blogzine da chili com carne

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Bestiário Ilustrissímo II : Bala ... lançamentos de 6 e 7 de Fevereiro!





Bestiário Ilustríssimo II /  Bala de Rui Eduardo Paes é o nono e novo título da provocante colecção THISCOvery CCCHannel.

Como o livro é "duplo" serão feitos dois lançamentos, a saber:

- 6 de Fevereiro na Casa dos Amigos do Minho (Intendente), com discursos de Gonçalo Falcão (designer, músico, crítico de música) e Gil Dionísio e concerto de uma banda especialmente formada para o efeito: Gil Dionísio & Os Rapazes Futuristas.

- 7 de fevereiro na SMUP (Parede) com palavreado de Pedro Costa (Clean Feed) e José Mendes (jornalista cultural) e concertos de Wind Trio e Presidente Drógado & Banda Suporte.


...

Bestiário Ilustríssimo II / Bala é a continuação de Bestiário Ilustríssimo, “(anti-)enciclopédia” de Rui Eduardo Paes sobre as músicas criativas editada em 2012 e reeditada em 2014 com nova capa e novas ilustrações de Joana Pires. Como esse primeiro livro, está dividido em 50 capítulos, cada um dedicado a uma figura ou conjunto de figuras. Desta feita, porém, a 50ª parte autonomiza-se e constitui como que um outro livro. Trata-se, pois, de dois livros num só volume, um novamente ilustrado por Joana Pires, o outro por David de Campos.  

O jazz criativo, a música livremente improvisada, o rock alternativo e os experimentalismos sem rótulo possível voltam a ser as áreas cobertas, sempre associando os temas com questões da filosofia, da sociologia e da teoria política, num trabalho de análise e desmontagem das ideias por detrás dos sons ou das implicações destes numa realidade complexa. Os textos reenviam-se entre si gerando temáticas que vão sendo detectadas pelo próprio leitor, mas diferentemente de Bestiário Ilustríssimo há um tema geral nesta nova obra de Paes: o tempo.

A tese é a de que quem escreve sobre música, mas também todos os que a ouvem, está sempre num tempo atrasado em relação à própria música, um “tempo-de-bala”, de suspensão de um tiro no ar, como no filme Matrix. O alinhamento dos capítulos não se organiza segundo tendências musicais ou arrumando os nomes referidos em sucessão alfabética, como numa convencional enciclopédia. Todos os protagonistas e suas músicas surgem intencionalmente misturados, numa simulação do caos informativo em que vivemos nos nossos dias. Propõe-se, assim, que se leia Bestiário Ilustríssimo II / Bala como se se navegasse pela Internet, procurando caminhos, relações, cruzamentos, desvios.

A mente não é uma estante, é um bisturi.


---
336p. impressas a duas cores (preto e vermelho), 22x16cm, capa a cores
---
volume -4 da colecção THISCOvey CCChannel
---
ISBN: 978-989-8363-30-5

sábado, 31 de janeiro de 2015

CCC na 4ª Festa da Música



O Rudolfo vai estar presente com uma carrada de cenas da Chili Com Carne e afins.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

ccc@angoumerde.fuck.off.2015


Chili Com Carne will be at FOFF!!!
see you there!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

5ª Situacionista

Aproxima-se Angoulême e já se anuncia-se - como podem ver no "post" anterior - um novo golpe "situacionista" da 5eme Couche! Excelente pretexto para fazer um resumo do que eles têm feito nos últimos anos para tornar a nossa vida muito mais excitante nesta luta eterna contra o aborrecimento da vida contemporânea.

Em 2006 saiu o primeiro "detournement" de Ilan Manoauch - Vivre Ensemble em que um álbum inteiro do Petzi foi digitalizado e o Petzi bem como a maior parte das personagens desapareceram da BD - ficando apenas o pelicano com os cenários, "coisas" e sobretudo balões de fala a boiarem numa solidão desconcertante. Um exercício OuBaPo que deveria ter saído pela L'Association se estes não andassem frouxos nesta altura... Mais tarde, em 2012 em pleno ano de Art Spiegelman no Festival de Angoulême, sai outro "detournement", o Katz (todos os animais da BD foram substituídos por cabeças de gatos) que teve um destino cruel porque a edição foi destruída. Mas tudo bem em 2013 saiu logo o Meta Katz para "ladrão que denuncia ladrão, mil anos de perdão!" Depois disto tudo eis que aparece no ano passado, o álbum Les Schtroumpfs Noirs na mesa do 5éme Couche! Uma edição que reproduz na integra o álbum Os Strumpfes Negros mas todo impresso a azul!!! Originalmente editado em 1959 pela Dupuis, esta BD mete os pequenos homens azuis com um problema a lembrar uma praga de zombies, ou seja, o Strumpfe que for mordido por um Strumpfe negro (que foi picado por uma mosca negra marada qualquer), fica também negro, a saltitar, a gritar “gnap gnap gnap” feito um selvagem. Foi uma BD que foi considerada racista, sobretudo nos EUA, chegando a ter, por aquelas bandas, uma versão em que o negro foi substituído pelo roxo. Com esta “nova” versão pirateada, que o editor Xavier Löwenthal afirma publicamente que não sabe como surgiu – no Libération afirma que um rapaz da DHL chegou lá ao stand e entregou-lhes uma caixa cheia destes livros azuis – mas dizia, com esta nova versão acaba o racismo!!! Porque todos os Strumpfes, azuis ou negros, estão impressos a azul! Mais extremo ainda é que todo o álbum original foi “rapinado”, ou seja, não há depósito legal ou ISBN a acusar quem o fez, o nome da editora original (um gigante do mercado da BD que detêm o Spirou, por exemplo) está impresso na capa. Mais, o álbum original é constituído por três aventuras dos Strumpfes (“O Strumpfe voador” e “O ladrão de Strumpfes”) que também são reproduzidas no “álbum azul”. A única coisa (fora esse hilariante azul omnipresente) que “falha” é uma página (a página 54) que não foi impressa - na BD "O Ladrão de Strumpfes", o que tem a leitura que tem...

Mas o melhor trabalho para abalar o sistema de crenças da BD foi o caso Judith Forrest! Em 2009 foi editado o livro desta autora, 1h25, que teve grandes resenhas críticas pela imprensa, chegando-se a afirmar que este seria a BD autobiográfica que atingia a maior sinceridade dentro desse género. A autora foi convidada para entrevistas na rádio e TV e o livro teve algum sucesso comercial. No ano seguinte saiu Momon em que explica porque a autora após uma "one night stand" com Xavier, este não se lembrava dela no dia seguinte - os homens são uns porcos, né? Mas a razão por Xavier não se lembrar de ter ido prá cama com a autora é porque a autora não existia... Nas páginas de Momon, Xavier e os autores William Henne e Thomas Boivin numa viagem de carro vindos de um festival de BD perguntam-se porque a 5éme Couche, sendo uma editora tão boa não tem impacto mediático... Alguém sugere que lhes falta uma autora de BD autobiográfica que conte histórias de ir ao cu. Alguém se lembrou que porque não se edita uma autora dessas? "As nossas autoras são artistas, pá, nunca fariam histórias de ir ao cu...". Alguém conclui: "Bem, então porque não fazemos nós isso e assinamos como se fossemos uma?"

De referir ainda o belíssimo 978 (2013) de Pascal Matthey, autor que já conhecia de umas BDs menos interessantes da corrente autobiográfica pela L'Employé du Moi e que andou a coleccionar panfletos / brochuras / catálogos publicitários de BD comercial e realizou este bizarro Genesis... Genesis? Não sei se podemos definir assim mas o que acontece é que estamos perante um simulacro de um álbum franco-belga de BD, ou seja, 40 e tal páginas perto do A4 a cores com uma capa dura. O conteúdo é um trabalho um "comix remix", uma BD de colagens em que as imagens originais foram de tal forma fragmentadas que juntas criam padrões abstractos. A questão que se coloca sempre nestes casos é: pode-se ler uma BD abstracta? Que o Pedro Moura responda a isso...
A verdade é que temos toda uma liberdade de interpretar o que vemos, quadrado a quadrado em sequência, e uma "possível leitura" até porque se topam metamorfoses de formas que indicam uma "acção" de algo, de quê? Não sabemos, talvez do lixo a ser reciclado numa máquina? Lixo de milhares imagens medíocres geradas pela BD comercial mundial? O título do álbum refere-se ao número de ISBN da Bélgica e esse seria a maior referência para o livro: o regurgitar de chavões gráficos dessa indústria? Parece um catálogo disfuncional de cores e formas do mercado de BD mas independentemente disso, a mente procura sempre sentidos, e como bom cristão que sou levei para um nascimento e destruição de cosmos pelas várias vinhetas, uma luta de dias e de noites eternas, etc... Foi o meu "glitch" mental sobre esta obra porque para mim foi dos livros mais explosivos de 2013!

O Tempo da Geração Espontânea




O Tempo da Geração Espontânea
[novo romance]
de Rafael Dionísio

Sinopse : Este livro Atravessa o arco temporal de fins do século XIX até aos anos oitenta do século XX. No entrelaçar da vida de algumas personagens estalam as contradições do colonialismo, da esquerda, da revolução e da vida depois disso. É um retrato de uma certa geração que nasceu em Angola e que cresceu dentro do regime, na posição de estarem contra ele, e das dificuldades e adaptações que sofreram para se manterem à tona, cada um à sua maneira. É uma obra de um maior fôlego narratológico, sendo, simultaneamente um romance histórico e uma reflexão sobre Portugal. Mas tudo isto a la Dionísio, como é evidente.

356 p. 21x14,5 cm, edição brochada, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-26-8
Capa de David Campos
Design de Rudolfo

PVP: 15€ (50% desconto para associados da CCC, lojas e jornalistas) à venda aqui e na El Pep, Artes & Letras, Feira da BD e Poesia, Letra Livre, Bertrand, LAC... e brevemente na Pó dos Livros, FNAC, Matéria Prima,...

Historial: lançamento brasileiro e universal n'A Bolha (Rio de Janeiro) ... lançamento lisboeta na IV Feira Morta por Pedro Madeira, nos Estúdios Adamastor ...
Errata online aqui







Sobre o autor: nasceu em 1971 e é sobretudo escritor. Presente desde a primeira hora na Chili Com Carne publicou seis livros nesta Associação. Começou a publicar pequenos textos no já há que tempos extinto DN Jovem. Durante os anos 90 participou com textos em publicações alternativas como a Ópio, Número, Utopia, Bíblia,... Participou em diversas exposições de artes plásticas e durante um pequeno período escreveu recensões na revista Os meus livros. Auto-editou dois fanzines de poesia, refúgios e alguns slides, numa altura em que se ainda não tinha decidido definitivamente pela narrativa. Continua a publicar textos em publicações como Nicotina ou Flanzine.
Andou a estudar para engenheiro no Técnico e, depois, para arquitecto na Faculdade de Arquitectura de Lisboa tendo desistido a meio dos dois cursos. Também estudou Desenho no Ar.Co e houve uma época em que quis ser artista plástico, tendo pintado bastantes quadros e destruído muitos deles. Entretanto atinou com os estudos e enveredou por Estudos Portugueses, na Nova, onde tirou sucessivamente, licenciatura, mestrado e doutoramento em Crítica Textual estando aos papéis do Ernesto de Sousa.
É monitor de cursos de Escrita Criativa, especialmente vocacionados para a narrativa. Em 2014, com os Stealing Orchestra fez um EP que foi recebido com boas criticas pela imprensa.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Recebemos isto mas sem perceber muito bem o que se passa ou o que se vai passar em Angoulême mas parece-nos bem!


Tintin Akei Kongo (2015)

Tintim no Congo (1931) é o segundo álbum da famosa série de BD do autor belga Hergé. Foi-lhe encomendada pelo jornal conservador Le Vingtième Siècle e conta a história do jovem repórter Tintim e o seu cão Milou enviados para o Congo belga para escrever sobre acontecimentos nesse país. Embora tenha reconhecido sucesso comercial e tornado-se derradeiro para definir a indústria de BD franco-belga, este álbum tem recebido duras críticas pela sua atitude racista e colonialista perante os congoleses, retratando-os como atrasados, preguiçosos e dependentes dos Europeus. Embora Hergé não fosse mais racista que qualquer outro cidadão belga, é sobretudo acusado de persistentemente alinhar a sua visão com o mais baixo denominador comum sem se questionar do racismo explícito ou das políticas coloniais que já eram criticadas por artistas e intelectuais francófonos do seu tempo. 

Tintin Akei Kongo é uma tradução de Tintin au Congo em lingala, a língua oficial do Congo. A tradução foi comissariada por um artista e foi feita em colaboração com um tradutor oficial durante a sua residência artística na ilha de Ukerewe na Tanzânia. Esta tradução faz parte da linhagem de "detournements" como Katz [livro destruído por alterar o famoso Maus de Art Spiegelman], Noirs [os Estrumpfes Negros ficam todos azuis] ou Riki Fermier [em que o Petzi desaparece da sua própria BD], livros apontados de autoria provável ao grego Ilan ManouachO artista, consciente das propriedades materiais da edição original, cheia dos seus potenciais significados, tornou explicita os aspectos formais do objecto: o novo livro é um fac-simile da edição original e manteve os padrões de produção industriais das BDs "clássicas". O objectivo desta aventura não é simplesmente a reinterpretação do trabalho do autor para reinventar as intervenções possíveis sobre uma obra usando comissariando uma tradução, nem enfatizar a importância do discurso e da auto-referência para indicar a BD simultaneamente como linguagem e lógica de sistema

O objectivo é não só reparar um erro Histórico tornando acessível este trabalho na língua daqueles que lhes interessa, os oprimidos, os insultados. Revela as escolhas tácticas de quem traduz obras. Não é de surpreender que afinal na África pós-colonial ainda se usa o francês ou o inglês como línguas oficias para questões de Educação, Legislação, Justiça e Administração? Tintin au Congo reflecte as opinião da burguesia bela dos anos 30. Esta concepção do povo do Congo ou pura e simplesmente de qualquer negro visto como uma grande criança é uma parte da História do Congo tal como Os Protocolos dos Sábios de Sião fazem parte da falsa propaganda anti-semita na História dos Judeus.
Tintim no Congo deveria ser traduzido para lingala.

Uma identidade nacional não é só criada por um processo interno de cristalização, da consolidação constante do que é a sua cultura nacional, mas também é definida pelas pressões oferecidas pelo exterior. Tintim no Congo, a versão original na língua francesa é ainda uma das BDs mais populares na África francófona. O facto de ainda não existir uma edição congolesa, fará lembrar ao leitor de Tintin Akei Kongo que a promoção cultural não é só governada por lucro ou outros valores de mercado. Ao juntar lingala às 112 línguas traduzidas no Império Tintim, Tintin Akei Kongo revela pontos cegos na expansão dos conglomerados da edição. 

Tintin Akei Kongo será apresentado no Festival de BD de Angoulême.

Curso Intensivo de Escrita Criativa - Rafael Dionísio



Curso Intensivo de Escrita Criativa na Oficina do Cego

Horário: Terças e Quintas 19H-22H

A começar dia 17 Fevereiro.


(Sessões em Fevereiro: 17, 19; 24; 26) 

(Sessões em Março: 3, 5, 10, 12)

Duração: 24 horas | Número máximo de participantes: 7

domingo, 25 de janeiro de 2015

Terminal Tower na Wook




I define Inner Space as an imaginary realm in which on the one hand the outer world of reality, and on the other the inner world of the mind meet and merge. Now, in the landscapes of the surrealist painters, for example, one sees the regions of Inner Space; and increasingly I believe that we will encounter in film and literature scenes which are neither solely realistic nor fantastic. In a sense, it will be a movement in the interzone between both spheres. J.G. Ballard

Com este 16º volume da Colecção CCC dá-se uma transformação na própria colecção. Se entremeávamos um livro de literatura por um gráfico logo a seguir, durante 14 anos, com quase sempre com os livros do Rafael Dionísio e quase sempre com as antologias de BD, a natureza da obra deste novo livro Terminal Tower de André Coelho e Manuel João Neto, deixa de fazer sentido a nossa lógica editorial ou até a distinção dos formatos dos livros literários dos gráficos.

Terminal Tower teve um processo criativo entre o artista e o escritor fora da lógica da banda desenhada - em que há um argumento para ser adaptado para desenho em sequência. Assim sendo, as ideias do livro foram sendo construídas em simultâneo pelos dois autores, tendo como premissa a de um homem isolado numa torre em estado de alerta.

Partindo dessa torre, Coelho foi criando alguns desenhos que despoletaram ideias narrativas e que potenciaram outros desenhos que por sua vez geriam as indefinições das narrativas que rodeiam esse contexto, numa espiral criativa.

A ideia central do livro é o delírio engatilhado pela paranóia, sem que se perceba se o despertar dos mecanismos da torre é real ou se existe apenas na cabeça do homem isolado na torre, pois nada parece funcionar, tudo parece uma ruína do futuro em que se cruzam referências decadentes aos universos de Enki Bilal, J.G. Ballard (1930-2009) e da música Industrial - não tivessem os dois autores ligados a esse tipo de música através do projecto Sektor 304.

Historial: lançado no dia 31 de Maio no Festival Internacional de BD de Beja com exposição dos originais ... seguido de outras exposições na El Pep / Imaviz Underground (Julho), Treviso Comics Fest (Setembro) e Amplifest (Outubro) ... nomeado para Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Banda Desenhada

...

Feedback: (...) Depois da bomba, os estropiados – depois da expilação nuclear, os mutantes. A monstruosidade é uma sátira cruel à diversidade, uma fantochada feita de ruído. Não tem beleza. Não tem significado. A não ser a beleza do aleatório e o significado que decidimos impor. Criar relevo é inventar significados: vivemos numa realidade imaginada, mas as ficções que criamos não são mentiras, são exofenótipos – não se pode ser humano sem uma torre, mas aceitar a torre é aceitar o monstro. Aceitar o apocalipse. Nada é mais fácil. David Soares / Splaft! ... (...) a NASA tinha inventado o super-negro. (...)  é a BD que está a ir mais longe na busca de um super-negro psicológico, virtual… (...) Logo ao olhar para a capa somos chupados para o seu negrume, que se vai adensando ao longo das primeiras páginas. Percebemos de imediato que estamos num cenário bélico, pré ou pós-apocalíptico… Rui Eduardo Paes / Bitaites ...  Neste livro experimental os códigos da BD são levados a um extremo próximo da abstracção. Não é simpático para o leitor, pois deixa quase tudo em aberto e descarrega nele imagens fortíssimas e acutilantes. (...) Um dos traços da maturidade do género é a amplitude de um campo de expressão que vai do pueril intencional ao questionar dos limites, zona de fronteira onde este Terminal Tower tão bem se insere, mais próximo de uma sequência pictórica do que da narrativa linear. Lendo-o, ou sendo mais preciso, construindo mentalmente uma possibilidade ficcional a partir da iconografia, ressoava-me na mente o ruído elegante do noise industrial (...) Mais do que uma história, este livro é uma experiência do tipo mancha de Rorschach. Vê-se o que se espera, mas também se vê o que se sente no íntimo. E sublinho: contém ilustrações de tirar o fôlego, que se destacam no absoluto preto e branco mate do papel impressão mas se vistas no tamanho real e media original ainda são mais deslumbrantes. Artur Coelho / Intergalatic Robot ... As receitas de químicos e materiais, numa profusão de termos técnicos específicos, (...) em que uma suposta linguagem o mais objectiva possível, sendo apresentada num contexto totalmente deslocado e acompanhado pela materialidade das imagens e em relações texto-imagem inesperadas, atinge uma dimensão poética tumultuosa, que obriga o leitor a tentar coordenar elos vários, nenhum dos quais possivelmente o correcto, mas cujo objectivo é mais atingido pelo movimento de tentativa do que por uma conclusão conquistada. Pedro Moura / Ler BD ... Um livro para pensar, esta deveria ser a referência de todas as publicações, mas nem sempre é assim. Com Terminal Tower é verdade. Jorge Freitas Sousa / DNotícias ... O convívio de variadas técnicas como fotografia, colagem e sobreposição com o meio desenhado não parecem em nada deslocadas ou em choque, e denotam maturidade na manipulação do meio comunicativo, culminando no forte impacto da maioria das páginas, necessário para suster uma narrativa tão pausada e por vezes quase como que um telegrama, mas a meu ver muito adequada. Andre6 / Wook ...


...
ISBN: 987-989-8363-27-5
144p. p/b + cores, 16,5x23cm
...
PVP : 15 euros (50% desconto para sócios CCC, lojas e jornalistas) à venda na loja online da CCCMundo Fantasma, Matéria Prima, Louie Louie (Porto), BdMania, NAU, El Pep, New Approach Records, Utopia, Bertrand, Letra LivreArtes & LetrasFeira do Livro de BD e Poesia e Vault.
...
Exemplos de páginas:

sábado, 24 de janeiro de 2015

No papel e em três vias! O Relatório 2014 à antiga!

Amanda Baeza, Sofia Neto e Hetamoé a apresentarem o QCDA #2000 no Alt Com, Malmö

Sim, o mundo dá voltas e voltas para ir parar ao mesmo sítio... Desde 2012 neste blogue que escrevo um relatório sobre edição independente e fanzines de BD em Portugal para manter a chama acesa de uma tradição que começou em 2000 pela Bedeteca de Lisboa no seu boletim Contador-Mor e mais tarde para o seu sítio oficial bedeteca.com (desactivado ou desactualizado desde 2011) em que se fazia um resumo do ano em volta das várias áreas da BD em Portugal nas seguintes áreas: fanzines, crítica, autores, edições, festivais, investigação e movimentos.

Entretanto, foi-me desafiado por João Machado, do Clube do Inferno, para publicar o artigo anual relativo a 2014 num fanzine que ele prepara intitulado de Maga. Voltar ao papel impresso faz todo o sentido... afinal para além do Contador-Mor, houve também os relatórios das discussões de 1996 e 1999 promovidas pela Bedeteca de Lisboa e a Associação do Salão Internacional de BD do Porto, recolhidos no livro Hoje, a BD  1996/1999 (Bedeteca de Lisboa; 2000) - um "livro branco" sobre o "estado da nação" e dos poucos registos sobre a BD portuguesa em livro.

A verdade é que 2014 foi um ano de expansão da BD em geral no seu diminuto mercado, e o que passou "em cima" (no mundo comercial) também foi acompanhado "em baixo" (no "underground"). Corre-se o risco de fazer listagens futeis, a julgar pela folha de apontamentos que já fiz porque quase todos os pontos que costumo focar nestes relatórios - o número de edições e de eventos, a publicação no estrangeiro de autores portugueses, as visitas de estrangeiros ao nosso país, etc... - revelaram aumento, não só em quantidade mas em qualidade.

Se o "underground" sempre foi uma cena de resiliência - seja na BD seja música ou noutra área criativa qualquer - também é o sítio de pensamento crítico e de atitude e de actos de ruptura.

Desde dia 7 de Janeiro que vivemos noutro mundo e publicar o relatório em papel invés de colocar imediatamente em linha parece-me um bom obituário para um mundo passado e muito diferente deste que vivemos agora, com o Futuro mais "incerto" do que nunca. No que toca à edição independente de BD em Portugal - ou à BD em geral - até parece um futuro risonho. "Risonho?  Deves estar a brincar!?" dirão... Meus caros, depois de tanta miséria franciscana nos últimos 10 ou mais anos, o que está acontecer, com a crise (oficialmente extinta segundo o nosso Governo!) e tudo o que isso significa, 2014 foi uma alegria de edições e acontecimentos. Seguindo a lógica, 2015 vai ser uma galhofa!!!

Para ler o artigo, que sairá no tal fanzine (há quantas décadas que não se edita um fanzine de crítica / ensaio sobre BD neste país?), contactem o Clube do Inferno: clubedoinferno.tumblr.com

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O Gato Mariano Não Fez Listas em 2014 (para Hipsters sebosos da Internet)

Ontem o jornalista Tiago de Bernarda deu vida em papel ao seu alter-ego / personagem Gato Mariano numa festa no sítio mais hipster de Lisboa, o 1ºAndar - a lógica é se queres provocar alguém tens de ir ao sítio onde elas estão, certo?
O zine é um A2 dobrado com uma impressão impecável que pouco ou nada conta a não ser que o Mariano tem bom gosto e acha os Dead Combo um peidinho! Estava a ver que era o único português a achar essa banda de intragável... Exercício de estilo de quem começou a fazer BD às escondidas e a criticar discos de Pop/Rock português em BD usando o tal gato. Para esta "história" no entanto o autor ignorou o papel do gato (ou seja de fazer crítica musical) e entrou num esquema de non-sense à Ren & Stimpy (talvez porque os gatos sejam da mesma ninhada gráfica) e à "Buraco do Amor" do Camarada Ferreira. Um gesto de rebeldia para provar que a BD portuguesa não é feita de livros de choradeira pseudo-sentimental... e sebosa! Gracias!

No gracias: é esta mania dos sacos a protegerem os zines, que eu saiba um zine é para ser uma forma de publicação barata, democrática e anti-elitista, e não para fazer dele objectos colecionáveis e impolutos para o OLX ou coleccionadores com retenção anal! Quem começou com esta mania foi a Imprensa Canalha e a Opuntia Books mas até fazia sentido porque os "livrinhos" traziam uns "brindes" - desde mata-insectos a fotografias encontradas. Cortar árvores tudo bem mas usar petróleo para um saquinho "hipster" dispenso... Espero que o Bernarda tenha pago os 10 cêntimos por cada saco da Taxa Verde por causa desta parvoíce!