sexta-feira, 12 de março de 2010

Almanaque Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora

Nelson Dona (Dir.) ; Sara Figueiredo Costa (coor.)
CM Amadora / FIBDA; 2009

Em 20 anos de existência o Festival da Amadora fez uma ou duas coisas de jeito, uma delas é este livro de memória do festival em que se reflecte o que se passou e o que passa no mercado português de bd, e se pondera o impacto do Festival e da sua organização, o Centro Nacional de BD e Imagem, na cena da bd portuguesa.
Como documento de análise e síntese é importantíssimo porque há quase 10 anos que nunca mais houve nenhum material escrito e publicado em papel sobre o assunto. Desde Hoje, a bd 1996/1999 (Bedeteca de Lisboa; 2001) e apesar da continuação online (na secção anual "Dossiê" em bedeteca.com) não se tem discutido ou exposto ideias do que se passa com a bd portuguesa.
Para mal de todos nós, este livro mostra que houve uma euforia na bd portuguesa no final dos anos 90 e príncipios dos anos 00, e que se suspeita que o público mudou de gostos sem o acompanhamento da edição - e conhecimento da própria Amadora. Diria que a autora que coordenou este livro fez o trabalho sujo de anti-corpo, de vírus a infestar o corpo caduco da Amadora. Não sei se conseguirá fazer muitos "danos" na progrmação futura mas pelos vistos está escrito numa edição da própria instituição, o que deixa um sabor de ironia e inteligência sobre o livro.
Ficamos também a saber o que já se sabia mas que todos tinham vergonha ou impotência para oficializar, que os eventos da Bedeteca de Lisboa (Salão Lisboa e Ilustração Portuguesa) acabaram e que a equipa da Bedeteca está desgastada. Já que os dirigentes da Câmara de Lisboa, desde do corrupto Carmona, nunca tiveram coragem de anunciar o "fim do projecto", é bom saber de algum lado o que aconteceu - resta um dia alguém se preocupar em contar "como e porquê".
De forma resumida, abarcando as várias áreas da bd - da edição à formação, dos eventos às bibliotecas, por exemplo - este livro expõe o suficiente o que se passa em Portugal, sendo obrigatória sua leitura, juntamente com o Hoje, a BD, a qualquer agente do mercado (autor, editor, formador, organizador).
A completar o livro é ainda anexado um texto sobre a colecção de originais do CNBDI, e um texto sobre a exposição Contemporaneidade na BD Portuguesa, comissariada por Pedro Moura, e que inclui trabalhos de Bruno Borges, Jucifer, André Lemos e João Maio Pinto...

PS - Vergonhoso é o preço de 17€ para um livro que apesar de ser a primeira vez o Festival da Porcalhota se esmera com Design de bom-aspecto, não deveria ser tão caro (contando com os custos de impressão mas são apenas 150 páginas de capa dura em tecido, sendo feitos 1200 exemplares deve ter ficado ao preço da banana! 3 eur cada exemplar?) e sendo de uma autarquia / organização pública deveria colocar um preço baixo para que todos possam aceder à informação. Mas a Porcalhota será sempre isto, um lamaçal de incompetência disfarçada de arrogância. Podia ser pior?

PPS - Sim!

2 comentários:

Ricardo Baptista disse...

Talvez não seja o local mais apropriado mas,mesmo após uma pesquisa na internet, fiquei sem saber onde posso adquiri o almanaque e perguntar não ofende.

mmmnnnrrrg disse...

who cares!? é a Amadora!
:)
deves conseguir contactando a CMA...