domingo, 30 de dezembro de 2007

Depois da banana...

Dundum Quadrinhos #3 ; Gloria, Gloria Aleluia! #4
Adão Iturrusgarai & Gilmar Rodrigues, Allan Sieber; 1992, Out'97

Ele há coisas... Um gajo lia a Chiclete Com Banana e a Animal e encontrava lá uma série de referências a publicações brasileiras que nunca chegaram cá a Portugal. 15 anos depois (cálculo mental bruto) aparecem-me à frente estas duas revistas cheias de bd brasileira desbundada, doida, experimental, psicotrópica, anormal e fio-da-puta. Com autores como o Adão Iturrusgarai ainda antes de fazer um humorzito sofrivel à Chiclete (existe alguns livros deste autor em Portugal, pela Devir), um Jaca ou um Fábio Zimbres com traços completamente selvagens... enfim, um festival de bd underground que sabe mesmo bem, não por nostalgia barata (daqueles tempos em que tudo era novidade e as revistas brasileiras eram os barcos para as descobertas), não por sentimento colecionador burguês que realiza um sonho de possuir umas revistas raras perdidas no cu-de-judas... nada disso, isto é mesmo o power de ler bd sem papas na língua!
Glória Glória, Aleluia, cara!



à venda no site da CCC

sábado, 29 de dezembro de 2007

Tunteiden Maisteri

Jarno Latva-Nikkola
(Huuda Huuda; 2007)

Um dos livros de bd mais hilariantes que 2007 pariu.
Jarno é um autor finlandês que usa a sua figura para nos enganar com um princípio pseudo-biográfico que ruma mortalmente para excentridades escatológicas: a namorada que lhe mete os cornos com um médico (ela atravessa a rua com o sinal vermelho para os peões de forma a ter acidentes e assim estar em contacto com o médico); um "Mestre de Emoções" que contas as aventuras da 2ª Guerra Mundial - como daquela vez que guardou o esperma de um camarada moribundo na boca para engravidar a noiva do camarada, sofrendo pelo processo sodomia de soldados russos entre outras situações gloriosas...
Jarno, ou o seu alter-ego, vive angustiado com a namorada, o facto de ela não querer ter filhos seus e passar a ter os estranhos "acidentes" leva Jarno a alguns comportamentos típicos da escandinávia como andar à porrada com estranhos (em Setembro de 2004, Jarno-autor convidou-me para irmos prá rua lutar) ou beber como um desalmado (em Setembro do ano passado, estive com Jarno-autor a beber até às tantas e a falar da porca da vida). O encontro com o tal "Mestre de Emoções" irá levar a acções inacreditáveis e que me recuso a revelar, só escrevo mais isto: Tunteiden Maisteri poderá agradar aos leitores de É sempre tarde demais (autoria deste vosso escriba) e do Sourball Prodigy de Mike Diana, se conseguirem imaginar tal fusão.
Escrito em finlandês, tem legendas em inglês no fundo das páginas.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Mistério da Cultura... completo!

Até 30 de Dezembro, a Work&Shop apresenta ao público as duas partes do "O Mistério da Cultura" numa única exposição! Todas as 126 obras especialmente criadas por 14 artistas e ilustradores: André Lemos, André Letria, Bruno Borges, Edgar Raposo, Joana Figueiredo, João Fazenda, João Paulo, Marcos Farrajota, Nuno Saraiva, Pedro Brito, Pedro Zamith, Richard Câmara, Teresa Amaral e Vanessa Teodoro.

Cara ou coroa?

Bongolê Bongoró #2 (Pégasus Alado; 2007)
Ups! #4 (Aquilo Teatro; Dez'07)

Este segundo número do Bongolê Bongoró está, em relação ao número anterior, mais estilizado, mais airoso e "sexy" mesmo quando na lombada se lê "Manual de Economia Doméstica - fascículo XIII". A impressão da preto e vermelho da capa (e do poster que acompanha a edição) deu-lhe um ar mais profissional. No entanto, a fórmula "non-sense non-stop" repete-se com menos frescura embora não seja de desprezar as participações "chilianas" de Edgar Raposo, Pepedelrey, João Cabaço e André Lemos, e já agora, do italiano Claudio Parentela.
A edição deste zine é sem dúvida ambiciosa uma vez que não tem pudor em fazer "cut'n'paste" do material ao longo das suas páginas A5, obrigando o leitor a fazer uma leitura total, forçada e atenta do zine - por exemplo, a bd de João Cabaço aparece dividida em duas partes sem aviso, estando no meio uma ilustração do Parentela e um texto.
Em Fevereiro 2008, a Chili Com Carne com a Groovie Records, espera realizar um Encontro de editoras e autores independentes de banda desenhada em língua portuguesa, onde esperamos ter como convidados os elementos da Pégasus Alado. Uma altura para os conhecer e adquirir exemplares deste zine.

O quarto número do zine Ups! ao contrário do "BB" desilude logo de início enquanto objecto físico devido à capa nada atraente composta por um texto - uma troca de e-mails com o editor João Louro revelam que houve algum stress para acabar a edição e por isso algumas decisões de Design não foram as melhores. Mantem o sempre engraçado formato quadrado (17x17cm) e assume-se como um ”fanaudio” porque, como já tinha acontecido anteriormente, as criações (bd, ilustração, textos e fotografia) foram musicalizadas. A sua audição é feita online.
No meio de tanta coisa destacamos a bd de Brown pelo seu virtuosismo e humor, a pintura bruta (?) de Carlos Veloso, os monstros ilustrados de Rui Sousa, o ar "blasée" das modelos na bd de José Vaz, as ilustrações de Pedro Zamith e as tiras “Não tavas lá!?" por Marte. Quem poderia ser destacado também seriam as bd's de K!m Pr!su e João Louro (com argumento de Anabela Teixeira) se não usassem (mal) o digital na legendagem (nos dois casos) e no tratamento de cor (no caso de João Louro). Quando é que as pessoas vão deixar-se enfeitiçar-se pelos fascínios tecnológicos para destruir os seus desenhos? No primiero caso, é especialmente grave visto que os desenhos são 100% "freaks" e "psicadélicorgánicos" e apanham com as "fonts" mais deslavadas e frias do PC.
Quanto à música, ainda não ouvi tudo porque só dá para ouvir pela 'net e considerando que a minha ligação não é das melhores, eis-me info-excluido para ouvir o que foi feito por Victor Afonso, Victor Gama, Ulrich Mitzlaff, Tiago Rodrigues, Push, Phantasma, Pedro Lucas, Pedro Almeida, Marcos Silva, Luís Andrade, Julieta Silva, João Louro, Gil Nave, Daniel Gamelas, Carlos Santos, Bruno Felício e Alberto Loops.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

shitty zines

Encounter / Jorney into space; S.G. Leisure Magazine; Speculum Bioversitatis
(auto-edição; 2007)

Três zines eslovenos de bd e de desenho, o primeiro por Gasper Rus e os dois últimos por Jakob Klemencic. No que diz respeito aos de bd, tratam-se bd's traduziadas para inglês que já sairam na revista Stripburger. As bd's já estavam traduzidas mas encontravam-se no suplemento Connector - um anexo A5 que traduz várias textos da Stripburger escritos em esloveno como entrevistas, artigos e bd's, no último caso, as traduções não são acompanhadas pelos desenhos/vinhetas. Aliás, quer o Connector ou as famosas legendas no final das páginas (das antologias finlandesas ou do Malus) tem sido criticadas por serem disfuncionais na leitura das bd's. É verdade que são "disfuncionais" na leitura fluída das bd's mas servem para ajudar a entender o texto e não para ler uma bd como normalmente acontece numa leitura de uma linguagem que se entenda. É óbvio que é chato estar a olhar/ler as vinhetas e um suplemento ou legendas "em simultâneo" mas é melhor isso do que não se perceber nada, para além disso é uma questão de hábito tal como acontece para quem lê as Mangas editadas na forma japonesa (a leitura é da direita para a esquerda).
Talvez por esta ligeira "disfuncionalidade" ou então para individualizar o esforço dos seus trabalhos no meio da cacofonia das antologias que, quer Jakob quer Gasper, decidiram fazer os seus zines individuais com algumas bd's da Stripburger - e falamos de zines "típicos": formato A5, capas em papel colorido, 30 e tal páginas... Agora que os balões e cartuchos tem o texto em inglês é realmente mais fácil lembrar as histórias. Ambos exploram bd's autobiográficas ou de vivências, no caso de Gasper são relatos de desconforto "nerd" na entrada para a universidade de Belas-Artes e o mundo da criação - o desenho é um tanto tosco por ser um "nem carne nem peixe" que cruza o realismo e a caricatura... mas o desenho funciona de tal forma que sentirmos empatia com a criatura.
Jakob usa uma personagem, o "S.G.", como alter-ego para relatar viagens, encontros e pesadelos. Um sentido de nostalgia, melancolia e de perda da inocência dos "bons velhos tempos" persegue estas bd's, dando a entender que as mudanças que operam no Leste europeu tal como as que aconteceram e continuam a acontecer em Portugal a afundar-se no neo-liberalismo estúpido e as suas regras idiotas controladas pelos cães fascistas do Estado como a ASAE - eu sei, não veio muito a propósito... - não são de agrado de todos. Algo se está a perder, daqui uns anos não haverá comida tradicional para ninguém, nem na terrinha mais perdida. Se houver será para quem tiver dinheiro para um "turismo rural" ou algo assim.
O Speculum são desenhos soltos de Klemencic - um deles até publicado em Portugal para ilustrar o editorial do número seis da Quadrado - e por falar nisso o formato deste zine é quadrado, 12x12 cm. Umas quantas páginas de desvaneios biológicos e míticos. Um zine simpático e nada shitty.

PS - A culpa é do Jakob por este título, o rapaz veio com aquela boca que gostou do Chili Bean porque era bom saber que não era o único a fazer "shitty zines". Parece que os zines estão fora de moda nos dias das edições serigrafadas, myspaces & deviantart, impressões digitais e chap books. Talvez fosse apenas uma piada ou talvez esteja a levar demasiado a sério, não sei. Seja como for: The Shitty Zines are Dead! Long Live the Shitty Zines!
PPS - Creio que os pedidos destes zines podem ser feitos directamente à Stripburger, seja como for, este colectivo esloveno estará na Bedeteca de Lisboa em Janeiro para a exposição Honey Talk.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Feira Laica no Porto

Aproxima-se a Feira Laica (de Natal) que desta vez abandona a gasta Lisboa para ir para o Porto, nomeadamente para os Maus Hábitos este fim-de-semana de 15 e 16 de Dezembro.
...
Nesta importante evento estarão representadas as seguintes editores independentes: Associação Chili Com Carne (+ MMMNNNRRRG + El Pep + An Others Thinking), A Mula, Imprensa Canalha, Opuntia Books, atelier Mike Goes West, Soopa, Ástato, Marvellous Tone, zine O Hábito faz o monstro, Bor Land (+ De.Feito), Edições Mortas e Thisco.
...
Novidades editorais:
- 1929, de Thermidor (Brume + Thisco + CM de Almada)
- Antibothis, livro + CD (Chili Com Carne + Thisco);
- Já não há maçãs no Paraíso, de Max Tilmann (MMMNNNRRRG);
- Phado, de M-PeX (Thisco + Fonoteca de Lisboa);
- serigrafias por método directo realizadas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa de Filipe Abranches, Miguel Carneiro, Alberto Corradi e José Feitor (Mike Goes West);
- Word Games - Shaken Not Stirred, de André Lemos (Opuntia Books).

sábado, 8 de dezembro de 2007

10 CCC - comemoração 6: Mesinha de Cabeceira #13 em PDF

22 de Outubro marca duas datas importantes, por um lado comemora 15 anos de existência do zine Mesinha de Cabeceira (MdC) e por outro 10 anos da publicação do número 13, a primeira edição da Associação Chili Com Carne.

Estando em curso as comemorações da CCC e uma vez que a edição em papel encontra-se quase esgotada (só sobram pouco mais que sete exemplares), foi decidido criar uma versão em PDF que pode ser descarregada gratuitamente para que o seu conteúdo não desapareça da fraca memória nacional.

Do que faz este número algo de tão extraordinário? De facto, as questões envolta da edição seriam solipsistas e pouco interessantes para o público, por isso, acreditamos que só há uma razão para o MdC ser importante: a bd sem título de 39 páginas da autoria de Nunsky.

O Nunsky, cujos dados biográficos não são significativos ou divulgados, foi um meteoro na bd portuguesa. Participou em vários números do MdC quando este ainda era um zine em fotocópias, sempre com bd's de temática Punk'n'Roll mas com um significativo virtuosismo gráfico ímpar.

No "número 13", as influências de Charles Burns ou de Love & Rockets poderão ser óbvias, é certo, no entanto nunca foi feito um trabalho deste tipo, uma catarse de amor psycho-punk-goth, regada de referências Trash e série B. Uma estória de uma banda obscura cujo vocalista sofre de alcoolismo e obsessão psico-patológica por um amor impossível. Os ambientes de concertos suados, violentos e brutais, bem como da vida urbana são minuciosamente gritados acompanhados por uma bateria narrativa perfeita.

No meio da bd portuguesa, esta bd/edição foi perfeitamente ignorada pelos pretensos divulgadores e críticos. As únicas reacções (e positivas) vieram da imprensa musical: «fanzine de intenso punk meio gótico, revela uma coesão gráfica e narrativa acima do que nos habituámos a encontrar nestas publicações» in Blitz «com problemas psíquicos (Alien Sex Fiend). Altamente recomendável» in Underworld / Entulho Informativo.

Dez anos depois, ainda hoje em Portugal ninguém faz 39 páginas de bd mesmo como catarse.

ATENÇÃO: para conseguir fazer o download deste ficheiro terá de registar-se como cliente e acrescentar este artigo no seu carrinho de compras. Não irá ser cobrado nenhum valor por acrescentar este artigo nem precisa de comprar qualquer outro artigo.

Serve este comunicado para agradecer oficialmente ao Nuno (Última Sessão) e Mongorhead pelo apoio oferecido à edição em papel.

10 CCC - comemoração 5: Book'n'Shop


Inaugurou em Julho a livraria Book'n'Shop, projecto em parceria com a Thisco e a galeria Work'n'Shop, um projecto que surge de urgência pois vivemos tempos em que as livrarias estão mais preocupadas com livros Pop ou de Elfos - aliás, as livrarias de "livros normais" nos dias que correm conseguem ser ainda mais folclóricas que as lojas especializadas em bd sobre as quais se ridicularizava por serem lojas de "nerds", vulgo, consumidores de super-heróis e estatuetas de super-gajas com super-mamas e super-armas.
Dada decadência e falta de incentivo quer das livrarias normais quer das lojas especializadas, há muito que a CCC desejava partilhar um espaço onde as suas publicações e as dos seus associados pudessem ter o destaque merecido. Aliados à editora de música electrónica Thisco e à galeria de arte Work'n'Shop, onde aliás se situa a Book'n'Shop, é com gosto que convidamos a visitar a livraria onde poderá encontrar a cultura obscura e vanguardista que necessita e que não encontra noutros sítios.
Para que fosse ainda uma capital europeia, Lisboa precisa de um sítio onde se encontre temas como Art Brut, bd alternativa, Culture Jam, Street-art, Shamanismo High-Tech, Ocultura, Zines, livros de autor, e editoras de referência como Re/Search / V-Search / Juno, Le Dernier Cri, Media Vaca, Desinformation, Feral House, Canicola,... e a MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha, El Pep, Opuntia Books,... e claro, a Chili Com Carne.

10 CCC - comemoração 4: o sítio oficial: www.chilicomcarne.com

No país da pobreza socio-cultural (ou se preferirem prosa:) na nação dos queixumes e dos esquemas, ainda hoje parece-nos inacreditável que uma estrutura como a Associação Chili Com Carne, não só tenha sobrevivido 10 anos, como seja única num Portugal que se rege por 14 distritos - não deveriam haver pelo menos 14 "chilis" no país? Também é estranho que entre autores, colectivos e editoras profissionais, a CCC tenha sido a primeira a aderir à Internet criando e mantendo uma página web - embora seja de esquecer a versão de 1997 com aquele endereço chato da Terravista ;)

Em 2001 com o lançamento da antologia internacional de ilustração e bd, Mutate & Survive, a CCC expandiu o seu território virtual para um domínio próprio e com uma maior informação utilitária - ainda hoje estão acessíveis as biografias dos cerca 80 participantes do Mutate, por exemplo. No entanto com o crescimento de intercâmbio internacional e dos projectos editoriais associados (MMMNNNRRRG, El Pep, Opuntia Books, Imprensa Canalha) foi necessário procurar outro tipo de ferramentas. Ao comemorar 10 anos de existência foi claro que a mudança tinha de ser feita. A nova versão da página é suportada pelo "open-source" Joomla! que permite uma liberdade de tratamento de informação a qualquer nível.

Entretanto a expansão do site passará por uma loja de fácil utilização e que sirva pelo menos de referência do melhor da edição alternativa portuguesa e internacional, e ainda o desenvolvimento de galerias de imagens para os autores da CCC. O blogue da CCC continuará a informar eventos da CCC ou dos seus associados, a publicar resenhas críticas a edições independentes (sobretudo a zines e livros) e outras contribuições que os associados achem pertinentes.

As vossas visitas são uma honra!

... Serve este comunicado para agradecer oficialmente ao Nuno Henriques, à Rosa Pomar, ao Miguel Falcato & André Abreu / Djomba, à Joana Bértholo, à Patrícia Romão, e em especial à Guida, ao Sérgio Rocha / Make it simple e ao João Pequito / Industrial PT, que de uma forma mais ou menos desinteressada ajudaram a criar o sítio.

...E para quem perdeu a conta, desde da reformulação do sítio a 22 de Abril, foram publicadas diferentes "molduras" criadas por Marcos Farrajota, André Lemos, José Feitor, Pedro Brito e Pepedelrey. A moldura corrente é da autoria de João Maio Pinto.

10 CCC - comemoração 3: THISCOvery CCChannel


A Chili Com Carne e a Thisco assinaram um protocolo na consequência do sucesso do Samizdata Club e que beneficiará os sócios de ambas associações dando a oportunidade de descobrirem o catálogo de ambas asssociações.

THISCOvery CCChannel é um canal de distribuição que permite aos sócios de adquirem descontos sobre os produtos de ambas associações.

Assim, os sócios da Thisco poderão obter 50% sobre os títulos da Chili Com Carne e 20% sobre outras editoras que representa: de livros (MMMNNNRRRG, El Pep), zines (An other thinking, Opuntia Books, Imprensa Canalha) ou discos (Inspector Cheese Adventures). Os preços já incluem despesas de envio embora a CCC só aceita encomendas iguais ou superiores a 5€.

Os sócios da Chili Com Carne poderão obter 50% de desconto sobre as edições da Thisco e 20% sobre os CD’s distribuidos pela Thisco, os preços já incluem despesas de envio.

Esta oferta será válida entre 22 de Abril de 2007 e 21 de Abril de 2008 como forma de comemorar os 10 anos de existência da Chili Com Carne. As encomendas estão limitadas ao stock existente. Os interessados terão de enviar os seus pedidos para ambos e-mails: ccc@chilicomcarne.com e thisco@thisco.net

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

natalixo blues



enquanto não vem a Feira Laica, a CCC vai estar por vários eventos pelo país fora:

- a começar este fim-de-semana, na Feira do Livro de Natal de Elvas;

- no Mercado Negro, já uma tradição natalixa portuense das Edições Mortas, entre 4 e 7 Dezembro na escola Árvore;

- e numa feira de artesanato e fanzines, Feito à mão, nas Caldas da Rainha, organizado e situado no Atelier Arte Expressão, entre 5 e 22 Dezembro.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Electro-White-Trash-tronics

Sci Fi Industries: "Drafts and Crafts" (Thisco + CM Almada; 2007)
Mimetic Collective: "One by one" (Urgence Disk; 2006)
Umbigu: "Anatomia electrónica" (Skud & Smarty ; 2006?)

A música electrónica - ou aquela música que veio directamente do Techno e do Hip-Hop - tornou-se uma revolução criativa pelo mundo fora. Sem saber tocar uma única nota os "DJ's" ou os produtores podem recriar sons pre-existentes ou criar novos via software/hardware e misturá-los até compor... Música. Tal a simplicidade de operação e a acessibilidade tecnológica (ao príncipio com alguma aparelhagem, actualmente com qualquer PC) teve como consequência uma explosão de novos criadores e claro de novos conceitos e novos universos. Até em Portugal, já se comemoram carreiras de uma década, como a da Useless Poorductions ou do Sci Fi Industries que agora edita o seu quarto trabalho em jeito de aniversário mais uma vez via Thisco, uma das mais importantes editoras de música electrónica nacional. Trata-se de um disco fragmentado entre novos temas e temas remisturados por outros: Xotox, shhh..., [f.e.v.e.r.], Ah Cama-Sotz, Mimetic, Mikroben Krieg, Flint Glass e Structura. Nem sempre coerente (não seria necessário) e nem sempre linear (também não seria necessário) os resultados vão variando de intensidade e de energia, chegando ao ponto de alguma saturação - quem continua a encher os 80 minutos vagos dessa tecnologia redonda chamada CD arrisca-se a ouvir destas. E já agora, quem não arrisca num bom grafismo...
Quanto ao Mimetic que fez uma excelente remistura no CD de Sci Fi, em "One by one" compila uma série de remisturas que fez para Column One, Ah Cama-Sotz, Von Magnet (tema que tinha sido já editado num EP da banda), Ab Ovo, Dither, entre mais 10 projectos electrónicos mais ou menos Darktronics e Industrialitas... Ao contrário, do disco de Sci Fi com o qual também partilha "incoerência" e falta de linearidade (serpenteia no Techno, EBM, Electro-flamengo, Ambient entre outros estilos) consegue ter um som mais vivo. [um exemplar deste disco encontra-se à venda na CCC]
Por fim, Umbigu estreia-se com Anatomia electrónica, um álbum inofensivo como o próprio nome do projecto. Calmo e Muzak como se fosse uma banda sonora para um bar da moda feng shui só tem um momento de quebra em Cérebro Analógico devido à voz neo-romântica decadentista do Adolfo Luxúria Canibal. Umbigu vem na linha estranha da "estética do soar bem e bonito" com a qual não tenho quase nenhuma identificação ou empatia. Não perecebo esta tradição pirosa europeia de "Beleza Sonora" que se confunde com o Etéreo, o Harmonioso, o Melódico e o Funcional - como alías acho que tem sido sobrevalorizado os recentes sons da Islândia ou como foram os da Áustria nos anos 90.
Aliás, todos os projectos que aqui se falam sofrem da evasão à entidade mestiça que é a Europa do século XXI, para mim, "cabrito" de linhagem faz-me confusão toda esta "branquitude" num espaço criativo que permite ir mais longe do que electrificar as ovelhas (thank you, PKD) ou glamorisar o betão europeu. Longe de mim, impingir seja o que for a estes músicos mas entre estes projectos e uns Buraka Som Sistema ou Bong Ra, prefiro os últimos porque já sabemos que os caucasianos são os seres humanos mais chatos do planeta.

sábado, 24 de novembro de 2007

europagraphics ii

Moving Plastic Castles
Sketchbooks, vol. 2: Stand alone and smile ; vol.3: Concrete Floor
(Boing Being; 2006-07) de Tommi Musturi
Kuti #1/5
Uusi Pulmis
(Kuti Kuti; Set'06-Set'07)

Por alguma razão misteriosa, os finlandeses estão a descobrir o "ácido" na bd e ilustração. Fora do já conhecido desengonçado crumbiano ou da crueza non-sense ratada de Panter, os finlandeses andam a borrar cores a torto e a direito nos seus desenhos.
Prova concreta disso é o jornal Kuti editado pelo atelier Kuti Kuti, onde seja qual for o estilo gráfico das bd's a dada altura o que se vai destacar são as cores berrantes aplicadas ora com as canetas de feltro mais básicas até ao Photoshop. Outro ponto comum entre vários autores finlandeses (ou os artistas do atelier Kuti Kuti) é o imaginário sacado aos universos Pop da infância em que são revistos sob um prisma da decadência: ODNI (objectos Disney não identificados), Masters of the Universe desconstruídos, distorções da bonecada fosse ela vindo do brinquedo de plástico ou da bd impressa ou desenhos animados. O último número mudou o rumo exclusivo da bd nas folhas do jornal e começaram a aparecer alguns artigos e entrevistas... Sim, letras e texto - desilusão dirão, mas não projecto está ainda melhor mostrando que a bd finlandesa continua com a força toda.
Musturi (que faz parte desse atelier) tem publicado sketchbooks, o segundo, Stand Alone and Smile está rendido à arte psicadélica - a lembrar até o Moebius mas sobretudo à arte tripada dos anos 60. O mais recente, Concrete Floor, aumentou para o formato A4 e as páginas estão todas verdes - o melhor é tomar alguma coisa antes de fohear o manicómio visual que se apresenta. Há ainda mais um livrinho quadrado daquele que é o resultado (em imagens) de um sonho sobre "Moving Plastic Castles". Mais confusão mental marcado a cores fortes e forte componente iconoclasta.
Por fim, Uusi Pulmis é um mini-zine A6 de lixo do atelier, ou seja, feito espontâneamente de desenhos rejeitados e deitados para o lixo, recuperados pelo gozo apenas de fazer uma experiência "zinista". O lixo de uns é o luxo de outros? A ideia de reciclagem ultrapassa o resultado final, claro está.


à venda na CCC (20% desconto para sócios)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

3rr0

Coex: "Moving" (Marvellous Tone; 2007)

Não pára a Marvellous Tone! Este ano vai na sua terceira edição e já podemos posicionar esta editora DIY portuense de música electrónica, num saco. Mas não é um asséptico saco de plástico mas num simpático saco de "urban craft". A MT edita CD-R's em edição limitada, embalados em simples caixas de cartão sempre serigrafadas, o que valoriza imenso o objecto sobre o ponto de vista gráfico. A música electrónica que promove é contemporânea, seja na perspectiva funcional (na tradição de DJing), seja na experimental (Dino Felipe) - até havendo várias vezes situações que as duas perspectivas se cruzam. A sensação de vivermos em tempos de reciclagem parece ser a base estética desta editora, que pega em dejectos digitais praticando IDM e breakbeat.
Coex não foge à regra do catálogo MT, começa de uma forma funcional de breakbeats furiosos & fragmentados, muda-se para interlúdio ambiental, salta para um pop feminino freak (será uma colaboração do Projecto Gentileza?), volta aos beats & bytes de uma discoteca espacial, continua em Hip Hop disfuncional, drum'n'bass microscópico e termina banda sonora de serial-killer. Tudo isto em trinta minutos.

PS - o que raios aconteceu à capa deste disco? Porque raios inverteram e mutilaram a ilustração dos aliens?

PPS - entretanto arrabjei os créditos pelo editor: "coex é Joao Alves (desenhou capa deste e do Dino Felipe is sleeping) e Pedro Moura (aka trestristestigres); ficou decidido nao botar nome das faixas, por razoes razoaveis; e na verdade nao se trata de uma colaboraçao com Projecto Gentileza, mas de Ana Deus (igualmente aka 3tt). (...) ah, resta ainda dizer que foi masterizado pelo senhor Quico Serrano."

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Música para Antropomorfos

Fábio Zimbres
Monstro + Voodoo; 2006

A ideia de juntar dois produtos culturais num só projecto não é nova. Nem quando esses produtos são um livro de bd e um disco de rock - e como chama atenção as editoras envolvidas, juntar duas das formas culturais mais populares do século XX que são marginalizadas pela "Alta Cultura" como é a bd e o rock. O que é curioso nesta edição, foi o desenvolvimento do trabalho entre duas entidades sobre uma mesma raiz - ou será antes raízes? Os Mechanics fizeram uma base instrumental, o autor Fábio Zimbres criou conceitos, um universo para eles e depois cada um foi para o seu lado: Zimbres fez bd's (com títulos), os Mechanics criaram as letras (em inglês), títulos para as músicas (que não coincidem com os títulos das bd's!) e finalizaram as gravações.
As bd's de Fábio Zimbres são a selvagaria de sempre graças ao seu traço da tradição "ratty" de Gary Panther ou dos "esquadrões da morte" Fort Thunder. Os traços soltos e "errados" não são menos coerentes com as histórias bizarras, aparentemente desconexas entre si. Na realidade as estranhas bd's estão ligadas e são capítulos, sendo Música para Antropomorfos um livro completo e não uma antologia de histórias soltas como uma primeira aproximação ao livro poderá dar a entender. A(s) história(s) incluem golpes palacianos e a porca da política, cidades-robots em conflito, sátira ao mundo da cultura e da edição. Mais não se pode dizer...

domingo, 18 de novembro de 2007

Glömp #7

Boing Being; 2005

Antologia finlandesa (mas com apenas um autor finlandês desta vez) que edita o melhor que se faz de bd no Ocidente pelas novas gerações gráfico-narrativas.
Os nomes não enganam: Tom Gauld, Helge Reumann (o Elvis Studio no Salão Lisboa 2005), Till D. Thomas (na última CriCa), Giacomo Nanni (Canicola), Fréderic Poincelet, ... e ainda bd's inéditas de Isabel Carvalho e Pedro Nora!!! Mais não é preciso escrever, creio.
A impressão do miolo é feita a cores diferentes de caderno a caderno mas sempre a uma cor (azul, verde,etc...).
Um bom livro!
Está escrito em finlandês mas tem legendas em inglês no fim de cada prancha.

sábado, 17 de novembro de 2007

25 Disegni

Squaz / Paper Resistance
Donna Bavosa + Inguine + Modo Infoshop; 2005

Três entidades uniram esforços para publicar um livro que junta dois ilustradores em cada um deles tem direito a 25 desenhos. A ideia original é da Donna Bavosa (que edita também discos), a Inguine deve surgir porque o Paper Resistance faz parte da casa e a Modo Infoshop é... uma loja! O que deve ajudar imenso a escoar o produto.
Quem for ao site da Donna Bavosa (ou da Modo, já agora) encontrará mais uns dois livros com este conceito de split com 25 desenhos para cada autor.
É uma edição ao mesmo tempo simples de apresentação mas com uma apresentação sólida: papel de boa gramagem, sobrecapa, bem impresso... e claro os trabalhos destes autores são algo muito difícil ignorar.
Squaz lembra Burns e Blanquet - ou ainda o suiço Baladi, recentemente editado em Portugal - talvez seja um tipo de desenho um bocado batido em alguns meandros alternativos. Ainda assim resulta e tem força dadas as temáticas esotéricas-bizarras.
Paper Resistance é um iconoclasta (o Papa com uma metralhadora, um robot saído de um filme Anime no meio de um ritual tradicional japonês, um piloto de aviões com um colete cheio de explosivos) com a escola Situacionista e Punk bem aprendida. O desenho dele é bastante limpo - como se pode ver pela capa aqui ao lado.

à venda na CCC (20% desconto para associados)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A marcha portuense da Laica, primeiro movimento

Cartaz de Nuno de Sousa

Todas as manhãs meteorologistas proverbiais aproveitam o horário nobre do seu tempo de antena para divulgar previsões rigorosamente calculadas: Céu pouco nublado ou limpo em todo território, probabilidade de formação de neblinas ou nevoeiros matinais… Dia sim, dia sim. O povo suspira e encolhe-se enquanto aquece as mãos numa chávena de café. Sai-se para a rua. Tarde de chuva, a Península inteira a chorar.Entretanto… Artistas e operários gráficos aproveitam a ressaca do verão de S. Martinho para fazer arrumações na casa. Caprichos domésticos raros de testemunhar aos quais adicionaram algumas gotas concentradas de êxtase colectivo. Desta conjugação invulgar de circunstâncias resultou uma exposição compartilhada do melhor e do pior que têm desenvolvido nas áreas das Artes Plásticas, Ilustração e Banda-Desenhada. Algumas migalhas do quotidiano e a mesma alarvidade boémia de meia tigela, travestida de discurso contestatário que vem fidelizando públicos de norte a sul de Portugal. Filhos de uma mãe com bom gosto, prometem invadir o espaço do Maus-Hábitos e abrir o livro para as crónicas do costume, as comichões de rotina e os bate-pé paraolímpicos que povoam a cultura subterrânea e fazem o gosto popular. - Texto de Miguel Carneiro

«Se cá nevasse fazia-se cá ski»
Exposição de artes gráficas integrada na Feira Laica no Porto
De 15 de Novembro a 23 de Dezembro
Maus Hábitos
Rua Passos Manuel, 178, 4
Porto

Trabalhos de Marco Mendes, Miguel Carneiro, José Feitor, André Lemos, João Maio Pinto, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro, Ana Torrie, Janus, Zé Cardoso, Mauro Cerqueira, Filipe Abranches, Rosa Baptista, Jucifer e Lucas Almeida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A Brasileira com Cem

No dia dez de Novembro, pelas dezoito horas, no café A Brasileira em Braga, será apresentado o fanzine “A Brasileira com Cem”.

Com o propósito da comemoração do centenário da Brasileira, um grupo de frequentadores do café, tomou a iniciativa de lhe prestar um tributo, de uma forma alternativa e mais genuína. O desafio consistiu em realizar um trabalho até duas páginas, que poderia ser em forma de texto(s), fotografia(s), desenho(s), banda desenhada, etc., sobre o que a Brasileira representava para cada um, tendo como objectivo compor um possível retrato do café, pela altura do seu centésimo aniversário.
A resposta surgiu através de vinte e cinco trabalhos originais e heterogéneos, que são agora apresentados em formato de fanzine colectivo. Testemunho de uma forma peculiar de sentir a Brasileira, que ultrapassa a normal relação existente, num qualquer espaço comercial.

A preceder a apresentação do fanzine, está prevista a colaboração do Sindicato da Poesia, com a leitura de textos alusivos a cafés.
(ilustração "O melhor café é o da Araci..." de Helena Carneiro)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Beja poetry comics crew

Já lá foram alguns meses desde a terceira edição do (actual) melhor festival de bd português, o de Beja, e claro que agora todos andam com o pito aos saltos com as inesperadas novidades editorais que estão a sair na BD Porcalhota, mas a vida não dá para tudo, e só agora consegui divulgar as edições da Bedeteca de Beja, a saber, os terceiros volumes de Venham +5 (zine) e da colecção Toupeira (comic-book / mini-álbum na tradição da Lx Comics) com La Bellête. Mas mais vale tarde do que nunca.
No primeiro caso, houve uma redução de formato e de páginas, o que favoreceu os trabalhos (quanto maior o formato mais expostas ficam as deficiências gráficas) embora neste número a qualidade geral das bd's publicadas tenha subido. Aparecem alguns convidados, resultado da actividade do festival, como Pedro Rocha Nogueira e o espanhol Fritz. A revista encontra-se num ponto novo de partida, compromisso de promover os talentos locais e de editar bd de autores mais coesos. A poesia reina por estas páginas e pelos vistos os portugueses adoram poesia ao ponto que a Porcalhota deu um "Pacóvio& Grilinho" (Melhor Zine 2007).
Tal como reina em La Bellête, segundo livro de Pedro Rocha Nogueira - o primeiro tinha sido o Lx Comics, Dumb Angel (dumb me). Do primeiro para o segundo o autor refina o grafismo, aumentando-lhe a complexidade do traço, mais texturas e mais contrastes. O texto continua hermético e quase que cosmogónico mas sente-se melhorias imensas - realmente a Lx Comics servia a sua funçaõ de "primeiro livro".
[E ontem saíu o novo número do Venham +5, desta vez com colaborações estrangeiras de Alain Corbel, Alex Uyeno e Kike Benloch. É capaz de ser o melhor número deste zine e é de destacar a bd de Carlos Páscoa!]

sábado, 3 de novembro de 2007

O projecto de fecundar a lua #1

Auto-edição; Jul'07


É difícil encontrar bd mais secreta e sem defesas do que estas de Janus e Marco Mendes. Não apenas por se tratar de uma obra fora dos circuitos, sistemas, rotinas, escolas, etc, mas principalmente porque ela não parece existir na aproximação a nenhum pensamento conhecido nem dá mostras de se render a qualquer dos habituais discursos com efes e erres e pontos nos is para sobreviver ou sentir-se sustentada. O que a segura é, dá ideia, outra coisa completamente diferente. A sua pura vontade, desejo ou loucura - esse seu imperfeito, inconveniente e tão esquisito porque-sim.
Bd's no reverso de caixas de cartão, embalagens, pedaços rasgados, o avesso do lixo. Porquê? Porque "a vida está cara", porque era o que estava "mais à mão", porque sim. Esta é uma bd negra, negra, negra, em que a ingenuidade de bonecos com bocas grandes (bidimensionais e vagamente totémicos) se mistura com a violência dos mais poderosos fantasmas do sexo e da morte. Uma bd de dualidades e oposições - positivo e negativo, frente e verso, fíguração e não -que não é nada óbvia ou "binária" no tempo do seu olhar. Pelo contrário, atravessa-a uma duração fluida e espessa que lembra o tempo dos pesadelos. Nas bd's de Janus e Marco Mendes há só o corpo do erotismo e o corpo do terror - nela a vida reduz-se, amplifícada, a isso, recusando tudo o resto. Os outros, as palavras. A ilusão, a tralha sentimental.
Mas isto, se é possível (e é: é esse o espanto!), no modo leve e cheio de graça desta arte-porque-sim.

[ehm, como não me apetecia escrever, saquei um texto de um catálogo de pintura com um texto de um escritor qualquer famoso, substitui pintura por bd e o nome do pintor pelos do Janus e Marco Mendes... não que faça muito sentido mas que se lixe! O zine é fixe porque-sim ao contrário do texto e a pintura dos outros que eram uma bela merda. Pedidos devem ser feitos aos gajos d'A Mula enquanto o Mendes não enviar uns exemplares para vender na CCC]

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Amanhã é dia de trabalho, caragu!

os editores a mostrar en primeira mão a embalagem e disco, it's fun to have fun...

Dino Felipe: "is sleeping" (Marvellous Tone; 2007)

A Marvellous Tone, editora DIY portuense de música electrónica, regressou à actividade e pela primeira vez com um lançamento de um projecto estrangeiro. Dino Meira, digo, Dino Felipe é um gajo do Equador que arrasta lixo sonoro ao longo de uma hora sem nos deixar dormir dado à desprogramação onírica de sons Noise e Glitch. Esquizofrénico e irritante até ao fim, o disco vai deambulando a um passo zombificante tal quando um tipo está a tentar dormir e afinal descobre que está com insónias. Este músico está a dar-nos uma tanga, Dino Felipe não está a dormir, não senhor, estão acordado e obriga-nos a ficarmos acordados com ele, o filho-da-puta! Mais uma excelente embalagem em serigrafia, e obviamente uma edição limitada... um mimo de objecto! Ou será antes um maldito pesadelo?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

ccc@bdporcalhota2007

Alguns títulos da CCC e associados (El Pep, Imprensa Canalha e MMMNNNRRRG) estarão disponíveis no eternamente imaturo Festival de BD da Amadora 2007 através do stand comercial da livraria Dr. Kartoon.
Na compra de qualquer título das editoras mencionadas, oferta do fanzine A Mosca #4 (uma raridade fanzinista dos anos 90 ou o melhor zine nacional nos idos anos 90). É um número especial de autores brasileiros, com Fábio Zimbes como editor convidado. Já agora a única de jeito para ver neste festival são mesmo os originais de Zimbres (e comparsas da exposição "dividir para curtir" ou isso). Ainda assim, valerá a pena o esforço? Sei lá...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Italianati noizi, due

Fotos da exposição internacional e colectiva "European Comics Cartography" no Museo Nazionale de Ravenna, por Filipe Abranches. + umas do Filipe aqui e dos romenos-locos do Hardcomix aqui.

Italianati noizi, uno

fotos do Komikazen + vídeo da inauguração LdC (Kindergarden orgy: Pakito sampler persona + 2 bateristas italianos muita-novitos): www.flickr.com/photos/15062347@N07/sets/72157602422575492 ... www.flickr.com/photos/gianlucacostantini ... www.dropshots.com/Ines#albums



fotos da Inguine Crew e da Inês (www.stripopeka.com) e vídeo-móvel de Gianluca Costantini

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Zoolywoodland in CCC site

Pedro Zamith inaugura amanhã, entre as 19h e as 23h, um nova exposição individual na Galeria Arqué (Av. Miguel Bombarda, 12ºA, junto à Gulbenkian).

Intitulada de "Zoolywood" a exposição contará com um catálogo (com um texto de Ana Ruivo) a lançar durante a inauguração.

A exposição estará patente até ao dia 10 de Novembro, de Segunda a Sábado das 12h às 20h.

Entretanto no site da CCC, desde do final do mês passado, podem espreitar algumas fotografias da preparação das telas que estarão em exposição.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Campo di Babà

Amanda Vähämäki
Canicola; 2006

Amanda Vähämäki é a debutante do grupo Canicola na edição de livros monográficos. O talento dela já era uma constante na revista homónima ao colectivo italiano e mais do que isso, as suas colaborações eram (são!) um prazer misterioso. Se a "escrita automática" na banda desenhada surgiu nos anos 60 com Robert Crumb e Moebius, ela já percorreu vários patamares de criação, como o traço "ratty" Garry Panter ou o "minimalismo" de Lewis Trondheim. Agora temos uma finlandesa que mora em Itália (estão justificados os tremas!) que usa o lápis para desenhar e redesenhar e (também) escrever e rescrever bd's surrealistas em que a infância é tratada em colisão com um mundo indefinível. Há um urso blasée a guiar um carro, há operações dentárias a cães e a crianças como quem acende um cigarro, há ainda uns legumes com caras muito expressivas, enfim, e também há um comportamento normal a toda esta anormalidade por parte dos personagens. O tratamento do carvão lembra alguns efeitos estéticos dos últimos trabalhos da alemã Anke Feuchtenberger, o desenho é bastante atraente e expressivo. Uma prova de vitalidade na cena "indie" internacional.

4,5

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Mercado português de bd, os autores da realidade e… tudo mais num texto curto!

Apesar da História da banda desenhada portuguesa remontar ao génio incontornável de Raphael Bordallo Pinheiro (1846-1905), o certo é que passadas as “épocas douradas” chega-se aos anos 70 do século XX sem mercado nem indústria de bd. O nosso estado geográfico periférico acompanhado do historial de isolamento imposto pelo fascismo (entre as décadas de 30 a 70) faz com que Portugal seja mais “insular” que continental. É uma metáfora que complementa outra: os trabalhos da bd portuguesa são barcos perdidos num Atlântico que raramente estabelecem laços entre eles ou que encontram uma continuidade de trajecto.

Será justo achar positivo o facto de não termos indústria nem mercado? Por um lado é aflitivo assistir o desnorteio de alguns “autores-capitães” face ao “oceano”, por outro a bd portuguesa não deixa de ter uma riqueza de obras e autores justamente pela ausência de vícios da formatação - um mercado obriga sempre a uma formatação de estilo ou tema! Assim, cada autor português tem encontrado o seu caminho individual.

No que respeita à “bd realista” (tema que interessa para este festival) e encurtando uma História rica e longa, temos desde logo o “pai da bd portuguesa” (Raphael Bordallo Pinheiro) já fazia autobiografia, em 1881, no seu segundo álbum No Lazareto de Lisboa – onde desenha a sua experiência de quarentena regressado do Brasil, essa quarentena era obrigatória para os viajantes que vinham de países onde havia epidemias. Tal como na origem da bd, Raphael eram um cronista sátiro da política de um tempo ainda dividido entre a Monarquia e os Republicanos mas também retratava os aspectos culturais, como o Teatro.

Saltando para os modernistas temos Stuart Carvalhais (1887-1961) e Carlos Botelho (1899-1982). O primeiro inventou a série «Quim e o Manecas» que apesar de seguir a tradição dos rapazes traquinas Max und Morritz tem a proeza de denunciar os acontecimentos do seu tempo como a miséria das ruas ou a 1ª Guerra Mundial. O segundo, entre 1928 e 1950, cria as crónicas Ecos da Semana (no jornal Sempre fixe) que critica e testemunha os acontecimentos culturais, sociais e culturais em bd, fossem uma “Volta a Portugal em Bicicleta” fosse a situação política internacional - em que até Mussolini aparece. Dedicou 22 anos a este trabalho até ao seu desgaste graças à censura do Estado Novo.

Seguem-se duas rápidas passagens pelo tempo. Nos anos 50, tal nos EUA ou em França, os cómics portugueses também tinham um código de conduta. As «Instruções sobre a literatura infantil» (1950). A bd portuguesa tal como no resto do mundo foi transformada num médium destinado ao público infanto-juvenil predominando as duas linhas mais conhecidas de cómics popular: o estilo “realista” explorado no género de aventuras, que no caso português significou na sua maioria cómics enquadrados nos temas de história ou adaptação literária desde que enaltecessem o espírito nacionalista e o estilo caricatural que é usado no humor ou ainda, hibridamente, na aventura humorística. Daqui pouco haverá de interesse para contar. Depois, veio a Revolução do 25 de Abril de 1974 e não faltaram “cronistas-cartunistas” da situação que se vivia.

A liberdade permitiu o aparecimento de uma bd contemporânea perdida durante 40 anos de fascismo. A “primeira geração livre” materializou-se na revista Visão, influenciada pela Pilote e por outras revistas francesas “adultas”. Era, no entanto, um periódico demasiado luxuoso para um país pobre e demasiado vanguardista para um país atrasado. Um oásis impensável. Teve apenas 12 números e um ano de vida (Abr. 75 / Maio 76). Nas suas páginas encontraremos algumas das poucas bd’s sobre a Guerra nas Colónias por Victor Mesquita (1939) e Machado da Graça (que também realizaram outra sobre a guerra do Vietname), e por Pedro Massano (1948).

Os anos 80 são reconhecidos pelo o lento fim dos periódicos dedicados à bd e o começo de mais novas abordagens estilísticas pelos autores portugueses. Os universos abrem-se para questões mais intimistas, urbanas e marginais embrulhadas com grafismos ousados e experimentais. Apesar de serem autores com estruturas narrativas e estéticas ainda tradicionais, gostaria de referir Fernando Relvas (1954) com L123 e Cevadilha Speed, duas obras que tratam com algum realismo fenómenos como a delinquência juvenil, as drogas ou as alemãs no Algarve. Relvas acabou por criar uma obra carismática sobre as novas gerações nos anos 80. Arlindo Fagundes (1955) no seu álbum La Chavalita e o seu personagem “Pitanga, barbeiro a domicílio” escreveu-nos sobre a prostituição e escravatura branca - sobre o tráfico de mulheres portuguesas para bares de prostituição em Espanha, tema que na altura ninguém falava. Esta abordagem urbana e suburbana continuou, uma década depois com “Loverboy”, de Marte (1973) e João Fazenda (1979), histórias de geração dos anos 90, da ressaca grunge, pré-universitários, drogas e Raves. Os autores são precisamente dessa geração dos anos 90 que durante essa década foram influenciados pelos alternativos norte-americanos e a movimentação das editoras independentes, criando entre 1997 e 2001 um verdadeiro boom dos cómics portugueses. Desta fornada que também foi ajudada pela intensa actividade da Bedeteca de Lisboa e pelo Salão Internacional de BD do Porto, que por exemplo mostrou pela primeira vez em Portugal o trabalho de editoras alternativas norte-americanas Fantagraphics e Drawn & Quarterly, e os seus autores que tratavam de autobiografia e reportagem como Joe Sacco, Julie Doucet, Chester Brown,… o que para foi sem dúvida uma inspiração para autores como Pedro Brito (1975) ou Isabel Carvalho (1977), por exemplo.

Em 2002 o mercado implodiu. A Bedeteca de Lisboa perdeu protagonismo, as editoras de bd comercial abafaram as pequenas editoras, com material que nem sequer interessava ao público mas que ocupavam bastante espaço comercial nas livrarias – a distribuição de edição de bd em Portugal é feita em livrarias generalistas, há poucas lojas especializadas que para além do mais importam sobretudo comics norte-americanos e quase nunca tem edição nacional nas suas prateleiras. O mercado encontra-se moribundo seja para bd comercial seja para a “alternativa”. Ainda assim as resistências continuam com algum número de projectos editorais de tiragens pequenas: a Associação Chili Com Carne, El Pep, Opuntia Books, Nova Comix, Imprensa Canalha, MMMNNNRRRG, A Mula são algumas sobreviventes do “apocalipse 2002”.

É neste quadro, em que queremos mostrar uma bd portuguesa em sintonia com o resto mundo e em especial com a “realidade”. É uma tarefa difícil de empreender porque apesar da contemporaneidade dos temas retratados pelos autores dos anos 90, foram poucos a que se propuseram a explorar a “reportagem”, o “jornalismo”, a “crónica” ou a “autobiografia segundo a lógica Pekar”. Ainda assim, de assim podemos relatar alguns projectos como Para além dos Olivais (Bedeteca de Lisboa; 2000), um trabalho colectivo dedicado ao bairro lisboeta dos Olivais, a maior parte do material divide-se mais para a ficção do que para a “realidade”; Nós somos os Mouros (Assírio & Alvim; 2003), um projecto ibérico sobre várias questões islâmicas com a participação de autores portugueses e espanhóis sobre argumentos do espanhol Felipe Hernández Cava (1963) e o português João Paulo Cotrim (1965); Á Esquina (Campo das Letras; 2003) de João Paulo Cotrim e Pedro Burgos (1968; autor publicado em Itália no segundo número da revista Orme) que é uma colectânea que reúne tiras/crónicas sobre o dia-a-dia lisboeta publicadas no maior jornal nacional Público (entre 1998 e 1999), na tradição de Carlos Botelho; e, Cotrim com Miguel Rocha (1968) produziram o livro Salazar : Agora, na hora da sua morte (Parceria A. M. Pereira; 2006), um "best-seller" (dentro dos parâmetros do mercado da bd) e chamaram os media para um livro de bd, coisa rara, como bem sabemos.

Ainda assim, foram escolhidos outros autores, dois autores das duas principais cidades portuguesas, Lisboa e Porto, que tem trabalhado em projectos em comum, como as Feiras Laicas (um evento de edição alternativa) ou partilhado formatos editoriais pouco convencionais como são zines e pequenas editoras.

Filipe Abranches (1965), tendo o trabalho espalhado de várias formas, a sua obra de peso será História de Lisboa (Assírio & Alvim, Bedeteca de Lisboa; 2 volumes, 1998-2000; primeiro volume editado pela editora francesa Amok) que trabalhou com o recém-falecido historiador A.H. Oliveira Marques. As diferenças formais e de conteúdo deste trabalho em relação ao resto das bd’s históricas da velha-guarda ou da indústria francesa Glénat são muitas, a começar que a personagem principal que é a Cidade de Lisboa e não figuras emblemáticas. Também não temos a grandiosidade telúrica ou o charme de lenda como geralmente são retratadas os factos e figuras históricas no pior sentido da cultura institucionalizada. Daí que até tudo pareça mundano: os muçulmanos defecam de uma torre entre insultos com os cristãos na tomada da cidade. Graficamente as várias páginas desta bd são camaleónicas (como muitas experiências de Abranches foram ao longo dos anos 90) porque simulam a iconografia de cada época da cidade: páginas vermelhas para a Peste Negra, páginas a branco e azul como se azulejos do século XVIII se tratassem, as caricaturas feitas de Bordalo Pinheiro também são “sampladas” para tratar o capítulo “A cidade renovada” que se decorre por volta de 1886.

Marcos Farrajota (1973) desde 1994 que explora a “realidade” na bd. Começou com pequenos episódios, sagas de amores de verão, e documentação da “má-vida” no seu zine Mesinha de Cabeceira. Considera-se o “pior desenhador de Portugal” para fazer auto-promoção, isto porque as pessoas dizem que gostam das suas histórias mas não dos seus desenhos nitidamente naífs. Desde 1998 que começou a documentar o mundo da música ora com bd’s no tradicional formato de tiras humorísticas (embora o humor nunca acaba por ser um fim em si) fazendo crítica a concertos a discos, de gente tão diferente como Boyd Rice, Dälek, Antibalas, Brujeria, bandas locais, ou até a conferências sobre música, locais (o Museu de Instrumentos Musicais de Bruxelas), teatro (Jesus Christ Super Star) e instalações sonoras (Forty Part Motet no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona). Algumas das tiras são feitas por encomenda para periódicos de música portugueses e filandeses, outras são feitas apenas porque o autor se divertiu num concerto.

O dionísiaco Janus (1971) tem O Macaco Tozé (MMMNNNRRRG; 2000) a sua obra principal, não só porque é o único registo oficial – o resto do trabalho tem sido espalhado em vários zines, alguns auto-editados – mas também porque nas suas 72 páginas retrata a cidade do Porto como nenhum outro autor conseguiu. O cinzentismo e aspecto bruto da cidade é mostrada não só pela estética “underground” de um autor auto-didacta cujas influências são imprevisiveis – e não, não revelarei o segredo. O retracto do Porto é completado com as desaventuras do“looser” proletário Macaco Tozé, que nada mais são as desaventuras do próprio autor. O mundo é povoado por macacos (antropomorfos das pessoas) talvez para o autor contra com alguma distância física, as suas tragédias. [as pranchas de Janus expostas acabaram por ser as que saíram no Mutate & Survive]

Em comum, com todos estes autores, Marco Mendes (1978) também ele um autor de “slices-of-life”. Se uma bd perdida no número cinco da revista Quadrado (2003) mostrava ser um virtuoso desenhador “Pop Art”, desde 2004, através dos zines com os nomes escabrosos, que o choque estético é evidente. A perícia técnica classicista a que a maior parte da bd está associada está lá é certo, no entanto, os desenhos estão inacabados, estão “ainda” a lápis, não estão passados a preto, algumas pranchas até tem cor como se o autor estivesse a ensair um resultado. Mais: os textos parecem estar cheios de erros, algumas palavras são riscadas porque o autor enganou-se a escrever. A urgência de puxar a realidade para uma folha de papel ultrapassa os formalismos e convenções de escrita e desenho da bd porque o que é necessário é colocar o Janus, outros autores, os amigos e os conhecidos de Mendes nas bd’s a falarem uma banalidade, de preferência bêbados. A boémia e a cena artística do Porto são aqui mostradas com alguma inocência mordaz.


Bibliografia internacional:
Em francês:
Le Portugal en Bulles : Un siècle et demi de bande dessinées (Bedeteca de Lisboa ; 2000), João Paulo Paiva Boléo & Carlos Bandeiras Pinheiro.
Em inglês:
Portuguese Comics in the 90’s (IPLB ; 2000), João Paulo Cotrim
Em castelhano:
A Banda Desenhada portuguesa: um universo paralelo (www.absysnet.com/recursos/comics/esp2ptgal.html; 2006), Adalberto Barreto & Marcos Farrajota
Portugal Paradójico: el panorama del cómic portués (La Guia del Cómic; Mai’03), Marcos Farrajota
Em italiano:
Sobre o Salão Lisboa 2003 e Feira Laica 2007, respectivamente em Scuola di Fumetto #13, 56 (Coniglio; 2003, 2007), Alberto Corradi

Texto publicado no catálogo do Komikazen 2007

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Lançamento de cd catálogo

A exposição on the other hand / sombra_clara decorreu no Museu dos Biscainhos entre meados de Maio e Junho de 2007. O Museu dos Biscainhos é um palácio setecentista transformado em casa-museu localizado no centro de Braga. Além do traço arquitectónico e dos magníficos jardins, o Museu tem para oferecer aos visitantes diverso mobiliário, pinturas, louças, objectos decorativos, utensílios domésticos, etc., numa montagem que procura ilustrar o que seria a vivência numa casa senhorial dos sécs. XVII/XVIII.
O desafio lançado aos artistas foi conceberem trabalhos específicos que se integrassem no percurso expositivo habitual da instituição, criando novas relações, tensões, narrativas, enfim, que convocassem um outro olhar sobre o Museu.
Com o intuito de editar um catálogo da exposição, documentámos extensivamente todo o evento. A dada altura, constatámos que não seria disponibilizado qualquer orçamento para a impressão do catálogo.
Terminada a exposição, seria decepcionante não ficar qualquer registo do evento, para mais quando dispúnhamos de centenas de fotografias da Joana Pinheiro, diversos textos dos autores, gravações sonoras, etc.
O cd catálogo que agora apresentamos é a nossa resposta à inexistência de orçamento para imprimir um catálogo em papel. Aquilo que, à partida, parecia uma contrariedade inultrapassável acabou por impulsionar um objecto-novo, interactivo, com muitas mais imagens e conteúdos do que os que caberiam num catálogo em papel. O lançamento do cd catálogo encerra com chave de ouro este projecto e permanece como testemunho e homenagem a todos aqueles que connosco partilharam este desafio.
A edição é limitada e à borla, como quase tudo o que é bom na vida.

Apresentação dia 12 de Outubro às 22h na Velha-a-Branca - estaleiro cultural (Largo da Senhora-a-Branca nº 23, Braga) e no dia 27 de Outubro às 19h na Cooperativa Gesto (Rua Cândido dos Reis nº 64, Porto).

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

ccc@HELLsinki-&-komikazen or how Portuguese and Italians work together...

Chili Com Carne editions and other great Portuguese labels like Imprensa Canalha, MMMNNNRRRG [site not working due to server problems!] and Opuntia Books, will be sold at the Canicola stand in the Helsinki Comics Festival.
...
In October, Marcos Farrajota and Filipe Abranches will be present in Komikazen. They'll have a exhibition along with other artists and also other two Portuguese comics authors: with Janus and Marco Mendes.

KOMIKAZEN: 3rd INTERNATIONAL FESTIVAL OF REALITY COMICS
European Comics Cartography
From the 12th to the 13th of October, the most important European comic writers of magazines and underground Festivals will be on show in Ravenna.

On Friday, the 12th of October, the 3rd International Festival of Reality Comics will open with a workshop involving authors and promoters coming from all over Europe. Authors of well-known magazines like Strapazin (Switzerland), Babel (Athens), Glomp (Finland), Chili Com Carne (Portugal) and new self-productions coming from new members of the EU, like Romania, active with the magazine Hard Comics and with various festivals, will participate at the meeting at the Albergo Cappello in Ravenna. For the first time in Italy, there will be the young authors of Stripoteka, a Bosnian collective based in Sarajevo. It will be a very important day to closely get to know stories and projects of European Magazines editors and to organize a common plan for the future (authors exchange, exhibitions…). The participation in the event is open to the public upon registration.

The Festival highlight will be on Saturday the 13th of October, with the opening of the collective exhibition European Comics Cartography at the Museo Nazionale of Ravenna. This prestigious institution hosts an exhibit of about 50 European authors working in all the invited magazines. The exhibit opens up to a virtual journey, through the youth imaginary, in Europe, a country that widened its borders allowing the flow of comics’ styles and stories.


At 3.30 p.m. there will be the meeting with the author of Martin Luther King, Ho Che Anderson: this Canadian author will present the book, published in Italy with Becco giallo in the Mirada gallery, and will show his original plates at the Biblioteca Classense. A masterly biographical work, which closely follows the light and shade of the Afro-American leader and points out how everyone seems to have forgotten about the political lab of non-violent conflicts. Considered the most important Graphic Novel after Maus, it is a book that touches the boundaries of the political essay, the annotated biography and the novel.

At 7 p.m. on Saturday the 13th, there will be the prize giving of the GAER (Giovani Artisti dell'Emilia Romagna) selection, comics’ section 2007 in the exhibition room of the Assessorato Politiche Giovanili. The commission chose Marino Neri (Modena) and Leonardo Guardigli (Massa Lombarda - Ravenna) as the young authors whose works will be published (Kappa Edizioni and Centro Fumetto Andrea Pazienza). On show there will be 10 authors coming from Emilia Romagna.

In the same room there will be the exhibition Honey Talks, organized by the Slovenian magazine Stripburger and promoted by the Slovenial Cultural Department. A work in between comics and anthropology. The decorated beehives of the Slovenian beekeepers inspire the original plates. Anke Feuchtenberger, Danijel Zezelj, Rutu Modan, Matthias Lehmann and many others artists took part in the project.


At midnight the collective from Marseilles Le Dernier Cri, will inaugurate at the Mirada gallery, with absinth tasting and live music. The Stakhanovites of limited edition books create a wild chaos of anomalous esthetic. On show and on sale their original serigraphies, the latest fashion.

The 13th of October festival events will intersect the Notte d’Oro Festival, organized by the Ravenna Municipality and by the city centre shopkeepers. Artists will go around town to draw books, show videos and surprises and Ravenna will be an open city until dawn.

The exhibitions will stay open until the 15th of November, except for the Dernier Cri that will close the 6th of November.

For the closing of the Festival “L'uomo cane suda olio” – personal exhibit by Stefano Ricci, opening the 10th of November at the Mirada gallery. Stefano Ricci is in Ravenna for a project with Ravennateatro.

For biographies and information about the festival, the authors on show and guests contact:
www.mirada.it/komikazen

domingo, 30 de setembro de 2007

ccc@mostrajovem


A CCC participou neste evento realizando a parte gráfica (cartaz de Jucifer), a edição do jornal Cascais Submerso (imagem da direita) - uma publicação oficial do evento -, e com uma Feira de zines e edições independentes no "Mercado Verde" do evento que decorreu no Sábado e no Domingo entre as 15h e as 21h.
O jornal é totalmente ilustrado pelos nossos associados Ana Ribeiro, José Feitor, Jucifer, Rita Braga, Pedro Brito, Rui Cardoso, André Lemos, Lucas Almeida e unDJ GoldenShower. Afonso Cortez assina também um interessante texto sobre a "pirataria na música".
A distribuição foi gratuita durante a Mostra Jovem 2007. Ainda temos alguns exemplares, se estiver interessado contacte-nos. Uma versão PDF está disponível para download no sitío oficial do evento. Entretanto deixamos aqui o nosso "editorial":


Publish or Perish

Há uma estranha tradição de edição alternativa em Cascais. Essa tradição tem tanta história como a de Lisboa, Porto ou Caldas da Rainha e, diga-se de passagem, é ignorada por quase todos, burocratas ou não. Só para começar o título deste texto era de um zine produzido em Cascais. O que é um zine? Para explicar tenho de explicar o que é um fanzine…

Os fanzines são publicações amadoras feitas pela equação “liberdade total versus restrições económicas”. Circulam à margem da distribuição normal das publicações oficiais, ou seja, longe do quiosque e das livrarias. Geralmente quanto melhores condições económicas um editor tiver (por exemplo, através da publicidade) menos liberdade ele terá - uma empresa ou uma instituição não gosta de ficar associada a uma publicação que tenha uma BD de vexo e siolência à discrição. Também se considera que os fanzines são publicações especializadas em temas, daí a conjunção das palavras: “fan” (fã) e “magazine” (revista). Assim são os primeiros fanzines, nos anos 30, que versam sobre ficção científica. Desde os anos 70, que o “fã” tem sido abandonado do "fanzine". O aparecimento da estética “Do It Yourself” do movimento Punk aliado ao acesso às fotocopiadoras, fez com que as pessoas começassem a tratar de assuntos mais pessoais e que não poderiam ser associados à ideia de ser “fã” de seja o que for, por isso à palavra "fanzine" caiu o "fan" ficando simplesmente "zine". Existe ainda outra designação na terminologia do mundo dos zines. Trata-se de "prozine" que é um zine que, como o prefixo "pro" indica, é de qualidade gráfica superior. É um zine que se aproxima mais, como objecto editorial, do livro e/ou da revista. Todos nós somos potenciais “editores” como se provou recentemente com a explosão dos blogues.

Agora que já sabem isto, aqui vai uma lista de títulos feitos em Cascais desde os anos 90 – não que isso vá contribuir para a vossa alegria mas apeteceu-me mencioná-los: "Revolta", "Ezequiel", "1984", "Anatopia", "Ah!zine", "Betray", "DNA", "Global Riot", "Hrih", "Nuclear Mosh Zine", "Outrage", "Trips a Moda do Porto", quase todos estes ligados à cena Punk / Hardcore / Vegan / Okupa; "Outgrow", "Safety Zone", "Reflections", "Vindos do Inferno", vários títulos editados por Afonso Cortez em desajuste crítico com os anteriores; "Hieróglifos" e "alguns slides", ligados à literatura e ao escritor Rafael Dionísio; o "Resina" dedicado às questões da Arte; "Vardogr", "Aqui no canto" (de João Rubim); "Tralha Perdida" (onde participou Crizzze); e "JP Comix", ligados à BD e ilustração (os dois últimos, infectados dos vários zines feitos nos cursos de "Iniciação à Linguagem da BD" ministrados em Cascais); e ainda, alguns números de "Dead Doll House" (Arte) e "Carneiro Mal Morto" (BD) ambos de Rafael Gouveia que também tiveram morada neste concelho.

Ligações editoriais à BD há muitas! Cascais é residência da única publicação sobre BD em Portugal ("Jornal da BD"), foi também dos "Cadernos de Banda Desenhada" (prozine dedicado aos clássicos da bd) e claro do "Mesinha de Cabeceira" (e títulos vizinhos: "Meseira de Cabecinha", "Mercantologia", "My Precious Things") que para o mês que vem faz 15 anos de existência. Foi também aqui que a Associação Chili Com Carne foi criada, a única associação dedicada à BD alternativa em Portugal, que editou projectos inéditos como a antologia internacional "Mutate & Survive" e que actualmente acolhe nas suas fileiras as melhores editoras do género: MMMNNNRRRG (com o lema “só para gente bruta” também de Cascais), El Pep (editora vizinha, de Oeiras), Opuntia Books (de André Lemos) e a Imprensa Canalha (de José Feitor).

Por falar em Oeiras, de lá pode-se ainda apontar os zines "Vermental", "Gritante" (ambos de João Cunha), "Bactéria" e "Killer Season Fanzaíne" (que veio dar na El Pep)... mas não me quero esticar. Este texto serve como um primeiro testemunho de História da Edição Alternativa do concelho e para validar este jornal enquanto objecto editorial num espaço próprio. O jornal foi feito de sinergias entre várias associações juvenis do concelho e pretende ser mais do que um mero espelho da programação da Mostra Jovem e do tema escolhido para a edição deste ano, "Cascais Submerso". Para além de reflectir temas ecológicos – uma preocupação que esperamos não seja apenas uma moda – este jornal também trata de questões de cultura que passam pela paisagem suburbana, o Graffiti, “pirataria” (palavra feia atribuída pela desesperada indústria fonográfica), consumismo, novos desportos, ficção científica… tudo devidamente ilustrado pelos nossos sócios. - Marcos Farrajota

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Gato por lebre

Absurdito
Grosgoroth

(Grosgoroth; 2007)

Os espanhóis são uns imitadores do caraças! Parece até que não tem vergonha na cara! Assim, vinda das novas tendências dos finlandeses Kuti Kuti e os Fort Thunder, a estética pop-psicadélica está a pegar por ai e já chegou aos nostros hermanitos como se poderá verificar nestes dois zines. Estão cá todas características para falar de imitação: temas Pop/recuerdos de infância berrantes (as Tartarugas Ninja, jogos de computador, bonecos das embalagens de cereais), cores excessivas com canetas de feltro, tudo "mal desenhado" para apanhar a espontaneidade criativa bruta.
Quem edita estes zines é Grosgoroth, o tipo das teclas dos Grabba Grabba Tape, uma banda electro-punk satânica com natas que tocou este fim-de-semana passado por cá - já agora, o baterista tem um imaginário bem melhor! O seu zine homónimo é no formato A5, todo a cores e feito de bd's parvitas e ilustrações mucho mucho coloridas. Giro q.b. O Absurdito é um zine colectivo de bd, desenho e textos no formato A5 e impresso a cores ou em vários papeís de cor. As cenas de Grosgorth brilham no meio da mediocridade das outras participações e curiosamente são os textos escritos por pessoal amamentado a comics da Marvel, Esoterismo críptico e charros que salvam o zine. São mesmo psicadélicos... os textos!

Trabalho em progresso


It-Clings vs Pneumatic Detach: "The all too logical descent into madness" (Bugs Crawling Out of People; 2007)
Randy Greif & Kenji Siratori: "Narcoleptic cells" (Thisco + Fonoteca de Lisboa; 2007)
Slow Soldier: "New under the volt" (Thisco + Fonoteca; 2007)

O primeiro disco ganhei via concurso da Connexion Bizarre e é uma curiosa experiência de spoken-word (It-Clings) versus IDM (Pneumatic Detach) a lembrar as actuações dos Structura, embora aqui não haja lugar para improvisos e as letras são nitidamente niilista-freudianas. O som é duro ora pela voz que cospe ódio ora pela instrumentação suja que debita beats Techno e orgãos sombrios. Tem mais power do que este texto possa transmitir...

Entretanto, boas novas: a grande editora de música electrónica alternativa Thisco voltou à normalidade. Isto quer dizer o quê? As edições voltaram ao que a editora nos tinha habituado: caixas de CD normais e som electrónico alternativo. Falo disto porque as últimas edições ou não faziam sentido (a Cucu e o In Tempus) ou as edições mostravam alguma pobreza de meios materiais. E o regresso ainda é melhor com a edição de um trabalho do escritor-sensação cyber-punk, o japonês Kenji Siratori associado ao norte-americano Randy Grief, especialista em criar música ambiental, electrónica e concreta. Numa faixa única de 54 minutos viajamos num sonho que podia ser banda sonora para o último filme de David Lynch. Quem já leu ou ou tentou ler os textos de Siratori já sabe que ouvi-lo em japonês ou em inglês é quase o mesmo dada à complicada linguagem "cut'n'paste" cibernética que utiliza. Na colecção de CD's é de colocar na secção "Thisco [facção ambiental/ experimental]". Bom material sonoro embora o trabalho gráfico seja de fugir a mil pés!

Também da Thisco temos o disco de estreia de Slow Soldier (após um split-EP-duplo com FlatOpak). Slow Soldier antes demais é um bom nome para um projecto de música, podia ser nome para banda Punk, Emo, Stoner ou seja o que for. O nome é mesmo fixe... já a música nem por isso imersa demasiada em Techno com laivos IDM não tão assim inteligentes e conseguindo ser um bocado irritantes Enquadra-se na "facção funcional" da Thisco mas é demasiada juvenil para o meu gosto. O melhor do disco começa a metade dele (a partir da faixa-título) quando o álbum começa a ter uma tendência para desacelerar a dança.