blogzine da chili com carne

sábado, 6 de agosto de 2016

Já não sou eu que vivo /// MUNDO FANTASMA

Uma exposição e um livro novo de Francisco Sousa Lobo



It's no longer I that liveth é um livro sobre ter treze anos em 1986. Relata alguns meses na vida de Francisco Ferreira, entre a região de Lisboa e Évora. Francisco Ferreira tem a pior das idades. Uma idade em que o Deus da infância já não existe e não há ainda outro Deus que o substitua. Uma idade em que já não se brinca e ainda não se tem amigos verdadeiros. Uma idade niilista. Uma idade sem nada. Mesmo assim Ferreira descobre qualquer coisa, agarra-se a qualquer coisa.

Inaugura 6 de Agosto, às 17h 
na Galeria da MUNDO FANTASMA 
[Shopping Center Brasília Avenida da Boavista, 267 1o. Andar, Loja 509/510, Porto]

Francisco Sousa Lobo nasceu em 1973, em Moçambique, e vive entre Londres e Falmouth, no Reino Unido. Estudou primeiro arquitectura, depois arte. Em Londres acabou recentemente um doutoramento em arte, em Goldsmiths. Em Falmouth University ensina na licenciatura de Ilustração. Publicou vários livros de banda desenhada: Câmara Escura (Bedeteca de Lisboa; 2003), O Desenhador Defunto / The Dying Draughtsman (Chili Com Carne; 2013), O Andar de Cima (Ar.Co + Chili Com Carne; 2014), I Like Your Art Much (ed. de Autor; 2015), The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros (Chili Com Carne; 2015) e O Problema Francisco (Gulbenkian; 2015), também publicado em Espanha pela Ediciones Valientes. Prepara agora dois novos livros: Os Quarenta Ladrões (inquérito a artistas e críticos sobre a questão da influência) e Nuvem (sobre a Cartuxa de Évora).

sábado, 30 de julho de 2016

ccc é de cerveja, cães e chakras


Galena thing... Vamos é ver Booze Abuser!

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Encomenda de grupo aO PANDA GORDO



Como alguns sabem, O Panda Gordo é um projecto que o João Sobral começou no Porto, em 2011. Em 2014, mudou-se para o Reino Unido e depois de ter estado uns tempos em Londres, está neste momento em Glasgow, na Escócia.

Em parceria com a Chili Com Carne, O Panda Gordo está a dar a todos aqueles que estão em Portugal a oportunidade de comprarem os seus zines poupando os portes de envio internacionais. As encomendas devem ser feitas para ccc@chilicomcarne.com até ao dia 29 de Julho.


A totalidade das encomendas será enviada no dia 1 de Agosto para a Chili Com Carne, que depois ficará responsável por distribuir as encomendas a nível nacional.


Os zines incluídos nesta promoção e os seus respectivos preços, em euros, são:

— A DAY, de Mariana Pita – 6.00€
— BEFORE IT DISAPPEARS, de João Sobral – 4.80€
— I WANT TO ESCAPE BUT NOT TO DISAPPEAR, de Ed Cheverton & João Sobral – 3.60€
— GOOD GOOD GOOD, de João Drumond – 3.60€
— WE’VE BEEN PUTTING MONEY ON A PRINGLES CAN, de Joana Valente & João Sobral – 5.40€
— TWO STORIES TOLD WITH TEN DRAWINGS EACH, de João Sobral – 4.80€
— THERE ARE ONLY SEVEN STORIES IN THE WORLD, de vários autores – 8.40€


Ao valor total de cada encomenda, deve-se acrescentar 1€ por cada zine, para cobrir os portes nacionais. No caso de a encomenda ultrapassar o valor de 13€, os portes serão completamente gratuitos. Há ainda a possibilidade de incluir na encomenda publicações disponíveis na loja da Chili Com Carne e, nesse caso, os portes serão também gratuitos.

terça-feira, 26 de julho de 2016

FACTORY : The Story Behind "Made in Taiwan"

Yang Yu-chi
Slowork; 2014

Fui a Varsóvia em Maio de 2014 mas não comprei nada da Polónia - mentira, comprei um volume da BD infantil Tytus dos anos 70 (creio) que não percebendo nada do polaco não deixa de ser uma peça curiosa de BD psicadélica e a adivinhar a música Industrial! - mas comprei um livro de Hong Kong numa livraria!

É o lado espectacular da Aldeia Global mas que este livro dá-nos o "outro lado", aquele que faz as pessoas com cabeça serem Anti-Globalização. Yu-Chi conta a história laboral da sua mãe e que é a história laboral do "milagre" económico da Formosa, um dos "quatro tigres asiáticos". As pessoas são metamorfoseadas de pinguins (o texto final explica o porquê desta escolha antropomórfica) nesta BD e são mostrados os sacrifícios de uma geração de trabalhadores que deram toda a sua vida no trabalho das fábricas (neste caso para uma fábrica de brinquedos para o Ocidente) e que tudo perdem quando estas mudam-se para outros países com mão-de-obra mais barata ou quando mudam o seu modelo de produção - por exemplo, quando a Formosa optou em investir em produção de tecnologia de ponta, um fabrico que exige outro tipo de mão-de-obra mais especializada...

Edição cuidada com uma sobre-capa em serigrafia, este é o primeiro livro da Slowork, editora que pretende lançar mais "documentários gráficos" sobre daquela parte oriental do mundo. É uma BD estranha pela sua falta de "pureza" autobiográfica, "real", documental ou jornalística para quem espera algo na linha de Joe Sacco, Emmanuel Guilbert ou Aleksandar Zograf. Se calhar está mais próximo do Ivan Brun ou do QCDI #3000 por usar metáforas ou ficção para descrever os horrores do Capitalismo.

Entretanto a loja El Pep tem disponíveis as edições da Slowork e a novidade é Frontline Z.A., uma antologia com pinta de panfleto sobre movimentos sociais na Formosa. As BDs querem oferecer uma faceta humana para estes movimentos geralmente conotados como subversivos ou "do contra" (ei! estúpidos, esta gente está a lutar por vocês!) pelos meios de informação. Acaba por matar dois coelhos de uma cajadada só porque cumpre o seu objectivo e ainda denuncia mais podres do Capitalismo Global e os governos corruptos - como a RCA que matou milhares de pessoas através da poluição que as suas fábricas produziram.

O editor deste projecto vai estar presente dia 29 (Sexta-Feira) na El Pep com uma exposição e uma cerimónia qualquer que envolve chá tradicional daquelas bandas, vamos lá?

NNNão MMMe enche o saco, caRRRa!! tá quase esGotado!


Imagem de André Lemos para o cartaz de Subsídios para a MMMNNNRRRG #1, agora reaproveitada para sacos da editora "só para gente bruta".

Tecido tnt, alça média, impressão dos dois lados em serigrafia, 34x42cm, 2 cores à escolha

À venda aqui - grátis na compra de cinco livros do catálogo da MMMNNNRRRG. QUASE ESGOTADO!

REVISÃO : Bandas Desenhadas dos anos 70 .......... na BdMania

Capa de Isabel Lobinho e títulos por João Maio Pinto
2016 marca 40 anos do fim da icónica Visão, uma revista improvável num país com graves problemas económicos mas que se apresentava nas bancas com ar luxuoso, cores ácidas e brilhantes, temáticas políticas e libertárias.

 Quisemos comemorar esta publicação que fez uma ruptura com a BD tradicional portuguesa mas sobretudo recuperar um conjunto de BDs esquecidas dos anos 70 cheias de frescura, rebeldia e prazer criativo, vindas de outras experiências editoriais como Evaristo, O Estripador ou &etc.

Contem com António Pilar, Bruno Scoriels, Carlos BarradasCarlos "Zíngaro", Fernando Relvas, Gracinda, Isabel Lobinho, J.L. Duarte, João Manuel BarrosoNuno Amorim, Paralta & Zé Baganha, Pedro Massano, Pedro Potier, Tito, Zé Paulo (1937-2008), Zepe e ainda António Pinho, Carlos Soares, Jorge Lima Barreto (1949-2011) e Mário-Henrique Leiria (1923-1980) para muita BD psicadélica, urbana, cósmica, mórbida, erótica, pessimista, ácida, crítica, tão ying & yang tal como foi a década de 70 neste país periférico.

Nova paginação! 
Vintage Free! 
Completista!
Uma delícia!!!

(((o)))

9º volume da colecção Mercantologia 
editado por Marcos Farrajota 
arranjo gráfico de Joana Pires
184 páginas a cores 23,5x34cm
Capa com uma bandana


(((o)))

em breve na El Pep e Utopia
FNAC e Bertrand em Setembro



Historial: Apresentação no Festival de BD de Beja (29 de Maio) ... Notícia no P3 ... Lançamento no dia 9 de Julho, às 16h na Feira Morta na Bedeteca de Lisboa com as presenças de Marcos Farrajota (editor) e António Pilar, Carlos BarradasCarlos "Zíngaro", Fernando Relvas, J.L. Duarte, Nuno Amorim, Pedro Massano e António Pinho (autores) ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ... Notícia no jazz.pt ...






















Feedback: Visão looks like an AMAZING magazine - a bit like a Portuguese GARO?! So important that people today see this pioneering work from 40 years ago and BUILD on it and push comics still further. Bravo (...) I see the relationship to Pilote/Metal and of course US comix underground too. As you say daring, radical for the times and politics. This work needs more exposure in Portugal and outside too - Paul Gravett (via e-mail) ... A Revisão é fascinante, principalmente porque para mim não é revisão nenhuma que só conhecia as bds do Pedro Massano (e o Fardeta do JL Duarte se não me engano). As histórias são algo insubstanciais, mas os desenhos, a diversidade de estilos são um festim. Muito bom. E o livro está muito bem produzido, palmas para os dois. M.R. (via e-mail) ... 

Cinzas : metade da edição esgotada!



Cinzas
de
Olivier Schrauwen

Uma co-edição MMMNNNRRRG e Mundo Fantasma.
56p 16,5x22cm agrafadas
Edição limitada de 4 x 75 exemplares (impressão a risografia em Teal, Blue, Fluo ou Burgundy)
Em português, tradução de Marcos Farrajota.
Design e impressão: José Rui Fernandes / Duo Dsgn

Sinopse: Cinzas de Olivier Schrauwen conta a história verídica do seu rapto por extraterrestres em Berlim, cidade onde habita há algum tempo. Sendo autor de banda desenhada, O. Schrauwen não encontrou outra forma de relatar a experiência do que através de uma BD de edição tosca e desajeitada, mas pungente na honestidade dos detalhes, descritos da melhor forma que os conseguiu recordar. Esta edição da MMMNNNRRRG e Mundo Fantasma, também ela tosca e desajeitada, tenta traduzir essa experiência de uma forma palpável.

à venda na loja em linha da Chili Com CarneMundo FantasmaNova Livraria FrancesaLinha de Sombra e Tasca Mastai.

Existem 2 exemplares numerados e assinados pelo autor - que nos visitou dia 14 de Novembro de 2016 na inauguração da exposição Olá, o meu nome é O. Schrauwen.









Feedback 
À semelhança de O Espelho de Mogli, Schrauwen continua a ter o dom de nos fazer rir, reflectir e intimidar ao mesmo tempo. Aqui, os sentimentos e o corpo humano voltam a ser explorados, sem qualquer tipo de pudor ou restrição, numa amálgama entre humor, erotismo e repulsa. Se, à primeira vista, Cinzas parece tratar-se apenas de uma forma de parodiar os relatos sobre raptos alienígenas, convém reforçar que não é o caso. Schrauwen tem sempre algo de valor a transmitir nestes delírios, e é na razão por detrás destes raptos que o autor se volta a debruçar sobre a identidade do Homem, numa forçosa auto-reflexão que todos deveríamos fazer. Gabriel Martins in Deus me livro 
... 
é um relato aparentemente com aspecto tosco e desajeitado mas que, na sua essência, é tudo menos isso. Melhores do Ano pela Deus Me Livro 
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A leitura destas transformações materiais entre uma edição e outra revelar-se-iam produtivas. Afinal de contas, a francesa segue um esquema limitado de cores que mima aquilo que é dito no livro – o rapto por alienígenas conhecidos como “cinzas” – mas a portuguesa oferece uma dimensão acrescida que alimenta o grau de alucinação proposto. Aquela, com uma capa convencional, apresenta todo o relato de um modo mais comportado e previsível, ao passo que esta parece sublinhar uma espécie de urgência e intimidade no que é recontando. Pedro Moura in Ler BD 
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Melhor Publicação Independente pela Central Comics 2016

Chili do Inferno ou Clube Com Carne?

Eis a parceria diabólica entre a Chili Com Carne e o Clube do Inferno em 2015!!!
A Maga já estava prometida à muito tempo, é uma antologia de textos ou como se sub-intitula: Colecção de Ensaios sobre Banda Desenhada e afins

Inclui textos de Tiago Baptista (entrevista), Marcos Farrajota, João Machado, João Sobral (que realizou o design da publicação) e Ana Matilde Sousa, e ainda umas BDs de Tiago de Bernarda, que nos oferecem artigos sobre BD, Indíos, Depressão, Manga, Cultura Pop, Anime, Zines, Comix e DIY a rodos...

É o volume -5 da colecção THISCOvery CCChannel, parceria da Chili Com Carne e Thisco para a edição de livros sobre "Ocultura" onde a BD se insere facilmente. São 122 páginas que se encontram na loja em linha da CCC e na Mundo FantasmaMatéria-Prima, Artes & Letras, El Pep, Linha de Sombra, BdManiaLetra LivreTasca Mastai e Pó dos Livros.

Melhor Publicação Relacionada pela Central Comics 2016



O QCDI não se deveria chamar QCDA!? Será gralha da rapaziada? 
Não não não! 
É que estes chaval@s são do Inferno e não do aPOPcalipse! Apesar de André Pereira, Astromanta, Hetamoé e Mao disfarçarem a sua "chavalice" com barbas", sorrisos e pactos de sangue!

Fear of a Capitalist Planet
Tamanho A3! 16 páginas impressas em azul petróleo! Capa a cores!
à venda AQUI e na Artes & Letras, Matéria-Prima, El Pep, Ediciones Valientes (Espanha), Black MambaLinha de Sombra, BdMania, Letra LivreTasca Mastai, B Shop (CCB) e Pó dos Livros...





QCDI #3000, integrado na colecção de banda desenhada QCDA da Chili Com Carne. Alguns de dos membros do Clube do Inferno já tinham participado nos números anteriores — o André Pereira no 1000, a Hetamoé no 2000 —, mas este novo volume é Clube do Inferno de uma ponta à outra.

Com o subtítulo "Fear of a Capitalist Planet", as quatro histórias operam em diferentes matizes, entre o fantástico, o político, e o onírico. Dragões, polícias e pizzas deformadas fazem parte da iconografia deste projecto em que continuam uma ideia já presente na exposição Lightning Riding Waves of Fire (na El Pep em 2014): a de que vivemos depois da catástrofe. Colocam-se de fora, no futuro, na realidade paralela, para obter tangentes que se querem alienígenas mas não alienantes.

Feedback: 
Parece haver um princípio comum, indicado pelo título e por uma nota final. Uma reflexão sobre o tardo-capitalismo actual, cujo prometido estertor tem sido sentido pela forma como se tem imiscuído em esferas várias (começando pelo da política, como temos testemunhado na Europa, não nos escusando de sentir as vibrações em Portugal). O título baseia-se num ensaio [os autores garantem "estar lá tudo"], mas se o medo é sobre algo que ainda não sucedeu, aqui é infundado, pois estamos já nele. O título parece ser já uma citação em segundo grau de um famoso álbum dos Public Enemy. Pedro Moura / Ler BD 
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"Quatro Chavalos do Inferno" (...) colectivo que tem desenvolvido um trabalho relevante e renovador na cena portuguesa de BD (...) questionam, desmontam, apoucam e ironizam o presente com cheiro a fim de civilização que vivemos. Sara Figueiredo Costa / Expresso 
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Nomeado Melhor Fanzine na BD Amadora 2015 
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Lista dos Melhores Livros de 2015 no Expresso 
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uma história de André Pereira que podia figurar igualmente numa qualquer publicação da editora britânica 2000AD. Já em Fantastic Proliferation seguimos de perto (demasiado perto) o abuso do poder por parte de Cosimo, uma personagem digna de um qualquer filme de Pasolini, cuja história, da autoria de Mao, prima não só pelo conteúdo, mas por todo o experimentalismo Melhores de 2015 pela Deus Me livro
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Nomeado para Melhor BD Alternativa 2015 nos Prémios do Festival de Angoulême 
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Best Portuguese Graphic Novels por Pedro Moura no sítio de Paul Gravett: QCDI 3000 is actually the third volume of an ongoing project to highlight new, young comics artists who are willing to push the envelope of the art of comics-making. This particular issue is concentrated on a collective called Círculo do Inferno, a little like the Hellfire Club, and they’re no gentlemen either. The authors are Astromanta, Hetamoé, Mao and André Pereira (...). This oversized, tabloid-like anthology presents four-page pieces by each artist, not necessarily narrative: Astromanta presents a sort of science fiction essay on precariousness; Hetamoé crunches shojo manga with post-Marxist politics via high fantasy tropes; André Pereira creates a seemingly light story that actually focuses on the current political-economic crises of Portuguese society (with absolutely brilliant page compositions); and Mao brings together two distinct narrative tracks, an unclear palace intrigue and the slow progress of an oozing pizza-monster (but also an exercise in experimental composition). Weird, creative, dynamic, indeterminate in their moral but surefire in their humour and politics, this collective has not only produced top-notch contemporary comics that go well beyond classic genres and forms, but also provide much food for thought, and not only about comics themselves. 
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Nomeadas BDs de Mao e André Pereira para Melhor Obra Curta no Central Comics 2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Metal

Se calhar já não se sabe o que quer dizer metaleiro há muito tempo. E quando se vê estas publicações fica-se ainda mais à toa... Aquilo que era uma tribo urbana muito bem definida até aos anos 90 deixou-o de o ser porque, tal como todos os géneros musicais, fragmentou-se em mil sub-géneros. Metal, será a guitarra em distorção e temática obscura? Música à abrir e espírito Rock do excesso? Música para 10 000 cabeças tocado num palco gigante ou uma k7 limitada a 10 noruegueses broncos? Tudo isto ou nada disso?


O que dizer sobre Metal do Olho do Cú? Para além de começar mal como frase, este zine "old school" é mesmo "old" porque é feita por velhotes quarentões que se calhar não fizeram um fanzine assim quando tinham 16 anos. Seria a idade certa para fazer esta javardeira... e no entanto... Torna-se realmente divertido em 2016 ter em papel meia-dúzia de fotocópias A5 um humor de ir ao cuzinho S/M. O gesto é completamente anacrónico, a lembrar outras situações como o Bom Apetite de João Marçal e Miguel Carneiro. Tem graça de tão deslocado de tudo, seja do mundo da BD seja do comércio, é lançado nos festivais de Metal que abundam pelo país, daí que a maior parte das BDs e cartoons sejam ligados ao Metal e alguns dos seus cromos - como um dos irmãos Veiga, organizadores de Barroselas que aparece como "Ramboselas", herói de todo o metaleiro em perigo. De forma geral, este zine encaixa-se na nova tendência do Metal ter deixado o lado político ou sério, para entrar numa onda de curte non-sense, ao nível de Enapá 2000, como são as bandas Grind Vizir ou Serrabulho. Talvez porque alguns dos sub-géneros do Metal chegaram a um limite estético onde pouco poderão avançar, então decidiram voltar atrás, à parvoíce da juventude mesmo sendo muitos cotinhas - no #3 até lhes enviei um desenho rejeitado por uma banda punk. Síndroma de Peter Pan escarrapachado mas o que se pode fazer com música Pop/Rock? Sempre foi juvenil... Ainda assim, o Metal como festa pagã e de idolatria, quando não está alinhado à cultura "normal", é de salutar pois acredito que cada um de nós deve inventar o seu próprio Carnaval, os seus próprios rituais, media e tudo mais. É disto do que se trata quando se fala do Olho do Cú. Muito sinceramente, quem quer saber dos Gatos Fedorentos (essa cambada de vendidos)?

Iconolatry (Universal Tongue; 2016) de André Coelho saiu num festival de Metal em Junho e trata-se de um portfólio de imagens de Coelho feitas para bandas e os seus discos ou eventos de Metal - e algum para o Punk e o Industrial. As ilustrações foram libertas do espartilho do design dos produtos a que se destinavam, deixado-as assim respirar com mais força e evitando o livro de se tornar num catálogo de vendas.
Não deixa de mostrar que existe todo um mercado - um nicho, como os merdas dos tecnocratas chamam - em que até há um artista português que preenche os requisitos, ao ponto de estarmos perante até de uma profissionalização do mesmo nesse "nicho". Mesmo quando se vê muito imaginário que lembra Barry Windsor-Smith (o primeiro desenhador do Conan nos anos 70) para além de muitos bodes 666, bárbaros vikings, caveiras & machados & bigornas, gajas podres de boas (muitas vezes só podres), repteis sebosos (e não falamos das escaramuças públicas do PCPT/MRPP), simbologia alquímica e esotérica para quem nunca viu o palhaçito do Crowley, não deixa de haver força e energia nas imagens (zeus, é isso que define o Metal?). Ou seja, lá porque Coelho trabalhe muito não quer dizer que o material não passe a esmorecer e a vulgarizar. O que o livro mostra é que o Coelho tem garra - resta saber que tipo de garra de águia ou de grifo?

Evan Parker - X Jazz / últimos 6 exemplares


Evan Parker - X Jazz
graphzine / sketchbook de André Coelho
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24p 16,5x21,5cm, papel verde
impressão a duas cores em risografia pela Mundo Fantasma
com prefácio de Rui Eduardo Paes
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edição limitada de 100 exemplares disponíveis exclusivamente na loja em linha da ChiliMundo Fantasma, Linha de Sombra e Just Indie Comics (Itália)

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Evan Parker (1944) é um influente saxofonista de Free Jazz, nascido na Inglaterra. Houve um encontro com este músico em Pedrogão Pequeno, em Agosto de 2012, com 17 músicos nacionais do jazz e da livre-improvisação no âmbito do X Jazz – Ciclo de Jazz das Aldeias do Xisto, organizado pelo Jazz Ao Centro Clube com o apoio da ADXTUR.

A residência artística durou toda uma semana, com trabalho dentro de portas durante os dias e concertos à noite em povoações localizadas nas margens do Rio Zêzere. Logo no início, Parker afirmou que não queria dirigir, que estava ali apenas para transmitir a sua experiência e as suas perspectivas da música que utiliza a intuição, a espontaneidade e a interacção de grupo, sem hierarquias, como linhas condutoras. (...) As consequências desta iniciativa têm sido enormes, pois marcou a aplicação em Portugal daquilo que o próprio Parker apresenta como «coisa utópica». Esse foi, de resto, um propósito logo ali anunciado por alguns: por exemplo, o trompetista Luís Vicente adiantou ao jornal Público que tinha de imediato decidido «transportar isto para a minha maneira de tocar e de pensar a música». 

«Deixem espaço para os outros»; «quando ouvirem alguém a introduzir uma ideia, calem-se, dêem-lhe oportunidade»; «toquem menos - não queiram preencher tudo, o ensemble é mais do que cada um dos seus membros»; «ouvir é mais importante do que tocar»; «entrem apenas quando tiverem algo de importante a dizer», «não cortem o caminho dos outros», «se alguém não estiver a fazer-se ouvir, retirem-se»: estas dicas chocalharam com tudo o que se julga que é improvisar, e depressa se percebeu que o alcance da filosofia musical do coordenador desta acção ultrapassava a própria música. 

(...) A memória do que aconteceu em Pedrogão Pequeno ficou registada em texto, áudio, vídeo, fotografia e desenho – o caso presente, pela mão de André Coelho. É uma memória congelada, fixada no tempo, o contrário da efemeridade dos sons que então se produziram. As recordações mentais, essas, estão vivas e continuam a ter um efeito transformador. A influência que Evan Parker nos deixou é uma construção sem fim à vista. - Rui Eduardo Paes in prefácio

Músicos retratados: Angelica Salvi, Gabriel Ferrandini, Gonçalo Falcão, Hugo Antunes, João Camões, João Lobo, João Martins, João Miguel Pereira, João Pais Filipe, Luís Lopes, Luís Vicente, Marcelo dos Reis, Miguel Carvalhais, Miguel Mira, Pedro Sousa, Rodrigo Amado e Travassos.
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A edição foi produzida pela Chili Com Carne e Thisco, sendo o sexto volume da sua colecção THISCOvery CCChannel, dedicada às dimensões (ocultas) da (contra)cultura tendo no seu leque colaborações de Hakim Bey, Rui Eduardo Paes, Critical Art Ensemble, Ewen Chardronnet (Associação dos Astronautas Autónomos), Carl Abrahamsson, The Master Musicians of Joujouka, Ondina Pires, DJ Balli, Hetamoé entre muit@s outr@s...

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Feedback : Lançado no dia 18 de Dezembro de 2015 no Barraca Fest III com a presença do autor e intervenção de Rui Eduardo Paes ... Mais do que uma compilação de esboços do autor, os textos que os acompanham traduzem a súmula dos ensinamentos de Evan Parker, conferindo o tempo aos ensinamentos do músico e dando a ilusão da sequência narrativa dos mesmos, enquanto o leitor vai descobrindo a voz do coordenador que não quer ser ditador. Nuno Sousa ... Looks great! Evan Parker ... impresso a duas em risografia, sendo uma delas um belíssimo cinzento metalizado, que traz reflexos às figuras humanas. (...) Um sucinto mas claríssimo texto de Rui Eduardo Paes cria o necessário contexto para os incautos, mas igualmente para nos fornecer algumas pistas não só em compreender algumas das frases igualmente capturadas por Coelho, mas pequenos gestos subtis que poderão fazer adivinhar as tais harmonias conquistadas: as mãos pousadas sobre os joelhos e os olhos fechados de Parker ao escutar os músicos, um saxofonista a não tocar, o sobrolho carregado de um músico de electrónica, as caretas expectáveis de quem segue num transe de notas, e as misteriosas mãos em posições de mudra, em busca de navegações pelos sons Pedro Moura ... my partner Caroline found it again this morning and worried if I was a bit over weight! Evan Parker