quinta-feira, 20 de junho de 2019

El Cuidado de los Pájaros



Marcado está para 20 deste mês o lançamento de The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros de Francisco Sousa Lobo pela Reservoir Books (chancela da Penguin/ Random House espanhola), em castelhano: El Cuidado de los Pájaros.

Que guay!

ccc@crack.2019


Rui Moura and Gonçalo Duarte are there to represent us!

quarta-feira, 19 de junho de 2019

MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU



RUBI é uma colecção nova da Chili Com Carne dedicada a romances gráficos à escala global. Mas sobretudo será uma selecção criteriosa de Romances Gráficos, para contrabalançar a literatura "light" que tem inundado o mercado português nos últimos quatro anos. Depois de Sírio eis

Música para Antropomorfos
de 
e


Romance gráfico e música Noise Rock nascido numa origem comum mas que se afastam cada um num trajecto paralelo. Nem o livro de Zimbres (S. Paulo, 1960) é uma adaptação das músicas de Mechanics (Goiânia, 1994) nem a música é uma banda sonora da banda desenhada.


A improvável gênese do artefacto musical/ visual que você tem em mãos é esta: uma banda de rock suja e malvada de garotos goianos (capitaneada por um fã ardoroso de Jack Kirby) criou a fagulha sonora, primitiva e ominosa para que Zimbres, o mais cortês dos quadrinistas experimentais, criasse seu grande épico. É um pequeno milagre das circunstâncias e uma grande história de origem, e quanto mais você pensa a respeito, mais faz sentido: quem possivelmente inventaria um treco desses? 

Essas pequenas instâncias de reconhecimento se repetem no decorrer das cerca de 200 páginas de leitura. Por trás de sua fachada desconjuntada, de capítulos desenhados em estilos drasticamente flutuantes, MPA tem uma narrativa sólida, com direito inclusive a toda aquela lenga-lenga de introdução, complicação e desenlace.  É como um recontar cubista e ultracondensado da história do Ocidente, com pitadas de profecia bíblica, mitologia grega e farsa borgiana. 
- Diego Gerlach 

(...) originalmente publicada em 2006 por iniciativa do grupo de rock Mechanics, comandado por Márcio Jr. A primeira edição, esgotada há muito tempo, se tornou um raro objecto de desejo dos fãs de Zimbres (...) Todos ouviram falar sobre o livro, mas poucos conseguiram um exemplar. No mundo desenvolvido por Zimbres/ Mechanics, conheceremos SP (San Paolo) e SF (San Francesco): duas cidades-robôts ou fortalezas andantes. Eles evoluem em meio a pântanos, florestas, desertos e campos povoados por jacarés musculosos, vacas amáveis e cães sem cabeça. Outras histórias paralelas se desenrolam dentro e fora das fortalezas: complôs políticos, editoras dirigidas por vacas tirânicas e fantasmas dominadores usando pessoas como títeres. Com seu traço que traz um profundo conhecimento das artes gráficas e narrativas visuais, Zimbres constrói um universo rico, complexo e coerente, aliando os quadrinhos underground à experimentação dos graffitis e artes-plásticas. Mergulhar no mundo de SP e SF é uma experiência única, onírica e caótica, regida pelos desenhos de Zimbres e pela música de Mechanics.
- Zarabatana Books




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Música para Antropomorfos foi originalmente publicado no Brasil, pela Monstro Discos em 2006, sendo reeditada recentemente na Colômbia e no Brasil (pela Zarabatana). Editado por Joana Pires e Marcos Farrajota e publicada pela Associação Chili Com Carne. Foram impressos 1000 exemplares deste livro, dos quais 300 exemplares oferecem o CD Music for Antropomorphics (em parceria com editora punk Zerowork Records) se for adquirido directamente à Chili Com Carne.

Alguns exemplares com CD já  devem estar no Porto - Black Mamba, Matéria Prima, Mundo Fantasma - e Lisboa: Livraria da Fac. de Arquitectura de Lisboa, Tigre de Papel, Linha de Sombra, Tasca Mastai, Kingpin Books, Megastore by Largo, XYZ e BdMania.

Procurem estes elementos:


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Fabio Zimbres, ou FZ, nasceu em 1960, em São Paulo, e vive em Porto Alegre. Estudou arquitectura e se formou em artes, é designer gráfico, organiza exposições, pinta, faz histórias em quadrinhos e ilustrações.

Fez parte da equipe fundadora da revista Animal que editou até seu final, em 1991.

Em Portugal só se encontram pedacinhos do seu trabalho, nos fanzines A Mosca (1997) e Mesinha de Cabeceira - Seitan Seitan Scum (2010), com uma BD escrita por Marte (do Loverboy) -  e no catálogo Divide et Impera (Montesinos; 2009).








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FEEEEEEEEEEEEEEEEEDBACK

Uma referência na BD do Brasil
Paulo Monteiro / Festival de BD de Beja
...
Fábio Zimbres: Um "animal" inconformista
Rui Cartaxo in Splaft!
...
Sendo já considerado dois dos mais importantes acontecimentos do ano (...) a criteriosa edição, por Farrajota e Joana Pires, do livro / zeitgeist sonoro (...) e a exposição de Zimbres no XV Festival Internacional de BD de Beja
André Azevedo in Splaft!
...

terça-feira, 18 de junho de 2019

Orientais fofinhos?


Atenção, aviso à leitura deste "post"! Estamos num nível alto de "fofura"! Aliás, isto já é META-fofura! Os trabalhos da chinesa Nhozigra tem aparecido em Portugal através dos esforços de Ema Gaspar, primeiro importando (aló aló serviços de alfandega!) zines dela para feiras de edição independente e depois elaborando aquela que foi até agora a exposição de ilustração mais importante do ano - Sunshowers (Ler Devagar, Lisboa; Jan'19).

Foi na última Feira Morta (última? a final?) que adquiri algumas publicações totalmente loucas pelos materiais diferentes dos de cá (Europa), pela cores, pelo trabalho manual, zeus, sei lá, pela "cuteness" Pop estranha. Desculpem só agora divulgar aqui o trabalho da autora mas entretanto, como sabem, quase deixei de escrever neste blogue, passando os escritos pró jornal A Batalha. Convenhamos, isto é demasiado "cute" para se escrever num jornal de revolucionários de barba rija - de macho ou de trans em processo, tanto faz.

A dúvida fica sempre, isto é bizarro porque vem do outro lado do planeta (sim, enquanto dormimos, bilhões de chineses estão acordados!) ou porque a artista é mesmo fórex? Logo a matar, nem sei intitular os zines dela, estão em chinês (que chinês?). Um deles (imagem de cima) tem um formato de uma lagarta (fofinha, claro) e alberga três mini-BDs sobre coisas simples da vida, como comer "noodles", as vinhetas/ BDs são rodeadas por cores estrambólicas, qual bandeira Pace from Hell. Porquê? Porque não?

Outro objecto é em formato de borboleta ou será uma vagina em RGB? Outro é tipo "pop-up" e com uma BD tão tótó que não me atrevo a descrever para não passar um momento ridículo. Seja como for, tudo isto é irresistível! Pega-se num destes objectos com um sorriso na cara e um coração a bombar pelo inesperado. Como é que isto é possível!? Um chamamento antigo da infância feliz? O açúcar cheios de E's tornam-nos idiotas? Não sei, não deixo de pensar em paralelos como os trabalhos da Jucifer ou Mariana Pita, duas autoras que por detrás de uma certa inocência gráfica e produção de objectos além de BDs e zines (vejam as bonecadas e objectos de Nhozigra, sff) escondem esgares bem maduros, malandros e perversos. Na China será diferente?

ПИКАЧОК: Истории из жизни. Козырь



Soon!

Published by Comfed





segunda-feira, 17 de junho de 2019

Como ser sócio da Associação Chili Com Carne?

O regime de sócios da Associação Chili Com Carne passa pelo pagamento de uma jóia no valor de 30€ (15€ para menores de 30 anos) e o envio dos seguintes dados para o nosso e-mail: ccc@chilicomcarne.com

_nome
_data de nascimento
_morada
_tlm
_e-mail
_www
_fotografia (um jpg qualquer para fazer o cartão de sócio)

O valor da quota deve ser depositado na conta do seguinte EBAN: PT50003502160005361343153 (swift / bic: CGDIPTPL); ou através de paypal.

Quais as regalias de ser sócio da CCC?
_Oferta do livro O Subtraído à Vista, um livro de Filipe Felizardo;
_30% de desconto sobre as edições da CCC;
_30% de desconto sobre as edições da MMMNNNRRRG;
_Desconto sobre outras edições presentes no catálogo online da CCC;
_informação em primeira mão de projectos da CCC;
_apoio a projectos editoriais*.
_descontos no uso do projector de vídeo.


E depois disto?
Passado um ano há um quota a pagar de 10€ e ainda recebe um exemplar de outro livro a escolher pela Associação.



* Apoio a projectos editoriais Ao longo do tempo a CCC tem vindo a definir de forma mais precisa qual a vertente de actividades para a qual está mais vocacionada, sendo que a edição em suporte de papel tem sido aquela que a CCC melhor tem sabido gerir. Os sócios da CCC com projectos editoriais poderão solicitar o apoio no campo da produção, distribuição e promoção. A selecção de projectos será discutida consoante cada caso. Sendo que seja imperativo ler este MANUAL!

graphzine PUNK COMIX cd / últimas 50 cópias!!!!

Quem adivinhou que este desenho era da "desaparecida" Júcifer?

Se a Música sempre foi registrada em objectos circulares, das primeiras máquinas mecânicas às rodas das k7s. A Reciclagem artística e a ecológica seguem o mesmo princípio geométrico.

300 rodelas áudio, 13 artistas gráficos, impressão luxuosa risográfica

Esta edição é no fim de contas um CD que acompanhou um lote de exemplares do livro-duplo Corta-E-Cola / Punk Comix (Chili Com Carne + Thisco; 2017) de Afonso Cortez e MarcosFarrajota, sobre a história do Punk em Portugal.

Foram tirados 1000 exemplares do livro e 1000 cópias do disco, no entanto só 700 dos CDs é que entraram nos livros. Cerca de 300 exemplares do livro foram para as grandes cadeias livreiras… recusando trabalho de escravo para esses monstros ou satisfazermos consumidores preguiçosos, não foram enfiados discos nesses exemplares.

Esta sobra de discos inspirou-nos a criar um graphzine com 13 desenhadores a ilustrarem as músicas que por sua vez foram baseadas na BD da forma mais abrangente possível: sobre autores (Vilhena, Johnny Ryan), personagens (Mandrake, Corto Maltese), séries (O Filme da Minha Vida) ou livros (V de Vingança, Caminhando Com Samuel). Alguns temas são mais óbvios que outros mas o resultado é uma rica mistura de sons que vão desde o recital musicado ao Crust mais barulhento.

Impresso a duas cores em Risografia - via Mundo Fantasma - participam neste graphzine com BDs, desenhos e ilustrações vários autores "punkis" assim assim, que já foram ou ainda serão ou nem por isso Mauro Coelho, Ana Louro, Neno Costa, Ana CaspãoNunskyRui MouraJosé Smith VargasXavier AlmeidaMarcos FarrajotaRudolfoVicente Nunes e André Coelho. E Jucifer na capa.

Edição Chili Com Carne + Zerowork Records
Agradecimentos a José Feitor e Thisco.





Lançado no Festival de BD de Angoulême 2019. Sítios onde para adquirir esta raridade: loja em linha da Chili Com CarneMundo Fantasma, Glam-O-Rama, RastilhoMegastore by Largo e Black Mamba.


FEEDBACK 

 Cada música tem direito a uma ilustração ou banda desenhada, sendo as dedicadas à BD aquelas que constituem a maioria das páginas da obra (...) que evocam autores, personagens, séries e livros de banda desenhada, dos menos aos mais mainstream. Este pot-pourri gráfico tem uma existência passível de apreciação para além da mera bula que acompanha o disco compacto, desde o piscar de olho ao Popeye fálico e ao vampiresco Batman até ao Homem-Aranha punk (quiça retirado do aranhaverso) e às diferentes fases do acto sexual (não necessariamente cinemática).
Je l’offrirai à ma maman (je ne connais pas d’autre vieille dame).

domingo, 16 de junho de 2019

Pornografia para intelectuais / LIVRO DO DIA NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA



Uma antologia sob a curadoria de microworkers

 HARVESTED de Ilan Manouach é baseado em conteúdos encontrados, uma selecção arbitrária de filmes adultos. Foi inteiramente criado por um conjunto orquestrado e bem afinado de rotinas planeadas, scripts da web e tarefas baseadas na inteligência de enxame. O material deste livro foi reunido por um grupo descentralizado de parceiros e foi filtrado por uma população anónima de “microworkers”.

O livro naturalmente tornou-se numa co-produção com vários editores, a saber: MMMNNNRRRG (Portugal), Forlaens (Dinamarca), Hálice Hálas (Suiça), La Cinquième Couche (Bélgica), Topovoros (Grécia), Fortepressa (Itália), Ediciones Valientes (Espanha), Pachiclon (México) e Bitterkomix (África do Sul).

Mais de dois mil filmes adultos foram colhidos em grandes quantidades de sítios em linha p2p directamente para um servidor. Seguindo dois scripts diferentes, os primeiros 10 minutos dos vídeos foram despedaçados em milhares de imagens de baixa resolução no formato JPG à espera de serem filtradas. Este lote de imagens foi submetido a serviços de crowdsourcing que permitem coordenar inteligência humana aplicada a tarefas que os computadores ainda não conseguem fazer. Um grupo seleccionado de “microworkers” foram recrutados para filtrarem estas milhares de imagens de acordo com uma instrução conscientemente vaga: se nelas apresentavam ou não arte contemporânea.

Esta “Colheita” mostra-nos à superfície quinhentas obras de arte encontradas em casas, estúdios, cenários de filme e outras heterotopias da indústria de filmes adultos. Se esta antologia dá importância a um contexto de história da arte de uma indústria específica, ela também se posiciona simbolicamente na necessidade em activar uma visão periférica no que toca às práticas escopofílicas.

Se as pinturas do IKEA são penetrantemente dominantes, podem-se encontrar trabalhos de mestres modernos como um rapinanço de Fernand Leger, um desconhecido Joan Miró, Castelo e Sol de Paul Klee mas também obras contemporâneas como Quote, 1964, uma impressão de Robert Rauschenberg, uma série de pinturas de Mark Rothko, School of Fontainebleau de Cy Twombly e até algumas réplicas de Frank Stella e Lucio Fontana.







à venda na "shop" da Chili Com Carne e nas lojas ZDB, Linha de Sombra (Cinemateca), XYZ Books, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), Nova Livraria Francesa, Tigre de PapelUtopiaStet, Tasca Mastai, LAR / LAC (Lagos) e FNAC.


Feedback: 

A pornografia normalmente é uma coisa aborrecida e repetitiva - apoiada pelo Vaticano. Neste caso ao procurar a "arte contemporânea" nas fotografias tudo se transforma, cada fotografia acaba por se transformar em arte, que belas composições com mamas e pilas, mas onde as mamas e as pilas não são mais do que um dos elementos destas belas composições! 
Goran Titol (via e-mail) 
... 
um interessante livro, cínico q/b no seu ponto de partida. Espero que esgote para continuares a encheres as nossas prateleiras de livros. 
Paulo Mendes (via e-mail)
... 
Altamente! 
Benjamin Brejon dos Mécanosphère (via e-mail)
...
Livre tout d’arrière-plan, livre d’art dissimulé dans un livre de cul. La fameuse idée qui devient livre. Pour la faire exister. Et une fois chose faite, du livre, que vit-on? toujours la même perplexité. Ni vraiment bon ni vraiment nul, une expérience éditoriale de plus pour Ilan dont je me prends quand même à rêver qu’il revienne à la bande dessinée, discipline dans laquelle il est infiniment plus singulier que dans celui dit de l’art contemporain (typologies évidemment purement sociales : la bande dessinée EST un art contemporain). En gros: je suis perplexe.
DU9


Acabei há poucos dias de ver o Harvested - é muito fixe, acho que peca apenas por algumas (muitas talvez) páginas não terem "arte contemporânea" mas antes porcarias emolduradas tipo Ikea. Mas talvez fosse mesmo essa a ideia do autor - pôr tudo no mesmo saco. De qualquer forma é muito fixe, porque é um passatempo andar em cada página à procura da "arte" ao mesmo tempo que levas com tudo o resto que é bastante diversificado e por isso bastante rico também.
Sara e André (Claim to fame)


Sobre o autor:


Artista complexo e activista underground, o grego Ilan Manouach (1980) licenciou-se em Bruxelas em Belas Artes tendo feito até hoje uma carreira diversificada em conteúdos e conceitos, a começar pela sua extensa bibliografia e discografia - para além disso é músico caso a imagem ainda deixe dúvidas...

É o autor responsável pelo livro Harvested, editado em Portugal pela MMMNNNRRRG, que lançou para o mundo o conceito de "pornografia para intelectuais". A maioria dos livros tem sido publicados pela editora belga 5e Couche, desde 2003 com Les lieux et les choses qui entouraient les gens désormais que não passou despercebido logo pela crítica. A lógica dos seus livros é uma simbiose entre a BD e a Arte Contemporânea, não faltando le scandale e as polémicas sendo que a mais conhecida será a impressão "pirata" de Katz - livro que substitui as cabeças de todas as personagens de Maus de Art Spiegelman por gatos, tendo como desenlace a destruição física do livro por ordem judicial.

No último Festival de BD de Angoulême apresentou o Shapereader, uma BD baseada em impressão tridimensional para leitores cegos.

Participou em exposições colectivas na Bedeteca de Lisboa e no Festival de BD da Amadora, para além de ter sido publicado os livros A vara do açucar da meia noite e nos bordos dos peixes (Opuntia books; 2008) e Variações sobre o anjo da história : ensaio de Walter Benjamin inspirado por Angelus Novus (um desenho de Paul Klee) (Montesinos; 2012), este último com texto de Pedro Moura. Também participou na antologia de desenho MASSIVE (Chili Com Carne; 2010).

Em Portugal Manouach já nos visitou várias vezes como músico e artista - da última vez no Festival de BD de Beja mas em Maio de 2016 veio como músico para concertos em parceria com Jonas Kocher, com o projecto Exhaustion, desenvolvido com o objectivo de explorar as possibilidades de permutações seguindo a estratégia da exaustão como necessidade de validação. O seu jogo instrumental é construído numa arquitectura mental onde são exploradas as relações horizontais / verticais, densidades / drones, tensão / aborrecimento, numa relação bi-polar elástica que expande a linguagem da livre improvisação até ao limite.

clica para ficar maior e perceberes onde vale a pena ir este ano à Babilónia do Livro


B41, repitam: B41

de 29 de Maio a 16 de Junho, estamos por lá, a dividir stand com o Pierre von Kleist e o Serrote.

As nossas actividades por esses dias de calor e livros:

7 Junho: conferência "LGBTI+ comix" por Marcos Farrajota @ stand BLX
8 Junho: autógrafos Rafael Dionísio @ stand B41
15 Junho: autógrafos Tiago da Bernarda @ stand B41

SEMPRE ÀS 18H

sábado, 15 de junho de 2019

Amigo, adivinha o que anda por aí nas boas livrarias e discotecas?


O Gato Mariano : Críticas Felinas (2014-2018) 
 de 





 A música portuguesa sob o escárnio de um gato desbocado.

Peludo, porte médio, língua afiada. É assim que Tiago da Bernarda descreve o seu alter-ego, mais conhecido como Gato Mariano, o crítico felino que vagueia os confins da Internet. É nesse lugar amorfo e amoral que, desde 2014, tem vindo a discutir sobre os mais recentes projectos da música alternativa portuguesa.

 O que começou como webcomic vira agora uma antologia que reúne as melhores tiras dos últimos quatro anos, num intenso volume de  144 páginas, muitas delas a cores (18x25cm) e uma super-capa com cortante de gato assanhado!

 O Gato Mariano é uma das grandes criações da década (estimativa conservadora) em Portugal. Possivelmente nunca lhe será feita devida justiça, até porque um dos encantos que tem é a "subterraneidade", o traço e as reflexões como nos grandes mestres de apelo clandestino na BD do final do século passado. Não é um Kochalka português, nem um Tony Millionaire português, nem um Mike Diana português; é um Tiago da Bernarda português. 
Samuel Úria

...

Volume 13 da Colecção Mercantologia, dedicada à recuperação de material perdido no mundo dos fanzines e afins. Editado por Marcos Farrajota, design de Joana Pires e publicado pela Associação Chili Com Carne, o presente volume apresenta uma selecção de várias BDs da série O Gato Mariano publicado originalmente em várias plataformas em linha, desde 2014, com o nome Críticas Felinas (actualmente em instagram.com/ogatomariano_), no sítio Rimas e Batidas, nos zines O Gato Mariano Não Fez Listas em 2015O Gato Mariano não fez listas e confrontou um fã que disse não perceber as suas reviews em 2016 e O Gato Mariano não fez listas em 2017 e nos dois números do fanzine Mariano (2016-17).

Esta edição teve o apoio do IPDJ, Lovers & Lollypops e Thisco.


pode ser adquirido na loja em linha da Chili Com Carne, Flur, BdMania, Tigre de Papel, Tasca Mastai, Linha de Sombra, Sirigaita, Kingpin, Poetria, Mundo Fantasma, Archibooks (Fac. de Arquitectura de Lx), Black Mamba, Megastore by Largo, Glam-O-Rama, RastilhoMatéria Prima, FNAC, Leituria, Bertrand, LACUtopia e Universal Tongue.


FEEDBACK

Num livro cheio de Críticas Felinas, o Gato Mariano arranha, mas faz rir
P3

"O Gato Mariano", o felino que arranha a música nacional
Sapo 24

O Tiago da Bernarda rapidamente se desencantou com a crítica em geral e a musical em particular. Criou uma linguagem e um espaço próprios para fazer e simultaneamente não fazer nem crítica de música nem tiras cómicas. (...) Não faz listas, não faz críticas, não faz tiras… E produz tanto? Aqui há gato!
Bandas Desenhadas

Este gato arranha bem (e a crítica musical já não é o que era)
Ípsilon / Público



HISTORIAL:  Lançado no dia 19 de Janeiro de 2019 na Casa Independente com Hip Hop nulo ...





Tiago da Bernarda [n. 1990] Ilustrador freelancer, autor da webcomic “O Gato Mariano”. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e, posteriormente, tirou o curso de Ilustração para Novos Media na ETIC. Colaborou com festivais como Milhões de Festa, Zigurfest ou Black Bass – Évora Fest. Ocasionalmente com o site Rimas e Batidas.

Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus : micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary @ Zweikommasieben

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1818: first edition of Mary Shelley's Frankenstein


2018: many horrific applications of technology (social network for example with their push to have people volunteering their time and creativity for their IT business purpose, they are represented in the book by @maryshelley.fr, not to mention the applications of technology like breakcore and the other musical sub-style, or the society of spectacle created monster Bally Corgan).





Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus
micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary 
by 
Riccardo Balli


Volume +06 of THISCOvery CCChannel collection published by Chili Com Carne and Thisco140p. b/w with illustrations and photographs. Full color cover. IN ENGLISH. Cover art, illustrations & design by RudolfoSupported of IPDJOh Cristo webradioRokko's AdventureTasca Mastai and  Distroed

buy @ Chili Com Carne online storeGalleria Più (Bologna), Tasca Mastai (Lisboa), Linha de Sombra (Lisboa), Tigre de Papel (Lisboa), Praxis (Berlin), Megastore by Largo (Lisboa), Artes & Letras (Lisboa), Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão, Lisboa), MOB (Lisboa), Glam-O-Rama (Lisboa), Black Mamba (Porto), Le Bal des Ardents (Lyon), Matéria Prima (Porto), Bertrand (Portugal), Bivar (Lisboa), 4 / Quarti (Bologna), Utopia (Porto), Senhora Presidenta (Porto), LAC (Lagos), FNAC (Portugal), Radical Bookstore (Vienna), Anarchistische Buchhandlung (Vienna), Chick Lit (Vienna), Stuwerbuch (Vienna), Housman (London), Toolbox (Paris), Freedom Press (London), Soziealistischer Plattenbau (Hamburg), Quimby's (Chicago), XYZ (Lisboa) and Tortuga / Disgraça (Lisbon).

Released on 6th April 2018 @ Rauchhaus, Berlin ... mention at Bandcamp article about Extratone genre ... Portuguese release @ Tasca Mastai, Lisbon 12th July, 20h; and DJ set party @ Lounge, 23h ...  Low-resolution séance @ Galeria Municipal do Porto, 13th July under the influence of the exhibition O Ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã ... presentations @ Lauter Lärm (Wien) om 2sd August & Echo Buecher (Berlin) on 26th September 2018 ... registered in Neural magazine archive (wow!) ... presentation @ Buchandhung Stuwerviertel (Vienna), 18th January 2019 ... presentation @ Rosa Parks (Chiuppano), 6th April 2019 ... article at Zweikommasieben
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After having whistled quite a number of 8-bit versions of famous pop songs, and delighted his ears with chip-tune covers of black metal and classical music, Riccardo Balli thought it was about time to extend micro-music aesthetics to literature, and remix Mary Shelley's classic accordingly. 


Through some sort of low-resolution séance, the author evoked the spirit of corpse reviver Giovanni Aldini (1762-1834), credited for having inspired The Modern Prometheus. Aldini tells a compressed version of the original Frankenstein, exposing its language to retro-gaming jargon and simplifying the plot as if it were an arcade game.


The aforementioned 18th-century electrifier was the nephew of eminent Bolognese scientist Luigi Galvani. Also from MIDIevil Bologna is DJ Balli's electronic music label Sonic Belligeranza, whose 17 years of existence (2000-2017) this volume celebrates with 17 texts that explore the multitude of contradictory sounds constituting the corpse of this Sonic Frankenstein.


Send him an impulse from your Game-Boy! BLEEEEEEEEEEEP! 



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ATTENTION The file "A forward to further experiments from MIDIevil Bologna" is corrupted. Remember to read page 16 between 20 and 21 to recover the original text meaning
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DJ Balli (1972) is a DJ/ producer, and founder of the label Sonic BelligeranzaA true fundamentalist of Breakcore since year zero of this non-genre of music, as the style was getting more and more codified, he progressively tried to personify its attitude and even bring it outside of audio realms. Hence following the motto of M(C)ary Shell8Bit "Every cacophony is possible, infect the Underground!", the creation in his lab a la Bolognese of Sound Monsters such as skateboard-noise, gangsta-opera and his infamous poetry readings pretending to be Billy Corgan from The Smashing Pumpkins. Riccardo Balli is also active as a writer: Anche Tu Astronauta (1998), Apocalypso Disco (2013), Frankenstein Goes to Holocaust (2016), all in Italian, this is his first full-length book in English.

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FEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEDBACK 

Introduzido por um ressuscitado Giovanni Aldini - através da galvinização provocada pela corrente eléctrica de nove cartuchos de Game Boy dispostos em hexagrama -, este «remix literário de baixa qualidade» é mais uma alquimia de Ricardo Balli (...) Este livro é uma bizarra justaposição do Frankenstein de Mary Shelley com a cultura gamer (as planícies geladas do Pólo Norte são substituídas pelas da Cool, Cool Mountain do Super Mario 64, homens são bots, amigos e irmãos passam a Game Boys) e outros elementos da cultura pop (...) Aqui, o monstro de Frankenstein é uma incompleta remistura musical, que jura vingança contra o criador, toda a humanidade e as convenções musicais repressivas e autocráticas que desprezam o seu chiar emancipado e rejeitam a criação de um remix tão grotesco quanto ele. 
Além deste excêntrico exercício, Balli escreve sobre subculturas e subgéneros musicais que surgiram no final do século passado: revisitando a conotação neo-nazi do gabber e purificando-o da apatia do 4/4, atira-se às possibilidades revolucionárias do breakcore e do hiper-mashup dentro da alienação tardo-capitalista; procede à mistura definitiva entre skaters, situacionistas e accionistas vienenses; sugere que o horizonte tecnológico é a reunião do humano com o resto da fauna, numa simbiose sónica já tentada por Caninus ou Run the Jewels; revela que o grande cisma deste nosso confuso tempo é a violenta divisão entre aqueles que consideram ou negam que o splittercore é um subgénero autónomo do speedcore.
Balli é (...) o derradeiro farsante durante a speedrun final, o Grande Apropriador, um artesão do ofício profano do colagismo, que troça da autenticidade do autor, rouba-lhe a voz e utiliza-a para proveito de todos. Apresenta-nos à nova arte do social: aquela que liberta um Prometeu ultra-moderno, alimentado por um discurso aparentemente demente, mas que, no fim de contas, apenas apresenta a obsolescência da sisudez à colectividade, ao mesmo tempo que cose a manta de retalhos de uma modernidade esgotada. 
Russo in A Batalha

The relevance of this book is not just the content, but also the way it is reflexively reworked with a plagiarist and demystifying attitude. (...) A second layer in the book’s composition is the core literary metaphor that supports the patchwork put together by the author (i.e. the creative elaboration of the novel Frankenstein) (...), the idea of a new living entity made up by parts coming from other dead bodies is a perfect metaphor to give expression to the culture of plagiarism and plunderphonics. To do this, Balli’s writing exercise consists of re-writing Shelley’s original text infusing in it musical references coming from those same music electronic genres performed by Balli as a musician (including styles like 8-bit music, gabber and grindcore), with the further addition of other interventions. In these excerpts we read about Mary Shelley (called Squirting Mary) and Lord Byron(anism) engaged in an MCing contest where all participants “should attempt to create the most horrific sonic monster of music history” (...) After much effort, the monster finally comes to life in the shape of a mash-up generated in Shelley’s “bedroom studio” with a Gameboy, where the modified machine starts producing “most scary sounds: remixes of neo-melodic Neapolitan singers in a porno-grindcore style!” (...). As the readers can tell from these examples, demystification is a relevant ingredient of the book, as the author does not attempt to sacralise the art of plagiarism, instead insisting on a relentless endeavour to reframe plagiarism in a sarcastic way, explicitly linked with the situationist tradition. This demystification is particularly evident in the third type of content in the book, represented by a set of Dadaist passages where, for example, famous bands’ names are distorted in irreverent ways with mash-up techniques; some also accompanied by humorous visuals, including a photo of (...) "Lionel Nietzsche’s” album “Is it Truth you are looking for?”. Probably the most situationist section of the book is where the author recalls the history of his alter ego, Bally Corgan—inspired by Billy Corgan from the Smashing Pumpkins (who the author physically resembles)—an alter ego actually used by DJ Balli along the years in both his recordings and live acts. Above all, this last example helps to understand the actual continuity between the situationist spirit of the book and Balli’s whole artistic career. 
 Unfortunately available to an Italian-speaking readership only, the book succeeds in offering an original, meta-discursive and demystifying contribution on plunderphonic culture, not just for the content it offers, but also for its ability to intertwine multiple discursive layers, producing an experiment that is finally able—like Frankenstein’s efforts—to give birth to a weird and bizarre textual monster.
Dance Cult about the Italian (and different) version of this book - academics are always late...

I've enjoyed Balli's Frankenstein book so far - that guy is a total lunatic, which I appreciate.
Heikki Rönkkö (by email)

The 'Frankenstein' book was an incredibly detailed work, well researched and written - the only negative for me was that I didn't know enough about a lot of the subject matter to be able to fully immerse myself in it. I appreciated it hugely, however, because of the obvious enthusiasm with which it was written and the in-depth knowledge of the writer about his subject, his passion. In one sense it was like reading a fanzine of old, with personal writings, reviews, interviews etc. - as a fanzine writer myself it certainly struck a chord with me.
pStan (Pumf) by email

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Nódoa Negra na Ugra Press (Brasil)


Projecto vencedor da edição deste ano do concurso interno, Toma lá 500 paus e faz uma BD, a antologia Nódoa Negra reúne as participações de doze autoras: Bárbara Lopes, Cecília SilveiraDileydi FlorezHetamoé, Inês Caria, Inês Cóias, Marta Monteiro, Mosi, Patrícia Guimarães, Sara Figueiredo Costa, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro.

No nosso imaginário a Dor pertence ao campo físico, neste pensamento associamos sempre o nosso corpo a um estado de dor físico e facilmente nós esquecemos que existem vários níveis de dor, entre eles, a dor emocional/ psicológica, que por sua vez, ocupa o mesmo peso que a dor sentida fisicamente. Assim, partindo da vontade de trabalhar a plasticidade da temática da dor e de querer perceber os vários entendimentos ao seu respeito, foram convidadas onze artistas e uma escritora, que partilham a paixão pelo desenho, a banda desenhada e a ilustração, para que através do seu olhar e desenho/ escrita, reflectissem sobre a dor. Ao longo da antologia, será perceptível que cada artista tento tido como ponto de partida a temática geral da dor, escolheu desenvolver graficamente uma dor específica: do parto, do confronto com o outro, dor menstrual, de amar, da solidão, de esconder a dor, da ausência, do luto, do crescimento, de alma...

NN

Curiosamente e historicamente esta poderá ser a primeira antologia de autoras coordenado exclusivamente por autoras. Isto é, apesar de alguns números especiais de revistas, fanzines ou livros de "BDs no feminino" que apareceram nos anos 90 (G.A.S.P. ou Azul BD3) e no novo milénio (Quadrado #3 / 3ª série, Allgirl'zine e QCDA #2000) estas publicações não foram organizadas pelas próprias autoras como acontece no presente projecto vencedor.

NN

19º volume da Colecção CCC. 138p. p/b, 16x23cm, capa a cores, edição brochada. Coordenação, design e capa por Dileydi Florez. Contra-capa: Marta Monteiro. Projecto apoiado pelo IPDJ
In Portuguese with English translation. 

NN

Historial: 
lançamento no dia 18 de Outubro 2018 na ZDB com exposição de originais e apresentação por Catarina Cardoso (Portuguese Small Press Yearbook) ... Apresentação na BD Amadora 2018 dia 10 de Novembro, com presença de algumas das autoras seguido de sessão de autógrafos... nomeado para Prémio de BD Alternativa no Festival de BD de Angoulême 2019 ... artigo de Pedro Moura na Mundo Crítico com BD sobre o livro por Dileydi Florez ... exposição no Festival de BD de Beja de 29 Maio a 16 Junho 2019 ...

O livro está disponível na loja em linha da Chili Com Carne e na Tigre de Papel, Linha de Sombra, Sirigaita, BdMania, Tasca Mastai, Matéria Prima, Utopia, Black Mamba, ZDB, Cotovia, Mundo Fantasma, Kingpin BooksLAC, Stet, Bertrand, Snob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão), A Banca e Letra Livre.
BUY @ Le Mont-en-L'air (Paris), Neurotitan (Berlin) & Ugra Press (Brazil)

NN

Feedback:

um livro-barómetro no feminino sobre a dor
Amanda Ribeiro in P3 / Público

O título é duro (...)
João Morales in Time Out (Lisboa)

ontem li o Nódoa Negra. é tão bonito que até dói, meu. a história da Patrícia Guimarães é incrível. parabéns! 
Francisco C. (por e-mail)

São testemunhos no feminino, são força, são ruído, são rasgos de agitação num panorama - ainda - pouco dado a movimentos bruscos. A primeira antologia totalmente construída por autoras em Portugal é muito mais do que uma afirmação, é a casa de uma intimidade que fende tabus e nos mostra que a existência inevitavelmente dói.
Tiago Neto in Vogue Portugal

Um livro sobre dores que desenham e escrevem num mais difíceis exercícios...
Inês Fonseca Santos in Todas as Palavras (RTP)

Tive conhecimento desta edição enquanto folheava um dos últimos números da Vogue. Como a recepção do livro na imprensa também passava pelo P3, Time Out e por um programa de TV apresentado por uma das tipas do Câmara Clara, tudo indicava que se tratava de mais um livro do ano. São só autoras a fazer este livro e ao que parece esta ideia surgiu da Dileydi Florez, que há uns anos tinha desenhado o Askar, o General, em tempos em que a associação Chili Com Carne estava imbuída por um espírito de masculinidade militar. Mas isso foi lá atrás, agora a associação pugna diariamente pelos direitos dos mais fragilizados pela ideologia dominante no tardo-capitalismo: entre essas figuras encontra-se a mulher. A premissa para o livro é interessante e tem um importante significado político: não há espaço na edição de banda desenhada para mulheres, por isso é preciso arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Quando estamos à espera que a bd da organizadora deste volume seja, então, um grande manifesto feminista, eis que termina com dois enormes paradoxos: primeiro, ao escrever que se alguém tiver uma vida mais consciente está a dar um passo para sofrer menos, Florez parece estar a preparar uma sólida carreira como autora de manuais de auto-ajuda; segundo, a bd termina com o salvamento da mulher frágil pelo seu príncipe encantado, desvirtuando a ideia da autonomia feminina. No entanto levanta um problema importante que será transversal a todo o livro: o corpo e a sua vulnerabilidade. (...) Mas o sofrimento também se revela de outras formas e é aqui que o livro se transcende (...) é também o sufoco provocado pelo assédio doméstico que acompanha o crescimento da futura «dona-de-casa» - eufemismo para «escrava da família patriarcal», se puxar do meu jargão a transbordar de ideologia. É este o tema dos «Bons costumes», de Sílvia Rodrigues. A Nódoa negra beneficia ainda de uma multiplicidade de linguagens gráficas, destacando-se a manga da Hetamoé e a arte bruta da Inez Caria (...) há ainda a contribuição da Susa Monteiro, que me parece estar cheia de referências eruditas à arte contemporânea, ou então mostra apenas a tristeza profunda de um tenista que não consegue jogar ténis contra um cavalo. A fechar o livro, a Patrícia Guimarães colabora com a melhor bd do volume, não só porque ataca o importantíssimo tema da apatia provocada pela rotina quotidiana, como estiliza a narrativa num daqueles puzzles de deslizar peças, como que a dizer que a efemeridade da arrumação é mera ilusão e que o próprio caos é só mais um episódio da organização da vidinha. Mas a vida é só pathos? Não: a Cecília Silveira diz que também há espaço para minetes e para fisting com luvas de boxe, como que a lembrar que o sexo falocêntrico é também uma forma de violência e de exercício de poder sobre o corpo feminino.
Russo in A Batalha

NN

Ficam aqui algumas páginas:

Bibliografia das autoras na Chili Com Carne: 
MASSIVE (2009) c/ Marta Monteiro
Destruição ou BDs sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 (2010) c/ Sílvia Rodrigues
Boring Europa (2011) c/ Sílvia Rodrigues
Futuro Primitivo (2011) c/ Inês Cóias, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro
Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno (2012) c/ Sílvia Rodrigues
QCDA #2000 (2014) c/ Hetamoé e Sílvia Rodrigues
- Askar, o General (2015) de Dileydi Florez
Malmö Kebab Party (2015) c/ Hetamoé
QCDI #3000 (2015) c/ Hetamoé
Maga : Colecção de ensaios sobre Banda Desenhada e afins (2015) c/ Hetamoé
Lisboa é very very Typical (2015) c/ Dileydi Florez
- Anarco-Queer? Queercore! (2016) de Rui Eduardo Paes, c/ Hetamoé
- Pentângulo #1 (2018) c/ Cecília Silveira e Dileydi Florez