terça-feira, 26 de março de 2019

Noitadas, Deprês & Bubas / último exemplar!!!



«É extremamente difícil escrever um livro medíocre. O livro conseguido está na ordem do dia. Falhar em literatura é um gesto de pura rebeldia. Um péssimo romance é um acto de terrorismo. Só uma miopia extrema, ainda assim facilmente corrigível, pode conduzir ao desastre. A possibilidade de errar foi reduzida ao mínimo indispensável que mantém as aparências e evita o escândalo. Só nos resta escrever livros certos e vendê-los a um público certo. Um público obedientemente entusiástico e atento. (...) O que antes era puro empirismo ou um difuso ritual feiticista tem agora um método de infabilidade. A improvisação e o gesto institivo estão desactualizados. Pior, são nefastos. O escritor deve actuar com rigidez e concisão. O êxito é a meta. O êxito é a única saída.» - Artur Portela, filho in Feira das Vaidades (Atlântida Editora; 1959)

É com palavras da juventude de "alguém que foi para a Alta Autoridade para a Comunicação Social", que apresentamos um livro novo de Marcos Farrajota. De novo quase nada têm, a não ser uma bd inédita de 10 páginas (para o #5 do zine A Mosca que nunca chegou a sair), porque o livro insere-se na colecção Mercantologia, uma colecção da Chili Com Carne dedicada à reedição de bd's perdidas no mundo dos zines.

São bd's autobiográficas de Farrajota, publicadas entre 1995 e 1997, nos números (esgotados) 6 ao 12 do Mesinha de Cabeceira, antecedentes ao É sempre demais... (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), apresentam o grosso da exploração da autobiografia no seu trabalho. Género esse pouco habitual em Portugal, mesmo depois do "boom" e da implosão da bd portuguesa, ao qual o autor acabou por subverter e abandonar gradualmente.

E como na vida, há de tudo nestas bd's: sexo juvenil, amores de recorte Primavera/ Verão, uso de drogas leves, vida suburbana em Cascais, relações sociais (envolvendo desde vários autores de bd a músicos como os Primitive Reason), deambulações urbano-filosóficas de quem andava à toa, rapinanços de conteúdos alheios (Mão Morta, Julie Doucet, Einstürzende Neubauten, Madman) e participações alheias de amigos - como acontece na bd Die Fliege II com textos de Miguel Caldas....
volume 3 da Colecção Mercantologia ... 72p. p/b 21x22,5 cm, capa a cores, edição brochada ... com prefácio de Daniel Lopes e apoio técnico de Pepedelrey... apoio: Instituto Português de Juventude
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algumas páginas aqui.
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à venda no site da CCC e talvez encontrem ainda exemplares na BdMania, Fábrica Features, Matéria Prima, Mundo Fantasma e Neurotitan.
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historial: Comemoração 9 dos 10 anos da Chili Com Carne ... Lançado na 10ª Feira Laica ... Nomeado como Melhor Argumento Nacional pelos Troféus Central Comics ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ...

feedback: 

Os meus sinceros parabéns por teres sempre conseguido pôr a alma a nu, sem concessões nem comiseração! Ondina, The Great Lesbian Show 
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É excelente sem favor! Belo trabalho! João Chambel, co-autor de Heróis da Literatura Portuguesa ... 
os registos variam, da autobiografia à crítica ou ensaio sarcástico, a fantasias sexuais. Também em termos formais ultrapassa o desenho para explorar a colagem, faz citações a partir do uso de fotografias, bocados de outras b.d.’s (caso do período gigante da Julie Doucet ou capa do Kill Your Boyfriend), letras de música, cartões da J.S., que cruza com apontamentos do seu diário gráfico. Afonso Cortez-Pinto in Umbigo [ler aqui artigo completo] 
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é o delírio, mesmo! excelente a tua ideia de compilares tudo e editares. dei comigo a rir sozinho enquanto via o teu livro (e a rever-me em algumas das situações ;) tens ali um documento de grande fôlego (e talvez seja o livro de BD menos pretensioso que alguma vez vi ;) e isso dá-lhe uma força brutal. agora é pensares numa compilação "não tavas lá?!" e coleção de discos UnDj... daqui por mais um 10 anitos!! Nuno Moita, Grain of Sound





+ feedback: 
Acho que agora te fiquei a conhecer perfeitamente! Eh, eh, eh! Tiago Guillul, FlorCaveira 
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é necessário tomar em conta que os acontecimentos retratados nestes pequenos episódios, alguns solitários – a própria criação dos trabalhos, a masturbação, as migalhas, as paranóias dos charros, as fantasias mentais, as reflexões sobre a vida – outros colectivos – saídas à noite, festas, concertos, passeios, férias, conversas – vivem em torno de uma cultura noctívaga, de um certo grau de rebeldia em relação à imposição da “normalidade social”, de uma ansiedade em relação ao futuro e àquilo a que nos parece obrigar, que se revela no próprio modo de trabalhar a banda desenhada: os traços nervosos, a flutuação dos estilos, as complicadas ou grotescas composição de página, as inclusões de material alheio (...), as diatribes contra a “normalização” aventada acima, etc. Pedro Moura in Ler BD 
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Gostei muito, irmão! Bacana! Jakob Klemencic, autor esloveno de férias em Curitiba! 
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O livro está do caralho!! Lembro-me de uma ou outra coisa mas ler tudo de uma só vez é completamente diferente. Li aquilo em duas vezes e a meio já ganhava o hábito de andar a rodar o livro para ler as letrinhas no fundo e referências. Acho que as histórias funcionam bem melhor num todo do que fragmentadas! Gostei particularmente da do ano 2000, o pesadelo da droga (ainda sonho com isso!!) e aquela sobre nosso Portugal está brilhante (mesmo que tenhas gamado o texto!). A do Salão do Porto fez-me lembrar montes de coisas dessa altura, acho que esse foi o melhor festival que fizemos cá! Está tudo muito porreiro, desde a história das calinadas (hehe) até às desventuras amorosas. O problema da BD autobiográfica é o de se descobrirem os podres todos: vodka na cona é naquela... mas cartões do PS?? arrggghh Hei, quando é que sai o próximo?? Rui Ricardo, ilustrador 
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parecem polaroids dessa década. muito fumo de charros, mão morta, fantasias na carreira do 414? sem guita, música em altos berros, existencial. um trabalho interno rico e muito interessante que não começa nem acaba com este livro. in thefootballer-vs-thepugilist.blogspot.com 
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  it's crazy. I liked it. It is something in between Andrea Pazienza and Edika MP5, ilustradora italiana
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  gostei do livro, acho que foi mesmo boa ideia compilar tudo numa mesma edição. Apanhei uma valente gripe (...) e as primeiras gargalhadas, foram provocadas pela leitura de tiradas tuas decorrentes das vicissitudes da tua lúgubre existência. A “tua dor de braço” ser uma possível doença psicossomática resultante da tua timidez, quase que me deslocava os maxilares. Paulo, Division House 
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MAS COM RESPEITO AO TEU LIVRO, ESTA LIDO E DIGERIDO. (...) FIQUEI COM BOA IMPRESSAO DO AUTOR. UMA PESSOA HUMILDE, QUE DEMONSTRA CUIDADOS MUITO HUMANOS NO TRACTO COM OS OUTROS, ESPECIALMENTE COM AS MULHERES; QUE DEMONSTRA INTERESSES ALTRIUSTAS PARA ALEM DO CULTO DA POPCULTURE, UMA GRANDE QUALIDADE EM DEGENERAÇAO NOWADAYS; QUE DEMOSNTRA SABER COMUNICAR-SE COM O MEIO FISICO E SOCIAL INTERCAMBIADO AS SUAS FRAILIDADES E DEBILIDADES (UMA VEZES MELHOR OUTRAS VEZES PIOR É CERTO), O QUE O MANTEM NUM PROCESSO CONSTRUTIVO DE AMADURECIMENTO E CRESCIMENTO EXISTENCIAL MUITO VALIOSO; ESSENCIALMENTE DEMONSTRA GRANDES QUALIDADES PARA DOMINAR UM TIPO DE DESENHO LIVRE QUE EU PARTICULARMENTE APRECIO EM CONJUNTO COM O SEU GREEDY MEAN WAY EM QUE SE AUTO-CRITICA TORNAM O TEMA "EGOCENTRISMO" MUITO INTERESSANTE IN A FUNNY WAY, E ATÉ EDUCATIVO, E A LEITURA VIVA, RICA E ...ESSENCIAL! VERA SUCHANKOVA 
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Gostei muito do teu livro, o periodo em que foram escritas as tuas histórias corresponde à altura em que vivi em Lisboa e identifico-me com muitas das coisas de que falas(música, timidez, charros, copos, filmes....) André Ferreira, Ao Sabor da Leitura / Goran Titol 
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  Back then, the guy was young; he thought important to write down the names of fave bands as many times as possible (the way less creative colleagues do on schoolbags and tables (...) occasional innovative solutions in using and combining words and pictures, that several times reach across the standard comic language in Stripburger #48
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  Bom, o pacote chegou (...) Caí primeiro no seu porque foi uma surpresa, não esperava por isso, não sabia que você estava preparando um livro e é realmente muito bom, ainda estou nele. (...) parabéns pelo livro. Fábio Zimbres 
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  Entretanto o pessoal começou a contar histórias de "coincidências das nossas vidas" que acho hilariantes - ler aqui a primeira e mais recentemente esta.
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Só coisa fina. Weaver Lima

quinta-feira, 21 de março de 2019

ccc@estrela.decadente


Para os mais distraídos, primeiro: a Revista Decadente nunca parou desde o fim das noites de programação da Estrela Decadente; segundo: tanto que agora até voltam com o dito fanzine com novo formato editorial.

A Noite da Estrela Decadente no Anjos 70, dia 21 de Março, Quinta-feira próxima; servirá para esse relançamento e com isso trazem amigos para um mercado de edições independentes (vamos lá estar presentes!), "janta vega", concertos de Miguel Ábras (o gajo das Putas Bêbadas) e Neo Jazz Trio (zeus, esperemos que seja a gozar!!) e Inês Lopes nos decks. As portas abrem às 19h e a entrada é livre. Promete!

segunda-feira, 18 de março de 2019

quarta-feira, 13 de março de 2019

manual prático de uso da CCC (6/6) : projectos

Desenhos de André Ruivo in CapitãoCriCa Ilustrada (2005)
Sendo uma associação sem fins lucrativos e perfeitamente legalizada, a Chili Com Carne de dois em dois anos elege uma nova Direcção que põe em marcha os planos que são apresentados na Assembleia Geral - ou seja segundo a vontade dos associados que se apresentam nesta reunião.

Geralmente a Chili Com Carne publica projectos de novos autores mas sobretudo de trabalhos que desafiam a modorra literária e artística. Procuramos a hibridação de estilos e talvez por isso que dá prioridade a livros colectivos como aliás está tão bem registado desde 2001 com o seminal Mutate & Survive, passando pelo extremamente bem-sucedido MASSIVE (2010), pelo "omnívoro" Futuro Primitivo, e ainda em projectos especiais como a digressão europeia Boring Europa ou a antologia Lisboa é very very typical. O que não impede de publicar livros "a solo" de autores que temos muito orgulho como Nunsky, Rafael Dionísio, Marcos Farrajota, André Ruivo, Ondina Pires, Francisco Sousa Lobo, Rui Eduardo Paes, Nuno Rebocho, Mariana Pita, Xavier Almeida, Filipe Felizardo, André Coelho, Tiago Baptista...

Não sendo a Chili Com Carne uma editora profissional ou comercial, como é óbvio não nadamos em dinheiro mas quando fazemos livros é porque queremos e inventamos formas de financiar o projecto! Dependemos das quotas dos associados, subsídios do estado mitra e das vendas, tudo isto permite ir trabalhando com algum desafogo mesmo que implique sacrifícios pessoais para fazer livros quase a custo zero - tirando a gráfica, raramente os autores, designers, tradutores e editores são remunerados nos projectos. Tentamos fazer parcerias com outros editores para amortizar custos de impressão, armazenagem e partilhar know-how tal como já fizemos com a Bicicleta, Faca Monstro, MMMNNNRRRG, The Inspector Cheese Adventures, Thisco, You Are Not Stealing Records e a nível internacional com os festivais Alt Com (Suécia) e Crack (Itália) e o colectivo Stripburger (Eslovénia).

Actualmente a Direcção é oficialmente composta por Amanda Baeza, João Carola, Dois Vês, Marcos Farrajota e Rudolfo, havendo mais seis elementos da Associação que funcionam como consultores nas decisões da Direcção.

Gostamos de ser desafiados no entanto nem vale a pena tentar se não tiver capacidade de autocrítica, perceber em que mundo é que está (dica grátis, espreite a Internet no seu melhor e no seu pior!) e se não conhecer bem o nosso catálogo, não vale a pena tentar meter o seu trabalho à força. Já agora, se encontrarem o nosso nome em directórios de editoras (o que permite pessoas enviarem propostas ridículas sem verem para onde estão a enviar), façam um favor, tentem apagar o nosso nome, não queremos ser massacrados por desesperados!

manual prático de uso da CCC (5/6) : difusão

vinheta de BD de João Chambel in Mutate & Survive (2001)
A Chili Com Carne é uma associação sem fins lucrativos e isso explica a vontade de ser colaborativo e não competitivo. Tentamos que a nossa acção não se feche em nós próprios, tarefa nada fácil quando o “tempo = dinheiro” não é muito para os associados mais activos, que agem numa base de voluntariado. Daí que para promover ideias de DIY fazemos isto:

- Feiras de fanzines e edições independentes. Desde 1995 que organizamos ou participamos nelas, nacionais ou estrangeiras, dos primórdios Encontros CCC à mítica Feira do Fanzine de Almada, do saudoso Salão Lisboa ao não menos saudoso Samizdata Club, do frio de Helsínquia ao blasfemo Crack, destacamos a Feira Laica que co-organizamos durante 8 anos / 21 edições. Não é só porque as livrarias barram os livros como os nossos que fazemos os “nossos próprios” eventos mas também porque é uma hipótese de confrontar públicos inesperados para levá-los à leitura e ao acesso de edição diferente do super-mercado. Quem espera em concertos Punk, Metal ou Electrónica encontrar livros?

- Distribuição de artigos de outros editores, associados ou não. Costuma-se dizer que uma mão lava a outra a não ser que se seja maneta, se a distribuição e promoção de material “alternativo” é um problema para todos, a CCC tenta com permutas de material que nós e os outros cheguem a mais pessoas. Essa distribuição é feita na venda online, em caixotes de miscelânea nos eventos que participamos e quando se justifica colocando mesmo em lojas – geralmente são livros que justifiquem o esforço logístico (MMMNNNRRRG, Tinta nos Nervos / Colecção Berardo) e não zines frágeis porque para dizer a verdade não há lojas para esse tipo de objectos nos dias que correm.

- Divulgação de eventos e edições de outras entidades. Uma mão ajuda a outra, com ou sem genitália à mistura, e como não acreditamos em segredos nem em génios, a Chili abre o jogo, ajudando outros editores com contactos de lojas, feiras e gráficas. Os sócios podem alimentar ESTE BLOGUE (é por isso que mal se inscrevem recebem um misterioso convite do Blogger!) com informação relevante da cultura independente: resenhas críticas a zines, livros, discos, etc…, divulgação de eventos, “scene reports”, o que quiserem desde que não metam publicidade ao último disco de Sonic Youth ou do Tom Waits, que são artistas independentes mas que não precisam de nós como é óbvio. Alguns "posts" são posteriormente apagados quando são eventos que não tenhamos ligação passem de validade (ex. uma exposição individual de um ilustrador) ou publicidade pura e dura (um "post" sobre um zine mas sem qualquer espécie de reflexão crítica). Isto porque o blogue não pretende ser uma base de dados de tudo do que acontece por aí até porque há sítios actualmente mais indicados para isso como a Tipo.Pt (zines e livros de artistas) ou Under Review (música portuguesa).

Por fim, um caso prático, se o associado for um autor de uma publicação e quer que a CCC ajude a distribuir a sua edição, deve agir da seguinte forma.
1) escrever à Direcção da CCC para estabelecer um preço, desconto para sócios (se possível) e forma de entrega de exemplares;
2) colocar um “post” no blogue da CCC a promover a sua edição;
3) e nós recebemos depois as encomendas, comprando os exemplares e enviando para os sócios que pediram a publicação.

manual prático de uso da CCC (4/6) : bibliodiversidade

ilustração original de Jucifer (2009)
Quando escrevemos que os nossos livros têm qualidade para serem oferecidos a amig@s normais, namorad@s anormais, a elementos da família disfuncional e outros animais racionais no "post" anterior não estávamos a brincar! É que a Associação Chili Com Carne tem tanto interesse pela Banda Desenhada como um cão pelo Reagan - esse porco nazi foi cremado ou ainda há ossadas?

Apesar de termos uma apetência para a ilustração, desenho e BD, a Chili Com Carne NÃO É uma editora de BD! Gostamos tanto dela como gostamos de música ou literatura, e gostamos ainda mais de cruzar estas diferentes áreas entre si - porque pensam que nos chamamos de Chili Com Carne?

Por isso se procura temas africanos podem encontrar no nosso catálogo (e da MMMNNNRRRG) os romances de Nuno Rebocho e de Rafael Dionísio ou o livro de BD de David Campos! Se for música temos o Rui Eduardo Paes, se for cinema temos a Ondina Pires, viagens a colecção LowCCCost, desenho o André Ruivo, autobiografia o Marcos Farrajota, reportagem o grande Aleksandar Zograf, ficção o Afonso Ferreira, auto-ficção o Francisco Sousa Lobo, humor o Loverboy, erótica o Grupo Empíreo, arte e cultura temos as antologias Antibothis, Subsídios... Sim temos isso tudo com vários cruzamentos possíveis!

Querem livros pequenos? Conhecem o Paris Morreu (em formato A6)? Livros grandes? Que tal AcontorcionistA : Calendário (A3)? Capa dura? Malus... Disco em vinil? Çuta Kebab & Party (10")...  DVD? 15th SWR (c/ uma BD-reportagem incluída)!!! Serigrafias? Por favor...
E para o irmão de 5 anos? Ele vai tripar com o Caminhando com Samuel!
E para a sogra de 76 anos? Ela vai tripar com o Caminhando com Samuel!
E a prima gótica drogada? Neuro-Trip...
E assim para aprender inglês? Destruição, Desenhador Defunto,... Livros de BD em inglês com legendas em português. Aprende-se mais a ler algo que se gosta do que a seguir a cartilha, não?
E livros premiados porque eu só ofereço Qualidade aos meus amigos? (Que pedante!) Olha tens o Já não há maçãs no Paraíso (TITAN 2009) ou o Revisão: Bandas Desenhadas dos anos 70 (Festival da Amadora 2016)...
E malta famosa há? Sim, já editamos o Mike Diana, João Fazenda, João Maio Pinto, Pedro Brito, Ondina Pires (dos Pop Dell'Arte, The Great Lesbian Show), Nuno Rebocho, Tommi Musturi, Marte, Igor Hofbauer, Fernando Ribeiro (Moonspell), Jarboe (Swans), Aleksandar Zograf, André Lemos, Pedro Zamith, Rui Eduardo Paes, Vadge Moore, Jorge Coelho,...
E novos autores? (Que chato) Montes deles pá!!! E alguns começam a dar nas vistas: Rudolfo, Zé Burnay, André Coelho, Amanda Baeza,...

Há alguma coisa que vocês não tenham? Sim!!! Só não temos livros de culinária, auto-ajuda e de gatinhos... mas estamos a pensar em fazer isso mas à nossa maneira, claro!

Se a Chili Com Carne não for a melhor forma de comprar as melhores prendas aos preços mais baixos (se for associado, claro) então é que a TUA timidez esqueceu-se que não precisas de ter uma relação fria com o sistema automático da loja online mas podes fazer perguntas-imediatamente-respondidas pelo e-mail da CCC para saber mais sobre as nossas edições. Também podes frequentar eventos em que participamos (ver a coluna à direita no blogue intitulada de CCCalendário) para ver in loco o que editamos.

Não temos nenhum interesse, ao contrário das editoras comerciais, de vender "gato por lebre". É verdade que os nossos livros todos eles são muito diferentes entre si porque trabalhamos com ARTISTAS e não com robots, putas ou fantasmas. A diversidade de estilos e a oferta artística poderá criar alguma confusão aos leitores que muitas vezes querem "mais do mesmo" MAS connosco não funciona assim, pedimos desculpas pelo incómodo...

manual prático de uso da CCC (3/6) : os famosos 50% que agora são 30%...

desenho de João Fazenda para a CriCaClássica
Alguém disse uma vez: a Chili é o contrário das outras organizações que começam com grandes vantagens e depois começam a tirá-las ao longo dos anos.

Esperemos continuar assim por muito tempo, e cremos que a razão por terem dito deve-se ao facto que oferecíamos até 2016, 50% de desconto aos nossos associados sobre o nosso catálogo. Era um acto generoso muito simples na realidade, preferíamos "oferecer" metade do dinheiro da venda do livro a um leitor-associado do que a um distribuidor! Nem sempre foi assim, o trabalho da Witloof, uma editora que distribuiu os nossos livros entre 2000 e 2004, foi exemplar. Só que tal como muitas editoras e distribuidoras nos últimos anos, a Witloof fechou as portas e entre 2004 e 2014 não conseguimos nenhuma distribuidora que fosse fiável (é conhecido por elas não pagarem a editores pequenos) ou que aceitassem os nossos livros porque a BD é um "bicho-papão" no mercado livreiro - e a "BD de autor" ainda é vista de forma ainda mais marginal!

Em 2010 tivemos uma péssima experiência com a Great Point / Papiro / Buk, uma empresa de "vanity press", ou seja, uma editora que só publica autores se estes lhes pagarem os custos da produção do seu próprio livro! Claro que não queríamos que eles que nos editassem - isso nós sabemos fazer bem! - mas usar os seus serviços de distribuição. Resultado: tivemos de os processar para pagarem logo a primeira factura emitida. Foi um processo humilhante que se prolongou até 2012.

Neste panorama deprimente achámos que mais valia que fossem os associados a "distribuirem" as nossas edições. Se os associados podem comprar os nossos livros a preços tão baratos, o resultado seria que teríamos os associados a comprar mais livros do que o seu normal consumo individual e isso compensaria não ter uma distribuidora comercial criando um circuito autónomo. Simples! Claro que sabemos que a vida anda complicada, e não queremos doutrinar ninguém, mas o que na realidade que pedimos dos sócios é que comprem livros à CCC, MUITOS livros! Ehm... muitos exemplares do mesmo título! Dentro das vossas possibilidades, claro!

Sabemos que os nossos livros têm qualidade para serem oferecidos a amig@s normais, namorad@s anormais, a elementos da família disfuncional e outros animais racionais. A ideia é que adquiram livros nossos em deterioramento a compras às grandes editoras que foderam (não há outro termo, desculpem) o mercado livreiro. Alimentar o sistema de edição actual pensando que estão a fazer algo de positivo pela cultura ou pelos autores é uma ilusão! O livro é o objecto mais importante criado pelo Homem e está a ser mal-tratado neste último quartel. Se acham isto exagerado, e porque não queremos que pensem que somos solipsistas a impingir-vos algo, consultem O Negócio dos Livros : como os grandes grupos económicos decidem o que lemos, de André Schiffrin editado pela Letra Livre. E depois falamos, desta vez sem palavrões...

Entretanto, desde 2014 que temos uma distribuidora oficial - a Europress - e apesar da boa experiência com ela, algo tem mudado internamente no modelo económico da Chili, o que significa que manter os 50% de descontos nos nossos títulos não poderia continuar. E desde dia 4 de Fevereiro de 2017 que tivemos de baixar o desconto para 30% para que se possa sobreviver no meio livreiro. Mesmo assim o desconto continua ser excelente e não parece que o primeiro parágrafo deixe de ser verdade...

manual prático de uso da CCC (2/6) : edições esgotadas

Ilustração de Nunsky para o esgotado Chili Bean
E quando um livro da Chili Com Carne esgota porque fica tão caro? É para ser mitra ganancioso como aquela gente dos livros de artista!?

Nope!

É verdade que aumentamos sempre o preço de uma edição prestes a esgotar a partir dos últimos 10 ou 20 exemplares mas a razão é que queremos que esses últimos exemplares sejam adquiridos por quem quer mesmo e não para um consumidor tarado qualquer que nem sabe o que está a comprar... E é verdade que também é para capitalizar um pouco mais com esses últimos exemplares porque os nossos livros se pagam as despesas de impressão, raramente fazem muito lucro - já para não falar da falta de remuneração dos autores e editores...

Mas se venderam tudo não era de reeditar? O que acontece é que sendo uma estrutura pequena como a nossa não temos capacidade para reedição porque significa voltar a investir dinheiro num projecto em deterioramento de outros novos. Significa também ter que arranjar mais tempo e espaço para armazenar livros. O que poderiam perguntar é porque uma editora profissional não pega nos nossos livros esgotados e nesses autores que deram provas de sucesso?

O que sobra depois de acabar uma tiragem? Tentamos que o livro ainda assim não "morra" totalmente e colocamos em formato digital (PDF) grátis para ser descarregado ou lido no nosso site ou na plataforma issuu.com e claro há sempre os arquivos públicos ou privados que tiveram o cuidado em nos dar guarida: a Biblioteca Nacional é obrigada a tal (é por isso que existe a figura do Depósito Legal, não é à toa que eles tem o super-raro MASSIVE!!!) mas podem encontrar a maior parte do nosso catálogo nas Bedetecas da Amadora, Beja e Cascais e nas BLX (são 15 bibliotecas de Lisboa em que destacamos o acervo da Bedeteca de Lisboa por questões óbvias!), em bibliotecas de faculdades como o ISMAT (Portimão), a Faculdade de Belas Artes do PortoFaculdade de Letras do Porto, em galerias como a Perve (Casa da Liberdade) ou projectos sociais como uma biblioteca em Oeiras promovida pela SANEST. E claro, como os estrangeiros não são nada parvos, também estamos na Fanzinoteca de Poitiers (França) ou na Bedeteca de Estocolmo, por exemplo...

Há sempre hipóteses de encontrar ainda em algumas lojas os títulos esgotados, ou porque há um cuidado extremo em ter sempre tudo acessível como faz a inacreditável Mundo Fantasma, ou porque os exemplares são metidos em catacumbas-caixotes-máquinas-do-tempo como acontece com a BdMania. É de ir lá perguntar se ainda têm o Sourball Prodigy!

manual prático de uso da CCC (1/6) : portes grátis



Vinheta de BD de Marcos Farrajota in Cru #49



Com as campanhas especiais (atenção que o sócio nº 300 está para breve!!!) que fizemos e com o concurso dos 500 paus entraram muitos novos sócios, muitos sem percebem muito bem o funcionamento da Chili Com Carne.

Este é o primeiro de seis "posts" sobre questões práticas na CCC, começando com o tema que é quase o dia-a-dia de quem dirige a associação: os correios! Mais especificamente os portes grátis da encomendas das nossas edições! A Chili Com Carne assume-se como um veículo para a promoção da leitura e para além de fazer já descontos escandalosamente bons aos seus sócios também NÃO COBRA PORTES no envio de livros - sendo que exigimos apenas que as encomendas tenham um valor mínimo de 5 euros em Portugal e 15 euros para a UE (ver coluna esquerda da shop). Porquê?

1) porque é uma seca andar a pesar livros e fazer continhas às gramas de papel impresso - o trabalho na CCC é voluntário por isso não temos tempo a perder;

2) porque os CTT praticam uma taxa reduzida para envio de livros que tornam os custos de envio mínimos mesmo para a nossa pequena estrutura - esperemos que a privatização desta empresa que faz um excelente serviço público não destrua esta taxa que pode ser usada por todos que queiram enviar livros, editores ou não - ler a última BD deste livro, sff.

Por isso, para quem não vive em grandes centros urbanos, como Lisboa ou Porto, para aceder a boas livrarias (as que aceitam os nossos livros) o que propomos é um elogio à preguiça do século XXI! Basta usar o computador que em poucos dias os livros aparecem em casa! Não precisa de sair de casa para ir ao Fórum [nome da terra] à procura da Bertrand ou FNAC com o risco de ser tentado por mais um livro de Vampiros eróticos ou uma autobiografia de um político escrita por um "ghostwriter".

Por fim, não estamos a imitar a Amazon! Já fazíamos isto antes da Amazon ter sido inventada e ao contrário desta besta capitalista, não ambicionamos destruir as livrarias nem ter uma sede social em Luxemburgo para fugir aos impostos. Tenham também isso em conta!

sexta-feira, 8 de março de 2019

Coelho Diplomatique


Como aconteceu em Janeiro, eis na edição deste mês a participação de Manuel João Neto e André Coelho no Le Monde Diplomatique com uma banda desenhada segundo a seguinte premissa: Será a caneta mais poderosa do que a espada? Nestes tempos assanhados, desafiamos autores de Banda Desenhada a reagirem a esta pergunta. Nos próximos meses, a edição portuguesa do Le Monde Diplomatique vai publicar as suas respostas...