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terça-feira, 1 de abril de 2025

50 anos

estudo de capa do Revisão de João Maio Pinto sobre desenho de Isabel Lobinho (1947-2021).


Não é mentira! Foi a 1 de Abril de 1975 que saiu a revista Visão, projecto de ruptura total com a Banda Desenhada portuguesa do passado. Ainda hoje quem apanhar os seus 12 números poderá sentir alguma frescura nas suas propostas.

Foi com gosto que em 2016 publicamos a antologia Revisão para comemorar os 40 anos da sua existência - infelizmente nesse ano parecia mais a "comemoração" do seu fim, a revista acabaria em 1976 mas o esforço de reunir material e fundos não permitiu fazê-lo antes, em 2015...

A todos os Visionários a nossa eterna gratidão eterna por nos terem aberto os olhos - mesmo que a maioria não o tenha feito, ou pior, os que tiveram acesso tenham fechado outra vez os seus olhos!

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Dois ou três pensamentos soltos (2)

O mundo das coincidências cósmicas é tremendo! Passado alguns meses depois de escrever estas linhas sobre livros de referência, pimba! eis que aparece o simpático HQ: uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações de Rogério de Campos.

E quem é o Rogério de Campos, perguntam vocês? Olha, só para começar é mais uma das cabeças da mítica revista Animal, foi o responsável de introduzir o Mangá no Brasil de forma coerente e agora é o "boss" da Veneta, uma importante editora brasileira de BD. Curiosamente conheci-o em pessoa no Festival de BD de Angoulême, em 2020, tendo valido a pena fazer tantos quilómetros para descobrir (sem querer) mais um ídolo da juventude!

O seu livro é uma tentativa de escrever sobre BD de uma forma excitante como Greil Marcus o fez com As Marcas de Baton (Frenesi; 1999) sobre os Sex Pistols e o fenómeno Punk (and beyond that!) mas infelizmente, a BD não é tão excitante na sua mitologia como o Rock, e falha nesse sentido. Em compensação invés de ser mais uma história chata da BD, Rogério, como mestiço e periférico cultural que é (e grande profissional do mercado editorial), soube misturar tudo numa narrativa sólida sobre a História da BD evitando os discursos simplistas dos cromos das várias indústrias de BD (o triângulo dourado França-EUA-Japão). Troca tanto e tudo que mesmo quando os capítulos sugerem uma dessas indústrias, ele acabará por falar de noutra coisa que parece não estar ligada. Por exemplo, o capitulo dedicado ao "Mangá" irá parar ao underground norte-americano, quando anuncia o capítulo "France" acabará por falar do grande assalto dos "comics-books" e sobretudo do Mangá no mercado europeu. Parece disparatado, dito desta forma mas não é de todo, muito pelo contrário, como ele nunca se perde e conhece bem os segredos profissionais deste mundinho da BD, tudo vai escorreito como um bom vinho. 

E ao misturar "tudo", não deixa os leitores ficarem nos seus guetos predilectos ou os seus "safe places". Ou seja, o perigo de um tarado do franco-belga ou do mangá de só ler o capítulo que lhe é querido é aqui impossível, terá de ler tudo para receber toda a informação que lhe interessa, porque tudo está interligado a dada altura. Cheio de observações interessantes, com capacidade de síntese e uma vontade explorar a política para o mundo da BD (o que os cromos acham isso herético!), só não lhe posso perdoar a ausência de assinalar o Guido Buzzelli como o primeiro verdadeiro artista na BD, as ilustrações centrarem-se quase todos no catálogo da Veneta e a falta de pensamento sobre as "minorias culturais" (que são só muito mais de metade da população do planeta mas enfim!) como as mulheres e não-binários. O texto ficaria ficaria maior mas, meu!, era 2022 quando saiu o livro e a Julie Doucet já tinha sido elegida como Presidenta do Festival de Angoulême nesse ano! Grave! Apesar destes pecadilhos e espartilhos masculinos, eis um livro que faz justiça ao seu título. Não é punk mas é rápido, curto e incisivo!

O norte-americano Christopher Sperandio voltou este mês a Portugal com uma exposição na Tinta nos Nervos e trouxe uma série de novos livros seus, um "teórico" e outros de "comix-remix" - o mais recente que saiu pela nossa parceira Kuš! terá uma resenha minha na próxima A Batalha. 

Comics Making : teaching the technology of comics (Argle Bargle; 2021) é uma colecção de ensaios de Sperandio de como fazer Banda Desenhada à sua maneira, isto é, usando BDs antigas e dando-lhes um belo de um tratamento "detournement" situacionista para passar novas mensagens (políticas). A ideia não é nova, claro, e nada melhor do que reciclar o lixo da História para fazer Arte nova, como os franceses Samplerman ou o Fredox e o português 40 Ladrões. Para política, o lixo se não for contemporâneo, como faziam os Situacionistas ou fazem os activistas "underground", coloca alguns problemas... 

Há um limite temporal-legal que Sperandio utiliza para usar o material dos outros para rapinar. Este tem de estar perdido para os olhos dos advogados da propriedade intelectual, e é por isso que ele (ou o Fredox e o Samplerman, já agora) usa "comic-books" com uma boa idade para cima dos 75 anos de existência, ou seja, quando essas criações entram em domínio público. A questão é como usar essa lixeira popular para as novas lutas sociais e políticas deste século, sem parecer anacrónico? Ou não ser uma dor de cabeça para o autor actual procurar imagens que tenham ainda aura para os dias de hoje? A mim parece-me impossível, especialmente quando não há quase mulheres representadas (uma conclusão que o próprio Sperandio indica numa BD no tal livro da Kuš!) ou "bem representadas" porque elas aparecem como meras companheiras dos homens, submissas e a servirem de isca para serem salvas pelo super-macho com músculos. E africanos ou asiáticos? Estes são também pouco representados, ou pior, quando o são, são subalternos, sub-humanos ou vilões! Não há "detournement" que valha quando a matéria visual é logo limitado em riqueza (ou na mera realidade) humana. 

Também não me parece que a evocação à Nostalgia, como arma de arremesso político seja uma boa ideia, porque a Nostalgia é do mais perigoso que há, usada pela Direita para nos adormecer com a retórica do "antes é que era bom". Até a Direita (a alt-right) sabe que mais vale usar uma bonecada Anime para fazer um méme racista e sexista do que usar uma imagem colonialista dos "bons velhos tempos". Esteticamente até parece que Sperandio quer dizer que os jovens de hoje são iguais aos dos anos 50 quando saíram tantos belos mutantes a partir dos 60! Não sei porquê, apetece-me voltar ao Burroughs mas desta vez citando-o: (...) he didn't want any juvenile connections, bad news in any language.

De resto, Sperandio faz uma boa súmula para principiantes sobre a tecnologia de impressão dos materiais e técnicas de como os reutilizar. Um erro num texto sobre a proveniência da palavra "zine" (diz que é de "magazine" e não de "fanzine") põe tudo a perder... Ignorância ou gralha? Ei-de lhe perguntar quando o apanhar por aí!

Como no "post" do ano passado acabei com um indicação a uma obra de referência portuguesa e o tema geral era sobre a raridade deste tipo de trabalhos no mercado nacional, eis que no mesmo ano foi feita outro livro sobre BD portuguesa também pela SHeITa. E sim, só se pode esperar merda, claro, porque é feita com o pior gosto dos "melhores" editores portugueses de BD. Convenhamos, a começar pela capa, o grafismo e desnecessária impressão a cores (receberam uns belos dinheiros comunitários para gastar à grande e à francesa), Conversas de Banda Desenhada de Carina Correia e João Miguel Lameiras é um terror editorial! Mas como nunca temos testemunhos dos autores de BD portugueses - a não ser quando arrotam postas de pescada nos festivais de BD, seca total! -, torna-se num documento bastante interessante para o público em geral (bom, pelo menos metade do livro) e para o que é especialista. Apesar do plantel escolhido ser um 50/50 de autores desinteressantes e de artistas com voz própria, em linhas gerais, pode ser bom para todos os que leram perceberem como se movem estes criativos em Portugal, e quando possível, o que lhes faz correr sem cansar.

Justamente, raramente se fala de Arte ou BD como Arte, o foco das entrevistas é quase sempre sobre o dinheiro e a carreira. Parece que me repito nestes dois "posts" mas é verdade: mulheres, claro, há uma apenas, a Joana Afonso, que apesar de ser uma boa artista comercial de BD (para quem gosta), é só mesmo isso, uma artista comercial croma de BD; o Luís Louro é uma cagão como sempre foi and we don't give shit; Filipe Melo y su muchacho nem me lembro nada para comentar tal a quantidade de clichés ditos; Osvaldo Medina revela ser um mero mercenário (a atitude dele perante os livros sobre o presidente angolano Agostinho Neto que "biografou" é exasperante) e creio que ele só está neste livro porque tal como a Joana Afonso fizeram álbuns de BD prá SHeITa; Jorge Coelho apesar de se o gajo que desenha prá Marvel revela mais sobre o underground lisboeta que alguma vez os ignorantes dos seus entrevistadores saberão (boa Jorge!); e é quando entram o Nuno Saraiva, Paulo Monteiro e Marco Mendes (os que podemos considerar artistas mais à séria) é que o livro torna-se iluminado com boas doses de poesia, humor, vida e experiências que fogem à mera "Bêdêzinha". Se calhar os outros até teriam algo para dizer (duvido muito) mas com os entrevistadores a serem apenas cromos da BD e da cultura Pop, a fazer piadinhas constantes sobre pitéus e cuja única pergunta repetida até à exaustão (e em alguns casos inútil) sobre um tema contemporâneo é sobre o que é que os autores acham destes tempos "perigosos" do "Politicamente Correcto" (ai ai ai que medo!),... Com perguntinhas destas nunca poderiam ir muito mais longe, parece-me. É pena! Ainda assim como já escrevi, fica aqui um documento importante para a posterioridade, dado que a BD é uma área de que ninguém (generalistas ou especialistas) parece saber nada de nada - incluindo a parte menos interessante como o dinheiro.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Lobinho,

já andava desconfiado.

Ligava-te para falar de um projecto institucional e não atendias.

Não estavas em redes sociais nem telemóveis, tinhas apenas um número fixo.

Mas tinha o teu endereço, que algumas vezes usei para te espicaçar, mostrando que a "BD portuguesa" (seja lá o que isso for) ainda existia com novas autoras como a Baeza e a Pita. Sei que não deves ter ligado muito a elas, não sei... não tenho a certeza, desconfio. A tua Banda Desenhada era diferente da "nossa", a deste milénio e em todos os sentidos, dos temas às formas de publicar. Gosto de pensar que mesmo assim não ignoraste os livros, afinal, eras uma mulher curiosa, sagaz e arguta.

Hoje, ligaram-me a dizer que receberam a minha carta e que tinhas falecido em Junho. 

Já desconfiava  do silêncio do telefone mas uma ingénua fé dizia-me que deveria ter paciência. Realmente não podia fazer muito a não ser desconfiar e esperar por alguma resposta ou notícia porque como já escreveram publicamente não fizeram nenhuma ligação entre uma senhora do Alentejo com uma autora de BD - essa área onde a cegueira é endérmica e gigante.

Ainda assim, o teu nome nunca foi esquecido e nos últimos anos, quase toda a tua obra da década de 70 foi republicada, incluindo alguns inéditos que saíram na Revisão. E o mais belo de todos os inéditos, a capa rejeitada pela redação da revista Visão (que se calhar não era assim tão visionária como se gosta de apregoar) e que passados 40 anos brilhou como capa da nossa antologia da BD portuguesa dos anos 70. Que orgulho o meu ter recebido tal prémio e poder usá-lo à vontade! O João Maio Pinto desenhou depois os títulos da capa numa frequência setenteira da coisa.



Fico feliz de ter-te conhecido, já um bocado tarde - em 2015? - quando preparava esta feliz aventura da Revisão. Foi graças ao Lino que nos conhecemos - e quase todos os outros "visionários" contatados. Ficou muito por falar mas hoje, desorientado como estou, não tenho muito para te dizer.

Beijinhos,

Marcos Farrajota


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Texto para assinalar o falecimento da autora Isabel Lobinho, 1947-2021.

Isabel Lobinho foi das poucas autoras de BD em Portugal das décadas de 70 e 80, facto socialmente triste porque revela que país atrasado era o nosso. 

Nasceu a 11 de Junho de 1947 em Vila Nova de Barquinha, Ribatejo. Completou o curso de publicidade, sendo que a partir de 1969 começa a fazer ilustração para várias publicações como a Flama, ou ainda livros e discos. A sua primeira BD com data de Dezembro 1973, é na revista Lorenti's onde também fazia o design, publicação de "life style" num país sem estilo. Pranchas desta BD, Yurie, podem ser vistas no catálogo da Tinta nos Nervos (2011). 

Com o poeta surrealista Mário-Henrique Leiria (1923-80) serão parceiros de várias BDs, seja na revista Visão (1975-76) seja no álbum Mário & Isabel (Forja; 1975) - reeditado em 2002 pela Câmara de Moura e recentemente no primeiro volume das Obras Completas de Leiria, pela E-Primatur. Participou em alguns fanzines como o Boletim CPBD, Protótipo e Eros, bem como nas revistas O Máximo (1976), Correio de Domingo (do jornal Correio da Manhã, 1986) e Élan (1987).

O Máximo deverá ser a única publicação portuguesa que tratava sobre a homossexualidade, em foco o lesbianismo. O grafismo desta revista cultural com o seu formato quadrado "gigante" e com estas temáticas pouco aliciantes ao cérebro cinzento da altura, faz dela uma publicação única até aos dias de hoje. Se calhar por isso mesmo só sobreviveu dois números. Lobinho participava com uma série de BD a duas cores, dedicada à História Sexual da Humanidade. 

O trabalho de Lobinho sempre se pautou pelo erotismo, com um grafismo bem cunhado pelo psicadélico dos seus tempos embora o seu traço tenha evoluído para algo mais realista nos anos 80 como se pode verificar na série que participou no Correio da Manhã e que é um potencial álbum de BD nunca foi editado.

Desde os anos 90, Lobinho dedicou-se à Pintura com várias exposições individuais.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Cadernos de Fausto : ESGOTADO


Cadernos de Fausto
de Rafael Dionísio
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Trata-se de um livro que orbita recursivamente em torno dessa personagem tentando defini-la de uma maneira obsessiva. São pequenos textos que funcionam simultaneamente ou como capítulos de uma biografia sem factos ou como capítulos de um romance que não existe. Assim temos que o livro é de um género híbrido, algures entre a ficção e a poesia, num lugar não determinado. Uma das características do livro é ter algum grau de experimentação sintáctica e semântica. É um livro, literariamente, encorpado, denso e profundo.
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volume 7 da Colecção CCC
164p. 21x14,5 cm, edição brochada
ISBN: 978-989-95447-0-3
Capa ilustrada por João Maio Pinto, paginação por João Cunha / Ecletricks
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excerto:
fausto na floresta observava a matéria viva como se esta o observasse. se ele tinha consciência da aragem e do minotauro de troncos também tinha consciência que a floresta era tudo de si próprio. assim sentia-se observado observando.
como se houvesse perigo por estar no centro da floresta, como se pudesse ser fagocitado como uma célula estranha a um organismo.
por vezes fausto chamava floresta à floresta, com o seu chão de musgo, com as folhas ecossistema caídas com todos aqueles riscos e mais riscos, tracejados de troncos, tramas, e tinha sonhado que estava a aprender a desenhar florestas.
por vezes fausto chamava à floresta "o inconsciente" ou "o meu esquecimento".
e deixava a sua mão deslizar na caruma. e sentia-se bem portanto.
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ESGOTADO, talvez ainda apanhame alguns na Fábrica Features, Matéria Prima, ZDB e FNAC.
Versão e-book na Todoebook
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Historial: Lançado no dia 14 de Junho 2008, na Almedina Atrium Saldanha, com apresentação de David Soares e presença do autor ... livro lançado no âmbito dos 10 anos da Chili Com Carne - "comemoração 8" ...
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Feedback: ler aqui crítica de Pedro Moura in Cadeirão de Voltaire

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

REVISÃO : Bandas Desenhadas dos anos 70 .......... ESGOTADO

Capa de Isabel Lobinho e títulos por João Maio Pinto
2016 marca 40 anos do fim da icónica Visão, uma revista improvável num país com graves problemas económicos mas que se apresentava nas bancas com ar luxuoso, cores ácidas e brilhantes, temáticas políticas e libertárias.

 Quisemos comemorar esta publicação que fez uma ruptura com a BD tradicional portuguesa mas sobretudo recuperar um conjunto de BDs esquecidas dos anos 70 cheias de frescura, rebeldia e prazer criativo, vindas de outras experiências editoriais como Evaristo, O Estripador ou &etc.

Contem com António Pilar, Bruno Scoriels, Carlos Barradas, Carlos "Zíngaro", Fernando Relvas (1954-2017), Gracinda, Isabel Lobinho, J.L. Duarte, João Manuel Barroso, Nuno Amorim, Paralta & Zé Baganha, Pedro Massano, Pedro Potier, Tito, Zé Paulo (1937-2008), Zepe e ainda António Pinho, Carlos Soares, Jorge Lima Barreto (1949-2011) e Mário-Henrique Leiria (1923-1980) para muita BD psicadélica, urbana, cósmica, mórbida, erótica, pessimista, ácida, crítica, tão yin & yang tal como foi a década de 70 neste país periférico.

Nova paginação! 
Vintage Free! 
Completista!
Uma delícia!!!

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9º volume da colecção Mercantologia 
editado por Marcos Farrajota 
arranjo gráfico de Joana Pires
184 páginas a cores 23,5x34cm
Capa com uma bandana


(((o)))




Historial: Apresentação no Festival de BD de Beja (29 de Maio 2016) ... Notícia no P3 ... Lançamento no dia 9 de Julho, às 16h na Feira Morta na Bedeteca de Lisboa com as presenças de Marcos Farrajota (editor) e António Pilar, Carlos Barradas, Carlos "Zíngaro", Fernando Relvas, J.L. Duarte, Nuno Amorim, Pedro Massano e António Pinho (autores) ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ... Notícia no jazz.pt ... Artigo na revista Visão por Sílvia Souto Cunha ... Artigo n'Observador ... Artigo na Umbigo ... Vencedor do Prémio Clássicos da 9ª Arte pela BD Amadora 2016 ... Exposição no Festival de BD da Amadora entre 27 de Outubro a 12 de Novembro ... Nomeado para Melhor Publicação Clássica pelos Troféus Central Comics 2017 ... 























Feedback: 

Visão looks like an AMAZING magazine - a bit like a Portuguese GARO?! So important that people today see this pioneering work from 40 years ago and BUILD on it and push comics still further. Bravo (...) I see the relationship to Pilote/Metal and of course US comix underground too. As you say daring, radical for the times and politics. This work needs more exposure in Portugal and outside too 
Paul Gravett (via e-mail) 
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A Revisão é fascinante, principalmente porque para mim não é revisão nenhuma que só conhecia as bds do Pedro Massano (e o Fardeta do JL Duarte se não me engano). As histórias são algo insubstanciais, mas os desenhos, a diversidade de estilos são um festim. Muito bom. E o livro está muito bem produzido, palmas para os dois. 
M.R. (via e-mail)
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Parabéns pela edição, tá do caralho! Até podes perder dinheiro com a brincadeira, mas o prestígio ninguém te tira! 
Nunsky (via e-mail)
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4 estrelas na Time Out Lisboa
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5 estrelas no Expresso
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Revisão não pretende reinventar a história, nem reescrevê-la, mas pretende sim que se a repense, num contexto em que há sempre tão pouco pensar.
Pedro Moura / Ler BD
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Melhores Livros de 2016 no Expresso
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Marcos Farrajota (Associação Chili Com Carne, 2016): O incansável guerrilheiro punk dos quadrinhos portugueses chamou para si a responsabilidade de celebrar os 40 anos da seminal e revolucionária revista Visão. Em edição primorosa, Revisão compila o melhor dos parcos 12 números do magazine original, apresentando uma produção radical e sintonizada com o que havia de mais interessante no panorama mundial da época. Lisergia lusitana.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Feira do Punk de Lisboa

A Feira do Livro de Lisboa é uma babilónia literária. Um paradoxo total de editoras que alimentam fraudes (Chiado), lixo (Leya) e merda total (cristianismo e cientologias). Mesmo a Tinta Da China é suspeita devido à BD que edita, restam as únicas que merecem o meu dinheiro: Letra Livre, Antígona, Relógio D'Água e pouco mais... Talvez por esta minha atitude pseudo-elitista que já arranjei mais discos do que livros por aquelas bandas...

Directamente com a BD saiu um novo LP dos Dirty Coal Train - os mesmos que participaram no recente Punk Comix CD - em que fazem um "back to basics", isto é, a banda começou como um casal, expandiu-se para sei lá quantos elementos e actualmente voltaram a duo. Neste Kirby Demos (2017) na realidade as gravações são do início mesmo, quando o casal andava a descobrir caminhos e gravavam temas dedicados ao Jack Kirby (1917-94), autor de BD norte-americana que fez o "template" de quase todos os super-heróis. Garagice primitiva e lo-fi também ela em modo "template" do género, é sem dúvida uma peça de colecção para qualquer cromo da BD e Rock, essas duas artes marginais do século XX. O Camarada João Maio Pinto fez a capa que se transforma num gigante cartaz cheio de criaturas replicadas de Kirby. Só ele é que podia fazer uma mimetice destas.

Miméticas são muitas nos últimos dez anos, uma delas é do homem e a sua guitarra desde que o Norberto Lobo tornou o "estilo" fixe outra vez. O Gajo era dos míticos Corrosão Caótica, actualmente dos Gazua e estreia-se com Longe do Chão (Rastilho) num modelo impossível de não o meter nas caixas de Paredes ou Fahey. Ou seja, Folk mais urbano ou menos rural, tanto faz... Depois ainda há os chavões lisboetas que os secas dos Dead Combo impingiram neste tipo de música instrumental. Pior, é para quem os segue, enfim...
A gravação merecia um toque "lo-fi", ou seja, um bocado de ambiente caseiro para dar um calorzinho ao CD que bem o merecia porque o gajo explora ambientes andaluzes e arabescos (oba oba!) mas o tom geral é o cinzentismo português tal como a embalagem do disco indica - embora deva dizer que sendo uma embalagem modesta é catita, melhor que muitos luxos que andam por aí... A guitarra está sempre "à frente" fazendo que ela sature e se dilua por mais que o gajo seja dinâmico a tocar. Mesmo com mais elementos que aparecem nas músicas não conseguem abalar a guitarra, infelizmente até se tornam kitsch como o caso do som do navio em Navio dos Loucos. O Gajo já fez tantas na vida que devia quebrar as regras invés de as seguir!

Se homens e guitarras cheira a andropausa precoce o estilo Oi! já nasceu velho nos finais dos anos 70 em Inglaterra. Música de proletários, anti-racista, anti-artsy-fartsy, juntou punks e skins ou quem nada queria com isso. Som que está pronto para pints e bola - moral e tremoços se for em Portugal.
Oi! Um Grito de União vai no quarto volume depois de passarem 17 anos desde que o último volume saiu. Nos anos 90 chegou a ter capas do Angeli da tão bem-amada revista Chiclete Com Banana, agora tem um amador que corta a palavra Portugal e tudo... Ainda bem que o nacionalismo desta malta passa apenas por fotografias com castelos por trás senão dava merda entre portugueses e brasileiros! Sim, são cinco bandas brazucas e cinco tugas, cada uma com dois temas mais ou menos inéditos. Vamos encontrar os Grito! que entram também no Punk Comix CD (logo a abrir e a fazer o erro de misturar BD com desenhos animados - isto no CD do Punk Comix...), Facção Opposta e os brasileiros Sindicato Oi! que visitaram Portugal estas últimas semanas. Para quem gosta de punk básico, este é um CD de uma hora cheia de não-inovação e fantasia urbana - falam de realidade mas não oiço nada que fale sobre proletariado em 2017... A editora tuga deste disco é a camarada Zerowork.

Ainda tenho domingo para comprar livros, ufa!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Scorpio Rising : Transgressão Juvenil, Anjos do Inferno e Cinema de Vanguarda / ESGOTADO

eis um livro que deveria ter saído, na colecção THISCOvery CCChannel, antes de Maio de 2009 por causa de uma verdadeira "Kenneth Anger-Mania" (de repente toda a comunidade artística de Lisboa conhecia este autor!!), graças ao ciclo dedicado ao autor na Cinemateca de Lisboa, Fundação de Serralves e Galeria ZDB, onde o artista norte-americano esteve presente
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Kenneth Anger é um realizador controverso, com múltiplas linhas de ambiguidade, numa teia de símbolos e significados, de paradoxos, de ícones, e de manipulação violenta do imaginário
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Ondina Pires (ex-Pop Dell'Arte, The Great Lesbian Show), faz neste livro ensaístico uma reflexão riquíssima sobre vários aspectos da cultura underground do século XX. Embora se centre numa análise de um filme do mítico realizador este livro é muito mais do que isso, uma vez que todos os aspectos invocados no seu filme são explorados a fundo por esta autora. Temas como os gangues, a violência, o Cristianismo, o Nazismo, a máquina, a civilização motorizada, os Estados Unidos, a apropriação de imagens, o cinema, a banda desenhada, a velocidade, o século XX, são tratados de forma fecunda e multilinear. Este livro cativará todos os que se interessem pela cultura enquanto local de aparição de fenómenos extremos.
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capa de João Maio Pinto, design por Ecletricks, prefácio por Carlos Vidal
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152p. 22x16cm, capa a cores
ISBN: 978-989-95447-3-4
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pode ser que ainda encontrem exemplares nas lojas Letra Livre, Fábrica Features, Rastilho e El Pep.

versão e-book na Todoebook
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historial: lançado a 15 de Maio de 2009 na ZDB com a presença da autora, Carlos Vidal e Fernando Cerqueira, juntamente com o número nove da revista Acto ... Finalista e Vencedor da votação pública na categoria de Prémio de Melhor Ilustração Original (capa) dos Prémios de Edição LER / Booktailors 2010 ...

Feedback: A conclusão é que Scorpio Rising faz bem à cabeça: está muito bem feito, com uma sólida argumentação e ainda melhor documentado. É sempre um grande prazer ler livros escritos por quem sabe do que está a falar e Pires é um bom exemplo dessa premissa. David Soares ... Um natural apelo aos apreciadores de cinema mais experimental, este livro será também do agrado dos apreciadores de outras formas de contracultura. Os Meus Livros ...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Luso-Kraut-Gringo-Crazy-Shit-Man!



The Loosers : Hot Jesus (Lovers & Lollipops; 2013)

Eis uma banda que nunca me inspirou confiança nem em disco nem ao vivo mas que agora tiro o chapéu graças a este (bizarro) disco. E não é porque o camarada João Maio Pinto toque práqui baixo porque não há payola nem lobby neste blogue! Fico até arrependido não ter seguido as metamorfoses da banda mas se calhar não resolvia nada porque estes Loosers são outra entidade com a saída do co-fundador Tiago Miranda, e a entrada de Pinto mas sobretudo de Jerry The Cat, um norte-americano que fez parte dos míticos Parliament! E realmente à primeira audição parece ser ele o homem que conduz o resto da banda com o seu discurso de Pastor alucinado. No lado B do LP é que se nota que não é bem assim com a banda a puxar-se para um Krautrock tribalista que mostra que até poderia estar outro tipo a cantar por cima, embora o resultado fosse diferente, não iria abafar os objectivos hipnóticos dos temas. De alguma forma, e provavelmente porque ando a ouvi-los, há algo de Legendary Pink Dots neste disco... I brake for Hot Jesus!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Seitan Seitan Scum / ESGOTADO


O número #22 do zine Mesinha de Cabeceira edita trabalhos de projectos frustrados pela inércia alheia e uma série de novos trabalhos vindos do outro lado do Atlântico sobre o tema das "Seitas"
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Chegou em 2010 numa altura que Portugal recebeu o decadente representante da Seita Seminal - a que criou as estruturas repressoras mais complexas da História da Humanidade. O Papa Rammstein fez de Portugal o seu penico católico e os portugueses nem piaram. Fecharam a Baixa Lisboeta para ele poder mijar disparates e o Estado português subserviente e salazarista deixou os seus Ministérios serem fechados, bem como escolas, universidades, bibliotecas e tudo o que é "seu" e ainda mandou rebocar carros para que o Papa Mais Feio de Sempre ("por cada pecado cometido, uma ruga te marcará a cara", como está escrito na Bíblia Sagrada!) possa sujar as nossas ruas com a sua legião de beatas pestilentas
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A única hipótese de salvar o país seria se o Representante Máximo do Porco Nazareno tivesse trazido a Peste Negra que lhe deve estar naqueles genes de Rato Negro e dizimasse todos os tontos que lhe cortejam. Mas o Universo é injusto e cruel e isso não acontecerá...

Restou-nos publicar o Seitan Seitan Scum
...
Depois de mil atribulações, em que os editores do projecto já achavam que haveria uma Cabala contra o livro, conseguimos reunir ilustrações (muitas) e BD's (poucas) dos portugueses Bruno Borges, Pepedelrey, Filipe Abranches, Pedro Zamith (capa), Mulher-Bala, Jorge Coelho, André Lemos, José Feitor, João Maio Pinto, Daniel Lopes, João Tércio, Ricardo Cabral, e ainda cartuns de Silas - a representar a ala Protestante, bem como o Panque Roque do Senhor (ele pertence à banda Pontos Negros e outros projectos FlorCaveira)
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Do Brasil surgiram muitas propostas de bd vindas dos colectivos mais dinámicos do momento como o pessoal das revistas Prego (Chico Fêlix, Guido Imbroisi e Alex Vieira) e Samba (Gabriel Mesquita, Gabriel Góes e LTG), e do colectivo Pégassus Alado representados por Biú, Roberta Ramos e Stevz, e que nos visitaram em 2008 no evento Brucutumia. Também temos o Fábio Zimbres - excelente grafista e responsável pela extinta mas muito influente revista Animal - que desenhou uma história de Marte (Loverboy, NM), argumento escrito para outro projecto frustrado
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Por fim, temos ainda o norte-americano satânico-que-baste e polémico Mike Diana que numa BD decide homenagear a banda portuguesa industrialita Bizarra Locomotiva! Os originais, aliás, já tinham sido apresentados no evento Furacão Mitra, em Dezembro de 2008 na sua visita papesca, e nunca chegamos a perceber porquê a razão de tal coisa... aliás, não se percebe nada deste livro!
Amén!
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60p A4 a cores. edição brochada.
ISBN: 978-989-8363-00-8.
co-edição El Pep e Chili Com Carne
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Historial: lançamento a 20 de Maio 2010 na loja Trem Azul / Chiado After Work com a presença de alguns dos autores ... 3º prémio do Slowcomics Best Fanzine 2010 pela Fundação Franco Fossati (Itália) 
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Feedback: uma excelente antologia de histórias em quadrinhos, colagens, cartuns e ilustrações que falam – ou emitem pensamentos telepáticos – sobre as mazelas das religiões como um todo – ou como a própria contra capa resume, descrença secular. Nada recomendado para os de fraco estômago e os mais ortodoxos. Amém. Pula Pirata ...
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exemplos de trabalhos (Stevz, Mulher-Bala, Mike Diana e Daniel Lopes):

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MESINHA de CABECEIRA POPULAR #200 / ESGOTADO

a continuação do zine CriCa Ilustrada, ou se preferirem do Mesinha de Cabeceira foi lançada na 5ª Feira Laica (Dez'06) / Mesinha de Cabeceira Popular (Popular Bedside Table) comix-zine is out!!!
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formato e número de páginas (lombada de livro) / format and number of pages : 21 x 26 cm, 72p
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o tema é a "cultura pop" / the theme is "pop culture"
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o objectivo é fazer uma reflexão sobre a cultura popular: ícones, mediatização, globalização / we want to do a reflection about the pop culture: icons, mass media, globalization..
línguas oficiais: português e inglês / official languages: Portuguese and English..

colaboradores / contributors: Eric Braün, Claudio Parentela, Jano, Jakob Klemencic, Brian Chippendale, Stijn Gisquiere, Nuno Pereira, Filipe Abranches, Dalibor, Katharina Hausladen & Dice Industries, Tommi Musturi, João Chambel, André Lemos, João Maio Pinto, Pedro Zamith, S.G. & José Feitor, Monia Nilsen, Nuno Duarte & Pepedelrey, Joana Figueiredo e Marte & Jorge Coelho
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apoio / support: Instituto Português de Juventude
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feedback: MdC deu passinhos curtos e devagarinho, mas não deixou de os dar. E como um pesado dinossauro, quando dá uma dentada, ela é valente e deixa marca (...) apresentando um programa “curatorial”, uma vez que o editor convidou os autores a se pronunciarem sobre a noção de “popular”, apresentam-se aqui as mais díspares vozes e perspectivas sobre o que de mais normalizado nos pauta a vida (...) um novo passo para a consolidação deste como um dos melhores zines ou revistas de bd da actualidade em Portugal - Pedro Moura / Ler BD

há a considerar a elevada qualidade gráfica do objecto artístico de recente realização, e do numeroso grupo de prestigiados colaboradores nacionais e alguns estrangeiros - Geraldes Lino / Fanzines de Banda Desenhada

MdC tem-se vindo a afirmar como um espaço privilegiado de divulgação do meio bd underground, de Portugal e não só, e cada novo volume tem elevado bastante a fasquia da qualidade. Este tomo popular, talvez o mais bem conseguido das MdC’s, representa o que de melhor se vai fazendo na bd portuguesa e já vai sendo altura – tanto do projecto como dos seus autores – de terem outro nível de exposição - Ricardo Amorim / Entulho Informativo

Para os amantes da bd a revista Mesinha de Cabeceira representa quase um espécie de "Bíblia" (...) sempre foi uma espécie de revista mutante - Umbigo

Se há algo que consegue transmitir na perfeição o espírito tresloucado que anima as 70 páginas de Mesinha de Cabeceira Popular#200, edição dedicada ao tema “Pop”, são as intrigantes ilustrações nos versos da capa e contracapa, assinadas por Nuno Pereira: estes Monstros Modernos parecem embriões dos Novos Deuses imaginados por Neil Gaiman em American Gods: os deuses do hiper-consumo (na terminologia de Gilles Lipovetsky) e da tecnologia. Na realidade, faz sentido a tecnologia ser endeusada, visto que, ao contrário da ciência, na qual ela se suporta, vive da adulação, da “busca espiritual” de quem compra. Um culto da compra cujo evangelho é a “Popblicidade”. O MdC Popular#200 é um excelente compêndio de bd's e ilustrações esgrouviadíssimas que satirizam excessos e tiques da Pop Art. Os trabalhos de João Maio Pinto, Marte & Jorge Coelho e Monia Nilsen são, na minha opinião, os mais sólidos, mas como ficar indiferente à musicalidade de um título como “Gang-Raped by Dolphins” ou ao sentimento de absurdo montypythoniano que atravessa as pranchas de Nuno Duarte e Pepedelrey? Ah! Já vos disse que Jacob Klemencic desenhou um velhote mal-humorado com um barrete de lã igualzinho ao capacete do Astérix numa galeria de sósias feiosos de personagens famosas? Digam lá se o “Pato Donald” não parece mesmo o Thomas Pynchon…Trata-se de uma edição feita com bom gosto paranóico pela Chili Com Carne, responsável por algumas das mais arrojadas experiências visuais que se podem encontrar neste preciso momento nas livrarias. 4,6 - David Soares


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Milhões de Pilas

Correu bem melhor do que se estava à espera... ou então, não! O público do Milhões de Festa não é o mesmo público-escumalha da Zambujeira ou o público-pseudo-alternativo dos outros festivais grandes de Rock. E compraram montes de livros, zines e discos,... A aposta foi ganha, se calhar nem havia uma aposta para fazer!

Chegamos na Sexta-Feira e ainda vimos esse monstro dançante Otto Von Schirach que compensou tudo antes e depois do festival. Quem não o conhece e dança a música deste tipo é parvo e merece morrer!!! Ainda houve nessa noite bandas revivalistas para todos os gostos sendo o melhor momento no meio disso o encontro em palco das duas bandas míticas lá da terra de Barcelos, os La La La Resonance (ex-membros dos The Astonishing Urbana Fall, uma das poucas boas coisas que aconteceram em Portugal nos anos 90) e os Black Bombaim. Foi uma espécie de "jam ensaiado" intergeracional porreiro que ao menos não soava a mofo ou a retro. Otto arrasou e não haverá mais nada de memorável dessa noite.

No Sábado à tarde, montamos as mesas perto do palco Taina, gerido pela Dedos Biónicos, e obtivemos um excelente contacto com o público. Um público que era pendular entre o Taina e o palco da Piscina - que não visitamos porque não podiamos deixar o posto,  perdendo assim o grande "ex-libris" do Milhões e pior ainda, os Surya Exp Duo. A música no Taina pareceu a mais coerente do Festival porque focava em Rock e em Rock apenas, algum mais prá esquerda do cérebro outro mais convencional. Por exemplo, foi fixe ver que os Quartet of Woath são bons ao vivo apesar de serem insuportavelmente limpinhos em disco.

Barcelos pareceu ser uma cidade simpático e realmente o Milhões merece o estatuto do festival mais "cool" do país. O nível de stress é zero mesmo quando nos recintos estamos cercados por seguranças com pinta de militares frustrados - eles queriam era estar a defender-nos de Espanha ou de Marrocos (ou da Alemanha Nazi-Kapital) mas não... têm de ficar ali a aturar malta e a ouvir a batucada voodoo dos HHY & The Macumbas! Pobres diabos!

Por falar nisso, esta banda do Porto foi o melhor que aconteceu na programação mal enjorcada de Sábado, em que o pior de tudo foi a quebra total que um tal Dam Mantle trouxe. Man! Ibiza às 22h? Enganei-me no festival? Onde estão as gajas de saltos-altos bêbadas prontas para serem violadas por gajos de camisas brancas de alças? Vai haver "racing" daqui um bocado? Fuck!!! Que enorme monte de esterco! Felizmente houve EyeHateGod nessa noite, os seminais Sludgers! Embora, novamente essa noite tenha sido um suplício para passá-la, incluíndo a banda do camarada João Maio Pinto, baixista nos Loosers - banda que mais uma vez mudou de estilo e forma e tudo mais. Além do nosso querido ilustrador, parece que fazem parte da banda uma figurinha negra mítica qualquer (falaram-me que esteve metido com os Funkadelic?) e o Fernando Cunha dos Relfins e Desistência (?). Tudo chato nessa noite, sabe-se lá porquê... Acho que foi mesmo falta de tomates para colocar os nacionais Macumbas a tocarem à noite e não às 20h com quase ninguém no recinto. Os Macumbas estavam bem oleados, com pica para bater em congas e afins e teriam dado boas alucinações a quem já estivesse nos estados narco-qualquer-coisa habituais nesta vida de festivais de verão. Teriamos tido fantásticos pesadelos com os tipos se tivesse acabado a noite com as batucadas e Dub deste colectivo de simpáticos "weirdos".

Por causa de nulidades como Octa Push tivemos de beber imenso para ir prá tenda para encontrar um Domingo cinzento, chuvoso, que insistia no mau-tempo e que não nos deixou montar a banca porque, como bem sabem, livros e água não combinam em nada. E com isto nem livros nem Jibóia Experience que prometia ser algo nessa noite. Voltamos para casa, a pensar que Deus ficou chateado com os EyeHateGod...


O mercado de edições independentes que organizamos até teve novidades editoriais. O primeiro e simultaneamente era lançado na inauguração da excelente exposição Lixo Futuro, é o Musclechoo, vol. 1 (Ruru Comix; 2013) do Rudolfo. Quem se lembra do primeiro número desta coisa? E porque não é o número dois? Deve ser cena de putos... E é mesmo, a personagem é um misto teenage-wet-dream de Rambo e Picatchu - quem adulto gostaria de ver os dois num só? Diversão pura de javardar com a cultura Pop, Muschechoo é feito em cima do joelho embora a lambideza de Rudolfo comece a aparecer a meio deste novo volume. Excelente produção esta edição! E adivinhem porque chamei este "post" de "milhões de pilas"? Só lendo!  Encomendem antes que esgote!


E se o Rudolfo estava no Porto, apareceu-nos o Artur Escarlate com dois mini-zines seus, o Portátil / Volátil (cheio de vaginas) e o Segredo (cheio de... pilas!)... Porquê? Não faço mínima ideia, e tenho "mix fellings" sobre isto... Por um lado desenhos de orgãos genitais parece nos dias de hoje um tema tão chocante ou importante como desenhar elefantes ou ganchos de cabelos mas sobretudo é que sabe a pouco, duas ou três páginas A4 dobradas a fazerem A6, presas com elásticos fazem os zines. Truque engenhoso que nos obriga a abrir cada folha para descobrir cartazes pouco interessantes. Aliás, graficamente, os zines são podres (sujos) a dar uma ar amador de virgem embora Escarlate (é o verdadeiro nome do autor?) dê a entender que é um garanhão da tinta, a julgar pelos seus sítios em linha. O resultado é xoninhas com ou sem xoxotas. Porquê? (porquê? tudo)

 Por fim é de referir a K7 - desculpem, split-k7!!! - de Cangarra e dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS. Edição deste ano pela A Giant Fern, apesar de estar anunciado a um ano prá Feira Laica, só agora saiu em Julho. São 15 minutos para cada lado, para cada uma destas duas bandas mais activas do Noise Rock português. É curioso que são duas bandas bastante diferentes, em parte por causa do seu número de elementos. Os 2sci são mutantes, acho que só há dois elementos que estão "sempre lá" (nos milhares de concertos e nos registos áudio) mas nesta k7 aparecem com mais cinco músicos. A banda toda ela é nervosinha e volátil, quase nipónica e perto da demência, ao contrário de Cangarra que é um duo estável e racional, guitarra e bateria (a cargo do nosso Ricardo Martins) que preferem um psicadélico paisagistico cheio de detalhes para descobrir. Duas bandas, uma prá orgia, outra prá nicotina pós-coito, pelos vistos. Ah! o "artwork" da K7 foi feito pelo Ricardo e pela Margarida Borges, e impresso em risografia, a impressão que molha os designers dos dias de hoje com menos de 30 anos...

domingo, 8 de julho de 2012

Somos sempre os últimos a saber...



Não sabiamos destes vídeos do Crack 2009 , descobrimos agora... Aqui está a terceira parte dedicada à visita da Chili Com Carne ao evento com o João Maio Pinto  a servir de  e a revelar o seu fascínio pelos... Whitesnake!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MASSIVE... ESGOTADO!



Este volume 8 da Colecção CCC mantêm as regras que têm pautado as edições da Chili Com Carne: um programa orgânico pela publicação de obras fragmentadas e o gosto entesado pelo Apocalipse.
O objecto refinado e luxuoso enfrenta, no entanto, vários perigos - não tem um editorial nem uma carta de intenções, os mais de 60 desenhadores europeus e americanos são dispostos em 100 páginas coloridas sem os podermos identificar... O "maciço" é Peso-Médio de desenho "non-stop" em sequência que nos transportam para leituras narrativas. É bruto mas com diversidade estética. Se quiser saber do que se trata este livro é preciso tirar a (sobre)capa e aceder às "letras" do mesmo, é lá que encontrará a ficha técnica e o índice dos trabalhos.
Mas e se perder a sobrecapa? Sendo a sobrecapa possível de se transformar num póster irá colocá-la numa parede? Se o colocar na parede, deixará no conforto do seu lar um livro descarnado e protegido apenas em cartolinas pretas? E quando a parede cair depois da onda de choque da bomba atómica que explodiu a 12 km da sua casa? Acha que os sobreviventes (se houver) irão entender as autorias deste artefecto cultural anónimo?
«Quem desenhou isto?» irão perguntar... Talvez não, talvez a radiação tenha comido a língua e a fala. Talvez o desenho venha a ser a única linguagem depois do Fim! - Axima Bruta dixit
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Projecto dirigido por Margarida Borges, Marcos Farrajota, Jucifer e Ricardo Martins, e Ideia original: Hülülülü; Design / Capa: Bráulio Amado; Edição: Associação Chili Com Carne. Apoio: Instituto Português de Juventude. ISBN: 978-989-95447-7-2; 104 p. em papel colorido, sobrecapa desdobrável a cores; 500 exemplares
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participantes: Adrien Fregosi, João Sequeira, Anna Ehrlemark, Daniel Moreira, André Lemos, Craig Atkinson, Fábio Santos, Gaiihin Gobulgœme, Jean Pierre, Serge Onnen, Stephane Prigent, Carletti L. Traviesa, Jaan Maldur, Alex Gozblau, Alex Vieira, João Maio Pinto, Arturas Rozkovas, Alberto Corradi, Marta Monteiro, Tommi Musturi, Marco Moreira, Stevz, Ludmilla Bartscht, Zeke Clough, Afonso Ferreira, Lili Loge, Anna Bas Backer, Braulio Amado, João Fazenda, Warren Craghead III, Pepedelrey, Bruno Escoval, Daniel Lima, António Jorge Gonçalves, Tanxxx, Claudia Guerreiro, Margarida Borges, Ricardo Martins, Massimiliano Bomba, Manuel Donada, José Feitor, Chanic, Rita Hermínio, Pedro Franz, Marion Balac, MP5, Nevada Hill, Ilan Manouach, Rui Vitorino Santos, João Chambel, Filipe Abranches, Cátia Serrão, Manu Grinon, Milos, Remi Cram, Natalia Umpiérrez, Marto, Ward Zwart, André Coelho, Haz, Jucifer, Sofia Mestre e Pilas
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Historial: lançado na inauguração da exposição O Último Fósforo ... o livro da CCC que esgotou em tempo recorde (Jan'10/ Jul'11) ... Nomeado para Melhor Publicação Técnica (!?) para os Troféus Central Comics 2011
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Feedback : the MASSIVE book is a amazing collection!!! And you did a very good choreography. Ulli Lust ... Like especially that you printed it on colorful paper and the cover is super beautiful! Great Job!!! Kuš! estive com o vosso MASSIVE nas mãos, está mesmo fantástico, foi das melhores coisas que vi nos últimos tempos. Parabéns pelo grande trabalho. Plana Press Mais de 60 artistas de todo o mundo responderam ao desafio: desenhar. Fazê-lo sem tema, de olhos vendados, sem direcção - pelo menos aparente - ou tomando como mote o Apocalipse, temática já por si aberta e abrangente. O fim como princípio para um livro cuja única carta para a sua navegação, o verso da fantástica sobrecapa, é um híbrido que poderá tomar a forma de um poster. Restam-nos 104 páginas de desenho nonstop, bloco denso dividido em cadernos coloridos, explosão gráfica diversificada na abordagem, estranhamente coesa e homogénea no resultado final. Flur Massive recorda também outro tipo de referências musicais, o dub... como ele, a remistura, a fragmentariedade, a devolução alterada parece presidir a este junção Ler BD Sem querer pensas em Hyeronimus Bosch do longe passádo século XVI: os psicadélicos jardins paradisíacos dele, cheios de seres, vindos de algures das profundezas do subconsciente. Apocalipse, claro! Inundação do Universo, fim do mundo! O caos não precisa da lógica, as páginas constroem uma sequência narrativa sem o começo e sem o fim. Não precisa deles. E da maneira como seguimos as páginas, nas próprias páginas seguimos os pormenores: as pequenas apocalipses constrõem um grande Bum. Kaja Avberšek in Stripburger Una de las cosas que más agrada al encontrar fanzines y otras publicaciones autoeditadas, es sorprenderse con la creatividad a la hora de diseñar el artefacto. Con MASSIVE, una antología de ilustración de Chili Com Carne, tenemos un ejemplo claro de que no es necesario demasiados recursos si se tiene ingenio para editar y criterio para seleccionar el contenido. ¡Buen gusto! (...) Todo este color contrasta completamente con el contenido de la publicación: una ilustración oscura que hace culto a la carne, y que va del trash y el brutart al expresionismo y a un naif perverso y malintensionado. Martin in Bolido de Fuego