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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Carne para Canhão 6 --- ESGOTADO

 
 
 O número 6 do nosso jornal CARNE para CANHÃO aliou-se aos grandes eventos pelo país fora como o Imaginarius (Santa Maria da Feira) e a Feira do Livro de Lisboa! Se já havia poucas razões para duvidar deste jornalismo enviesado, obscuro, instigador natural de propaganda privada, chegamos a este ponto em que a Chili é Canhão e o Canhão é Chili. O próximo passo é vender talheres ou "novelas gráficas" com o jornal! O caminho está traçado!

São 16 páginas a preto e branco com participações de Alexandra Saldanha (capa), Mina Anguelova, Matilde Basto, Carlos Carcassa, João Fazenda (quando tinha 12 anos!!), Léo, Zé Lázaro Lourenço, Rodolfo Mariano, Sofia Neto, Tetrateles (BDs), Rui Moura (ilustração) Pedro Pestana Soares e Marcos Farrajota (textos).

Pontos de distribuição: Ar.Co., BdMania, Bivar, Centro Periférico Cultura Urbana, Flur, restaurante Joud, Kingpin Books, Linha de Sombra, Neat Records, Snob, STET, Tigre de Papel, Tinta nos Nervos, ZDB (Lisboa), Velhotes (Vila Nova de Gaia), Atelier Abracadabra / Jolly Roger Tattoo Club, Lucky Lux (Coimbra), LAC (Lagos), Barlos (Barcelos), Bedeteca do Porto, Cassandra, Espaço Musas, Louie Louie, Lovers & Lollypops, Matéria Prima (Porto), Biblioteca das Caldas da Rainha, Insensato (Tomar), Meia Volta de Úrano (Cacilhas) e República 14 (Olhão).

domingo, 4 de janeiro de 2026

manual prático de uso da CCC (3/6) : os famosos 50% que agora são 30%...

desenho de João Fazenda para a CriCaClássica
Alguém disse uma vez: a Chili é o contrário das outras organizações que começam com grandes vantagens e depois começam a tirá-las ao longo dos anos.

Esperemos continuar assim por muito tempo, e cremos que a razão por terem dito deve-se ao facto que oferecíamos até 2016, 50% de desconto aos nossos associados sobre o nosso catálogo. Era um acto generoso muito simples na realidade, preferíamos "oferecer" metade do dinheiro da venda do livro a um leitor-associado do que a um distribuidor! 

Nem sempre foi assim, o trabalho da Witloof, uma editora que distribuiu os nossos livros entre 2000 e 2004, foi exemplar. Só que tal como muitas editoras e distribuidoras nos últimos anos, a Witloof fechou as portas e entre 2004 e 2014 não conseguimos nenhuma distribuidora que fosse fiável (é conhecido por elas não pagarem a editores pequenos) ou que não aceitassem os nossos livros porque a BD é um "bicho-papão" no mercado livreiro - e a "BD de autor" ainda é vista de forma ainda mais marginal! Em 2010 tivemos uma péssima experiência com a Great Point / Papiro / Buk, uma empresa de "vanity press", ou seja, uma editora que só publica autores se estes lhes pagarem os custos da produção do seu próprio livro! Claro que não queríamos que eles que nos editassem - isso nós sabemos fazer bem! - mas usar os seus serviços de distribuição. Resultado: tivemos de os processar para pagarem logo a primeira factura emitida. Foi um processo humilhante que se prolongou até 2012.

Neste panorama deprimente achámos que mais valia que fossem os associados a "distribuírem" as nossas edições. Se os associados podem comprar os nossos livros a preços baratos, o resultado seria que teríamos os associados a comprar mais livros do que o seu normal consumo individual e isso compensaria não ter uma distribuidora comercial criando um circuito autónomo. Simples! Claro que sabemos que a vida anda complicada, e não queremos doutrinar ninguém, mas o que na realidade que pedimos dos sócios é que comprem livros à CCC, MUITOS livros! Ehm... muitos exemplares do mesmo título! Dentro das vossas possibilidades, claro!

Sabemos que os nossos livros têm qualidade para serem oferecidos a amig@s normais, namorad@s anormais, a elementos da família disfuncional e outros animais racionais. A ideia é que adquiram livros nossos em deterioramento a compras às grandes editoras que foderam (não há outro termo, desculpem) o mercado livreiro. Alimentar o sistema de edição actual pensando que estão a fazer algo de positivo pela cultura ou pelos autores é uma ilusão! O livro é o objecto mais importante criado pelo Homem e está a ser o mais mal-tratado. Se acham isto exagerado, e porque não queremos que pensem que somos solipsistas a impingir-vos algo, consultem O Negócio dos Livros : como os grandes grupos económicos decidem o que lemos, de André Schiffrin editado pela Letra Livre. E depois falamos, e desta vez sem palavrões...

Entretanto, desde 2014 que temos uma distribuidora oficial e significou uma mudança no nosso modelo económico sendo que os famosos 50% de desconto não poderia continuar. Desde Fevereiro de 2017 que tivemos de baixar o desconto para 30% para que possamos sobreviver. Mesmo assim o desconto continua ser excelente e não parece que o primeiro parágrafo deixe de ser verdade...

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Loverboy na Feira das Vanessas --- últimos 8 exemplares! à venda na NEAT RECORDS





Não estamos a vender bonecos!

Já várias dezenas de pessoas nos abordaram com esta nossa promoção do livro Loverboy na Feira das Vanessas a pensar que estamos a fazer bonecos do Loverboy (em vestimenta de beto e outra de grunge), Leonardo e Astarot.
Errado!

É um novo e último livro com BDs da emblemática série Loverboy. As fotos tem uma história antiga é certo. Eis uma ficha técnica que resolve alguns dos problemas colocados:

Sétimo volume da colecção Mercantologia; Publicação da Associação Chili Com Carne; Edição de Marcos Farrajota; Design de Joana Pires; Capa e fotos de olhos(«Ä»)zumbir realizadas no estúdio da União Artística do Trancão e em Sede Adres, com apoio à produção de xoscx e Adres. Bonecos realizados por Miguel Rocha e Alex Gozblau para a exposição "Loverboy Store: Liquidação Total" no Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada 2001, na Cordoaria Nacional.


O livro Loverboy na Feira das Vanessas está à venda no site da Chili Com Carne (com uma oferta vintage dos anos 90, sim os anos 90 já são vintage!!), BdMania, Neat Records e A Vida Portuguesa.

Se os Black Sabbath podem... E os Sex Pistols, Blondie, Rage Against the Machine, Faith No More, Ornatos Violeta, Bauhaus, Zen!!! E até os Queen, Dead Kennedys, Doors, Christian Death, etc... Mau! Se tudo que é gato-sapato de banda pode voltar porque não o Loverboy & cia.?
...

Que se lixe os 80, eu quero a minha vida de volta dos anos 90!

A cultura que vivemos é de "retromania" como demonstrou o excelente livro de Simon Reynolds, e é curioso que existem vários fenómenos de revivalismos noutros países apesar de estarem sobre o jugo do do imperialismo anglo-saxónico.

São os fenómenos locais, como por exemplo, Portugal que não tinha uma tradição de Pop eis que 20 anos depois do aparecimento dos execráveis Resistência ou das popularuchas digressões “Portugal ao vivo”, ei-las a reaparecerem nos últimos meses para oferecer um conforto nostálgico à primeira geração 100% Pop portuguesa.

Onde fica a série de BD Loverboy no meio disto? Não sabemos mas esperemos que não fique entre o sem-pescoço do Tim e as moustaches-de-quem-precisa-de-sair-do-armário dos Pólo Norte! Iiiiirc....

Entretanto... os cromos não percebem que este livro é a gozar com eles e sonham com séries de TV e atribuem Troféus!!! Go get a fucking life!!!

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Dois ou três pensamentos soltos

Já podia ter morrido duas vezes feliz na vida. A primeira foi em 2010 quando o Fábio Zimbres entregou uma BD desenhada por ele e com argumento meu para publicar no Seitan Seitan Scum; e na semana passada quando recebi o número 11 da Expressa (Jul'20) onde essa mesma BD foi republicada. A Expressa é uma "revista" em que cada número é dedicado a um artista gráfico brasileiro - já lá iremos!

Para um anarquista ter ídolos é muito grave intelectualmente, só que o Zimbres como editor e artista influenciou-me a 100% quando era chavalo e agora nem devo fazer parte de 1% da sua vida - mas faço parte!! Admito que me rebaixo a essa percentagem para me sentir concretizado como ex-teenager. Quantas vezes nas nossas vidas podemos ter acesso e influenciar os nossos "heróis"? Ou já morreram todos por velhice ou por chutar cavalo - o Burroughs até foi aos 83 anos e ao ano de 1997, nada mal! Em 1993 estive a dois graus de separação dele, fuuuuuuck! Melhor mesmo só se tivesse feito uma capa pró Jello Biafra, oficialmente, hahaha

A Expressa é uma revista? Parece que sim, se os editores assim o afirmam para quê contrariar? Diria antes que é uma colecção de monográficos dedicados a um artista gráfico brasileiro, na essência ligados à BD, sendo este um campo alargado ao cartoon, "charge", tiras humorísticas (o pão-nosso de cada dia no Brasil), etc... O autor vivo é entrevistado, os mortos biografados. Depois a edição é enchida com BDs, tiras e ilustrações várias para fazer 120 páginas couché coloridas em A4 fechadas em capa dura. Caramba é um álbum! Mas talvez por sair mensalmente é que a consideram uma revista? Até dói! Mas se o Bestiário também é (não é) uma revista... Antes que comecem a correr com os cartões de créditos e premonições de problemas com a alfândega, existem rumores, que a "revista" irá aparecer em Portugal em breve. Rumores! 

Seja como for, a relação luso-brasileira ainda tem muito para se falar e estudar. Ao que parece não foi de toda pacífica logo com os dois "pais da BD/ HQ" de cada lado do Atlântico a ofenderem-se mutuamente e publicamente, Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e Angelo Agostini (1843-1910). O primeiro até foi atacado à facada (não por Agostini, atenção!), razão para deixar o Brasil e produzir o original No Lazareto (1881) - ao que parece 20 anos depois eram amigos outra vez! Mais pacífica e produtiva foi a emigração de Jayme Cortez (1926-87) em 1947, não só criou uma "escola" brasileira como ainda co-organizou, em 1951, a primeira exposição de BD brasileira ou de BD mundial - as fontes divergem. O autor foi esquecido por cá até ser recuperado graças às exposições organizadas pela Bedeteca de Beja. As Ditaduras não favoreceram contactos mas lá se descobria o Ziraldo em Portugal no jornal Lobo Mau, por exemplo. Nos anos 90 é a grande explosão de revistas brasileiras a chegarem cá: Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, Níquel Náusea e Animal (feio, forte formal). A explosão acabou em implosão graças ao plano Collor mas o mal já estava feito, Angeli e Laerte eram estrelas. Segue-se a primeira década do milénio de costas voltadas com alguns encontros fugazes, sendo o Seitan Seitan Scum o mais consubstanciado objecto ou a participação de Fábio Zimbres na exposição "Divide et Impera". Desde 2013 a editora Polvo edita muitos livros de autores brasileiros contemporâneos, destacando-se Marcelo D'Sallete ou Marcello Quintanilha. As migrações acontecem também, André Diniz vem para Lisboa e Puiupo para S. Paulo. A história aos quadrinhos ou aos quadradinhos continua... Sendo que esta Expressa será o local de encontro para saber tudo sobre os artistas entrevistados.

Este fim-de-semana vai haver o Mercado Aberto do Livro pela segunda vez. No ano passado lá andei a fazer "digging" no espaço da D. Ajuda cheia de tralha que já ninguém quer. Sem querer, claro, encontrei um belo monográfico dedicado ao grande Robert Crumb - com este tive também com dois graus de separação e até falei com o senhor que me mandou passear de forma assobiante, hehehe - escrito por Marjorie Alessandrini (1946-2020) e editado pela Albin Michel em 1974!

O ponto de exclamação significa algo? Adivinhem! Pensem nisto: a carreira underground de Crumb começou em 1967 e sete anos depois ele já tinha um monográfico sobre a sua obra em França, um trabalho crítico bem escrito por uma jornalista de Rock. É certo que os anos do ácido e "flower power" foram produtivos para este artista, em dois apenas produziu mais de 300 páginas todas elas a desconstruir a psique da cultura norte-americana. O trabalho passou para França, pela revista Actuel de início quando esta era uma grande fricalhice. O que é espantoso é que alguém escreveu um livro sobre este autor de BD contemporâneo ainda com o Crumb em início de carreira. Ena! Crumb não é o único contemplado, nesta colecção chamada Graffiti encontram-se outros títulos dedicados ao Gotlib (1934-2016), Reiser (1941-83), Moebius (1938-2012), Charles Schulz (1922-2000) e Fred (1931-2013), tudo publicado entre 1974 e 1976. Esta tradição de mapear autores de BD continua até nos dias de hoje em França mas noutras estruturas editoriais como a PLG.

Agora, lembrem-se de quantos monográficos sobre artistas ou autores de BD foram publicados por casas comerciais em Portugal? Há a biografia de Hergé (1907-83) e o livro de entrevistas a Hugo Pratt (1927-95), autores que rebolam nos caixões dada à exploração patrimonial que fazem dos seus trabalhos e que qualquer editor "cego-surdo-mudo" seria capaz de publicar e rentabilizar os livros. Tanto é verdade que escrevo que estes títulos foram publicados pela Verbo e Relógio D'Água, respectivamente, editoras generalistas. Há vários livros dedicados ao Bordalo Pinheiro, convenhamos, todos os anos sai mais um qualquer sobre um detalhe da sua vida (até a da sexual) ou da sua multifacetada obra. Depois (por isso não contam) há dezenas de catálogos ou monográficos das instituições como a Bedeteca de Lisboa ou aquilo que se chamava pomposamente de Centro Nacional de BD e Imagem (da CM Amadora, agora Bedeteca da Amadora) que publicaram, devido a uma inconsciente rivalidade camarária, montes de livros sobre vários artistas portugueses e até alguns estrangeiros. O último data de 2008 dedicado a Tiotónio (1936-85) talvez porque o último Salão Lisboa foi em 2005, sendo esta a perdedora do campeonato da BD municipal. Sem rival, a pilinha da BD Amadora esmoreceu tanto que não edita o catálogo do seu grande certame desde 2015. Em formato de BD (e voltando às editoras comerciais) foram publicadas uma sobre o Hergé e duas sobre o Edgar Jacobs (1904-87), essencialmente obras certinhas ao cânone instituído do biografado. 

Resumindo, das duas uma, ou o Relvas e o Alan Moore não são bons o suficiente para uma empresa comercial investir num livro sobre eles sem o apoio do Estado ou então as editoras comerciais de BD sempre nos enganaram com a sua dedicação e honestidade pela "causa" da BD. Inclino-me prá segunda hipótese a julgar pelas bostinhas que foram recentemente editadas em Portugal. 

Uma delas é Variantes : Uma Homenagem à BD Portuguesa (A Seita + Turbina), um álbum de novo-rico com boa guita para gastar. Lembra as iniciativas de um dos Trio Odemira que fez nos anos 90 ao publicar toscamente quatro volumes luxuosos, dois dedicados à "História da BD publicada em Portugal" e outros dois à revista O Mosquito. Ao menos os do Trio foram com a pasta dos direitos de autor da SPA do músico. O gesto simpático e trapalhão de Carlos Costa replica-se 25 anos depois com o do Júlio Moreira, co-responsável por este Variantes mas desta vez com apoios comunitários.

Seria acima de qualquer suspeita a qualidade da capacidade e do bom-gosto de Júlio, afinal, foi um dos responsáveis do importante e saudoso Salão de BD do Porto (que trouxe Joe Sacco, Julie Doucet, Chester Brown ou Marjani Satrapi antes de estarem na moda - e onde lançamos o nosso Mutate & Survive com uma divertida exposição) e da importante revista Quadrado. Talvez por não estar no activo há muitos anos, tenha deixado Júlio mole e sem capacidade de resposta aos seus novos comparsas de projectos cooperativos. Um deles, José Hartvig de Freitas, sem saber ainda hoje que foi enganado na sua vida de editor, escreve ao apresentar A Pior Banda do Mundo de José Carlos Fernandes: (...) tinha-me obrigado a ler uma vintena de páginas da Pior Banda, contra os meus protestos vivos e sonantes ("BD portuguesa, mas estás maluco? Isso são cenas pseudo-intelectuais que não interessam a ninguém!") (...). Ironia máxima, o autor mais "pseudo-intelectual" (no verdadeiro sentido da palavra!) português alguma vez cá nascido foi aquele que atingiu o coração de Freitas ao ponto de editar dezenas de livros dele. Talvez por não ser "pseudo-intelectual" (o discurso lembra qualquer personagem da Disney ou Astérix), Freitas não entendeu o paradoxo que  ele próprio montou.

Variantes parte do princípio de pegar numa página "clássica" e passar para um autor contemporâneo que a irá homenagear com o seu estilo gráfico - e em teoria, com uma possível corrupção narrativa. Há vários problemas com a edição, desde o design fatela (trabalhar com o JRF deve ser traumático, é certo, mas pelo menos rende, afinal a Quadrado sempre esteve a mil passos à frente até de revistas que não fossem de BD!!!) até aos artigos de contexto, que variam entre o bom (Isabel Carvalho) e o muito mau (Margarida Mesquita e o "bedófilo" Miguel Coelho) ficando pelo meio vários tons dos cinzentos do costume. Pelos vistos os nomes de Domingos Isabelinho, Pedro Moura e Sara Figueiredo Costa devem sofrer de "pseudo-intelectualismo" para não estarem presentes. 

A escolha em homenagear os primórdios da BD portuguesa começando pelo paizinho Bordalo Pinheiro e ir até ao "Tu és Mulher na minha vida (...)" do Pedro Brito e João Fazenda ou mostra oportunismo comercial porque A Seita reeditou este livro no ano passado ou que há medo de entrar no século XXI. É que assim ficou de fora um trabalho tão bom ou mesmo superior como a "Mulher", falo do Mr. Burroughs (outra vez o junkie!) de David Soares e Pedro Nora - e que teve uma imediata publicação pela "pseudo-intelectual" editora belga Fréon, mais tarde Frémok, facto inédito em Portugal, uma BD ainda por cima de uma editora pequena ter uma obra sua editada no estrangeiro. A escolha das pranchas / autores homenageados mostra uma falta de igualdade de géneros - os exemplos mencionados na Bedeteca Anónima são graves. Mas poderíamos considerar isto como uma situação perfeitamente cagativa, o Júlio & cia não são gajas, não leram propaganda da Mocidade Feminina - só leram a dos rapazes! - nem têm nada de curtir poesia "pseudo-intelectual" da Maria João Worm. Para além disso já passaram a barreira dos 50 anos e estão com a tensão "cringe" em alta. Tal como os livros d'O Mosquito, seguiram o coração nostálgico e sentimental e ninguém tem haver com isso. O problema é que este livro só prova que um trabalho bem feito deste género tem de ser feito, pelos vistos, pelas instituições públicas, é que não basta receber milhares da União Europeia, pois o resultado é este: uma História distorcida, uma selecção nostálgica, uma encomenda mal enjorcada que não se percebe a razão das escolhas dos autores e que, por sua vez, sofrem de disfunções na sua arte - induzida pelos editores que não curtem "pseudo-intelectuais"!? 

A escolha dos autores que homenageiam é errática, entre alguns que ninguém conhece no meio - o que é um risco com piada e vê-se pela revelação que são a Daniela Duarte e a Madalena Abreu que valeu a pena correr esse risco - passando por nulidades como a Marta Teives, que consegue transformar o neo-realista Borda d'Água de Miguel Rocha num agro-beto (duvido que tenha sido de propósito, isso mostraria um humor bem sacana) indo até um autor do "star-system". Aqueles que poderiam pegar nisto à séria acovardam-se: José Smith Vargas dá-se bem com o Carlos Botelho (bem escolhido e bem actualizado à Lisboa gentrificada) mas é redundante com José Ruy, o que André Pereira faz bem em Kolanville de J.L. Duarte com o seu grafismo gaijin mangá, n'O Macaco Tó Zé de Janus é apenas um absurdo de mimetismo. O mesmo para a Sofia Neto que moderniza Eduardo Teixeira Coelho mas vulgariza de forma totalmente plana a "erótico-psicadélica" Isabel Lobinho. O resto é quase tudo mau ou super-chato, com excepções para a prancha a "Mulher da minha vida" de Jorge Coelho e as do Marco Mendes. 

Alguns autores com quem eu falei comentaram esse à vontade de Mendes: "pá! mas esse é gajo da casa", isto é, os seus livros são editados pela Turbina e tem uma boa relação com o Júlio por isso pode brincar à vontade. Pseudo-intelectual ou apenas pseudo-tudo? 

Olha, que haja dinheirinho para distribuir aos autores de BD de vez em quando...


PS - para as pessoas que me perguntaram porque o Loverboy não está presente no volume, devo esclarecer que não houve nada de "evil shit" da parte da SHeITa e Turbina. Assim que soube que isto ia acontecer pedi ao Júlio para não incluir de nenhuma forma o meu trabalho antevendo uma desgraça, ou pelas escolhas incluídas (Jim del Monaco) ou pelas excluídas - é ofensivo não estar lá a Worm! Júlio, o que pensaria o nosso JPC desta ausência? Aliás, o que pensaria ele disto tudo?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O Panda Gordo takes some CCC and MNRG to ELCAF



O Panda Gordo is exhibiting this weekend at ELCAF, in London. You can find its head honcho João Sobral behind table 4 at the Round Chapel, in Hackney, Saturday 17th and Sunday 18th. 

O Panda Gordo has some new publications to present including the first issue of the brand new comics magazine Seven Stories.




Apart from its own material, O Panda Gordo will be exhibiting a selection of its distro titles including books from Chili Com Carne and MMMNNNRRRG. Portuguese artists Francisco Sousa Lobo, João Fazenda, André da Loba and Carolina Celas will also be present at the fair. Amanda Baeza will be signing books at kuš! table.




O Panda Gordo vai estar este fim-de-semana no ELCAF, em Londres. O cabecilha João Sobral estará sábado e domingo atrás da banca 4 na Round Chapel, em Hackney. O Panda Gordo tem algumas publicações novas para apresentar incluindo o primeiro número da sua nova revista de banda desenhada Seven Stories.

Para além do seu próprio material, O Panda Gordo terá disponível uma selecção de títulos da sua distro incluindo livros da Chili Com Carne e da MMMNNNRRRG. Outros artistas portugueses, como Francisco Sousa Lobo, João Fazenda, André da Loba e Carolina Celas também estarão presentes na feira. Amanda Baeza estará a autografar livros na banca da kuš!.

domingo, 25 de setembro de 2016

Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno /// ESGOTADO ... SOLD OUT


one comix collection about the WINTER (Inverno, in Portuguese) to comemorate 20 years of the zine Mesinha de Cabeceira created by Pedro Brito and Marcos Farrajota in1992
published by Chili Com Carne 
edited by Marcos Farrajota
designed by Joana Pires 
covers by José Feitor e Pedro Brito 
500 copies, 352 A6 b/w pages ALL in ENGLISH
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Antologia comemorativa dos 20 anos do zine Mesinha de Cabeceira, criado em 1992 por Pedro Brito e Marcos Farrajota.
Publicado pela Associação Chili Com Carne
Editado por Marcos Farrajota
Design por Joana Pires
capas: José Feitor e Pedro Brito
Foram impressos 500 exemplares, são 352 páginas A6 a preto e branco. todas as BDs foram redigidas em inglês.



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Com trabalhos de / comix by João Chambel, Daniel Lopes, Sílvia Rodrigues, Afonso Ferreira, Rafael Gouveia, Sara Gomes & André Coelho, José Smith Vargas, Bruno Borges, João Maio Pinto, Silas , Stevz (Brazil), Martin López Lam (Peru/ Spain), Lucas Almeida, Dice Industries (Germany), Uganda Lebre, Filipe Abranches, Tea Tauriainen (Finland), João Fazenda  and Zé Burnay.
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Apoios / support: Instituto Português do Desporto e Juventude e Trienal Desenho 2012 
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ESGOTADO / SOLD OUT - maybe still some copies at Mundo Fantasma (Porto), Neurotitan (Berlin), Lambiek (Amsterdam), LAC (Lagos), Strips & Stories (Hamburg) and Orbital (London).
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Lançamento na exposição 20 anos do Mesinha de Cabeceira, 25 de Outubro, na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa. Released 25th October at the exhibition "20 years of Mesinha de Cabeceira" at Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisbon.



 

Feedback:
dei uma olhadela na Mesinha de Cabeceira, e parabéns, gostei muito do que vi, a capa e primeiras folhas estão muito boas, assim como as ilustrações do José Feitor a fechar a publicação, com as folhas só a uma cor... 

parabenizo-te pela excelente edição! Graficamente, o conteúdo é todo excelente, com soluções muito interessantes por parte dos artistas - em especial, a história do Chambel (...) das melhores do zine. (...) Grande edição, com uma autenticidade que se sente logo de imediato, muito boas BDs, bem impresso e acabado num formato muito cativante - com as "tripas de fora", à livro setecentista, como um verdadeiro objecto contra-cultural e "bruto" como se deseja - e das tuas melhores edições, como um todo, dos últimos tempos. Dou-lhe cinco estrelas!

 Despite the theme, “Winter” (surely of many discontents but celebratory nonetheless), the stories presented are solid, readable (even if not for the faint of heart) and supported by a great variety of bold, stylised and grounded artwork. 
Pedro Moura in Paul Gravett site

Em termos gerais, o tom desta nova antologia é de facto melancólico. Não deixa de ser algo expectável construir tramas em torno de cenários apocalípticos, paisagens inóspitas ou em que se desenrolam características colhidas de variadíssimos géneros para que sejam subvertidos numa certa amoralidade. É uma espécie de celebração pelo desencanto, de que as imagens criadas por Brito e Feitor são um signo potente. Não se cantam aqui vitórias, nem se glorifica o passado, e tampouco se esperam promessas de desenvolvimentos futuros muito específicos, mas constitui-se mais um gesto editorial muito marcante de um percurso, de uma atitude e de uma certeza em relação à forma de trabalhar, cujo testemunho é a própria existência deste pequeno grande tomo.

livro magnífico (...) tem excelentes trabalhos 

Que brutalidade! (...) Capas diferentes e tudo, parece uma cena sem fim! 
Silas (Pontos Negros)

fanzine já mítico (...) que cumpriu recentemente duas décadas de vida (...) O que talvez não tenham imaginado foi o potencial que se guardava naquelas primeiras páginas, em 1992, e que haveria de desenvolver-se numa teia de colaborações, experimentalismos, abanões estéticos e narrativos de toda a espécie e a capacidade de manter uma publicação arejada e vibrante ao longo de tanto tempo. De tal modo que quem queira, hoje, conhecer o que se faz no campo da banda desenhada de autor e com poucas preocupações comerciais pode continuar a usar o MdC, e concretamente este número 23, como guia fiável. (...) uma babel de traços e estilos numa estranha e inquietante harmonia, (...) E se a coerência do conjunto não nasce do traço ou do estilo, é provável que se deva aos temas, uma radiografia nítida daquilo a que chamamos ar do tempo, com o tom apocalíptico, o peso do desperdício, a contaminação (real, nos montes de lixo que excedem da indústria de consumo e ocupam os campos, e visual, nas manchas que parecem alastrar como fungos) e uma certa ideia de no future que deve muito ao punk, mas deve ainda mais aos dias que vivemos. 

nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Obra Curta (Filipe Abranches, João Chambel, João Fazenda) e Melhor Argumento (João Fazenda) para os Prémios Central Comics 2012

Some amazing inkwork and disturbing imagery
White Buffalo Gazette

quinta-feira, 14 de julho de 2016

QUADRADINHOS : Sguardi sul fumetto portoghese / Looks on Portuguese Comics : ESGOTADO / SOLD OUT



Treviso Comic Book Festival is the third most biggest Comics Festival in Italy but still is a relaxed event and most important it has a good eye on comics made outside of Italy! Blame Alberto Corradi for this, as curator he already made exhibitions about Sweden, New Zealand, Denmark and this year... Portugal!

And for the first time there's a catalogue thanks to the effort of Treviso Fest, Mimisol and Chili Com Carne with the important support of Portuguese government - DGLAB and IPDJ institutions.

This catalogue is a comics anthology made by the artists invited for the festival's exhibition and includes a preface by Marcos Farrajota and a small History of Portuguese comics by Corradi. Most of the comics have been published in Portugal but then... have you seen them?

So you can enjoy 88 pages of comics (most are full colour) of a wide range of authors, coming from the underground to the international mainstream and from the new breed to older artists: João Fazenda, André Coelho with Manuel João Neto (same team of Terminal Tower), José Smith Vargas, Ana Biscaia (Best Portuguese Illustration Prize 2013) with João Pedro Mésseder, Nuno Saraiva, Francisco Sousa Lobo (The Dying Draughtsman, Art Review), Afonso Ferreira (Love Hole), Pedro Burgos, Filipe Abranches, Miguel Rocha with Susana Marques, Joana Afonso with André Oliveira, Jorge Coelho (Image, Marvel) with Paul Allor (from USA), Pepedelrey and Rudolfo (Negative Dad).

Book written in Italian and English.

Last copies at Mundo Fantasma, Matéria Prima, LAC, Utopia, Quimby's (Chicago) and BdMania.





Feedback: in Ler BD blog in Portuguese here ... one of best Portuguese "graphic novels" by Pedro Moura / Paul Gravett ... Nominated for Best Comics Related Publication and Short Story (by Rudolfo) for the Central Comics 2015 Prizes ... Presentation in Modo Infoshop (Bologna) on the 6th Juin 2015 ... se da una mezcla de estilos e influencias lógica, dado el espíritu de la publicación. Así, nos movemos del cómic de raíz más comercial, representado por Paul Allor y Jorge Coelho —ambos experimentados en el mercado estadounidense— hasta el experimentalismo radical de la historia de Filipe Abranches, excelente. (...) Afonso Ferreira, uno de los más jóvenes, es un representante del nutrido grupo de dibujantes profundamente influidos por la animación contemporánea del tipo Hora de aventuras y por Michael DeForge, y por eso recuerda también a lo que está haciendo Cristian Robles en España. Y por último, hay que destacar la contribución de Francisco Sousa Lobo, quizás el más interesante y personal de los autores portugueses que conozco.  Luego volveremos sobre él. Geraldo Vilches in The Watcher and the Tower

sábado, 7 de novembro de 2015

Zona de Desconforto ESGOTADO /// originais em exposição na BD Amadora 2015


Livro do ano passado da nossa colecção de livros de viagem para quem gosta de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro, a LowCCCost.

Zona de Desconforto é uma recolha de relatos de autores de Banda Desenhada que foram estudar ou trabalhar para fora de Portugal
...

Os autores apesar de terem sido "obrigados" a trabalharem em registo autobiográfico para relatarem as suas experiências, que vão da leve piada do choque cultural às reflexões profundas e intimistas, ainda assim o estilo pessoal de cada autor não foi prejudicado.

Organizado por ordem cronológica, o livro começa com André Coelho, que estudou em Barcelona, em 2006, e expõe as questões nacionalistas catalãs, mas a experiência similar de Amanda Baeza no País Basco (estudou em Bilbao, em 2010) é mostrada de uma forma oposta e "leftfield".

Holanda vai ser uma coincidência de país para a "globe trotter" Christina Casnellie (em 2006) e um ano mais tarde, José Smith Vargas, maior é a coincidência é que  ambos desmontam a sociedade holandesa e a "pan-ibérica".

Londres também é uma "coincidência" para encontramos Ondina Pires (ex-Pop Dell'Arte, ex-The Great Lesbian Show) entre 2008 e 2010, e Francisco Sousa Lobo (vencedor do concurso "500 paus") entre 2010 e 2013, que usam "comic relief" q.b. para contar a depressão que se sente na capital inglesa, e no caso de Lobo esta sua BD é uma "companion" para o badalado romance gráfico O Desenhador Defunto. Mas antes, David Campos complementando a sua experiência da Guiné-Bissau (relatada no Kassumai) visita o resort  de Cap Skirring (Senegal) em 2007 para alertar-nos da exploração não só de recursos económicos mas também sexuais de África.

Em 2013 ainda temos as instrospecções políticas de Tiago Baptista em Berlim, durante uma residência artística; e mais extremas as deslocações sul-americanas de Júlia Tovar para Buenos Aires, decidida a criar a sua família, e com alguma ponta de ironia Daniel Lopes mostra o Brasil como o "futuro", na sua recente visita profissional, como académico.

Esta edição foi coordenada por Marcos Farrajota, frustrado e impotente em testemunhar a emigração, em alguns casos forçada, dos seus amigos e conhecidos à procura de melhores condições de vida, num país que deixa um filha-da-puta de um político alarvar bitaites de que "o melhor que os jovens portugueses têm a fazer é emigrar".

O livro não tem uma "agenda política" porque deixa que o relato de cada autor siga o seu rumo, com saldo positivo ou negativo, deixando ao leitor a interpretação que desejar.

Longe de nós impormos seja o que for...

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Arranjo gráfico: Joana Pires; Capa de João Fazenda; Apoios do IPDJ, Alt Com / Tusen Serier

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talvez ainda encontrem exemplares nas lojas Palavra de Viajante, El Pep, Mundo Fantasma e LAC.

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Historial: lançado na Palavra de Viajante, a livraria mais bonita de Lisboa a 5 de Abril de 2014 ... vencedor do Melhor Álbum Português pela BD Amadora 2014 ... uma das melhores "graphic novels" portuguesas de 2014 segundo Pedro Moura no sítio de Paul Gravett ... na lista do Melhor de 2014 pela loja Matéria Prima ... Vencedor de Melhor Obra Curta (Berlim de Tiago Baptista) pelos Prémios Central Comics 2015... exposição na BD Amadora 2015 ... 

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Feedback: Grande edição! Podes dizer ao Sousa Lobo que graças a ele voltei a acreditar na BD portuguesa. Que estouro. André Coelho (por e-mail 04/04/14) ... já li o livro, falta o Francisco que guardei para o fim, gostei bastante, é bom os trabalhos serem tão diferentes, acho que as histórias conseguem mesmo levar-nos para outros tempos e espaços geográficos, fizeram-me sentir mesmo fora daqui e todas as problemáticas que isso acarreta, não que sentisse um profundo envolvimento mas consegui deslocar-me... isso é bom. como se de estória em estória saltasse de cidade em cidade. Depois vou ler a história do Francisco e reler tudo de seguida a ver como é... Tiago Baptista (por e-mail 04/04/14) ... 'Tá bem apanhado, o título. Li num parque rodeado de turistas, a pensar que ia compensar a sensação "Portugal, Inatel da Europa". Não tenho a certeza, e parece que apanhei a sensação turística no obverso. O Lobo, se calhar porque parece ter mais espaço que os outros, apanha bem a coisa 'tuga: é como rir de alguém que tem um problema sério. Fora isso acho que o livro caiu ao chão quando li a história dele, de tão pesada que era. O género autobiográfico é fodido e em vez de heróis ficaram os episódios. O Baptista e o Coelho parece que quiseram meter lá os heróis em vez deles. A Amanda Baeza é um pequeno ovni... já tinha falado com ela sobre este bolo basco pesadíssimo, que estou a pensar fazer um dia. Outros, tendo estilos que me pareceram familiares, não retive tanto. Curti algumas piadas da história da Tovar, e se já vi a cena de estar nu noutro lado, ri na mesma quando vi. Fixe o traço do Campos e a deambulação anti-Club Med. Fiquei a saber o que é um flessenlikker e vou ver se arranjo um, para poupar uns trocos e viajar mais. Astromanta (por e-mail 17/04/14) nice book, is an architecture/city sketchbook of tales Valério Bindi do Crack Festival (e-mail 20/04/14) ... Os autores destas histórias a vermelho, nada inocente, seguramente, poderão usar diferentes intensidades dessa leitura dupla. Podemos lê-las como pequenos apontamentos autobiográficos ou impressões do “lá fora”, mas perder-se-ia parte do seu poder colectivo. Mas é na sua conjunção, e no seu gesto editorial total, que percebemos a responsabilidade assumida na identificação do desconforto apontado. Pedro Moura / Ler BD ... Dez autores com registos muito distintos criam uma harmonia que já vai sendo regra nos livros colectivos da editora e que deve mais à mundividência partilhada do que qualquer esforço de homogeneização. (...) tem algo de antologia de BD contemporâena, mas a sua verdaderira vocação é a de dar a ver / ler o mundo estilhaçado que nos coube Sara Figueiredo Costa / Expresso ... De facto todas as histórias de Zona de desconforto trabalham a percepção que qualquer grau de segurança está a um passo de ser exposto quando se dá um passo no desconhecido, mesmo um desconhecido próximo. E para abordar o mundo é necessário cada vez mais dar esse passo. JL ...



André Coelho

David Campos

Francisco Sousa Lobo

Amanda Baeza

Tiago Baptista

Daniel Lopes


sábado, 31 de outubro de 2015

SemConsenso. Banda desenhada, ilustração e política


Inaugura no Sábado, às 16h, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, a exposição SemConsenso. Banda desenhada, ilustração e política, comissariada por Pedro Moura.

Trata-se de uma mostra de trabalhos que compreenderá banda desenhada publicada em livros, jornais, revistas, publicações de vário cariz, assim como ilustrações editoriais, cartoons, e outros objectos menos comuns que, de uma forma ou outra, “abrem um novo espaço da política” (…). É uma constelação que não tem respostas nem pretende seguir os caminhos já trilhados ou pré-preparados para a “discussão séria”. Bem pelo contrário, são colocadas muitas perguntas. 

Esta exposição contará com a presença de trabalhos dos seguintes autores, de forma mais alargada ou mais concentrada: Alice Geirinhas, Álvaro Santos, Amanda Baeza, António Jorge Gonçalves, Bruno Borges, Carlos Pinheiro, Cristina Sampaio, Daniel Seabra Lopes, João Fazenda, José Feitor, José Smith Vargas, Jucifer, Marco Mendes, Marcos Farrajota, Marriette Tosel, Miguel Carneiro, Miguel Rocha, Nuno Saraiva, Nuno Sousa, Pepedelrey, Tiago Baptista e ainda mural de Pepedelrey & André Lemos.

Jucifer e Tiago Baptista


Zona de Desconforto à mostra...
Cristina Sampaio nas casas de banho do museu