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domingo, 3 de maio de 2009

pós-SPX: outros nórdicos



Da Noruega: Martin Ernstsen mas que vive em Estocolmo (sabe-se lá porquê!) temos quatro zines, dois números por dois títulos, a saber, Owls (2009) e Seldon Plan (2007/08). Ambos são casos curiosos como o zine ainda é uma publicação alternativa mesmo quando um autor já é profissional. Owls é a versão em inglês de comics já editados na Noruega - por isso em norueguês, população: 4 milhões e meio? - pela Jippi. No fim de contas é uma forma de promoção do trabalho para outras culturas. Trata de estórias da puberdade/juventude e de relações amorosas, algumas homossexuais - mais precisamente femininas. A narração e os desenhos são bons, mostrando que Ernstsen domina a linguagem na perfeição ao ponto que para o tema que é consegue ser mais humano e comovente que as militantes do género. O que não é nada de novo porque estórias de mulheres tem vêm do uma tradição rica com nomes como os irmãos Hernandez ou o Daniel Clowes. Seldon Plan é o "refugo" do autor, aquilo que não publicou profissionalmente: bd's autobiográficas curtas (algumas sobre a SPX do ano passado), desenhos marados, bd's parvas e experiências prestes a falhar. Mas na realidade corre tudo bem e é bem divertido! Martin Ernstsen eis um nome a reter...

Da Dinamarca: também um zine, Mixtape (ed. de autor; 200) que é que o caderno de desenhos mas que está metido numa caixa de k7 (sim, aquela tecnologia desactualizada e analógico de onde se podia gravar músicas, regravar até, e sim, ouvir música num leitor de cassetes). A capa é um desenho de uma k7 e como é normal nesta tecnologia, existe um lado A e B – é preciso virar o caderninho ao contrário para aceder a mais desenhos e páginas… Os desenhos de Allan Haverholm são essêncialmente realistas e parece o que procura no que ”capta” ou ”imagina” um enquadramento cinematográfico. Objecto giro!

Da Finlândia: Treasure Hunt #1 : Lisboa (Hyeena Kustannus + Princesa Pirata; 2009) é um zine que faz uma recolha fotográfica de street-art em Lisboa feita por Anna Kaisa Laine que à primeira vista lembra The Walls are the Publishers of the Poor - logo a começar por usar essa mesma imagem / capa do zine francês. As diferenças residem no formato quadrado e no uso de fotos de azulejos na composição das páginas. Bem... um francês e uma finlandesa a pegarem na nossa street-art... será que somos assim tão bons? Resta dizer que existe um segundo número deste zine "caça ao tesouro" dedicado a Dublin.

domingo, 9 de novembro de 2008

Palmadas!

A Feira Internacional do Fanzine de Almada regressou esta Sexta-Feira com um formalismo inacreditável só possível para quem ainda acha que a "k7 estalinista" deve ser usada para um evento "alternativo". Ele foi banda de música medieval (I shit you not!) que tocou e levou o público para a sala onde está a mostra dos fanzines, ele foi vereador a dar um discurso armado em jovem (usou cerca de 16 "pá" na sua oratória penosa), ... um fartote!
Regressado (felizmente) à Casa Municipal da Juventude – Ponto de Encontro, ficará lá até 15 de Novembro, uma mostra de zines recebidos este ano (poucos), alguns de edições passadas (sem critério de escolha) e algumas colecções (privadas?), entre elas uma de fanzines sobre Metal - fabuloso um título com uma entrevista ao Fernando Ribeiro dos Moonspell ainda com carinha de puto! Só por isso vale a pena ir lá!
A Chili Com Carne esteve nos primeiros dois dias com uma banca do seu catálogo, associados e amigos internacionais. Ficou uma selecção de títulos na banca de vendas da organização, a cargo do fanzine Riot Not Quiet!
Sem querer poderão encontrar Anna Kaisa Laine, autora/editora anarco-femininista finlandesa que deve ter pensado que este evento era algo genuíno e não uma chachada feita por autarcas cinzentos - apesar de achar a "sala de leitura" um verdadeiro mimo retro-lounge, ainda por cima com o rio Tejo como vista. A CCC comprou-lhe alguns exemplares de The Garden Sketchbook (Atlantic Press; 2007), um belo livrinho ilustrado (pela autora e escrito pela inglesa Emma Wills) sobre jardinagem - inclui um saco com sementes de flores.

Continuando com a treta da Feira de Almada, a programação é absolutamente desanimadora, provavelmente desenvolvida pelo pior tecnocracismo dos dias de hoje que são os departamentos de juventude das câmaras municipais. Não se encontra nada relacionado com zines ou edição independente (nem uma conferência? um workshop? um lançamento?). Não houve uma ponta de esforço para captar qualquer espírito DIY ou similar... Ficará o catálogo das publicações, o FanCatalog 2008, um fanzine fotocopiado em A5 com os contactos dos zines representados que só tem uma graça: ao lado das capas dos zines está a reprodução dos envelopes que os transportaram. Dado as ligações (antigas) dos zines à mail-art e a forma caótica e reciclada que os zinistas usam os envelopes esta foi sem dúvida uma ideia gira - ou a única!
Ontem deve ter sido a melhor noite de concertos porque tocaram a xungaria do Metal, com nomes lindos como Vizir (os Enapá 2000 do Grind?) e os Filii Nigrantium Infernalium (o Batatinha e Cia do Black Metal?).

terça-feira, 11 de novembro de 2008

FEIRA LAICA EM COIMBRA

Cartaz da Mulher Bala

A Feira Laica é um projecto vivo e multifacetado:partindo de uma lógica de espaço de comércio cultural alternativo e justo, tem dado visibilidade a inúmeros editores independentes, artistas gráficos e artesãos e promovido diversos eventos geradores (exposições de artes gráficas, workshops de serigrafia, concertos, publicações).
Ao longo de 9 edições, em Lisboa, Oeiras, Seixal e Porto, a Feira Laica tem assumido um lugar improvável na vida cultural portuguesa enquanto espaço de encontro entre os criadores e o público, numa lógica que permite a aquisição de bens culturais e criações artísticas ou artesanais, sem a existência de intermediários.
A feira é organizada por um pequeno grupo informal de editores e criadores que funcionam como foco galvanizador de uma comunidade criativa muito mais abrangente. A Feira vai agora a Coimbra, a convite da Associação Casa da Esquina, com um leque de actividades que dá grande destaque à animação infantil, para além da habitual oferta de comércio cultural justo: edições independentes, ilustração, artesanato urbano, 2ª mão, serigrafia.

Nesta edição haverá uma mostra de filmes de animação feitos por Lili Carré (EUA), Aapo Rapi (Fi) do colectivo Kuti Kuti, Piirustus Kerho (Fi), Bendik Kaltenborn (No), Nicolas Mahler (At), Goran Titol (Pt), os colectivos Inguine (It) e Le Dernier Cri (Fr).
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Editores que estarão presentes: Associação Chili Com Carne, MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha, fanzine Alçapão, as autoras finlandesas Anna Kaisa Laine e Tiitu Takalo, Via Óptima, Hülülülü e Opuntia Books.
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Novidades editoriais:
- Até que a morte nos separe (Hülülülü), de Ricardo Martins;

terça-feira, 18 de novembro de 2008

São todos uns Coimbrões!

«Coimbra tem mais encanto na hora da despedida (...) Coimbra é um caixão!» cantavam os Enapá 2000 num concerto qualquer nos anos 90. Realmente se há cidade deprimente em Portugal é Coimbra - até Peniche ou Vila Nova de Famalicão parecem sítios optimistas. E Coina sempre tem um nome mais simpático!
A Feira Laica na Casa da Esquina foi um desastre como só podia acontecer numa cidade como Coimbra onde os bares tem nomes como "Abismo" ou "Buraco Negro", onde a hipocrisia é alta mas as bebidas brancas são baratas (por 700 paus na altura dava direito a 6 Vodkas no Buraco Negro), onde todas as noites gajos de batinas choram e vomitam quase ao mesmo tempo, onde a cultura não é um valor necessário - aliás, a CCC tirou as suas edições da livraria do Centro de Artes Plásticas de Coimbra porque há anos que eles não vendem nada, por outro lado e porque também estamos a acabar com a venda à consignação, será a Dr. Kartoon e a XM que irão manter-se a vender os nossos livros na "Cidade do Conhecimento"... Menos mal!
Nem a malta do Espaço - Centro de Desastres (lembram-se nos Anjos?) era tão preguiçosa e mitra como a Casa da Esquina que convidaram e co-organizaram a Feira Laica a fazer lá uma edição mas que pouco fizeram e muitos problemas colocaram - situações manhosas que não adianta aqui lavar a roupa suja, serve este "post" para chamar atenção, cuidado com os coimbrões! São arrogantes, preguiçosos e saloios. Nem a segunda mão (um dos eternos sucessos da Feira Laica) compram de tão vaidosos que são.
Por falar nisso, ainda tive de aturar a Teresa Câmara Pestana a destilar o seu veneno ridículo. Apareceu com o primeiro número da nova série do Gambuzine - agora em formato de antologia anual, pálido produto dos seus tempos gloriosos da primeira série, e já com acólitos e seguidores da sua editora. Safa-se duas boas bd's, uma impressionante de Ulli Lust sobre crianças na guerra (o efeito de substituir crianças africanas por "europeias" é espantoso! pode ser vista aqui) e a bd autobiográfica da Pestana que relata um episódio dos seus tempos de "Deutsch squating punx". A autora como pessoa é uma velhaca e uma víbora de primeira mas quando quer sabe o que faz, com talento gráfico e sensibilidade desarmante.
Kiitos e pedidos de desculpas aos editores arrastados para este fiasco: a malta do Alçapão, ao Lucas Malucas, os Hülülülüs e as suomi-girls Anna Kaisa Laine e Tiito Takalo.
Finito: Coimbra é um caixão! Mal enterrado...