blogzine da chili com carne

segunda-feira, 30 de março de 2020

Parícutin @ Público e SNOB


O primeiro romance gráfico de Gonçalo Duarte 

21º volume da Colecção CCC
Publicado pela Associação Chili Com Carne

Legendas em inglês traduzidas por Manuel João Neto
ISBN: 978-989-8363-42-8
500 exemplares

Gonçalo Duarte (1990, Setúbal) é guitarrista em Equations e Live Low, impressor em serigrafia na Oficina Loba e autor de banda desenhada, que desde 2010 participa em antologias da Chili Com Carne, a saber Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010Futuro PrimitivoViagem de Estudo ao Milhões 2017 e Pentângulo.

No meio desta hiper-actividade, eis o seu primeiro livro a solo! 

Não admira que se sinta nesta obra uma vibração eléctrica, nervosa e onírica, uma leitura universal que nos conta como o espírito individual sai sempre quebrado quando se questiona o urbanismo e a vivência comunitária no século XXI.

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, Kingpin Books, Linha de Sombra, Matéria Prima, Mundo Fantasma, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Utopia, Vida Portuguesa, Tasca Mastai, Snob...

BUY at Quimby's (Chicago)


Historial:

Festa de Lançamento nos Anjos 7023 de Janeiro 2020, com Ricardo Martins, Simão Simões unDJ MMMNNNRRRG ...


Feedback:

Loved Paracutin
pStan Batcow (Pumf) by email

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(...) Sem nunca se revelar como programático, e muito menos panfletário ou articulado, o livro traz para a linha da frente as pequenas mas significativas tensões que advém em toda uma jovem geração a confrontar-se com um tecido de empregos precários, dificuldades económicas cada vez mais complexas no que diz respeito à ocupação do espaço, ao direito à habitação, mas igualmente a como se constituem verdadeiras redes de co-habitação, cooperação, e comunidade. De resto, temas que são recorrentes no trabalho de Duarte, de forma mais directa ou mais poética. (...)

really enjoy his work, very nice drawings and also the story is great. Bonus the strong colors for the cover, great work! 
 D.S. by email
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É preciso mostrar obra daqueles que resistem ao egoísmo e às ditaduras tribais.
T.M.


Parícutin é uma preciosa banda desenhada que nos fala das dificuldade e dilemas do que é edificar projectos em conjunto, casas que todos possamos partilhar. Contra a desilusão e o desencanto.

Construção, Pato Inglês, caralhos tratam-nos como conas, Shoppings, gatinho, Max Aub, + Indie e xenofobia,...


Terceiro número da antologia / revista 

Co-edição Ar.Co. e Chili Com Carne

128p. (16 a cores) 16,5x23cm, capa a cores, design de Rudolfo

A Pentângulo é uma publicação que confere visibilidade ao trabalho de novos autores cuja formação tenha sido feita no curso de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co. Sem hierarquias, nomes consagrados e estreantes, alunos, ex-alunos e professores misturam as suas imagens e palavras numa saudável promiscuidade.

Neste terceiro colaboram Ana Dias, Anna Bouza, Beatriz Alves, Catarina Ramos, Cecília Silveira, Cláudia Pinhão, David Pulido, Diogo Candeias, Francisco Monteiro,  Francisco Sousa LoboInês Cóias, João Ernesto, Luis Sequeira, Marcos Farrajota (com texto sobre a edição independente portuguesa 2019), Mariana Vale, Rebeca Reis, Rodolfo Mariano, Rosa Francisco, Sara Baptista, Sara Boiça, Sara Tanganho, Tiago Albuquerque, Tiago Baptista e Vasco Ruivo
...

Edição com o apoio do IPDJ e na distribuição: BdManiaKingpin Books, Linha de Sombra, Snob, Tasca MastaiTinta nos Nervos e Mundo Fantasma (a única loja no Porto a apoiar este projecto).

E claro, está à venda na nossa loja em linha e na Tigre de Papel, Utopia, Matéria Prima,...


Exemplos de páginas:

Sara Boiça

David Pulido

Rodolfo Mariano

Rosa Francisco

Sara Tanganho

Tiago Baptista

domingo, 29 de março de 2020

Isola-te com Prometeu


Também prá Loud! com mãozinha do nosso DJ Balli! Para os que se queixavam de problemas de concentração, estes são os tempos certos para ouvir este disco pela Urbsounds.

sábado, 28 de março de 2020

ANARCO-QUEER? QUEERCORE! na Rastilho


O livro mais f.o.d.i.d.o. de 2016!!!

ANARCO-QUEER? QUEERC0RE!
de 

Uma edição 
CHILI COM CARNE / THISCO
com ilustrações e grafismos de Bráulio Amado, Astromanta, Hetamoé, Joana Estrela, Joana Pires e Rudolfo e capa de Carles G.O.D.

O queercore foi-se esvaziando nos últimos anos, apesar da existência de novas bolsas de liberdade, apesar dos sinais de que a hecatombe do capitalismo pode mesmo acontecer e apesar do nomadismo dos sexos. Muito de bom foi produzido no impulso de enfiar os dedos em lugares quentes e húmidos, mas não será pouco? O hardcore queer ainda resiste, mas resiste porque está na defensiva, porque está fraco. É como se tivesse sido geneticamente programado para falhar. Mas quando ouvimos um estridente feedback dos Apostles e dos Nervous Gender tudo, absolutamente tudo, parece possível… Vamos acreditar que sim, OK?


venda no sítio da Chili Com Carne, Linha de Sombra, Sirigaita, Glam-O-Rama, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Flur, Tasca Mastai, FNAC, Bertrand, Tigre de Papel, UtopiaBlack Mamba, XYZ / A Ilha, Tortuga (Disgraça), RastilhoLAR / LAC (Lagos), Ugra Press (Brasil), STET e Matéria Prima.


ilustração de Astromanta

Historial: entrevista no Bodyspace ... lançamentos a 8 de Abril no MOB 9 de Abril de 2016 na SMUP com apresentações de Daniel Lourenço (Lóbula; poeta, activista queer) e João Rolo (A Lata Music, Música Alternativa; divulgador de rock independente), com mostra de videos de bandas queercore (Nervous Gender, Super 8 Cum Shot, Limp Wrist, The Gloryholes, Shitting Glitter, Lesbians on Ecstasy, Hidden Cameras, The Clicks), DJ sets de Pussybilly (MOB) e Lóbula (SMUP) e concerto de Vaiaapraia e as Rainhas do Baile (SMUP) ... artigo n'Observador ... artigo na Time Out ... reacção de José Smith Vargas ao artigo da Time Out in Mapa Borrado (secção de BD do jornal Mapa)
...










Feedback:

parabéns pela edição do queercore, está alta objecto, o livro!
Bernardo Álvares (dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, Zarabatana,  Älforjs)

Quase a acabar de ler e foi, sem dúvida, uma agradável surpresa (...) empolgante de ler. A verdade é que aguça a curiosidade e a vontade de saber mais. (...) Daqueles livros que nos fazem olhar para as coisas com outro olhar e em diferentes perspectivas. Aconselho vivamente!
Margarida Azevedo (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova)

Característica fundamental deste livro é o próprio formato físico e a sua paginação atípica, que se aproxima do formato “fanzine”. Numa escolha estética pouco comum (e exemplificativa do espírito rebelde do livro), cada capítulo é paginado e ilustrado por um artista nacional diferente (...) Este é um documento atípico que pode interessar a curiosos que queiram descobrir um universo musical pouco explorado. 
Nuno Catarino in Bodyspace

Bandas como Gay For Johnny Depp (...) ou Tribe 8 entre outras, são retratadas numa narrativa húmida e sem preconceitos.
Luís Rattus in Loud!

sexta-feira, 27 de março de 2020

Como ser sócio da Associação Chili Com Carne?

O regime de sócios da Associação Chili Com Carne passa pelo pagamento de uma jóia no valor de 30€ (15€ para menores de 30 anos) e o envio dos seguintes dados para o nosso e-mail: ccc@chilicomcarne.com

_nome
_data de nascimento
_morada
_tlm
_e-mail
_www
_fotografia (um jpg qualquer para fazer o cartão de sócio)

O valor da quota deve ser depositado na conta do seguinte EBAN: PT50003502160005361343153 (swift / bic: CGDIPTPL); ou através de paypal.

Quais as regalias de ser sócio da CCC?
_Oferta do livro Acedia, um livro de André Coelho - livro vencedor do concurso 500 paus (2015);
_30% de desconto sobre as edições da Chili Com Carne, MMMNNNRRRG e outros;
_informação em primeira mão de projectos da CCC;
_apoio a projectos editoriais*.
_descontos no uso do projector de vídeo.


E depois disto?
Passado um ano há um quota a pagar de 10€ e ainda recebe um exemplar de outro livro a escolher pela Associação.



* Apoio a projectos editoriais Ao longo do tempo a CCC tem vindo a definir de forma mais precisa qual a vertente de actividades para a qual está mais vocacionada, sendo que a edição em suporte de papel tem sido aquela que a CCC melhor tem sabido gerir. Os sócios da CCC com projectos editoriais poderão solicitar o apoio no campo da produção, distribuição e promoção. A selecção de projectos será discutida consoante cada caso. Sendo que seja imperativo ler este MANUAL!

Isola-te com Metadevice


Outra resenha prá Loud! a sair: Metadevice, o novo projecto de André Coelho pós-Sektor 304. Aviso à população: é para bater mal em casa!!

quinta-feira, 26 de março de 2020

Mesinha de Cabeceira #25 - últimos 25 exemplares!!


Edição MMMNNNRRRG
Capa de Dr. Uránio
BDs de Marcos Farrajota e Davi Bartex. 
Design: Joana Pires
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Este novo Mesinha de Cabeceira, que ainda recentmente comemorou 20 anos de existência, faz uma continução da fórmula do número anterior, desta vez com Farrajota a duplicar as páginas para contar histórias sobre apartamentos e instituições públicas de Lisboa, ou melhor sobre os seus abandonos e decadências. Este é segundo capítulo do "Desobediência é um artigo de colecção", trabalho de Farrajota desenvolvido numa residência artística na Finlândia. O convidado Bartex é francês, tendo residido em Lisboa durante algum tempos nos príncipios do milénio tendo feito esta BD que andou perdida uns 10 anos. Bartex é conhecido pelos seus encantadores e monstruosos trabalhos de animação de rua - e também andou nas míticas tournês de barco feita dos Mano Negra pelas costas africanas e sul-americanas.
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à venda na loja online da CCC e na Matéria Prima e talvez em mais alguma realmente boa loja
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Edição limitada de 333 exemplares.
Pode ser lido na íntegra aqui.
Lançado no dia 30 de Abril 2013 na Sá da Costa com o Prego #6.

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Feedback:

Não és o mestre do desenho...longe disso... mas em construção de BD, paginação, argumento (vivido ou não), como contar uma história, muitas vezes divertida (uf...tanta falta faz por aqui neste país) como a vida aliás, consegues mais uma vez chegar lá.... ao teu destino, que acho que é o de muitos nós... 
André Lemos 

não conhecia esse teu talento de contador de história. deves ser o melhor banda-desenhista que conheço que pior desenha lol 
João Fonte Santa

Queria lhe apenas comunicar que adorei a Mesinha 24 e o especial no SWR. A única Mesinha que tinha lido antes tinha sido a #20 e julgava serem todas nesse estilo compilação que, embora ofereça muita variedade tenha por vezes qualidade ou interesse variável. Assim, foi com agradável surpresa que conheci a Mesinha na sua itineração (e espero não dizer nenhuma barbaridade pois neste meio da banda desenhada conheço bastante pouco) americana (sendo que me lembra o estilo pessoal e "neo"-realista de American Splendor e Joe Sacco; e novamente perdão se esta assunção fôr de algum modo insultuosa pois, como disse, conheço muito pouco...). (...) E ainda me deu a conhecer o fantástico trabalho do Doutor Urânio. Para um veterano, estas palavras serão porventura desnecessárias mas não queria deixar de agradecer o excelente trabalho feito até hoje e apoiar e encorajar o presente mais a mais nesta altura em que o futuro da produção cultural "indígena" está fortemente perigado. Os meus parabéns e muito obrigado! 
J.M. (de Coimbra) 

eu diria que são uma espécie de facebook analógico onde os amigos ausentes podem espreitar um poucochinho a tua biografia sempre em jeito de work-in-progress! Como a vidinha, de resto. Portanto, ler-te foi como reencontrar-te em retroactivo, mais ou menos. ;) 
Arlindo Horta (do saudoso fanzine O Moscardo

Detesto as montagens do gajo que faz as capas destes números do MC, acho que ficavas muito mais bem servido se usasses as capas interiores (os desenhos dos interiores de tua casa) como a capa/contracapa. A história da casa já tinha lido, o que não tinha visto ainda era a história da bedeteca. That's some sad shit. A sério, acho que apanhaste muito bem a sensação de desolação e tristeza de ver um projeto que gostas a desintegrar-se, sem entrares em retratos de dor interior. Gostei desse pudor. 

Porreira, a BD da casa fantasma, ligada à outra casa fantasma que é a Bedeteca! (...) pareceu-me lógico! :) e até vais buscar o escadote, a mesinha e a poltrona da casa fantasma!!!! :) 
Andreia Páscoa

quarta-feira, 25 de março de 2020

Isola-te com Hardware



Antes de Stealing Orchestra havia Hardware agora reeditado em CD pela Tunguska - resenha a sair na Loud! no próximo número... até lá!

terça-feira, 24 de março de 2020

O ENTRETENIMENTO NÃO É O ÚLTIMO REDUTO


Saúde e Anarquia

Como sabem desisti de divulgar edições que escapam ao radar público desde que passei a colaborar no jornal A Batalha, tendo transferido essa tarefa para esse enorme prazer que se chama papel impresso.

Dado ao drama que vivemos e sabendo que a maior parte dos leitores tem medo de fazer assinatura de um jornal de expressão anarquista, decidi voltar a este blogue divulgar uma coisita ou outra para evitarem o lixo da edição nacional - já agora, para quem procura o melhor dos livros de BD em Portugal, consultem o sítio Bedeteca Ideal.

Não foi desistir de escrever em linha que me fez abandonar este blogue mas também alguma confusão de projectos - a participação no sítio oficial da Mundo Fantasma - que me levaram a acumular pilhas de livros e zines para um limbo promocional, desculpem! Entre as coisas para divulgar ficaram edições da canadiana Conundrum Press.

Science Fiction (2013) de Joe Ollmann parece uma peça de teatro entre um casal que passa uma crise gerada após o visionamento de um filme de ficção científica que irá incutir ao elemento masculino do casal, à beira de um ataque de esgotamento nervoso, a lembrança de ter sido raptado por um OVNI, quando era jovem. Ora como podem imaginar isto irá criar um stress em Sue (a mulher) que terá de sobreviver uma situação paradoxal, por um lado não pode acreditar no rapto e por outro que não pode abandonar o companheiro de seis anos de harmoniosa relação, que está em negação, recusa visita médica e mete-se no esterco da 'net à procura de comunidade de "idênticos" raptados.

É quase uma comédia de costumes, que pelo toque caricatural do grafismo e acutilantes diálogos lembra Hate do Peter Bagge, mas também é um livro inteligente sobre relações humanas, que sete anos depois torna-se ainda mais evidente dada a esta fase de isolamento social que estamos a viver - com toda a gente a queixar-se que vão ter de viver os próximos meses com a sua cara-metade e pimponhos que meteram neste planeta todo fodido.

O final, SPOILER!!!!, é pouco conclusivo e interessante, infelizmente, ainda por cima, o final da BD é imediatamente seguido por uma caricatura do autor a desculpar-se se está a ofender ou não os que acreditam em raptos alienígenas. Tontice final que estraga o livro. Uma solução é rasgar as páginas do livro a partir da página 105.

O primeiro volume da série Hobtown Mystery Stories de Kris Bertin (a) e Alexander Forbes (d) é o melhor antídoto para quem não papa as pobres chachadas norte-americanas da Dark Horse/ Image/ Vertigo, lançadas cá em Portugal, em regime de "dumping" nos últimos três anos. Quem têm aquele "guilty-pleasure" por géneros literários populares como os de Crime / Mistério / Aventura / Fantástico - sim, é verdade, HMS mete isto no mesmo saco - eis a solução totalmente inesperada.

The case of the Missing Men (2017) é um tijolo de 300 e tal páginas que invoca vários imaginários do passado (a acção para começar passa-se em 1996) e os ambientes dos tais géneros literários Pop, a começar logo pelo grafismo rigoroso de Forbes, a lembrar esteticamente alguma ilustração inglesa do início do século passado mas também muito da BD "indie" dos anos 80/90 como as de Dave Sim, Chester Brown, David Collier (Epá! Todos eles do Canadá! Curioso!!), quando isso significava trabalho árduo da técnica de traços cruzados, fundos detalhados e texturados.

É importante pensar que este livro extenso como é, com esta arte assertiva, sabendo (acho eu) que o livro / série não tenha uma grande exposição de vendas nem de traduções internacionais, que autores doidos serão estes para se dedicarem a anos de produção para a qualidade de livros assim??? É que isto não se faz desde do virar do milénio. Definitivamente não são assalariados da indústria dos "comic-books" e só tenho pena a CCC não tenha um modelo económico para lançar esta obra na sua Colecção Rubi.

O enredo lembra o cruzamento das aventuras dos Cinco com o Twin Peaks, referências mais do que gastas pelas críticas ao livro e desde logo exposta pela sua própria sinopse oficial. Certo! Só falta acrescentar o elemento fantástico que não irei revelar para não estragar o prazer da leitura. Sabem quando há livros de BD que nos levam umas boas horas de leitura mas não por verborreia? Eis um desses casos raros! Não comprem em Amazones e outros poluidores, existem ainda lojas de BD importada, é mais caro mas é mais justo, amigos!


Já referi aqui o David Collier. O seu livro Chimo (2011) estava guardado para escrever no sítio oficial da Mundo Fantasma, ia ser um artigo extenso porque este livro bem o merece, o autor também porque é daqueles que foram esquecidos com a cores histriónicas da geração "riso" deste milénio e porque tenho especial admiração pela sua obra. Também tenho de reconhecer que o esqueci durante uns anos e que só há poucos me apercebi que foi um autor influente no meu trabalho, sei eu ter dado por isso. Collier é daqueles autores que facilmente poderão colocar numa baliza entre Robert Crumb e Joe Sacco mas que tem uma voz própria, não é displicente e agressivo como Crumb nem político e formal como Sacco. É um observador, que tal como Aleksandar Zograf, sabe escrever crónicas interessantes em BD, seja sobre atletas ou sobre memórias de amigos punks dos anos 80. Pequenas estórias da História. Teve o seu próprio "comic-book" pessoal como todos tiveram direito nos anos 90, o Collier's que foi publicado em duas séries, a primeira pela Fantagraphics e a segunda pela Drawn & Quarterly. A primeira editora encomendava-lhe sempre umas BDs prá inacreditável antologia Zero Zero, foi daí que conheci o seu trabalho, destacava-se por ser o mais (o único?) sóbrio entre "animais" como Mike Diana, Richard Sala, Blanquet ou Kim Deitch. E a segunda editora publicou a maior parte dos seus livros a solo, até a Conundrum ser a sua nova casa.

Chimo (saudação inuíta) conta como Collier alistou-se no exército aos 42 anos, casado e com um filho! Aliás, realistou-se porque ele já tinha feito serviço obrigatório sem bem me lembro de BDs suas na Collier's. Porque raios este gajo fez isto!? Não foi para se armar em palhaço como o líder do CDS que só se ofereceu para motivos meramente mediáticos. É muito mais marado e interessante, Collier quis ser como o jornalista Sacco e ir para a frente de guerra no Afeganistão para participar num histórico programa artístico do exército canadiano mas o máximo onde ele conseguiu chegar nesse programa foi uma missão num barco militar e repreender uma traineira portuguesa a pescar fora dos limites de território - I shit you not! O exército não o deixa ir para uma frente de risco por questões de segurança (e de seguro). Frustrado, decide voltar prá tropa, naquela de ir para o conflito mas... fuck!, spoiler ou não, acaba por lixar o joelho nos treinos. A idade não perdoa! Isto dito desta forma não rende justiça às 130 páginas desta obra, tal a minúcia gráfica que referi em HMS e da informação en masse, desde a sua experiência militar - semelhanças e diferenças em 20 anos de vida - à história do SNS do Canadá, ufa! Tal como em Paying for it de Chester Brown, mistura-se autobiografia, ensaio e reportagem, deixando a sensação que ainda há BD excitante a descobrir caminhos.

Claro, que é daqueles obras que os parvinhos da BD vão dizer que só graças a vidas interessantes é que se faz boas BDs autobiográficas. Será? Claro que não e por várias razões, algumas poéticas que esses imbecis nunca perceberão... Mais Collier:


O nosso Primeiro Ministro insiste no desastre humano e ecológico que será o aeroporto no Montijo, especialmente nesta altura que a Natureza deu-nos a bela bofetada de humildade. A calamidade que vivemos vêm da destruição do planeta para consumo tonto. A propagação veio do turismo de massas que poluem em viajar futilmente - digo, por sabemos que as pessoas nem olham prás ruas onde andam, os olhos estavam sempre no Google Maps, deviam ter ficado em casa a curtir o Google Earth nesse caso. Viajar de avião e turismo parvo nos próximos anos vai ser privilégio das elites, dizer o contrário é mentir, por isso quem quiser aventura que se prepare como Collier em Morton (2017) que juntamente com a sua família atravessam o Canadá inteiro usando o bom e velho comboio! YEAH! Dica de semana para o Costa: mete as linhas da CP a funcionar, sff

Em íntimo autobiográfico e "factoids" de mil ordem - é o Collier! Memórias de família, bastidores do mundo da BD, episódios históricos, etc... etc... etc... Assim, viajamos num território com "pouca História e muita Geografia" no tom típico deste autor tão humano e pedagógico, no melhor registo de cadernos e literatura de viagem - claro, sendo BD tem sempre essa dupla vantagem: texto e imagem, viva! Era daqueles livros que podia estar na nossa colecção LowCCCost, até tem um mapa do trajecto na contracapa como nós temos nessas nossas edições!! Para quem já sabe que não irá para aquela parte do planeta, é aqui que deve apanhar a boleia!

Thank you Andy!

PS - sem misticismos baratos, há sempre estas coincidências na minha vida, quase três anos sem pegar nestes livros para os relatar e agora, eles batem em cheio com esta crise humana, especialmente Ollmann e Collier. Se calhar valeu a pena esta deriva.