sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O livro não morreu


Todos os nossos livreiros favoritos estão a editar livros!!! E bons livros! 

Depois da Snob, Leituria e Tigre de Papel (incluindo um livro de BD da Júlia Barata), agora a Linha de Sombra junta-se a este fenómeno editorial com O Cinema Não Morreu : Crítica e Cinefilia à Pala de Walsh, uma colectânea de textos de um sítio em linha de referência para quem ainda gosta de Cinema com o "C" maiúsculo, claro. Ou de Crítica com "C" maiúsculo, já agora, porque não é só nas salas de Cinema que se despeja baba e ranho com a oferta limitada das distribuidoras de filmes, entre a bosta de Hollywood e a borreguice dos Sundances. Também nos jornais já pouco se aprende com a actual crítica betinha dos suplementos culturais. Resta-nos estes gestos editoriais, cada vez mais importantes. 

Claro que não é um livro perfeito - temos de desconfiar dos livros perfeitos, eles só trazem desgraças, olha a Bíblia ou o Alcorão - e é natural que não o seja porque as antologias nunca são perfeitas. Aqui reúnem-se vários textos de vários colaboradores do À Pala... Logo, há sempre alguns melhores que outros, alguns poderão ser vistos como redundantes e outros como importantes ou originais. Senti esses desequilíbrios nos capítulos "Textos do eu" (demasiado mundano e saudosista) e "Grandes Autores", este último talvez importante para cinéfilos neófitos mas até para para espectador ligeiro como eu, achei-os demasiado "b, a, bá". 

Falta uma linha condutora na selecção dos textos, seja lá qual for que os "walshianos" pudessem ter escolhido - cronológica? temática? outra? Não é pedir ao À Pala... que crie um manifesto (estamos em 2018, caramba, quem sabe o que isso é?) ou um cânone mas há ocasiões em que parece que vale tudo do Cinema como nos filmes contemporâneos do capítulo "O Cinema Não Morreu". A dada altura perdi-me na informação, se calhar da mesma forma como quando "surfo" pela 'net, embora, a vantagem de um livro é que se pode localizar a informação passado algumas semanas, enquanto que na 'net só com muita disciplina, paranóia e sorte é que se recupera o que se viu/ leu/ ouviu anteriormente. O quero dizer é que não basta ter os temas & títulos dos capítulos para balizar a informação, mesmo que o melhor do livro seja os guias (inconscientes) que são os capítulos "Cinema a (re)descobrir" e "Visita ao cinema português". Há nestes capítulos um corpo bem definido de obras a descobrir, diria até, por uma militância bem assumida dos cronistas que acabam por criar uma espécie de filmografia séria para quem não sabe o que ver, por exemplo, no caso do ignorado Cinema nacional. 

A Linha de Sombra deu-nos uma bela prenda cultural e bem embrulhada! Obrigado!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Corta-e-Cola / Punk Comix ESGOTADO



 Dois livros em um, ou seja um split-book, bem à punk!

No ano em que se “celebram” os 40 anos do punk em Portugal, a Chili Com Carne, em parceria com a Thisco, edita o (duplo) livro sobre este fenómeno: 


Corta-e-Cola : Discos e Histórias do Punk em Portugal (1978-1998) de Afonso Cortez 
Punk Comix : Banda Desenhada e Punk em Portugal de Marcos Farrajota.

Escrito a partir de um levantamento exaustivo de fanzines, discos e demo-tapes, ao longo de 256 páginas, os autores dissecam todo esse material para tentarem perceber como através de uma ética - do-it-yourself - se conseguiu criar uma (falta de) estética caótica e incoerente que hoje se identifica como punk. Através da produção gráfica desse movimento se fixaram inúmeras estórias - até agora por contar - de anarquia e violência; de activismo político, manifestações e boicotes; de pirataria de discos e ocupação de casas; de lutas pelos direitos dos animais; de noites de copos, drogas e concertos...

Corta-e-Cola / Punk Comix é ilustrado com centenas de imagens, desde reproduções de capas de discos a páginas de fanzines, cartazes, vinhetas e páginas de BD, flyers e outro material raramente visto.

E porque punk também é música, o livro vêm acompanhadas por um CD-compilação com 12 bandas de punk, rock ou música experimental actuais como Albert Fish, Dr. Frankenstein, The Dirty Coal Train, Presidente Drogado, Putan Club, Estilhaços Cinemáticos... As bandas ofereceram os temas, todos eles inéditos, sobre BD na forma mais abrangente possível, sobre personagens (Batman, Corto Maltese), séries (O Filme da Minha Vida), autores (Vilhena, Johnny Ryan) ou livros (V de Vingança, Caminhando Com Samuel). Alguns mais óbvios que outros mas tendo como resultado uma rica mistura de sons que vão desde o recital musicado ao Crust mais barulhento.





Volume -8 da colecção THISCOvery CCChannel publicado pela Associação Chili Com Carne e Thisco com o apoio da Zerowork Records, editado por Marcos Farrajota com o arranjo gráfico de Joana Pires. Capas por Vicente Nunes com 9 anos (Lado C-e-C) e Marcos Farrajota (Lado P-C) sacado da BD do disco Raridades (Zerowork; 2008). 256p 16,5x23cm impressos a 540U, capa a duas cores.


O livro é acompanhado por um CD que reúne faixas exclusivas de Grito!, Mandrake, Albert Fish, Melanie Is Demented, Dr. Frankenstein, The Dirty Coal Train, Putan Club, Presidente Drógado com Banda Suporte, FDPDC, GG Allin´s Dick, dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS e Estilhaços Cinemáticos (Adolfo Luxúria Canibal, António Rafael, Henrique Fernandes e Jorge Coelho). Devido a constrangimentos logísticos apenas os exemplares deste livro comprados directamente às editoras é que são acompanhados por um CD. No entanto, esta compilação, intitulada de Punk Comix CD (ZW057) pode ser escutada e descarregada futuramente e gratuitamente em thisco.bandcamp.com.

Talvez ainda hajam exemplares à venda na Glam-O-Rama, Letra Livre, BdMania, Louie Louie (Lx e Porto), Rastilho, Tasca Mastai, Mundo Fantasma, Tortuga (Disgraça), Matéria-PrimaMOBLinha de Sombra e La Bamba.






Historial : Saiu no 10 de Junho na Feira do Livro de Lisboa 2017 ... Obra selecionada para a Bedeteca Ideal ... Lançamento oficial no Disgraça a 30 de Junho com apresentações de José Nuno Matos, Diogo Duarte e Nônô Noxx, concertos de Presidente Drogado e Scúru Fitchádu ... sessão de autógrafos no LAR / LAC (Lagos) a 5 de Agosto ... Apresentação na Louie Louie (Porto) com exposição e karaoke Ramones a 16 de Setembro ... sessão de autógrafos na Feira do Livro do Porto, 17/9/17 ... Apresentação no dia 3 de Fevereiro de 2018 na Casa da Cultura de Setúbal (antiga casa okupada entretanto higienizada pela Câmara) ...

















(...) it looks really cool! But goddammit your Punk book seems at first glance to be entirely in portugese, I will check out both books now and listen to the music and maybe I have to learn some portuguese 😊 I don't have that much nice things in my life, so this was fun! 
Melanie is Demented (via e-mail) 
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Corta-e-cola, de Afonso Cortez, e Punk Comix, de Marcos Farrajota, são dois livros unidos pela mesma lombada que sistematizam informação e recordam, de forma cronológica, quem foram os protagonistas do punk em Portugal que deixaram discografia e como o movimento foi representado na BD. "O punk não foi um movimento contínuo, mas fragmentado, esporádico, dissolvido entre outras propostas, em permanente mutação, como aliás qualquer movimento juvenil", afirma Afonso Cortez na introdução. (...)  Depois de mais de 150 páginas, Afonso Cortez conclui que ao longo daqueles vinte anos (1978-1998) o grafismo foi entendido "apenas como um pormenor. E que a falta de cultura visual, ou mesmo de estudos, se reflecte de forma catastrófica na falta de qualidade do que é produzido". Embora os Faíscas e os Minas & Armadilhas sejam referenciados como os iniciadores do punk na música portuguesa, Afonso Cortez assume "Há que violentar o sistema", de 1978, dos Aqui d'el Rock, como o primeiro disco punk português. A partir daí, faz um levantamento dos discos editados, comenta a vertente gráfica das capas, mapeia os locais de concertos e a crítica na imprensa e complementa com testemunhos de músicos recolhidos pelo próprio. Mata-Ratos, Crise Total, Kus de Judas, Cães Vadios, Censurados, Nestrum, Desarranjo Cerebral, Renegados de Boliqueime, Vómito, Peste & Sida, X-Acto são algumas das bandas referidas no livro (...) Já sobre a BD, Marcos Farrajota explica o mote do livro: "Serve como uma base de referência para quem quiser pegar na BD para relacioná-la com o punk, subculturas urbanas, música, cultura DIY, artes gráficas e editoriais". (...) Farrajota recua a finais dos anos 1970 para encontrar as primeiras referências ao punk na BD portuguesa. Surgem na revista Tintin, assinadas por Fernando Relvas e Pedro Morais, "mas são situações em que os punks são apenas paisagem urbana". Será Fernando Relvas a assinar, em 1983, no semanário Se7e, "o primeiro trabalho de corpo inteiro" sobre punk, "sob a forma de uma personagem forte e feminina" chamada Sabina. Marcos Farrajota faz ainda referência à atitude "militante e amadora" de publicação, da auto-edição, dos fanzines, das colectâneas e da tecnologia da fotocópia e enumera vários autores que desenharam sobre o punk (...) Quanto à ideia de um livro-duplo sobre punk, Marcos Farrajota afirma que é somente "um modus operandi punk que fortalece o espírito de comunidade e de entre-ajuda, opondo as ideias tontas de competição selvagem que dominam todos os aspetos das nossas vidas".  
Lusa / DN 
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O livro está fixe, gostei sobretudo da ideia sociológica que associa o movimento punk a uma cena local que envolve fotocopiadoras, fanzines, salas de concertos, demos, ou seja, um conjunto relativamente pequeno de infraestruturas e dispositivos técnicos que acabam por contribuir para aproximar fisicamente as pessoas. Isto ter-se-á passado com qualquer movimento musical underground, do metal ao punk, do hardcore ao grunge... Hoje em dia, a Internet é tudo isto no mesmo pacote, com o resultado de que já não há movimentos -- nem musicais nem políticos... ou, se calhar, somos nós que estamos a ficar velhos...
D.L. (via e-mail)
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De leitura rápida, Punk Comix não deixará de ser um instrumento de leitura obrigatória para compreender alguma da história da banda desenhada moderna e contemporânea em Portugal. 
Pedro Moura in Ler BD
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(...) ambos os estudos são preciosos e sumarentos, revelando uma investigação criteriosa e mais intensiva do que exaustiva. O resultado é um brilhante mapeamento historiográfico do punk e da sua relação com a banda desenhada em Portugal.
Professora Marcivânia / A Batalha
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O Afonso tinha-me deixado boa impressão e para o encontro levara Candy Diaz, baterista dos saudosos Les Baton Rouges. Yaay! (...) O texto dele é uma catadupa de informação: estão lá Faíscas, Minas & Armadilhas, Crise Total, Ku de Judas, Corrosão Caótica, Mata-Ratos, Estado de Sítio, Anti-Porcos, Kristo Era Gay, Caos Social, Censurados, Bastardos do Cardeal, e muito mais. (...) É informação em bruto, não digerida. Só lhe recrimino isso, o não haver mais reflexão sobre os factos. Mas se calhar é mais um problema meu do que dele, pois até os sentimentos intelectualizo. Quanto à prosa do Marcos (...) falei, fiquei a perceber que o jeito dele para a narrativa não se fica pelos quadradinhos das suas BDs. Dá gosto seguir-lhe as palavras. 
Rui Eduardo Paes in Bitaites

Tentámos não abusar em sugestões acima dos dez euros, mas o recém-lançado livro duplo Corta-e-Cola: Discos e Histórias do Punk em Portugal (1978-1998) ; Punk Comix: Banda Desenhada e Punk em Portugal, respectivamente de Afonso Cortez e Marcos Farrajota, com o seu grafismo divertido e um CD contendo faixas exclusivas de várias bandas, talvez justifique os 15 euros que lhe pedem no P13 (Matéria Prima e White Studio). Uma edição Chili Com Carne. 
Luís Miguel Queirós in Público

Dos poucos livros existentes no mercado nacional em termos de abordagem ao universo do Rock feito em Portugal ao longo dos anos, há dois livros que sempre foram os meus preferidos: A arte eléctrica de ser português: 25 anos de Rock’n Portugal de António Duarte e o Escrítica Pop de Miguel Esteves Cardoso. Desde há duas semanas tenho mais um como preferido: Punk Comix/ Corta-e-Cola (...). Quando pensas que já não há surpresas, ou até pessoas com interesse para agarrarem de forma inteligente e com alguma prudente distância analítica, um período da história de um subgénero do Rock em Portugal, como é o Punk, situado num tempo específico (1978-98), eis que levas, qual murro no estômago, com uma agradável surpresa com este livro precioso. O que esta obra tem de diferente e de excelente, não é tanto a análise cronológica e meticulosa das bandas dum certo universo Punk nacional e seus intervenientes, bem como a sua ligação à banda desenhada que se foi e se vai fazendo aqui pelo burgo, mas sim o mote que direciona todo o livro e que é essencialmente isto: se és Punk, controlas todos os meios de produção da tua arte (Do It Yourself - DIY), assim só tu és responsável por aquilo que dás a conhecer publicamente, sem manipulações de outros, e se falhares (porque se falha quase sempre), falhaste gloriosamente, o que é sempre melhor do que nada fazer. Se ganhares algo, sabes que mais tarde vais perder, por isso não vale a pena fazer a festa antes do tempo. Não entrando em muitos pormenores (até porque este deve ser um livro lido por todos os melómanos nacionais, independentemente de gostos musicais), este está muito bem redigido, é agradavelmente informativo e formativo q.b, sem ser chato; é graficamente interessante dentro de uma estética Punk, mas sem entrar nos seus lugares comuns; há nele uma personalidade própria. (...) É desde já, um livro para o futuro, daqueles que mais cedo ou mais tarde, as novas gerações, amantes da música underground, terão de se socorrer para se informarem sobre… 
Guilherme Lucas (GG Ramone)

Se o punk não fosse ateu diria que estava aqui uma bíblia do punk (...) Indispensável.
Luís Rattus in Loud

Dois estudos muito completos e estimulantes sobre o punk, centrado em Portugal, e com uma extensa recolha bibliográfica e iconográfica (...) um relato vivido da edição independente (...)
Portuguese Small Press Yearbook 2017

(...) não é possível escrever uma história do Punk, mas é certamente possível escrever muitas histórias do punk. Diria que tantas quantas quem decide escrevê-las ou tantas quantas as experiências individuais de quem o vive ou viveu
Diogo Duarte in Mapa (em 2019)

domingo, 4 de fevereiro de 2018

5º concurso interno de Banda Desenhada da Chili Com Carne : Toma lá 500 paus e faz uma antologia de BD!

A quinta edição do concurso 500 paus já começou 
e a entrega deverá ser feita até dia 
4 de FEVEREIRO de 2018



 A Associação Chili Com Carne lançou no ano de 2013 a ideia de um concurso para fazer um livro em Banda Desenhada para matar a modorra na cena portuguesa da altura.

Lançou até agora vários resultados como Askar o General de Dileydi Florez e O Subtraído à vista de Filipe Felizardo, trabalhos que participaram no concurso. Em Outubro de 2015 saiu a primeira obra vencedora (do primeiro concurso, de 2013) ou seja, The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros de Francisco Sousa Lobo, que terá uma edição espanhola. No dia 6 de Outubro de 2016 foi a vez do romance gráfico Acedia de André Coelho, obra vencedora do concurso de 2015. Para o ano prevê-se o lançamento do livro de José Smith Vargas, vencedor de 2014, e o do último vencedor, Tiago Baptista.


Este ano, temos novos moldes, estejam atentos, porque queremos livros colectivos!!!



...

Instruções (não muito complicadas):
Para quem? 
Para Sócios da CCC com as quotas em dia!
- não é sócio?  Então clique neste LINK.

O prémio é monetário? 
É sim! 500 paus! Quinhentos Euros!
O trabalho será publicado.
E, para a próxima edição, os vencedores são convidados a fazer o cartaz e a integrar o júri!

Quem decide o vencedor?
Uma parte da actual Direcção da Associação Chili Com Carne, o vencedor da edição passada e alguns outros associados, a saber: Ana Biscaia (ilustradora - Prémio Nacional de Ilustração 2013), Isabel Carvalho (artista e docente, autora de Allen), Marcos Farrajota (editor), Sofia Neto (autora de BD e docente) e Tiago Baptista (artista e vencedor da edição anterior).
O Júri reserva-se o direito de não atribuir o prémio caso não encontre qualidade nos trabalhos propostos.

Datas?
4 de Fevereiro 2018 é a entrega dos projectos!
14 de Fevereiro 2018 é anunciado o vencedor!
O livro é publicado em 2019!? (Os autores é que sabem o que deverão se comprometer)

 Regras de apresentação dos trabalhos
- O livro não tem limite de páginas e de formato mas porque desejamos inseri-lo nas nossas colecções já existentes - Colecção CCC, QCDA, LowCCCost, MercantologiaTHISCOvery CCChannel - o projecto terá mais hipóteses de ganhar se for apresentado nessas colecções.
- Preferimos o preto e branco mas a cor não está totalmente afastada.
- Envio do seguinte material: a) texto de apresentação do(s) autor(es), b) sinopse do projecto, c) planeamento por fases com datas, d) envio de 20% do total do livro, sendo que o mínimo serão 4 páginas seguidas e acabadas e 16 planeadas.
- Todos estes elementos devem ser entregues em PDF, em serviço de descarga em linha (sendspace ou wetransfer) cujo endereço deve ser enviado para o e-mail ccc@chilicomcarne.com

Que projecto pode ser apresentado? 
Não parece haver limites de conteúdo, o que interessa-nos é desenvolver laços entre vários autores. Este Novo Milénio além de nos ter oferecido fascistas no governo dos países e das pessoas, também trouxe egoísmo DIY e a imposição da "novela gráfica" (mais uma designação saloia que a BD conseguiu recriar) como formato editorial.

São as seis páginas de "Here" de Richard McGuire de 1989 que interessam e não "Here" de 2014, uma balofa "graphic novel" de 300 páginas. São as antologias e os colectivos que incentivam a criação, a Liberdade, a inovação, a cooperação, a solidariedade e a experimentação. Todos eles, valores que o neo-liberalismo despreza e que até propõe o seu contrário, privilegiando a corrida de ratos!

Podíamos dar aqui mil exemplos de antologias - vários autores com um tema comum, uma convocatória louca como a seminal Mutate & Survive, etc... - MAS o melhor conselho para vencerem este concurso é este: reúnem malta para uma jantarada, discutam ideias, a melhor surgirá quando lavarem os pratos... Será a mais preciosa e extravagante de certeza! Assustem-nos!

Boa sorte!
CCC
Este projecto têm o apoio do IPDJ

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Cortez & Farrajota @ Casa da Cultura de Setúbal

3 FEVEREIRO | SÁBADO | 21H30 - SALA JOSÉ AFONSO 

APRESENTAÇÃO DO LIVRO CORTA-E-COLA: DISCOS E HISTÓRIAS DO PUNK EM PORTUGAL (1978-98) de Afonso Cortez e Marcos Farrajota

A Chili Com Carne, em parceria com a Thisco, edita o (duplo) livro sobre este fenómeno: Corta-e-Cola: Discos e Histórias do Punk em Portugal (1978-1998) de Afonso Cortez e Punk Comix: Banda Desenhada e Punk em Portugal de Marcos Farrajota. Escrito a partir de um levantamento exaustivo de fanzines, discos e demo-tapes, ao longo de 256 páginas, os autores dissecam todo esse material para tentarem perceber como através de uma ética – do-it-yourself – se conseguiu criar uma (falta de) estética caótica e incoerente que hoje se identifica como punk.

Através da produção gráfica desse movimento se fixaram inúmeras estórias – até agora por contar – de anarquia e violência; de ativismo político, manifestações e boicotes; de pirataria de discos e ocupação de casas; de lutas pelos direitos dos animais; de noites de copos, drogas e concertos… Corta-e-Cola / Punk Comix é ilustrado com centenas de imagens, desde reproduções de capas de discos a páginas de fanzines, cartazes, vinhetas e páginas de BD, flyers e outro material raramente visto. (...) Organização CMS


Tédio Boys a servir de ilustração para o nosso evento!

Ainda não tinha começado a apresentação e o Farrajota já discutia porque a Méribérica fodeu a BD portuguesa

O puto da frente estava bem impressionado com as imagens anti-tourada e vegan dos X-Acto,... YES!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

sábado, 27 de janeiro de 2018

Malmö Kebab Party ~ ESGOTADO na Chili Com Carne



Malmö Kebab Party é um volume especial da LowCCCost, uma colecção de livros de viagens da Associação Chili Com Carne dirigida "a quem gosta de viajar sem apanhar transportes e gastar dinheiro" e que já contou como foi uma turnê punk-mas-com livros por uma "Europa aborrecida", seis meses de David Campos na Guiné-Bissau e sobre emigração portuguesa contemporânea.

Este livro / zine conta as aventuras e desventuras de cinco autores de BD que foram até ao festival AltCom, em Malmö (Suécia) apresentar as antologias QCDA, nomeadamente Afonso Ferreira, Amanda Baeza, Hetamoé, Rudolfo e Sofia Neto. É que para além de ser uma cidade com uma dieta rica à base de kebabs, Malmö mostrou-se habitat natural para um senhor ananás muito simpático, desenhos rasgados, psicadelia, BDs do ALF, e afogamento de mágoas via consumo de álcool. Spektakulära!!
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A edição em parceria com a Ruru Comix é limitada a 300 exemplares, impressa em Offset, 20p. 23x16 cm p/b, capa a cores com badanas. Últimos exemplares (talvez) na Mundo Fantasma, Palavra de ViajanteMatéria PrimaLinha de Sombra e Tasca Mastai
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exemplos de imagens aqui
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Historial: festas lisboetas simultâneas de lançamento com unDJ FarraJ no Bartô e DJ Nobita no Lounge (22/05/15) ... Nomeado Melhor Fanzine na BD Amadora 2015
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Sem grandes alongamentos, não ficamos com uma impressão forte do que realmente aconteceu em Malmö; porém, ficamos a conhecer um bocado melhor a química desta equipa e a forma como gostam de se expressar através da Banda-Desenhada. É bom descobrir novos autores de BD que mostram esta energia e vontade em partilhar o seu trabalho. Lamenta-se é o desaparecimento, a dada altura, desse mítico ananás que se encontra na capa, claramente o herói de toda esta história. Gabriel Martins in Deus Me Livro 

Malmö Kebab Party é uma pequena publicação que reúne como que os “relatórios de viagem”, de quatro páginas cada, dos cinco artistas já publicados nas antologia QDCA, da Chili Com Carne, pela ocasião da sua visita colectiva a um festival de banda desenhada em Malmö, na Suécia. (...) À la Rashomon, podemos ler cada uma destas histórias, mais ou menos coincidentes, e criar uma imagem mais alargada que une as pontas soltas, se acreditarmos que estas confissões autobiográficas correspondem a uma realidade qualquer. Mas a compreensão dessa realidade nem sequer é o mais importante em MKP, mas sim estudar com atenção as formas como cada autor e autora exploram a limitação do formato para os máximos efeitos expressivos, e compreender também como cada um deles vai ao âmago das suas próprias linguagens. 
Pedro Moura in Ler BD 

é uma publicação sui generis. Não tem aparentemente grandes parecenças com a sua mãe (a colecção QCDA), é adoptada oficiosamente pela tia (a colecção LowCCCost), distingue-se facilmente dos seus primos, e a guarda partilhada pertence à avó (Associação Chili Com Carne) e a outrém (Ruru Comix), sendo este último corpo não estranho mas parte integrante da mãe. Ou qualquer coisa de semelhante, visto não sermos versados em parentescos...
Nuno Sousa

Jim bean... Que martírio!!! Bagaço dá menos ressaca! Achei especial graça ao ananás sentiente, algo amoroso, como será que se chama? Será que foi ele que engendrou aquele esquema da meia tonelada de coca dentro de ananases apreendida em Lisboa? :D
Rodolfo Mariano (e-mail 01/18)

sábado, 13 de janeiro de 2018

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Foi o sonho de publicar um livro que levou um ex-toxicodependente, uma professora de secundário, uma governanta e uma higienista oral até à Chiado Editora.

A Chiado não é a única, há mais por aí como a Great Point / Buk / Papiro que nos tentou enganar em 2010 e que nos obrigou a arrastar um processo jurídico. Não publicamos nada com eles, claro, mas o esquema fraudulento prolonga-se também para distribuição de livros, serviço da "Buk" que alinhámos sem saber que existia este tipo de imundície...

E claro, daí o nosso nojo pelos Dead Combo, que servem de "poster boys" da Chiado, dando um ar respeitável aquilo que não passa de um engodo para centenas de pessoas - além que a música deles também é um bela de uma seca...

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Vanguarda de baixo

Ena que livrão este de Clemens Marschall: Avant-garde from Below: Transgressive Performance from Iggy Pop to Joe Coleman and GG Allin (Rokko's Adventures; 2016)... Luxuoso (até tem fitinha!), gordinho e com letra grande para não haver desculpas para não o ler por causa da idade da vista. O tijolo questiona o que é a transgressão na Arte usando três figuras radicais da performance "punk" como pontos de referência, de que forma a Arte pode ser criminosa, aonde estão os limites dos artistas quando ameaçam o público e até onde este tipo de Arte pode levar os artistas - o exemplo de GG Allin é sem dúvida o mais extremo. É entrevistada uma série de gente maldita ligada às franjas mais radicais do Punk e da cultura Industrial de forma que faz pensar nisto como um "up-date" à fabulosa Re/Search - em que o próprio editor desta colecção, V. Vale, é entrevistado. As questões são levantadas apenas no território norte-americano mesmo quando os nossos camaradas Alexander Brener & Barbara Shurz sejam referidos.

Como o mundo dá muitas voltas, ficamos a saber que a editora austríaca deste livro vai-nos apoiar no livro do DJ Balli... fixe! Está um bocado atrasado, bem sabemos, mas sairá mais tardar para o próximo mês! Grazie mille DJ Balli & Tasca Mastai

sábado, 6 de janeiro de 2018

Displicentes dourados


Como escrevi há pouco tempo, a mesa da Cafetra na sua noite de Natal estava plena de coisas. Se ali gastei nota, ainda não sei se me apetece escrever sobre o último do Éme (caramba, passou um ano e ainda não consegui escrever sobre o Lourenço Crespo!) mas é na boa que saúdo a k7 homónima de Rabu Mazda & Van Ayres (Cafetra?; 2016?).
De um lado está o tema Acácia e de outro Cinza, duas peças de música experimental electrónica conduzida por dois putos (na altura, os temas são de 2014 e 2015 respectivamente) que dão bailinho a tanta música chata do género. Acácia tem dois tempos, o primeiro é um catálogo de New Age para elevador interrompido com um diálogo entre os músicos (do tipo "'tás-ta safar? - Iá...") para fugir para uma marcha filarmónica de andróides em pane. Não sei qual dos dois pintas (o Rabu na altura tinha um cabelo de "louro burro" e o Ayres andava com mais purpurinas do que roupa) escreveu a patranha pós-cool/onialista que esta música era uma interpretação de uma tribo nos pólos do planeta, nada disso, rapazes, vocês soam a mutantes a vasculharem o lixo do século XXI. A provar disso é Cinza, relatório dubstep / techno de fazer esquecer as secas da Hyperdub e que a dada de altura sente-se que eles nem sabem o que estão a fazer porque as máquinas tomaram conta do "show". A energia à descoberta de sons manipuláveis é sentida e talvez por isso é que estas selvajarias tiveram de sair em k7 depois de estarem a hibernar no "bandcamp".
Boa iniciativa, meus! É que desde que o vinil passou a ser uma verdadeira vaidade dos músicos, deixou de ser verdade (era há 10 anos atrás) a afirmação que a melhor música era editada em vinil. Actualmente a melhor música é editada em k7. É o caso desta. Ou o caso da Arte Tetra, que em breve irei dedicar aqui um "post".