quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

ANTOLOGIA da MENTE de TOMMI MUSTURI na Lista de Melhores Livros de BD de 2018 do Expresso



A Antologia da Mente (AdM) é uma colecção de histórias curtas pelo artista Tommi Musturi que inclui 37 trabalhos realizados entre 1997 e 2017. É um mergulho profundo na diversidade e formas diferentes de narrativa gráfica, pois Musturi usa estilos visuais e formas de contar histórias para nos entregar mensagens e ideias complexas. AdM inclui um artigo de seis páginas escrito pelo autor sobre o “Estilo” enquanto ferramenta artística.

As suas bandas desenhadas são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresentasse sempre em mutação.

128 páginas a cores em formato A4.
Tradução de Anna Katajamaki.
Edição limitada a 400 exemplares pela MMMNNNRRRG e apoiada pela FILI.




Historial: 
lançamento no Milhões de Festa / Necromancia Editorial ao som dos CIRCLE 
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Disponível na loja em linha da Chili Com Carnena Linha de Sombra, BdMania, MOB, Tasca Mastai, Black Mamba, Mundo Fantasma, Matéria Prima, A Banca, Utopia, Letra LivreLAC, Stet, Bertrand, FNAC, SnobCotoviaNouvelle Librarie FrançaiseKingpin Books.

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Feedback : 

Gostei muito, adorei o texto do Tommi Musturi sobre o estilo. É incrível ver um trabalho que mais parece ter sido feito por várias pessoas. 
Goran Titol (via e-mails)

Um primeiro olhar, desprevenido, sobre estas mais de cem páginas poderia induzir a ideia de estarmos perante um volume colectivo, tamanha é a diversidade de registos, cores e estilos presente nas histórias curtas de Tommi Musturi. A amplitude cronológica poderia justificar essa diversidade, não fosse tal justificação não só desnecessária como contraproducente. Musturi é um autor que preza a experimentação, a descoberta enquanto processo de criação e a liberdade gráfica e isso reflecte-se neste livro de um modo muito evidente. 
(...) Não há um tema único, sequer dominante. Musturi cria histórias sobre as pequenas alegrias e misérias do quotidiano, os abismos existenciais ou a límpida observação de um fenómeno. (...) Entre os 37 trabalhos, encontram-se histórias pensadas para os mais novos, como «Amizade» – realizada a convite da colecção de livros infantis Nuppuset, reflexões abstractas e marcadas pela auto-referência, como «Matéria Negra», criada para uma antologia literária, ou adaptações como a que se mostra em «Milagres», que resgata o poema homónimo de Walt Whitman em duas pranchas de uma imensa beleza formal. 
Sara Figueiredo Costa in Blimunda

Na Lista de Melhores Livros de BD de 2018 do Expresso
Sara Figueiredo Costa



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Pentângulo #2 para Março!


Pentâgulo #2 é uma publicação que resulta de uma parceria entre o Ar.Co. - Centro de Arte e Comunicação Visual e a Associação Chili Com Carne. Todos os conteúdos foram produzidos no âmbito do Departamento de Ilustração | BD do Ar.Co.

Coordenação editorial por Daniel Lima, Jorge Nesbitt e Marcos Farrajota. Design por Rudolfo. Capa de Nuno Saraiva.

Apoio do Instituto Português de Desporto e Juventude. E apoio de distribuição das seguintes lojas BdMania, Gateway City Comics, Linha de Sombra, Matéria Prima, Kingpin Books, Mundo Fantasma, Snob e Tasca Mastai.

Colaboram neste número: Amanda Baeza, Ana Dias, André Pereira, Daniel Lima, Dois Vês, Francisco San Payo, Francisco Sousa Lobo, Gonçalo Duarte, João Carola, João Silva, Luana Saldanha, Marcos Farrajota, Mariana Pinheiro, Mathieu Fleury, Pedro Moura, 40 LadrõesRodolfo Mariano, Rosa Francisco, Sara Boiça e Simão Simões.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

graphzine PUNK COMIX cd

Quem adivinhou que este desenho era da "desaparecida" Júcifer?


Se a Música sempre foi registrada em objectos circulares, das primeiras máquinas mecânicas às rodas das k7s. A Reciclagem artística e a ecológica seguem o mesmo princípio geométrico.

300 rodelas áudio, 13 artistas gráficos, impressão luxuosa risográfica

Esta edição é no fim de contas um CD que acompanhou um lote de exemplares do livro-duplo Corta-E-Cola / Punk Comix (Chili Com Carne + Thisco; 2017) de Afonso Cortez e MarcosFarrajota, sobre a história do Punk em Portugal.

Foram tirados 1000 exemplares do livro e 1000 cópias do disco, no entanto só 700 dos CDs é que entraram nos livros. Cerca de 300 exemplares do livro foram para as grandes cadeias livreiras… recusando trabalho de escravo para esses monstros ou satisfazermos consumidores preguiçosos, não foram enfiados discos nesses exemplares.

Esta sobra de discos inspirou-nos a criar um graphzine com 13 desenhadores a ilustrarem as músicas que por sua vez foram baseadas na BD da forma mais abrangente possível: sobre autores (Vilhena, Johnny Ryan), personagens (Mandrake, Corto Maltese), séries (O Filme da Minha Vida) ou livros (V de Vingança, Caminhando Com Samuel). Alguns temas são mais óbvios que outros mas o resultado é uma rica mistura de sons que vão desde o recital musicado ao Crust mais barulhento.

Impresso a duas cores em Risografia - via Mundo Fantasma - participam neste graphzine com BDs, desenhos e ilustrações vários autores "punkis" assim assim, que já foram ou ainda serão ou nem por isso Mauro Coelho, Ana Louro, Neno Costa, Ana CaspãoNunskyRui MouraJosé Smith VargasXavier AlmeidaMarcos FarrajotaRudolfoVicente Nunes e André Coelho. E Jucifer na capa.

Edição Chili Com Carne + Zerowork Records
Agradecimentos a José Feitor e Thisco.





Lançado no Festival de BD de Angoulême 2019. Sítios onde para adquirir esta raridade: loja em linha da Chili Com CarneMundo Fantasma, Glam-O-Rama, Rastilho e Megastore by Largo.


FEEDBACK 

 Cada música tem direito a uma ilustração ou banda desenhada, sendo as dedicadas à BD aquelas que constituem a maioria das páginas da obra (...) que evocam autores, personagens, séries e livros de banda desenhada, dos menos aos mais mainstream. Este pot-pourri gráfico tem uma existência passível de apreciação para além da mera bula que acompanha o disco compacto, desde o piscar de olho ao Popeye fálico e ao vampiresco Batman até ao Homem-Aranha punk (quiça retirado do aranhaverso) e às diferentes fases do acto sexual (não necessariamente cinemática).
Je l’offrirai à ma maman (je ne connais pas d’autre vieille dame).

"a" maiúsculo com círculo à volta de Rui Eduardo Paes --- ESGOTADO --- PDF grátis em linha


Muitas vezes, e não em poucos casos abusivamente, o punk foi/é identificado com o anarquismo. Em outra área, são habituais as analogias da chamada "livre-improvisação" com os princípios libertários, mesmo quando quem toca são músicos com perspectivas políticas e sociais influenciadas por correntes marxistas como o trotzkismo e o maoísmo. Seja como for, há mais conexões entre Música e Anarquia do que aquelas que se supõe. Um contributo para o seu desvelamento, tanto quanto para a desmitificação de algumas ideias feitas, está neste novo livro de Rui Eduardo Paes, o segundo do autor na colecção THISCOvery CCChannel, depois de Bestiário Ilustríssimo.

O novo livro de Rui Eduardo Paes relaciona as músicas de hoje (jazz, improvisação, pop-rock, noise, electrónica experimental, música contemporânea) com as novas tendências do pensamento libertário, descobrindo analogias mas também desmistificando ideias feitas. Daniel Carter, Lê Quan Ninh, John Cage, Fela Kuti, Frank Zappa, Thom York (Radiohead) e Nicolas Collins são algumas das figuras retratadas pela escrita analítica e de dimensão filosófica, mas não raro com humor e alcance provocatório, do ensaísta e editor da revista “online” jazz.pt. Entre os temas percorridos ao longo dos 10 capítulos amplamente ilustrados estão o ocultismo, a espiritualidade, a ciência, a ficção científica, a tecnologia, o amor e o sexo, com referência a autores como Robert Anton Wilson, Hakim Bey, Murray Bookchin, Starhawk e Ursula K. Le Guin.

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O livro é ilustrado por vários artistas da Associação Chili Com Carne: Joana Pires, Marcos Farrajota, André Coelho, Jucifer, Bráulio Amado (acumulando o cargo de Designer do livro), José Feitor, David Campos, Daniel Lopes, André Lemos, João Chambel e Ana Menezes.

A
Edição da Chili Com Carne e Thisco
80p p/b; 16,5x22cm
ISBN: 978-989-8363-21-3


talvez ainda esteja à venda na Flur, Letra LivreMatéria PrimaUtopiaLAC, Leituria, Glam-O-RamaLouie Louie do PortoApop ShopBlack Mamba, Tortuga (Disgraça) e MOB.

A
Historial : lançado em 29 de Maio de 2013, na Trem Azul, Lisboa, com a participação do escritor Rafael Dionísio e do músico Paulo Chagas, seguido de concerto de Shameful Iguana [Luís Lopes: guitarra eléctrica; Hernâni Faustino: baixo eléctrico; Marco Franco: bateria] ...

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Sobre o autor: Com quase 30 anos de actividade repartida entre o jornalismo cultural, a crítica de música e o ensaísmo teórico, Rui Eduardo Paes é autor de vários livros sobre as músicas criativas. É o editor do site jazz.pt, membro da direcção da associação Granular e autor dos press releases da editora discográfica Clean Feed. Foi um dos fundadores da Bolsa Ernesto de Sousa. Assessorou a direcção do Serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian e integrou o júri do concurso de apoios sustentados do Instituto das Artes / Ministério da Cultura para o quadriénio 2005-2008.

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os textos estão soberbos e o trabalho gráfico ficou excelente! parabéns a quem concebeu e materializou este objecto literário-gráfico-musical absolutamente único! António Branco 
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novo livro traz é que o ponto de vista essencial é o ponto de vista político associado às manifestações estéticas contemporâneas. O título é, de resto, todo um programa de intenções: "A" Maiúsculo Com Círculo à Volta". O anarquismo histórico e as suas formas libertárias de expressão são intercaladas, pelo autor, com múltiplas abordagens a músicos, escritores, cientistas ou artistas multimédia. Um livro que, uma vez mais, prova que o autor rejeita o conformismo de pensamento e ousa analisar novas abordagens, novas relações, novos pontos de vista sobres os fenómenos artístico-culturais-sociais-filosóficos do mundo contemporâneo (...) relaciona as músicas de hoje (jazz, improvisação, pop-rock, noise, electrónica experimental, música contemporânea) com as novas tendências do pensamento libertário, descobrindo analogias mas também desmistificando ideias feitas. Entre os temas percorridos ao longo dos 10 capítulos amplamente ilustrados estão o ocultismo, a espiritualidade, a ciência, a ficção científica, a tecnologia, o amor e o sexo, com referência a autores como Robert Anton Wilson, Hakim Bey ou Murray Bookchin Kubik in O homem que sabia demasiado
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Dando sequência a uma consistente abordagem político-musicológica, por vezes fraturante e polémica, REP continua a revelar neste novo conjunto de reflexões a lucidez intelectual, a densidade de análise e o rigor enciclopédico que sempre caracterizaram a sua escrita. António Branco in Jazz.pt 
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4 estrelas (em 5) in Público 
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Atenção, isto não é apenas um livro: é um perigoso "cocktail molotov" para o cérebro. E, já agora, também para os ouvidos. Nuno Catarino in Ípsilon / Público 
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ambicioso, extraordinariamente documentado, e uma porta perfeita para teses de maior valor intelectual. Bons Encontros 
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 No abandonando su sentido del humor, desde la espiritualidad, el sexo, el amor, el ocultismo a temas más de actualidad, la ficción científica, la nueva tecnología (...) Oro Molido





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Luta continua... prolongada até 24 de Fevereiro


Inaugurou em Setembro do ano passado na Casa da Cerca uma exposição de Ilustração, organizada por Jorge Silva, intitulada A luta continua! 140 anos de Ilustração Portuguesa com trabalhos de Alice Geirinhas, André Ruivo, Dorindo Carvalho, Ferreira da Silva, Henrique Manuel, Henrique Ruivo, João Abel Manta, João da Câmara Leme, João Fazenda, João Fonte Santa, João Pedroso, José Vilhena, Manuel Macedo, Manuel Paula, Manuel Ribeiro de Pavia, Oficina Arara, Pedro Cabral, Pedro Zamith, Rogério Ribeiro, Sílvia Rodrigues, Stuart de Carvalhais, Tiago Manuel, Tom e Tóssan.

A Ilustração parece ser arte amável, mais dada à metáfora e à erudição, e montra recatada do talento gráfico do artista, sem gritar ou conspirar na rua. O trabalho duro parece sobrar para os parentes de mau feitio congénito, como o cartune e a caricatura. E no entanto, ao longo dos tempos, muita revolução, muita luta, mesmo surda ou cínica, contra ismos e tiranos, se forjou também na ilustração de livros, cartazes e jornais, militante de causas e sonhos. (…) Esta mostra sintética passeia-se por 140 anos deste pedaço das artes visuais portuguesas (…) - Jorge Silva

Edições nossas estarão lá à venda, aproveitem, algumas são raridades...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Dor de Costuleta Deluxe na Megastore by Largo



Todos os anos a MMMNNNRRRG lança uma k7 de música provocadora, só par desenjoar dos livros! Este ano foi a edição de luxo do primeiro disco, Dor de Costuleta, de Black Taiga com uma faixa extra com DJ Privilégio e remixes do tema Porcos de Guerra pela editora / colectivo Rotten / Fresh e o seu incrível "roster" de produtores electrónicos: Buhnnun, DJ Crime, Império Pacífico, Östrol e UNITEDSTATESOF.

limitada a 66 cópias, a ilustração supavaporwave é do André dos Madokas com design-de-caixa-supimpa pela So What Produções

ESTÁ à venda AQUI e na Megastore by Largo



Dor de Costuleta Deluxe
é uma co-edição MMMNNNRRRG + Rotten \\ Fresh e contem:

Lado A - Dor de Costuleta (2014) produzido por Walt Thisney
Anos do Leão
Vila Glútea (Tanzânia)
Porcos da Guerra
DJ Privilégio vs BT : Porcos de Guerra ODC (faixa extra)

Lado B - Remixes  Rotten \\ Fresh (2018)
Porcos da Guerra - Linha 3 / Buhnnun
Porcos de Guerra (Taiga Riddim) / DJ Crime
Porcos di Guerra IP Remix / Império Pacífico
Porcos do Guerra Polizei rmx / UNITEDSTATESOF
Porcos du Guerra Honeyglass remix / Oströl




Historial: lançamento no dia 22/12/18 no Desterro ... 


Feedback:

Tenho que admitir a preferência pela da Bleid, mas os (...) kizombas goofy remisturados estão bastante interessantes. Quando entra alguém dentro do meu carro ou fica extremamente agradado ou agoniado com o som. O que é fixe (...) fiquei fã e vou ficar de olho nas próximas edições.
Catarina Querido (via email)
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Santa Camarão @ Kingpin


José Santa "Camarão" (1902-1963) foi um dos maiores boxistas do mundo e com uma história de vida avassaladora.

Esquecido pelo tempo, Xavier Almeida propõe trazé-lo à memória com uma biografia baseada num caderno escrito pelo próprio Santa que relata a primeira parte da sua vida: da sua infância em Ovar à juventude em Lisboa, onde culmina com o inicio da sua vida profissional.

Esta é a parte menos conhecida do Santa Camarão, no entanto a mais épica. Pois é neste período que se constrói a sua personagem e a sua carga melancólica, triste, solitária, perdida...e talvez a mais fascinante.

É de referir a colaboração de Pato Bravo (aka de B Fachada, que por sua vez é aka de Bernardo Fachada) no argumento desta banda desenhada. Uma colaboração com Almeida que já vem do tempo da Violência Electro-Doméstica.

O livro teve o apoio das Câmaras Municipais de Ovar e Lisboa. 

à venda na loja virtual da Chili Com Carne e na ZDB, Mundo Fantasma, BdMania, Tasca Mastai, Bertrand, Sirigaita, Gateway City Comics, You to You... e brevemente na Kingpin

BUY ouside of Portugal at Quimby's (USA), Neurotitan (Germany), Floating World (USA)...

Historial: lançado oficialmente no dia 18 de Novembro de 2017 no Grupo Sportivo Adicense (Alfama) com Pato Bravo, DJ Tempos Livres, António Caramelo e uma aula livre de boxe ...  artigo n'O Corvo ... Conversa com Rahul Kumar, Mestre Paulo Seco, Xavier AlmeidaMarcos Farrajota na Tigre de Papel no dia 22 de Novembro de 2017 ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ... artigo na TSF ... lançamento em Ovar no Bar Ideal, 23 Dezembro 2017 ... lançamento na Inc (Porto) no 25 Abril 2018 ...

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Feedback:

(...) Almeida ergue uma narrativa cuja força está na melancolia e na consciência do abismo, dentro e fora do ringue, muito mais do que no brilho dos punhos capazes de derrubar um adversário com apenas um gancho.
5 estrelas

Muito ternurento e cinematográfico
André Ruivo (por e-mail)

Santa Camarão é muito belo enquanto história, e bate forte. Sem nenhuma das cassetes e truques de BD, e que nos faz querer voltar a aprender a desenhar. Desarma. Lá dizia o poeta que o bom poema é aquele que não se desvanece no significado. Este livro e Berlim : Cidade Sem Sombras são como esse poema de que fala o Paul Valery. Resistem, não se limitam ao que aparece.
Francisco Sousa Lobo (e-mail)

Loved the boxing story...
Andy Brown (Conundrum Press)

Uma vida não é feita apenas pelos seus eventos e marcos superficiais. Esta (auto)biografia demonstra-lo.
I just wanted to tell you that I picked up your book Santa Camarão when I was in Porto last week (...) It's really impressive, your work - I like your drawing a lot!
 JonArno Lawson

nomeado para Melhor Álbum, Argumento e Desenho na BD Amadora 2018
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5 estrelas
Mauro Coelho (Grito!) por email

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Memória colectiva de Geraldes Lino, falecido a 19 de Fevereiro 2019


GL no lançamento d'AcontorcionistA em 2012

Figura querida de muitos nós, autores de BD e editores de fanzines, eis um "corta-e-cola" de testemunhos de pessoas que o conheceram.

Ainda me lembro das tertúlias no estádio, houve uma que cheguei cedo 'tava lá ele, sentei e passado um bocado aparece aquele punk, que não me lembro o nome, de calças justas de leopardo, casaco de cabedal bafo a vinho e ar de quem não dorme muito a muito tempo, sentou ao pé de nós e os Geraldes a olhar para mim com um ar meio sem saber o que dizer, senti-o se um desconforto no ar para longitude dos dois personagens, mas logo se começou a desbloquear quando uns livros começa a mostrar e a partilhar conversa sobre bd. Uma pessoa muito fixe, sabia fazer críticas positivas e ajudar a motivar, a mim ajudou me na altura. - Lucas Almeida

Primeiras noites a viver em Lisboa, em 2002, e sai com uma turminha fora do vulgar, eu, o Geraldes, Pepedelrey, Ana Ribeiro e mais alguém que não me recordo. Final da noite decidimos descer até ao Incognito, pensei, vai ser impossível - muitos gajos e só uma mulher, vamos ser barrados. O porteiro "Dartagan" reconheceu o Lino, nem quis saber quantos éramos e quem éramos, entrem, entrem... "Ó Lino, queres o quê?" (acho que ele pediu um vodka limão). O "Dartagnan" tinha feito BD no passado e claro que conhecia o Lino. Noites mais tarde, situação similar mas desta vez no Lux. O porteiro reconheceu-o não sei porquê... Talvez porque o Lino conhecia o dono do Lux, o Manuel Reis. Quando o Lino deixou de sair à noite, voltei a ser barrado às portas das discos... - Marcos Farrajota

É quase insólito pensar que o desaparecimento de um homem que não conhecia profundamente, me emociona. Mas ler o que escrevem sobre o Geraldes Lino neste momento, a forma como o recordam, reforça a imagem que sempre tive dele. De uma figura (de perfil singular - aquele nariz!!) que circulava elegantemente por entre todas as bancas, as feiras ou festivais, sempre com a mesma curiosidade, com a mesma gentileza, com a mesma humildade. Reconhecia os autores e os seus trabalhos, divulgava-os, independentemente do que fossem, se comerciais ou alternativos, e essa atenção, esse cuidado sempre me comoveu. Esse olhar "fraterno" e transversal era o que para mim distinguia o Geraldes Lino da amálgama de editores e curiosos. Recordo-me das suas palavras de incentivo quando leu o STABAT MATER ou o MANUELINÚTIL, que ele meticulosamente chamava de "fanzines" porque "livro de banda desenhada é outra coisa!", de me perguntar quando sairia o próximo, de me incentivar a não para! De uma conversa à mesa da Tertúlia, sobre o seu trabalho no aeroporto, e da sua paixão pela Banda Desenhada! E daquele nariz... - Patrícia Guimarães

O entusiasmo e generosidade do Geraldes Lino por pessoas e por BD extravasavam os limites do que era esperado. Lembrava-se sempre - O Francisco, eu publiquei uma BD do Francisco no Jornal Universitário - como se eu me fosse esquecer de coisas dessas, ainda para mais pagas. 
Não era só a tertúlia, mas o apoio que dava a pessoas que davam os primeiros passos na BD, que se destacava no Geraldes Lino. Fazem mesmo muita falta pessoas assim - generosas, abertas, que fazem pontes. Um activista e um pacifista da BD. - Francisco Sousa Lobo

Lembrar o Lino é simples: o gajo faz parte do meu crescimento desde os meus 11 anos. Lembro-me de tudo (a cena do Incógnito de que o Marcos fala, também) das cenas que vivemos em festivais, exposições, debates, salões, por cá e lá por fora, das festas no 25 de Arroios e no 4° andar do Areeiro, jantaradas, tertúlias e... Uma vida do caraças! Das tareias que me dava para corrigir o meu horrível português, as cenas que desenhava nas toalhas e guardanapos e que lhe oferecia. Aquele memorável momento de estar em Angoulême e um gajo qualquer, daqueles autores franceses famosos, entre duas cervejas me perguntar: és português? Conheces o Geraldes Lino? Daqueles dias em que ia ao aeroporto encontrar-me com o Lino e perceber o carinho que o pessoal que ali trabalhava dizia: o Geraldes dos bonecos. Eh pá são milhões de memórias. Mas as melhores levo-as comigo. - Pepedelrey


Pitchu, Lino e Manel, na ZDB, a jogarem o Jogo da Glória da Cru no Zalão de Danda Besenhada (2000). Foto: Pepedelrey

Eu gostava muito do Lino, como toda a gente. ele chamava-me por graça "o poeta" e ria-se muito com os meus disparates. não sendo eu propriamente uma pessoa intima dele, nem pouco mais ou menos, apanhava-o nas cenas de BD e tínhamos conversas divertidas. O Lino era uma pessoa de uma generosidade enorme além de ser um enorme coleccionador e conhecedor de fanzines e banda desenhada. - Rafael Dionísio

Geraldes Lino. Duas décadas de amizade. Longas conversas telefónicas. Efusivos encontros em eventos de banda desenhada. Sempre, sempre, sempre generoso. E transversal às mais diferentes gerações, incansável em colocar em contacto os mais diferentes elementos. E, curiosamente, sempre surpreso, quando a vida lhe retribuía a mesma generosidade. Na verdade, o Geraldes não tocou somente a vida dos autores (tivessem ou não participado em zines) mas também muitos outros elementos, ligados direta ou indiretamente à BD. Num dos últimos encontros que tivemos, expliquei-lhe como tinha surgido o meu atual site. A crítica e a divulgação que eu fazia no blogue bedê e no portal BDesenhada.com (com o qual o Geraldes chegou a colaborar) tinham findado em 2007. Em junho de 2013, por problemas de saúde, o Geraldes deixou de organizar a Tertúlia BD de Lisboa. E dois meses depois, surgia o Bandas Desenhadas. Expliquei ao Geraldes que, após a sua decisão, eu tinha optado por dar por terminada a minha "licença sabática", para "cumprir com a minha parte", como lhe disse. Fui brindado com aquele sorriso do qual já tenho saudades e um sentido abraço. E haverá centenas (senão milhares) de outras pessoas que terão histórias semelhantes, em que uma palavra ou um gesto do Geraldes os motivou a fazer algo. É um caso único. E devemos-lhe todos muito. - Nuno Pereira de Sousa (também chamado de enanenes pelo Geraldes).

Algumas coisas fixes sobre o Lino, que não devemos esquecer: 
- ele coleccionava desenhos das toalhas de mesa, que nós nem dávamos valor; 
- ele quer que digamos O fanzine, não A fanzine (e ele também me deu uma lição de francês à custa disso!) 
- o Lino adorava viajar! Cheguei a encontrá-lo em Beja, no Porto e até no EriceiraBD! 
- O Lino foi o melhor professor: no sentido em que a paixão que ele tinha pela BD, pelo meio, pelas personagens e pelo Desenho, foi notavelmente parte do que o tornou uma grande influência para tanta gente que hoje, em redes sociais, relatou o impacto que a figura dele teve no seu trabalho e na vida. 
 Até sempre, Geraldes Lino! - Mosi


Jogo de bola em 1994, na Amadora, com o Lino como árbitro da partida...

Em 1999 fiz o workshop do Marcos Farrajota na Bedeteca de Lisboa. Tinha 13 anos e só sabia que gostava de banda desenhada - não sabia que não percebia nada, especialmente de que podia auto-publicar banda desenhada ou o que quer que fosse. Este Julho da minha vida fez com que imprimisse uns 5 exemplares do Uaite on Bléque na impressora de algum familiar, pronto para mostrar aos colegas na reentrée do 8º ano - foi devidamente desprezado pela turma toda, claro. Poesia imberbe, umas fotos manhosas, sei lá mais o quê. Mas mais rápido que um relâmpago, há um senhor que telefona para minha casa a perguntar por mim, e quantas páginas tinha o zine, como tinha sido impresso, o meu nome, a tiragem, e um sem fim de detalhes que eu desconhecia ter que saber, no fundo da minha puberdade editorial. 
Acrescia-se ao inquérito um convite para participar numas tertúlias ('numas quê?') de banda desenhada às quintas feiras, nas quais eu não podia participar porque enfim, não tinha autonomia para tal. A voz dele era peculiar. ~(Justiça poética, talvez, para o homem que passou a vida a coleccionar o peculiar em Portugal.) Conheci o Geraldes uns tempos depois, pois acho que lhe fui vender o meu zine em mão num festival da Amadora. Sei que fiquei impressionado com a voracidade com que se tornou dono do meu A4 borbulhento (e sem banda desenhada, se bem me lembro). Caramba - fez-me sentir importante! Pergunto-me se não terá sido fulcral para o resto da minha vida ter tido contacto e receber uns cordiais mas incitantes 'parabéns' pelo meu primeiro zine (uma bosta, se ainda não se percebeu que era), da parte de um simpático desconhecido, ao que parecia, bastante entendido na matéria. Claro que foi fulcral... Obrigado, Geraldes Lino. À sua. À tua! A esta dívida-dúvida que vai ficar para sempre de não saber se estávamos em termos de 2ª ou 3ª pessoa, eu e o Geraldes, sem dúvida singular! - Filipe Felizardo

Conheci o Geraldes Lino em 1994, quando eu preparava uma dissertação de licenciatura sobre fanzines ('os' fanzines, como ele gostava de lembrar...). Mantivemos algum contacto esporádico por esses tempos e, de forma mais regular, a partir de meados da década seguinte. Como tantos outros ilustradores e autores de BD, tive o prazer de colaborar nalgumas publicações organizadas por ele e de receber uma homenagem na célebre tertúlia do Parque Meyer. Naturalmente curioso, e com uma amplitude de gosto notável, o Lino era aceite em muitos círculos e por gente de todas as idades, que se esquecia facilmente de que ele já ia mais adiantado na vida... Estivemos juntos em diversas ocasiões. Recordo a mais recente, quando pude conhecer, por seu intermédio e do Marcos Farrajota, um dos meus desenhadores preferidos da revista
Visão. E, ainda há poucos meses, trocámos e-mails sobre um outro autor, obscuro e retirado... Não cheguei a saber se os contactos que lhe passei deram fruto, mas parecia evidente que a sua curiosidade se mantinha aguçada... É com surpresa que recebemos a notícia da sua morte, tal a jovialidade que irradiava. Salvé, Grande Lino, e que a memória perdure! - Daniel Lopes 

O Geraldes Lino foi a primeira pessoa que conheci que ligava aos fanzines e não era da minha geração! Conheci-o numa feira no Goethe Institut, nos idos dos anos 90 e fiquei logo impressionada com a militância na cena. Convidou-me logo para a tertúlia, como convidava toda a gente, porque para além de coleccionador e divulgador ele tinha uma enorme vontade de reunir as pessoas à volta daquilo que mais gostava. Em todas as feiras em que o encontrei ao longo dos anos, vi como acompanhava o trabalho de toda a gente, sempre com o mesmo entusiasmo. E muito para além do entusiasmo, o mais importante para mim é o respeito que ele tinha pelo trabalho de cada artista, mesmo dos mais novos, ao ponto de achar que aquilo valia a pena ser guardado. Uma vez contei-lhe que tinha feito uns fanzines de BD com uma turma do 8ºano e ele não descansou enquanto não me comprou esses zines. Devem haver coisas na sua colecção que já nem o próprio autor tem e que são documentos importantes de uma prática artística que consiste basicamente em tirar fotocópias aos trabalhos e agrafá-las. E sim, é por causa do Lino que nunca mais disse "uma fanzine"! Até sempre... - Ana Menezes

Conheci o Lino pouquíssimo tempo depois de publicar a minha primeira BD, uma coisa manhosa, num fanzine de amigos mais manhoso ainda, com uma estética em que nada combinava com nada. Ouvia já falar dele, e imaginava assim, uma figura pública, com aquela arrogância das pessoas importantes. Uma noite fui ao lançamento de uma Bíblia do Tiago Gomes, e passava-se numa discoteca qualquer. A certa altura vejo o meu ex, que tinha saído por um bocado, entrar com o Lino, os dois de braços dados, como se conhecessem há anos. O Lino vira-se para mim, e grita entusiasmado "Tu és a Rechena, eu li a tua BD!" Depois disso fomos para Beja juntos, fomos para encontros obscuros de zines em Almada. As Tertúlias do Estádio. As Tertúlias dos bons Garfos. Dos Cinéfilos Bedéfilos. Uma vez tirou dinheiro do bolso e disse, toma lá 20 paus vai lá fazer o teu fanzine. Eu que passei a vida toda à margem, com ele encontrei uma família que permanece até hoje. - Andreia Rechena

É quase sempre fácil falar dos que partem com a voz do consenso. No caso de Geraldes Lino, não há nada de forçado nisso, porque o consenso existia mesmo e tinha a sua origem num gesto constante que, para mim, e suponho que para muita gente, caracterizava a pessoa que o praticava: o gesto da curiosidade, absoluta, generosa e genuína. Lino gostava de banda desenhada, sim, e muito, mas esse gostar não se mostrava daquele modo elegíaco e cristalizado que tantas vezes atravessa o meio. Gostar de banda desenhada não lhe encerrava as referências ou as preferências naquilo que já conhecia há muito, e que era muito, também, levando-o, antes, à procura constante do que de novo se ia fazendo. Feiras de fanzines, encontros de pequenos ou minúsculos editores, exposições nos sítios mais improváveis, em todos esses sítios se encontrava Geraldes Lino. E não era apenas a vontade de ampliar uma colecção cada vez maior, não, era vontade genuína de acompanhar o que se fazia de novo. Não consigo lembrar-me onde conheci Geraldes Lino, porque a minha memória me diz que o fui vendo sempre nestes espaços. Se calhar, foi na Fábrica da Cultura, no tempo do FIBDA, mas também pode ter sido numa daquelas feiras de fanzines que se faziam em Cacilhas, nem vou contar há quantos anos... Pouco importa, na verdade. Com ele aprendi muito, soube de edições antigas e de autores que desconhecia, e discuti umas quantas vezes. E era bom discutir com Geraldes Lino, porque ele o fazia com vontade de debater, sem aquela amargura que às vezes serve para não ouvir o outro lado. Não terá havido um autor de banda desenhada a surgir em Portugal, publicando numa editora consagrada, num jornal ou numa publicação fanzinesca de tiragem minúscula e imperceptível que tenha escapado ao interesse de Lino e será impossível transformar em qualquer valor quantificável o quanto lhe deve a banda desenhada portuguesa, sob tantos aspectos. Pela minha parte, sem acreditar que se passe alguma coisa depois do inevitável momento final que a todos nos toca e tocará, não deixo de imaginar Geraldes Lino num qualquer além a descobrir fanzines onde ninguém suspeitaria da sua existência. E a corrigir-lhes as gralhas e os erros gramaticais com o seu rigor de sempre. - Sara Figueiredo Costa

Conheci o Geraldes Lino em 2008 na minha primeira visita ao Festival de Beja. Estávamos na sua quarta edição e penso que descobri a sua existência porque um dos convidados era o Dave Mackean. A maior surpresa do festival acabaria por se tornar o Geraldes Lino. O Lino estava sempre pronto a falar connosco e a dar a conhecer não só a BD como esta pequena comunidade de leitores. A partir dele conheci a famosa tertúlia de BD de Lisboa e nela muitas outras pessoas com quem ainda hoje mantenho contacto. Vi projectos nascerem naquelas mesas e, também graças a ele, descobri esse mundo fantástico dos fanzines. O Lino era um daquelas pessoas inesquecíveis, duvido que alguém que tenha travado conhecimento com ele, por mais breve que tenha sido, o tenha esquecido. Foi um dia triste, vou ter saudades dele e das suas conversas não só sobre BD, mas sobre a língua portuguesa também. Porque se é para escrever é para escrever bem. Um grande abraço Lino e, sinceramente, obrigado - Gabriel Martins


GL com Tiago da Bernarda, Maio 2018

Quando alguém morre o que fazemos com o contacto que temos guardado no telefone? Já não serve. Podemos terá estúpida tentação de ligar mas sabemos que não está lá ninguém. 
«GLino» «Eliminar contacto – Este contacto será eliminado». Para sempre. 
Já não vai tocar como acontecia às vezes, era o Lino a ligar, uma pergunta, uma combinação, a energia de sempre a organizar mil coisas. Cruzávamo-nos muito aqui no bairro, conhecia-lhe os hábitos. Se via o velho Micra estacionado na minha praceta já sabia que o encontrava na casa de cópias do Carlos, onde facilmente improvisava umas micro-tertúlias fanzinescas. Acarinhado pelos meus filhos, que conheceu desde que nasceram, era figura do nosso quotidiano familiar: «Pai, encontrei o teu amigo Geraldes Lino». 
 Adeus, amigo Lino! - João Chambel

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Deserto / Nuvem a viajar pelo país

foto: Nuno Neves

Os 20 livros seleccionados na edição do prémio Design de Livro 2018, a partir de amanhã e até 20 de Março, estarão na Escola Superior de Design de Matosinhos. Seguem depois para a Faculdade de Belas Artes do Porto, entre 25 e 29 de Março, para depois regressarem a Lisboa e serem apresentados na Escola Secundária D. Filipa de Lencastre, a partir de 22 de Abril. 
O livro-duplo Deserto / Nuvem faz parte desses vinte...

DESERTO e NUVEM @ Patrícula Elementar



Deserto Nuvem
por

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1 claustro vazio em Évora
1 ordem católica de silêncio e solidão
1 inquérito espiritual
2 livros num só 
20 cartas sem resposta 
Muitas visitas do autor em dúvida

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Sexto volume da colecção LowCCCost editado por Marcos Farrajota com arranjo gráfico de Joana Pires e publicado pela Chili Com Carne.

Dois livros / split-book, 64p  impressas a 1 cor + 124p impressas a 2 cores, 16,5x23cm

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à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Linha de Sombra, ZDB, BdMania, MOB, Tigre de PapelTasca MastaiUtopia, StetMundo FantasmaLAR / LAC (Lagos), Matéria Prima, Kingpin BooksYou to You e Bertrand. 
UND Modern Graphics (Berlin)

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Lançado no dia 10 de Junho de 2017 na Feira do Livro de Lisboa com a presença do autor (que reside em Inglaterra) 
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Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal
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Prémio Nacional para Melhor Álbum Português e Melhor Argumento pela BD Amadora 2017 
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Melhor Álbum e Melhor Argumento nos Galardões Comic Con 2017
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Escolhas de 2017 no Expresso
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Melhores de 2017 no Máquina de Escrever
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Melhores 2017 no La Cárcel de Papel
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Best Comics of 2017 in Paul Gravett site
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apresentação no dia 9 de Setembro 2018 no Festival Literário de Berlim
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grande exposição na BD Amadora 2018
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Obra seleccionada para Best Book Design From All Over the World, da Stiftung Buchkunst, no âmbito do Prémio Design do Livro 2018 + exposição na Torre do Tombo (entre 14/11 e 31/12/18)
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Deserto e Nuvem são obras de longo curso que examinam a forma de vida na Cartuxa de Évora, onde alguns monges resistem aos costumes do mundo, em absoluto silêncio e solidão. Serve este exame de pretexto para focar a própria natureza da fé humana, do apego às coisas do mundo, do que nos faz sentido. 

Deserto é composto de uma única narrativa centrada numa semana passada junto a Scala Coeli (escada do céu), que é como se chama a Cartuxa de Évora. É um livro quase jornalístico. 

Nuvem é composto de 20 cartas endereçadas a um monge cartuxo, e pode ser lido como uma resistência contra ambos os extremos que circundam a fé – o extremo que sabe que Deus não existe, e o extremo que se contenta com absurdos.

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sobre o autor: Chamo-me Francisco Sousa Lobo, tenho 43 anos e vivo no Reino Unido, entre Londres e Falmouth, onde ensino ilustração e faço banda desenhada. Já estive do lado dos católicos e dos que renegam as raízes católicas. Agora ando sossegado, sentado numa espécie de muro baixinho, a ler Simone Weil e Kierkegaard. A perspectiva que tenho de cima do muro é curiosa. Tão curiosa que me deu para escrever sem ver que três ou quatro anos se passaram nisto.



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 Acabei agora de ler o Deserto e a Nuvem. O meu obrigado sincero à Chili por tê-lo editado. 
M. Robin (via e-mail, 11/07/17)

Comics making as a form of prayer?

Pedro Moura / Yellow Fast & Crumble

No caminho que levou a Deserto/ Nuvem, que se pressente longo e hesitante (a vários níveis), Sousa Lobo tenta construir pontes frágeis entre estes vários aspectos, como o harmónio de cartão que une os livros. E, sobretudo, procura acreditar nelas. Para além do fascínio com a vida e opções dos cartuxos, e os paralelos que o autor estabelece com a sua arte, este é sobretudo um catálogo de dúvidas sem resposta. Como se duas obras semi-falhadas ou incompletas se resgatassem e engrandecessem mutuamente pela união enquanto gémeas siamesas invertidas; o onirismo poético de uma elevando-se na realidade de um Alentejo moribundo e sem rumo da outra; a qual, por sua vez, ancora a anterior. Na sua construção inclassificável este é um excepcional trabalho de Francisco Sousa Lobo, com elogios extensíveis à Chili Com Carne. Seria uma pena se (como os trabalhos de autores como António Jorge Gonçalves, Tiago Manuel ou Diniz Conefrey) não passasse bem para lá do universo da banda desenhada e dos seus rituais.

João Ramalho Santos in Jornal de Letras

(...) Livro que "pode ser lido como uma resistência contra ambos os extremos que circundam a fé", por um lado o "que sabe que Deus não existe" e o "extremo que se contenta com absurdos".
Nuno Galopim in Expresso

el portugués confirma ser uno de los autores más sugerentes del panorama europeo actual. Una obra formada por dos relatos: por un lado, el que realiza sobre la Cartuja de Évora, una magistral reflexión sobre la existencia, sobre el silencio y la creencia, en la que Sousa entremezcla la arquitectura de la página con la real. Por otro, el relato del proceso creativo, de la investigación y de sus reflexiones personales, de cómo la obra puede cambiar al autor.
Álvaro Pons / La Cárcel de Papel

(...) a mais fascinante experiência de leitura de banda desenhada deste ano.
There is no doubt that Lobo’s obsessive and proficient output is even more surprising for both its aesthetic and philosophical commitment. I’ve argued elsewhere that Lobo’s overall project touches an incredibly original and complicated autobiographical or auto-fictional project, but this double book (two titles, Desert and Cloud, bound back-to-back) ticks all the boxes of a straightforward autobiography. Lobo spent some time visiting Évora’s Carthusian Monastery of Santa Maria Scala Coeli, with the goal of creating a sort of ‘live’ comic project. Based on his observations, talks and theological discussions with the monks, Deserto explores issues such as isolation, silence and the relationship with God, which genuinely concern Lobo as an anxious, suffering Catholic artist (a pleonasm, I’m certain). Nuvem, on the other hand, takes the shape of short letters, addressing the history of the order and this monastery, as well as some of the concerns mentioned above. One half complements the other, reinforcing the themes and clearly making them an intrinsic ingredient to the artist’s recurrent obsessions.
Deserto/ Nuvem es realmente una maravilla de Sousa Lobo -¡qué difícil, un cómic sobre la espiritualidad!- y también una maravilla de edición. Os felicito! 
Max (Peter Pank, Bardin, Vapor) por email

Todos os anos vou como um peregrino ao Festival de BD da Amadora (que este ano foi entre 26 de Outubro e 11 de Novembro) para completar colecções, comprar novidades ou descobrir antiguidades, mas desta vez saí de lá mais surpreendido do que o costume com um livro: não levei só heróis habituais como o Corto Maltese, o Árabe do Futuro ou um Paul Auster no saco das compras, mas também monges de clausura visitados por um autor português com raízes no Alentejo que vive em Londres e tem dúvidas existenciais sobre Deus e a religião: Deserto/ Nuvem (editora Chili com Carne) é uma novela gráfica original. Primeiro, porque é dois livros num só, que começam em cada uma da capas, ou melhor, em cada uma das contracapas: Deserto é sobre as visitas do autor, Francisco Sousa Lobo, ao Convento da Cartuxa, e a relação com os poucos e velhos monges com votos de silêncio que ainda lá vivem; Nuvem dá forma a 20 cartas de carácter sobretudo filosófico enviadas a um monge cartuxo; a ligá-los, uma planta desdobrável do convento dá ao livro uma textura de velho incunábulo, de lombada cosida à mão. É um belo objecto.
Mas não só. Sousa Lobo leva-nos em visita aos claustros, aos hábitos dos monges, à rotina e à perplexidade: seja-se religioso ou não, aquelas vidas suprimidas pelo silêncio naqueles espaços deixam-nos incrédulos. Abdicam do humano em favor do etéreo?, questiona o desenhador (e arquitecto) numa das cartas. O próprio autor está em cima do muro entre os crentes e os não crentes, mas tenta compreender o ponto de vista dos enclausurados e exprime um assombro perante aquela resiliência e desistência da vida comum: Há uma nuvem entre mim e os monges, uma admiração profunda deste lado, escreve. Francisco Sousa Lobo ganhou o prémio para o Melhor Álbum Português de BD em 2018. Percebe-se porquê. É merecido.
O trabalho de Francisco Sousa Lobo espelha uma experiência vivencial intensa no plano intelectual e artístico, a de alguém com uma forte capacidade para gerar nexos entre assuntos só aparentemente distantes – uma lonjura que o seu traço e dispositivo narrativo encurtam consideravelmente. Talvez por isso o autor se refira a si próprio como «uma ponte entre a banda desenhada e as outras artes» (Nuvem, carta 18.ª). E talvez o facto de ser um arquitecto tenha qualquer coisa a ver com tudo isto. 
Trata-se de um ilustrador de pensamentos, capaz de desenhar sobre conceitos abstractos, como em Deserto, livro que percorre o fio do tempo e dos gestos que, em 2014 (época já de grande crise de vocações), levaram Sousa Lobo à Cartuxa de Évora para pensar (escrever, desenhar) sobre os lendários monges do lugar. Ou seja, sobre o que levou o autor a querer pensar (escrever, desenhar) sobre a condição do homem que fez voto de silêncio, sobre o que o silêncio faz, sobre como se faz para alcançá-lo, porquê, para quê, tudo isso no desamparo desabafado de quem afirma ter-se sentido «como um clandestino a trepar as escadas para o céu». (...)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Info-excluídos

Como sabem novidades editoriais do "underground" agora só lendo o jornal A Batalha (faz 100 anos este mês!!!) mas como há sempre objectos que chegam tarde demais ou não fazem sentido por outras razões, de vez em quando, como um agarradito que volta ao vício eis-me a escrever de uma coisita ou outra. Nem sei o que me deu mas ando a curtir a CD colectânea Som das Ruas, vol. II (Sindicato; 2016). Farto do 4 por 4 do Punk / Hardcore / Oi  / Crust e afins ando eu, farto do Rock linguagem morta ainda mais. Mas lá 'tá, é o factor guilty-pleasure ou de junkie com recaídas ou o ADN Dead Ramones Clash. Como não achar graça à letra  Ela gostava de sado-maso dos Clockwork Boys? Ou curtir à energia de Gazua? Ou o basqueiro Taberna? E barulho do bom de Disthrorne (granda Carina!) ou Dokuga? Sei que já não estamos em 1982 ou 1992 mas deu-me para isto...
Som das ruas vai no terceiro volume e cartografa as bandas portuguesas desta subcultura nos últimos anos, num esforço colectivo delas realizarem um objecto fácil de produzir (dividir custos) e de divulgar (quanto mais bandas mais se espalha a palavra). Claro que há uma coisa chamada "internet" mas vá, a malta curte é discos físicos e não ficheiros mortos do capitalismo. Claro que um "artwork" mais interessante seria desejável para ser mais um factor diferenciado contra a 'net, essa puta da babilónia onde se pode comprar este CD por 3 paus apenas. 
Dica da semana, invés de gamarem imagens de rufias ingleses podiam pilhar as imagens deste livro: Excluídos : Memórias de (Sobre)vivências 1836-1933 (CM de Lisboa; 1999) sempre teria mais haver com o espírito de rua (português?) que proclamam nesta série de discos. E claro, seria fixe que os Mandrake não pusessem o seu único tema em três registos físicos diferentes. Zeus!

sábado, 16 de fevereiro de 2019

The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros - Obra vencedora da edição de 2013 do concurso "500 paus!" @ Du9


The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros
de

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! 2013



"Peter Hickey is to paedophiles what birdwatchers are to hunters". Peter Hickey dixit. What is meant by this oblique statement is the crux of this graphic novel. Peter Hickey is a godless catholic perv. Peter hickey has a saint syndrome. "Peter Hickey está para os pedófilos como os observadores de aves estão para os caçadores", assim diz Peter. O possível sentido desta frase obscura forma o próprio cerne deste romance gráfico. Peter é um católico tarado e sem deus com um síndroma de santo.


140p. duas cores 16x23cm, capa duas cores, edição brochada
ISBN: 978-989-8363-32-9
In English with Portuguese subtitles / Em inglês com legendas em português


Buy: Neurotitan (Berlin), Orbital (London), Quimby's (Chicago), Dead Head Comics (Edinburgh), Just Indie Comics (Italy), Ugra Press (S.Paulo), Modern Graphics (Berlin), Mont en  L'Air (Paris)...



Historial: 

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2013) 
... 
Lançamento na BD Amadora 2015 
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Lista dos Melhores Livros de 2015 no Expresso 
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Best Graphic Novels (Portugal) by Pedro Moura in Paul Gravett site 
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Nomeado para Melhor Argumento pela BD Amadora 2016 
... 
Um dos Melhores Livros de 2016 no Expresso (apesar de ter saído em 2015... weird!)
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Nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Desenho e Melhor Argumento pela Central Comics 2016 
...
Spanish Edition in 2019 - for all Spanish language countries - by Reservoir Books



"peeping tom" aqui / here





Feedback:  

Já li o livro do Francisco Sousa Lobo. Gostei, apesar de toda a problemática do pedófilo e de às vezes ser difícil lidar com o que se possa sentir pela personagem (mas pensei que em relação a isso o livro era mais problemático e comprometedor), tem momentos muito bonitos, dos pássaros presos na rede, ele a conversar com as aves, desadequação do personagem ao mundo... e a parte final em que enlouquece (não estaria já louco?) e se deita do chão de cara para baixo à espera de um raio que o fulmine. Achei bastante poético. 

I like its mysteries and allusions, the gaps left in the dialogues, great use of the gaps and faultlines between what we are shown and what we are told.  Congrats, it’s further proof of Francisco's great work and development.
Paul Gravett (by e-mail)

Um dos mais discretos e interessantes autores portugueses de banda desenhada regressa com uma edição bilingue, uma narrativa que revolve as vísceras da natureza humana para as mostrar frágeis e inúteis enquanto conta a história de um homem que podia ser o nosso vizinho do lado. 
Sara Figueiredo Costa in Parágrafo, suplemento de Ponto Final (Macau) 

Desta vez Sousa Lobo debruça-se sobre um dos assuntos mais sensíveis, o da pedofilia. Esta é a história de Peter Hickey, um homem que parece acreditar que “está para os pedófilos como os observadores de aves estão para os caçadores”, um conceito que será explorado ao longo destas páginas naquele que é, sem qualquer hesitação, um dos mais portentosos livros do ano.

Is eager birdwatcher Peter Hickey ‘a godless Catholic perv’ or does he have ‘a Saint syndrome’? Deeply discomforting themes of sin and sincerity are cleverly underplayed and implied. I enjoy the book’s allusiveness, the gaps Lobo leaves in the dialogues, and his great use of the faultlines between what we are shown and what we are told, leaving what is left for us to tease out. “Words can become phantom limbs we never knew we had…”

LE PETIT OISEAU VA SORTIR... The Care Of Birds est un roman graphique de Francisco Sousa Lobo publié initialement en 2014 par Chili Com Carne, une maison d'édition post-psychanalytique portugaise dédiée à la BD et au dessin. Peter Hickey est ornithologue: il a été formé à 9 ans par un homme qui aimait beaucoup lui tenir la main. A présent, à 60 ans, il aimerait transmettre sa passion pour les oiseaux, en tout bien tout honneur. Dans cette histoire, où "les mots sont des membres fantômes", le dessin ne fait que suggérer ce que le langage ne recouvrira jamais. Le personnage principal communique avec les oiseaux, qu'il aime plus que tout étudier en compagnie de jeunes garçons. Les oiseaux lui disent des choses, et semblent lui obéir. L’ambiguïté de ses rapports avec ses petits collaborateurs est développé à la manière d'un malaise onirique, d'une torpeur fiévreuse.
Benjamin Efrati in Droguistes (e-mail newsletter)

The Care of Birds é, sem qualquer dúvida, um livro maior. Um livro que se desprende de toda e qualquer amarra de género e dos mecanismos (narrativos, visuais, estruturais) habituais da banda desenhada, portuguesa ou outra. Um título que não tem qualquer ambição de chegar a “todo o público”, nem sequer de serenar ou emocionar aquele ao qual chegará. A poeticidade de Francisco Sousa Lobo é sofrida, exigente, abole quaisquer consensos possíveis. Sem efeitos de pirotecnia emocional, lê-lo é uma armadilha se se toca a raia dos seus perigos. Difícil, profundo, angustiante, de uma lentidão que não significa tranquilidade, desprovido de quaisquer adornos e de efeitos, The Care of Birds é um jogo de tensões entre o melodrama de um Dostoievsky e a paralisia de um Kafka.
Pedro Moura in Ler BD

Despite its 100-plus pages, The Care of Birds is a tale mostly made of silences and doubts, both of the protagonist and the reader. Peter Hickey is an older man, an accomplished birdwatcher, birdsong imitator and bird draughtsman. But he is assaulted by strange feelings of seemingly innocent friendship toward children, which might be interpreted by many as pedophilia. A profound Catholic, Hickey is at the same time well aware of an uncrossable line but also haunted by sinning, that may or may not have taken place. All the questions that arise from the little plot there exists, if answered, are ambiguous. Difficult, profound, agonising, slow-paced but not tranquil, bereft of adornment and effects, The Care of Birds is a tour de force between Dostoevskyan drama and Kafkesque inaction, making it not only a great book within the Portuguese context but internationally as well.
Pedro Moura in Paul Gravett site

I just red The Care of Birds, liked the how the narration goes and the angle, remind me a bit of Hornschmeier work 
Franky (Les Requins Marteaux)

Se quisermos reduzir Sousa Lobo ao Santo Graal da assinatura do artista, podemos falar num programa que é recorrente no seu trabalho e que envolve estruturas de autoridade, doença mental e perversão. (...) Com um pezinho dentro e outro fora, entrar na galeria de arte ou na igreja com uma BD debaixo do braço continua a ser mais que uma provocação. É um acto de rebelião.
Hugo Almeida in Mundo Fantasma

The books look amazing, really nicely presented and designed. So far I've only had time to read the first section of The Care Of Birds, which I really enjoyed - looking forwards to continuing, also looking forwards to reading the other books as well. Andy Martin, one of the chaps in the band UNIT is a total bird fanatic, so maybe I'll pass The Care Of Birds on to him when I've read it
pStan Batcow (Pumf, Howl in the Typewriter) by e-mail

Même si quelques points d’appui, assez rares, quasi hors champ (à l’exception de la dispensable image de couverture) viennent peut-être inutilement-nous rappeler de quoi nous sommes en train de parler, c’est de loin le travail le plus subtil, le plus saisissant et le plus intelligent que j’ai vu traiter de la pédophilie depuis bien longtemps. Cette position, évoquée ici par un prisme clinique dont je n’ai jamais entendu parler — le syndrome de sainteté — mais qui n’est peut-être qu’une métaphore de l’auteur lui-même, se superpose à celle du birdwatcher — l’observateur ornithologique. Chaque touche nous faisant lentement approcher la psyché de la figure centrale est amenée de manière à produire, très finement, plus de questionnement et de trouble que de réponses ; ce sont les mouvements de fond des représentations de l’enfance chez l’adulte qui sont décortiquées, exposés à la lumière de désirs informulables, conduits dans de beaux couloirs métaphoriques, plutôt que la lecture factuelle d’une criminalité sexuelle tangible (et rien, d’ailleurs, dans le récit, ne laisse imaginer que la pédophilie soit menée ici à son terme ; ce n’est pas l’objet). Je me suis laissé faire assez rapidement par ce dessin au départ un peu rebutant, ces montages de plans exsangues, pour y voir pas à pas tout ce que cette claudication ouvrait comme inattendu de la marche, comme sortie de champ, comme invention. Il faut vraiment traduire urgemment ce truc, les gens. Il y a une intelligence warienne assez rare de la métaphore et des jeux de durée, mais également une solide culture littéraire qui affleure sous cette écriture subtilement polysémique.