exposição do livro Kassumai no Festival internacional de BD de Beja
e em Beja já se começa a preparar o festival ... deixo-vos aqui um dos painéis realizados para a exposição do livro Kassumai da minha autoria.
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| foto: Paul Gravett, em Ravenna (2007) |
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Bestiário Ilustríssimo é uma nova colectânea de textos sobre música de Rui Eduardo Paes: O melhor jornalista de música em Portugal. Um musicólogo reconhecido entre alguns músicos portugueses e virtualmente desconhecido do grande público. É fiel à sua integridade, porque só escreve sobre música que considera merecedora de atenção: por a considerar esteticamente bela, mas também porque a sua imensa cultura musical lhe permite adivinhar e percorrer novos caminhos no preciso momento em que estão a ser trilhados pelos músicos. Contudo, nada tem de elitista.
Entre os vários músicos referidos nos 50 textos que compõem este livro vamos encontrar Elliott Sharp, Merzbow, Mão Morta, RED Trio, Carlos "Zíngaro", Sei Miguel, Rafael Toral, Charlotte Moorman, Ahmed Abdullah, Aki Onda, Steve Lehman, Thisco, Nate Wooley, Genesis P.Orridge, Metthew Herbert, Nobuyasu Furuya,... entre várias outras referências que passam pelo multi-media, artes plásticas e banda desenhada.
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Volume -2 da colecção THISCOvery CCChannel
Publicado pela Chili Com Carne e Thisco, em Abril 2012, com prefácio de Marco Santos, ilustrações de Joana Pires e design de Ecletricks
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268p. p/b 22x16cm, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-12-1
ISBN e-book: 978-989-8363-13-8
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PVP: 15 euros (desconto 50% para sócios da CCC, jornalistas e lojas) à venda na shop da CCC, Matéria-Prima, Fábrica Features, Trem Azul, Letra Livre, Livraria Sá da Costa (R. Garrett, 100), Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, 18), CDgo.com, Utopia, Flur, Porta 12, FNAC, Rastilho e Fonte de Letras . Versão e-book na Todoebook.
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Historial : lançado no dia 17 de Abril 2012 na Trem Azul no âmbito do Festival Rescaldo
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Feedback : 4 estrelas em 5 no Público ... Nascidos não com o propósito de terem forma de livro, os textos que compõem "Ilustríssimo Bestiário" partilham aquela partícula de coerência e complementaridade que o incessante virar de páginas tão bem faz evidenciar. Escritos em Marte, como Marco Santos afirma no prefácio, estes 50 textos têm de facto origens (artigos, folhas de sala de concertos, notas de discos) e temáticas dispersas (apesar da música ser obviamente o centro gravitacional), mas a cola cósmica que os une, sob a forma de metáforas, analogias e uma forma muito peculiar de pensar a música - buscando sinestesia na arte e reflectindo as plurais utilizações da tecnologia (...). Os nomes que pululam nesta obra vêm de diversos meios - artes plásticas, literatura, banda desenhada,... - e, entre outros, contam-se Genesis P. Orridge, Matthew Herbert, John Cage, Marguerite Duras, Archie Shepp, Miles Davies ou Zeca Afonso, tendo alguns deles ganho vida também através do traço de Joana Pires, complemento e espécie de concretização visual do universo rendilhado, denso e imagético de Paes in Flur ... os temas e os textos surgem de forma clara e fluída, apenas não percorrem os caminhos trilhados habitualmente, mas é precisamente por isso que são fundamentais, pois iluminam com uma nova luz coisas que nos passariam despercebidas ou que apenas intuiríamos. Em suma, um livro indispensável para todos aqueles que procuram uma escrita apaixonada sobre a música mais desafiante dos nossos sentidos. in Under Review
L'oeuvre de Rui E. Paes est une encyclopédie à entrées multiples. Le pacte de lecture qui nous est proposé semble être la volonté de démasquer le discours officiel sur l'art(s). Dans un pays qui vient d'abolir "Le Ministère de la Culture", la lutte contre la peste noire (ou fascisme/ dictature) ne peut passer par le repli sur soi. Le mérite et le courage de l'auteur c'est d'avoir mis son savoir et ses idées au service de la compréhension du monde qui nous entoure. Autrement dit, en autorisant un regard critique sur le début du XXI siècle. in Cosméticas ... Todos estos artistas, grupos, etc. no vienen adornados en una abultada y anodina lista de datos biográficos ni una recomendada selección de sus mejores discografías (“Este es un libro con personas dentro”). Al contrario, la excelente información obtenida en Bestiário Ilustrissimo a partir de la documentación y enfoque ensayista de REP, le da un valor personal y erudito al autor; y acertado y ameno a su obra, fundamental para la lectura del libro y conocimiento de estas músicas minoritarias. in Oro Molido


Rui Eduardo Paes
Com 28 anos de actividade repartida entre o jornalismo cultural, a crítica de música e o ensaísmo teórico, Rui Eduardo Paes é autor de vários livros sobre as músicas criativas, cobrindo o leque de tendências que vai do avant-jazz à música experimental, passando pelo rock alternativo, a música contemporânea, a new music, a música improvisada e a electrónica. É o editor da revista jazz.pt. É membro da direcção da associação Granular, dedicada à promoção do experimentalismo na música e nas artes audiovisuais e performativas portuguesas.
Vem colaborando com instituições como Fundação de Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, Culturgest e Casa da Música na elaboração de textos de apoio e folhas de sala. É o autor dos press releases da editora discográfica Clean Feed. Foi um dos fundadores da Bolsa Ernesto de Sousa, presidida pelo compositor e cineasta Phil Niblock (Experimental Intermedia Foundation), de que é membro permanente do júri em representação da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Assessorou a direcção do Serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian e integrou o júri do concurso de apoios sustentados do Instituto das Artes / Ministério da Cultura para o quadriénio 2005-2008.
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Ghuna X (Marvellous Tone; 2011)
E ao quarto álbum chegou o vinil. Depois de Rokspace (CD), Patine (online) e A Grande Explosão (CD-R e online), Ghuna X chega a um LP (em vinil, boy!) homónimo que têm mais ligações ao último registo devido ao seu estranho fascínio pelos sintetizadores siderais dos "Cosmonautas-músicos" manhosos dos anos 70 e 80. Se eram manhosos há 30 anos, continuam a ser nos dias de hoje mesmo que se ponha carradas de Electrónica, Hip Hop e Dub de qualidade por cima.
Sendo um dos objectos fonográficos mais bonitos alguma vez feito em Portugal merece desde logo a nossa atenção graças à sua bela capa serigrafada e à grande rodela de vinil transparente! Se calhar, merece mais a nossa atenção por ser um disco disfuncional, que promete algo que nunca oferece. O seu possível roteiro de dança é sempre desviado. Os breakbeats brekam demais. Os sintetizadores vintage-foleiros interrompem-nos o bom-gosto. O dubstep não stepa nem duba como esperamos. No fundo é um disco sintonizado ao Universo porque como sabemos ele não funciona bem. As manias mecanicistas que o Universo é divino, perfeito e matemático são uma treta - ver as teorias das Borboletas, Entropia e Caos a provarem justamente o contrário. Na verdade, basta imaginar isto, depois de milénios de angústia existêncial, de luta contra o Capitalismo, a Opressão e a salvar baleias, imaginem isto, sim, imaginem isto: chega prái um meteorito à Terra e arrebenta com isto tudo! Um bocado "injusto" não é? Que se lixe o Descartes, viva o Ghuna X!
Não me entra este disco, desconfio que seja daqueles discos que só se vou perceber a sua importância daqui a 30 anos, não querendo dizer isto que o Jean Michel Jarre será melhor 60 anos depois...
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On 2011/04/04, at 11:06, eduarda wrote:
Olá sou aquela cota que ontem comprou o "boring europa". Eu também tenho uma ford transit e também já fiz aos mil kilometros por dia. Bem empregues dez euros, estou a degustar o livro, é muito bom! Acho que me vai inspirar para (re)começar os meus diários. Com outro espírito :)
From: David Campos, Sent: Fri, 8 Apr 2011 19:56:02 +0100:
MUITO BOM, 'tá uma boa mescla e 'tá bastante perceptivel, (deve ter dado um trabalhâo compilar aquilo), para além disso foi muito importante examinar minuciosamente pois nunca tinha visto um livro de viagens assim... e até já me deu muitas ideias novas para o meu livro estão todos de parabéns!!! acabei por ficar com a sensação de ter viajado convosco eheheh.
On 2011/04/21, at 18:10, ricardo martins wrote:
tenho lido o livro enquanto estou em viagem (o que é algo so por si interessantissimo). [o Ricardo está em tour com os I Had Plans]
Como é fazemos melhor este ano? ou é só meninos?=P
On 2011/05/13, at 15:32, Tiago Cavaco wrote:
o Boring Europe em poucos dias e gostei! É uma micro-odisseia panque com aquele leve sabor de derrota que o turismo implica. A única nota realmente negativa é aquele e-mail final okupa tão inoportuno quanto ridículo (esses teus amigos comunistas só conseguem despertar ternura).
From: ana maria Sent: Thu, 19 May 2011 12:23:45:
gostei do boring, n achei boring (achei mais boring umas ilustrações, aquela cos caracois mas está bem feita etc.) e algumas minhas tb, gostei de ver a dif entre cada forma de contar. ehpá isso sim. deu para ver muitos ovos debaixo dos braços ^^
On 2011/05/23, at 14:22, Afonso Cortez-Pinto wrote:
entretanto ja li o boring, nada boring, pelo contrario. confesso que inicialmente me tenha sentido um bocado enganado pois esperava um diario de bordo. esperava ver/ler aquela tensão de quem passa dias fechados numa carrinha e só vê estrada à frente, manchas de gordura de kebabs e comida de bomba de gasolina, mau ambiente entre os intervenientes, etc. enfim, um pouco mais de caos ou pressão que se calhar, se tivesse sido feito na altura, tinha captado.
mas não. é de facto, como diz no título um (bom) "guia de espaços independentes" de uma europa de 2010, não turística, com todos os seus artefactos alternativos. e, mesmo tendo sido concebido posteriormente, capta realmente, e bem, os momentos e os espaços, dos churros às lojas.
independentemente do desenhos (há alguns registos que francamente não gosto ou não me dizem nada) tenho que dizer que os cadáveres funcionam bastante bem, os desenhos na bíblia são talvez talvez os meus preferidos (e inspiradores para quem como eu não sabe o que fazer a um monte de livros que estão por aqui em caixotes) e achei genial o apontamento sóbrio que são as plantas arquitectónica dos espaços que de certa forma tomam a rédea do guia (para o bem e para o mal)
acho que foi dos livros que mais gostei de ler da chili, ou até do que tenho lido ultimamente, muito por causa do seu caracter de documento, que como sabes, é uma coisa que me interessa ultimamente. parabéns.
On 2012/03/26, at 18:20, Mario Pereira wrote:
Cinco desenhadores e um músico da associação Chili com Carne traçam uma linha no mapa que começando e acabando em Lisboa, demora quinze dias a unir oito cidades europeias. O modelo adoptado é em tudo semelhante ao de tournée do circuito musical europeu de bandas não-mainstream. Os desenhadores e músico transportam-se numa carrinha encontrando-se com outros desenhadores e promotores em espaços culturais e artísticos independentes. Aqui realizam eventos em que mostram e vendem as suas produções em simultâneo com actuações musicais. O livro é constituído pelo registo em banda desenhada e ilustração realizado pelos cinco desenhadores e pelos desenhadores com quem se vão encontrando na viagem, abordando entre outros temas o percurso e as suas vicissitudes, características das diversas cidades e países da europa por onde passam, autores locais, técnicas e modos de edição, diferentes visões e opiniões… O foco principal incidirá na cultura independente e alternativa subjacente aos espaços onde decorrem os eventos, a sua organização e ambiente. Há ainda tempo no epílogo para reflectir sucintamente sobre projectos culturais semelhantes em Lisboa. Formalmente estamos perante um livro de viagem feito por muitas cabeças e mãos (e olhos, ouvidos, etc.), em que uma narrativa pode começar a ser feita por um/a autor/a e ser acabada por outro/a, entre outras combinações mais complexas, inclusive o experimentalismo puro de comic jams/cadáveres esquisitos entre desenhadores portugueses e desenhadores locais. Isto sem descurar preocupações de rigor, evidentes na paginação, mapas, informação sobre quilometragens, custos e horas de viagem dos trajectos, calendário, plantas dos edifícios, balanços finais das contas... Acaba por produzir-se uma elevada quantidade de informação, que é digerida num alternar constante mas enriquecedor de estilos, técnicas e narrativas, num ritmo que acaba por ser nada-boring, mantendo o leitor agarrado até ao fim da viagem.
Wed, 6 Feb 2013 20:49:03 +0000, Boris (dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS):
grande trabalho, a ideia está excelente e as misturas dos diferentes traços dá-lhe um granda power.. onda quase sci-fi! ainda não acabei mas estou mesmo a gostar, identifico-me bastante com o tour mode!
filipe SWR inc.: quinta-feira, 16 de maio de 2013 20:36:
fiquei a aprender que existem okupas ricos e pobres.
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Berliac
Ed. Valientes; 2013
O argentino Berliac escreveu e desenhou um impressionante ensaio sobre BD em que fazendo uma espécie de "making of" do filme Sombras (de 1959) do realizador John Cassavetes (1929-1989) acaba por criar um manifesto pessoal sobre o que é Banda Desenhada.
Esta relação não é óbvia porque Berliac não pretende fazer nenhuma espécie de ligação técnica entre Cinema e BD por motivos visuais ou narrativos. Justamente Sombras é considerado um filme seminal para aquilo que passou a conhecer por "cinema independente". A sua forma de produção, filmagem e direcção de actores foi tão inversa ao sistema do "actor's studio" e de Hollywood, que permite relacionar, depois de mais de 50 anos após a sua realização, as suas questões artísticas e de produção para um ensaio sobre... BD.
O livro que temos aqui é um livro de BD tal como Berliac acha o que é BD, desenvolvendo um discurso que só pode ser vinculado à publicação do próprio livro. Usa não só "imagens e textos" com ar de acabados (para consumo público) como ainda notas do autor durante o seu processo de criação - incluindo também uma pequena conversa no Facebook com o brasileiro Pedro Franz. Eis um livro refrescante e importante para qualquer criador independente, seja de BD seja de outro médium.
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