sábado, 26 de outubro de 2019

ccc@feira.gráfica.2019


Vamos estar lá... + infos aqui.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

ccc@bd.amadora.2019

cartaz de Jorge Coelho

A Chili Com Carne volta à BD Amadora com um stand cheio de edições independentes e com neurónios... este ano teremos lá uma exposição de originais de banda desenhada intitulada És meu amigo ou meu fã?, colectiva CCC#5 com Mariana Pita, Tiago Baptista e Xavier Almeida
... 
será apresentado também o livro que venceu este ano o concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! 
... 
eis o programa:

1 Novembro 
sessão de autógrafos de Tiago Baptista
às 15h

sessão de autógrafos de Tommi Musturi e Benjamin Bergman
às 16h

2 Novembro 
sessão de autógrafos de Xavier Almeida
às 15h
apresentação do trabalho de Tommi Musturi
às 15h30
sessão de autógrafos de Tommi Musturi e Benjamin Bergman
às 16h
apresentação de All Watched Over by Machines of Loving Grace (vencedor do concurso 500 Paus deste ano) com a presença dos autores João Carola, Dois Vês, Félix Rodrigues, Cláudia Salgueiro, André Pereira, André Santos e Ana Maçã
às 18h15

3 Novembro
sessão de autógrafos de Mariana Pita
às 15h
apresentação do trabalho de Benjamin Bergman
às 16h30
sessão de autógrafos de Benjamin Bergman
às 17h

exposição "És meu amigo ou meu fã?, colectiva CCC#5" @ BD AMADORA 2019 / 24 outubro - 3 novembro



Esta colectiva de Banda Desenhada apresenta três autores da Chili Com Carne com vozes únicas no panorama português, sendo que à primeira vista, nada as une...

Reflectindo sobre as suas obras vamos descobrindo autobiografias mais ou menos encobertas, como Xavier Ameida (1980) com Santa Camarão relata um excerto da vida de José Santa "Camarão" (1902-1963), que foi um dos maiores boxistas do mundo, esquecido pelo tempo, Almeida adapta uma biografia baseada num caderno escrito pelo próprio Santa que relata a primeira parte da sua vida: da sua infância em Ovar à juventude em Lisboa, onde culmina com o inicio da sua vida profissional. O tom melancólico confunde-se com a experiência de Almeida, também natural de Ovar e migrado para Lisboa.

Berlim : Cidade Sem Sombras de Tiago Baptista (1986) conta a sua estadia entre Fevereiro e Abril de 2013, na residência artística Culturia em Berlim. Esse Inverno foi o menos luminoso em décadas e isso ressentiu-se na sua estadia, nos seus hábitos, nas suas impressões sobre a cidade, no seu trabalho e no resultado deste livro sobre fantasmas. Fantasmas de memórias e de uma cidade que já não existe, de um sistema que desapareceu mas que está ainda tão presente, nos edifícios, na História, no turismo, nas pessoas...

Lá fora com os fofinhos de Mariana Pita (1990) compila várias BDs da autora feitas entre 2013 e 2017, algumas publicadas em vários fanzines e na Internet, outras não... Suspeita-se que quase tudo que é contado sob a máscara de criaturas fofas e um imaginário inocente se esconde pedaços de vida da autora, aliás como prova este diálogo:

- Não me lembro de ti. És meu amigo ou meu fã? 
- Não, eu não te conheço...

terça-feira, 22 de outubro de 2019

All Watched Over by Machines of Loving Grace



All Watched Over by Machines of Loving Grace

de

Amorim Abiassi, Ana Maçã, André Pereira, Cátia Serrão, Cláudia Salgueiro, Dois Vês, Félix Rodrigues, João Carola e Vasco Ruivo.

20º volume da Colecção CCC publicado pela Associação Chili Com Carne

Coordenação: Dois Vês e João Carola
Identidade gráfica e design: André Vaillant

Obra vendedora do concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! de 2019


LANÇAMENTO OFICIAL: 
dia 2 de Novembro na BD Amadora, às 18h15
  
à venda na nossa loja em linha e na Tigre de Papel, Kingpin Books, Linha de Sombra, em breve na Tinta nos Nervos, Mundo Fantasma e o Universo!




À data de publicação deste livro, não se ouvem nas florestas os estalidos de discos rígidos a acompanhar o roçar dos ramos das árvores; contudo, havendo sinal, é possível escutar o som de um Like a pingar na nossa mais recente foto de perfil.

O poema de Richard Brautigan que serve de mote a este livro foi publicado há mais de 50 anos; a sua visão de uma arcádia digitalizada, onde mamíferos de toda a espécie convivem sob o olhar zeloso e benevolente de máquinas bafejadas pela santidade, não se concretizou. Em 2019, a tecnoesfera continua a ter o Homem no seu centro e a Natureza (seja lá o que isso for) nas margens do seu perímetro, encarada essencialmente como um recurso que em breve se esgotará. Os robots caminham sozinhos pelos bosques e os mamíferos caem por terra onde dantes havia água: todos observados por máquinas, mas não de amor e graça.

O livro que têm nas mãos documenta as dinâmicas articuladas no solipsismo desse ciberespaço que criámos só para nós: das relações laborais à saudade, da saúde à identidade, nele se retrata o modo como o manto do digital cobre todos os aspectos do nossa dia-a-dia e medeia as interacções que por cá vamos estabelecendo. É debaixo desse cobertor, com a cara tenuamente iluminada pelo ecrã, que observamos o robot caminhar sozinho pelo bosque e choramos o paraíso perdido do poema de Brautigan.

Afinal de contas, à data de publicação deste livro, já mal se ouvem nas florestas os estalidos dos insectos, que vão caindo por terra onde dantes havia água; contudo, havendo sinal, é possível escutar mais um Like a pingar na nossa foto de perfil. 

Ping. Alguém está a ver.👍




At the time this book is being published, we can’t hear the sound of hardrives blending in with the murmuring of twigs in the forest; however, it’s possible to catch the pinging sound of a “Like” droping on our recently updated profile picture.

The Richard Brautigan’s poem that lends its title to this book was written 50 years ago but its arcadian, digital utopia hasn’t yet come to be: in 2019, the technosphere maintains Man at it’s center and Nature (whatever that is) at its margins. The book you hold in your hands documents the dynamics we articulate amid the solipsistic circle of cyberspace: from work to healthcare, from longing to identity, the digital mantle encompasses all beats of life and every connection we establish while we're around. After all, even though we can barely hear the insects in the forests, providing the connection's good, we can still hear the "Likes" pinging on our profile picture.

Ping. Someone's watching.👍


domingo, 20 de outubro de 2019

pequeno É BOM - 11º encontros sobre edição independente

imagem: Tiago Baptista in fanzine Cleópatra (2006)

O mundo gira sempre de forma inesperada e quando o PEQUENO é bom! Encontros Sobre Edição Independente preparava-se para seguir um rumo - a vinda de autores internacionais para conversas com o público - eis que somos convidados para integrar a programação do FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, que decorre de 10 a 20 de Outubro

Uma coisa não impede uma outra e vamos em frente com um encontro mais complexo e completo.


PROGRAMAÇÃO

Exposição É Só Vaidade! Colecção da Fundação Farrajota (dias 10 a 20 Outubro) @ Casa José Joaquim Santos 
Os Fanzines poderão ser um artesanato urbano da Era da Informação, publicações amadoras em marginalidade bibliográfica, galerias nómadas e precárias, reacções à tirania da História. Desde os anos 30 que sofrem mutações e provocam dores de cabeças a todos que gostam de gavetas bibliográficas. Nesta exposição, da colecção particular de Marcos Farrajota, são mostradas uma série de publicações independentes deste universo, buscando mostrar a sua riqueza de temas e formatos, tudo graças à sua livre circulação.


Conferências (dias 19 e 20 Outubro, respectivamente) @ Livraria Artes & Letras - Espaço Ó, às 15h
Casa de Papel - quando os zines invadem espaços físicos 
com 
Cecília Silveira (Sapata Press) e Xavier Almeida (Revista Decadente)

Tradição já não é... metamorfoses do fanzine 
com
Hetamoé (Clube do Inferno), Tiago Baptista (Façam Fanzines Cuspam Martelos) e Rodolfo Mariano (Rock Bottom)


Workshops por Patrícia Guimarães (dias 19 e 20 de Outubro)
E se o Medo fosse uma personagem de BD? 
para maiores de 7 anos

Folio um outro formato de fanzine
para maiores de 12 anos


Mercado de Fanzines e Edição Independente (dias 19 e 20 Outubro, entre 14h-18h) @ Livraria Artes & Letras - Espaço Ó ::: MUDANÇA DE LOCAL por causa das condições climatéricas!!!
com 
Chili Com Carne, Clube do Inferno, MMNNNRRRG, Paperview, Patrícia Guimarães, Revista Decadente, Rodolfo Mariano, Sapata Press Tiago Baptista.


Novidades Editoriais
All watched over by machines of loving grace (Chili Com Carne) de vários autores
Instant Gratification (Paperview) de Abdrew Kuykendall
O Colecionador de Tijolos (Chili Com Carne) de Pedro Burgos
...

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

ccc@DOC.lisboa.2019



Como tem sido tradição, a Chili Com Carne e a sua irmã MMMNNNRRRG mais uma vez têm uma selecção dos seus livros do DOC LISBOA.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O Subtraído à Vista / That Which is Subtracted from Sight [últimos 20 exemplares / last 20 copies]




O Subtraído à vista é o livro de estreia para as massas do músico e artista visual Filipe Felizardo, composto por prosa, banda desenhada e recortes de investigação patafísica.

É um livro que estuda a natureza das imagens visuais e as presunções da percepção - do ponto de vista particular de um homem cego, uma criança albina presa numa caverna com uma avestruz, e uma colecção de outros animais cujo olhar nos ensina algo sobre o que não se vê.

O livro inclui a participação de Carlos Gaspar (ilustrações) no primeiro capítulo.
 Edição bilingue com legendas em inglês.

Comprising prose, comics and entries of pataphysical investigation, That which is Subtracted from Sightthis first book of Filipe Felizardo studies the nature of visual images and the presumptions of perception - from the exquisite points of view of a blind man, an albino child stuck in a cave with an ostrich, and a collection of other animals whose sight teaches us something about what is not seen.

The book includes English subtitles.


500 ex.; 72p. 21x27cm p/b / ISBN: 978-989-8363-37-4

Este é o segundo livro publicado no âmbito do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! embora não seja um trabalho vencedor, é sem dúvida merecedor de publicação.

à venda na loja virtual da Chili Com CarneBdMania, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, Lx), Tasca Mastai, Matéria Prima, Mundo Fantasma, Inc, Stet, LAC, Linha de Sombra, FNAC, Bertrand, Le Bal des ArdentsUtopia...

Historial:
Lançamento com exposição de originais na El Pep no dia 8 de Agosto 2015 e Festa no Damas ...

exemplos de páginas:


Feedback: 

formes assez radicales de composition hybride entre photographies, textes typographiés et bandes dessinées, expériences qui mériteraient un meilleur traitement et une meilleure destinée que ce.
The artwork in O Subtraido A Vista was very appealing, too - quite a stark publication, definitely suited to black and white. A truly beautiful and somewhat strange book!
pStan (Pumf) by email

sábado, 12 de outubro de 2019

Como ser sócio da Associação Chili Com Carne?

O regime de sócios da Associação Chili Com Carne passa pelo pagamento de uma jóia no valor de 30€ (15€ para menores de 30 anos) e o envio dos seguintes dados para o nosso e-mail: ccc@chilicomcarne.com

_nome
_data de nascimento
_morada
_tlm
_e-mail
_www
_fotografia (um jpg qualquer para fazer o cartão de sócio)

O valor da quota deve ser depositado na conta do seguinte EBAN: PT50003502160005361343153 (swift / bic: CGDIPTPL); ou através de paypal.

Quais as regalias de ser sócio da CCC?
_Oferta do livro O Subtraído à Vista, um livro de Filipe Felizardo;
_30% de desconto sobre as edições da CCC;
_30% de desconto sobre as edições da MMMNNNRRRG;
_Desconto sobre outras edições presentes no catálogo online da CCC;
_informação em primeira mão de projectos da CCC;
_apoio a projectos editoriais*.
_descontos no uso do projector de vídeo.


E depois disto?
Passado um ano há um quota a pagar de 10€ e ainda recebe um exemplar de outro livro a escolher pela Associação.



* Apoio a projectos editoriais Ao longo do tempo a CCC tem vindo a definir de forma mais precisa qual a vertente de actividades para a qual está mais vocacionada, sendo que a edição em suporte de papel tem sido aquela que a CCC melhor tem sabido gerir. Os sócios da CCC com projectos editoriais poderão solicitar o apoio no campo da produção, distribuição e promoção. A selecção de projectos será discutida consoante cada caso. Sendo que seja imperativo ler este MANUAL!

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

DESERTO e NUVEM @ DN



Deserto Nuvem
por

+

1 claustro vazio em Évora
1 ordem católica de silêncio e solidão
1 inquérito espiritual
2 livros num só 
20 cartas sem resposta 
Muitas visitas do autor em dúvida

+

Sexto volume da colecção LowCCCost editado por Marcos Farrajota com arranjo gráfico de Joana Pires e publicado pela Chili Com Carne.

Dois livros / split-book, 64p  impressas a 1 cor + 124p impressas a 2 cores, 16,5x23cm

+

à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Linha de Sombra, ZDB, BdMania, Tigre de PapelTasca MastaiUtopia, StetMundo FantasmaLAR / LAC (Lagos), Matéria Prima, Sirigaita, Kingpin BooksYou to YouXYZ e Bertrand. 
UND Modern Graphics (Berlin)

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Lançado no dia 10 de Junho de 2017 na Feira do Livro de Lisboa com a presença do autor (que reside em Inglaterra) 
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Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal
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Prémio Nacional para Melhor Álbum Português e Melhor Argumento pela BD Amadora 2017 
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Melhor Álbum e Melhor Argumento nos Galardões Comic Con 2017
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Escolhas de 2017 no Expresso
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Melhores de 2017 no Máquina de Escrever
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Melhores 2017 no La Cárcel de Papel
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Best Comics of 2017 in Paul Gravett site
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apresentação no dia 9 de Setembro 2018 no Festival Literário de Berlim
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grande exposição na BD Amadora 2018
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Obra seleccionada para Best Book Design From All Over the World, da Stiftung Buchkunst, no âmbito do Prémio Design do Livro 2018 + exposição na Torre do Tombo (entre 14/11 e 31/12/18)
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artigo sobre Cartuxos e o livro no Diário de Notícias
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Deserto e Nuvem são obras de longo curso que examinam a forma de vida na Cartuxa de Évora, onde alguns monges resistem aos costumes do mundo, em absoluto silêncio e solidão. Serve este exame de pretexto para focar a própria natureza da fé humana, do apego às coisas do mundo, do que nos faz sentido. 

Deserto é composto de uma única narrativa centrada numa semana passada junto a Scala Coeli (escada do céu), que é como se chama a Cartuxa de Évora. É um livro quase jornalístico. 

Nuvem é composto de 20 cartas endereçadas a um monge cartuxo, e pode ser lido como uma resistência contra ambos os extremos que circundam a fé – o extremo que sabe que Deus não existe, e o extremo que se contenta com absurdos.

+

sobre o autor: Chamo-me Francisco Sousa Lobo, tenho 43 anos e vivo no Reino Unido, entre Londres e Falmouth, onde ensino ilustração e faço banda desenhada. Já estive do lado dos católicos e dos que renegam as raízes católicas. Agora ando sossegado, sentado numa espécie de muro baixinho, a ler Simone Weil e Kierkegaard. A perspectiva que tenho de cima do muro é curiosa. Tão curiosa que me deu para escrever sem ver que três ou quatro anos se passaram nisto.



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 Acabei agora de ler o Deserto e a Nuvem. O meu obrigado sincero à Chili por tê-lo editado. 
M. Robin (via e-mail, 11/07/17)

Comics making as a form of prayer?

Pedro Moura / Yellow Fast & Crumble

No caminho que levou a Deserto/ Nuvem, que se pressente longo e hesitante (a vários níveis), Sousa Lobo tenta construir pontes frágeis entre estes vários aspectos, como o harmónio de cartão que une os livros. E, sobretudo, procura acreditar nelas. Para além do fascínio com a vida e opções dos cartuxos, e os paralelos que o autor estabelece com a sua arte, este é sobretudo um catálogo de dúvidas sem resposta. Como se duas obras semi-falhadas ou incompletas se resgatassem e engrandecessem mutuamente pela união enquanto gémeas siamesas invertidas; o onirismo poético de uma elevando-se na realidade de um Alentejo moribundo e sem rumo da outra; a qual, por sua vez, ancora a anterior. Na sua construção inclassificável este é um excepcional trabalho de Francisco Sousa Lobo, com elogios extensíveis à Chili Com Carne. Seria uma pena se (como os trabalhos de autores como António Jorge Gonçalves, Tiago Manuel ou Diniz Conefrey) não passasse bem para lá do universo da banda desenhada e dos seus rituais.

João Ramalho Santos in Jornal de Letras

(...) Livro que "pode ser lido como uma resistência contra ambos os extremos que circundam a fé", por um lado o "que sabe que Deus não existe" e o "extremo que se contenta com absurdos".
Nuno Galopim in Expresso

el portugués confirma ser uno de los autores más sugerentes del panorama europeo actual. Una obra formada por dos relatos: por un lado, el que realiza sobre la Cartuja de Évora, una magistral reflexión sobre la existencia, sobre el silencio y la creencia, en la que Sousa entremezcla la arquitectura de la página con la real. Por otro, el relato del proceso creativo, de la investigación y de sus reflexiones personales, de cómo la obra puede cambiar al autor.
Álvaro Pons / La Cárcel de Papel

(...) a mais fascinante experiência de leitura de banda desenhada deste ano.
There is no doubt that Lobo’s obsessive and proficient output is even more surprising for both its aesthetic and philosophical commitment. I’ve argued elsewhere that Lobo’s overall project touches an incredibly original and complicated autobiographical or auto-fictional project, but this double book (two titles, Desert and Cloud, bound back-to-back) ticks all the boxes of a straightforward autobiography. Lobo spent some time visiting Évora’s Carthusian Monastery of Santa Maria Scala Coeli, with the goal of creating a sort of ‘live’ comic project. Based on his observations, talks and theological discussions with the monks, Deserto explores issues such as isolation, silence and the relationship with God, which genuinely concern Lobo as an anxious, suffering Catholic artist (a pleonasm, I’m certain). Nuvem, on the other hand, takes the shape of short letters, addressing the history of the order and this monastery, as well as some of the concerns mentioned above. One half complements the other, reinforcing the themes and clearly making them an intrinsic ingredient to the artist’s recurrent obsessions.
Deserto/ Nuvem es realmente una maravilla de Sousa Lobo -¡qué difícil, un cómic sobre la espiritualidad!- y también una maravilla de edición. Os felicito! 
Max (Peter Pank, Bardin, Vapor) por email

Todos os anos vou como um peregrino ao Festival de BD da Amadora (que este ano foi entre 26 de Outubro e 11 de Novembro) para completar colecções, comprar novidades ou descobrir antiguidades, mas desta vez saí de lá mais surpreendido do que o costume com um livro: não levei só heróis habituais como o Corto Maltese, o Árabe do Futuro ou um Paul Auster no saco das compras, mas também monges de clausura visitados por um autor português com raízes no Alentejo que vive em Londres e tem dúvidas existenciais sobre Deus e a religião: Deserto/ Nuvem (editora Chili com Carne) é uma novela gráfica original. Primeiro, porque é dois livros num só, que começam em cada uma da capas, ou melhor, em cada uma das contracapas: Deserto é sobre as visitas do autor, Francisco Sousa Lobo, ao Convento da Cartuxa, e a relação com os poucos e velhos monges com votos de silêncio que ainda lá vivem; Nuvem dá forma a 20 cartas de carácter sobretudo filosófico enviadas a um monge cartuxo; a ligá-los, uma planta desdobrável do convento dá ao livro uma textura de velho incunábulo, de lombada cosida à mão. É um belo objecto.
Mas não só. Sousa Lobo leva-nos em visita aos claustros, aos hábitos dos monges, à rotina e à perplexidade: seja-se religioso ou não, aquelas vidas suprimidas pelo silêncio naqueles espaços deixam-nos incrédulos. Abdicam do humano em favor do etéreo?, questiona o desenhador (e arquitecto) numa das cartas. O próprio autor está em cima do muro entre os crentes e os não crentes, mas tenta compreender o ponto de vista dos enclausurados e exprime um assombro perante aquela resiliência e desistência da vida comum: Há uma nuvem entre mim e os monges, uma admiração profunda deste lado, escreve. Francisco Sousa Lobo ganhou o prémio para o Melhor Álbum Português de BD em 2018. Percebe-se porquê. É merecido.
O trabalho de Francisco Sousa Lobo espelha uma experiência vivencial intensa no plano intelectual e artístico, a de alguém com uma forte capacidade para gerar nexos entre assuntos só aparentemente distantes – uma lonjura que o seu traço e dispositivo narrativo encurtam consideravelmente. Talvez por isso o autor se refira a si próprio como «uma ponte entre a banda desenhada e as outras artes» (Nuvem, carta 18.ª). E talvez o facto de ser um arquitecto tenha qualquer coisa a ver com tudo isto. 
Trata-se de um ilustrador de pensamentos, capaz de desenhar sobre conceitos abstractos, como em Deserto, livro que percorre o fio do tempo e dos gestos que, em 2014 (época já de grande crise de vocações), levaram Sousa Lobo à Cartuxa de Évora para pensar (escrever, desenhar) sobre os lendários monges do lugar. Ou seja, sobre o que levou o autor a querer pensar (escrever, desenhar) sobre a condição do homem que fez voto de silêncio, sobre o que o silêncio faz, sobre como se faz para alcançá-lo, porquê, para quê, tudo isso no desamparo desabafado de quem afirma ter-se sentido «como um clandestino a trepar as escadas para o céu». (...)

ПИКАЧОК: Истории из жизни. Козырь SPECIAL EDITION


Musclechoo was released in Russia and already have a special edition with new cover!
Comfed don't stop!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

E se fizéssemos uma tatuagem? no LAC


novo livro de contos de Rafael Dionísio
...
com ilustrações de João Silvestre
...
uma co-edição Chili Com Carne e Sulfúria
...

E se um livro de "short stories" nos levasse de volta aos mil novencentos e noventas?
 E se Alcindo Monteiro ainda fosse vivo?
E se Timothy Leary pairasse sobre a serra de Sintra?
E se este fosse o novo livro de Rafael Dionísio?
 Pois é.

...


à venda na nossa loja em linha e na Leituria, SirigaitaMatéria PrimaUtopia, Oficina (CIAJG) e LAC (Lagos)
brevemente na Tigre de Papel, Linha de Sombra e FNAC.

...

Historial:
lançado a 13 de Julho 2019 no Espaço Misturado com apresentação de Ricardo Nunes ... 





fotos de Afonso Cortez

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

AcontorcionistA / primeiro volume: MANIFESTO / últimos 2 exemplares!!!!

Para os que desde há muito anseiam por conhecer os princípios constitutivos da boa vida, e para todos os demais, que se pretendem desinteressados de tais assuntos, aqui os damos à estampa; e são bem simples, esses princípios, como podereis constatar e, se o acaso vos dispuser a isso, experimentar.
 
Uma Rapsódia Erótica de autoria do Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer, publicada pela MMMNNNRRRG e promovida e comercializada pela Associação Chili Com Carne em Portugal.

Foram feitos 500 exemplares, no mês de Marcial de 2011, impressos em Almeirim segundo o ISBN 978-989-97304-1-0. São 44 páginas 16x23cm impressas a duas cores que nos transportam simultâneamente para climas de Nostalgia e de Luxúria.
AcontorcionistA

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Exemplos destas fabulosas páginas aqui

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Esta brochura só já se encontram na loja em linha da Chili Com Carne, na engenhosa Fábrica Features, na melhor livraria portuguesa de banda desenhada Mundo Fantasma, na cosmopolita Staalplaat, na ex-bicéfala Matéria-Prima, na minhota Objectos Misturados, na minúscula Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristovão, 18), na neuro-digital Neurotitan, no sub-mundo brasileiro via Ugra Press, na franco-nipónica Timeless Shop, no centro do Império Orbital, na fotohigiénica Stet, na venareante LAC, na friorenta Quimby's, de viagem com Putan Club, na croma Dead Head Comics, na selecta Just Indie Comics e na libertária Freedom Press.
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Vejamos o que nos comenta sobre a Obra, o nosso parceiro ibérico de negócios, Bolido de Fuego: No nos engañemos ¿quién no ha deseado en algún momento de su existencia una buena vida? Pero una buena vida lejos de la mojigatería cristiana, claro. Abandonarse a la carne y al hedonismo. MMMNNNRRRG, sello hermanado con Chili Com Carne y dirigido por Marcos Farrajota, edita esta obra (rapsodia erótica) del Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer, quienes nos recuerdan algunos de los principios necesarios para abandonarse en el culto mundano del placer en una edición exquisita en bitono, que conjuga literatura e ilustración por partes iguales.

Um autor da mesma casa editorial, Aaron $hunga, comentou o seguinte: (...) I was immediately drawn to its effective use of artistic sensibilities that referenced ancient Greek imagery in an Art Deco/ Nouveau context; probably Aubrey Beardsley. There is however a modernist simplification of those styles, the hatching and meticulous rendering are traded for minimalist washes of pink and careful line work, which evoke at times Japanese Ukiyo-e or the pop art of Roy Lichtenstein. (...) That visual style, old and new, tasteful and reductive, is a good way to describe the content of this book, which is indeed a manifesto, a documentation of a group's beliefs and ideals. In 2012 it's quite absurd to write a manifesto, especially in a world in which dubstep exists, but there's something charming about a group which decides to stick it out against the wave of progress. Since their stylistic choices speak of nothing past 1980, they are indeed artists who have strong ties to tradition. That European sincerity can be refreshing. (...) Though the manifesto discusses sexuality as its main focus, it does not often go into any graphic depiction either visually or in wording. Most of the book appears neutral; so this work is genuinely philosophical while being sexually oriented. Of course their are a few explicit images but the majority of the illustrations feature empty rooms and scenery. Its main points are to seek out sex as an abstract concept and to undermine the limitations imposed by mainstream society. The unhealthy conventions such as gender identity, marriage, and gender inequality are questioned here. Sex is also viewed as a liberating, spiritual experience rather than a biological or soulless act. (texto completo aqui)

Marcel Ruijters que também editado pela MNRG comentou num e-mail privado: I haven't gotten around reading everything from the festival [de BD de Helsínquia], but the Manifesto is intriguing to say the least...

E o nosso camarada Miguel Caldas comentou o seguinte: Isto é dum gajo, duma gaja, o manifesto de um clube de swing, de quem? Gostei bastante. Não é que seja realmente necessário para a “fruição da obra”, mas fiquei com curiosidade. Só houve uma coisa que irritou, quando fala(m) do pagamento de sexo. Parece-me que se estão a esquecer que o pagamento é um elemento de dominação e este é parte essencial de, muitos, muitos, jogos sexuais. Isto também me incomodou porque deixa um cheirinho a uma espécie de libertinismo “doutrinário”, com coisas que fazem parte dessa liberdade e outras que não… mas acabei de descrever um manifesto. Os desenhos são bonitos mas estão naquela escola de “tão subtilmente evocativos” que poderiam ilustrar a Anteprojeto de Revisão do IRC com o mesmo sucesso com que o fazem para a AcontorcionistA.

Da Grécia, por e-mail, Ilan Manouach declarou como sempre de forma intempestiva: Loved AcontorcionistA

\.../

Em banda desenhada?


136 páginas de BDs curtas de Francisco Sousa Lobo, criadas desde 2004 até este ano.
Algumas são inéditas outras já publicadas, muitas em publicações estrangeiras, que assim são publicadas em português pela primeira vez. Algumas BDs são a preto e branco, outras tem mais uma cor e algumas são a cores. O formato é aquele típico do nosso catálogo: 16,5x23cm

Disponível na nossa loja em linha, BdMania, Tigre de Papel, Linha de Sombra, Mundo Fantasma, Nouvelle Librarie Française, Tasca Mastai, Snob, Matéria Prima, Bertrand, LeituriaOficina (CIAJG), FNAC, Kingpin BooksSirigaita, UtopiaA BancaSTET e LAC.



A Sara Figueiredo Costa assina um prefácio que aqui transcrevemos parte:

Diz-nos a física quântica que o tempo não existe, pelo menos do modo cronológico, arrumado e em sucessão, o modo como o conseguimos ver e sentir. E diz-nos que tempo e espaço se relacionam de tal modo que serão, juntos, uma categoria única de descrição do que nos rodeia, uma ferramenta funcional para obtermos respostas tão precisas quanto o universo permite sobre si próprio. A física quântica não é fácil de perceber para a maioria da humanidade e é frequente que outras linguagens nos deixem intuir respostas que, não sendo mais claras, são mais facilmente apreendidas pela intuição. As histórias curtas de Francisco Sousa Lobo não falam de física quântica, cultivando as perguntas com muito mais dedicação do que qualquer resposta, mas talvez por isso mesmo sejam uma espécie de mapa possível para certas declinações do mundo, não as que descrevem o cosmos, mas as que envolvem o indivíduo, esse lugar estranho e inóspito onde o espaço-tempo tantas vezes ameaça desintegrar-se. 

(...) O desconforto que muitas das histórias reunidas neste volume criam no leitor não nasce tanto do desamparo encenado em cada prancha, ou da possibilidade de alguns ou muitos reconhecimentos emocionais, mas talvez do contraste provocado pela procura de uma racionalidade, um gesto narrativo e visual que transforme a matéria das histórias nas histórias em si. É esse o esforço que se descobre em cada história, e é esse o percurso que estrutura esta primeira narrativa do livro, de certo modo, uma antecipação certeira das que se lhe seguem. (...) Não é preciso mergulhar na física quântica quando temos à mão a nossa própria cabeça, o nosso próprio corpo e o lastro imenso de memórias e vivências que confirmam, a cada momento, que estamos sempre em presença efectiva de muitos momentos e que aquilo a que chamamos passado talvez seja, por inconveniente que soe, o nosso presente constante.

 E como bem descreve o Bandas Desenhadas: Pequenos Problemas é o livro mais recente de Francisco Sousa Lobo. Editado na série Mercantologia da Chili Com Carne, dedicada à reedição de “material perdido”, compila 15 bandas desenhadas curtas do autor, produzidas entre 2005 e 2018. Existindo algumas BD inéditas, as restantes foram editadas em publicações portuguesas ou estrangeiras, nomeadamente a Nyx, a Nocturnal, š! #20: Desassossego, Art Review, Mesinha de Cabeceira, Crumbs, Quadradinhos: Sguardi sul Fumetto Portoghese, Performance Research, Zona de Desconforto, Preto no Branco #4, Próximo Futuro e Jornal Universitário. As BD estrangeiras apresentam-se pela primeira vez em língua portuguesa.


FEEDBACK: 

Muito bom, o pequenos problemas do FSL. Parabéns ao autor e à Chili Com Carne. 
E.O.M. (por e-mail)

(...) «O problema Francisco era um problema de culpa.» Ora, a culpa inventa retroactivamente o pecado. Por isso, o retorno continuado para esse «país chamado infância» que surge em tantas destas bandas desenhadas, em que se busca aquietação, se procura respostas ou se tenta compreender o que se passou de errado. Voltar ao sítio do crime original para encontrar provas. «Voltei à infância e descobri falsos traumas». Que até poderiam ser tranquilizadores, se os conseguíssemos contrabandear como causas, explicações, desculpas. Nunca saramos da infância, temos aqui a prova nesta «intacta ferida» latejante. Só que as dores que permanecem não são produto de um acidente, um azar ou um desvio; são apenas a própria vida que acontece e a infância que passa, o desapontamento, a desilusão e o desespero que equivalem a crescermos em anos. Tantas destas bandas desenhadas remetem para esse passado, unicamente para atestarem que este exercício da autobiografia, mais do que um ato masoquista, toma os contornos de uma aldrabice, um fingimento. «A banda desenhada era uma doença». Por um «interesse doentio pelo desenho», se revela então uma inclinação para o «lado do mal» ou, por extenso, para «a literatura, a arte, e tudo o que há de mais nocivo e infértil nesta terra de deus desconhecido». Valha-nos, porém, que a banda desenhada pode ser paradoxalmente a terapia com que se recupera o poiso para a razão, ou que se usa para (auto-)representa rum «eu» liquefeito pela psicose ou que soçobra diante da enormidade da tarefa de viver.
é que é um verdadeiro livro de auto-ajuda, no sentido em que me poupa andar é procura de todas. As histórias foram produzidas entre 2004 e 2018, reunindo mais de 10 anos de trabalho. É muito interessante encontrar aqui muitas reflexões que surgiriam mais tarde no futuro e em obras mais longas de Sousa Lobo, onde ele continuou a explorar os temas de família, religião e importância da arte, além da descrição de certos episódios relacionados o colapso psicótico do autor, que desencadeou o famoso Desenhador Defunto. É realmente um privilégio a maneira como Sousa Lobo é tão aberto e honesto sobre esse momento difícil, tendo sempre algo novo a acrescentar, uma camada extra para compartilhar connosco.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

ANTOLOGIA da MENTE de TOMMI MUSTURI na Alternative Prison



A Antologia da Mente (AdM) é uma colecção de histórias curtas pelo artista Tommi Musturi que inclui 37 trabalhos realizados entre 1997 e 2017. É um mergulho profundo na diversidade e formas diferentes de narrativa gráfica, pois Musturi usa estilos visuais e formas de contar histórias para nos entregar mensagens e ideias complexas. AdM inclui um artigo de seis páginas escrito pelo autor sobre o “Estilo” enquanto ferramenta artística.

As suas bandas desenhadas são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresentasse sempre em mutação.

128 páginas a cores em formato A4.
Tradução de Anna Katajamaki.
Edição limitada a 400 exemplares pela MMMNNNRRRG e apoiada pela FILI.




Historial: 
lançamento no Milhões de Festa / Necromancia Editorial ao som dos CIRCLE 
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Disponível na loja em linha da Chili Com Carnena Linha de Sombra, BdMania, MOB, Tasca Mastai, Black Mamba, Mundo Fantasma, Matéria Prima, A Banca, Utopia, Letra LivreLAC, Stet, Bertrand, FNAC, SnobCotoviaNouvelle Librarie Française, XYZOficina (CIAJGKingpin Books.

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Feedback : 

Gostei muito, adorei o texto do Tommi Musturi sobre o estilo. É incrível ver um trabalho que mais parece ter sido feito por várias pessoas. 
Goran Titol (via e-mails)

Um primeiro olhar, desprevenido, sobre estas mais de cem páginas poderia induzir a ideia de estarmos perante um volume colectivo, tamanha é a diversidade de registos, cores e estilos presente nas histórias curtas de Tommi Musturi. A amplitude cronológica poderia justificar essa diversidade, não fosse tal justificação não só desnecessária como contraproducente. Musturi é um autor que preza a experimentação, a descoberta enquanto processo de criação e a liberdade gráfica e isso reflecte-se neste livro de um modo muito evidente. 
(...) Não há um tema único, sequer dominante. Musturi cria histórias sobre as pequenas alegrias e misérias do quotidiano, os abismos existenciais ou a límpida observação de um fenómeno. (...) Entre os 37 trabalhos, encontram-se histórias pensadas para os mais novos, como «Amizade» – realizada a convite da colecção de livros infantis Nuppuset, reflexões abstractas e marcadas pela auto-referência, como «Matéria Negra», criada para uma antologia literária, ou adaptações como a que se mostra em «Milagres», que resgata o poema homónimo de Walt Whitman em duas pranchas de uma imensa beleza formal. 
Sara Figueiredo Costa in Blimunda

Na Lista de Melhores Livros de BD de 2018 do Expresso
Sara Figueiredo Costa

(...) voltamos a ficar impressionados com a forma como Musturi procura explorar diferentes traços e estilos, um factor que faz parte do seu DNA enquanto autor, uma opção sobre a qual o autor se debruça no artigo A Prisão Do Estilo (E Um Plano De Fuga).
Gabriel Martins   



Noitadas, Deprês & Bubas / ESGOTADO



«É extremamente difícil escrever um livro medíocre. O livro conseguido está na ordem do dia. Falhar em literatura é um gesto de pura rebeldia. Um péssimo romance é um acto de terrorismo. Só uma miopia extrema, ainda assim facilmente corrigível, pode conduzir ao desastre. A possibilidade de errar foi reduzida ao mínimo indispensável que mantém as aparências e evita o escândalo. Só nos resta escrever livros certos e vendê-los a um público certo. Um público obedientemente entusiástico e atento. (...) O que antes era puro empirismo ou um difuso ritual feiticista tem agora um método de infabilidade. A improvisação e o gesto institivo estão desactualizados. Pior, são nefastos. O escritor deve actuar com rigidez e concisão. O êxito é a meta. O êxito é a única saída.» - Artur Portela, filho in Feira das Vaidades (Atlântida Editora; 1959)

É com palavras da juventude de "alguém que foi para a Alta Autoridade para a Comunicação Social", que apresentamos um livro novo de Marcos Farrajota. De novo quase nada têm, a não ser uma bd inédita de 10 páginas (para o #5 do zine A Mosca que nunca chegou a sair), porque o livro insere-se na colecção Mercantologia, uma colecção da Chili Com Carne dedicada à reedição de bd's perdidas no mundo dos zines.

São bd's autobiográficas de Farrajota, publicadas entre 1995 e 1997, nos números (esgotados) 6 ao 12 do Mesinha de Cabeceira, antecedentes ao É sempre demais... (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), apresentam o grosso da exploração da autobiografia no seu trabalho. Género esse pouco habitual em Portugal, mesmo depois do "boom" e da implosão da bd portuguesa, ao qual o autor acabou por subverter e abandonar gradualmente.

E como na vida, há de tudo nestas bd's: sexo juvenil, amores de recorte Primavera/ Verão, uso de drogas leves, vida suburbana em Cascais, relações sociais (envolvendo desde vários autores de bd a músicos como os Primitive Reason), deambulações urbano-filosóficas de quem andava à toa, rapinanços de conteúdos alheios (Mão Morta, Julie Doucet, Einstürzende Neubauten, Madman) e participações alheias de amigos - como acontece na bd Die Fliege II com textos de Miguel Caldas....
volume 3 da Colecção Mercantologia ... 72p. p/b 21x22,5 cm, capa a cores, edição brochada ... com prefácio de Daniel Lopes e apoio técnico de Pepedelrey... apoio: Instituto Português de Juventude
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algumas páginas aqui.
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talvez encontrem ainda exemplares na BdMania, Fábrica Features, Matéria Prima, Mundo Fantasma e Neurotitan.
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historial: Comemoração 9 dos 10 anos da Chili Com Carne ... Lançado na 10ª Feira Laica ... Nomeado como Melhor Argumento Nacional pelos Troféus Central Comics ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ...

feedback: 

Os meus sinceros parabéns por teres sempre conseguido pôr a alma a nu, sem concessões nem comiseração! Ondina, The Great Lesbian Show 
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É excelente sem favor! Belo trabalho! João Chambel, co-autor de Heróis da Literatura Portuguesa ... 
os registos variam, da autobiografia à crítica ou ensaio sarcástico, a fantasias sexuais. Também em termos formais ultrapassa o desenho para explorar a colagem, faz citações a partir do uso de fotografias, bocados de outras b.d.’s (caso do período gigante da Julie Doucet ou capa do Kill Your Boyfriend), letras de música, cartões da J.S., que cruza com apontamentos do seu diário gráfico. Afonso Cortez-Pinto in Umbigo [ler aqui artigo completo] 
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é o delírio, mesmo! excelente a tua ideia de compilares tudo e editares. dei comigo a rir sozinho enquanto via o teu livro (e a rever-me em algumas das situações ;) tens ali um documento de grande fôlego (e talvez seja o livro de BD menos pretensioso que alguma vez vi ;) e isso dá-lhe uma força brutal. agora é pensares numa compilação "não tavas lá?!" e coleção de discos UnDj... daqui por mais um 10 anitos!! Nuno Moita, Grain of Sound





+ feedback: 
Acho que agora te fiquei a conhecer perfeitamente! Eh, eh, eh! Tiago Guillul, FlorCaveira 
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é necessário tomar em conta que os acontecimentos retratados nestes pequenos episódios, alguns solitários – a própria criação dos trabalhos, a masturbação, as migalhas, as paranóias dos charros, as fantasias mentais, as reflexões sobre a vida – outros colectivos – saídas à noite, festas, concertos, passeios, férias, conversas – vivem em torno de uma cultura noctívaga, de um certo grau de rebeldia em relação à imposição da “normalidade social”, de uma ansiedade em relação ao futuro e àquilo a que nos parece obrigar, que se revela no próprio modo de trabalhar a banda desenhada: os traços nervosos, a flutuação dos estilos, as complicadas ou grotescas composição de página, as inclusões de material alheio (...), as diatribes contra a “normalização” aventada acima, etc. Pedro Moura in Ler BD 
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Gostei muito, irmão! Bacana! Jakob Klemencic, autor esloveno de férias em Curitiba! 
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O livro está do caralho!! Lembro-me de uma ou outra coisa mas ler tudo de uma só vez é completamente diferente. Li aquilo em duas vezes e a meio já ganhava o hábito de andar a rodar o livro para ler as letrinhas no fundo e referências. Acho que as histórias funcionam bem melhor num todo do que fragmentadas! Gostei particularmente da do ano 2000, o pesadelo da droga (ainda sonho com isso!!) e aquela sobre nosso Portugal está brilhante (mesmo que tenhas gamado o texto!). A do Salão do Porto fez-me lembrar montes de coisas dessa altura, acho que esse foi o melhor festival que fizemos cá! Está tudo muito porreiro, desde a história das calinadas (hehe) até às desventuras amorosas. O problema da BD autobiográfica é o de se descobrirem os podres todos: vodka na cona é naquela... mas cartões do PS?? arrggghh Hei, quando é que sai o próximo?? Rui Ricardo, ilustrador 
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parecem polaroids dessa década. muito fumo de charros, mão morta, fantasias na carreira do 414? sem guita, música em altos berros, existencial. um trabalho interno rico e muito interessante que não começa nem acaba com este livro. in thefootballer-vs-thepugilist.blogspot.com 
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  it's crazy. I liked it. It is something in between Andrea Pazienza and Edika MP5, ilustradora italiana
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  gostei do livro, acho que foi mesmo boa ideia compilar tudo numa mesma edição. Apanhei uma valente gripe (...) e as primeiras gargalhadas, foram provocadas pela leitura de tiradas tuas decorrentes das vicissitudes da tua lúgubre existência. A “tua dor de braço” ser uma possível doença psicossomática resultante da tua timidez, quase que me deslocava os maxilares. Paulo, Division House 
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MAS COM RESPEITO AO TEU LIVRO, ESTA LIDO E DIGERIDO. (...) FIQUEI COM BOA IMPRESSAO DO AUTOR. UMA PESSOA HUMILDE, QUE DEMONSTRA CUIDADOS MUITO HUMANOS NO TRACTO COM OS OUTROS, ESPECIALMENTE COM AS MULHERES; QUE DEMONSTRA INTERESSES ALTRIUSTAS PARA ALEM DO CULTO DA POPCULTURE, UMA GRANDE QUALIDADE EM DEGENERAÇAO NOWADAYS; QUE DEMOSNTRA SABER COMUNICAR-SE COM O MEIO FISICO E SOCIAL INTERCAMBIADO AS SUAS FRAILIDADES E DEBILIDADES (UMA VEZES MELHOR OUTRAS VEZES PIOR É CERTO), O QUE O MANTEM NUM PROCESSO CONSTRUTIVO DE AMADURECIMENTO E CRESCIMENTO EXISTENCIAL MUITO VALIOSO; ESSENCIALMENTE DEMONSTRA GRANDES QUALIDADES PARA DOMINAR UM TIPO DE DESENHO LIVRE QUE EU PARTICULARMENTE APRECIO EM CONJUNTO COM O SEU GREEDY MEAN WAY EM QUE SE AUTO-CRITICA TORNAM O TEMA "EGOCENTRISMO" MUITO INTERESSANTE IN A FUNNY WAY, E ATÉ EDUCATIVO, E A LEITURA VIVA, RICA E ...ESSENCIAL! VERA SUCHANKOVA 
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Gostei muito do teu livro, o periodo em que foram escritas as tuas histórias corresponde à altura em que vivi em Lisboa e identifico-me com muitas das coisas de que falas(música, timidez, charros, copos, filmes....) André Ferreira, Ao Sabor da Leitura / Goran Titol 
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  Back then, the guy was young; he thought important to write down the names of fave bands as many times as possible (the way less creative colleagues do on schoolbags and tables (...) occasional innovative solutions in using and combining words and pictures, that several times reach across the standard comic language in Stripburger #48
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  Bom, o pacote chegou (...) Caí primeiro no seu porque foi uma surpresa, não esperava por isso, não sabia que você estava preparando um livro e é realmente muito bom, ainda estou nele. (...) parabéns pelo livro. Fábio Zimbres 
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  Entretanto o pessoal começou a contar histórias de "coincidências das nossas vidas" que acho hilariantes - ler aqui a primeira e mais recentemente esta.
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Só coisa fina. Weaver Lima