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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

"Da noite para o dia" de Sofia Neto na Cult



E Da noite para o dia... eis o novo livro de Sofia Neto, artista gráfica doutorada em Black Mirror e especializada em distopias privadas!

Já se encontra na nossa loja em linha e na BdMania, Cult, Greta, Kingpin Books, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Matéria Prima, Mundo Fantasma, Socorro, Utopia (Porto) e Subtil (Almada).

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 Sinopse: Ana vive no norte de Portugal. Possui um dispositivo capaz de alterar o comportamento das pessoas sem que o saibam, com resultados imprevisíveis. Clientes anónimos pagam para que ela o utilize em diferentes pessoas e pedem-lhe que pare assim que as alterações desejadas são verificadas. 

Trabalha desta forma dia e noite, sem se preocupar com os motivos dos seus clientes ou com as consequências do seu trabalho, acreditando que as suas ações têm um efeito positivo no mundo. 

Um dia, depois de não conseguir levar a cabo um contrato e de viajar para a costa sudoeste do país, Ana conhece Luca, que pretende que ela use o dispositivo nele, com o seu conhecimento e consentimento para que ela enfrente as consequências do seu trabalho, enquanto a sua identidade é destruída diante dos seus olhos.



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112 p. 2 cores 18x24cm, capa a 3 cores com badana interior, brochado

ISBN: 978-989-8363-57-2





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HISTORIAL:

obra realizada no âmbito da Bolsa de Criação Literária em Banda Desenhada da DGLAB em 2020

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A lançar oficialmente a 17 de Julho no Clube de Desenho (Porto), às 18h30, com uma conversa da autora com Nuno Sousa



entrevista no Pranchas e Balões

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FEEDBACK:


(...) este livro arrisca-se a poder ser visto como um importante marco na ficção científica portuguesa, não tanto pela sua espectacularidade - usualmente um efeito de superfície para embasbacar leitores de impressões, e não de profundidade - mas pela forma como explora consequências sociais, políticas e identitárias de tecnologias, as quais, "inexistentes", estão bem próximas daquelas já em vigor. Nesse sentido, sinto-lhe grandes afinidades com Madoka Machina de André Pereira. Atente-se, para mais, à sua rede temporal narrativa e aos efeitos de referencialidade da nossa realidade local, e isso apenas reforçará os elos interpretativos propostos. Por outro lado, de forma mais enviesada, mas que tem a ver com identidade e desejo, haverá igualmente ecos com a trilogia de Filipe Seems, de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves, quase esfumados pela distância, mas ainda assim presentes.

Pedro Moura in Ler BD


4,5 estrelas in Ípsilon / Público

 


 

(...) poderia perfeitamente evocar Perfect Blue de Satoshi Kon (...) a inocência afigura-se fatalmente irrecuperável.

Inês Caldas in A Batalha #305

 

(...) Gostei muito da ideia e como ela a introduziu devagar ao longo da história. (...) independentemente do tema do livro, da pertinência do assunto que trata, é um trabalho gráfico maravilhoso. Dei por mim a lê-lo especialmente devagar para apreciar o desenho em cada vinheta. A Sofia é particularmente boa a dar movimento, expressão e maleabilidade aos personagens... sou fã :-)

Mosi (via email)


(...) Daí à leitura desencadear um questionamento sobre se o conteúdo destas pranchas é assim tão distante como queremos crer da realidade em que existimos, trabalhamos e asseguramos meios de sobrevivência é um salto. Demasiado curto para que a etiqueta de ficção científica nos proteja.

Sara Figueiredo Costa in Blimunda

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

SEXOPATIA na Restory (Galiza)


Há uma grande probabilidade do novo livro de Marcos Trindade ser colocado numa caixinha de "livros marotos" ou pelo menos ao balcão da livraria em situações embaraçosas... A Chili Com Carne adverte desde já que não alinha com esta ideia.

Alguns já poderão ter a oportunidade de concordar - ou discordar - porque o livro já circula pela nossa loja em linha e também nas livrarias Cult, FNAC, Kingpin Books, Letra Livre, Linha de Sombra, Matéria Prima, Mundo Fantasma, Snob, Socorro, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, Velhotes, Vida Portuguesa, ZDB,  Modo Infoshop (Bolonha), TFM (Frankfurt), Quimby's (Chicago), Restory (A Corunha, Galiza) e Le Mont-en-L'air (Paris).

 


Sexopatia

de

Marcos Trindade

88p 16,5x12,5cm a cores, capa dura a cores, 12 eur.



O sexo como conforto e derradeiro escape social é um tema que já apareceu na obra deste artista gráfico mas pela primeira vez dedica-se exclusivamente ao tema neste livro de três andamentos. 
 
O primeiro é a materialização - qual impressora 3D - de anúncios de propostas sexuais no "Correio da Manha", que são expostos com ilustrações surrealistas e um humor cáustico. Segue-se um "Bazar" de objectos sexuais a lembrar as maravilhosas invenções inúteis japonesas chindogu para acabar num catálogo anatómico em que só resta a insatisfação. 
 
Afinal de contas, o cliente NUNCA está feliz por mais "Sextas-Feiras Negras" que existam no mundo...




Marcos Trindade nasceu em Coimbra em 1966. Mudou-se para Lisboa nos anos 80, integrando movimentos artísticos nascidos da movida lisboeta. desenvolve a sua actividade na área da BD e da ilustração. Avesso a compromissos institucionais, trabalha como autor independente, tendo publicado na nossa editora irmã-defunta MMMNNNRRRG (2000-20), o livro Os Acrobatas (2015).
 

Feedback:

(...) um retrato carnavalesco de uma certa sociedade política portuguesa. Sexopatia, não deixando de poder providenciar umas achegas à cultura local, todavia atinge um contorno mais alargado, quem sabe próximo do universal. Num momento em que, positivamente, se fala de forma mais franca, aberta e democrática de saúde mental, de expressões da sexualidade, de identidade, de liberdade no amor, de debatermos formas saudáveis de repensar as relações entre as pessoas, inclusive sexuais, mas igualmente sob a esteira de novas justiças e reequilíbrios sociais e políticos em relação às mesmas realidades, não convém deitar fora o bebé com a água do banho. A pulsão sexual é, ainda, selvagem, animal, conspurcada, absurda, porca, estúpida, má, egoísta, bruta, franca, e, por isso, um dos grandes bastiões da verdadeira e ulterior liberdade humana.

(...) Nota final: estando o livro dedicado à minha pessoa, temo que haja uma interpretação genérica e abusiva de que haverá algo na minha experiência ou personalidade que tenha levado o autor a fazer essa associação. Cliente assíduo da leitura dos anúncios? Frequentador de sexualidades mais à mão? Consumidor contumaz de objectos destas fronteiras? Da fama não me livrando, defendo-me tão-somente dizendo que os livros supostamente carregam a verdade, mesmo que sob mantos diáfanos da fantasia.

Pedro Moura in Ler BD

 

(...) os traços pontilhados que compõem estas imagens mostram brinquedos sexuais, objectos corrompidos na sua função, corpos alterados, mas o que revelam é uma tremenda e generalizada apatia emocional

Sara Figueiredo Costa in Expresso


(... ) desenhos brilhantes na sua inventidade crítica (...)

JL


I enjoyed reading Contos de campo and Sexopatia  (...) they are beautiful! 

 Harukichi (via email)




sábado, 30 de maio de 2026

AI AI hentAI ::: últimos 50 exemplares!! - LIVRO DO DIA stand H12 na Feira do Livro de Lisboa



 


A Chili Com Carne, com a 5me Couche e a Echochamber, têm o prazer de anunciar a publicação da primeira Banda Desenhada sintética escrita e desenhada por uma Inteligência Artificial, sob a batuta de Ilan Manouach.

 



Este artista grego tem impressionado o mundo com CoCo (Conceptual Comics), pornografia para intelectuais, BD para invisuais e até ao The Guardian caiu-lhe o queixo com a edição do livro com a maior lombada de sempre. Agora é a vez de pôr a Inteligência Artificial a trabalhar em modo de Hentai num ensaio-espiral de deixar Foucault agitado na tumba.

Fastwalkers é uma meditação não-linear sobre "deep learning" e que celebra a poesia inesperada da computação e que explora novas possibilidades de leitura.

Obra nascida das experiências continuadas de Manouach sobre a abundância informática e as economias afectivas da BD, este selvagem e alucinogénico livro mostra textos e imagens totalmente produzidos por aprendizagem automática.

Desde os inícios do século XIX, que a indústria da BD expandiu-se de forma simbiótica com o desenvolvimento da impressão, distribuição e tecnologias de comunicação. Sendo um médium altamente digitalizado, com comunidades activas em linha, a BD presta-se a processos de programação que definem a própria aprendizagem automática. Nos dias de hoje, estes processos sintéticos estão a modificar a forma como produzimos, consumimos, arquivamos e percebemos todos os media, incluindo a BD.

Co-criado com a última IA (GAN, GPT-3) e desenvolvido com uma equipa de engenheiros informáticos e designers interdisciplinares, Fastwalkers é uma amalgama de diferentes comunidades de bases de dados, algoritmos de busca de marcas registradas, regimes de indexação, "beta testing" e modelos generativos. As ferramentas foram treinadas sob milhões de unidades de informação e corpos de texto para criar este livro. O resultado é uma paisagem semântica de camadas de ambiente cujas harmonias e dissonâncias revelam a mudança da natureza agregada do conhecimento na era do semiocapitalismo e ilumina as qualidades computacionais inerentes da BD para jogar com o espaço cognitivo do leitor.



Obra redigida em inglês, lançada no Festival de Angoulême 2023 com 150 exemplares disponíveis em Portugal, desde Outubro 2022, estão na nossa loja em linha e na Tinta nos Nervos, Tigre de Papel, Kingpin, Snob, ZDB, Utopia, Linha de Sombra, Meia Volta de Úrano e Matéria Prima.




estes "bots" humanos falam do livro aqui:


(...) livro difícil de atravessar, marcado pelo estilo das hentai japonesas (...) mas sobretudo pela dificuldade de acompanhar uma linha narrativa por entre as reflexões sobre processos de aprendizagem computacionais geradas, precisamente, por um computador

Sara Figueiredo Costa in Expresso

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Artigo "Para quê contratar artistas de banda desenhada se a banda desenhada se pode desenhar a si mesma?" de Ilan Manouach, traduzido por Pedro Moura e publicado no blogue Bandas Desenhadas


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 Artigo de Manouach no The Comics Journal

 

 

Comics, Creativity, Artificial Intelligence and Cognitive Synthesis: Intersections and Concerns A talk with Ilan Manouach, creator of synthetic comics such as Le  VTT comme je l’aime, Fastwalkers, and Out Side.  Respondant: Hugo Almeida (CIUHCT); moderação e apresentação: Pedro Moura (LerBD). 22 Junho 2025, 18h, Casa do Comum (Bairro Alto)

 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

TARWAR - comemorando um ano do "apagão"!!!


Novo livro do polémico Ilan Manouach, sendo que este Tarwar é CoCo (Conceptual Comics) no estilo mais clássico deste artista transmedia.

Tarwar explora um património global de Banda Desenhada através de tecnologia de Visão por Computador para procurar um elemento visual muito especial: a vinheta preta! 

Eis um "código da BD" que podemos encontrar em todo o tipo de BD, regiões e contextos culturais mais variados tornando-se até numa imagem icónica - mesmo que o seu significado seja um oximoro porque representa o nada e a obscuridade. Vinhetas pretas não representam apenas a noite ou a escuridão, funcionam numa narrativa como um momento de introspeção ou de suspense.

Tarwar é composto apenas por vinhetas pretas mostrando como a BD criou uma linguagem que transcende fronteiras geográficas, culturais e até estilísticas. Eis um puro desaire estético!


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Projecto co-editado com a Echo Chamber, 5eme Couche, Nero, Lystrisng e Inkpress

165 x 240 mm 120p a cores, brochado

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Está disponível na nossa loja em linha e na Matéria Prima, Mundo Fantasma, Socorro (Porto), It's a Book, Kingpin, Linha de Sombra, STET e Tinta nos Nervos (Lisboa).


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entrevista no The Comics Journal

Melhores de 2025 no The Comics Journal


domingo, 7 de dezembro de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (12)

No Brasil só há um gajo que pode bater o Fábio Zimbres e esse gajo é o Jaca! Espera!!! Os dois estão juntos neste livro intitulado Corte e Costura (MMarte; 2025)!!!!!! Putzzzzzzzz! Ao que parece a produção do que seria um simples fanzine transformou-se numa epopeia de desgraças até ser transformado num livro - graças ao amparo editorial do Márcio Jr. (dos Mechanics). 30 desenhos do Jaca são rasgados a meio pelo Zimbres para ele fazer continuações dá em 60 "cadáveres-esquisitos" de alto nível gráfico. Para alguns ignorantes será baixo nível porque "o meu filho também desenha isso" e toda essa chachada repetida milhares de vezes ao longo da História. sim sim, desenhos "infantis", punks, brutos, voragem  gastropática de Pop mundial, em que não faltam cães, carros, casas, foguetes e humanos tontos, todos felizes num ambiente que nem é Utopia nem Distopia, antes uma espécie de "circumtopia", algo ao lado que não se define como pacífico mas também não destruidor. Tudo misturado mas "as pessoas até são felizes lá.". Muito bem! Muito bom!


A k7 de estreia de Enemy Wong significa também o regresso do punk italiano Saba a Portugal. embalada com cartão e com um stencil tão bruto como o som da música. É um electropunk qualquer que a dada altura envereda num pica-miolos digno de toing toing. É preciso ter coragem e vontade para ouvir estão confusão ideológica que Make China Great Again (wtf?) e Burn a Testla (sim, concordo) mas a comunicação com o Saba nunca foi fácil... 






The Artist's Mess é que seria um bom título para este zine mas afinal chama-se 1th Zine "Once upon a time" (sic) da tal Beatriz de há dois anos - lembram-se? E que aqui assina "Beatriz Lopes" (lol). Pois é! Mais uma investida pelas lezírias de Alpiarça e mais uma vez lá estava uma grupeta de jovens com zines feitos para o Festival. E mais uma vez o trabalho da Beatriz destaca-se graças à sua escatologia "cute" dos óbvios Manga/Anime e um esoterismo Poppy pouco preocupante - e até uma referência ao Bambi no filme dos Sex Pistols e uma poesia dedicada à Laika-cadela, não à Laica-feira claro. Tudo isto é trabalho verde mas com alguma convicção que acredito que irá a algum lado... Vamos ver pró ano, o que nos reserva!

sábado, 29 de novembro de 2025

O ANDAR DE CIMA - The Upper Room / ESGOTADO


Uma co-edição da Chili Com Carne com a Faculdade de Ciências e Tecnologia e a escola Ar.Co.
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Uma Banda Desenhada de Francisco Sousa Lobo baseada na palestra A Modulação da Tomada de Decisão: Pode o cérebro ser influenciado? ocorrida em Maio de 2014 e com as participações de Miguel Esteves Cardoso, José Manuel Pereira de Almeida, Alexandre Castro Caldas e Nuno Artur Silva.
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20p. 21x27cm impressas a castanho, capa a duas cores.
ISBN: 978-989-8363-28-2
edição em português com legendas em inglês
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new comix by Francisco Sousa Lobo (from The Dying Draughtman fame) inspired in a congress about neurology, in Portuguese with English subtitles. It's about the brain and about a conference on decision that took place at Universidade Nova in Lisbon. It's not institutionaley didactic comics, it's straightforward fiction.
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ESGOTADO mas pode ainda encontrar na Mundo Fantasma, BdMania, STET, Linha de Sombra e Tinta nos Nervos
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buy here or at Quimby's (Chicago), Modern Graphics (Berlin) and Floating World (Portland)







Feedback : 

O autor experimenta diversas soluções para as suas pranchas e revela maestria nas transições entre as vinhetas, sendo extremamente proficiente na enorme quantidade de informação que, também como música de fundo, transmite ao leitor nas poucas páginas que constituem a obra. Aliás, esta aparente (...) simplicidade é um dos grandes trunfos desta banda desenhada, perante o complexo tema que aborda. Mais uma vez, Francisco Sousa Lobo brinda-nos com uma BD que figurará certamente entre as mais conceituadas listas do que melhor se produziu este ano em banda desenhada no nosso país. 
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Un racconto a fumetti insolito da un autore portoghese, creato in occasione di un convegno di neurologia. Il segno scarno e il montaggio ipnotico di Francisco Sousa Lobo riescono a conferire inquietante esattezza a una storia che parla di cervello, paranoia, solitudine e Fado. 
Andrea Bruno na sua escolha de últimas cinco melhores leituras de BD para o Fumettologia 
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N’O Andar de Cima, claro, o protagonista tem que ser velho o suficiente para ter sido apanhado pelos fachos, mas Lobo nasceu em 73. Pode não ser ele. Mas é ele, ainda que tangencialmente. De lembrar que, por exemplo, a história de Zona de Desconforto é autobiográfica a nu, espécie de Art School Confidential com menos tiques e a ir mais fundo: dois dedos de conversa sobre o doutoramento na Goldsmiths e um historial de depressão com um surto psicótico. Não é por acaso que isto nos põe desconfortáveis — ver um gajo desbobinar-se numa bd não é pêra doce —, e somos quase forçados a concluir que aí sim, foda-se, o gajo viveu para contá-la, isto é que é bd. Tanto ele como nós sabemos que não é bem assim, daí as tangentes e as reviravoltas, porque narrar-se é mais do que uma estratégia argumentativa em banda desenhada; é uma estratégia identitária também. 
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Resenha sobre O andar de cima e outros trabalhos de FSL no Ler BD de Pedro Moura 
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nomeado como Melhor Argumento e Melhor Publicação Nacional pelos Prémios Central Comics 2015 
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 un cómic en bitono en el que Sousa Lobo presenta a un hombre que escribe un monólogo que se desarrolla durante todo el cuaderno, en el que profundiza en los temas recurrentes del autor: la identidad, el proceso del pensamiento, y los recovecos de la mente. Es un discurso conexo pero complejo, en el que mezcla a Shakespeare con la neurociencia y que también toca cuestiones interesantes, como la imaginación y su contacto con la alucinación. Se trata de un monólogo de loco —o por lo menos de obsesivo / compulsivo— de raíz muy literaria, pero que Sousa Lobo desarrolla con recursos puramente gráficos, gracias a un dibujo sencillo y al uso de símbolos recurrentes.

domingo, 12 de outubro de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (10)

Depois do "grande livro" do Gato Mariano, o bichano crítico dos comportamentos culturais dos  seres humanos andou meio desaparecido do físico e largou a canga da música portuguesa publicando tudo na rede social "instagrana" - que algumas pessoas, como eu, não podem aceder. Recentemente o seu criador Tiago da Bernarda fez alguns zines - O Gato Mariano : Herói do Proletariado e O Gato Mariano contra o Mercado - talvez para sentir outra vez o cheirinho do papel e da tinta. Eis que chegamos ao O Gato Mariano : Miau de vários ofícios (2020-2025) com aspecto de "single" pois trata-se de uma compilação temática das "tiras humorísticas" do Gato. Esta primeira - com bela capa em serigrafia - por acaso anda pelo mundo da música indie e o seu mercantilismo. Humor inteligente e refinado que morde em todos mas claro que os gatos quando brincam a morder sabem controlar as dentadas para não magoar o dono. 

Compras aqui!


O finlandês Marko Turunen como já tinha escrito aqui anda a reeditar a sua obra completa para belos livros redigidos em inglês. A nova fornada de livros inclui o Der Round compilado, num formato maior e com mais páginas mas o inesperado é este Goose Step in E Minor! Escrito por um amigo da juventude de Turunen, Mika Jurva em 1992, é originalmente uma das primeiras tentativas de Turunen fazer uma BD e publicá-la, com ambição de se tornar autor de BD. A BD foi feita com o esforço da juventude e foi redesenhada há poucos anos quando Turunen aderiu às novas tecnologias de desenho - via digital - devido a problemas de vista. A BD aqui publicada foi "recuperada" como um exercício de Turunen para se habituar à maquinaria. É giro que a ideia de um detective hipopótamo seja mais tarde recriado na série Elephantmen (Image; 2006-). Topa-se - e é assumido - a influência cósmica-esotérica de Moebius quer na história (hermética) quer no traço linha-clara-yang, influência justificada porque os dois putos finlandeses estavam isolados q.b. numa terrinha - oi! Não havia internet, pá! Lê-se com frescura surrealista de outra altura da Humanidade... Resta dizer que o Mika faleceu com 30 anos, em 2003, e esta é uma forma bonita de homenagear alguém que desapareceu.

Novo disco de Vaiapraia, sim um LP!!! Alegria Terminal (Tons to Tell; 2025) é um disco limpinho, finalmente percebe-se tudo o que o Rodrigo canta e/ou berra. Assim os seus psico-dramas amorosos ou tretas do quotidiano aumentam a sua dimensão a emoção - e sim, os heteros + cis podem-se identificar com as letras não fosse o Rodrigo um escritor astuto. A parte instrumental está cada vez "experimental" mesmo que isto significa usar as matrizes gastas do Garage, Punk e Indie mas o que poderia dar em clichés chatos é justamente o contrário que acontece, este álbum brilha como uma estrela. Meu, se este não for o disco no ano, então estamos num país todo fodido.

Sei que há uns problemas com a edição, por isso, eis um aviso à population: despachem em arranjar um exemplar senão terão de comer papa digital.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (6)



DJ Balli acabou de esporrar na boca do Francis Fukuyama (1952-2027) e as suas tretas do fim da História! Esta k7, Scrap Vinyl (Vinilificio; 2024) com ar “clean” e corporativista é uma “mix” de discos vinis da sala dos restos da fábrica fonográfica Vinilificio. Ou seja vinis, discos de música, que foram usados para testes ou rejeitados devido a problemas técnicos para discos vinis oficiais / comerciais. Balli misturou estes testes criando uma peça única que começa com a “hauntology” da agulha do gira-discos, passando por noises concretos e magmas de electrónicas de meter inveja ao Christian Marclay. O lado B da k7 é o espelho do Lado A, ou seja, o tema é tocado em sentido inverso. Não só estamos em modo de reciclagem mas já na tipificação do que será a música e a cultura da pós-história em que as baratas mutantes e as ratazanas humanas irão fazer idêntico, pelo menos até à última bateria eléctrica pifar. O Balli é um génio não-compreendido! Snif snif


 

Parece que foi ontem que saiu mas já lá vai no número seis este Verruma, um "atlas visual" ("opuntiaman" dixit) mas na realidade é um caixote do li(u)xo de André Lemos enquanto prepara os monográficos da Opuntia Books. 
Este número é um misto de colaborações obscuras de Caitlin Bravas, L.L., S.L., ZMB com famosos-mortos de Antonin Artaud e Francis Picabia em alegre orgia gráfica. Caramba juro que me esforcei em procurar uma linha temática por aqui, será os "corpos"? "O grande chifrudo"? 
Tudo bem, tudo isto é deleite visual, não precisa de ligações especiais. Vêm à cabeça que invés de pensar nisto num reciclador de imagens, que é antes o recreio de Lemos & cia, onde vale tudo sem egos a baterem-se.  Muito bem! Ah! E a tiragem aumentou para 25 cópias, TRVE Zine aqui!




Tenho pudor em escrever o subtítulo do livro Ocorrências Nocturnas (Bicicleta; 2025)  de Rafael Dionísio... Com a designação "Exercício de Escrita" parece-me que se mete num gueto experimental que só os intelectuais é que podem aceder, quando na verdade o livro é acessível e divertido - alguém poderá também de lhe chamar cínico ou misantropo mas isso até é fixe para se debater. Na realidade é o grande regresso aos "anti-romances" de Dionísio - termo que ele cunhou, creio - como A Sagrada Família, Lucrécia e Tempo da Geração Espontânea. Depois de três livros de contos, sendo O autocarro o último desta temporada, eis de volta a uma narrativa longa. Baseado em cadernos encontrados por João Chambel e Daniel Lopes na rua do Hospital Júlio de Matos, estes documentos inspiraram ao Dionísio em usá-los para escrever as suas alucinações já lá vão 10 anos, entre indecisões e criação de um "Frankenstein". E, na recta final, cortou sei lá quantas palavras para chegar a esta forma, que é escorreita e enigmática q.b. Cortar é sempre bom tal como na casaca(-de-forças). Um excelente regresso ao "culturismo Hardcore" (esta só poucos irão perceber!) à la Dionísio. É lançado este mês na Casa Fernando Pessoa, dia 19 creio... estejam atentos!

domingo, 4 de maio de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (5)

 


Não é o primeiro livro e se calhar não vai ser o último que a 50 Watts edita sob o desígnio Anthropmorphic Japan com a colaboração do Samplerman numa dúzia de colagens psicadélicas como só ele saber fazer. Estes livros reúnem imagens de forma temática sacadas até aos anos 60 (por causa de Direitos de Autor suponho eu) numa verdadeira orgia em que percebemos porque o "Ocidente" realmente abriu e abre ainda a boca à cultura gráfica japonesa, ao ponto de terem influencido as vanguardas artísticas europeias no século XX e a miudagem no século XXI. Este volume que consegui é um especial sobre sapos, The Frogs (2024). É raro eu comprar um livro que seja só gráfico mas é impossível não ficar atraído pelas cores, imaginário e impressão (entretanto com uma patine de vintage em cima), enfim, toda uma qualidade de tirar o fôlego. Os batráquios ainda são misturados pelo Samplerman que sempre acrescenta uma contemporaneidade à coisa. Em Portugal creio que o livro pode ser pedido aqui.

Até o último dos moicanos se rende à merda do "intagrana" e é por isso não tenho uma imagem para vos mostrar do terceiro volume de Fosso (Imprensa Canalha; 2025) de José Feitor. A5 e capa em serigrafia, avança com grande pinta por um discurso desbragado contestatário antisistema que tem algo de louco de Art Brut senão soubesse que o Feitor tem canudo e os funcionalismos todos para pagar os seus impostos e coimas. No fundo há algo de crise da meia-idade em que se quer mandar tudo para o caralho mas falta a crença. "Renovado exercício de militância redundante" escreve na ficha técnica o autoconsciente autor/editor. Que seja exercício e redundante, agora que toda a animália e calhaus do poder estão em alta. Puro deslumbre gráfico, a gente paga por isto!


Animais mesmo são estes tais de DJ Divinal e MC Primitivo que se estreiam com a k7 Destino Hipérborea (Rasga + Rotten \ Fresh; 2025)! Animais niilistas que sabem da sua impotência para mudar o mundinho e preferem estrategicamente acelerar, ir em frente com força para bater contra o muro, espatifando tudo. Ficarão os restos mortais. Devia ser Favela Funk mas facilmente estes boémios entram em Gabber, glitch, fake samples, noise pobreta, electro-metal onde Death Grips largou as botas, tudo num estilo cartoon que será acusado de apropriação cultural e o catano pelo woke-nation. Quisifodam, está aqui mais um passo à frente para o abismo da Humanidade nem que seja porque faz iconoclastia do Tintin!

sábado, 12 de abril de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (4)

Saiu este ano o Questmaster (Ao Norte; 2025) do Rodolfo Mariano, que é um gajo tramado!! Dá sempre a volta às coisas!!! Um gajo pede um registo autobiográfico para o Querosene (Chili Com Carne; 2021) e ele sai um tratado psicadélico sobre o como Coimbra é podre. Os tipos da Ao Norte pedem para ele fazer uma BD sobre "O Filme da Minha Vida” (nome da colecção) e saí tudo menos um bárbaro homoerótico com a megaxuxu da Grace Jones! Invés disso, parece que partimos para uma realidade paralela “furry” do filme do Conan (de 1982) com discussões filosóficas de pessoal embriagado. Dentro de um estilo que foi o seu último grande livro, Maldito Aquele Lugar,  é assim que ele deixa-nos pendurados mas com a vantagem de podermos fazer outros filmes na nossa cabeça! Muito bem!


Outro gajo tramado é o Fernando Cerqueira. Só quando fizemos o livro da comemoração dos 30 anos da SPH e 20 da Thisco é que pude ver finalmente as k7s que ele editou nos anos 90. Belas capas e embalagens, quase que demorei 20 anos para vê-las, desde que o conheci e começamos a colaborar em projectos... poças! Com o tal livro houve uma segunda vida para a SPH e se pensam que ele ia continua a fazer tudo por tabelinha esqueçam. Para provar isso eis que ao fazer a série de colectâneas Atonal (título homónimo do seu fanzine de 1990 onde vinha o primeiro volume) escolheu um formato diferente de apresentação, ou seja, uma embalagem que lembra algumas de produtos de tecnologia nos quiosques. Na segunda vida da SPH, além de ter reeditado velhas glórias, foram feitas k7s de recuperação de sons, obras e músicos vindos dos anos 80 e 90, como acontece com este terceiro volume (2022) onde, tal como as BDs de Mariano, somos apanhados de cuecas na mão para Noise, Techno experimental, IDM, Glitch, (mau) Ambient(e), dronaria e o catano, cortesia de Pas Musique, If, Bwana, Discman, Francisco Lopez, Manuel Mota,... Quando menos se espera tudo muda nesta colectânea e pergunto-me se não é assim que deve ser sempre? Seja como for, quem vê embalagens não vê os sons!


Outro cromo que surpreende sempre é o Harukichi e o seu DJ Cat Gosshie, cujo pelo dourado que larga converte tudo em ouro: já lá vai na terceira impressão, ganhou um prémio e dá mote a uma curta. Não é gatinho para dormir uma "catnap" sobre os seus louros e eis que saiu o número nove de DJ Cat Gosshie Short Stories (Toge No Jizo; Jan'25) que apanha alguma BDs feitas para as antologias Kuš! e Stripburger. Num A5 todo a cores deslumbram-se nas suas páginas de BD passeios ganzados pelo México, Angoulême e Cleveland, viagens essas em que serão aproveitadas de certeza para um próximo volume deste gatinho feito gatão!

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Life Is a Simple Mess ... ultimos exemplares ... até porque a Cleanfeed berrou ...




Como as obras deste livro tornam claro, a pureza, no seu lado mais extremo, quer venha da subtracção de elementos ou da negação do contexto, é uma experiência rara. Em interacção com a simplicidade e o turbilhão, esta experiência dá-nos acesso a partes escondidas da nossa mente que contribuem para o equilíbrio, a cor e a forma como nos imaginamos a nós próprios. E tudo isto justifica e realça a nossa humanidade. É assim que Nate Wooley, autor dos textos presentes no livro Life is a simple Mess, procura exprimir o sentimento de total perplexidade e verdade que as obras de Travassos nos transmitem.

Página a página, a surpresa supera-se a si própria, a partir de um imaginário sem limites onde tudo e nada se conjugam em pensamentos que abrem o cérebro para realidades paralelas, numa perfeita comunhão entre design e física quântica. Explorando a união ou a fricção entre elementos díspares e uma crueza ou crueldade que nos atravessa a todos em algum momento da vida, Travassos apresenta, em Life is a Simple Mess, uma selecção de obras gráficas - que reflectem o seu maior investimento de trabalho da última década, dedicado essencialmente à editora Clean Feed e Shhpuma e ao festival Rescaldo.

Do livro fazem também parte trabalhos para outras editoras como a americana Sunnyside ou a alemã Why Play Jazz, bem como algumas imagens inéditas criadas especialmente para o efeito. 

O livro contém ainda um CD com 7 temas, 5 inéditos e 2 previamente editados, de onde fazem parte algumas das mais sólidas bandas de Travassos, tais como Pão, Big Bold Back Bone ou Pinkdraft entre outras relíquias.

Edição CHILI COM CARNE em colaboração com a SHHPUMA (rip). Encontra-se à venda na BdMania, Mundo Fantasma, Tigre de Papel, Utopia, Matéria Prima, Louie Louie, Linha de Sombra, Neat Records, La Bamba, You to You e 4/Quarti...





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Historial: 

 livro lançado no dia 4 de Agosto de 2017 no Jazz em Agosto na Fundação Calouste Gulbenkian após o concerto de Larry Ochs com The Fictive Five com os autores Travassos e Nate Wooley presentes 

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Festa em Setembro no Damas para lançar a coisa sem a educação institucional do Jazz em Agosto, está prometida uma DJ Battle entre Marcos Farrajota (editor) e Travassos, aceitam-se apostas!!! 

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Reportagens no Público e P3 

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Sobre os autores:

Travassos é um artista multifacetado, que se exprime sobretudo a partir do design, da ilustração e da música. Colabora há mais de 10 anos com a editora Clean Feed / Trem Azul, sendo o seu principal designer, para além de ser o mentor e criador da editora Shhpuma e do Festival Rescaldo. Actualmente já soma cerca de 400 capas de discos de músicos como Evan Parker, Mats Gustafsson, Pharoah Sanders, Peter Brotzmann, Ken Vandermark, Craig Taborn, Steve Lehman, Fred Frith, Peter Evans, Louis Sclavis, Paal-Nilssen Love, Joe Mcphee, Rob Mazurek, Jamie Saft, Wadada Leo Smith ou Bernardo Sassetti, entre outros.Recebeu já vários prémios de onde se destacam: “Ciudades Futuras” BCD – Barcelona Centro de Diseño; "Bombay Sapphire" CPD – Centro Português de Design; “MAD” - Concurso Jovens Criadores ; Best cover artwork 2008, 2009, 2010 pelo All About Jazz New York ou “Notable album covers of 2015” por Dave Hall. Já viu os seus trabalhos expostos na Experimenta Design, Cankarjev dom Ljubljana, Faculdade de Arquitectura do Porto, Universidade de Aveiro ou no BCD - Barcelona Centro de Diseño.

Nate Wooley é um dos mais aclamados e requisitados trompetistas da actualidade. É um músico transversal que tanto se movimenta nos meandros do Jazz clássico ou contemporâneo, bem como nas franjas mais ousada da experimentação. Para além de músico, Wooley desenvolveu paralelamente um reconhecido percurso na escrita, entre ensaios, poesia minimal e outros textos. Nascido nos EUA, começou a tocar trompete profissionalmente com o seu pai, um saxofonista de orquestras, com 13 anos. O tempo passado em Oregon, a sua terra natal, instigou no músico uma estética musical que influenciou toda a música por si criada nos últimos 20 anos, sobretudo a sua abordagem ao trompete.

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FEEDBACK

The Clean Feed and Shhpuma labels continues to expand and evolve, allowing us to look beyond the music and deal with other the visual aspects provided inside this impressive 64 page book. Yes, there is a CD of music/sounds which is found inside this 64 page book of assorted drawings, collages and minimal texts by Nate Wooley. Sonic specialist Travassos appeared on a few recent CDs from Clean Feed stable: Pão and Big Bold Black Bone. The disc here features Travassos playing with both of these projects as well as other assorted musicians. Travassos plays tapes, amplified objects, analogue electronics and crackle box. (...)  The often mesmerizing sound of Travassos’ electronics permeates this entire disc without him ever soloing but creating a variety of haunting scenes. The book also evokes similar mysterious images which work perfectly with the music on the disc. Another triumph for the fine folks at Shhpuma   
Bruce Lee Gallanter, Downtown Music Gallery

A fascinating book of artwork from Clean Feed visual designer and electronic improviser Travassos, with perceptive text from Nate Wooley punctuating the imagery (...)