Isto vai acabar em lágrimas é o volume -13 da colecção THISCOvery CCChannel com as colaborações de André Lemos (capa), Carlos Matos (prefácio), Afonso Cortez entrevistando Fernando Cerqueira e Luís van Seixas, Marcos Farrajota com Pedro Brito (BD), Rapoon, Rui Eduardo Paes (testemunhos), DJ Balli (poema A.C.) e Joana Pires (design).
Apoio da Nariz Entupido.
144p 18x12cm (formato que homenageia as k7s da SPH) impressas a azul, capa de cartolina laranja, edição brochada, limitada a 300 exemplares.
ESGOTADO mas ainda pode ser encontrado Matéria Prima, Snob, Tigre de Papel, ZDB, Flur, Linha de Sombra, Socorro, Vortex, Neat Records, Twice Discos e Utopia.
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Sobre o livro Em
meados da década de 80, as editoras discográficas estavam praticamente
fechadas ao que de novo se ia fazendo e o que editavam pouco ou nada
interessava – o “boom do rock” tinha esgotado a paciência dos ouvintes
para a música em português.
No entanto, uma sala de espectáculos em Lisboa, de nome Rock Rendez Vous,
começou lentamente a dar espaço ao que realmente estava a acontecer, à
margem do mercado e da crítica. E, consequentemente, apareceram umas
(poucas) novas editoras independentes, como a Dansa do Som e a Ama Romanta, que acabariam por lançar alguma da mais interessante música feita nesses anos em Portugal.
No entanto, os meios destas editoras eram parcos e os orçamentos bastante reduzidos (já
para não falar do limitado poder de compra dos portugueses) e, por
isso, no final dessa década, as várias cenas musicais emergentes – metal, industrial, experimental, electrónica –, passam a gravar e editar as próprias cassetes para se fazerem ouvir. Era o do-it-yourself
aplicado à edição dessa nova música, autoproduzida, com total
liberdade, sem qualquer tipo de censura, que a partir de agora era
passível de ser gravada e facilmente duplicada em casa, desprezando
qualquer ideia de direitos de autor, quase sempre embalada em capas
originais feitas a partir fotocópias de imagens roubadas, activamente
divulgada através de flyers e fanzines e disseminada, sem intermediários, em mão e por correio, numa rede, tornada comunidade, internacional.
Facadas Na Noite, Tragic Figures, Anti-Demos-Cracia, Pé de Porco e a K7 Pirata, foram algumas das editoras que surgiram então e que marcaram esse início da edição independente em cassete, juntamente com a SPH.
Editora de Oeiras, no activo desde 1990, a SPH pôs a circular álbuns e compilações com nomes nacionais – Ode Filípica, Croniamantal – e internacionais – Merzbow, X-Ray Pop, De Fabriek, entre outros – somando um total de cerca de oitenta cassetes de música industrial, noise, avant-garde e até synth-pop,
ao longo dos seus quase quatro anos de edições contínuas. No entanto,
as oscilações dos interesses e mercados – estava-se na passagem das
cassetes e do vinil para o CD – fizeram com que a editora acabasse em
1993. Mas, atento, como sempre, às novas linguagens musicais de
circuitos underground, no início do século XXI, Fernando Cerqueira retoma as edições, dessa vez acompanhado por Luís van Seixas, sob o nome de Thisco. Perfazendo agora 20 anos, o presente livro comemora duas décadas de existência e os trinta anos do início da SPH, inventariando as edições e reproduzindo capas de ambas as editoras assim como material promocional e outra memorabilia, devidamente acompanhadas de uma conversa aprofundada com os envolvidos.



Historial:
lançado na Festa dos 30 anos da SPH e 20 da Thisco na SMUP, 22 e 23 Outubro 2021
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Feedback:
De livros feitos para se celebrarem efemérides na área da cultura, trate-se de uma editora de livros, do percurso de um cineasta ou de uma instituição apoiada pelo Estado, espera-se cinicamente um cozinhado hagiográfico, por vezes solipsista se o meio em questão for endogâmico e usar linguagens semi-privadas. Assim podia ser este Isto vai acabar em lágrimas. (...) A aventura sempre pessoalíssima do Fernando (...) mantém um motto muito próprio: se não os podes vencer, goza com eles.
A Batalha