terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Carcaças do Metal



Delírios (2009) é um split-CD de Crystalline Darkness e Pestilência editado pela War Arts, uma editora portuguesa de Black Metal. Para quem acha que o Black é Cradle of Filth (o antigo que ainda era de endurance) esquece-se que existe mais de 50 sombras de pretos neste sub-género musical. Por exemplo, os "black metaleiros" preferem chamar ao seu lado lunar de "avantgarde" que é que ambas bandas praticam. Ambas querem escrever o poema espera - bandas? Aí está, a figura de misantropo que é alimentada pelo Black, oferece a oportunidade de se cagar para bandas e ser um só gajo (muito chateado) a fazer o seu projecto do principio ao fim... Ou ainda convida um amigo lá prá cave para tocar a bateria porque ninguém pode ser multi-instrumentista e tocar bem todos os instrumentos, né? Mais estranho de ser um True Black Metal é pensar que são estes tipos que usam mais artefactos teatrais para fazer espectáculo ao vivo e é o que acontece aqui, estamos num "happening" de dano psicológico que só nos resta assistir. Talvez por isso que metam algures na embalagem do CD a divertida inscrição "total fucking apathy". Aja paciência para estes jovens...



Já a banda Nuklear Goat e a sua estreia Genocidal Storm (2012) pela mesma editora vem da tradição do punk necrófilo, bateria sempre a abrir e tudo o mais "in your face".
É música agressiva para cristãos bem comportados e já que falo nisso, as letras tem todos os clichés para ofender os adoradores do porco nazareno desde berrarem o número famoso "666" à referência "porco cristão", o que é sempre uma mais-valia e nunca é tarde demais para relembrar mesmo que haja mais de 666 discos de Black a dizerem o mesmo - alguém está a contá-los? O 666º disco será o melhor deles todos? Eis uma pergunta teórica que alguém deveria responder! Mais vai ler The Rainbow (1915) de D.H. Lawrence (1885-1930) que é muito mais herético mas o disco tem pedalada e é fixe para chatear os vizinhos!



Mais irritante é Vaee Solis em estreia com Adversarial Light (Signal Rex; 2015) porque a vocalista Sophia faz os vocais mais tenebrosos algumas vez feitos na Lusitânia (não acredito que escrevi isto!). Há quem diga que ela soa que está a morrer e temos de tomar isso como um elogio se esta malta faz música com sabor metalizado. Entretanto saiu agora mesmo à coisa de uma hora, um "disco" (em linha apenas?) de remisturas que é melhor que o original porque a parte instrumental foge ao estilo batido Doom/Sludge da banda. Entre as misturas estão cromos pesados como AtilA e o André Coelho (dos extintos Sektor 304 e vencedor dos 500 paus!). Relembro que ainda temos promos deste disco para quem comprar livros nossos "satânicos" ou q.b.


Nagual (Shhpuma; 2015) pode até ser um título pretensioso mas é um disco que muito punk e metaleiro alguma vez conseguiram fazer. Os Albatre mostram que o Jazz mais ardente não precisa de ser "música aleatória" (usando palavras de um amigo meu) a disparar contra tudo e todos, na maior parte das vezes sem os músicos ouvirem os seus parceiros - bem vale a pena ler o graphzine Evan Parker - X Jazz. O trio luso-alemão residente em Roterdão têm uma direcção rítmica bem definida para que o Alto Saxofone possa berrar à vontade e para que tudo soe a uma bomba detonada. Este segundo disco é um LP que permite a capa do Travassos (fundador da editora e designer da Cleanfeed) finalmente tenha o impacto visual que já merecia - para quando um livro com as suas ilustrações?

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