sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Gato por lebre

Absurdito
Grosgoroth

(Grosgoroth; 2007)

Os espanhóis são uns imitadores do caraças! Parece até que não tem vergonha na cara! Assim, vinda das novas tendências dos finlandeses Kuti Kuti e os Fort Thunder, a estética pop-psicadélica está a pegar por ai e já chegou aos nostros hermanitos como se poderá verificar nestes dois zines. Estão cá todas características para falar de imitação: temas Pop/recuerdos de infância berrantes (as Tartarugas Ninja, jogos de computador, bonecos das embalagens de cereais), cores excessivas com canetas de feltro, tudo "mal desenhado" para apanhar a espontaneidade criativa bruta.
Quem edita estes zines é Grosgoroth, o tipo das teclas dos Grabba Grabba Tape, uma banda electro-punk satânica com natas que tocou este fim-de-semana passado por cá - já agora, o baterista tem um imaginário bem melhor! O seu zine homónimo é no formato A5, todo a cores e feito de bd's parvitas e ilustrações mucho mucho coloridas. Giro q.b. O Absurdito é um zine colectivo de bd, desenho e textos no formato A5 e impresso a cores ou em vários papeís de cor. As cenas de Grosgorth brilham no meio da mediocridade das outras participações e curiosamente são os textos escritos por pessoal amamentado a comics da Marvel, Esoterismo críptico e charros que salvam o zine. São mesmo psicadélicos... os textos!

Trabalho em progresso


It-Clings vs Pneumatic Detach: "The all too logical descent into madness" (Bugs Crawling Out of People; 2007)
Randy Greif & Kenji Siratori: "Narcoleptic cells" (Thisco + Fonoteca de Lisboa; 2007)
Slow Soldier: "New under the volt" (Thisco + Fonoteca; 2007)

O primeiro disco ganhei via concurso da Connexion Bizarre e é uma curiosa experiência de spoken-word (It-Clings) versus IDM (Pneumatic Detach) a lembrar as actuações dos Structura, embora aqui não haja lugar para improvisos e as letras são nitidamente niilista-freudianas. O som é duro ora pela voz que cospe ódio ora pela instrumentação suja que debita beats Techno e orgãos sombrios. Tem mais power do que este texto possa transmitir...

Entretanto, boas novas: a grande editora de música electrónica alternativa Thisco voltou à normalidade. Isto quer dizer o quê? As edições voltaram ao que a editora nos tinha habituado: caixas de CD normais e som electrónico alternativo. Falo disto porque as últimas edições ou não faziam sentido (a Cucu e o In Tempus) ou as edições mostravam alguma pobreza de meios materiais. E o regresso ainda é melhor com a edição de um trabalho do escritor-sensação cyber-punk, o japonês Kenji Siratori associado ao norte-americano Randy Grief, especialista em criar música ambiental, electrónica e concreta. Numa faixa única de 54 minutos viajamos num sonho que podia ser banda sonora para o último filme de David Lynch. Quem já leu ou ou tentou ler os textos de Siratori já sabe que ouvi-lo em japonês ou em inglês é quase o mesmo dada à complicada linguagem "cut'n'paste" cibernética que utiliza. Na colecção de CD's é de colocar na secção "Thisco [facção ambiental/ experimental]". Bom material sonoro embora o trabalho gráfico seja de fugir a mil pés!

Também da Thisco temos o disco de estreia de Slow Soldier (após um split-EP-duplo com FlatOpak). Slow Soldier antes demais é um bom nome para um projecto de música, podia ser nome para banda Punk, Emo, Stoner ou seja o que for. O nome é mesmo fixe... já a música nem por isso imersa demasiada em Techno com laivos IDM não tão assim inteligentes e conseguindo ser um bocado irritantes Enquadra-se na "facção funcional" da Thisco mas é demasiada juvenil para o meu gosto. O melhor do disco começa a metade dele (a partir da faixa-título) quando o álbum começa a ter uma tendência para desacelerar a dança.

sábado, 1 de setembro de 2007

movimentações pelo Grémio Lisbonense: luta contra a ordem de despejo

O Grémio Lisbonense é uma associação de cultura e recreio, fundada em 1842, sita no Rossio (por cima do Arco do Bandeira), que enfrenta uma acção de despejo por negligência e má administração de direcção anterior, com execução prevista para o dia 6 de Setembro.
A actual direcção e a massa associativa mais jovem, que tem vindo a dinamizar o espaço, na tentativa de lhe conferir o estatuto que outrora teve, perante esta situação, preocupada não só em preservar este pedaço da história alfacinha, conferindo-lhe simultaneamente um cunho de modernidade que a Lisboa multicultural de hoje reclama, vem alertar todos os q queiram abraçar a causa desta instituição centenária para que subscrevam o seguinte abaixo assinado cujos pontos mais urgentes são:
a) encontrar uma forma consensual de impedir o despejo da Associação Grémio Lisbonense das instalações que ocupa desde sempre;
b) tendo em conta o projecto que esta nova geração pretende desenvolver, é imperativo que seja atribuído o estatuto de Utilidade Pública à Associação Grémio Lisbonense, para que, num futuro próximo o edifício e a instituição que o ocupa recuperem a dignidade e a utilidade para os cidadão de Lisboa.

Assinar aqui.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Sci Fi Industries "Drafts And Crafts" + Christopher Webster "Malus" CD+Book give-away


Oferta pela Connexion Bizarre: «We HAD 5 copies of "Drafts And Crafts", the new Sci Fi Industries album, and 5 copies of Chris Webster's graphic novel "Malus" to give away, courtesy of the Thisco label and the Chili Com Carne association. (...) To be elegible to win the CD and book in question, mail us at info[at]connexionbizarre[dot]net with your full name and street address. The deadline for this giveaway is August 4, 2007 and winners will be selected at random on that day. Not valid for current Connexion Bizarre staff members.
The winners were: Carlos F. (uk/pt), Gioval N. (mx), Hugo C. (pt), Ian H. (uk), Jaap K. (nl).»

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Anakeila e Cry Baby

Anakeila (Porto; Jun'06; 55 exemplares) conta com a participação de Inês Ferreira, Délia Silva, Isabel Carvalho, André Alves, Carla Cruz, Melissa Moreira, Pedro Augusto, Rui Silva e de Bruno Monteiro e Christina Casnellie, que são também os editores. Cada autor ocupa duas páginas, nem sempre apresentadas de forma sequencial. Aparentemente não existe qualquer ideia ou conceito partilhado a ligar os diversos trabalhos, o que é reforçado pelo carácter fragmentário da paginação.
Com uma qualidade geral bastante apreciável, grande diversidade de estilos, técnicas e cores, destacam-se os trabalhos de Isabel Carvalho e de Rui Silva. Por outro lado, o trabalho de André Alves surge um pouco fragilizado, pois a serigrafia não favorece a filigrana minuciosa que é a característica fundamental dos seus desenhos.
Anakeila é serigrafado em cartolina azul clara, em formato A5, inserindo-se na mesma linha das edições da Opuntia Books e dos primeiros fanzines d’O Senhorio.

Christina Casnellie, co-responsável por Anakeila editou também Cry Baby, um fanzine policopiado em tamanho A5. Num estilo muito pessoal, a autora vai desfiando pequenas histórias de pendor reflexivo e/ou autobiográfico, utilizando ou a linguagem da banda desenhada (curtas de duas páginas, no máximo), ou um formato mais próximo da ilustração. Os textos maioritariamente em inglês, abordam diversos temas, com pendor especial para as questões de género, feminismo, relações de poder e preconceitos vários, são as principais linhas condutoras de Cry Baby, sendo natural a sua inserção (criação?) no contexto dos trabalhos e das exposições “All My Independent Women”. Na última página é apresentado um texto em colunas e letra de imprensa com ilustrações vintage apontando vários conselhos “úteis” para os jovens esposos e cavalheiros, num registo de ironia e humor próximo das histórias da pilinha do saudoso Zundap.

Dois fanzines muito recomendáveis que podem ser solicitados a christinacasnellie@alfaiataria.org ou alfaiatariavisual@gmail.com.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

quarta-feira, 18 de julho de 2007

autores da CCC por todo o lado! POR TODO O LADO!!!


Eles andam por todo o lado!!! É o André Lemos que têm uma bruta de uma exposição PêssegoPráSemana (Porto), é uma série de autores que se encontram nos "restos mortais da 7ª Feira Laica", ou seja, na exposição "Tropa Macaca" na Bedeteca de Lisboa, e ainda para breve "O Mistério da Cultura", outra colectiva com trabalhos de André Lemos, Edgar Raposo, Joana Figueiredo, João Fazenda, Marcos Farrajota, Pedro Brito, Pedro Zamith entre outros na galeria WORK&SHOP: Parte I entre 21 de Julho e 16 de Agosto e Parte II entre 18 de Agosto e 13 de Setembro.
Marcos Farrajota participou com uma ilustração na revista Umbigo - cujo processo "técnico" pode ser visto aqui. Um exemplar da revista encontra-se à venda exclusivamente para os sócios da CCC com 20% de desconto.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Zines meltdown

Este mês apareceu nas bancas um número da revista inglesa Computer Arts Projects que tal muitas revistas consegue ser simplória no tratamento sobre o assunto dos zines e do underground. E pior, tem o atrevimento de explicar como se fazem fanzines!? Como!? Pois é, como se fazem páginas em digital com o aspecto DIY dos zines. Não deixa de ser ridículo enquanto idea porque só se aprende como se faz um fanzine... fazendo. O que é sugerido é apenas um exercício entre outros mil que podiam ser executados para uma página ficar com um aspecto "imperfeito", isto é, com poucos recursos e/ou à mão.
No resto da revista vamos encontrar artigos "light" sobre a importância dos movimentos Hippie, Punk e Anti-globalização na cultura e no Design, sobre os "anarquitectos" Space Hijackers, o autor de bd Gilbert Shelton (dos Freak Brothers) e os ilustradores Ralph Steadman (ilustrador do "Fear and Loathing in Las Vegas" do fabuloso Hunter S. Thompson) e Raymond Pettibon (conhecido pelas capas de discos dos Black Flag e dos Sonic Youth). Nada que não se possa aprender na 'net mas suponho que os "nerds" não tenham tempo ou pachorra para isso. Tudo bem, se calhar estou a ficar demasiado purista para apreciar que estranhos venham e falem de zines. Ainda assim, não deixa de ser engraçado que uma revista de "nerds" seja capaz de oferecer um zine "manuscrito" do que por exemplo alguns zines como o Underworld que quer ter ar conservador. Marado! Mas creio que é o que diz a revista, mais tarde ou mais cedo, o "underground" acaba por vir ao de cima e muda as estéticas comerciais existentes - aconteceu com o Cubismo, a arte psicadélica do Rock, o Punk, o Grunge, etc... O que é pena é que aquilo que é mais bonito, a atitude DIY, não venha NUNCA ao de cima e continuamos todos os dias a sermos bombardeados com produtos em que só se muda o... template. Vade retro!

E então qual é a diferença da CAP com Whatcha Mean, What's a Zine? Tha art of making zines and mini-comics (Graphia Books; 2006) de Esther Pearl Watson e Mark Todd (os dois Funchicken)?
Simples, embora este livro seja para maiores de 12 anos e seja mucho americano, ou seja, quase que desmancha todo o prazer de fazer um zine por ser tão meticuloso e ético, é um livro que é feito por pessoas que são editores / autores de zines. O livro é todo "feito" à mão (desenhos, texto... também há texto dactilografado, o que na era digital já se considerado "manual") por pessoas como John Porcellino, Ron Regé Jr., Paperrad, Anders Nielsen, entre outros grandes cromos do mundo zinista norte-americano. E todos eles conseguem ser sinceros e utilitários em relação aos zines: os temas e conteúdos, o correio, impressão (fotocópia, serigrafia, outros métodos), formatos e agrafos, etc... todo o mundo dos zines é desmistificado com estilo. Deixa pouca margem de liberdade para descobrir como se faz (até porque neste mundo o "como se faz" deveria / é demasiado relativo) mas este livro é sintomático do nosso mundo, afinal de contas, o que nos dias de hoje é desconhecido?
Talvez os zines sejam já publicações mortas, umas publicações fotocopiadas, artesanato da era da informação que existiram nos anos 70 e 90 do século passado. Vou beber um copo à pala disso!

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Novidades de duas visitas italianas

Estiveram cá com um ano de diferença, dois autores italianos e também editores...
O ano passado esteve cá o Gianluca Costantini com uma exposição na Bedeteca de Lisboa dedicada ao seu trabalho mais recente, as "bd's políticas", uma série que são mais ilustrações propriamente que bd's em que relatam acontecimentos políticos contemporâneos, sobretudo assassínios e agressões a jornalistas ou a cívis. À poucos dias enviou Political Comics : El indio #1 (Ed. de autor; Jun'07?), um zine de 25 exemplares apenas. Bem impresso, assinado e numerado, e o mais importante, em inglês para podermos entender melhor o trabalho. Provavelmente este zine surgiu da necessidade do autor em materializar os seus desenhos numa língua acessível. Os "Political Comics" já tem sido publicados em livro mas só em Itália e em italiano.

Alberto Corradi esteve na 7ª Feira Laica e dirige uma das mais importantes editoras "indies" italianas, a Black Velvet, que dispoe em catálogo vários autores europeus e norte-americanos conhecidos. Quanto ao "produto nacional" uma das maiores apostas passa por Massimo Semerano: os comic-bboks Rosa di Strada (3 volumes; 2000-2002) e a antologia Dr. Cifra Horror Show(2003). O primeiro título deveria ser uma tetralogia mas parece que estão previstos mais 2 volumes para os próximos tempos. O segundo reúne as bd's do personagem Dr. Cifra. Semerano é um virtuoso e ele que me perdoe mas não percebi nada do que se passa nas suas bd's - o meu italiano é duvidoso como é claro. Rosa (...) é uma história urbana bizarra com uma conspiração à mistura- bizarria é o prato forte deste autor a julgar pela série que desenvolvia com Francesca Ghermandi (ela desenhava) na Zero Zero. o Dr. Cifra é humor negro - em que mais uma vez o meu italiano falha para perceber tudo. A esquizofrenia italiana é bem saliente neste volume em que o estilo gráfico ora salta por quase um Jim Starlin (autor de comics cósmicos da Marvel nos anos 70) ora para umas macacadas mais Free.

Apesar de ser "caporedattore" da Black Velvet, Corradi também é autor de bd (como deveriam saber foi publicado em Portugal na antologia Mutate & Survive) e este é o seu primeiro livro, Regno di silenzio (Nicola Pesce; 2007), cujo título deixa adivinhar o que irá conter nas suas páginas: bd's mudas (sem palavras). Trata-se de uma antologia de várias bd's curtas que em comum tem a presença da Morte nas suas estórias cheias de esqueletos e caveiras estilizadas, e que se não fosse por umas estanhas cópulas entre esqueletos até podia ser um livro para todas as idades. A edição é presenteada por retratos de Corradi desenhados por Marco Corona em jeito de prefácio e posfácio.

Regno di Silenzio está à venda no site da CCC a 7€ / desconto de 20% para sócios.

Leitinho quente com Vodka

Roman Maeder é um dos editores do zine Milk+Wodka. Suiço que tem vivido por Berlim, esteve no mês passado em Lisboa para fechar a exposição na Bedeteca e visitar a Feira Laica. E trouxe música, muita música... em formato CD-R auto-editado como os Die Surf Angels (2005), banda Surf'n'Lounge de 7 elementos em que Roman faz as "bad guitar". Não havendo ponta de genialidade é no entanto uma banda instrumental que se ouve bem saltando do Surf energético e diurno para ambientes soturnos jazzísticos. Há uma boa presença de metais e não faltam versões de clássicos Surf mas há também de temas dos finlandeses Aavikko e das japonesas Shonen Knife. Mucho nice!
Continumos em contagem decrescente de elementos dos projectos musicais do Herr Maeden e encontramos Los Tres Lulus (200_) que são mesmo três (podiam não ser...) e que tocam Rock Naíf - o Roman canta, toca bateria e orgão. Rock Níf querendo significar que há um manancial de influências executadas com pica em gravações manhosas pelo mundo fora (Alemanha, Irlanda, Suiça, Eslovénia) que sem pudor versionam Ramones (I wanna be your boyfriend, Somebody put something in my drink), Cramps (Strychnine) misturado com clássicos Blues (Boom boom de John Lee Hooker), Latino (Porque te vas de José Luis Perales), Pop/Jazz (Blue Velvet de Bernie Wayne e Lee Morris) entre temas originais bastantes divertidos como Public Bath, um tema que glorifica as casas de banho públicas, uma risota!
A seguir a dupla Larry & Lena com On the sunny side of the street (2002) mais virado para um "Folk Urbano" (seja lá o que isso quer dizer) em que as versões ficam adulteradas como o whisky rasca, ou seja, nota-se a diferença mas bate na mesma: La garota de Ipanema de Stan Getz ganhou um "L" latino (Roman e a companheira não sabiam distingir lá muito bem o português do castelhano), Pornostar é uma adulteração de Moviestar dos Stereototal, "All I want to do..." é na realidade "You and your sister" com o título errado - Lembram-se? Era a única música que se aproveita dos This Mortal Coil, uma pérola cantada pela Kim Deal e Tanya Donelly; On the sunny side (...) é dos Pogues, claro, tocado com orgão de feirinha catita. É curto e simpático.
Por fim, a solo Roman transforma-se em "cowboy kitsch", o Larry Bang Bang, que tem como cartão de apresentação o Greatest hits (200_) - também tem um belo e verdadeiro cartão de apresentação em serigrafia (imagem) mas isso já é outra história... Este disco parece ser quase sempre gravado ao vivo, muitas vezes com conversas herméticas germânicas (para quem não percebe alemão, portanto), os temas são standards do Country e do Folk (Lee Hazelwood, J. Burns, Cash, Dylan,...) e o som é manhoso. Tudo bem, isto é para ser Country Trash como o Roman o define.