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quarta-feira, 29 de abril de 2015

MÁ ONDA E SUJIDADE #666

O Camarada Pereira da Narcolepsia começou com esta secção mas abandonou-a sabe-se lá porquê. Como provocação eis um "número" especial para instigá-lo a voltar! Talvez uma das razões da desistência do Narcolepsia Man ter continuado com estes "posts" foi porque anda a editar muita K7, CD e zines como estes três pela sua Black Blood Press:



Absurdum Compil Decembre 2013 (!) é de Romain Perrot, ou seja, Vomir, ou seja, aquele gajo do Harsh Noise que actua com um saco de plástico na cabeça... Perrot será mais um caso in extremis do punk / outsider art / etc... ou seja, admite que não sabe fazer nada mas isso não o faz desistir de fazer Noise violentíssimo, tocar guitarra como um Neandertal (embora este duo da Estónia tenham mais piada) e desenha pessimamente. O seu charme transcende o trabalho e Pereira editou um zine enorme A4 de cento e tal páginas de desenhos de meter medo ao susto. E o "zinão" ainda vem com um suplemento intitulado France Lucifer que pode ser visto como um "catálogo" de grafismos da label de Perrot remisturado por Manuel Pereira. Não curti nada porque estou a ficar um velho conservador, claro...



The repetition of unappealing moments de Andy Krupinski (metade da banda "outsider black metal" Crooked Necks) é estranhamente narrativo apesar de se perceber que se trata uma compilação de colagens sem essa ligação. Mas "lendo" as imagens de seguida chega-se ao tema do "trabalho das 9 às 5" e os tempos modernos da rotina. Pena a impressão ser a fotocópia barata que deixa pouca definição sobre estes trabalhos...




Já Dog-Tired de Kevin McEleney (da Heavy Psych) é o contrário, uma fotocópia (e/ou papel) xunga iria dar-se bem com as composições mais abstractas e "graphic-glitch". Deve ser uma das poucas edições da Black Blood que foge ao cliché da escatologia da cultura Noise. Interessante...




Ainda mais inesperado, sobretudo prós puristas do Harsh Noise é a edição em CD [Que heresia! Harsh Noise tem de ser editado em k7 ou vinil, NUNCA em CD diz a Bíblia dos "noisers"] de Great Northern Love de Fecalove que está com uma produção super-limpa - quer de imagem, com capa do próprio Fecalove - aka Nicola Vinciguerra - quer no som. Mas "limpo" não significa que não seja um terror sonoro que fazem as obras no prédio parecer melodias para crianças. Uma besta este disco co-editado entre a Narcolepsia e a finlandesa Untergeschoss.


Da Finlândia chegou-me umas ricas peças!... DES (Institute of Paraphilia Studies; 2013) é um livro de Arte que recolhe um trabalho do artista sueco Martin Bladh envolta do "serial killer" inglês Dennis Nilsen preso em 1983. Reúne fotografias, desenhos, correspondência com o criminoso e ainda com o filho de uma das suas vitimas. Bladh cria discursos sobre as relações entre Arte e assassinato que no mínimo provocam perturbações intelectuais mais do que as imagens que são publicadas. Já agora, para os mais distraídos Bladh já colaborou com Sektor 304 no Sonores e no recém-lançado disco Ruby.


Erotic Perversion #1 (2002) é um fanzine finlandês sobre sexo perverso, que pouca utilidade terá quem quiser masturbar-se a não ser que goste de ver pás a serem enfiadas numa vagina, S/M a roçar o snuff, piercings na genitalia, resenhas a filmes de Bukkake, etc... Diz no editorial, que o fanzine é feito para satisfazer os desejos pessoais do editor, o que torna o acto editorial numa perversão erótica por ela própria. A entrevista a Nalle Virolainen é interessante como quem está metido neste tipo de cena sexual é (ou pode) ser crítico à pornografia - como uma arma do capitalismo e da monocultura - mas já a Alexia que gosta de levar com urina e fezes, enfim...


Por fim, para quem não aguenta tanta violência, pode-se ficar pelo split-7" de Hellbastard e Perpetratör lançado pela "joint-venture" Chaosphere / Raging Planet / Hellprod. A primeira banda é inglesa e uma instituição do Punk-Crust de fusão com o Metal - como os seminais Discharge - e mostra que os punks à muito que sabem tocar além de que são capazes até de fazer uma balada para acalmar os nervos. A segunda banda é música para tomar speeds regados com tintol da terra, ou seja Thrash à séria! Num país de paradinhos como o nosso é de ficar embasbacado com este trio pois cumprem todos os requisitos do género: barulheira, complexidade e velocidade. A melhor banda do momento de Metal daqui do canto? É bem capaz... Procurem esta pérolazinha!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

MÁ ONDA E SUJIDADE #5

No contexto de algumas novas editoras de noise vindas da Suécia, surge a Jartecknet, que edita exclusivamente cassetes e que vem revelado, com particular consistência e bom gosto, uma série de projectos recentes, a imensa maioria provenientes do seu país de origem (a excepção à regra até à data é "The Vanity Set", dos dinamarqueses com ligações à Posh Isolation, Damien Dubrovnik)

Originária de Gotemburgo, é conduzida por Viktor Ottosson (Street Drinkers / Attestupa) que é também metade da editora de vinil Nattamaran que partilha com Dan Johansson (Sewer Election / White / Dog Holocaust / Heinz Hopf, entre outros) que depois da lendária Harsh Head Rituals, aponta agora energias (ao nível da edição) para a Ljud & Bild Produktion.

A Jartecknet é maioritariamente focada em projectos novos ou mais obscuros mesmo no contexto em questão, não especialmente ruidosos mas carregando uma particular atmosfera de doença e negrume, encarnando direcções novas (e mais interessantes?) no seguimento do que, de alguma forma, se iniciou com um Sewer Election pós-"The Killing Sessions".

Agora que a editora / espaço Utmarken encerra após 3 anos (para a despedida há um lançamento que reúne alguns dos mais activos intervenientes da Gotenburgo contemporânea do ruído) será curioso entender como irá evoluir a cena local a partir da ausência deste pólo aglutinador.

Pela Menstrual Recordings temos "SPLAT-TV", uma reedição particularmente relevante para compreender e reavaliar a cena italiana do death industrial / post mortem iniciada nos anos 90 e que se tornou vestigial depois do vazio deixado pela morte de Marco Corbelli (Atrax Morgue / Slaughter Productions)

O lançamento em questão reune os vídeos , a maioria dos quais editados originalmente em quantidades incrivelmente reduzidas, do projecto de Moreno Daldosso, Murder Corporation, provavelmente o único em Itália a conseguir perpetuar o legado sanguinário dos Mauthausen Orchestra no seu pico - entenda-se, a fase de 1982 a 1986.

Como documento histórico, e para os seguidores obsessivos da ultra-violência italiana, é incontornável. Como objecto "fílmico", tem evidentemente os seus momentos altos e baixos, a realçar pela positiva "Nacht und Nebel" e "Criminal Inside", e a apontar como algo menores, a maioria dos vídeos do final da década.
Nada de novo quanto ao imaginário e às fórmulas exploradas, como seria de esperar, mas dificilmente igualável em termos de intensidade e desconforto, mesmo que algo datado por vezes. Como bónus, mesmo para quem já pudesse ter visto alguns dos vídeos na sua versão original, temos um inédito, "Des Morts" de Mortar, um projecto paralelo, menos explosivo mas nem por isso menos visceral, e que é provavelmente a mais perfeita tradução visual do que é o post mortem industrial.

Lançado em duas versões, uma em DVD-R, e uma outra edição especial em VHS e com uma cassete áudio que contém a banda sonora completa.

A par da Corpse Without Soul, e de bandas como Horrid Cross e Divisions (que teve também recentemente editado um belíssimo documento final) , Evan Dawson edita ainda a zine Irradiated Corpse, transversal em termos de género - do black metal ao noise, percorrendo os despojos entre ambos - e de estética cuidada, na continuidade do que tem feito com as suas edições musicais. As entrevistas revelam conhecimento aprofundado das bandas sobre as quais se focam e muitas vezes apontam para reflexões pertinentes relativas às possibilidades da criação e edição subterrânea nos dias de hoje, e as críticas são especialmente interessantes, pelo seu desapego a certas fórmulas recorrentes, na escrita e na análise. É ainda um documento visual que acompanha de forma exemplar o trabalho já realizado com os artworks na editora e alguns cartazes para concertos.

A antecipar com particular expectativa o terceiro número desta publicação, assim como os primeiros lançamentos em vinil, que serão editados em parceria com a Fallow Field (editora de Jason Wood - Order of Nine Angels / Grinning Death´s Head) surgida depois da Satan´s Din, aquela que foi sem dúvida uma das melhores editoras de HNW, e que deixou um legado exemplar durante a sua curta existência.

Mais um foco de interesse no black metal contemporâneo, e mais uma vez, navegando e operando por coordenadas limítrofes.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

MÁ ONDA E SUJIDADE #4

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Reeditado durante o ano de 2009 pela Hanson Records (editora de Aaron Dilloway, ex-Wolf Eyes) o primeiro LP dos americanos The Haters é um dos albúns fundamentais na História do Noise.

Afastado de alguns tiques recentes quer de idolatria de determinados efeitos e de uma certa formatação facilitista, tanto a nível de tácticas quer de conteúdos, quer de uma necessidade de ironia, "In the Shade of Fire" é um manifesto de celebração da força e das possibilidades do ruído. Sem interferências ou obrigatoriedade de referências que o contextualizem, subsiste pela fruição pura e dura. Hedonista e niilista.

À semelhança do que faziam os The New Blockaders em Inglaterra, este disco, assim como a maioria da sua extensa discografia, aponta para a cristalização de um momento sonoro e um esforço incisivo de análise microscópica do som, circular e repetitivo enquanto escava cada vez mais fundo sem chegar a lado algum.

Textural e orgânico, primitivo e imaginativo, "In the Shade of Fire" é uma colecção de curtas faixas variadas na sua contemplação auto-destrutiva. Títulos como "Explosions 3" e "Fire 5" são algo enganadores já que não é tão fácil como se poderia pensar descortinar como algumas das faixas foram produzidas e gravadas. Todo o albúm encarna um certo deslumbramento (estávamos em 1986) mas soa particularmente refrescante e relevante numa época de alguma sobreabundância e falta de direcção do Noise mais abrasivo.

Aqui apresentado pela primeira vez na sua versão integral, com liner notes de Sam McKinley / The Rita, afinal de contas sem discos como este não existiria HNW.

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Mais uma reedição fulcral no seio do metal mais obscuro, desta vez de uma das bandas mais injustamente remetidas ao esquecimento. Tão intensos e carregados de tanto negrume como os conterrâneos Witches Hammer ou Sacrifice, os Voor editaram apenas 2 demos em cassete durante a sua curta existência. Thrash Metal canadiano, do mais vil e sujo de que há memória, e uma das bandas que, tendo lançado tão pouco material, conseguiram uma influência tão marcante nas gerações futuras, a par dos Von ou dos Necrovore só para citar alguns exemplos.

Disponível pela primeira vez em vinil numa edição com a qualidade a que a Nuclear War Now! nos tem habituado, "Evil Metal" compila ambas as demos (há ainda uma versão die-hard com outtakes dessas mesmas sessões, assim com material dos Roswell, banda pós-Voor).

Mais uma peça chave no (inevitável) esforço de arqueologia do metal na última década.

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Após mais de 3 anos de preparação é bom saber que as elevadas expectativas foram atingidas, senão mesmo superadas. As Loud As Possible é o culminar de um esforço enorme de reflexão sobre o estado actual do noise e derivados, e se o seu olhar é também arqueológico (temos um artigo extensíssimo sobre o legado de má onda e ultra-violência da Broken Flag, a comemoração dos 30 anos dos The Haters, ou da zine de culto dos anos 80 Interchange), há igualmente uma análise do que melhor que se vem fazendo recentemente, da subversão da sexualidade submissiva do power electronics de Climax Denial à documentação do fervilhante underground de Gotenburgo pela figura de Dan Johansson (Sewer Election / Attestupa / Utmarken), até uma entrevista com Carlos Giffoni acerca do festival No Fun.

Como publicação atingiu a meu ver os propósitos a que se propôs, reunindo artigos, críticas e entrevistas de grande qualidade sobre algumas das figuras e momentos mais relevantes da História do género, sem o estigma da esquisitice de uma crítica outsider que tem vindo a incluir o noise pelo exotismo ou por outras razões menos louváveis, mas que muitas vezes não possui o conhecimento nem as ferramentas para o analisar e contextualizar da forma que merece enquanto género musical tão válido como qualquer outro.

Com a distância que 30 anos de História proporcionam mas sem um discurso hermético ou da nostalgia pela nostalgia, a As Loud As Possible é um momento marcante não só do noise como do jornalismo musical.

Fundamental.

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Uma muito improvável reedição de luxo (duplo DVD carregado de extras) de "Vase de Noces" (também conhecido como "Pig Fucking Movie") pela austríaca Camera Obscura, um inenarrável filme de culto que circulava há muitos anos no circuito das bootlegs numa cópia de péssima qualidade.

Trata-se de um filme passado num contexto indeterminado de pós-grande episódio de devastação, uma história de amor em decomposição que se desenvolve em torno de um dos derradeiros tabus, o bestialismo. Último homem na terra ou descida sem rede aos recantos mais depravados da mente humana, esta experiência radical do belga Thierry Zéno, co-realizador de um dos melhores mondo de sempre, "Des Morts" (1979), é um dos clássicos absolutos do underground. Transgressivo, visceral e ainda tão desconfortável como em 1974.

Cinema de fim da linha.

sábado, 18 de setembro de 2010

MÁ ONDA E SUJIDADE #3

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Mais um documento fundamental no esforço de arqueologia do noise / industrial que a editora americana Trash Ritual tem vindo a empreender nos últimos tempos, com reedições tão importantes como os LP´s de Mauthausen Orchestra ("Vernichtung Lebenunwerten Leben" originalmente editado em cassete em 1984 e "They Never Learn" no ano seguinte) ou a reedição em CD do clássico absoluto do Harsh Noise americano "Pittsburgh, Pennsylvania" dos Macronympha.

Injustamente não tão reconhecido como alguns dos seus pares italianos, mas musicalmente tão relevante e cronologicamente tão incontornável como qualquer um desses nomes maiores, o projecto de Roberto Marinelli, Laxative Souls, é apenas precedido na história do industrial italiano pelos trabalhos de Maurizio Bianchi sob nome próprio, ou antes disso, sob a designação de Sacher-Pelz.

Reedição em duplo CD que contém as duas primeiras cassetes ("Twist and Decease" de 1982 e "Desinfektionsraum" de 1984) remasterizadas por Chris Morrison e contendo algum material extra da mesma época.

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No seguimento de uma certa tendência revivalista do death metal da transição dos anos 80 para os 90 tem-se vindo assistir a uma série de reedições, umas absolutamente vitais e algumas outras que tentam aproveitar o embalo nostálgico e criar culto onde nunca o houve. E se o primeiro país que nos ocorre quando falamos deste fenómeno recente é a Suécia, com nomes como Nihilist, Treblinka, Crematory, Dismember, Toxaemia entre muitos outros, o que facto é que bem perto na vizinha Finlândia, sensivelmente na mesma altura, havia bandas a praticar um som ainda mais decomposto e obscuro. Nomes como Demigod, Necropsy, Demilich ou Funebre carregam o legado de uma sonoridade apodrecida e arrastada, herdeira de uns Autopsy via negrume nórdico. Death Metal muito mais próximo do Doom que a grande maioria dos nomes que se viriam a tornar mais conhecidos e com os quais viríamos a associar o género.

No contexto destas reedições surge agora pela editora sueca Svart Records, a reedição da demo "Musta Seremonia" (1993) dos Rippikoulu, numa edição elegantíssima em CD e LP.

Com um som pesadíssimo, sujo e cantado em Finlandês, Doom demais para os fãs de Death e Death demais para os fãs de Doom, os Rippikoulu foram desde logo uma banda inevitavelmente condenada à obscuridade. Felizmente para todos os apreciadores de metal old school de qualidade, esta peça chave do som mais pesado da Finlândia está agora de novo disponível.

Para fãs de lodo e rituais de destruição.

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De volta a Itália para falar da Exoteric Zine de Aldo V., também da excelente editora Nil By Mouth. Esta é uma publicação fundamental para os seguidores do noise e de manifestações artísticas adjacentes. Tal como nos lançamentos da sua editora, também aqui é evidente o cuidado e a seriedade com que este se dedica aos seus esforços subterrâneos. Com o quarto número ainda disponível, com entrevistas a nomes tão importantes como Bloodyminded, The Rita, Teatro Satanico, Climax Denial ou N. , e com o quinto número para sair muito em breve, esta é mais uma revista a ter em conta, numa fase em que se tem vindo a assistir a uma proliferação de publicações de grande qualidade, como seja a Special Interests da Finlândia (a comemorar o primeiro aniversário muito em breve) ou (finalmente!) a publicação do primeiro número da As Loud As Possible, que promete vir a ser A revista de noise.

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A Cinema Sewer do canadiano Robin Bougie é uma das mais interessantes publicações físicas sobre cinema ainda em actividade. O seu autor revela ao longo dos vários números um conhecimento sobrehumano no que toca ao que de mais obscuro e javardo já foi filmado. Desde filmes pós-apocalípticos italianos a filmes de vampiros mexicanos, super heróis turcos e demónios indonésios, nunsploitation, sexploitation, nazisploitation e todos os exploitations que nem sabíamos que existiam, passando por (muito) porno, do mais doentio e bizarro que possam imaginar. Críticas a filmes, entrevistas a diversos intervenientes numa história que é inevitavelmente arredada da história do cinema, até à reprodução de flyers e posters originais, assim como um trabalho de ilustração muito característico. Um tesouro absoluto nos dias que correm.

Podem acompanhar o seu live journal aqui, actualizado regularmente com muita informação fascinante e inútil como todos nós gostamos.

Para fãs de ranço e VHS.

domingo, 6 de junho de 2010

MÁ ONDA E SUJIDADE #2

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Documento incontornável do post-mortem industrial sueco, "Master Control" dos Blood Ov Thee Christ define uma sonoridade / estética e precede o legado negro e diabólico dos inúmeros projectos que povoam ainda hoje o lado errado da Suécia. Nascido nos anos 80 pela mente torturada de Harri Honkaniemi, Blood Ov Thee Christ é, a meu ver, tão relevante como os nomes maiores dos primórdios do noise / power electronics. Apenas comparável às edições mais doentes da Broken Flag ou da Come Org. em Inglaterra ou ao legado sanguinário dos Mauthausen Orchestra em Itália.

Nunca igualado em termos de violência, a reedição em CD (disponível baratinho via Segerhuva) é um disco absolutamente fundamental para qualquer um que tenha interesse no industrial mais fodido.


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Finalmente disponível em vinil, as duas demos dos holandeses Necroschizma, obscura banda de Doom / Death da transição dos anos 80 para os 90. A anterior reedição em CD continha apenas a primeira demo "Erupted Evil" (juntamente com uma gravação ao vivo da mesma altura dessa gravação em que abriram para os Asphyx). Esta nova reedição em LP junta a essa gravação, a demo "Necrocarnation" que nunca chegou a ter edição oficial. Mais um imprescindível documento do mais obscuro metal, foi uma década fértil em boas reedições. Lançado pela Black Vomit Records da Grécia em 500 cópias.

Imaginem Hellhammer tocado por celtiberos, ou os Von a tocar doom. Caverna caverna caverna.


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"Muerte ! Death in Mexican Culture" é um livro lançado já há alguns anos pela Feral House, editora que tem desenvolvido um trabalho único, divulgando trabalhos arriscados nas áreas da música e cinema obscuros, das curiosidades contraculturais e demais bizarrices. Este livro reúne diversos ensaios que tentam contextualizar e compreender muita da obsessão mexicana pela morte, remontando aos seus rituais ancestrais e incidindo com especial profundidade sobre manifestações mais contemporâneas dessa sede de sangue, como é o caso do enorme sucesso de publicações sensacionalistas que se alimentam de toda a ruindade das ruas mexicanas, como a Alarma !

Claro que também é uma boa desculpa para ver homens de bigode farto esventrados com catanas, traficantes atirados ao rio e encontrados em estado avançado de decomposição ou meninas devoradas por cães.


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A Cinéma Abattoir é uma editora / produtora do Quebec que se tem especializado em projecções de cinema transgressivo e underground, assim como compilações que reúnem em DVD algum material de bastante difícil acesso até agora. Os três volumes até agora lançados ( "L´Érotisme", "Incarnation" e "À Rebours" ) estão organizados, embora de forma bastante livre, em torno de determinados temas. São apresentados de forma cuidada, e embora como todas as compilações tenha altos e baixos, no geral a qualidade da selecção é bastante alta.

Reunindo não só obras mais recentes de jovens realizadores, como clássicos do submundo, tem-se notado um trabalho que garante o resgate de pérolas perdidas assim como uma maior visibilidade a obras de outra forma remetidas ao circuito quase inexistente dos mais refundidos festivais de cinema do mundo. De referir com especial apreço o último volume, "À Rebours", que reúne dois filmes particularmente relevantes : "Dead Man II - Return of the Dead Man", Ian Kerkhof, 1994 (o mesmo realizador de "Beyond Ultra Violence - Uneasy Listening by Merzbow" e que aqui também colabora com a lenda do noise japonês) e "Satan Bouche Un Coin", Jean-Pierre Bouyxou, 1968 (!!)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

MÁ ONDA E SUJIDADE #1

Bastardo na sobrevalorizada cena norueguesa, ILDJARN é o extinto projecto de Vidar Vaaer, que esteve envolvido com os EMPEROR e os THOU SHALT SUFFER, mas que aqui opta por uma abordagem sem sinfonices ou floreados.

ILDJARN destila má onda em forma de black metal via punk javardo e não-produção. Precursores do estilo hipnótico e brutamontes de bandas como BONE AWL, AKITSA, SUMP, ANCESTORS, RIDE AT DAWN, HORRID CROSS, GARROTTE, GRINNING DEATH´S HEAD entre muitas outras. Comecem pela "SEVEN HARMONIES OF UNKNOWN TRUTHS" e vão escavando a partir daí por vossa conta e risco. Beware of discos ambient-xunga que também os há.

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Para quem se interessar por este tipo de sonoridades uma paragem obrigatória é o blog FUNERAL STENCH.

* Não liguem aos nazis falhados / corpse paintados, há aí muita coisa boa para ouvir.


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Principal dinamizador do underground dinamarquês, a editora POSH ISOLATION agrega muitos dos projectos que abundam em mais um esgoto nórdico. Assim como na Finlândia com editoras como a FREAK ANIMAL ou especialmente a FILTH & VIOLENCE , ou a SEGERHUVA e STYGGELSE na vizinha Suécia, a POSH ISOLATION aponta quase exclusivamente para lançamentos caseiros. A editora é co-gerida por três membros de meritórios projectos dentro do noise / drone / power electronics, como LIMEPIT, SARAH´S CHARITY ou ASHLEY´S CHOKE

Mais que nos exemplos sueco e finlandês, esta editora não se restringe em termos de géneros (ou micro géneros) e tanto temos lançamentos de noise e afins (a maioria) como também há black metal fodido (GARROTTE, LUCIATION) e punk podre e depravado à BRAINBOMBS (SEXDROME). Sempre com uma identidade consistente e que passa por uma maneira muito interessante de desfazer e refazer coisas à moda antiga, que se espelha na selecção das bandas e numa estética que embora inegavelmente inspirada na KLAXON RECORDS ou na HOSPITAL PRODUCTIONS é bastante identificável.

Um bom ponto de partida será talvez a caixa de 4 cassetes, "ANYTHING´S BETTER" que é muito provavelmente o melhor documento disponível do pequeno mas fervilhante de criatividade underground dinamarquês.


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Pequeno zine muito na linha da PURE de Peter Sotos (ex-WHITEHOUSE) e que prolonga o seu legado de tabacada e parafilias várias. Cada número reúne alguns contos doentes, notícias e bizarrias fotocopiadas de publicações duvidosas, tudo numa estética muito 80´s power electronics como se quer.

Editado via COPROLALIAC PRESS que entre outras coisas editou zines dedicados a técnicas de tortura medieval e GG Allin, embora a FORCIBLE seja a mais relevante e a única das suas edições ainda disponível.

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"LEPTIRICA", Djordje Kadijevic, 1973

Psicadelismo rural e lendas ancestrais dos balcãs num filme de vampiros da Sérvia dos anos 70. Interessante revisitação de uma figura muitas vezes explorada, mas nunca desta forma. Acho que se arranja mais ou menos facilmente, mas sem legendas. Podem ver um excerto aqui : youtube.com/watch?v=Ym8wM2sUaVg&NR=1


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Livro da excelente série PERSISTENCE OF VISION da CREATION BOOKS que publicou já volumes dedicados a cineastas tão relevantes como Alejandro Jodorowsky, Kenneth Anger e Russ Meyer entre outros. Este THE ART OF DESTRUCTION é dedicado aos filmes em super 8 das mais escabrosas performances do insano grupo de Viena na passagem dos anos 60 para os 70. Não sendo perfeito nem definitivo, é ainda assim provavelmente o estudo mais exaustivo no que toca a tão específico tema até à data :

Para quem não sabe do que estou a falar: ubu.com/film/vienna_actionists.html