quarta-feira, 6 de maio de 2009

pós-SPX: Itália



Alberto Corradi, autor de bd (que participou no Mutate & Survive) e editor da Black Velvet, só levou livros de "bd muda" - ou seja sem palavras - para a SPX. E aproveitando que são bd's que qualquer um no universo poderá ler trouxemos alguns desses livros! Dois do suiço Thomas Ott que são umas das mais belas edições que já vi deste autor. É um autor obrigatório de conhecer não só pela sua capacidade narrativa como pela técnica que usa - grattage ou scratch board, ou seja um cartão com uma película preta que é raspada, ou que implica tirar o negro para desenhar (ao contrário da tradicional "tinta-da-china sobre papel"). Outro livro foi Odi's Blog 1.0 dos espanhoís Sergio Garcia e Lola Moral, uma onda "todo público" de desvaneios quotidianos. São bons exercícios sobre o aproveitamento da página como espaço narrativo.
Infelizmente ainda não temos a nova Canicola para Portugal - encomendas aceitam-se porque estaremos no Crack deste ano! A "nova fórmula" da revista significa redução de formato, aumento (brutal) de páginas, dois editores (antes era um colectivo) mas que mantem a mesma base de colaboradores abrasivos. Tenho pena pelo formato, não só porque o formato "livro" é vulgar (da Raw à Lapin, do Quadrado a...) como os desenhos que se publicam merecem um formato grande para queimar as pestanas e o cérebro.


ESCRITA CRIATIVA NA CHILI

Associação

“Chili Com Carne”


CURSOS DE ESCRITA CRIATIVA

Próximo Curso:

“Construir a Narrativa”

por Rafael Dionísio

Quintas das 19h30 às 21h30

7 de Maio a 2 de Julho

Máximo 6 participantes.

Preço: 2x €50

Mais informações e pré-inscrição em:

joaorafaeldionisio@hotmail.com

(ou no local)

R. dos Fanqueiros, 174, 1º Esq.



Objectivos do Curso:

· Melhorar a expressão escrita.

· Exprimir o mundo interior.

· Desenvolver capacidades narrativas.

· Ganhar capacidades ao nível da construção de uma estória.

· Tomar consciência das especificidades e estruturas narrativas.

A quem se destina:

A todos os que tenham interesse em desenvolver processos criativos no âmbito da palavra escrita, tanto numa perspectiva de desenvolvimento pessoal como na perspectiva de quem aspira a construir uma obra narrativa de algum fôlego.

Modo de funcionamento:

As aulas funcionam com breves exposições teóricas sobre vários temas seguidos da apresentação de enunciados e da sua resolução e discussão. Curso com uma vertente essencialmente prática.

João Rafael Dionísio é um autor com cinco livros editados, dois dos quais romances, e tem um sexto na forja.

Tem o curso de Estudos Portugueses e actualmente frequenta o mestrado de Edição de Texto.

Fez, anteriormente, frequência dos cursos de Engenharia e Arquitectura, dedicou-se às artes plásticas durante um período, tendo assim uma visão renascentista da cultura (hoje em dia diríamos pluridisciplinar).

Tem dado cursos de Escrita Criativa em Lisboa, em colaboração com várias entidades, com grande satisfação por parte dos participantes.

domingo, 3 de maio de 2009

pós-SPX: outros nórdicos



Da Noruega: Martin Ernstsen mas que vive em Estocolmo (sabe-se lá porquê!) temos quatro zines, dois números por dois títulos, a saber, Owls (2009) e Seldon Plan (2007/08). Ambos são casos curiosos como o zine ainda é uma publicação alternativa mesmo quando um autor já é profissional. Owls é a versão em inglês de comics já editados na Noruega - por isso em norueguês, população: 4 milhões e meio? - pela Jippi. No fim de contas é uma forma de promoção do trabalho para outras culturas. Trata de estórias da puberdade/juventude e de relações amorosas, algumas homossexuais - mais precisamente femininas. A narração e os desenhos são bons, mostrando que Ernstsen domina a linguagem na perfeição ao ponto que para o tema que é consegue ser mais humano e comovente que as militantes do género. O que não é nada de novo porque estórias de mulheres tem vêm do uma tradição rica com nomes como os irmãos Hernandez ou o Daniel Clowes. Seldon Plan é o "refugo" do autor, aquilo que não publicou profissionalmente: bd's autobiográficas curtas (algumas sobre a SPX do ano passado), desenhos marados, bd's parvas e experiências prestes a falhar. Mas na realidade corre tudo bem e é bem divertido! Martin Ernstsen eis um nome a reter...

Da Dinamarca: também um zine, Mixtape (ed. de autor; 200) que é que o caderno de desenhos mas que está metido numa caixa de k7 (sim, aquela tecnologia desactualizada e analógico de onde se podia gravar músicas, regravar até, e sim, ouvir música num leitor de cassetes). A capa é um desenho de uma k7 e como é normal nesta tecnologia, existe um lado A e B – é preciso virar o caderninho ao contrário para aceder a mais desenhos e páginas… Os desenhos de Allan Haverholm são essêncialmente realistas e parece o que procura no que ”capta” ou ”imagina” um enquadramento cinematográfico. Objecto giro!

Da Finlândia: Treasure Hunt #1 : Lisboa (Hyeena Kustannus + Princesa Pirata; 2009) é um zine que faz uma recolha fotográfica de street-art em Lisboa feita por Anna Kaisa Laine que à primeira vista lembra The Walls are the Publishers of the Poor - logo a começar por usar essa mesma imagem / capa do zine francês. As diferenças residem no formato quadrado e no uso de fotos de azulejos na composição das páginas. Bem... um francês e uma finlandesa a pegarem na nossa street-art... será que somos assim tão bons? Resta dizer que existe um segundo número deste zine "caça ao tesouro" dedicado a Dublin.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

pós-SPX: Suécia

Vieram muitas "coisas" da SPX de Estocolmo, afinal este foi o ano mais internacional deste evento com participações de norte-americanos, italianos, finlandeses, noruegueses e portugueses... iremos por partes nos próximos dias mas começamos pelos "anfitriões", ou seja pelos suecos:



Os sextos volumes de Piracy is liberation (C'est Bon; 2009) de Mattias Elftorp e da revista C'est Bon Anthology (2008), provavelmente os melhores até à data. No primeiro caso porque começa atingir novos picos de drama nesta odisseia ciber-anarquista, no segundo porque a recolha do material é bastante bizarra em especial a bd de Johan Jergner-Ekervik que é um verdadeiro épico bacteriológico mostrando que a bd ainda é uma arte visual-narrativa com temas inéditos para explorar.


A autora Emelie Östergren foi uma surpresa este ano porque lançou dois títulos: um grosso e impecávelmente bem feito volume dos seus trabalhos anteriores pela editora Sanatorium (que edita belos livros, diga-se) intitulado Evil Dress - é bilingue sueco/inglês. Palavras chave: corpo feminino, nostalgia/infância, vestidos, fogo,... O outro é um zine XL (12 páginas A3) com um título tão comprido que me deverei enganar a escrever: Mexikask Granso / Spar lost Forsvumen. Feito a meias com Clara Johansson - ou seja, uma bd para cada uma e um desenho no meio da edição (agrafada) a meias. Mais nostalgia e cinzentismo humano por aqui.


Por fim, Agnosis #1 (ed. de autor; 2004) de Li Österberg é um zine típico de zine como quase já não há no mundo: A5, preto e branco, catita, com bd's da autora (felizmente escritas em inglês) que graficamente lembra muita bd alternativa anglo-saxónica dos anos 90. As três bd's tratam da espiritualidade do ocidental novo milénio. Duas das bd's são autobiográficas e também as mais conseguidas a nível de estória. Uma delas a autora explica como ficou desiludida com a cena New Age - não posso contar mas é hilariante - e na segunda revela porque gosta de Hard Rock - é possível encontrar esperitualidade nos Gamma Ray? Sim, é doa a quem doer... desculpem estragar o final!
Ei! Os pirosos dos Gamma Ray são Power Metal e não Hard Rock!!! Que se lixe isso, podia ser pior, podia ser que a autora ainda ouvisse flautas de pã! Para além que este foi o melhor "zine-zine" ou "zine old school" que encontrei na cena sueca, longe das parvoíces de Mangakas e humor tótó...

todas estas publicações estão à venda no site da Chili Com Carne

quinta-feira, 30 de abril de 2009

ccc@feira.do.livro.de.lisboa.2009



O editor precário manifesta-se!
afinal sempre se cumpre esta acção organizada pela Bedeteca de Lisboa com apresentações da Associação Chili Com Carne e o fanzine O Hábito faz o Monstro. Haverá uma mesa com edições independentes de bd e ilustração
.
durante o resto da Feira as edições da CCC estão à venda na Letra Livre - stands 125 e 126.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

ccc@spx.2009

Chili Com Carne will be present in Stockholm SPX 2009 (23rd/26th April) with a table selling the best "indie" Portuguese comix and you'll find Marcos Farrajota (editor) and Joana Figueiredo (author) there.


.
The CHILI COM CARNE association is a non-lucrative young artist's organization, who's functioning is established upon the free and spontaneous cooperation of its members. Since it's foundation in 1995, we have promoted and developed a series of events in the field of the arts, such as the organization of exhibitions and publications. We favour a line of action that privileges the independence of the artist, in the context of the diversity in form and content that shapes the contemporary cultural and artistic scene.
Since 2000, CCC is working mainly in edition:

1. Editing their members work in collective or individual books or zines. CCC publishes literature, comix, illustration and essays, in the following collections: Colecção CCC, dedicated to fragmented books, poetry, (anti)romance, comix (like the Mutate & Survive anthology that published 77 authors from 16 countries), illustration (like João Cabaço scretchbook); Mesinha de Cabeceira ("bedside table" in English), mainly comics, a zine that exist since 1992 with 20 issues published in a permanent mutant change of formats, have published early Portuguese authors, infamous American Mike Diana and other international artists like dice industries (ger), Claudio Parentela (it), Tommi Musturi (fin), Aleksandar Opacic (ser)...; Mercantologia, lost zine reprint collection, comics only until now; THISCOvery CCChannel, Occultural collection - essays, interview and fiction - non-comics - co-edited with Thisco electronic label, with contributions of Hakim Bey, Critical Art Ensemble, Aesthetic Meat Front, Boyd Rice...

2. Supporting other members editorial projects in promotion and distribution like El Pep (Trash comics project of Pepedelrey), Imprensa Canalha (graphzines and illustration books run by José Feitor), MMMNNNRRG (Art Brut comix run by Marcos Farrajota), Opuntia Books (chap books directed by André Lemos), and other zines of our members.

3. Promoting DIY ethos and pathos through our blog chilicomcarne.blogspot.com and co-organizing Feira Laica, a fair that unites the most important independent publishers in Portugal. Most of the time it homage the soviet she-dog blown in space but also the separation of the Church from the State - the first fair was made during the Christmas consumerism frenzy.

.
Joana Figueiredo (1982, Lisbon) does zines since the late 90's and have works of drawing, illustration and comics published in several books and magazines: Stereoscomics Special SPX (France), Milk+Wodka (Swizerland), Mutate & Survive, Mesinha de Cabeceira, Cabeça de Ferro, Modern Spleen (France) and many others, such as her own publications. She's a member of Association Chili Com Carne and the founder of the extinguished art collective Crime Creme. She is now working on animation movies, fimo toys and comics on a studio in Lisbon shared with another four artists.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

AFTER ccc@bunny-weekend.2009

fotos do Jorge

Marcos Farrajota e Jucifer estiveram lá, ajudaram no zine GULAC - mas não deu para acabar (imprimir) tendo participado talentos do LAC, o Dr. Makete e umas miúdas mangakas...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

ccc@Dezkalabro-do-capital

estaremos nesta com mesa de boas edições!
***********************************************************************************************
DEZKALABRO_do_CAPITAL
.
AMANHÃ 23h
Av. Fontes Pereira de Melo nº 35 CC Imaviz 1050-118 Lisboa - Portugal
.
THE TEKNOIST (UK)
DJ MURDARAH (Brasil)
DIRT BOX (UK)
SAM PULL
FP-25
ZAZTRAZ
TRASH VAN TRAXXX (Barcelona)
TSUNAMI KILLCORE (Spain / Berlin)
VJs: Mecca - Pus-h - rT - Bay - hckr tv (Brasil) - Pumukill - The Edge Visuals
.
Breakcore / Electronic Hardcore / Dubstep / Electronica / Experimental/ Jungle / Techno /Live Electronics / Gabba /Industrial / Breakbeat / Drum & Bass / Industrial/ Grime / Punk / Thrash / Power Noise
****************************************************************************************
DEZKALABRO é um dos únicos eventos de música inconformista em Portugal e protesta contra a monopolização estilistica da vida e da música a nível global. Formado em 2006 na Guarda por artivistas, vjs, djs e produtores musicais, já teve artistas de diferentes países como Brasil, Espanha, Inglaterra, Alemanha e França. Sem interesses comerciais, está focado na exploração de experimentação visual com musica eletronica de vanguarda. Desobedece a qualquer padrão chato, velho ou fudidamente monótono que pode ser encontrado em qualquer discoteca ou festival Português. DEZKALABRO regressa a Lisboa em tempos de penúria, decalabro do capital, o regresso de uma noite de liberdade de expressão: audiovisual, digital, o rugir do animal, ferido. Para que não exista a possibilidade de retorno aos antigos padrões. Para que não exista a possibilidade de retorno aos antigos patrões. Para que não exista a impossibilidade.
.
os grupos realmente mais underground de Lisboa: Thisco, Industrial PT, Chili Com Carne, Useless Poorductions, Essay Collective, PT.core, Data Volt

segunda-feira, 6 de abril de 2009

ccc@poéticas.do.rock.2009


Edições nossas na Faculdade de Letras de Lisboa mais concretamente na recepção da organização do evento Poéticas do Rock em Portugal.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Trans Europe Zine

Com os desenvolvimentos das tecnologias de tratamento digital de imagens e impressão, e da Internet, os tradicionais fanzines ou zines tem vindo a desaparecer, ficando no “mundo material” publicações com aspecto profissional – aliás, com cuidados gráficos ainda melhores que as revistas profissionais. Este texto é um mini-guia cartográfico bastante imcompleto para quem procura aventuras gráficas.


Partindo de Portugal temos os Opuntia Books já referido na Umbigo (Dez’07) e já agora investiguem também a Imprensa Canalha mas vamos imediatamente para aquela sempre foi e sempre será a capital da bd em Espanha, ou seja Barcelona, a sanita de Turistas anglo-saxónicos. Desde os anos 40 do século passado que se implantaram as editoras, grandes lojas de bd e o maior festival espanhol de bd. Claro que há muita boa gente no resto de Espanha mas é em Barcelona que aparecem projectos como a ARGH! que já vai no quarto número! E porquê a euforia? Simples... É que a ARGH! mostra que afinal os espanhóis não sabem apenas copiar como até fazem coisas boas - menos na música! Nas páginas da ARGH! vamos encontrar escatologia da grossa, bonecada "guilty-pleasure" e monstros nojentitos, piadas parvas de cócó-xixi & humor "serial-killer". As páginas são preto e branco mais uma cor extra que muda de número para número, permitindo aos autores explorarem temas – o “número amarelo” ligava-se à doença, por exemplo – ou potenciando grafismos mais adequados a cada cor, como aconteceu com o português residente em Madrid, Richard Câmara que participou no último número (verde) com uma versão colorida da bd publicada na colecção Lx Comics. Jorge Parras e Félix Diaz são os responsáveis pela publicação depois de terem feitos das suas no Fanzine Enfermo. Ambos são autores com estilos bastantes diferentes, o primeiro mais humorístico, o segundo mais “abonecado” na veia de Underground Pop. Cada vez que lançam um novo número refazem o sítio arghcomic.com.
Quando subimos para França é inevitável referir o colectivo Le Dernier Cri, sediado em Marselha no centro artístico Friche La Belle de Mai onde máquinas de serigrafia vomitam livros, cartazes e discos pelas mãos do casal Paquito Bolino e Caroline Sury. Nascido em 1993 das cinzas do movimento “undergráfico” francês dos anos 80, o colectivo publicou em 15 anos mais de 200 títulos, maioritariamente em serigrafia. Produção exorbitante para uma estrutura artesanal, que ainda edita a revista anual Hôpital Brut, produziu mais de 50 exposições (uma no Salão Lisboa 2005), discos e filmes de animação. Como afirma Bolino: «As edições do Dernier Cri consistem em artistas a editar outros artistas, artistas que vêm fazer residências, ateliers, ou simplesmente desejam fazer livros connosco, ao contrário de uma vontade de um editor em seguir conceitos pré-estabelecidos e colecções precisas. Isso permite-nos partir em qualquer direcção». A produção, toda ela assegurada pelo casal e colaboradores, é imparável e dispara para sentidos inesperados, por exemplo, num recente lote de edições quase todos livros incluíam música tão violenta como os desenhos: Evil Moisture (single 7" vermelho de Noise, co-editado com o colectivo dinamarquês Smittekilde), Le moindre doute de Guillaume Soulatges (que esteve numa Feira Laica) com desenhos seus Pop nostálgicos e música quase-que-relaxante, Judex (nome do autor e do livro + CD-R de Rock Noise na linha Fort Thunder / Load Records), Placenta Popeye (livro complicado de folhear + CD-R de Frenchy Noise Rock tão marado que parece uma banda de Black Metal que não sabe tocar), Vida Loco (Breakcore visual e sonoro!) e o “best of” do misógino Costes, Pot Pourri, acompanhado pelos desenhos da sua mulher Vanderlinden - se está casado ainda é misógino?

Bolonha, é outra capital da bd… em Itália. E é por lá que surgem projectos de uma qualidade irrepreensível como o Canicola, colectivo de oito autores e uma administrativa. A colar o grupo está uma vontade abrasadora de contar histórias sobre "coisinhas da vida" - no melhor estilo de Raymond Carver - mesmo quando a acção se passa em 2012 (Giacomo Monti) ou em universos oníricos de Amanda Vähämäki – a única autora do grupo, a finlandesa que estudou nesta cidade e que já regressou a Helsínquia. Na Canicola os desenhos são todos díspares embora se possa encontrar alguns pontos em comum com alguns autores que seguem uma estética "free" em que usam a seu favor, o facto da impressão dos dias de hoje conseguir apanhar tão bem os cinzentos do lápis - relembro que a bd sempre teve um processo de produção que obrigava os autores a "passarem a preto" (ou a tinta) os desenhos para serem reproduzidos. Nos dias de hoje, os autores ignoram essa técnica e caminham pelo "lápis directo".
Para além do grupo duro já passaram pelas suas páginas gente importante como Anders Nilsen (EUA), Chi Hoi (Hong Kong), Marko Turunen (Finlândia) e a alemã Anke Feuchtenberger, autora bastante influente na cena europeia, sobretudo nos últimos anos com a renovação do seu trabalho a grafite (que foi visto no Salão Lisboa 2003) e como professora de ilustração na universidade de Hamburgo – onde aliás ajudou a por de pé a revista Orang.
Justamente em Hamburgo que também encontramos o dice industries - já publicado em Portugal e participante na exposição åbroïderij! HA! que passou pela Bedeteca de Lisboa, Maus Hábitos, Casa da Animação e segue para a Biblioteca de Abrantes no mês de Abril. dice industries é DJ, designer, autor de bd, ex-homem do graffiti e recentemente abriu a galeria Linda. Qwert é o seu “zine de vida” que vai no 13º número onde tanto publica bd - Wien, ein mensch stirbt (2005) - como catálogos de exposições de artes plásticas: Low Density (2005) e Low Frenquency (2008) onde ele (ab)usa imagens dos «tios patinhas» (a font do Low Density não deixa dúvidas) e outras imagens populares, manipula-as ao ponto de ruptura sendo recriadas em ruído abstracto. A deformação é impressionante, um cruzamento histérico de Lynch com Lichtenstein.
Por alguma razão misteriosa, os finlandeses estão a descobrir o "ácido" na bd e ilustração. Fora do já conhecido desengonçado crumbiano ou da crueza non-sense ratada de Gary Panter, os finlandeses andam a borrar cores a torto e a direito nos seus desenhos. Prova concreta disso é o jornal Kuti editado pelo atelier Kuti Kuti, onde seja qual for o estilo gráfico das bd's, o que se vai destacar são as cores berrantes aplicadas ora com as canetas de feltro ora com o Photoshop. Outro ponto comum entre vários autores finlandeses é o imaginário sacado aos universos Pop da infância em que são revistos sob um prisma da decadência: ODNI (objectos Disney não identificados), Masters of the Universe destruídos e distorções da bonecada de plástico, da bd ou de desenhos animados xungas.
Do grupo destaca-se os livros de esboços de Tommi Musturi, a saber: Stand Alone and Smile rendido à arte psicadélica - a lembrar até o Moebius quando este tripava nos anos 70; Concrete Floor em formato A4 impresso em páginas verdes tem desenhos de dignos de manicómio visual; e Death to Most com desenhos feitos entre 1986 e 1992, quando o autor era um puto metálico “skater” a viver na província finlandesa e desenhava caveiras, demónios e "damas de ferro", foram-lhes acrescentadas as cores berrantes dando uma nova dimensão visual aos desenhos “teen”.

Texto publicado na Umbigo