Mostrar mensagens com a etiqueta B Fachada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta B Fachada. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Santa Camarão / últimos 8 exemplares


José Santa "Camarão" (1902-1963) foi um dos maiores boxistas do mundo e com uma história de vida avassaladora.

Esquecido pelo tempo, Xavier Almeida propõe trazé-lo à memória com uma biografia baseada num caderno escrito pelo próprio Santa que relata a primeira parte da sua vida: da sua infância em Ovar à juventude em Lisboa, onde culmina com o inicio da sua vida profissional.

Esta é a parte menos conhecida do Santa Camarão, no entanto a mais épica. Pois é neste período que se constrói a sua personagem e a sua carga melancólica, triste, solitária, perdida...e talvez a mais fascinante.

É de referir a colaboração de Pato Bravo (aka de B Fachada, que por sua vez é aka de Bernardo Fachada) no argumento desta banda desenhada. Uma colaboração com Almeida que já vem do tempo da Violência Electro-Doméstica.

O livro teve o apoio das Câmaras Municipais de Ovar e Lisboa. 

à venda na loja virtual da Chili Com Carne e na Mundo Fantasma, Tasca Mastai, You to You, Kingpin, A Vida Portuguesa... BUY ouside of Portugal at Quimby's (USA), Floating World (USA), Just Indie Comics (Italy),...

Historial: lançado oficialmente no dia 18 de Novembro de 2017 no Grupo Sportivo Adicense (Alfama) com Pato Bravo, DJ Tempos Livres, António Caramelo e uma aula livre de boxe ...  artigo n'O Corvo ... Conversa com Rahul Kumar, Mestre Paulo Seco, Xavier Almeida e Marcos Farrajota na Tigre de Papel no dia 22 de Novembro de 2017 ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ... artigo na TSF ... lançamento em Ovar no Bar Ideal, 23 Dezembro 2017 ... lançamento na Inc (Porto) no 25 Abril 2018 ... obra incluída na exposição És meu amigo ou meu fã?, colectiva CCC#5 na BD Amadora 2019 ...

:::

Feedback:

(...) Almeida ergue uma narrativa cuja força está na melancolia e na consciência do abismo, dentro e fora do ringue, muito mais do que no brilho dos punhos capazes de derrubar um adversário com apenas um gancho.
5 estrelas

Muito ternurento e cinematográfico
André Ruivo (por e-mail)

Santa Camarão é muito belo enquanto história, e bate forte. Sem nenhuma das cassetes e truques de BD, e que nos faz querer voltar a aprender a desenhar. Desarma. Lá dizia o poeta que o bom poema é aquele que não se desvanece no significado. Este livro e Berlim : Cidade Sem Sombras são como esse poema de que fala o Paul Valery. Resistem, não se limitam ao que aparece.
Francisco Sousa Lobo (e-mail)

Loved the boxing story...
Andy Brown (Conundrum Press)

Uma vida não é feita apenas pelos seus eventos e marcos superficiais. Esta (auto)biografia demonstra-lo.
I just wanted to tell you that I picked up your book Santa Camarão when I was in Porto last week (...) It's really impressive, your work - I like your drawing a lot!
 JonArno Lawson

nomeado para Melhor Álbum, Argumento e Desenho na BD Amadora 2018

5 estrelas
Mauro Coelho (Grito!) por email

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Amadora é o nosso Brasil? (uma carta aberta)

7/11/18

Ex.mos. Dra Carla Tavares, Dr. José Marques e Dr. Nelson Dona:

A Associação Chili Com Carne vem por este meio apresentar uma reclamação pela forma como os seus autores foram maltratados nos pretensos Prémios Nacionais de BD deste ano. Sucederam-se as seguintes situações:
  1. Como é tradição em todos os eventos do Festival de BD da Amadora, o Júri dos ditos prémios é constituído por cinco elementos, sendo um deles o autor que tenha recebido o prémio principal – Melhor Álbum - do ano anterior. Este ano, o autor Francisco Sousa Lobo (vencedor de três prémios do ano passado: Melhor Álbum, Melhor Argumento e Melhor Álbum em Língua Estrangeira), deveria estar incluído no Júri. No entanto, foi afastado, substituído por outro autor (vencedor do Melhor Álbum de Humor), sem que Sousa Lobo tenha sido avisado do seu afastamento e substituição. Segundo o mesmo nos transmitiu: Na primeira reunião que tive com a Amadora disseram-me que eu seria parte integrante do júri. Que depois logo se veria a logística de me fazer chegar livros, etc. Perguntei ao Nelson Dona se sempre faria parte do júri, dias antes do festival começar, por email, e o Nelson não respondeu. Tinham mudado de ideias mas sem me avisar…
  2. O livro Lá fora com os Fofinhos / Outside with the cuties de Mariana Pita, co-editado por nós e pelo O Panda Gordo foi colocado nas nomeações de Melhor Fanzine com a seguinte designação: “Improvized Zine 1.5”, editado por Marcos Farrajota, Chili com Carne (in https://pt-pt.facebook.com/amadorabd, post de 2 Novembro, 19:51). Até hoje ainda não percebemos como foram buscar esta informação ao livro! Lá fora com os fofinhos é nitidamente um livro que compila BDs várias da autora impressas em fanzines e outros suportes, é um título da mesma colecção que o Festival já premiou no passado, a saber: Revisão: Bandas Desenhadas dos anos 70 (há 2 anos – Melhor Clássico) e Bruma (no ano passado – Melhor Desenho) de Amanda Baeza. Assim sendo, o Júri (ou quem faz a pré-selecção: uma caixa negra de informação sem acesso público) descrimina uma autora e o seu trabalho, impedindo que este pudesse concorrer com os outros livros e autores.
  3. O mesmo acontece com a revista Pentângulo #1, editado por nós e a escola Ar.Co., também colocado na nomeação de Melhor Fanzine, quando se trata de uma antologia profissionalmente editada com trabalhos de alunos, ex-alunos e professores desta instituição – entre eles: Francisco Sousa Lobo e Amanda Baeza que premiaram no ano passado. Outra vez podemos falar de descriminação aos participantes deste projecto.
  4. Na nomeação do Melhor Argumento não é referido Pato Bravo que é co-autor com Xavier Almeida do livro Santa Camarão. Um desleixo de quem não lê o que nomeia? Talvez mas o facto é que no Sábado de manhã, do dia 3 de Novembro, às 11h, veio ao nosso stand o sr. Hugo Valente perguntar para eu verificar erros nas nomeações – e cito de memória: para não acontecer como o ano passado em que a autora Amanda Baeza apareceu como “Amando” Baeza. Emendei os erros e chamei a atenção para nada…
  5. De forma desinteressada este ano oferecemos uma série de fanzines para que o Júri (ou a organização do Festival) tomasse conhecimento destas publicações amadoras de difícil acesso. Pelo que percebemos, foram completamente ignoradas e colocadas nas vitrines da exposição “Ano Editorial” sem que tenham podido ter apreciadas pelo Júri, mais uma vez discriminando novos autores e editores – os mesmo que se queixam que a BD Amadora não liga às novas gerações e tendências. Para contrariar esse pensamento oferecemos várias publicações mas de nada serviu…
Depois descobrimos de onde vinha o estranho título! Vem da legenda em inglês de o nome da BD "Zone ao Improvizo 1.5" (inédita) de Pita no livro Lá fora com os fofinhos

Que fique claro que estas reclamações não se devem ao facto de não termos ganho nenhum prémio deste ano. Só concorremos uma vez na nossa existência, em 1997, aos prémios da BD Amadora. O resultado desgostoso e injusto fez-nos ignorar os vossos prémios durante décadas. Até que em 2014 começaram-nos a premiar por sugestão do Júri. Nunca concorremos mas insistiram em dar-nos prémios, que pessoalmente nunca os fui levantar na vossa sessão de entrega. Agradecemos pelo eco que os prémios trazem a nível comercial e mediático. No entanto, não podemos permitir que nos usem de forma negativa como aconteceu este ano:

1 – segregando os autores, como o caso da Mariana Pita e dezenas de autores do Pentângulo. No primeiro caso, o mais grave, o seu livro nem foi descrito como deve ser,nem foi nomeado na categoria correcta, perdendo a oportunidade de concorrer com os outros autores e obras. No segundo caso também não nomeando em nenhuma categoria correcta - o que não impediu de colocar um trabalho de uma outra antologia (termo com que identificamos a Pentângulo #1) nos prémios e que acabou por vencer (Melhor Argumento);
2 - instrumentalizando os prémios por motivos de programação do ano seguinte. Esta acusação não será injusta porque nem o processo de selecção das obras nem do próprio Júri é transparente – como aconteceu com Francisco Sousa Lobo, que até hoje não obteve resposta quando perguntou quando iria votar. Que aconteça em iniciativas privadas pode ser infeliz. Grave é quando a origem provém de uma instituição pública que oferece “prémios nacionais”.

Lamentamos ter achado que nestes últimos quatro anos que a BD Amadora tivesse evoluído ao sabor dos novos tempos e tendências. Os resultados deste ano mostram que não. Isto será sempre discutível e podemos ser tomados de arrogantes com estas afirmações. Que seja. Até poderíamos respeitar que o Júri vote em anacronismos. O problema é vosso… Mas se insistem em atribuir prémios “nacionais” tendo no vosso Júri o próprio programador e director do festival, que não está isento dos seus próprios interesses de programação do ano seguinte, então tenham a dignidade de voltarem a chamarem os prémios de “Zé Pacóvio e Grilinho”, designação mais adequado a uma iniciativa municipal.

Queremos que
  1. O título do livro da Mariana Pita seja colocado de forma correcta nos vossos meios oficiais, advertindo que a Organização do Festival e o Júri erraram no título, nome da autoria, da edição e na nomeação de categoria;
  2. Pedido de desculpas público aos prejudicados: nomeadamente à autora Mariana Pita, ao autor Pato Bravo, aos autores participantes da Pentângulo #1 e aos editores Ar.Co., Chili Com Carne e O Panda Gordo;
  3. E que seja justificada publicamente o afastamento silencioso de Francisco Sousa Lobo, o vosso autor principal deste ano, tão premiado no ano passado e tão ignorado pela vossa organização.
E por falar nisso, já reclamamos ao Dr. Nelson Dona e algumas pessoas que integraram o Júri (o autor Álvaro e a jornalista Sílvia Silva) e Comissários da exposição “Ano Editorial” (Pedro Moura e Sílvia Silva) dos quais não nos chegou nenhuma resposta satisfatória. Da BD Amadora, houve silêncio total. Do Júri, uma resposta vaga de Sílvia Silva. Dos comissários, a concordância de Pedro Moura de que não faz sentido as nomeações que deram ao Melhor Fanzine, havendo outro material disponível. Não chega, Pedro Moura foi apenas comissário da exposição “Ano Editorial”. Por desespero restou-nos enviar esta carta e fazer estes pedidos razoáveis, dado aos erros que cometeram, à vossa falta de rigor e sobretudo ao silêncio obscuro da vossa organização.

Com os melhores cumprimentos,

Marcos Farrajota
Presidente da Direcção da Associação Chili Com Carne

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O regresso do ano!





Chili Com Carne, Pierre von Kleist Editions, Serrote e STET
juntos repetem a
Feira do Livro de Lisboa


Quatro projectos editoriais lisboetas juntaram forças o ano passado e reptem-no este ano!

De 25 de Maio até 13 de Junho, poderão encontrá-los no pavilhão C41 da Feira do Livro de Lisboa. Unidos sob o nome PvK editions.STET.Serrote.MNRG, o pavilhão estará situado na zona laranja, à direita de quem sobe o Parque Eduardo VII.

Esta união deve-se ao facto de serem entidades que produzem um corpo de trabalho único, sempre com uma postura independente, mas com uma intenção de abranger um publico maior, fora dos nichos tradicionais. Muitos dos livros que editam ou comercializam são transversais a gerações, continentes e culturas, daí que sejam tão bem recebidos a nível internacional e pelo publico nacional dentro das suas áreas especificas de edição (Fotografia, BD, ilustração), mas mais desconhecidos no contexto editorial "mainstream".
                                                                                                                                                                                                                           
---------------------- // -------------------------

A Associação Chili Com Carne e a sua irmã MMMNNNRRRG são as enfant-terribles da banda desenhada nacional, não deixando se serem reconhecidas com prémios. Se os títulos dos seus livros poderão trazer os momentos mais hilariantes nos altifalantes Parque Eduardo VII os seus livros não deixam de ser menos sérios por tal.

Este ano a maior aposta será na apresentação da antologia co-editada com a Escola Ar.co., a Pentângulo que publica trabalhos de alunos, ex-alunos e professores desta instituição. Dia 31 de Maio na Praça Laranja estarão presentes Daniel Lima (professor), Pedro Moura (investigador) e Jorge Nesbitt (Director de Departamento de BD e Ilustração ) para falar sobre o projecto.

Haverá três sessões de autógrafos, uma de Xavier Almeida com o Pato Bravo (B Fachada) no âmbito de Santa Camarão no dia 27 de Maio, uma com André Ruivo dia 2 de Junho e outra do nosso escritor favorito Rafael Dionísio no dia 9 de Junho. Todas estas acções serão sempre às 18h.

A MMMNNNRRRG lança ainda sem pompa nem circunstância, dado ao anonimato da autoria, o Baralho (de cartas) d'AcontorcionistA do Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer. Este é o quarto objecto erótico-lúdico desta série como sempre revolucionando os hábitos íntimos da vida de todos os seus utilizadores. A edição é limitada a 200 exemplares. Devido ao seu conteúdo erótico, o melhor é perguntar por elas para serem vendidas "debaixo do balcão"...


 ---------------------- // -------------------------

A Pierre von Kleist Editions é um dos nomes mais relevantes na edição de fotografia portuguesa contemporânea. Liderada pelos fotógrafos, André Príncipe e José Pedro Cortes, têm feito um importante trabalho na divulgação da fotografia nacional, dentro e fora do país. Desde a reedição do clássico Lisboa, Cidade Triste e Alegre de Victor Palla e Costa Martins até a autores contemporâneos como António Julio Duarte, Pedro Costa, André Cepeda, Daniel Blaufuks ou dos próprios editores.


---------------------- // -------------------------

As Publicações Serrote começaram em 2004 pela mão de Nuno Neves e Susana Vilela, quando rumando contra a maré de fecho das tipografias produziram vários cadernos com temas tradicionais e divertidos. Mas não se ficaram por aqui e em 2008 começaram a surgir  livros ilustrados  juntando as tradições Portuguesas com o design contemporâneo, a primeira destas edições é sobre a região do Minho, transformando o desenho do Ponto Cruz  em pixéis. Alargando ao longo dos anos a temática de algumas das edições ao universo didáctico – infantil. Contam hoje com mais de 15 publicações editadas, além de cadernos e cartazes impressos em tipografia.


---------------------- // -------------------------


A STET – livros & fotografias é uma livraria especializada em livros de fotografia e edições de autor, aberta em 2011 que participa regularmente em feiras de edições nacionais e internacionais apostando na divulgação de autores Portugueses fora do país. 

sábado, 13 de janeiro de 2018

sábado, 23 de dezembro de 2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Agradecimentos à BD Amadora 2017

A Chili Com Carne agradece publicamente ao Festival de BD da Amadora de 2017 por nos ter acolhido e por continuar a dar-nos prémios, epá!  Mostrando que há, sem dúvida, uma vontade deste festival em chegar ao público que não seja dos habituais "bedófilos" reaccionários.

Aproveitamos também as presenças do australiano Michael Fikaris e o brasileiro Alex Vieira (da Prego) em Portugal para apresentações públicas dos seus projectos. Obrigado a ambos. E também à Sílvia Rodrigues, Clube do Inferno e Sapata Press por terem aparecido com os seus zines...

Recuerdos dos dias passados:

...é o rap! Fikaris e Farrajota numa "battle" porcalhota

Fikaris e as fikarettes!

Vendendo a Alma ao comercialismo bacoco! Ga-ga-ga-ga...

Thanks Fikaris for the wonderful time in the Festival and outside the festival!!!




Garfield, o fofinho cínico com a Dama Fofura Mariana Pita... YEAH!!!!


Pato & Xavier a fazerem merda no autógrafos...

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

ccc@amadora.2017



Este ano a Associação Chili Com Carne está representada na BD Amadora com um stand  dividido com a MMMNNNRRRG tal como tem acontecido nos últimos dois anos. 

Infelizmente mais uma vez não conseguimos ter um espaço digno para receber fanzines e outros editores independentes, sendo que só conseguiremos representar os zines da Ruru Comix, livros do Serrote e as serigrafias do Mike Goes West. Consultem o CCCalendário (a primeira lista à vossa direita deste blogue) para saberem os dias que lá estaremos... 

Contem com a bela exposição sobre a antologia dos anos 70 - REVISÃO, cujos últimos exemplares estarão à venda!!! -, apresentação do livro Santa Camarão de Xavier Almeida com Pato Bravo (B Fachada) no dia 12 de Novembro às 17h e sessões de autógrafos de Amanda Baeza (29 Out), Tiago Baptista (4 Nov), Mariana Pita (5 Nov) e Xavier Almeida e Pato Bravo (12 Nov), sempre às 18h. 

Por fim, oferecemos uma ajudinha aos nossos camaradas do Hemisfério Sul para apresentarem os seus projectos no festival. Apontem na agenda: o australiano Michael Fikaris (1 Nov, às 16h30) e o brasileiro Alex Vieira (5 Nov, às 15h30) que apresentará o novo Prego (edição fudida) que tem um trabalho do Manuel Pereira.

hooo-ey!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Inverter a cruz invertida! (Cristianismo 2 - Paganismo 0)



B Fachada : Há festa na Moradia (Mbari; 2010)
Tiago Lacrau : O Inverno Desinspirado do Rapaz do Sul do Céu (Um Disco Pronto e Sincero; 2011)

Não importa se és marxista ou de Marte, se és Punk ou Designer... é preciso ter pica e não ter medo de arriscar para fazer "coisas". Eis dois exemplos de pessoas que não conseguem estar quietas, dividindo um historial mais ou menos comum estão agora em pontos equidistantes.
Ambos fizeram parte da euforia FlorCaveira e na descoberta mediática e pública dos “cantautores” dos últimos anos. B Fachada começou pela estrutura FlorCaveira, não era cristão, era aliás o "primeiro pagão" nas fileiras da editora / colectivo. Fazia parte da estratégia da FlorCaveira em apostar na linha do "cantautorismo" abandonando lentamente os projectos Punk e Grindcore do passado. "B" fez/faz furor e há muito que edita por outros lados. As suas letras de puto blasé e a voz de sub-Zappa meio canino irritam pessoas sábias como eu. Tiago Lacrau (ou Guillul ou Cavaco) foi a peça principal da FlorCaveira e da incontornável popularidade destes "cantautorismos", tendo desenterrado criaturas como o Jorge Cruz, aproximado este tipo de artistas à estrutura para dar força a um movimento que conseguiu temporariamente expurgar-nos a lembrança de atentados nacionais como David Fonseca ou Old Jerusalem. Para além de militante e activista, mostrou ser um exímio produtor “lo-fi”, alguém com uma natural apetência para gravar Pop seja no quarto seja num estúdio luxuoso. Admite que não tem perfil para ser artista Pop, desistiu o ano passado de dar concertos e até da FlorCaveira que criou e desenvolveu.
O "Pagão B" quer viver da música e vive para ela, editando e dando concertos com regularidade. O "Protestante T" tem mais que fazer do que lidar com o mundo parvo da "indústria da música Pop" mas também vive de forma epidérmica para a música, tanto que dogmaticamente o seu “panque” e o seu cristianismo (que se intersectam ou se completam mesmo que sejam ideologicamente opostos) não o deixam ficar pelas regras do jogo instituído. “T” precisa de fazer coisas sempre com novas regras - as suas regras - e isso é que faz dele um artista, mesmo que nos arrepie o seu relacionamento espiritual com o cristianismo. Um artista concretiza a sua visão sobre o mundo, mesmo que tenha de pagar por essas escolhas, podendo ter como consequências o vedamento da difusão da obra, irritações no seio da comunidade, constrangimentos económicos, etc...
"B" e "T" tem usado as potencialidades de misturar música realmente tocada (por instrumentos e voz) com “loops” / “samplers” sacados aqui e acolá, e estes dois discos são novos frutos dessas explorações. No caso do "B" ainda não percebi o que se passa, são várias pessoas a acharem este disco um dos mais importantes da MMP dos últimos anos (?!). Se for então também pode levar o título da Pior Capa de Sempre bem como a pior "Font" Possível de Escolher. Eu que adoro vinis de 10" tenho vergonha de ter este disco na minha colecção - mantenho-o por respeito ao Camarada Fom-Fom que me o ofereceu no Natal. Porque raios gastaram tanto dinheiro num objecto tão feio? E depois o som está todo lixado, juro que pela primeira vez que acho que a versão digital de uma música é melhor que em vinil. Também não percebo porque nos vários sites se fala em "música de intervenção" de "B". Que eu saiba na minha terra, "crítica de costumes" não é "música de intervenção", e é isso que "B" sabe fazer (e bem): crítica de costumes tal como toda a Pop portuguesa está bem recheada disso (António Variações, G.N.R. ou Repórter Estrábico, para dar os melhores exemplos). O "Loop Pop" de "B" tem interesse, é um bocado repetitivo mas bem seleccionado o rapinanço sonoro. É também uma boa forma de sair do saco do "cantautorismo" que já ninguém aguenta.
"T" seja Guillul seja Lacrau já andava a fazer umas brincadeiras giras com "loops" de músicas evangélicas mas agora foi “samplar” o «satanismo soft-teen» dos Slayer!!! Isto poderá ser um choque para quem o vê como um Pastor Pop catita e esqueceu-se dos seus momentos agressivos de Borboletas Borbulhas, verdadeiro Hardcore de Jesus! Para fãs do “cultural jamming” (aqui invertido) há muito que esperava este regresso paradoxal de cristandade com xungaria metaleira, criando mais um exótico produto cultural. “T” decidiu deixar a promissora carreira de Estrela Pop para voltar com um CD-R em verdadeiro espírito DIY, com aquele prazer de fazer as coisas com as mãos e com o coração virado para o mundo: gravação caseira, sem masterização (acho bem, masterização é para pussies!), 333 exemplares de CD-R's gravados e numerados, capa em fotocópia a preto e branco,... como um verdadeiro punk ou metaleiro dos anos 90! Samplou um álbum inteiro dos seminais Slayer, South of Heaven (Def Jam; 1988), recriando-o faixa a faixa com novas adendas cristãs porque ele não percebe porque os Satânicos têm direito a melhor música que os Cristãos – a resposta é simples mas pelos visto “T” não sabe. O disco é um álbum conceptual em que emerge um enorme Sermão Pop-Metal desvairado. No futuro (ou agora no presente) ainda vão perguntar se estamos perante um génio ou um doido varrido! “T” até pode pregar o Nazismo que eu nem quero saber, qualquer gajo que consegue misturar Slayer com Raul Indipwo merece "respect bro!" - ainda o convido para pôr música numa sessão de unDJ MMMNNNRRRG!
"T" pode pregar as suas ofensas ao Grande Bode e os seus seguidores, que nós o perdoamos pela forma baralhada como o artista se encontra! Há uma percentagem de gajos assim, são poucos mesmo quando se chamam Horde, que pensam que estão a usar o Metal para converter os ímpios. Mas estes valiosos guerreiros de Cristo já estão perdidos nas garras manhosas e musicais de Lúcifer - Diabolus in musica. Tal como o disco de “B” este disco de “T” é um disco falhado mas por outras razões, tenta ser programático («este disco não é sobre música mas sobre o evangelho») mas o humor vai aparecendo e subvertendo o disco como um Eminem – e claro, Satananás ri-se lá nas adegas do Inferno! Humor é inteligência, inteligência é a luz de Lúcifer, será que o “T” agora percebe porque a música “satânica” é melhor? Baralhado com esse humor / inteligência / luz ainda goza na última faixa com a treta da cena Mod lisboeta – o que é uma cereja no topo deste bolo oferecido aos amigos do artista no passado Dia de S. Valetim. Assim sim, vale a pena ter amigos artistas!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Petiscos de Jesus



A FlorCaveira 2009 não é a de 2006, do "panque roque e cristo" passou para "folque e cantautor". A carreira de colectivo DIY de pobretanas descambou num grupo de gente que canta Pop/Rock em português com orgulho e com produção profissional. Longe ficou o "Hardequore" e "Panque", ou valor do barulho do Roque, o que diria que mesmo com o aguardado próximo álbum do Tiago Guillul não poderá eliminar o possível "sell-out" da coisa. A progressão lógica deu-se porque em Portugal é fácil ser "o primeiro". Sendo o panorama de músico Pop/Rock caquético, estando o Hip Hop (até algum tempo a única hipótese de salvação da língua portuguesa no campo da música urbana popular) nas ruas da amargura, é natural que a FlorCaveira tenha tido uma explosão nos "media" tal forma que o decadente Ipsilon tenha-se transformado num boletim da paróquia da FlorCaveira - que acredito que deve dar algum prazer ao pessoal Caveira - ao mesmo tempo que se deu uma implosão na Flor que permitiu entrar nas suas fileiras católicos e pagãos, que em linhas estéticas se identificavam com pelo menos uma linha da Caveira.
Por isso, acho que a aúrea da FlorCaveira perdeu-se por cansaço e repetição porque o que foi fácil de fazer ou de promover foi o melódico (claro) e porque os projectos "barulhentos" estavam (estão) adormecidos. Também acho que os músicos menos interessantes (o imberbe B Fachada ou o balofo João Coração) tiveram mais protagonismo do que o fundador, produtor e verdadeiro panque do senhor, Tiago Guillul - mas ele tal como o Senhor voltará, e será mais rápido que o Criador! É com a desconfiança dado ao "hype" - a máxima "Don't believe the hype" nunca se engana! - que ouvi umas trocas que me actualizaram das últimas edições da Flor e uma antiga que nunca tinha ouvido, do tal Coração...
Não podia estar muito certo nem muito errado, do lote há de tudo e quem se destaca é o Diabo na Cruz com o álbum Virou! (2009) que faz o "upgrade" à música popular portuguesa que já merecia, sem entrar em macacadas mercenárias como os Humanos e quejandos - mesmo quando DnC é uma "super-banda" que inclui Jorge Cruz ou B Fachada. Fazem "corridinho-panque", New Wave de cavaquinho, toda a batida da Pop moderna sobre raiz tradicional sem ser totalmente piroso. É orelhudo até ao tutano e viciante como o rabo de uma minhota - um rabo que aparece na capa do disco, próxima de qualquer capa de disco de Kuduro ou Lambada, e já agrediu o puritanismo da FlorCaveira... É bem feita, a música popular não religiosa! Meteram-se com os pagãos e sujaram as mãos. Mas acho que valeu a pena...
Se ainda gostasse de Pop diria maravilhas da estreia a solo de Jónatas Pires (dos Pontos Negros) com Vestido Preto (2009) mas como já não suporto Pop só posso ser minimamente maldoso. Ainda assim sabe bem ouvir o moço excepto quando a coisa vai parar aos tiques dos Arcade Fire (bandinha insuportável!) ou coros a lembram alguns dos Queens of Stone Age (boa banda esta sim!) o que torna a coisa óbvia. Excelente produção / gravação e calor humano... merece apostas!
Ambas capas foram desenhadas por Paulo Ribeiro, um dos grafistas da Flor.


Por fim duas desilusões, uma bem esperada, o Nº1. Sessão de Cezimbra (2008) de João Coração (o segundo católico da FlorCaveira) que depois de ouvir este álbum só apetece citar uma resenha crítica de um zine da Latrina do Chifrudo: «é chato chato chato». Se o próximo álbum tem alguma piada nada posso dizer sobre este primeiro, musiquinha de escoteiros, Prozac Nation e fetichistas de vitrais. Como se não soubessemos que os católicos são uns lagonhas...
Já Nem lhe tocava (2009) de Samuel Úria teria tudo para ser um grande álbum a começar pelos desenhos da capa e interiores do próprio Úria a dar-lhe nas canetas de feltro coloridas - belos desenhos, diga-se! - que ilustram realmente o disco que é. E o disco não é de feito das figurações de um canastrão janota mas pelas cores de rebuçado desses desenhos. Quem esperava um neo-blues protestante como Em bruto engana-se, Nem lhe tocava é rebuçado doce limpinho saído da fábrica. A sensação que tenho é a mesma de quando lia o Hate (comic-book de Peter Bagge sobre a geração X norte-americana) a preto e branco e deixei de o fazer quando ele passou a ser a cores. Algo se perdeu ou algo fez-me confusão - como a muitos puristas e fãs de base, suponho. Aqui é similar e até há um exemplo de estudo, o tema Teimoso, que em Em bruto é sujo e arrastado, em Nem lhe tocava está Pop com tiques de Beck e reduzido o tempo de duração... Talvez daqui uns tempos venha a descobrir que este álbum seja bom, agora, não engulo - aliás, os rebuçados não se engolem!

sábado, 11 de julho de 2009

Laicidade é necessária...




Na Feira Laica, pude ficar totalmente actualizado das edições da FlorCaveira, editora de Roque com religião à mistura. Do lote o que destaco logo é o CD-R de Guel, Guillul & o Comboio Fantasma, Variações & Lutero (2009) que recupera gravações de 2001 quando a FlorCaveira queria dizer panque roque do senhor (com o cunho Protestante bem marcado) e não todo o "cantautorismo" que (infelizmente) tem impestado a editora nos últimos anos. Sim, o que fez a FlorCaveira um símbolo de exotismo Pop num país que não se quer exótico culturalmente foi esta mistura de Panque e pós-Grunge que criaram faixas clássicas como Tens um 666 escrito na testa ao mesmo tempo que assumiam a versão do grande António Variações. Um disco para relembrar bons velhos tempos - sem ironias.
Até os Pontos Negros que são uma nhonhice entre os Strokes e os Nirvana (mas em versão "radio friendly") soam bem com o EP (2007), para quem as outras edições da FlorCaveira tornaram-se insuportáveis. Neste CD-R os Pontos Negros estão bem afinados para uma Pop saudável e orelhuda que provam que merecem o sucesso comercial que tem no mediocre jogo da música Pop português. É estranho que tenham carisma mas resulta. Até a capa claramente inspirada em Pettibon (Goo dos Sonic Youth) tem piada e autonomia apesar de ter um modelo óbvio.
Este ano sairam novos discos de B Fachada - Um fim-de-semana no Ponei Dourado - e de João Coração - Muda que Muda -, o pagão e católico da editora respectivamente. Disco mais límpido do primeiro caso e no segundo caso não tenho ponto de referência porque é a primeira vez que oiço o Coração (que piadinha). São bons discos - assumo que estou a ficar velho MESMO! - com arranjos musicais Pop/ Folk bem feitos e com bom gosto como pouco se via em Portugal, as letras servem par os propósitos de cada um, a pseudo-ironia de B Fachada e o romantismo pintarolas de Coração. Alguns tiques e sons lembram muita coisa internacional neste último músico mas nada de grave, embora ache que os universos pessoais precisem de ser mais acentuados. As edições luxuosas q.b., longe da estética panque CD-R das outras edições da Flor Caveira, mostram uma editora empenhada em apostar no cantautorismo em português, para o qual respeito quando tem esta qualidade mas que não procuro ao ponto de não saber o que pensar / sentir sobre o disco de estreia homónimo do Lipe, excepto que parece que andamos nos Escuteiros..
Do lote todo o mais interessante é o split de Tiago Lacrau/ Te Voy a Matar - o primeiro é o Tiago Guillul disfarçado - que é o primeiro disco electrónico da editora. Quatro faixas dedicadas ao O Verão nostálgico do Tiago Lacrau, em que Tiago sampla o máximo possível em deliciosa preguiça veranil: Gorrilaz, Tom Zé, Mutantes, Vampire Weekend,... As letras em retrato social minimalista transformam as músicas em agradável hinos Pop como só o Tiago é capaz - ele terá uma costela africana? As outras quatro músicas são do Silas dos Pontos Negros, um Techno Chill Out básico e lúdico quase tão tonto como os cartons do autor - quando o gajo actualiza o blogue!? Ainda assim uma lufada de ar fresco esta "electrónica cristã" depois de tanto trintão deprimido de barba e viola em punho. Curiosamente em Variações & Lutero existe uma faixa chamada Exclusivismo Punk que mete uma electrónica toda fodida... Tiago e comparsas já escreveram o seu futuro?

terça-feira, 10 de março de 2009

Cristianismo 1 - Paganismo 0


B Fachada : Viola Braguesa
Samuel Úria em bruto
(FlorCaveira; 2008)

O ano passado foi para a MMP o ano da FlorCaveira, e como tal da tomada de consciência que existe Roque português cristão e (mais importante) que existe "lo-fai" cantautor cantado em português. A semana passada duas conversas - uma com um (des)conhecido, outra com o Tiago Guillul, mentor da FlorCaveira - levaram-me a aperceber que a FlorCaveira conseguiu roubar ao Hip Hop o "dom quixotismo" do uso da língua portuguesa no mundo da Pope/Roque.
Graças a gente rasteira como os Blind Zero ou os Silence 4, nos anos 90 pensou-se que o Rock para existir em Portugal tinha de ser cantado em inglês. E muita gente burra seguiu essa máxima, com a excepção dos Ornatos Violeta. De repente aparecem este tipos a cantar em português, com boas letras, originalidade e gravações "manhosas" (para quem gosta de pastilha elástica). Talvez por isso que em 2008 a FlorCaveira não se meteu em "Graindecore, Hardecore e Panque Roque" e tenha apostado em cantautores - ou seja, aqueles gajos a cantar coisas sensíveis, de guitarras acústica ao colo e pouco mais - para provar que em Portugal não precisamos coisas farsolas como o Old Jesuralem, metendo na sua linha da frente católicos (Manuel Fúria) ou pagãos (B Fachada) - recordando que a FlorCaveira tem uma raiz protestante.
Das suas últimas edições em CD-R, B Fachada perde versus Samuel Úria - infelizmente para o paganismo porque por estas bandas não se gosta de Cristianismo. Não se consegue perceber o que raios o "B gajo" canta porque a voz dele parece um bocado farsolas (demasiada teatral?) e os instrumentos também parecem abafá-la. Acho que este EP precisava da ajuda do Guillul que é um verdadeiro mestre da produção "lo-fai". Provas não seriam necessárias se fizerem um historial das suas edições mas basta reparar até nesta miscelánea que é o Em Bruto, 16 minutos de músicas dispersas de Samuel Úria. Não que as músicas que não foram produzidas por Guillul sejam más, só que se repara um som muito mais vivo e apurado em Segreguei-te ao ouvido e em Tigres Dentes de Sabre (grande tema Blues!!!) do que nas outras. De resto, vamos encontrar o "normal" da malta FlorCaveira: namoros com o António Variações e outros gloriosos do Pope/Roque dos anos 80, letras apelativas e inteligentes, engajamento cristão... Um aperitivo para um futuro álbum de Úria a sair para breve. Promete...