quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Checkem lá a presença humana...

O Camarada Lopes voltou do Brasil e trouxe umas quantas coisas de lá que sinceramente já não há muita paciência divulgar mas foi justamente a peça mais pequena que teve maior efeito. Fim (Beleléu; 2014) é um A6 (formato que até há em Portugal com as colecções O Filme da Minha VidaQuadradinho) com 40 micro-BDs de Rafael Sica, feitas sem sentido, como se poemas desenhados fossem. Devedor à linha "ratada" de Fábio Zimbres, no entanto algumas composições de páginas e temas lembram o suiço Baladi, naquele abandono de paisagens e de emoções. Longe do extremo "non-sense" de Ordinário (Quadradinhos na Cia; 2010) em que Sica já mostrava ser um autor com muito potencial, este "Fim" parece ser antes um excelente início para algo mais profundo mas não se sabe se naqueles trópicos o pessoal quer isso...

Ward Zwart, excelente desenhador que participou no nosso MASSIVE, enviou alguns zines seus do quais destaca-se Moon (2014) que é impossível de não comparar a O Espelho de Mogli porque são tantas as coincidências entre si: ambos autores são flamengos, os formatos dos livros são quase idênticos, há alguma estrutura narrativa igual (duas vinhetas por tira, quatro tiras por página) e até acontece que aparece uma página inteira com um animal! (um orangotango no Espelho, uma coruja neste Moon). As diferenças também são muitas, a temática recorre à infância / puberdade (tempos em que o autor via os X-Files!?) para mostrar os mistérios da natureza - não muito longe e até pelo registo gráfico dos trabalhos de Amanda Vähämäki ou Michelangelo Setola. O melhor ainda é uma bela sequência abstracta em que o Zwart desenha usando colagens de desenhos seus - tal como0 o fez na capa...

Vieram de Badajoz a Lisboa, recentemente o casal responsável pela Aristas Martinez. Regalaram-nos com os dois últimos números da sua revista literária Presencia Humana Magazine (2014), sendo o último número dedicado à editora Valdemar, um marco na literatura fantástica em Espanha. A revista aliás é sobre isso mesmo, literatura fantástica, não deixando de ter contos, BDs, artigos ou ensaios sobre a matéria. Impressa a duas cores, consegue o equilíbrio perfeito de fazer aquele vistaço vaidoso que os espanhóis adoram e ao mesmo tempo ser sóbria e funcional. Uma equação gráfica que quase ninguém consegue resolver mas que a PH (como é carinhosamente conhecida) tem conseguido fazer desde o primeiro número. Se Clack Ashton Smith diz-vos algo mas também não desdenham conhecer os Magma, ou quiserem ler a sabedoria Pulp de Daniel Ausente (excelentes artigos dele, diga-se!) ou uma resenha sobre o Festival de Sitges (o "Fantasporto" de Espanha!)... esta é a vossa revista! E sempre treinam o castelhano!
Outra publicação é Fanzinerama (2014) que é um... ehm... fanzine!?... com desenhos do Roberto Massó no seu típico imaginário "masters of the universe jodido meets power rangers primitivos" em que as pessoas, o público, ehm... Perdi-me...
É um caderno com desenhos do Massó mas que as pessoas podem intervir nele, ora desenhando e escrevendo nele e até podem recortar e colar imagens de Massó (de uns suplementos que acompanham o caderno) fazendo assim cada um a(s) sua(s) BD(s) à vontade do freguês - é um novo tipo de "comix-remix" que não tinha ainda processado! Muito fixe a ideia mas pelos vistos a ideia anda por aí porque a "nossa" Mundo Fantasma também fez algo parecido... em risografia que é mais chique! (e como vingança por estar a chamar os espanhóis de vaidosos!)

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