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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Zines da Alegria

Sempre fixe a Feira da Alegria, faz jus ao nome com os jardins das Belas Artes do Porto ocupados por centenas de mesas cheias de arte e edições. Arejada e boa onda, lembra-me dos bons tempos das Laicas de Verão...

O Borrão continua a sua marcha mensal com as BDs mais "artsy-fartsy" do burgo... um luxo para quem gosta de BD de forma expansiva... e barata! Destaques para a BD no #3 de Emília Silva que mostra que os seres humanos em 2026 estão todos f*did*s e que fazer BDs (narrativas) curtas é um ofício delicado, que bem aplicado pode ser brutal - parabéns à autora. E já agora curiosa participação de Mariana Roma com uma peça bem suja sobre a cromice da BD. No número quatro as miúdas chamaram nitidamente os peso-pesados Lucas Almeida e José Feitor para meter os putos na ordem! 

Antologia Creepypasta : 4 anos do Freddy do Mal (TKB Barracks; 2026) é um fanzine literário que reúne os melhores contos de "creepypastas" (termo usado para designar contos de terror tipo à volta da fogueira mas como os jovens deste milénio não saem de casa conta-se na internet) do Freddy do Mal. Ainda estou para perceber a pertinência e a qualidade disto mas teve piada entrar em mais uma sub-cultura. Yá, é de maneira que me sinto menos velho, topas? Da mesma editora apanhei o Abelha Man d'O Marechal, um mini-zine que nos ensina bué sobre o mundo das abelhas!! Para fãs de Calpurnio (1959-2022) ou Mike Diana.

Por fim, quem curte ganzas pode a partir de agora ter um artista gráfico da sua preferência para os filtros.

domingo, 4 de maio de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (5)

 


Não é o primeiro livro e se calhar não vai ser o último que a 50 Watts edita sob o desígnio Anthropmorphic Japan com a colaboração do Samplerman numa dúzia de colagens psicadélicas como só ele saber fazer. Estes livros reúnem imagens de forma temática sacadas até aos anos 60 (por causa de Direitos de Autor suponho eu) numa verdadeira orgia em que percebemos porque o "Ocidente" realmente abriu e abre ainda a boca à cultura gráfica japonesa, ao ponto de terem influencido as vanguardas artísticas europeias no século XX e a miudagem no século XXI. Este volume que consegui é um especial sobre sapos, The Frogs (2024). É raro eu comprar um livro que seja só gráfico mas é impossível não ficar atraído pelas cores, imaginário e impressão (entretanto com uma patine de vintage em cima), enfim, toda uma qualidade de tirar o fôlego. Os batráquios ainda são misturados pelo Samplerman que sempre acrescenta uma contemporaneidade à coisa. Em Portugal creio que o livro pode ser pedido aqui.

Até o último dos moicanos se rende à merda do "intagrana" e é por isso não tenho uma imagem para vos mostrar do terceiro volume de Fosso (Imprensa Canalha; 2025) de José Feitor. A5 e capa em serigrafia, avança com grande pinta por um discurso desbragado contestatário antisistema que tem algo de louco de Art Brut senão soubesse que o Feitor tem canudo e os funcionalismos todos para pagar os seus impostos e coimas. No fundo há algo de crise da meia-idade em que se quer mandar tudo para o caralho mas falta a crença. "Renovado exercício de militância redundante" escreve na ficha técnica o autoconsciente autor/editor. Que seja exercício e redundante, agora que toda a animália e calhaus do poder estão em alta. Puro deslumbre gráfico, a gente paga por isto!


Animais mesmo são estes tais de DJ Divinal e MC Primitivo que se estreiam com a k7 Destino Hipérborea (Rasga + Rotten \ Fresh; 2025)! Animais niilistas que sabem da sua impotência para mudar o mundinho e preferem estrategicamente acelerar, ir em frente com força para bater contra o muro, espatifando tudo. Ficarão os restos mortais. Devia ser Favela Funk mas facilmente estes boémios entram em Gabber, glitch, fake samples, noise pobreta, electro-metal onde Death Grips largou as botas, tudo num estilo cartoon que será acusado de apropriação cultural e o catano pelo woke-nation. Quisifodam, está aqui mais um passo à frente para o abismo da Humanidade nem que seja porque faz iconoclastia do Tintin!

domingo, 12 de janeiro de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (1?)

Aparentemente o pessoal cagou prá minha sugestão de passar a escrever mensalmente sobre edições que não conseguem entrar n'A Batalha - ou por falta de periocidade em que se encontra o jornal ou por alguns dos objectos não fazerem sentido numa publicação anarquista. 

O certo é que Dabstep dos Greengo já é de 2018 mas só agora é que arranjei uma cópia do CD, editado pela Raging Planet. Apesar de fazerem parte dois terços dos "nossos" Krypto, só agora dei-me ao trabalho - uma aparelhagem à séria ajuda imenso - de ouvir isto com a seriedade que merece. Seriedade!? Má escolha de palavra nem que seja porque todas as imagens do disco são sobre erva - sim, aquela que tem THC - chegando ao cúmulo que a versão CD (existe também um LP) tem um recorte em cartolina da "planta maldita". Som pesadão na senda do Stoner que esteve tão em voga no pré-covid, ali onde Sleep largou as botas para os punks. É incrível o que um baixo + bateria fazem - e uma voz (já agora) que não sendo nada de especial, é funcional para o "género"... obviamente  que a união com Gon para se transformarem em Krypto fez uma diferença brutal nesse nível (e nos concertos ao vivo). Sim, para simplificar isto é música brutal para ganzados...

Só faltam agora o fanzine e o livro. 

Sendo as diferenças ténues nos dias que correm nem sei muito bem por qual começar. Pode ser este Bonança (Imprensa Canalha; 2024) de José Feitor - autor/editor que já sofre de preguiça digital a julgar pelo abandono do blogspot em preferência ao instagram... Ou será puro aceleracionismo? 

Belo A4 todo DIY, ainda tem a ousadia de fazer 150 exemplares num mundinho chato o nosso em que o pessoal faz tiragens tão caganitas e cheios de cagufa.

Com uma prosa tão deliciosa como esta: Até os mais pobres vivem agora melhor que os ricos de antanho - a comida é-lhes entregue à porta, ainda fumegante, por mensageiros de fraque emprestado que se deslocam em traquitanas rocinantes. (...) Não há luta de classes que resista. É complicado saber por onde começar a escrever sobre este livro de autor (zine?). Visualmente Feitor está em modo de "bonança" (aproveitando o título), sempre imaginativo, com fusões gráficas inesperadas e cada imagem produzida é uma fofura de opressão - que dizer daquele giríssimo Yeti capitalista (o chapéu do capitalista representado à 100 anos) com uma corrente e cadeado? É um banqueiro que nos vêm prender prá vida com um empréstimo a contrair? Que seja! Ele é bem giro para ampliar e meter numa parede lá em casa. A melhor opressão é aquela que não sentimos já alguém o deve ter dito... 



UFOs in Lahti
(Auto-edição, 2024) de Marko Turunen é a colectânea dos quatro "comic-books" do que aqui escrevi há mais de 10 anos! O tempo passa... 
 
Roubo a mim mesmo o que escrevi sobre ele n'A Batalha: O Xeique PHDA do finlandês Marko Turunen foi um dos livros de BD mais impressionantes e dos mais ignorados do ano passado. Pessoal da BD esquece, tudo parvo como sempre. Pessoal da psicologia & psiquiatria, também nickes, se calhar só sabem ler bulas médicas… Bem sei que como editor deveria estar caladinho em lágrimas mas chateia-me que (...) não ligaram pevas à coisa. Que raiva! Mas o problema nem é só português, a obra de Turunen existe quase toda publicada em francês pela Fremok e ninguém quer saber. Mesmo na Finlândia, o autor queixa-se que lhe ignorem. Bóf!
 
Entretanto Turunen meteu em marcha um plano de reedição em inglês de quase todos os seus livros. Deve pensar que o mundo anglo-saxónico seja mais aberto, ou que esta língua franca ajude a chegar a mais público. (...) Para quem não sabe Turunen faz BDs sobre a realidade, da sua vidinha ou de outros à sua volta, o que é inesperado na sua obra é o imaginário, em que desenha essas banalidades com representações da cultura Pop. Por isso Marko é o “Alien”, um ET baixote com buraco na cabeça (uma vez que Turunen quando era criança foi atingido por uma bala) e Annemari é a Greater Woman (uma espécie de super-heróina toda em latex fetichista S/M - e que gralhas no passado, e que persistem nesta edição também, aparece como Grater Woman, o que me levou a escrever algumas vezes como "Mulher Raspadora", ops!). Como uma crónica disfuncional, vamos assistindo à vida do casal, (...) As banalidades ganham pujança existencial com o lixo Pop que Turunen utiliza para ilustrar estes “slices-of-life”. Uma poesia emerge desta lixeira que parece quase uma afronta aos detourments dos Situacionistas que usavam a BD pop para mostrar a miséria da vida capitalista. Algumas destas reedições em inglês foram mexidas – supressão ou acrescento de vinhetas, algumas foram agora publicadas a cores ou justamente o contrário, aparecem a preto e branco quando eram originalmente a cores. Porquê? Pouco importa para vocês, nunca souberam da existência deste autor, né? Para quê entrar em detalhes agora? Oh, lembrei-me que ele já cá esteve duas vezes com belas exposições, no Salão Lisboa 2005 e na Tinta nos Nervos em 2023. Os livros do autor podem ser encomendados no seu sítio em linha superturunen.fi (com portes horríveis porque os correios finlandeses foram privatizados) ou em Portugal pela livraria Tinta nos Nervos.

Ufa, foi mais fácil que pareceu, prometo ser menos preguiçoso em Fevereiro...

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

ccc@raia.7

 


cartaz da Matilde Feitor, a chavala da Bancar0ta - e a verdadeira fundadora da Feira Laica (2004-12)

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Pretty Good Year


2019 was a Pretty Good Year for Chili Com Carne collective. 
We're fighting against all Portuguese garbage market and winning international recognition!
Here they go:

1) José Smith Vargas long awaited graphic novel about Lisbon gentrification had one chapter published in the important Italian Internazionale magazine - a special issue about Lisbon. Published full color it discuss about Martim Moniz plaza, built on public shame & corruption!

2) Short story A Day by Mariana Pita is the first Portuguese comix ever published in the Very Important Fantagraphics Books - taken from Outside with the cuties (co-published with O Panda Gordo, in 2017), it was published in their "zeitgeisted" magazine Now #6!!

3) Canadian TRIP anthology made a special Portuguese issue (number 10) that included brand new comix by some of our best artists, that is: Gonçalo Duarte, Francisco Sousa Lobo, Cátia Serrão, Mariana Pita, Tiago Baptista, Hétamoé, Daniel Lima, Bruno Borges and Xavier Almeida. Cover was done by José Feitor and an introduction text was written by Sara Figueiredo Costa. DGLAB gave support for this fat book!

4) Graphic Novel The Care of Birds by Francisco Sousa Lobo was finally published in Spain by Reservoir Books (Penguin Random House) after such good critic reviews by the likes such as Paul Gravett. Synopsis: "Peter Hickey is to paedophiles what birdwatchers are to hunters". Peter Hickey dixit. What is meant by this oblique statement is the crux of this graphic novel. Peter Hickey is a godless catholic perv. Peter hickey has a saint syndrome.

5 + 6) ПИКАЧОК: Истории из жизни. Козырь means Musclechoo - Side Story File 001 - Trump Card in Russian! Bloody fucking Rambo and Pikachu mash-up creation by Rudolfo saw Cyrillic second life with a regular edition and one special edition! How the hell this happens!? Crazy Comfed crew done it! Eat shit, Bob!

Also The Care of Birds will be published in France by Rackham and we're dealing with Kassumai by David Campos - about his Guinea Bissau NGO experience - for Poland. AND, our sister-label-soon-to-die MMMNNNRRRG will have W.C. by Marriette Tosel in Colombia. But all this will be in 2020! We'll have to wait!!

Thank you to all that help us to make this possible, you know who you are!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

"a" maiúsculo com círculo à volta de Rui Eduardo Paes --- ESGOTADO --- PDF grátis em linha


Muitas vezes, e não em poucos casos abusivamente, o punk foi/ é identificado com o anarquismo. Em outra área, são habituais as analogias da chamada "livre-improvisação" com os princípios libertários, mesmo quando quem toca são músicos com perspectivas políticas e sociais influenciadas por correntes marxistas como o trotzkismo e o maoísmo. Seja como for, há mais conexões entre Música e Anarquia do que aquelas que se supõe. Um contributo para o seu desvelamento, tanto quanto para a desmitificação de algumas ideias feitas, está neste novo livro de Rui Eduardo Paes, o segundo do autor na colecção THISCOvery CCChannel, depois de Bestiário Ilustríssimo.

O livro de Rui Eduardo Paes relaciona as músicas de hoje (jazz, improvisação, pop-rock, noise, electrónica experimental, música contemporânea) com as novas tendências do pensamento libertário, descobrindo analogias mas também desmistificando ideias feitas. Daniel Carter, Lê Quan Ninh, John Cage, Fela Kuti, Frank Zappa, Thom York (Radiohead) e Nicolas Collins são algumas das figuras retratadas pela escrita analítica e de dimensão filosófica, mas não raro com humor e alcance provocatório, do ensaísta e editor da revista “online” jazz.pt. Entre os temas percorridos ao longo dos 10 capítulos amplamente ilustrados estão o ocultismo, a espiritualidade, a ciência, a ficção científica, a tecnologia, o amor e o sexo, com referência a autores como Robert Anton Wilson, Hakim Bey, Murray Bookchin, Starhawk e Ursula K. Le Guin.

A
O livro é ilustrado por vários artistas da Associação Chili Com Carne: Joana Pires, Marcos Farrajota, André Coelho, Jucifer, Bráulio Amado (acumulando o cargo de Designer do livro), José Feitor, David Campos, Daniel Lopes, André Lemos, João Chambel e Ana Menezes.

A
Edição da Chili Com Carne e Thisco
80p p/b; 16,5x22cm
ISBN: 978-989-8363-21-3


ESGOTADO - com PDF em linha talvez ainda esteja à venda na Flur, Letra Livre, Matéria Prima, Utopia, Fábrica Features, Louie Louie do Porto, Apop Shop, Tortuga (Disgraça) e Sirigaita.

A
Historial : lançado em 29 de Maio de 2013, na Trem Azul, Lisboa, com a participação do escritor Rafael Dionísio e do músico Paulo Chagas, seguido de concerto de Shameful Iguana [Luís Lopes: guitarra eléctrica; Hernâni Faustino: baixo eléctrico; Marco Franco: bateria] ...

A
Sobre o autor: Com quase 30 anos de actividade repartida entre o jornalismo cultural, a crítica de música e o ensaísmo teórico, Rui Eduardo Paes é autor de vários livros sobre as músicas criativas. É o editor do site jazz.pt, membro da direcção da associação Granular e autor dos press releases da editora discográfica Clean Feed. Foi um dos fundadores da Bolsa Ernesto de Sousa. Assessorou a direcção do Serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian e integrou o júri do concurso de apoios sustentados do Instituto das Artes / Ministério da Cultura para o quadriénio 2005-2008.

A
os textos estão soberbos e o trabalho gráfico ficou excelente! parabéns a quem concebeu e materializou este objecto literário-gráfico-musical absolutamente único! António Branco 
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novo livro traz é que o ponto de vista essencial é o ponto de vista político associado às manifestações estéticas contemporâneas. O título é, de resto, todo um programa de intenções: "A" Maiúsculo Com Círculo à Volta". O anarquismo histórico e as suas formas libertárias de expressão são intercaladas, pelo autor, com múltiplas abordagens a músicos, escritores, cientistas ou artistas multimédia. Um livro que, uma vez mais, prova que o autor rejeita o conformismo de pensamento e ousa analisar novas abordagens, novas relações, novos pontos de vista sobres os fenómenos artístico-culturais-sociais-filosóficos do mundo contemporâneo (...) relaciona as músicas de hoje (jazz, improvisação, pop-rock, noise, electrónica experimental, música contemporânea) com as novas tendências do pensamento libertário, descobrindo analogias mas também desmistificando ideias feitas. Entre os temas percorridos ao longo dos 10 capítulos amplamente ilustrados estão o ocultismo, a espiritualidade, a ciência, a ficção científica, a tecnologia, o amor e o sexo, com referência a autores como Robert Anton Wilson, Hakim Bey ou Murray Bookchin Kubik in O homem que sabia demasiado
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Dando sequência a uma consistente abordagem político-musicológica, por vezes fraturante e polémica, REP continua a revelar neste novo conjunto de reflexões a lucidez intelectual, a densidade de análise e o rigor enciclopédico que sempre caracterizaram a sua escrita. António Branco in Jazz.pt 
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4 estrelas (em 5) in Público 
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Atenção, isto não é apenas um livro: é um perigoso "cocktail molotov" para o cérebro. E, já agora, também para os ouvidos. Nuno Catarino in Ípsilon / Público 
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ambicioso, extraordinariamente documentado, e uma porta perfeita para teses de maior valor intelectual. Bons Encontros 
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 No abandonando su sentido del humor, desde la espiritualidad, el sexo, el amor, el ocultismo a temas más de actualidad, la ficción científica, la nueva tecnología (...) Oro Molido





segunda-feira, 22 de maio de 2017

O Presidente Drógado apresenta Quatro Dramas de Faca e Alguidar



Este Sábado que passou, finalmente saiu um disco - um vinilo 12" gravado de um só lado - que marca não só o regresso da saudosa Imprensa Canalha como o do Presidente Drógado a edições decentes, isto para quem tem feito uma carreira fonográfica de CD-Rs pobrezitos (excepção prá edição da Burning Desire). Escrevi "edições decentes"? Meus caros, esta edição é a razão porque se compra discos em vinilo.
'Tá Top! É bem capaz de ser a melhor edição em vinilo em Portugal nesta década ou milénio, já não digo melhor edição fonográfica porque ninguém até hoje bateu as edições da Matarroa desenhadas pelo designer Chemega. Capa em serigrafia, textos explicativos da enorme saga de três anos que demorou para sair o disco - o problema principal, é que com a moda do vinilo, as fábricas de discos estão a ignorar os pedidos de editoras mais pequenas.
Baseado num caderno antigo do século XIX descoberto pelo João Bragança (Succedâneo) que contava uma estória de drama e crime, foi dado o mote para uma pequena recolha im-popular de "murder ballads" em que o Drógado é perito. As gravações vão de 2008 a 2015 e inclui excelentes participações de Patrícia Filipe (com quem partilham o projecto Come-se a Pele), Filipe Felizardo e Rita Braga - que várias vezes apareceu marciana em concertos e gravações do Drógado.
Advertência aos fãs agarrados: as músicas do Drógado neste disco são "dark" e mais trágicas que cómicas, o que poderá fazer algum choque a quem espera apanhar letras irónicas sobre o consumo de estupefacientes ou os clichés da vida contida de Rock'n'Roll deste Lou Reed de Linda-A-Velha. Há um tom de seriedade que casa com o grafismo do disco em perfeição. O simples facto de se colocar o disco na aparelhagem e ouví-lo à medida que se consulta os textos percebe-se que estamos num mundo Pop em estado de "slow food", há que apreciar isto com calma e gosto. Há o espectro "trash" que paira no disco, claro, afinal falamos de baladas populares e que até são descobertas literalmente no lixo mas é daquele "trash" que foi transformado em luxuo e será guardado para sempre nas prateleiras dos doze polegadas...
Parabéns Zé!

domingo, 25 de setembro de 2016

Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno /// ESGOTADO ... SOLD OUT


one comix collection about the WINTER (Inverno, in Portuguese) to comemorate 20 years of the zine Mesinha de Cabeceira created by Pedro Brito and Marcos Farrajota in1992
published by Chili Com Carne 
edited by Marcos Farrajota
designed by Joana Pires 
covers by José Feitor e Pedro Brito 
500 copies, 352 A6 b/w pages ALL in ENGLISH
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Antologia comemorativa dos 20 anos do zine Mesinha de Cabeceira, criado em 1992 por Pedro Brito e Marcos Farrajota.
Publicado pela Associação Chili Com Carne
Editado por Marcos Farrajota
Design por Joana Pires
capas: José Feitor e Pedro Brito
Foram impressos 500 exemplares, são 352 páginas A6 a preto e branco. todas as BDs foram redigidas em inglês.



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Com trabalhos de / comix by João Chambel, Daniel Lopes, Sílvia Rodrigues, Afonso Ferreira, Rafael Gouveia, Sara Gomes & André Coelho, José Smith Vargas, Bruno Borges, João Maio Pinto, Silas , Stevz (Brazil), Martin López Lam (Peru/ Spain), Lucas Almeida, Dice Industries (Germany), Uganda Lebre, Filipe Abranches, Tea Tauriainen (Finland), João Fazenda  and Zé Burnay.
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Apoios / support: Instituto Português do Desporto e Juventude e Trienal Desenho 2012 
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ESGOTADO / SOLD OUT - maybe still some copies at Mundo Fantasma (Porto), Neurotitan (Berlin), Lambiek (Amsterdam), LAC (Lagos), Strips & Stories (Hamburg) and Orbital (London).
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Lançamento na exposição 20 anos do Mesinha de Cabeceira, 25 de Outubro, na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa. Released 25th October at the exhibition "20 years of Mesinha de Cabeceira" at Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisbon.



 

Feedback:
dei uma olhadela na Mesinha de Cabeceira, e parabéns, gostei muito do que vi, a capa e primeiras folhas estão muito boas, assim como as ilustrações do José Feitor a fechar a publicação, com as folhas só a uma cor... 

parabenizo-te pela excelente edição! Graficamente, o conteúdo é todo excelente, com soluções muito interessantes por parte dos artistas - em especial, a história do Chambel (...) das melhores do zine. (...) Grande edição, com uma autenticidade que se sente logo de imediato, muito boas BDs, bem impresso e acabado num formato muito cativante - com as "tripas de fora", à livro setecentista, como um verdadeiro objecto contra-cultural e "bruto" como se deseja - e das tuas melhores edições, como um todo, dos últimos tempos. Dou-lhe cinco estrelas!

 Despite the theme, “Winter” (surely of many discontents but celebratory nonetheless), the stories presented are solid, readable (even if not for the faint of heart) and supported by a great variety of bold, stylised and grounded artwork. 
Pedro Moura in Paul Gravett site

Em termos gerais, o tom desta nova antologia é de facto melancólico. Não deixa de ser algo expectável construir tramas em torno de cenários apocalípticos, paisagens inóspitas ou em que se desenrolam características colhidas de variadíssimos géneros para que sejam subvertidos numa certa amoralidade. É uma espécie de celebração pelo desencanto, de que as imagens criadas por Brito e Feitor são um signo potente. Não se cantam aqui vitórias, nem se glorifica o passado, e tampouco se esperam promessas de desenvolvimentos futuros muito específicos, mas constitui-se mais um gesto editorial muito marcante de um percurso, de uma atitude e de uma certeza em relação à forma de trabalhar, cujo testemunho é a própria existência deste pequeno grande tomo.

livro magnífico (...) tem excelentes trabalhos 

Que brutalidade! (...) Capas diferentes e tudo, parece uma cena sem fim! 
Silas (Pontos Negros)

fanzine já mítico (...) que cumpriu recentemente duas décadas de vida (...) O que talvez não tenham imaginado foi o potencial que se guardava naquelas primeiras páginas, em 1992, e que haveria de desenvolver-se numa teia de colaborações, experimentalismos, abanões estéticos e narrativos de toda a espécie e a capacidade de manter uma publicação arejada e vibrante ao longo de tanto tempo. De tal modo que quem queira, hoje, conhecer o que se faz no campo da banda desenhada de autor e com poucas preocupações comerciais pode continuar a usar o MdC, e concretamente este número 23, como guia fiável. (...) uma babel de traços e estilos numa estranha e inquietante harmonia, (...) E se a coerência do conjunto não nasce do traço ou do estilo, é provável que se deva aos temas, uma radiografia nítida daquilo a que chamamos ar do tempo, com o tom apocalíptico, o peso do desperdício, a contaminação (real, nos montes de lixo que excedem da indústria de consumo e ocupam os campos, e visual, nas manchas que parecem alastrar como fungos) e uma certa ideia de no future que deve muito ao punk, mas deve ainda mais aos dias que vivemos. 

nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Obra Curta (Filipe Abranches, João Chambel, João Fazenda) e Melhor Argumento (João Fazenda) para os Prémios Central Comics 2012

Some amazing inkwork and disturbing imagery
White Buffalo Gazette

sábado, 31 de outubro de 2015

SemConsenso. Banda desenhada, ilustração e política


Inaugura no Sábado, às 16h, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, a exposição SemConsenso. Banda desenhada, ilustração e política, comissariada por Pedro Moura.

Trata-se de uma mostra de trabalhos que compreenderá banda desenhada publicada em livros, jornais, revistas, publicações de vário cariz, assim como ilustrações editoriais, cartoons, e outros objectos menos comuns que, de uma forma ou outra, “abrem um novo espaço da política” (…). É uma constelação que não tem respostas nem pretende seguir os caminhos já trilhados ou pré-preparados para a “discussão séria”. Bem pelo contrário, são colocadas muitas perguntas. 

Esta exposição contará com a presença de trabalhos dos seguintes autores, de forma mais alargada ou mais concentrada: Alice Geirinhas, Álvaro Santos, Amanda Baeza, António Jorge Gonçalves, Bruno Borges, Carlos Pinheiro, Cristina Sampaio, Daniel Seabra Lopes, João Fazenda, José Feitor, José Smith Vargas, Jucifer, Marco Mendes, Marcos Farrajota, Marriette Tosel, Miguel Carneiro, Miguel Rocha, Nuno Saraiva, Nuno Sousa, Pepedelrey, Tiago Baptista e ainda mural de Pepedelrey & André Lemos.

Jucifer e Tiago Baptista


Zona de Desconforto à mostra...
Cristina Sampaio nas casas de banho do museu

terça-feira, 22 de julho de 2014

Seitan Seitan Scum / ESGOTADO


O número #22 do zine Mesinha de Cabeceira edita trabalhos de projectos frustrados pela inércia alheia e uma série de novos trabalhos vindos do outro lado do Atlântico sobre o tema das "Seitas"
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Chegou em 2010 numa altura que Portugal recebeu o decadente representante da Seita Seminal - a que criou as estruturas repressoras mais complexas da História da Humanidade. O Papa Rammstein fez de Portugal o seu penico católico e os portugueses nem piaram. Fecharam a Baixa Lisboeta para ele poder mijar disparates e o Estado português subserviente e salazarista deixou os seus Ministérios serem fechados, bem como escolas, universidades, bibliotecas e tudo o que é "seu" e ainda mandou rebocar carros para que o Papa Mais Feio de Sempre ("por cada pecado cometido, uma ruga te marcará a cara", como está escrito na Bíblia Sagrada!) possa sujar as nossas ruas com a sua legião de beatas pestilentas
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A única hipótese de salvar o país seria se o Representante Máximo do Porco Nazareno tivesse trazido a Peste Negra que lhe deve estar naqueles genes de Rato Negro e dizimasse todos os tontos que lhe cortejam. Mas o Universo é injusto e cruel e isso não acontecerá...

Restou-nos publicar o Seitan Seitan Scum
...
Depois de mil atribulações, em que os editores do projecto já achavam que haveria uma Cabala contra o livro, conseguimos reunir ilustrações (muitas) e BD's (poucas) dos portugueses Bruno Borges, Pepedelrey, Filipe Abranches, Pedro Zamith (capa), Mulher-Bala, Jorge Coelho, André Lemos, José Feitor, João Maio Pinto, Daniel Lopes, João Tércio, Ricardo Cabral, e ainda cartuns de Silas - a representar a ala Protestante, bem como o Panque Roque do Senhor (ele pertence à banda Pontos Negros e outros projectos FlorCaveira)
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Do Brasil surgiram muitas propostas de bd vindas dos colectivos mais dinámicos do momento como o pessoal das revistas Prego (Chico Fêlix, Guido Imbroisi e Alex Vieira) e Samba (Gabriel Mesquita, Gabriel Góes e LTG), e do colectivo Pégassus Alado representados por Biú, Roberta Ramos e Stevz, e que nos visitaram em 2008 no evento Brucutumia. Também temos o Fábio Zimbres - excelente grafista e responsável pela extinta mas muito influente revista Animal - que desenhou uma história de Marte (Loverboy, NM), argumento escrito para outro projecto frustrado
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Por fim, temos ainda o norte-americano satânico-que-baste e polémico Mike Diana que numa BD decide homenagear a banda portuguesa industrialita Bizarra Locomotiva! Os originais, aliás, já tinham sido apresentados no evento Furacão Mitra, em Dezembro de 2008 na sua visita papesca, e nunca chegamos a perceber porquê a razão de tal coisa... aliás, não se percebe nada deste livro!
Amén!
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60p A4 a cores. edição brochada.
ISBN: 978-989-8363-00-8.
co-edição El Pep e Chili Com Carne
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Historial: lançamento a 20 de Maio 2010 na loja Trem Azul / Chiado After Work com a presença de alguns dos autores ... 3º prémio do Slowcomics Best Fanzine 2010 pela Fundação Franco Fossati (Itália) 
... 
Feedback: uma excelente antologia de histórias em quadrinhos, colagens, cartuns e ilustrações que falam – ou emitem pensamentos telepáticos – sobre as mazelas das religiões como um todo – ou como a própria contra capa resume, descrença secular. Nada recomendado para os de fraco estômago e os mais ortodoxos. Amém. Pula Pirata ...
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exemplos de trabalhos (Stevz, Mulher-Bala, Mike Diana e Daniel Lopes):

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MESINHA de CABECEIRA POPULAR #200 / ESGOTADO

a continuação do zine CriCa Ilustrada, ou se preferirem do Mesinha de Cabeceira foi lançada na 5ª Feira Laica (Dez'06) / Mesinha de Cabeceira Popular (Popular Bedside Table) comix-zine is out!!!
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formato e número de páginas (lombada de livro) / format and number of pages : 21 x 26 cm, 72p
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o tema é a "cultura pop" / the theme is "pop culture"
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o objectivo é fazer uma reflexão sobre a cultura popular: ícones, mediatização, globalização / we want to do a reflection about the pop culture: icons, mass media, globalization..
línguas oficiais: português e inglês / official languages: Portuguese and English..

colaboradores / contributors: Eric Braün, Claudio Parentela, Jano, Jakob Klemencic, Brian Chippendale, Stijn Gisquiere, Nuno Pereira, Filipe Abranches, Dalibor, Katharina Hausladen & Dice Industries, Tommi Musturi, João Chambel, André Lemos, João Maio Pinto, Pedro Zamith, S.G. & José Feitor, Monia Nilsen, Nuno Duarte & Pepedelrey, Joana Figueiredo e Marte & Jorge Coelho
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apoio / support: Instituto Português de Juventude
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feedback: MdC deu passinhos curtos e devagarinho, mas não deixou de os dar. E como um pesado dinossauro, quando dá uma dentada, ela é valente e deixa marca (...) apresentando um programa “curatorial”, uma vez que o editor convidou os autores a se pronunciarem sobre a noção de “popular”, apresentam-se aqui as mais díspares vozes e perspectivas sobre o que de mais normalizado nos pauta a vida (...) um novo passo para a consolidação deste como um dos melhores zines ou revistas de bd da actualidade em Portugal - Pedro Moura / Ler BD

há a considerar a elevada qualidade gráfica do objecto artístico de recente realização, e do numeroso grupo de prestigiados colaboradores nacionais e alguns estrangeiros - Geraldes Lino / Fanzines de Banda Desenhada

MdC tem-se vindo a afirmar como um espaço privilegiado de divulgação do meio bd underground, de Portugal e não só, e cada novo volume tem elevado bastante a fasquia da qualidade. Este tomo popular, talvez o mais bem conseguido das MdC’s, representa o que de melhor se vai fazendo na bd portuguesa e já vai sendo altura – tanto do projecto como dos seus autores – de terem outro nível de exposição - Ricardo Amorim / Entulho Informativo

Para os amantes da bd a revista Mesinha de Cabeceira representa quase um espécie de "Bíblia" (...) sempre foi uma espécie de revista mutante - Umbigo

Se há algo que consegue transmitir na perfeição o espírito tresloucado que anima as 70 páginas de Mesinha de Cabeceira Popular#200, edição dedicada ao tema “Pop”, são as intrigantes ilustrações nos versos da capa e contracapa, assinadas por Nuno Pereira: estes Monstros Modernos parecem embriões dos Novos Deuses imaginados por Neil Gaiman em American Gods: os deuses do hiper-consumo (na terminologia de Gilles Lipovetsky) e da tecnologia. Na realidade, faz sentido a tecnologia ser endeusada, visto que, ao contrário da ciência, na qual ela se suporta, vive da adulação, da “busca espiritual” de quem compra. Um culto da compra cujo evangelho é a “Popblicidade”. O MdC Popular#200 é um excelente compêndio de bd's e ilustrações esgrouviadíssimas que satirizam excessos e tiques da Pop Art. Os trabalhos de João Maio Pinto, Marte & Jorge Coelho e Monia Nilsen são, na minha opinião, os mais sólidos, mas como ficar indiferente à musicalidade de um título como “Gang-Raped by Dolphins” ou ao sentimento de absurdo montypythoniano que atravessa as pranchas de Nuno Duarte e Pepedelrey? Ah! Já vos disse que Jacob Klemencic desenhou um velhote mal-humorado com um barrete de lã igualzinho ao capacete do Astérix numa galeria de sósias feiosos de personagens famosas? Digam lá se o “Pato Donald” não parece mesmo o Thomas Pynchon…Trata-se de uma edição feita com bom gosto paranóico pela Chili Com Carne, responsável por algumas das mais arrojadas experiências visuais que se podem encontrar neste preciso momento nas livrarias. 4,6 - David Soares