nomes inocentes, não? E o festival Colhões de Ferro? Querem ninfetas a serem fornicadas por Diabos com enormes falos? Procurem os livros do Stud Mead pelo Le Dernier Cri - aliás, são os livros mais vendidos da editora. Querem o Jesus Cristo a ser sodomizado? O nome de Mike Diana diz-vos alguma coisa?
"É o sinal do Final dos Tempos" dirão os religiosos de direita. No caso dos cínicos de esquerda poderão dizer: "fala-se muito e cria-se muito ruído para os temas importantes serem abafados". Pouco importa, ao menos um gajo diverte-se muito mais a ler, ver e ouvir livros, zines e discos do que nos tempos em que fábricas de discos recusavam a prensar os discos dos Crass ou quando juízes da Florida proíbiam o Diana de desenhar. Claro que vídeo-clips banidos e outras censuras continuam por aí mas já ninguém mete mão em tanto excesso editorial de bandas e zines com virgens ensanguentadas e cruzes invertidas. De Espanha, surgiu um molho de publicações dedicadas ao Satanismo-porque-podemos-mandar-o-Cristianismo-às-favas, editadas pelo Petit Comitê Del Terror que se sub-intitula de Disavant-garde Publishing. Fazem antologias como Vomitorium - que neste #3 mostra que é um zine mesmo à maneira com oferta de lámina de barbear para suicídio higiénico, bds e ilustrações porcalhonas (com montes de bodes, caveiras e pilas), experiências gráficas interessantes e assemblagens. O nome dos artistas está num índice tão fodido de se ler que não dá para identificar quem é quem. Muito bom! Depois há monográficos, dois de Victor Dvnkel Frvctvoso (que desconfio que deve ser o Monge Negro desta casa editorial) com uma bd gótico-esotérica, Katabasis, e um mini-zine de desenho Magical Mystery Träsh - e "trash" resume o conteúdo. Outro mini-zine é La chute de Laura Höldein, parece uma novena dedicada a uma carta do Tarot, creio.
Mas há mais... O Monge não se fica pelo campo visual e faz também CD-R diabólicos como Sonor Potestas (Demonodrome; 2011), uma compilação pós-Satânica-Industrial-Black-Metal-techno-punk em que nada do que conheciamos por estes géneros sobrevive à lixeira mental e tecnológica de gente como DJ Muerte, Misa Negra, Contador Geiger, Las Barbas Indomitas, etc... que fazem um chamamento ao Chifrudo da forma correcta, isto é, com o som todo lixado em que não há aqui respeito por dogmas pelo Noise, Drone, Dark Ambient, Black Metal e essas paneleirices. Tanto que o ponto mais alto é um "pasodoble" com glitches. O Diabo até se passa com estes espanhóis, é caso para gritar: Olé Satã!