sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Gatilho


A Música Portuguesa é bela, gosta de si própria. 

E percebe-se quando entrou nos meados dos anos 90 os Blind Zero, uma banda portuense que sempre que pensamos nela temos de ir à discografia dos Holocausto Canibal sacar um título para a descrever. 

Foi uma banda que marcou uma Era, a do Profissionalismo, Cosmopolitismo e Capitalismo em estado de graça. Nunca outro projecto de Rock alternativo acedeu a tanto orçamento e champagne para vencer nesses velhacos caminhos da carreira musical. Até cantaram em inglês para ganhar os mercados estrangeiros. 

Malgré tout nada conseguiram, a dada altura mendigavam (oh vergonha alheia!)  por uma pequena editora independente madrilena! 

Uma turma de invisuais num workshop de música não podiam ver a beleza dos longos fios de cabelo do vocalista mas reconheceram a sua lírica talentosa. Perguntaram: "Mas como é que ele nunca recebeu um Prémio da SPA pela sua poesia?" Sim, se o Dylan recebeu o Nobel, o que é Guedes abaixo dele?

Antes que respondam a esta provocação, a turma afincou-se a criar o seu clube de fãs - os Braille Zero - e atiram-se a traduzir as líricas para português, num desespero para que a população portuguesa possa apreciar mais - melhor, diríamos nós! - o que merece ser canonizado. 

Justamente 25 anos depois do termo "Grunge", em Portugal, ter sido mal traduzido para "azeite" (e não "gordura") eis o Gatilho que a Chili Com Carne e Rotten // Trash disparam para começar a sua série de edições de Musica portuguesa a melhorar-se dela própria.

Gravado entre 2017 e 2019 nas Terras de Bouro. Mini-CD limitado a 30 cópias. ESGOTADO na Chili Com Carne. Disponível em digital e físico na Rotten // Trash.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

ccc@perímetro


 As edições da Chili Com Carne e MMMNNNRRRG (2000-2020) vão estar presentes na Senhora Presidenta para este evento de edição independente e música avançada.
Podemos avançar que na poderão encontrar alguns livros nossos esgotados por lá!!

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Isola-te com Gekiga!


 Claro que sim, a melhor leitura para o confinamento são Tsuges e Tatsumis mas quem quiser um IDM cheio de glúten para banda sonora que vá ao bandcamp do Gekiga Warlord!! Sobretudo por causa do recente lançado "disco" (EP?) The Day They Stop Smiling is the Day We Remember Their Smile - título mesmo na esteira deste aqui.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Ward Zwart (1985-2020)

 


É um sentimento horrível abrir uma página de jornalismo sobre BD e vermos que é dada a notícia do falecimento de um artista tão novo e conhecido nosso. O flamengo Ward Zwart faleceu justamente há um mês. Apesar de só ter participado no nosso glorioso MASSIVE, sempre nos convidou para estarmos no festival Grafixx e foi-nos atencioso. Um vazio doloroso que nos deixa...

domingo, 15 de novembro de 2020

Isola-te com Brie!


Bríi
: Entre Tudo que é Visto e Oculto (Lovers & Lollypops; 2020) 

Por mim o Metal do Futuro deveria ter começado lá em 1996 com aquele genial tekno-samba-metal-remix de Chaos B.C. dos Sepultura, ooooh heresia! Não aconteceu, temos pena, por isso neste frustrante presente contento-me com as migalhas que vão aparecendo aqui e acolá, como este projecto brasileiro. Apesar de ter títulos - do disco e respectivas faixas – dignos de Paulo Coelho (credo!), a sua música dá-me Fé na Metal-Humanidade. Com quatro faixas entre os 15 e os 21m temos progressões de estilos de músicas que vão cair sempre numa destruição Black Metal, o que assim de repente soa apenas a ordinário e barato. É realmente dissonante ouvir BM a bombar com sons tribais ou de “Kosmische Musik” ao mesmo tempo, no entanto percebe-se que Bríi fez muito bem o seu “trabalho de casa” e deu calor à sua música, de tal forma que ela opõe-se à ideia da vulgaridade de juntar dois estilos musicais antagónicos só porque alguém fumou uma ganza e teve uma “ideia estúpida” (Zeal and Ardor, por exemplo). Oiçam a faixa A Hora da Morte que começa com um ambiente à Harmonia (a super-banda Krautrock) para se atirar ao BM selvagem e de lá para Trance digno do Boom Fest, estando registados até “glitches” do computador a borrar-se todo, talvez para nos lembrar que errare machinale est. Pura delícia secular, sabendo perfeitamente que o futuro nunca é como queremos.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Na pista da imprensa musical

 


O chavão mantêm-se sempre, vivemos em tempos bizarros. Nem é por causa de 2020-ano-do-covid. Antes da pandemia já não se percebia nada sobre imprensa musical em Portugal. A única publicação de quiosque desde há dois anos, creio, para cá é a Loud! ("Lodo" para os amigos) dedicada aos "sons pesados". Na Internet é um vazio existencial. Claro que há blogues e sítios mas o sentido crítico deles é digno de um peixe cheio de plástico nos intestinos. Acompanhar os suplementos culturais dos jornais é um erro, pior que ser apanhado no algoritmo do Youtube. É estranho que a 'net não tenha proporcionado nenhuma publicação que fizesse diferença no panorama musical - o mesmo se pode aliás dizer do cinema, teatro, poesia, literatura,... Ao contrário do que há em França, eis-nos reduzido a redes sociais com fotos catitas dos discos que sairam, colocações de "likes", corações ou emojis, discussões de fórum entediantes de uma crise total de ideias ou perspectivas. Depois aparecem casos estranhos, por exemplo uma série de zines anacrónicos de Metal perfeitamente inúteis e reveladores da crise da meia-idade ou pior um aborto como a JAMM. E agora esta Pista!

À primeira vista vista parece "muito design e pouco conteúdo" mas logo com a entrevista aos Desterronics e o artigo dedicado ao Rudolfo - merecedor de estar publicado no seu catálogo, já agora - mostra que estamos perante de algo sério. Reduzindo o ruído omnipresente da Música em todas as coordenadas espaciais ou temporais à ideia do "Clubbing", não se deixa agachar à música de dança como se esta tivesse o seu exclusivo. Assim, o conceito abre-se a mais propostas e ideias contemporâneas sem mofo quando se juntam mais nomes como a Odete ou o Mário Valente (do Lounge) para mostrarem a diversidade de opiniões, sons e programações possíveis em Clubes, e sem cair no espírito de gado do Lux - como a brasileira Cigarra o denunciou numa revista francesa.

Já saiu um número zero, este é o "primeiro" número da revista (fanzine?) datado de Agosto deste ano. O preço proibitivo de 15 paus parece que se deve a alguma inexperiência editorial, esperemos que venha a ser mais acessível de futuro, até porque tem o apoio da CM de Lisboa. Agora, porque raios é que o logo da CML aparece três vezes na revista - nos dois volumes e na cinta que os acopla - é um mistério gráfico que prefiro não saber a sua razão.

domingo, 8 de novembro de 2020

Será a caneta mais poderosa do que a espada?

 


A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas em Banda Desenhada por uma série de artistas. Este mês é a vez de André Lemos cuja sua nova exposição individual está patente até ao final do mês na Tinta nos Nervos!!

sábado, 7 de novembro de 2020

Isola-te com Carisma

 


Sim, a Chili Com Carne apoia o LP 100% Carisma dos Vaiapraia editado pela novíssima Tons to Tell!! É um vinil "deluxe punk" com bela capa e boa produção, uma edição luminosa para estes dias negros e infelizes que vivemos. Quem tiver dinheiro para pagar a electricidade mais cara da Europa ou viver nas quentíssimas casas lisboetas (cóf cóf), é fazer o que o Governo nos pede para salvar a celebração do porco nazareno, ou seja, toca de ficar em casa, de pelota a dançar como se estes fossem os últimos dias!! Aos heteronormativos desconfiados deste bem ritmado e esperto Queercore, pá... não se preocupem, os vocais do Rodrigo são tão difíceis de perceber que se calhar ele até 'tá a falar de relações tipo gajo e gaja, topam? Vá, nada de dramas! Granda som, vão lá comprar o disco, não sejam toscos!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Continua a publicar...

 


Foi uma semana de galhofa graças à virtual mas pouco virtuosa "Feira Gráfica". O que suspeitava, confirmou-se, a vida está noutros sítios, até nos mais insuspeitos. Ou como ontem, por exemplo, ao ser lançado o Skate Snake Zine #1 que cagou bem de alto para as donzelas ofendidas de um meio que se tornou sebento, vendido e burro. Invés de se apresentar no dito evento, este novo zine A5 dedicado ao skate invadiu um espaço da EMEL abandonado para lançar-se com um cobertor no chão e uma caixa cheia de exemplares. Juntou uma grupeta para umas bujas, conversa animada e "skatar". Duvido que o editor e colaboradores sequer pensaram na "Feira" e esta relação neste texto pode parecer despropositada. Não é. Tudo o que a "Feira" tentou defender do mundo editorial independente falhou pela sua estrutura paternalista e vertical. Num "não-lugar" o SSZ concretizou um ideal de independência, liberdade e criatividade em poucas horas, assim na descontra à tarde daquele dia da semana em que nada acontece na "grande capital". Inspirado noutras publicações estrangeiras como a Skateism move-se para discussões fora da machismo associado a este desporto justamente para reflectir noutras práticas, estéticas, corpos e o confronto do espaço público - para isso até gamou uma BD que saiu no jornal A Batalha. 
Nunca "skatei" - nessa tarde ia dando um trambolhão que me ia por de cama de certeza, o que fez terminar para todo o sempre qualquer tentativa de voltar a meter os pézinhos numa prancha com rodas - mas olhando e lendo o SSZ há aqui "food for brain" inesperado para leigos como eu. Num ano de lodo existencial ver este projecto e outros que aparecerão sem ajudas institucionais, preguiçosas e gananciosas, dá-me muita esperança no futuro da edição "indie", o ano ainda não acabou! 
Obrigado, "cobrinha"!