domingo, 27 de agosto de 2017

Kassumai / últimos 25 exemplares



segundo volume da colecção LowCCCost - porque é realmente barato viajar lendo estes livros de viagens. Depois de uma "Boring Europa", a Associação Chili Com Carne, edita agora uma experiência mais excitante e exótica na Guiné-Bissau pela mão de David Campos 

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Kassumai (saudação Felupe)
uma palavra para designar: Liberdade, Paz e Felicidade...

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3 companheiros / 6 meses numa O.N.G. / 30 e muitas etnias / 1 nova grande família / milhões de sorrisos / muitas tabancas e estradinhas de areia...

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116p. 23x16,5 cm impressas a castanho escuro, capa em cartolina com badanas; 
ISBN: 978-989-8363-16-9

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à venda na loja em linha da CCC, Fábrica Features, Matéria PrimaPalavra de Viajante, Mundo FantasmaLetra Livre, Artes & Letras, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão), BdManiaUtopia, Mundo FantasmaPó dos LivrosLAC, FNAC, Luar (Maputo) e Black Mamba.

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sobre o livro: David Campos visitou a Guiné-Bissau entre Novembro de 2006 e Maio de 2007 no âmbito de um projecto de apoio à população de S. Domingos, numa parceria entre uma O.N.G., a Acção para o Desenvolvimento, e a Câmara Municipal do Montijo. Durante a sua estadia apaixonou-se pelas pessoas que conheceu e este livro, mais que um relato de viagens neste país africano, é um diário fragmentado de vivências e contactos humanos feitos pelo autor entre o seu trabalho como voluntário e os seus tempos livres. 

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O autor nasceu em 1979 em Medons La Florett (França) mas veio para Portugal aos 4 anos, crescendo no Montijo. Tirou o curso de Formação Profissional de Desenho Animado (ETIC) e também o de Escrita para Multimédia e Audiovisuais, e na Ar.Co o curso de Ilustração e BD. Trabalhou em Cinema de Animação, têm editado alguns fanzines e participado em algumas antologias da Associação Chili Com Carne, nomeadamente Destruição ou bandas desenhadas sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 e Futuro Primitivo.

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Edição apoiada pelo IPDJ 

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historial: lançado no dia 22 de Março na Livraria Sá da Costa ... no mesmo dia: exposição + festa com no Adufe Bar ... reportagem na RTP Internacional / programa Rumos ... exposição de originais no Festival de BD de Beja, 1 a 16 de Junho 2013 ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ... apresentação no DOC LISBOA 2013 ... Seleccionado por Pedro Moura como um dos cinco dos melhores livros portugueses de BD (2013) no site de Paul Gravett ... exposição de originais na BD Amadora 2015 ...
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feedback: 
está muito fixe (...) surpreendeu-me muito tanto ao nivel do desenho como ao nivel de texto. Parece-me agora muito mais fluido e natural (talvez por ser autobiográfico?). 
André Coelho (via e-mail) 
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Campos não parece interessar propriamente o registo jornalístico ou de literatura de viagens, as quais quase obrigariam à procura do exotismo, a uma permanente tensão entre um “eu” (“nós”) e um “eles”, mas antes essa escrita diarística que abraça desde logo o interrelacionamento humano. Até podemos mesmo dizer que este livro é uma forma de demonstrar como a banda desenhada, se entendida (somente, redutoramente) como meio de comunicação, ela pode adaptar-se a todas e quaisquer expressões. 
Pedro Moura in Ler BD 
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Curti dos livros, só não gostei de um: aquele da viagem Bla bla bla previsível ah e tal que experiencia magnifica bla bla bla e o camandro 
Rattus (Albert Fish) via e-mail 
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é um livro muito interessante, captando instantes do percurso pessoal do autor à medida que se adapta a um país pobre, muito mais estranho do que aquilo que contava. (...) sendo um bela iniciativa de uma editora fundamental (...) Sente-se algum pudor, mas a verdade é que o livro não se liberta de uma visão pessoal (a todos os níveis), e é pena, porque se trata de um excelente ponto de partida, e o estilo do autor (entre o fotográfico e o esboço) é particularmente eficaz a retratar as distorções que a memória faz no real. 
João Ramalho Santos in JL 
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Nomeado para Melhor Publicação Nacional dos Troféus Central Comics 2014 
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Acho que a cooperação portuguesa devia distribuir um exemplar de Kassumai a todo e qualquer cooperante que partisse para África, tão intensa é esta generosidade, tão autêntica foi esta dádiva, tão festiva é toda esta experiência realçada por um desenho ingénuo, franco e leal, como leal é a amizade que ele estabeleceu com aquele chão felupe, sabe-se lá se para todo o sempre. 
Luís Graça & Camaradas da Guiné 
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Rememorar momentos da sua própria vida é uma tendência comum a escritores e a autores de BD em especial. (...)  Na novela gráfica Kassumai (...) Assistimos, graças às imagens realistas que David desenha - muitas delas com subtil apoio fotográfico - a sequência de momentos que desenha e escreve, desde confissões inesperadas (algo como "vou acabar de ler os Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez e passar a usar o livro para o pôr em cima dos desenhos quando quero digitalizá-los"), ou análises amargas das realidades que enfrenta naquele país, onde o trabalho duro é executado maioritariamente por mulheres e crianças. David Campos inclui-se como personagem na participação das situações ou, no mínimo, como observador. É uma obra que se sente prenhe de emotividade perante uma realidade tão dura, que claramente se imprime na sensibilidade de um observador jovem e sensível ao registar literária e imageticamente vários momentos marcantes da sua imersão, mesmo que apenas durante cerca de sete meses, num contexto social e humano com aspectos de desigualdade gritantes. 
Geraldes Lino 
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Durante a sua estadia apaixonou-se pelas pessoas que conheceu e este livro, mais que um relato de viagens neste país africano, é um diário fragmentado de vivências e contactos humanos feitos pelo autor entre o seu trabalho como voluntário e os seus tempos livres. É possível acompanhar o percurso do autor e a voz pessoal com que narra esta viagem, ficando deste modo registada a sua visão do que restou da memória e das fotografias capturadas. 
Nuno Sousa

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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros - Obra vencedora da edição de 2013 do concurso "500 paus!" no LAC (Lagos)


The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros
de
Francisco Sousa Lobo

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! 2013

"Peter Hickey is to paedophiles what birdwatchers are to hunters". Peter Hickey dixit. What is meant by this oblique statement is the crux of this graphic novel. Peter Hickey is a godless catholic perv. Peter hickey has a saint syndrome. "Peter Hickey está para os pedófilos como os observadores de aves estão para os caçadores", assim diz Peter. O possível sentido desta frase obscura forma o próprio cerne deste romance gráfico. Peter é um católico tarado e sem deus com um síndroma de santo.

140p. duas cores 16x23cm, capa duas cores, edição brochada
ISBN: 978-989-8363-32-9
In English with Portuguese subtitles / Em inglês com legendas em português

PVP: 15€ (50% desconto a sócios da CCC, jornalistas e lojistas) à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Pó dos Livros, Artes & Letras, El Pep, Mundo Fantasma, BdMania, Matéria Prima, Letra Livre, Bertrand, Linha de SombraTasca MastaiUtopiaLAC (Lagos) e A Vida Portuguesa.
Buy: Neurotitan (Berlin), Orbital (London), Quimby's (Chicago), Dead Head Comics (Edinburgh), Just Indie Comics (Italy), Ugra Press (S.Paulo)...

Historial: Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2013) ... Lançamento na BD Amadora 2015 ... Lista dos Melhores Livros de 2015 no Expresso ... My Top Ten International Graphic Novels of 2015 (non-UK/North American published originally in English or bilingual) by Paul Gravett ... Best Graphic Novels (Portugal) by Pedro Moura in Paul Gravett site ... Nomeado para Melhor Argumento pela BD Amadora 2016 ... Um dos Melhores Livros de 2016 no Expresso (apesar de ter saído em 2015... weird!) ...

"peeping tom" aqui / here





Feedback:  

Já li o livro do Francisco Sousa Lobo. Gostei, apesar de toda a problemática do pedófilo e de às vezes ser difícil lidar com o que se possa sentir pela personagem (mas pensei que em relação a isso o livro era mais problemático e comprometedor), tem momentos muito bonitos, dos pássaros presos na rede, ele a conversar com as aves, desadequação do personagem ao mundo... e a parte final em que enlouquece (não estaria já louco?) e se deita do chão de cara para baixo à espera de um raio que o fulmine. Achei bastante poético. 

I like its mysteries and allusions, the gaps left in the dialogues, great use of the gaps and faultlines between what we are shown and what we are told.  Congrats, it’s further proof of Francisco's great work and development.
Paul Gravett (by e-mail)

Um dos mais discretos e interessantes autores portugueses de banda desenhada regressa com uma edição bilingue, uma narrativa que revolve as vísceras da natureza humana para as mostrar frágeis e inúteis enquanto conta a história de um homem que podia ser o nosso vizinho do lado. 
Sara Figueiredo Costa in Parágrafo, suplemento de Ponto Final (Macau) 

Desta vez Sousa Lobo debruça-se sobre um dos assuntos mais sensíveis, o da pedofilia. Esta é a história de Peter Hickey, um homem que parece acreditar que “está para os pedófilos como os observadores de aves estão para os caçadores”, um conceito que será explorado ao longo destas páginas naquele que é, sem qualquer hesitação, um dos mais portentosos livros do ano.

Is eager birdwatcher Peter Hickey ‘a godless Catholic perv’ or does he have ‘a Saint syndrome’? Deeply discomforting themes of sin and sincerity are cleverly underplayed and implied. I enjoy the book’s allusiveness, the gaps Lobo leaves in the dialogues, and his great use of the faultlines between what we are shown and what we are told, leaving what is left for us to tease out. “Words can become phantom limbs we never knew we had…”

LE PETIT OISEAU VA SORTIR... The Care Of Birds est un roman graphique de Francisco Sousa Lobo publié initialement en 2014 par Chili Com Carne, une maison d'édition post-psychanalytique portugaise dédiée à la BD et au dessin. Peter Hickey est ornithologue: il a été formé à 9 ans par un homme qui aimait beaucoup lui tenir la main. A présent, à 60 ans, il aimerait transmettre sa passion pour les oiseaux, en tout bien tout honneur. Dans cette histoire, où "les mots sont des membres fantômes", le dessin ne fait que suggérer ce que le langage ne recouvrira jamais. Le personnage principal communique avec les oiseaux, qu'il aime plus que tout étudier en compagnie de jeunes garçons. Les oiseaux lui disent des choses, et semblent lui obéir. L’ambiguïté de ses rapports avec ses petits collaborateurs est développé à la manière d'un malaise onirique, d'une torpeur fiévreuse.
Benjamin Efrati in Droguistes (e-mail newsletter)

The Care of Birds é, sem qualquer dúvida, um livro maior. Um livro que se desprende de toda e qualquer amarra de género e dos mecanismos (narrativos, visuais, estruturais) habituais da banda desenhada, portuguesa ou outra. Um título que não tem qualquer ambição de chegar a “todo o público”, nem sequer de serenar ou emocionar aquele ao qual chegará. A poeticidade de Francisco Sousa Lobo é sofrida, exigente, abole quaisquer consensos possíveis. Sem efeitos de pirotecnia emocional, lê-lo é uma armadilha se se toca a raia dos seus perigos. Difícil, profundo, angustiante, de uma lentidão que não significa tranquilidade, desprovido de quaisquer adornos e de efeitos, The Care of Birds é um jogo de tensões entre o melodrama de um Dostoievsky e a paralisia de um Kafka.
Pedro Moura in Ler BD

Despite its 100-plus pages, The Care of Birds is a tale mostly made of silences and doubts, both of the protagonist and the reader. Peter Hickey is an older man, an accomplished birdwatcher, birdsong imitator and bird draughtsman. But he is assaulted by strange feelings of seemingly innocent friendship toward children, which might be interpreted by many as pedophilia. A profound Catholic, Hickey is at the same time well aware of an uncrossable line but also haunted by sinning, that may or may not have taken place. All the questions that arise from the little plot there exists, if answered, are ambiguous. Difficult, profound, agonising, slow-paced but not tranquil, bereft of adornment and effects, The Care of Birds is a tour de force between Dostoevskyan drama and Kafkesque inaction, making it not only a great book within the Portuguese context but internationally as well.
Pedro Moura in Paul Gravett site


I just red The Care of Birds, liked the how the narration goes and the angle, remind me a bit of Hornschmeier work 
Franky (Les Requins Marteaux)

Spanish Edition in 2017 - for all Spanish language countries

Nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Desenho e Melhor Argumento  Central Comics 2016

Se quisermos reduzir Sousa Lobo ao Santo Graal da assinatura do artista, podemos falar num programa que é recorrente no seu trabalho e que envolve estruturas de autoridade, doença mental e perversão. (...) Com um pezinho dentro e outro fora, entrar na galeria de arte ou na igreja com uma BD debaixo do braço continua a ser mais que uma provocação. É um acto de rebelião.
Hugo Almeida in Mundo Fantasma

Os Meus 21 Tormentos ( 19 )


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

ccc@bons.sons.2017


Uma selecção de livros nossos vai estar disponível no Festival Bons Sons, representados na mesa dos Materiais Diversos. Ide lá!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

sábado, 5 de agosto de 2017

TAKE IT OR LEAVE IT + Corta-E-Cola / Punk Comix em LAGOS



Vamos oferecer impressões dos nossos livros feitos nos últimos cinco ou mais anos. Só tens de escolher o teu desenho favorito e tirá-lo da parede! 
Porquê? 
Porque não somos uma puta corporativista gananciosa! 
Porque gostamos de oferecer coisas! 

Algumas com valor económico... outras não! 
Neste caso as impressões não tem nenhum valor económico porque não passam de desperdício inDUSTrial – são provas de livros antes de serem impressos. Até poderíamos vende-las porque nos dias que correm as pessoas compram de tudo e qualquer coisa sem critério. Até os museus e galerias conservam qualquer tipo de Arte mesmo nos materiais mais pobres e degradáveis - desde esponjas pintadas a literalmente merda de artista. 

O múltiplo, a cópia, o simulacro de uma peça de Arte não tem valor per se mas pode ser guardada, protegida e criada especulação na tua colecção privada caseira. 
Pode ser ridículo! 
Sabes que mais!? 
Take it or leave it! 



 Ficha Técnica:  Impressões / provas de vários livros da Associação Chili Com Carne e MMMNNNRRRG, 2011-17. Exposição patente até dia 16 de Setembro no LAR / LAC, em Lagos.


Sessão de autógrafos do livro Cola-E-Cola / Punk Comix com a presença dos autores Afonso Cortez e Marcos Farrajota e ainda festinha com unDJ MMMNNNRRRG... 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Milhones de discos!

Foi bem fixe cuidar do "merch" das bandas que tocaram no Milhões de Festa - no âmbito do Necromancia Editorial - assim pude aceder a discos fixolas!

Colombianos e franceses fazem Pixvae que nada têm de Pixies nem de Vaee Solis embora poderia ter todos os fãs destas bandas, que seria uma atitude mais acertada neste mundo parolo. O disco de estreia, de 2016, é uma palmeira pintada de cor-de-rosa-choque como tão bem a capa ilustra. Para quem não quer mais ouvir as repetições do Pop / Rock caduco que passa na rádio, este colectivo dá-lhe numa "new world music" onde as linguagens do Afro-Latino, Noise Rock e do Jazzcore fundem-se sem dar flancos fracos. Orelhudo até mais não mas sem ofender o bom gosto... caramba este deveria ser o sexto álbum dos Pixies se os gajos não se tivessem levado pela grana suja da nostalgia!

E por falar nos Vaee Solis, não sabia da outra banda da vocalista Sofia Magalhães, os Lodge. Punk-Hardcore modernaço, alta energia e virtuosismo é a definição para esta banda que mete tudo o que é banda tuga num canto. Bom, vá lá, pelo menos é o que soa a k7 Orphaned Chants (Tapes she said; 2015) embalada como a de Plus Ultra.
Estalada na cara com vocais de demónio - creio que nunca ninguém berrou desta forma tão poderosa e livre em bandas pesadas 'tugas. Só isso merece o estatuto de clássico no punk-hardcore português. Depois disto, só se pode dizer das outras bandas o seguinte: que grandes meninos...
Questão: depois de Crisis, disto e Vaee, o que é feito da moça berrona? Onde ela pára? Espero que não tenha engordado e começado a parir crianças... Pleeeease!

Também da Tapes She Said e de 2015 temos Live 2014-2015 dos Bitchin Bajas, duo-agora-trio drone gringo que andam nas bocas do mundo. Por mim, tanto faz, é agradável o seu "ambient lo fi" sonhador e tal - recuso-me a escrever "psicadélico", a palavra mais abusada em 2017 depois de ter sido em 1967, Zeus! Não é nada de outro mundo... Heresia, dirão alguns! É só mais tralha "hype" neste universo,... 'tá-se!
De resto é a k7 mais feia da TSS mesmo que ela em si seja um belo de um verde! Em compensação iria descobrir a mais bela k7 de sempre!

Foi esta: Planetarisk Sudoku (Dridmachine; 2037) dos Psudoku! WTF!? Veio através dos Brutal Blues, banda Grindcore tão fria como as fiordes e que tocou nos Milhões. A boa cena foi terem trazido k7s destes noruegueses armados em P.K.Dick a quererem criar realidades paralelas. Dizem eles que som que fazem é como se o Grind não tivesse vindo do Punk / Hardcore mas de um mundo que teria vindo directamente do Prog dos anos 70! Jiiisus fuck!!! Claro que isto escrito no papel tem mais piada do que na realidade. Acho que os gajos não se meteram nesse papel extremo de tentar mesmo ser malta do Prog a evoluírem pró Grind, ficaram-se pelas intenções pois não é muito diferente de músicas dos Mr. Bungle ou Secret Chiefs 3 já fizeram. É divertido, inesperado e tem algo de japonoca pela premissa - Ruins? Melt Banana? É fixe mas não pensem que vão encontrar aqui "o som nunca antes feito"! A embalagem da k7 é que é um verdadeiro "state of the art". Impressa em serigrafia com tintas que expandem, quando secam criam um efeito de esponja. Meu, a embalagem é que veio de 2037!!! É a k7 mais linda que alguma vez comprei! LINDA!!!

Seriam os Psudoku capazes de desenvolver o Grind pelo Krautrock? Sim, quero falar de FaUSt... Nem sei se quero mesmo falar desta banda que foi seminal para quase tudo como o Industrial, por exemplo. Mais estranho é conhecer o instigador principal desta facção de Faust - o "US" está em maiúsculas porque há outros "Fausts" por aí - o Jean-Hervé Peron. Ele disse-me que o que gostava de BD era o Príncipe Valente... Credo, mais valia ele ter partido o dedo ao tentar abrir uma garrafa de vinho verde para mim e os Camaradas da Chili. E ficaria para a História: FaUSt não tocou por causa da Chili Com Carne! O concerto no festival foi uma freakalhada, parecia que estávamos em 1977 em que usar manequins em palco era a vanguarda máxima. Zeus, haviam gajas com burkas e duas betoneiras... Apesar da foleirada / freakalhada endérmica (por momentos pensava que estava num espectáculos com panelas e vassouras do CCB), lá 'tá, o gajo tem 70 anos e faz isto desde 1970, ergo, ele sabe o que faz num espectáculo ou nos discos.


Não é qualquer um que faz cagadas freaks e está à vontade para que soe bem! jUSt (Bureau B; 2014) e Oslo Rockeffeler 2009 (ed. de autor; 2016) tem a energia que não se vê em tanta banda "psicadélica", "post-rock", "post-metal" que andam por aí. Nestes discos, seja em estúdio ou ao vivo, há bons momentos e há alguns menos bons, há azeite experimental mas tudo resulta numa viagem sem complexos nem bocejos. Ide aprender com os velhinhos! Até eu já percebi melhor os Butthole Surfers ou os Pigface, por exemplo. Se queres alucinar tens de dar mesmo na fruta, não podes ser um betinho que comprou a guitarra vintage para seres "psicadélico"...

E voltando à vaca fria, não dava nada pelos Dreamweapon e o seu LP de estreia, de 2015 pela Lovers & Lollypops. Quer dizer no bandcamp parecia mais uma betalhice qualquer mas não não não! Isto ouvido como deve ser, numa aparelhagem analógica percebemos que é psicadélico direitinho ao coração, sem histerias post-metal nem fogo-de-artíficio Stoner. Dark q.b. e repetitivo como os portugueses adoram fazer.
Questão: ou estou a ficar mole ou neste caso a falta de movimento (típica da produção artística portuguesa) funciona bem neste caso. Como não posso dar o braço (ou a genitalia) a torcer, só pode ser o segundo caso.
Um dos membros é o terceiro tipo da nova formação dos 10 000  Russos, talvez isso ajude a explicar a qualidade deste projecto mas isso seria a menosprezar o resto da equipa Dreamweapon que tem aqui uma estreia incrível. Isto é música para sonhar no sofá ou na caminha, caso não fosse um vinilo e tenhámos que mudar de lado de x em x tempo... Meu, como é que os hippies tripavam nos anos 60 se tinham de mudar o disco cada 20 minutos!? Fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuck...


Ifriqiyya Électrique é Putan Club com três tunisianos vindos do deserto. Música Sufi que afasta demónios com rock Industrial que faz justamente o contrário... bela mistura e maravilhoso paradoxo que não acabam por aqui. Enquanto Putan recusa-se a gravar discos (rumores dizem que sairá qualquer coisa este ano... rumores!) com este projecto foram logo editados pela grande Glitterbeat com este Rûwâhîne (em CD e LP). Tal como um Baco perdido no deserto, este projecto relembra que a grande panca do Industrial sempre passou pela música africana e esta é a forma mais pura de o fazer uma vez que há verdadeiro intercâmbio entre os europeus e os tunisianos - e não à distância com as rapinagens / samplagens do passado como fizeram outros grupos. O mais díficil de ultrapassar neste disco é a parte "Putan Club" para quem está habituado a vê-los tantas vezes como é o meu caso - quantas vezes já os vi? Sete? Oito vezes em três anos!? É complicado dissociá-los do disco e da imagem e recordações dos seus concertos, é quase como se ouvisse dois discos ao mesmo tempo... Não são mas é uma imagem mental pessoal que preciso de eliminar para curti-lo. Só há uma solução para mim, acho que vou ter de aumentar o volume!!!

Por fim, Moor Mother com Jewelry... Crimes Waves (Don Giovanni) é um mini-LP de colaboração entre estes dois. Música de 2017 para os EUA e resto do Império, Hip Hop mutante que deixou de fazer sentido chamar de Hip Hop mesmo que muita da atmosfera lembra o que o Tricky fazia nos anos 90 para chatear o comércio fonográfico - ninguém se lembra do seu "segundo" álbum intitulado Nearly God, certo? Engraçado que a tensão já não é pré-milenar mas os efeitos deste milénio novo são mais devastadores com tantos sacos de bosta como os "Trumputins" do mundo.  Apesar da comparação ao passado, eis música nova para quem pensa que nada há para ouvir... Já agora ide recuperar o álbum Fetish Bones (Don Giovanni; 2016) da Moor caso tenham estado desatentos, ou pior, estejam à espera que os media portugueses divulguem algo de jeito...

quarta-feira, 2 de agosto de 2017