Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

Think about the future...


Nada se espera da imprensa nacional ou da "crítica" (mesmo aquela que se diz estar atenta às novas tendências) sobre um projecto seminal como o Futuro Primitivo. Em breve deixarei algumas considerações sobre o livro - a sua resolução, problemas, etc... Até lá vamos recebendo feedback estranho dos autores e leitores que reproduzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzimos aqui

«curti bué do futuro primitivo memo,antes de ler(verdade seja dita) pareceu-me completamente caotico e sem minima hipotese de fio condutor,depois tive a tarde toda a pensar sera q aquilo tá perceptivel...e só as 19H 30 quando sai do bules é q pude entao disfruta-lo,e é lindo , mixaste um livro ou melhor mixaste o melhor pós apocalipse de sempre.tem tudo...o mix bate nas horas!!!!e a junção de desenhos graficamente diferentes foi mesmo em cheio!!!!
tá forte» - aparicio desaparece / Tue, 7 Jun 2011 23:56:00 +0100

«pah curti, sei q as minhs opniões são um bocado seca mas eu aprendo com alguns trabalhos, quer dizer, n é para ser pedagógico nem merda q se assemelhe e mesmo nem concordando com pontos de vista das histórias e das freakalhadas está com sumo e sustento.» - ana maria On 2011/06/08, at 18:03

«epá de vez em quando tem alguns saltos em que o leitor se perde,mas isso até é giro e é momentaneo ,porque o fio condutor reaparece logo de seguida,acho q no todo está bastante perceptivel,a ideia base está lá sempre presente.» - aparicio desaparece / Wed, 8 Jun 2011 21:15:28 +0100

«Futuro Primitivo tem sobretudo autores nacionais e no fundo serve de catálogo à exposição com o mesmo nome. A qual, enquanto conceito e qualidade global, foi em minha opinião a mais conseguida de todo o Festival.» - João Ramalho Santos in JL (21/06/11)
Comentário do editor, Marcos Farrajota: Holy caramba! Não é um catálogo da exposição! Há quem fique com essa ideia - não sei porquê, no outro dia alguém dizia que era um "catálogo dos artistas da Associação". Não percebo, o livro não vale per se? Sei que a aplicação do conceito - mistura das bds de vários autores - será seminal (creio) e dado a erros e falhas (há muitas, admito) como se pode esperar do seu carácter experimental mas pensar que é um catálogo já me deixa a pensar que falhei muito mais do que previa...
A exposição em Beja foi quase uma improvisação, o projecto real estará mais próximo na versão que foi para o Crack - espero fotos em breve para perceber se correu bem. Ou seja, tal como no livro pretende-se que nas exposições seja possível também misturar as tiras de bd de forma a criar sempre novas narrativas. Em Beja, como eram originais que estavam expostos não eram possível misturar o material dos autores (pela razão típica de protecção dos originais). Aproveitamos para deitar o lixo tecnológico na exposição como mera cenografia apocalíptica - tema do livro. Na verdade sempre abominamos as cenografias das exposições de bd mas esta permitiu diversão gratuíta. Como se costuma dizer: "para fazer uma instalação, atiram-se merdas pro chão!" - no colectivo P.I.d.E. já sabiamos disso nos Encontros CCC 1999, em 2011 continua a ser verdade, pelo menos prós cromos da bd que ficaram convencidos da qualidade da exposição. O importante é que se leia o livro...


«A unidade narrativa alcançada com esta espécie de remix aplicado às imagens e às sequências que os vários autores criaram é notável, até pelo potencial caótico dos próprios temas, entre a ficção científica distópica e os mundos pós-apocalípticos.
Mais de quarenta autores responderam ao desafio, escolhendo itens de uma lista cuidadosamente preparada para registar as invenções tecnológicas que terão colocado a humanidade a caminho do abismo. Da roda às armas de fogo, da imprensa à energia nuclear, a lista é suficientemente ampla para incluir elementos facilmente identificáveis com o caos ambiental e o desequilíbrio de produção alimentar que vivemos, mas igualmente com as grandes revoluções do progresso, o que só acentua o tom apocalíptico, configurando uma visão fatalista que alia qualquer avanço a uma inevitável degradação e que traça os princípios programáticos desta edição numa espécie de no future onde não haverá prisioneiros. Enquanto a devastação não chega, a clonagem da ovelha Dolly convive com as lições de sobrevivência que os genes humanos transportam e os autores abandonam as suas personagens à sorte de várias incógnitas, investigando o comportamento humano perante a ameaça do fim. Profecias, loucura, gestos de violência ou o desregramento total são alguns dos resultados. Autores consagrados e outros ainda em começo de publicação criaram sequências fortes, imagens perturbadoras e espaços de reflexão poderosos, mas é o trabalho de edição que lhes confere a unidade imprescindível para que este volume seja um marco para a afirmação da banda desenhada de autor no espaço, acanhado, da edição nacional.» Sara Figueiredo Costa in Expresso (Jul'11)

«Curiosamente, apesar de ser uma cena assumidamente "desconexa", o todo funciona muito bem e sente-se mesmo que é um projecto aberto e com pano para mangas para outras abordagens e sem grandes limites. Existe igualmente é um sabor amargo de estarmos perante algo incompleto, mas de certa forma, é isso a que o livro se propõe. No happy endings, no fucking fun. Demasiada informação para o mundo fazer de todo sentido. Curti mesmo.» On 2011/07/22, at 10:35, A.C. 
Comentário do editor: hum... boa abordagem / pespectiva que me propões... um dos problemas do livro é que alguns autores fecharam demasiado as narrativas para o livro ser mais "visual" mas faz sentido as "micro-narrativas" numa estrutura maior, talvez... Resposta de A.C., às 16:43: «Ya, mas olha que de certa forma, as micro narrativas acabam por funcionar como âncoras, no sentido em que criam momentos de focagem que depois só acentuam o caos gráfico que vem a seguir. Quase como teres momentos melódicos entre uma jarda de ruido sonoro num disco de noise ou assim. O livro tem uma dinâmica do caralho e nem sequer é um "album de BD" nem tão pouco tem aquela pinta de "antologia". É mesmo um overload fodido.»

«The concept is really great!» On 2011/09/10, at 15:13, Ilan Manouach

«El fin esta cerca. El 2012, las profecías mayas, tormentas solares, inminente invasión reptiliana, conspiraciones a la orden del día. A la humanidad le quedan 2 días. ¿Y después qué?. Osea, si algunos pocos "privilegiados" llegan a sobrevivir ¿qué futuro les depararía? No olvidemos que muchas veces el hombre es como una roña difícil de quitar.
Estas preguntas son el punto de partida del álbum distópico que la asociación Chili Com Carne nos hace al completo. Si, porque en Futuro Primitivo participan los alrededor de 40 socios que tienen, en un cadáver exquisito apocalíptico y antológico.
A pesar de lo difícil que resulta organizar un cadaver exquisito entre autores de diferentes estilos, algunos muy diferentes entre sí, el resultado es sólido, primando un aire a ciencia ficción pura y dura, con artefactos ultratecnológicos, contaminación en proporciones elevadas y mutantes y escombros a la vuelta de cada página.» -
Martin - 16/09/11 - in Bolido de Fuego



«I thought one great thing about Futuro Primitivo was that I couldn't understanding all of it. It felt like that was the point, like a global, multidimensional dystopia and you only understand the bit you can see with your own eyes. On the other hand, I think that was my very own subjective reading experince (I understand a little Portuguese but not enough to be sure what the comics were about, a bit like dreaming and half-understanding). Really impressed that you guys have translated it!» On 2011/11/20, at 20:06, tecknarn Sling

«Confessamos que não compreendemos por que razão os editores desta antologia afirmam, na introdução, de que esta é uma experiência “falhada”. Tecnicamente, trata-se de uma recombinação editorial feita sobre material que os autores providenciaram, ora sob a forma de tiras passíveis de serem quebradas e remisturadas, ora várias sequências em cadáver esquisito. A influência deste projecto parece ter sido semeada no tour do Boring Europa, como essa outra publicação demonstra. Todavia, a experiência editorial - que segue os projectos lançados por Marcos Farrajota que procura sempre soluções inovadoras e arriscadas num dito mercado nacional mas que encontra uma recepção francamente positiva noutros circuitos - que temos neste Futuro Primitivo parece-nos ter atingido o seu resultado prático justo. (...) Tendo conhecimento de algumas antologias nacionais e internacionais, é realmente bizarro que a atenção para com este projecto seja pautada por um silêncio quase consensual, apesar da franca “vanguarda” que ela apresenta (...) Falhanço? Ou trata-se isso de um exercício de contradição face aos discursos habituais das “vitórias” e “sucessos”, no campo em que apenas se vasculha na continuidade de sempre?» Pedro Moura in LerBD 16/05/12 

«A compilation of (post-)apocalyptic comics from Portugal and beyond, assembled as a kind of continuous, disjointed, exquisite corpse. This presentation actually makes for something surprisingly more cohesive and intriguing than most comps as it forces parallels and themes to emerge across juxtaposed artists' work. (did each know what the other would do, or is this happenstance? Is there a larger picture?) (...) I was going to come back and write more, but this remains cryptic and interesting as ever. Kind of a widely collaborative, free-association-narrative-connected art book.» Nate D / Goodreads / May 2012 

27 MAIO 2012 - nomeado para Troféu Central Comics Melhor Publicação Nacional 2011 - seja lá o que isso quer dizer e que nada trás para reflexão sobre o projecto ...

«I like the book, there are different moments actually, some parts look like a complete story and some are scattered, I don't understand most of the text so that could be the reason for me not being able to connect everything, but that is also kind of apocalyptic approach consistent to the theme. It can also be a part of the concept (this lack of communication that happened to me on the trip gave me an idea) that you have a solid story with a complete action, characters, articulate conversation at the beginning of the story, but as far as story goes on, everything is starting to lose the connection and at the end becomes a completely unconnectable neurotic abstraction of words and images. As the apocalypse has happened to the medium of narrative comic approach, lets say. I know it's not a hot water (as croats say), but I think it can be used related to the theme. And I like the theme.» Ivana Zubovic ... Tue, 24 Jul 2012 13:47:54 +0200

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

Não resisti ao mash-up



 Joana Sá & Luís José Martins : Almost a Song  (Shhpuma / Clean Feed ; 2013)
Thormethor : Dissolved in Absurd  (Glam-O-Rama + Chaosphere + Raging Planet ; 2012) 

Há tanta música neste planeta que nem temos tempo para ouvi-la como deve ser, da minha parte assume mesmo isso, muitas vezes meto dois discos a tocarem ao mesmo tempo. De vez enquando dão mash-ups porreiros como é o caso destes dois!!!
Thormethor é uma das bandas portuguesas seminais do Death Metal, ou pelo menos a primeira a gravar oficialmente – sem ser demo-tapes – em disco. Recentemente, o Luis Lamelas decidiu fazer o seu sonho de Peter Pan e recuperar uma série de bandas de Metal para vinil – um bocado como já tinha acontecido com o Rock dos anos 50/60 e o Prog nos últimos anos. Dito e feito, já saíram os dos Thormethor e dos Moonspell (quando estes eram barulhentos do Black e não os pussys que são do Goth). 4 temas retirados em formato maxi 12” mostram que os Thormethor eram mais do que uma banda Death portuguesa – um feito tão extraordinário como ser a primeira banda dubstep do Luxemburgo – mas uma banda com ideias e força (o rótulo Death Prog fica-lhes bem!), em que claro sentimos influências de Sepultura e de Carcass, man, estávamos em 1990! Os gajos na altura devem ter pago um balúrdio na Bimotor para ouvir o LP Beneath the remains, por exemplo... Boa (re)edição!!!
Um dos temas dos Thormenthor tem um pianito xunga como "Intro" o que vai dar muito bem com o CD da Sá e do Martins. Estes tocam uma série de instrumentos mas com prominência para o piano e guitarra clássica, e se esperam daqui a calmaria típica dos portugueses ou Indie Rock dos Pinhead Society (Sá fez parte) ou algum terror Deolinda (Martins faz parte), esqueçam. As peças invocam música de câmara cheia de silêncios e reflexão só que… de repente entra em drones barulhentos que estragam o ramalhete estético todo – e ainda bem! Um mimo este disco, um mimo!
De resto, é pô-lo a tocar, passados alguns minutos é de por o de Thormethor ao mesmo tempo – talvez um bocadinho mais alto que o de Sá & Martins. Acaba o lado A, devagar se muda para o lado B até acabar. O de Thormethor acaba mais cedo e o de Sá & Martins dão o “Outro” necessário... perfeito!

Çuta Kebab & Party


Çuta Kebab & Party é um projecto devoto à música popular e "fast-food" euroasiáticas, protagonizado por três produtores portugueses que se deixaram seduzir pela colisão entre antiguidade, modernidade, tradição e imediatismo que ambas propõem. Durante uma semana a fluxo de Falaffel, Kebabs e Narguilé, foi produzido um EP que homenageia esta cultura híbrida, evocando-a a partir de uma perspectiva ocidental, com o uso de "found tapes" oriundas de bairros turcos de cidades europeias, gravações feitas em "kebab shops" e ritmos da música tradicional turca e curda.
O disco de 10" de estreia deste projecto é uma co-edição Chili Com Carne e Faca Monstro. Edição limitada a 300 exemplares, a capa é em serigrafia e inclui um encarte-poster com ilustrações das músicas por André Lemos, Bruno Borges, João Chambel, Jucifer, Marcos Farrajota, Margarida Borges e Ricardo Martins.
Porquê é que nos pusemos a editar um disco em vinil? Porque achamos este projecto de suma importância cultural para o nosso país cinzento e rural. Negámos África até há pouco tempo ficarmos de Kuduru. E o nosso lado sarraceno? Aquele que nós absorvemos de tal forma que já nem sabemos que somos mais mouros que celtas? Çuta Kebab & Party será um marco na História como o regresso do espírito árabe à cultura portuguesa mesmo que seja IDM com "found-tapes" turcas.
De resto, até prova contrária, não nos interessa editar mais nenhum outro disco.
...
FIRST VYNIL RECORD at CHILI COM CARNE
(and maybe the last one, we like only this music to make a physical record!)
Çuta Kebab & Party it's project devoted to popular music and Euro-asian fast-food, made by three Portuguese producers seduced by the clash of Ancient, Modern, Tradition and Contemporary.
During one week consuming Falaffel, Kebabs and Narguilé, they produced this EP, true homage to hybrid culture in an Occidental perspective using "found tapes" from Turkish neighborhood in European cities, recordings in Kebab shops and Turkish and Curd traditional rhythms.
It's an edition of 300 copies, silkscreened with poster and 6 different illustrations by Ricardo Martins, João Chambel, André Lemos, Margarida Borges, Marcos Farrajota, Jucifer and Bruno Borges.
credits: released 25 June 2011 at Feira Laica / Trem Azul, all tracks produced by Pedro What, HHY and Ghuna X. Mixed by HHY. Mastered by Ghuna X at The Environment. Released by Faca Monstro and Chili Com Carne
.

...

compra / BUY VINIL últimas 40 cópias / last 40 copies (10 euros; 50% desconto para sócios CCC, jornalistas e lojas / 50% discount for CCC associates, critics and stores) @ Chili Com Carne shop, Trem Azul, Matéria Prima, Inc, Louie Louie, Glam-O-Rama, Staalplaat, CDgo.com, Fábrica Features, Digelius e / and Neurotitan DIGITAL - 5 euros na / in facamonstro.bandcamp.com

...
Historial: lançado dia 25 de Junho 2011 na Trem Azul, no âmbito da Festa Laica ... lançamento portuense no dia 5 de Agosto 2011 no Café au Lait ...
...
Feedback: Yes Kebab rules. I like it a lot as a vegetarian. I must find my dancing shoes. Jyrki Heikkinen ... the Kebab mix, I really like first song on A side and the “Halhat” on B side, perfect for LSD kebab fiesta!!!! its a good LP for my collection of “strange vyniles” Bertoyas ... Kebab 10" is a great record. Our boss, Stephane, really liked it! VP / Ici d'Ailleurs

VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) - distribuição da Chili Com Carne




Este é o novíssimo projecto do artista grego Ilan Manouach e do escritor português Pedro Moura, VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL), ou Variações Sobre o Anjo da História/Ensaio de Walter Benjamin/Inspirado por “Angelus Novus” (um Desenho de Paul Klee), uma colecção de quarenta e oito poemas em prosa baseados - mas em permanente fuga - na possivelmente mais famosa imagem de Walter Benjamin, acompanhados por desenhos que exploram tensões quase insuportáveis entre texto e imagem.

Co-publicado por La Cinquième Couche, uma editora de banda desenhada experimental belga, e a Montesinos, a chancela editorial de P. Moura, com textos em francês e português, VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) é também um objecto que desenha habitar a zona desmilitarizada e densa que existe entre os domínios da ilustração, da banda desenhada, dos livros de artista, das colaborações, das artes do livro, da reprodutibilidade e de um misticismo impoluto pós-tecnológico.

PVP: 18 euros (20% desconto para associados) à venda na loja online da CCC, Matéria Prima, Livraria Sá da Costa (Rua Garrett, Lisboa), Artes & Letras, Fábrica Features, Trem Azul, Letra LivreNouvelle Librarie Française, Kingpin Books e Mundo Fantasma.
Brevemente no Pó dos Livros, Utopia,...

---------



Um movimento contraditório de dissolução e acreção de um processo de mitificação do mundo. As ruínas da História, tais como descritas por Walter Benjamin, assumem muitas formas, e muitos são os gestos que procuram restaurá-las, deslocá-las ou então abandoná-las de vez.

As configurações são por isso inúmeras, e as metamorfoses incessantes. VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) não é mais do que uma sucessão de capturas das formas que se molda nessa tempestade caleidoscópica. As palavras de Pedro Moura apresentam uma paisagem a um só tempo desolada e vibrante populada por personagens dantescas, descritas ora vaga ora meticulosamente, emprestando vozes diferentes a ensejos diferentes, todas detectáveis na mesma localização. Os desenhos de Ilan Manouach, através de várias estruturas e fontes, moldam as proporções exactas destes fragmentos em ruína.

Ilan Manouach e Pedro Moura já haviam colaborado, mas como comissário e artista. Todavia, as afinidades de ambos foram imediatamente instigadas, encontrando um campo comum electrificado nos seus interesses pelas ruínas da tessitura da realidade, pela natureza efémera da beleza (e a beleza do efémero), pela falibilidade do monumental e a monumentalidade dos dejectos, pelos umbrais entre a vida e a morte, e por execuções precisas e automáticas dos gestos de desenhar e escrever com fim à evasão das costumeiras mistificações da arte, procurando antes concretas fantasmagorias que acabam de despontar.

O filósofo alemão Walter Benjamin - com a sua imagem potente do crítico como aquele que mortifica a obra de arte, que a despoja e desnuda, para transformar o objecto prístino em ruínas e, no seio delas, procurar libertar o seu fogo interior - tornar-se-ia o condutor desta colaboração. O fragmento do “Anjo da História” é um enigma. Tratar-se-á de um desenho de Paul Klee que espoletou um conceito em Walter Benjamin? Ou um ensaio descritivo-criativo sobre uma figura previamente existente? Existirá noutras paragens? Faz sentido falar de exisrência, seja ela actual ou virtual, neste caso?

VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) tenta revisitar esse lugar de encontros para instigar outros tantos.


Ilan Manouach é o criador de uma mão-cheia de livros que redefiniram a forma da banda desenhada, tais como Le lieu et les choses e Frag, tal como a relação entre texto e imagens com Limbo. Muitos dos seus projectos artísticos exploram “encontros fortuitos” lautreamontianos entre arte site-specific, a instalação, a apropriação, artes gráficas e música, área na qual ele é igualmente um virtuoso saxofonista e manipulador de electrónica.

Este é o primeiro livro de Pedro Moura enquanto escritor, embora tenha publicado contos, poemas e literários objectos não-identificados noutros locais (inclusive uma opereta). Ele é sobretudo um crítico de banda desenhada, escrevendo para o blog lerbd. No domínio da banda desenhada, ilustração e animação, já trabalhou como professor, tradutor, comissário, escritor, documentarista e editor.


Sábado, 23 de Fevereiro de 2013

Não resisti os 30 minutos...



Albatre : A Descent into the Maelström (Shhpuma / Clean Feed; 2013)
Deskarga Etílika : ContamiNation (Death Exclamations; 2011)

Duas descargas de energia que me vieram parar às mãos no último fim-de-semana do Festival Rescaldo, embora foi num concerto dos Lost Gorbachevs numa sociedade recreativa nos Anjos que arranjei o disco de Deskarga Etílika. Lembrou-me de ouvir o primeiro deles (de 2003) e inclusive ter visto um ou dois concertos da banda tendo ficado impressionado com as suas prestações ao vivo. Continua a ser uma boa banda D-Beat / Crust mas falta o segundo vocalista com aquela voz Grind vampiresca para dar dinâmica à música, que por natureza é repetitiva. Ao que parece os Deskarga acabaram em 2008 mas isso não impediu de se editar este segundo disco com uma capa e grafismo muito fixe desenhado do baterista Múmia.
Os Albatre também picam os miolos com barulheira mas estes são um trio de jazzcore residente em Roterdão (terra do camarada Marcel Ruijters) em que dois dos elementos são portugueses. Talvez pelo baterista não ser português é que a banda faça música agressiva ao ponto de ser a primeira edição da Shhpuma que a música não é... espumante. Tocaram na primeira noite do Festival Rescaldo mostrando coesão e poder de fogo que se repete em disco.
Doi ouvir estes CDs! Felizmente ambos tiveram o bom senso de só gravarem mais ou menos meia-hora de música... o corpo e a mente não aguentariam mais tempo de agressão!

Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Não resisti: BD Jazz



Jorge Lima BarretoZul Zelub (Clean Feed; 2008)
Sei Miguel : Esfíngico - suite for a jazz combo (Clean Feed; 2010)

Qualquer gajo que goste de música e de BD deveria ter o último disco de Barreto, no primeiro caso porque é um prazer ouví-lo a tocar piano acompanhado por 4 leitores de CD ou por um rádio. A ideia de usar rádio e instrumentos não é nova claro, podemos encontrar em vários exemplos aleatórios pelo tempo e mundo fora: Steve Lacy, Nevada Hill, Pink Anvil,... e antes destes todos o John Cage, claro; mas o resultado neste disco é agradável para quem ouve, o que geralmente em música improvisada não é isso que acontece. Para quem gosta de BD, este disco é uma clara homenagem a Zil Zelub, banda desenhada anagrama de Guido Buzzelli, autor e obra que marcam o início da BD como Arte. O Zul e Zelub são duas peças gravadas em espectáculos ao vivo em 2005 e que partilham com Zil Zelub um ambiente entrópico, onírico e de preocupação ecológica.
Sei Miguel e os seus parceiros (Fala Mariam, Rafael Toral, Pedro Lourenço e Cesár Burago) assinam 7 peças de math-zazz espacial que levantam as habituais questões de que género de música é esta. Sabemos que é reducionista e abstracta como um jogo de música em que alguém misturou 5 elementos alienígenas numa faixa só. A capacidade de ser fora das caixas do género lembra, já agora, The Cage de Martin Vaugh-James, misteriosa obra-fronteira de BD e ilustração com prosa-poética também ela seminal no campo experimental da BD. A evitar ao vivo, no entanto, a não ser que se coma um space cake...

Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

o que é o nacionalismo?


Seitan Seitan Scum


O número #22 do zine Mesinha de Cabeceira edtira trabalhos de projectos frustrados pela inércia alheia e uma série de novos trabalhos vindos do outro lado do Atlântico sobre o tema das "Seitas"
.
Chegou em 2010 numa altura que Portugal recebeu o decadente representante da Seita Seminal - a que criou as estruturas repressoras mais complexas da História da Humanidade. O Papa Rammstein fez de Portugal o seu penico católico e os portugueses nem piaram. Fecharam a Baixa Lisboeta para ele poder mijar disparates e o Estado português subserviente e salazarista deixou os seus Ministérios serem fechados, bem como escolas, universidades, bibliotecas e tudo o que é "seu" e ainda mandou rebocar carros para que o Papa Mais Feio de Sempre ("por cada pecado cometido, uma ruga te marcará a cara", como está escrito na Bíblia Sagrada!) possa sujar as nossas ruas com a sua legião de beatas pestilentas.
A única hipótese de salvar o país seria se o Representante Máximo do Porco Nazareno tivesse trazido a Peste Negra que lhe deve estar naqueles genes de Rato Negro e dizimasse todos os tontos que lhe cortejam. Mas o Universo é injusto e cruel e isso não acontecerá... Restou-nos publicar o Seitan Seitan Scum
...
Depois de mil atribulações, em que os editores do projecto já achavam que haveria uma Cabala contra o livro, conseguimos reunir ilustrações (muitas) e BD's (poucas) dos portugueses Bruno Borges, Pepedelrey, Filipe Abranches, Pedro Zamith (capa), Mulher-Bala, JCoelho, André Lemos, José Feitor, João Maio Pinto, Daniel Lopes, João Tércio, Ricardo Cabral, e ainda cartuns de Silas - a representar a ala Protestante, bem como o Panque Roque do Senhor (ele pertence à banda Pontos Negros entre outros projectos FlorCaveira).
Do Brasil surgiram muitas propostas de bd vindas dos colectivos mais dinámicos do momento como o pessoal das revistas Prego (Chico Fêlix, Guido Imbroisi e Alex Vieira) e Samba (Gabriel Mesquita, Gabriel Góes e LTG), e do colectivo Pégassus Alado representados por Biú, Roberta Ramos e Stevz, e que nos visitaram em 2008 no evento Brucutumia. Também temos o Fábio Zimbres - excelente grafista e responsável pela extinta mas muito influente revista Animal - que desenhou uma história de Marte (Loverboy, NM), argumento escrito para outro projecto frustrado.
Por fim, temos ainda o norte-americano satânico-que-baste e polémico Mike Diana que numa bd decide homenagear a banda portuguesa industrialita Bizarra Locomotiva, sabe-se lá porquê. Os originais, aliás, já tinham sido apresentados no evento Furacão Mitra, em Dezembro de 2008 na sua visita papesca, e nunca chegamos a perceber porquê a razão de tal coisa... aliás, não se percebe nada deste livro!
Amén!
.
60p A4 a cores. edição brochada.
ISBN: 978-989-8363-00-8.
co-edição El Pep e Chili Com Carne
.
PVP: 13€ (50% para sócios CCC e lojas) à venda no site da CCC, Fábrica Features, Kingpin Books, Mundo Fantasma, BdMania, Matéria-PrimaFlurLetra LivreCDgo.com, Trem Azul
e Ugra Press (Brasil)
.
Historial: lançamento a 20 de Maio 2010 na loja Trem Azul / R. Garrett 70 / Chiado After Work com a presença de alguns dos autores ... 3º prémio do Slowcomics Best Fanzine 2010 pela Fundação Franco Fossati (Itália) 
... 
Feedback: uma excelente antologia de histórias em quadrinhos, colagens, cartuns e ilustrações que falam – ou emitem pensamentos telepáticos – sobre as mazelas das religiões como um todo – ou como a própria contra capa resume, descrença secular. Nada recomendado para os de fraco estômago e os mais ortodoxos. Amém. Pula Pirata ...
.
exemplos de trabalhos (Stevz, Mulher-Bala, Mike Diana e Daniel Seabra Lopes):

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013

Ao lado...

O novo álbum de Rudolfo (Ruru Comix + Cafetra Records + Monster Jinx; 2012) tem um título homónimo ao seu criador mas parece muito pouco Rudolfo tal como o conhecíamos. É um disco caótico de direcções e intenções que só mostra que o Rudolfo foi apanhado pelo seu próprio avatar e que mostra que não sabe o que fazer com uma carreira que não chega a ser como as das "boy bands" - estas são intensas, fantasiosas e curtas porque rapidamante os ídolos passam de moda mas também porque os rapazes crescem, mudam de voz e sofrem outras dores do crescimento. Rudolfo não sendo um "star" vive com a mortalidade normal do povão, criou uma imagem mítica mas esta agora mostra o barro nos pés do mundano. Desonrientado resta a Rudolfo gozar com os otakus, hipsters e outros monstros (em Subitamente ou Balas Perdidas) mas não pode ser "profundo" sem cair na demagogia Pop (Contagem descrescente ou União) nem frequentar música "out" seja na vertente electrónica seja Rock - com ou sem amigos como Ricardo Martins e os Cafetras - porque não se dedicou a tempo inteiro a trabalhar em música como fazem os músicos "à séria". O Rudolfo perdeu a sua espontaneidade "teenager" onde qualquer merda que fizesse teria piada, é neste disco visivelmente um puto desonrientado. Talvez tenha mesmo de fazer como as "boy bands" e parar para depois regressar à grande e à francesa daqui uns anos para gozar com a sua geração de Peter Pans todos fodidos. R.I.P. / Rudolfo in Peace. Claro que um regresso de um Rudolfo não irá significar estádios cheios de gajas cheias de tusa, frustração e crise da meia-idade...

Mais um disco homónimo... os Surveillance (auto-edição; 2012) que é um duo - ela bateria, ele baixo, ambos cantam - de Rock que soa a algures dos anos 90 mas que a minha RAM recusa-se a dar nomes por lerdice pura - Belly? Breeders? Nã!!! Algo mais obscuro de alguma forma... Girls Against Boys? Soa também a Beehoover mas creio que isso é por causa pelo uso dos mesmos instrumentos e aquele ruído lixado da guitarra-baixo. Parece faltar tecnicismo para convencer e acredito que ao vivo deva ter mais energia para nos dar - pena que o concerto deles na Laica tenha sido cancelado pois gostaria de os ter visto! A gravação de tão ruídosa que é merecia ter sido materializada em K7 embora a embalagem do CD seja super-cool! É de estar atento a desenvolvimentos destes duo-putos...

Por falar em duos... Throes + The Shine são dois duos num projecto Rockduro (Lovers & Lollypops; 2012) em que se mistura Kuduro (The Shine) com Rock (Throes), ideia excelente num país cinzento que sempre teve problemas em lidar com África. É excelente ver projectos destes sairem por aí em mestiçagem cultural e sonora, para onde aliás o Futuro sempre rumou - neo-nazis, nacionalistas e outros estúpidos vão aprender História, sff. O único senão deste projecto é que ele é um projecto comercial que junta aquele hedoísmo parvo do Rock com a primitivismo intelectual do Kuduro, quando justamente o mundo o que menos precisa é de mais diversão monga. Nada mais fixe que soltar a franga mas ser um saco de chavões com nova roupagem não me interessa assim tanto. É só "dança, curte, etc..." com uma curiosa instrumentação - e é tudo. Infelizmente, nem todos podem ser Ghunaganghs...

Os E.A.K. já cá andam há alguns anos - ainda me lembro da primeira edição de autor em 2003 - mas pelos vistos estrearam-se em formato álbum oficial com Muzeak (Major Label Industries + Raging Planet ; 2011) - é na verdade o segundo álbum. Definem o seu som como "musclecore" mas o que temos mesmo é Metalcore, género contemporêneo de fusão de Metal com Hardcore que têm sobretudo os defeitos do Hardcore, ou seja, há milhares de bandas assim, com berros pseudo-desesperantes e riffs já ouvidos. As letras em inglês são de uma pobreza extrema - talvez o mais extremo da banda esteja aqui - cheio de chavões de quem está chateado com o mundo: a violência, a estupidez, a falta de amor, a futilidade dos media, etc... Curiosamente se tanto criticam o mundo de plástico então porque a fotografia promocional da banda parece uma parada da Casa dos Segredos? E estranhamente o único momento sonoro de interesse no álbum é o final de Sunday Afternoon Freak Show Cabaret um tema que parece criticar a xungaria dos "reality shows". Os opostos atraem-se muito fácilmente...

Outra estreia é Besta com Ajoelha-te perante a Besta (Raging Planet; 2012) que apresenta-se como Crust - mas os elementos da banda acho que tomam banho e só um é que tem um cão rafeiro. é barulho, barulho, barulho como bem falta às bandas portuguesas de Metal, sem letras no disco para se perceber o que se grunha por aqui, só nos podemos levar pela imaginação que os títulos sugirem: Pai das mentiras, Misantropo, Já foi tudo dito, Finantropia absurda ou O céptico, o crente e o bode... Um bocado linear, faltando loucura para ilustrar o século XXI... Podia ser ainda mais fodido? Eu acho que sim afinal o Scum já foi há mais de 25 anos, né?

Bernardo Devlin tem um novo álbum mas enquanto não o oiço ficou-me pelo anterior Ágio (Sinal 26 / Nau; 2008) que tem uma capa prateada deluxe que o scanner não apanha. Mas o facto da luz do scanner transformar a capa num negro néon talvez resume melhor o que é este disco na realidade, um "Pop de câmara" na linha dos álbuns de Scott Walker dos anos 90 para cá. Ao que parece as letras envocam os anos 70 de Lisboa à procura da modernidade que não chegou (é o que se lê na nota de imprensa do disco) mas por mim tudo isso passa ao lado, apenas parece música de cortar os pulsos numa noite em que tudo corre mal - o dealer enganou-nos, a gaja mandou-nos à merda, os amigos ficaram em casa a ver TV, os bares e discotecas fecharam / não te deixam entrar e sozinho um gajo anda por aí a meter nojo e/ou a passar-se. A música é um misto de electrónica e instrumentação eléctrico, ambos lentas e intimistas como qualquer produção portuguesa que se preze, que mostra o bom compositor que é Devlin - este é o quarto álbum, só conheci o terceiro. É o melhor álbum deste lote e deixa-nos a pensar que se toda a Pop fosse assim... Obrigado ao REP pela oferta deste disco.

O Tombo Primeiro (Raging Planet; 2012) da Tertúlia dos Assassinos é uma espécie de marco histórico na edição fonográfica portuguesa. Se em Portugal houve muitos discos de recitais de textos ou "spoken-word", é muito raro encontrar material deste editado desde os meados dos anos 80. Recentemente tem havido um regresso à oralidade da poesia ou de textos, seja com os Poetry Slams, episódios de combate social ou com uma atitude editorial definida como a excelente Mia Soave. A Tertúlia reúne cinco criadores a trabalhar neste campo, que por minha ignorância da sua existência (ou pelo menos regularidade pública de actividade) admira logo pela quantidade e qualidade dos intervenientes. Querendo fazer da literatura perigosa outra vez (uma utopia revivalista na realidade), estamos bem longe de Ary dos Santos, Manuel Alegre ou Mário Viegas (as origens "spoken-word" de Portugal?) para não dizer que estamos antes em campo oposto porque o que temos nesta Tertúlia é sátira (bocagiana?) de Charles Sangnoir, misantropia (Aires Ferreira o recitador tecnicamente mais impressionante!), esoterismo (Gilberto Lascariz), solipsismo (Melusine de Mattos) e ensaio com David Soares num poderoso, glorioso e (o mais) longo texto. O disco vêm acompanhado de um livro com a reprodução dos textos recitados (ou é o contrário?), gesto redundante depois da interessante gravação áudio. E infelizmente, o livro como objecto é terrível: em design (teen-goth?), paginação (esta malta gótica nunca viu os livros da &etc?), impressão e acabamentos. Espera-se com alguma ânsia por um "segundo tombo", tal como um ouvinte espera um novo capítulo do seu programa de rádio favorito...

Por fim, ufa!, David Soares volta com Charles Sangnoir para fazerem um horripilante CD intitulado Os Anormais : Necropsia de um Cosmos Olisiponense (Raging Planet; 2012). Soares explora o tema da "anormalidade" encarnando o papel de cicerone assustador e que é bem acompanhado por Sangnoir que faz uma banda sonora ambiental minimalista bastante eficiente - aliás, é ele que faz a parte musical da Tertúlia também? Tira-se o chapéu para ambos casos se se confirmar... Dois defeitos apenas, a monotonia na recitação do texto e falta de riqueza gráfica do CD. Deficientes em Lisboa daria pano para mangas para se fazer um livro com desenhos ou reproduções de material documental e gráfico a que Soares se baseou - quem sabe até seria uma boa desculpa para ele voltar a fazer alguns dos seus desenhos grotescos que não vemos há uma década. Seja como for, é um disco para se ouvir com muita atenção!

Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013

Algumas pessoas depois


novo romance de Rafael Dionísio
!
capa e desenhos de André Ruivo
design de João Cunha / Ecletricks
!
204 p. 21 x 14,5 cm, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-09-1
!
11º volume da Colecção CCC
!
PVP: 10 eur. (50% para sócios, lojas e jornalistas)
à venda no sítio da CCC, Fábrica Features, Letra Livre, Matéria Prima, Trem Azul, CDgo.com, FNAC e na Livraria Sá da Costa.
versão e-book aqui
!
sinopse:
trata-se de uma história sobre a perda, sobre a psicologia profunda das personagens, sobre o ciúme, a perda afectiva, a perda do controle emocional. Retrata no seu modo de narrar diferente o começo e a derrocada psíquica de um indivíduo. É também a história de um triângulo amoroso e de um homem que tentar resistir a afundar-se. Pelo meio vão ter lugar alguns acontecimentos imprevisíveis, desde salvamentos de pessoas até festas em casa do carismático (e perigoso?) padrinho. A narrativa desenrola-se irreversivelmente para um ponto de não-retorno.
!
historial: lançado no dia 20 de Março 2011 na Sociedade Guilherme Cossoul ...
!!
feedback : O que es­creve é um hí­brido de ro­mance e po­e­sia (chama-lhe «anti-romance») em que as con­ven­ções de gé­nero são cons­ci­ente e in­ten­ci­o­nal­mente des­res­pei­ta­das. Se bem que deixe in­tacto, e até ex­plore até ao li­mite das pos­si­bi­li­da­des, um fa­tor que al­guma li­te­ra­tura por­tu­guesa pa­rece ter es­que­cido: a nar­ra­tiva. O Dionísio conta mesmo his­tó­rias. O Dionísio CONTA. Rui Eduardo Paes

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013

A Segunda Vida de Djon de Nha Bia

Este livro de Nuno Rebocho é uma obra maior da literatura lusófona. É uma grande alegoria das relações de poder entre os homens. A narrativa passa-se num arquipélago imaginário, onde de tudo um pouco acontece. É uma obra que, além de muito divertida, tem um conteúdo político (no sentido nobre, aristotélico, da palavra) muito agudo. Além disso, sendo escrita num português de latitudes mais quentes, é uma lufada fresca de palavras e expressões novas. Um grande livro, sem dúvida!

sobre o autor: Nuno Rebocho nasceu em 1945; opositor do salazarismo, foi jornalista e interventor cultural antes e depois do 25 de Abril. Foi jornalista na RDP, Antena 1 e 2, durante muitos anos. Recentemente passou a viver em Cabo Verde, enraízando-se nesse arquipélago lusófono. Publicou vários livros de poesia e de crónicas. Ultimamente tem desenvolvido uma poderosa linha narrativa em que o Djon é um dos primeiros títulos a ser revelado ao público. 

Sinopse O livro conta as aventuras de um tipo que sai para fora do caixão no seu próprio velório. Desse acontecimento só há uma testemunha meio bêbeda. A partir daí, o herói desta espécie de fábula irá percorrer a sua ilha, primeiro, e outras ilhas em busca do sentido de estar morto. Nessas ilhas acontece de tudo um pouco: os mortos votam nas eleições, o diabo aparece, há um doutor que faz chantagem e até uma das ilhas tem um rei. Enquanto o herói percorre as ilhas, na sua ilha de origem desenvolve-se todo um culto em torno da sua figura ressuscitada, com templos, restaurantes, e todo um conjunto de actividades económicas associadas ao fenómeno de um local sagrado.

Excerto Quando a carapinha lhe emergiu do caixão, Djon percebeu que estava morto. Fora da sala era a rua e de lá vinha a batida da tabanka, oca e ondeada, e uma voz narradora que entretinha a comezaina aconchegante do velório. Família e demais abancavam no terreiro, digerindo a noite antecedente ao funeral, que seria pela manhã.
...
Nono volume da Colecção CCC editado por Marcos Farrajota e Rafael Dionísio, prefácio de Luíz Carlos Amorim, capa de Jucifer, design de João Cunha, ISBN: 978-989-8363-01-5
...
PVP: 10€ (50% para sócios, lojas e jornalistas) à venda no site da CCC, VOL, CDgo.com, Letra Livre, Fábrica FeaturesLivraria Sá da Costa (R. Garrett, 100) e Artes & Letras *** E-BOOK: todoebook.com
...
Historial: Lançado na XVI Feira Laica ... Apresentação pelo Prof. Dr. Luis Filipe Tavares (Universidade Piaget) na Cidade da Praia, Cabo Verde (08/07/10) ... brevemente algumas apresentações em Portugal ... Apresentação por Rafael Dionísio no Centro Interculturacidade (16/09/19) ...
Feedback: primeiro romance da autoria de Nuno Rebocho, escritor português radicado em Cabo Verde. Trata-se de estória salgada de crioulidade, onde o mágico e as driabruras se entrecruzam em artimanhas que envolvem mortos ressuscitados em revolta e o derrube de poderes vivos, santos sem vocação, fundamentalistas irredentos e muita tropelia que fez a vivência de um país chamado Arquipélago, igual a tantos arquipélagos que são países e a países que são, por isso mesmo, arquipélagos. Com humor e ironia, o autor traduz o insólito como realidade, mas onde quaisquer semelhanças com realidades conhecidas são mal-deliberadas coincidências, numa escrita colorida e cáustica para o novo acordo ortográfico adoptado pelos países lusófonos. Porosidade Etérea alegoria política de quem quem quer ajustar contas com o mundo, como "Animal Farm", de Orwell, ou "Aventuras de João Sem Medo", de José Gomes Ferreira. Os Meus Livros

Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013

Psicose


 Livro de Bd escrito por Miguel Costa Ferreira e desenhado por João Sequeira 
[p/b - 64 páginas - encadernado com lombada em tecido e fitilho de marcação]


psicose [psi'kɔ] s.f. Doença mental em que a personalidade se desintegra de forma profunda, com perturbações da percepção, do raciocínio e do comportamento, das quais o paciente não tem consciência (Do grego psykhé, «alma, ego ou mente» +-ose)

O que será a realidade? Será de facto perturbada uma mente que vê o que outros não veem? Será sensato rotular de louco quem insista numa realidade diferente da defendida pela maioria como sendo a verdadeira? “Psicose” navega pela mente de uma pessoa diferente. Louco ou não, louco ou são, ficará ao critério de cada um.

João Sequeira e Miguel Costa Ferreira conheceram-se na Tertúlia BD de Lisboa, organizada por Geraldes Lino e desde logo surgiu a vontade mútua de uma colaboração. Praticamente sem se conhecerem ainda, produziram a obra vencedora no seu escalão do concurso do Festival Internacional de BD da Amadora em 2010. Perante o inesperado mas motivador sucesso, criaram mais uma BD curta que viria a vencer o concurso do Festival Moura BD de 2011. Produziram ainda um obra em inglês, destinada a um concurso internacional sérvio. Decidiram então criar uma BD mais extensa, tendo surgido Psicose, história que dá nome ao livro que se apresenta como uma compilação de todos os trabalhos que surgiram da colaboração entre a dupla.

PVP: 15€ (desconto 20% para associados da CCC) à venda na loja em linha da Chili Com Carne

Sobre os autores:
Miguel Costa Ferreira - Decorria o terrível ano de 2005 quando decidiu criar um blog onde começou a publicar os seus devaneios néscios sob a forma de crónicas e contos. O sucesso da iniciativa foi de tal forma estrondoso que ao fim de cinco anos contava já com o surpreendente número de 7 seguidores! O espalhar da sua fama a nível mundial fez com que, no decorrer do funesto ano de 2010, se envolvesse com o Grupo Entropia e fizesse as suas primeiras investidas no universo da BD, em colaboração com a Ana Saúde. Passou a ser frequentador assíduo da Tertúlia BD de Lisboa onde fantasia ser argumentista e inicia uma colaboração com João Sequeira da qual sairam obras vencedoras em vários concursos. Esta parceria culmina com o lançamento do livro Psicose, uma compilação de todos os trabalhos em conjunto com este artista.
João  Sequeira (Portalegre, 1971) licenciado em Arquitectura (1995), faz BD desde 1994: “Big Joe and the phantom 309” catálogo do festival de BD de Ourense (Espanha) 1994; “Milú - uma história de amor” e “Aporcalipse” ambas com Miguel Mocho – fanzine Apalpalhão #1, “Metamorfina” com texto de M. Mocho – Lx Comics #17, Bedeteca de Lisboa; “Tudo o que é sólido dissolve-se no ar” com texto de Luís Henriques – fanzine Alçapão # 2; “O homem que passeava um papagaio atrelado a um rádio portátil” – fanzine Gambuzine #1 – 2º série; “Havia um homem zangado com tudo” com texto de Baptista Bastos – fanzine Tertúlia BDzine #153, “Western a cores” com texto de M. Mocho - fanzine Tertúlia BDzine #155-156, “Corto no Alentejo” com texto de Luís Pedro Cruz – fanzine Efeméride #5 – Corto Maltese no Sec. XXI, “Contos de horror e outras quinquelharias”, com texto de Cátia Alves – fanzine Tertúlia BDzine #172. Vive em Alpalhão e trabalha em Nisa.

Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Corrida de Sofás...

video




Foi uma festa de parar o trânsito. A corrida correu bem, não houve feridos nem danados materiais, deslizou tudo suavemente e para espanto de muita gente a vencedora da corrida foi a Vera Felner, estreante nestas andanças revelando um jeito natural para lidar com a dinâmica do sofá.  Pode parecer fácil, mas não é só sentar e relaxar, implica muita sabedoria e concentração, só ao alcance de alguns assim em pouco tempo,  ao alcance de todos está claro, com muito treino, muito deslize, muita experiência. Qualquer dia escrevo um livro sobre esta ciência.

AcontorcionistA / segundo volume: CALENDÁRIO


O Grupo Empíreo, Sociedade Anónima de Recreio e Prazer e as edições MMMNNNRRRG têm o prazer de convidar V. Exa. a adquirirem os restantes noventa e nove exemplares do segundo número da rapsódia erótica AcontorcionistA, intitulado Calendário, o qual se apresenta como um instrumento devidamente preparado para assinalar de maneira condigna, e ao longo de várias décadas, os mais emocionantes compromissos relacionados com os prazeres carnais.

\.../
Esta publicação integra-se na série gótico-erótica AcontorcionistA, projecto de carácter maleável e formato diversificado que conta já com um primeiro volume, Manifesto.

\.../
Lançado no dia 17 do mês Plutónico (ou 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados, no calendário gregoriano) na Pensão Amor / Rose Purple, com dança de varão pela Sofia Pinkpepper, do presente décimo oitavo volume das edições MMMNNNRRRG foram impressas apenas duzentas cópias, 24 páginas em formato XL (A3 para os amantes do papel) e custa 20 euros.

A publicação encontra-se à venda na loja em linha da Associação Chili Com Carne, na Purple Rose, na anti-swing Trem Azul, na sobrevivente Livraria Sá da Costa (R. Garrett, 100), e ainda na capital portuguesa na Kingpin e Letra Livre, na capital da depravação ibérica através da Panta Rhei e do Café Molar, na multi-nacional Fábrica Features, na Mundo Fantasma para satisfazer as necessidades do Norte, na descontrolada Artes & Letras, na franco-germânica Staalplaat e na cosmopolita Neurotitan.

folheamento digital do livro:




algumas imagens :


Sábado, 2 de Fevereiro de 2013

A Festa Faz O Monstro


  A SMUP fica na Parede, mesmo ao lado da estação de comboios, Rua Marquês de Pombal, 319



  Aqui está o Menu, para este sabádo, para quem quiser mexer o cu, e ir até à Parede, deslizar num sofá até à praia, dar uns tiros ao alvo,  ouvir o concerto de Catapulta, e sabe-se lá mais ou quê, hehe...