blogzine da chili com carne

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

7º concurso interno de Banda Desenhada da Chili Com Carne : Toma lá 500 paus e faz uma BD!

A sétima edição do concurso 500 paus está a bombar até 4 de Fevereiro!




A Associação Chili Com Carne lançou a ideia de um concurso para fazer um livro em Banda Desenhada para matar a modorra na cena portuguesa, tendo sido publicados já vários livros como Askar o General de Dileydi Florez e O Subtraído à vista de Filipe Felizardo, trabalhos que participaram no concurso. 

Em Outubro de 2015 saiu a primeira obra vencedora (do primeiro concurso, de 2013) ou seja, The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros de Francisco Sousa Lobo, seguido em Outubro de 2016 do romance gráfico Acedia de André Coelhoem Outubro de 2018 a antologia Nódoa Negra e Novembro 2019 a antologia All Watched Over By Machines of Loving Grace!

Cá estamos de novo à espera de novas aventuras editoriais!






Instruções (não muito complicadas):
Para quem? 
Para Sócios da CCC com as quotas em dia - não é sócio? Então é clicar neste LINK.
No caso das antologias, todos os autores devem ser sócios!

O prémio é monetário? 
É sim! 500 paus! 500 Euros!
Para além de que o trabalho será publicado!
E, para a próxima edição, o vencedor é convidado a fazer o cartaz e a integrar o júri!

Quem decide o vencedor?
Os cinco vencedores do outro ano! 
A saber: André Vaillant (designer), Dois Vês (autora BD e Vice-presidente da Chili com Carne), João Carola (autor de BD), Vasco Ruivo (animador) e como convidada especial a artista Cátia Serrão.

O Júri reserva-se o direito de não atribuir o prémio caso não encontre qualidade nos trabalhos propostos.
Que projecto pode ser apresentado? 
- Uma BD longa de um autor ou com parceiros
- Um livro com várias BDs do mesmo autor (desde que tenham uma ligação estética ou de conteúdo)
- Uma antologia de vários autores com um tema comum (ver Nódoa Negra, por exemplo)
 Regras de apresentação dos trabalhos
- O livro não tem limite de páginas e de formato mas porque desejamos inseri-lo nas nossas colecções já existentes - Colecção CCC, QCDA, LowCCCost, THISCOvery CCChannel - o projecto terá mais hipóteses de ganhar se for apresentado num formato das colecções.
- Preferimos o preto e branco mas a cor não está totalmente afastada!
- Envio do seguinte material:
a) texto de apresentação do(s) autor(es),
b) sinopse do projecto
c) planeamento por fases (com datas)
d) envio, no mínimo de 4 páginas seguidas e acabadas, e 20% das páginas BD planeada.
- Todos estes elementos devem ser entregues em PDF, em serviço de descarga em linha (sendspace ou wetransfer) cujo endereço deve ser enviado para o e-mail ccc@chilicomcarne.com
Datas?
4 de Fevereiro 2020 é a entrega dos projectos!
14 de Fevereiro 2020 é anunciado o vencedor!

O livro é publicado em 2020!?

Boa sorte!
CCC
Este projecto têm o apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

E3 - convite



Depois de um ano cheio de actividades relacionadas com o eclipse de 1919, eis mais uma iniciativa desta vez com uma edição da Chili Com Carne.

Para já, é um convite triplo, para dia 19 de Dezembro, as 17h, no Atrio do C6, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Será lançado um livro com um ensaio de Ana Simões e uma Banda Desenhada de Ana Matilde Sousa (mais conhecida pela Hetamoé) e serão inauguradas as exposições "E3" e "The Eagle has Landed. Viagens a Lua" (comissariada por Maria Paula Diogo).

Einstein, Eddington e o Eclipse. Impressões de Viagem é o oitavo volume da colecção LowCCCost, uma colecção de livros de viagem ... para quem gostar de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro!



sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Como ser sócio da Associação Chili Com Carne?

O regime de sócios da Associação Chili Com Carne passa pelo pagamento de uma jóia no valor de 30€ (15€ para menores de 30 anos) e o envio dos seguintes dados para o nosso e-mail: ccc@chilicomcarne.com

_nome
_data de nascimento
_morada
_tlm
_e-mail
_www
_fotografia (um jpg qualquer para fazer o cartão de sócio)

O valor da quota deve ser depositado na conta do seguinte EBAN: PT50003502160005361343153 (swift / bic: CGDIPTPL); ou através de paypal.

Quais as regalias de ser sócio da CCC?
_Oferta do livro O Subtraído à Vista, um livro de Filipe Felizardo;
_30% de desconto sobre as edições da CCC;
_30% de desconto sobre as edições da MMMNNNRRRG;
_Desconto sobre outras edições presentes no catálogo online da CCC;
_informação em primeira mão de projectos da CCC;
_apoio a projectos editoriais*.
_descontos no uso do projector de vídeo.


E depois disto?
Passado um ano há um quota a pagar de 10€ e ainda recebe um exemplar de outro livro a escolher pela Associação.



* Apoio a projectos editoriais Ao longo do tempo a CCC tem vindo a definir de forma mais precisa qual a vertente de actividades para a qual está mais vocacionada, sendo que a edição em suporte de papel tem sido aquela que a CCC melhor tem sabido gerir. Os sócios da CCC com projectos editoriais poderão solicitar o apoio no campo da produção, distribuição e promoção. A selecção de projectos será discutida consoante cada caso. Sendo que seja imperativo ler este MANUAL!

Feliz Natalixo! Porque o Natalixo é quando um homem quer!



Mesinha de Cabeceira #27 : Special XXXmas : Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno de Nunsky

Publicado pela MMMNNNRRRG ... 44 páginas a cores 16x23cm

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Quimby's (Chicago), Linha de Sombra, Dead Head Comics (Edimburgo), Seite Books (Los Angeles), Universal Tongue, UtopiaRastilhoLAC (Lagos), Ugra Press, Desert Island (New York) e Black Mamba.


Nunsky (1972) é um criador nortenho que só participou neste zine, o Mesinha de Cabeceira. Assina o número treze por inteiro, um número comemorativo dos 5 anos de existência do zine e editado pela Associação Chili Com Carne. Essa banda desenhada intitulada 88 pode ser considerada única no panorama português da altura (1997) mas também nos dias de hoje, pela temática psycho-goth e uma qualidade gráfica a lembrar os Love & Rockets ou Charles Burns. O autor desde então esteve desaparecido da BD, preferindo tornar-se vocalista da banda The ID's cujo o destino é desconhecido. Nunsky foi um cometa na BD underground portuguesa e como sabemos alguns cometas costumam regressar passado muito tempo...

Em 2014 o regresso deste autor foi feito com o romance gráfico Erzsébet (Chili Com Carne), 144 páginas que regista a brutalidade da Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara que assassinou centenas de jovens na demanda da eterna juventude. O livro venceu o Melhor Desenho do Festival de BD da Amadora em 2015 e terá uma edição no Brasil pela Zarabatana Books.

Em 2015 Nunsky apresenta-nos este Nadja - Ninfeta Virgem do Inferno... verdadeiro deboche gráfico anti-cristão para quem curte bandas de Hair Metal de Los Angeles dos 80, fãs distópicos do RanXerox e revivalistas da heroína. A MMMNNNRRRG nunca deseja "Feliz Natal" aos seus amigos mas com a Nadja até... ehhh





Historial: lançado no dia 17 de Dezembro 2015 no Lounge Bar com o concerto da banda canadiana Nadja, organizado pela Associação Terapêutica do Ruído.

Feedback: 

A 32.ª publicação da MMMNNNRRRG é a mutável Mesinha de Cabeceira #27, desta vez subintitulada XXXmas Special. Na verdade, é uma obra a solo de Nunsky, intitulada Nadja – Ninfeta Virgem do Inferno. Esta trindade é transposta no design de Joana Pires, com a capa a evocar duplamente o fanzine com 24 anos de existência e a banda desenhada de Nadja (...) Após o registo a preto e branco de Erzsébet, que galardoou Nunsky com o Prémio Nacional de Banda Desenhada Amadora BD 2015 de Melhor Desenho para Álbum Português, o autor regressa a uma temática demoníaca – desta feita mais expressa que evocada – mas com uma palete de cores, cujos tons saturarão a visão dos mais incautos. Nuno Sousa 
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a um só tempo, pesada e leve, séria e cómica, fresca e desesperante. (...) Existem traços de alguma soberba crença na mundividência católica e a associada crença no Demo. Tratar-se-á este Nadja de um tortuoso panfleto de um Católico atormentado por gostar dos discos dos Slayer e Iron Maiden e querer ver realizadas as suas capas? Uma homenagem a todo um historial de comics de séries Z? (...) Nadja é um bafejo de hálito quente e cerveja quente. Pedro Moura
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O especial de Natal assinado por Nunsky não terá estado entre as oferendas mais populares da quadra, mas vale a pena não o perder mesmo depois disso. Numa banda desenhada onde se cruzam o hardrock metálico-meloso dos anos 90, um fascínio adolescente por satanismos e uma estética onde a sexualidade explícita e o kitsch se misturam sem remorso, Nunsky volta a confirmar por que é que o seu trabalho há-de ser sempre uma surpresa renovada. Blimunda 
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Merci pour ton envoi satanique Bertoyas 
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es una marcianada muy divertida. Cuando Marcos Farrajota me explicó su contenido, me dijo que se parecía a la obra de Benjamin Marra, y en cierta forma estoy de acuerdo con él: se trata de una apropiación del material de serie Z más casposo, del terror barato y descerebrado que mezcla erotismo soft con invocaciones a Satán, grupos heavies e internados para niñas. (...) Nadja, una cría de doce años, se mete una droga chunga con su novio, Franz, y acaba en el infierno, donde Satán le ofrece un pacto: la enviará de vuelta a la Tierra con «supernatural satanic powers», y por cada alma que lleve a la perdición, podrá pasar un día con su amado Franz. The Watcher and the Tower
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Grazie mille por los comics [Najda Eh eh] Arte Tetra
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Nadja - Virgin Teenie from Hell, the artwork in that was stunning. I'm not a massive comic fan, so haven't seen a large number of comics with which to compare it, but I'm positive that I've seen many mainstream comics with far inferior artwork. Great storyline, too! pStan Pumf




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Brouhaha do Erzsébet:

Muito boa BD, me inspira para criar logotipos - Lord of The Logos

Erzsébet, o livro, é o relato implícito, emudecido, de um receio: o de que a morte escape definitivamente ao controlo masculino. Afinal, é a morte que conduz cada um e todos os passos da humanidade, tal e qual como vem anunciando a estética gótica em todas as suas formas. Nunsky recorda-nos isso mesmo com esta edição… - Rui Eduardo Paes

Consegue ter aquele espírito dos filmes do Jess Franco e afins, em que por vezes é mais importante a iconografia e a imposição de elementos simbólicos / esotéricos ou fragmentos de actos violentos e ritualizados (como as mãos nas facas ou as perfurações e golpes) do que termos uma continuidade explicita e lógica da narrativa, o que cria toda uma tensão e insanidade ao longo do livro e de que há forças maiores do que a nossas a operar naquele espaço. André Coelho

o romântico está presente antes na sua dimensão histórica e o trágico se aproxima do monstruoso. - Pedro Moura





quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

E3 a chegar...


Renda barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n'A Batalha


volume 14 da colecção Mercantologia, dedicada à recuperação de material perdido no mundo dos fanzines e afins. Editado por António Baião e Marcos Farrajota, design de Joana Pires e co-editado pela Chili Com Carne e o jornal de expressão anarquista A Batalha - no âmbito do seu centenário.

O presente volume colige a totalidade dos cartoons de Stuart Carvalhais identificados pelos editores n'A Batalha e no seu Suplemento Ilustrado, entre 1923 e 1925.
192p A6 com capa em cartolina, tudo a preto e branco
PVP 10€ 
e nas seguintes lojas: Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Utopia (Porto), Letra Livre, BdMania, Snob e Linha de Sombra...


Historial:


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Feedback:

Adoro o livro do Stuart!
Ondina Pires (via email)

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Sobre o livro: Quando o nome de Stuart Carvalhais (1887-1961) é referido pela segunda vez no diário A Batalha, a 22 de Fevereiro de 1921, dificilmente se poderia augurar um futuro radiante para o cartoonista nas publicações periódicas ligadas à Confederação Geral do Trabalho. Nessa data, o jornalista Mário Domingues escrevia as seguintes linhas: “O sr. Stuart de Carvalhais, colega de Jorge Barradas, sujeito como este a ser amanhã vilmente caluniado por aqueles que ora o afagam, não se envergonhou de aceitar apressadamente o cargo de director do ABC a rir, sabendo como foi injustamente tratado o que o antecedeu. O sr. Stuart Carvalhais julga os seus actos como entende, bem sei; procede a seu bel-prazer. É possível que considere correcta a sua acção. Eu, porém, classifico-a simplesmente de traição”. (...) Apenas dois dias depois, Domingues retratar-se-ia deste duro julgamento. Alegadamente, o Barradinhas teria mesmo merecido ser despedido, mas isso não impediu o jornalista de sublinhar que “no lugar do sr. Stuart, não [aceitaria] esse lugar, não porque isso acarretasse para [si] rebaixamento moral, mas porque esse acto poderia fazer crer ao público, desconhecedor dos bastidores da questão, que não tinha sido leal a sua forma de proceder”. 

Por esta altura, o percurso de Stuart estava ainda afastado do periodismo libertário (...) tinha já colaborado proficuamente no Século Cómico, O Zé, Gil Blas, A Lanterna ou na Ilustração Portuguesa. Em 1914, contribui para o monárquico O Papagaio Real, sob a direcção artística de Almada Negreiros. No ano seguinte, regressa ao Século Cómico, onde inicia a série «Aventuras do Quim e Manecas», e em 1920 junta-se a Barradas em O Riso da Vitória. Depois de se tornar director do ABC a rir, colaborará no ABC e no ABCzinho. Até que se chega a 1923, mais precisamente a 30 de Novembro, e logo na primeira página do n.º 1539 de A Batalha pode ler-se: “Inicia hoje a sua colaboração em A Batalha o conhecido caricaturista e nosso prezado amigo Stuart Carvalhais, cujo lápis exímio e irreverente irá dar aos nossos leitores monumentos de incomparável prazer. Stuart Carvalhais, cujo mérito está acima dos nossos elogios, principia a sua colaboração no nosso jornal com uma série de desenhos, plenos de graça, de comentário ao caso da falsificação dos bilhetes de Tesouro, que tanto tem dado que falar”. 

Os diferendos entre Stuart e a redacção do jornal estariam, agora, plenamente sanados, iniciando-se uma colaboração de três anos com a Secção Editorial de A Batalha. Durante este período, não houve periódicos que tenham recebido mais contributos de Stuart do que o diário, o Suplemento Literário e Ilustrado de A Batalha e a Renovação. Significa isto que Stuart se teria convertido à Ideia anarquista? Ou que teria passado por uma fase monárquica, por ter colaborado em O Papagaio Real e na Ideia Nacional, de Homem Cristo Filho? Provavelmente o mais sensato será rejeitar qualquer uma destas conclusões apressadas. Talvez Osvaldo de Sousa não esteja muito longe da verdade quando afirma que “Stuart era um céptico na política, um anarquista na destruição ideológica e um político-desenhador na expressão do sofrimento, miséria e vida do povo”. 

(...) Ao viver de avenças, de uma produção de uma “média de 15 desenhos por semana”, certamente que não se pode afirmar que Stuart foi, pelo menos nesta década de 1920, “um homem livre” (...) Stuart foi um fura-vidas, que provavelmente viu nas publicações de A Batalha uma forma de se sustentar a si e à sua família e também um conjunto de jornais e revistas que seriam a casa natural para receber o seu golpe de vista impressionista sobre a desigualdade, a exploração infantil, o desemprego, a fome, a crise da habitação, a mendicidade, a prostituição e a questão feminina. 

(...) Apesar de a colaboração de Stuart se iniciar no diário A Batalha, no qual publicou 23 cartoons até à edição de 25 de Dezembro de 1925, é no Suplemento Literário e Ilustrado de A Batalha, fundado em Dezembro de 1923, que se podem encontrar mais trabalhos gráficos da sua autoria. Ao todo são 66, entre cartoons e ilustrações. 

(...) Stuart não mais regressaria aos periódicos de A Batalha, que passavam por uma situação interna complexa: além da instauração da ditadura militar (...), a direcção da secção editorial estava sob fogo do jornal O Anarquista, que acusava os colaboradores do Suplemento, do diário e da Renovação de serem jornalistas profissionais, sem ligação ao meio operário. (...) Não será displicente considerar-se que esta também foi uma das razões para que Stuart não mais emprestasse a sua caneta a A Batalha e que aqui terminasse a sua aventura libertária: à sua espera estava agora a redacção do Sempre Fixe, que o acolheu até à sua morte em 1961. 

 As várias monografias acerca da vida e obra de Stuart (...), pecam todas pela quase total omissão da sua passagem pelos periódicos libertários. Se estas falhas são voluntárias ou mero desleixo pouco interessa aqui, mas certo é que as breves e raras menções a esse período se resumem a um punhado de reproduções gráficas, a considerações genéricas sobre o seu “anarquismo de rua”(?), tudo enquanto se aflora en passant que o autor também fez uns bonecos para as publicações libertárias. 

(...) Sirva então este modesto livro para dar melhor conta, a um tempo, da riqueza múltipla do trabalho de Stuart, sem no entanto cair numa ardilosa hagiografia do seu papel autoral, nem reivindicar uma actualidade que cabe apenas a cada leitor avaliar. E, por outro lado, para mostrar como Stuart foi, entre muitos, um importante contribuidor para a feitura da obra colectiva e centenária de A Batalha. - António Baião no prefácio do livro

O Subtraído à Vista / That Which is Subtracted from Sight [últimos 5 exemplares / last 5 copies]




O Subtraído à vista é o livro de estreia para as massas do músico e artista visual Filipe Felizardo, composto por prosa, banda desenhada e recortes de investigação patafísica.

É um livro que estuda a natureza das imagens visuais e as presunções da percepção - do ponto de vista particular de um homem cego, uma criança albina presa numa caverna com uma avestruz, e uma colecção de outros animais cujo olhar nos ensina algo sobre o que não se vê.

O livro inclui a participação de Carlos Gaspar (ilustrações) no primeiro capítulo.
 Edição bilingue com legendas em inglês.

Comprising prose, comics and entries of pataphysical investigation, That which is Subtracted from Sightthis first book of Filipe Felizardo studies the nature of visual images and the presumptions of perception - from the exquisite points of view of a blind man, an albino child stuck in a cave with an ostrich, and a collection of other animals whose sight teaches us something about what is not seen.

The book includes English subtitles.


500 ex.; 72p. 21x27cm p/b / ISBN: 978-989-8363-37-4

Este é o segundo livro publicado no âmbito do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! embora não seja um trabalho vencedor, é sem dúvida merecedor de publicação.

à venda na loja virtual da Chili Com CarneBdMania, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Tasca Mastai, Matéria Prima, Mundo Fantasma, Stet, LAC, Linha de Sombra, FNAC, Bertrand, Le Bal des ArdentsUtopia...

Historial:

Lançamento com exposição de originais na El Pep no dia 8 de Agosto 2015 e Festa no Damas ...

exemplos de páginas:


Feedback: 

formes assez radicales de composition hybride entre photographies, textes typographiés et bandes dessinées, expériences qui mériteraient un meilleur traitement et une meilleure destinée que ce.
The artwork in O Subtraido A Vista was very appealing, too - quite a stark publication, definitely suited to black and white. A truly beautiful and somewhat strange book!
pStan (Pumf) by email

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Troika Again! in Utopia


RUBI é uma colecção nova da Chili Com Carne dedicada a romances gráficos à escala global. Mas sobretudo será uma selecção criteriosa de Romances Gráficos, para contrabalançar a literatura "light" que tem inundado o mercado português nos últimos cinco anos. 


O Colecionador de Tijolos
de
Pedro Burgos

Obra originalmente publicada na 6 Pieds Sous Terre (2017) em França vê agora a sua primeira edição em português


(...) Trata-se de um conto, no qual se acompanham personagens, conflitos e peripécias numa só narrativa. Se a cidade, alterada pelos efeitos da crise financeira e da mercantilização (o desemprego, a gentrificação, a especulação imobiliária), é o lugar e o pano de fundo em que o conto se desenrola, a arquitectura, como metonímia da construção e da criação, permanece na origem da banda desenhada de Pedro Burgos.
Valério, homem que já ultrapassou a meia-idade, fica sem emprego após o fecho do ateliê de arquitectura onde trabalhava. Decide, então, reabilitar a casa herdada dos avós para descobrir, incrédulo e revoltado, que foi ocupada por homens e mulheres sem-abrigo. Reagirá com violência, antes de perder os sentidos. Começa aí a sua derrocada existencial e espiritual: acordará, salvo pelos médicos, mas para se afastar do mundo (a cidade, cujo nome Pedro Burgos só revelará no fim), tornando-se no coleccionador de tijolos que os vizinhos e família observarão com piedade, receio e incompreensão. (...)
José Marmeleira in Público




podemos ler O coleccionador de tijolos também como um retrato da sociedade portuguesa durante os anos da crise financeira, cujas repercussões se fizeram sentir em aspectos bem mais profundos do que se poderia imaginar à partida. O livro é, assim, apesar da sua superfície narrativa, uma espécie de mapa concentrado dos traumas das transformações operadas na cidade.
Os portugueses, e os lisboetas em particular, passaram agora a andar ditosos com a procura turística. Não há cidade que aguente ou aeroporto que chegue para tanta oportunidade de fazer dinheiro. Pelo meio desta “avidez da ganhuça” – para citar o escritor anarquista Assis Esperança (1892-1975) –, haverá sempre tipos estranhos que recolhem tijolos, para desdém dos empreendedores e desgosto dos presumíveis herdeiros. 
(...) uma parábola dos tempos que correm. 
 A leitura lembrou-nos por vezes o Will Eisner de The Building (...) de que já falámos; outras, a poética do franco-grego Fred, criador do maravilhoso Philémon. A edição é cuidada, com atenção aos pormenores (por exemplo, a analepse impressa em papel doutra cor). Mestria na composição, solidez de ponto de vista que não nos deixa indiferentes, humor e amor em doses comedidas – o que mais se pode querer de uma BD?

impresso a risografia a duas cores

Na colecção RUBI há sempre prendinhas, e este O Colecionador de Tijolos não será excepção. Assim, um mini-zine intitulado Slow Motion, impresso em risografia e limitado a 90 exemplares acompanha a quem adquira o seu exemplar na nossa loja em linha.






Quem não tem paciência para o correio, chuchai no dedo e ide às seguintes livrarias: Tigre de Papel, Tasca Mastai, Kingpin Books, Mundo Fantasma, Matéria Prima, Linha de Sombra, BdMania, Bertrand, A Vida Portuguesa, Utopia e Tinta nos Nervos.

TTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTT


Pedro Burgos. Lisboeta desde 1968, ilustrador e autor de banda desenhada desde os anos 90, é arquitecto e professor convidado na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa. Destacam-se as colaborações com as revistas Strapazin (Suiça) e Le Cheval Sans Tête (França), com os jornais Público e Le Monde Diplomatique (Alemanha), as contribuições para as antologias Desassossego (Letónia) e Comics Zur Lage Der Welt (Alemanha), as participações nos Festivais de BD de Treviso e Angoulême, as exposições individuais no Festival de BD de Beja e Salão Lisboa. Grande parte do seu trabalho publicado até 2003 está reunido nos livros À Esquina e Airbag e Outras Histórias. Regressa à bd em 2013 com o livro Crónicas de Arquitectura numa edição Turbina/ Mundo Fantasma. Em 2017, é lançado Le Collectionneur de Briques pela editora francesa 6 Pieds Sous Terre, traduzido agora pela Chili com Carne.

MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU ... na Utopia



RUBI é uma colecção nova da Chili Com Carne dedicada a romances gráficos à escala global. Mas sobretudo será uma selecção criteriosa de Romances Gráficos, para contrabalançar a literatura "light" que tem inundado o mercado português nos últimos quatro anos. Depois de Sírio eis

Música para Antropomorfos
de 
e


Romance gráfico e música Noise Rock nascido numa origem comum mas que se afastam cada um num trajecto paralelo. Nem o livro de Zimbres (S. Paulo, 1960) é uma adaptação das músicas de Mechanics (Goiânia, 1994) nem a música é uma banda sonora da banda desenhada.


A improvável gênese do artefacto musical/ visual que você tem em mãos é esta: uma banda de rock suja e malvada de garotos goianos (capitaneada por um fã ardoroso de Jack Kirby) criou a fagulha sonora, primitiva e ominosa para que Zimbres, o mais cortês dos quadrinistas experimentais, criasse seu grande épico. É um pequeno milagre das circunstâncias e uma grande história de origem, e quanto mais você pensa a respeito, mais faz sentido: quem possivelmente inventaria um treco desses? 

Essas pequenas instâncias de reconhecimento se repetem no decorrer das cerca de 200 páginas de leitura. Por trás de sua fachada desconjuntada, de capítulos desenhados em estilos drasticamente flutuantes, MPA tem uma narrativa sólida, com direito inclusive a toda aquela lenga-lenga de introdução, complicação e desenlace.  É como um recontar cubista e ultracondensado da história do Ocidente, com pitadas de profecia bíblica, mitologia grega e farsa borgiana. 
- Diego Gerlach 

(...) originalmente publicada em 2006 por iniciativa do grupo de rock Mechanics, comandado por Márcio Jr. A primeira edição, esgotada há muito tempo, se tornou um raro objecto de desejo dos fãs de Zimbres (...) Todos ouviram falar sobre o livro, mas poucos conseguiram um exemplar. No mundo desenvolvido por Zimbres/ Mechanics, conheceremos SP (San Paolo) e SF (San Francesco): duas cidades-robôts ou fortalezas andantes. Eles evoluem em meio a pântanos, florestas, desertos e campos povoados por jacarés musculosos, vacas amáveis e cães sem cabeça. Outras histórias paralelas se desenrolam dentro e fora das fortalezas: complôs políticos, editoras dirigidas por vacas tirânicas e fantasmas dominadores usando pessoas como títeres. Com seu traço que traz um profundo conhecimento das artes gráficas e narrativas visuais, Zimbres constrói um universo rico, complexo e coerente, aliando os quadrinhos underground à experimentação dos graffitis e artes-plásticas. Mergulhar no mundo de SP e SF é uma experiência única, onírica e caótica, regida pelos desenhos de Zimbres e pela música de Mechanics.
- Zarabatana Books




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Música para Antropomorfos foi originalmente publicado no Brasil, pela Monstro Discos em 2006, sendo reeditada recentemente na Colômbia e no Brasil (pela Zarabatana). Editado por Joana Pires e Marcos Farrajota e publicada pela Associação Chili Com Carne. Foram impressos 1000 exemplares deste livro, dos quais 300 exemplares oferecem o CD Music for Antropomorphics (em parceria com editora punk Zerowork Records) se for adquirido directamente à Chili Com Carne.

Alguns exemplares com CD já  devem estar no Porto - Black Mamba, Matéria Prima, Mundo Fantasma - e Lisboa: Livraria da Fac. de Arquitectura de Lisboa, Tigre de Papel, Linha de Sombra, Tasca Mastai, Kingpin Books, Megastore by Largo, XYZ, Glam-o-Rama, BdMania, FNAC, Bertrand, RastilhoSnob, Utopia e Kazoo.

Procurem estes elementos:


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Fabio Zimbres, ou FZ, nasceu em 1960, em São Paulo, e vive em Porto Alegre. Estudou arquitectura e se formou em artes, é designer gráfico, organiza exposições, pinta, faz histórias em quadrinhos e ilustrações.

Fez parte da equipe fundadora da revista Animal que editou até seu final, em 1991.

Em Portugal só se encontram pedacinhos do seu trabalho, nos fanzines A Mosca (1997) e Mesinha de Cabeceira - Seitan Seitan Scum (2010), com uma BD escrita por Marte (do Loverboy) -  e no catálogo Divide et Impera (Montesinos; 2009).








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FEEEEEEEEEEEEEEEEEDBACK

Uma referência na BD do Brasil
Paulo Monteiro / Festival de BD de Beja
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Fábio Zimbres: Um "animal" inconformista
Rui Cartaxo in Splaft!
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Sendo já considerado dois dos mais importantes acontecimentos do ano (...) a criteriosa edição, por Farrajota e Joana Pires, do livro / zeitgeist sonoro (...) e a exposição de Zimbres no XV Festival Internacional de BD de Beja
André Azevedo in Splaft!
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Reportagem na TODAS AS PALAVRAS na RTP
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5 ESTRELAS
Expresso
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(...) neste tipo de colaborações intermedia, e segue, conscientemente ou não, o procedimento que a parceria entre John Cage e Merce Cunningham definiu noutros domínios: a banda-sonora e a coreografia não dizem o mesmo, são autónomas e valem por si próprias, ainda que os movimentos dos bailarinos se refiram ao ouvido e o compositor tenha presente que a sua partitura se destina a um espectáculo de bailado. 
Esta referência “erudita” não é, de todo, descabida, ainda que a edição agora em causa tenha uma proveniência cultural popular. Cage, Cunningham, Jr. e Zimbres partilham uma perspectiva que é de suma importância: a experimentação. O rock implosivo dos Mechanics e a BD “belo horrível” de Fabio Zimbres são tão experimentais e exploratórios quanto o que conhecemos da dupla de John Cage e Merce Cunningham. Podem partir de pressupostos diversos, provavelmente até opostos, mas procuram o mesmo nível de libertação relativamente aos paradigmas estabelecidos para as artes e para a combinação destas. Com vantagem, inclusive, para este projecto que, reivindicando um estatuto de emancipação estética em áreas (BD, rock) que ainda hoje o vêm negado e derrubando as clássicas divisões entre “alta cultura” e “cultura de massas”, acabam por ter implicações sociais e políticas mais específicas e focadas do que confiar ao acaso as estruturas e os conteúdos do conceito indeterminista de criação dos dois norte-americanos. (...)
Rui Eduardo Paes in A Batalha

All Watched Over by Machines of Loving Grace @ Utopia



All Watched Over by Machines of Loving Grace

de

Amorim Abiassi, Ana Maçã, André Pereira, Cátia Serrão, Cláudia Salgueiro, Dois Vês, Félix Rodrigues, João Carola e Vasco Ruivo.

20º volume da Colecção CCC publicado pela Associação Chili Com Carne

Coordenação: Dois Vês e João Carola
Identidade gráfica e design: André Vaillant

Obra vendedora do concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! de 2019

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à venda na nossa loja em linha e na Tigre de Papel, Kingpin Books, Linha de Sombra, Tinta nos Nervos, Mundo Fantasma, BdMania, Tasca Mastai, Matéria-Prima, Utopia e em breve no resto do Universo!

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À data de publicação deste livro, não se ouvem nas florestas os estalidos de discos rígidos a acompanhar o roçar dos ramos das árvores; contudo, havendo sinal, é possível escutar o som de um Like a pingar na nossa mais recente foto de perfil.

O poema de Richard Brautigan que serve de mote a este livro foi publicado há mais de 50 anos; a sua visão de uma arcádia digitalizada, onde mamíferos de toda a espécie convivem sob o olhar zeloso e benevolente de máquinas bafejadas pela santidade, não se concretizou. Em 2019, a tecnoesfera continua a ter o Homem no seu centro e a Natureza (seja lá o que isso for) nas margens do seu perímetro, encarada essencialmente como um recurso que em breve se esgotará. Os robots caminham sozinhos pelos bosques e os mamíferos caem por terra onde dantes havia água: todos observados por máquinas, mas não de amor e graça.

O livro que têm nas mãos documenta as dinâmicas articuladas no solipsismo desse ciberespaço que criámos só para nós: das relações laborais à saudade, da saúde à identidade, nele se retrata o modo como o manto do digital cobre todos os aspectos do nossa dia-a-dia e medeia as interacções que por cá vamos estabelecendo. É debaixo desse cobertor, com a cara tenuamente iluminada pelo ecrã, que observamos o robot caminhar sozinho pelo bosque e choramos o paraíso perdido do poema de Brautigan.

Afinal de contas, à data de publicação deste livro, já mal se ouvem nas florestas os estalidos dos insectos, que vão caindo por terra onde dantes havia água; contudo, havendo sinal, é possível escutar mais um Like a pingar na nossa foto de perfil. 

Ping. Alguém está a ver.👍




At the time this book is being published, we can’t hear the sound of hardrives blending in with the murmuring of twigs in the forest; however, it’s possible to catch the pinging sound of a “Like” droping on our recently updated profile picture.

The Richard Brautigan’s poem that lends its title to this book was written 50 years ago but its arcadian, digital utopia hasn’t yet come to be: in 2019, the technosphere maintains Man at it’s center and Nature (whatever that is) at its margins. The book you hold in your hands documents the dynamics we articulate amid the solipsistic circle of cyberspace: from work to healthcare, from longing to identity, the digital mantle encompasses all beats of life and every connection we establish while we're around. After all, even though we can barely hear the insects in the forests, providing the connection's good, we can still hear the "Likes" pinging on our profile picture.

Ping. Someone's watching.👍

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historial: 
lançamento na BD Amadora (2/11/19) 
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feedback: 
espero que não cuspas na referência, mas fez-me lembrar o metal gear 2 :)
F.C. (por email)

Brochura da IBM! (...) parece-nos, pela capa, um daqueles manuais de computadores dos anos 80.
Bedeteca Anónima

Não temos prados cibernéticos, antes os pedregulhos afiados das redes sociais. As máquinas que nos vigiam não são benévolas, ao serviço de interesses que vão da economia ao poder político. A libertação sonhada dos labores é hoje um sonho amargamente distante, num presente de progressiva precarização. Sentimos o poder sedutor da vida no ecrã, ao mesmo tempo que o real se fragmenta e desagrega. Estas são as visões que transparecem nas experiências visuais de All Watched Over By Machines of Loving Grace. Apesar desta ser uma antologia de banda desenhada, anda longe do convencional nesta área. As suas contribuições são fortemente experimentais (...) entre o estilhaçar de estruturas à ilustração encadeada em narrativa difusa.