segunda-feira, 29 de junho de 2020

Edições especiais

Há 10 anos que seguimos as "edições valentes" dirigidas por Martin López Lam e se um gajo se distrai perde pitada. Pensava até que ele já nem publicava por causa da sua carreira como autor - espero em breve falar do seu novo livro - e eis que aparecem belos livros como No Eres Especial (2020) de Carlos Santonja e Sucumbir (2019) de Andrea Ganuza. Livros A5 com excelente design, No Eres Especial é impresso a vermelho - como o Love Hole. lembram-se? - que lhe dá o ar hostil de acordo com o seu conteúdo. 


É "art brut comix" vindo dessa grande linhagem norte-americana, falo de Rory Hayes (1949-83), Mark Beyer e Mike Diana - há um bocado dos três ao longo do livro -, e a BD estrutura em capítulos é sobre a violência da vida. A escatologia está bem definida e alberga a pseudo-filosofia do que aquilo que fazes vai-te atormentar sempre para o resto da vida. Certo, certíssimo!


Do segundo livro dizem que é composto por cinco histórias / textos / BDs (o que chamar, realmente?) mas li como se fosse um todo e fez todo o sentido. Lembra muito o próprio Lam pela forma elegante que a intimidade cresce em prosa e num grafismo sempre permeável a novas experiências. Autores a seguir!!

Entretanto como Lisboa já é civilizada (outra vez) eis que facilmente encontrarão estes títulos na livraria Tinta nos Nervos - aproveitem que os correios espanhóis foram privatizados e estão bem caros!

sábado, 27 de junho de 2020

Recordando 6 de Junho


fotos Dois Vês



No passado dia 6 de Junho, a bela manif anti-racista e anti-fascista estava cheia de sócios da Chili. Curiosamente alguns que fizeram cartazes, usaram a fita adesiva da BD Amadora 2018 - com imagens de Francisco Sousa Lobo tratadas pelo atelier de design Barbara Says...*. Afinal sempre a BD Amadora serve para alguma coisa!! Claro, que pouco conforto isto trará naquele que será um dos concelhos com racismo bastante institucionalizado.


* que um bedófilo, Bruno Caetano, garantindo a ignorância e a autofagia cultural da comunidade bedófila, declarou serem uns "putos novos que andam praí"... Desculpem, tenho de usar a expressão "LOL"!!

sexta-feira, 26 de junho de 2020

5 estrelas!



Apesar de não estar, estou muito, a exposição de Rudolfo na Galeria Municipal do Porto, recebeu cinco estrelas no Ipsílon / Público. E já agora, a Associação Chili Com Carne co-editará o catálogo da exposição em breve...

terça-feira, 16 de junho de 2020

Mata-borrão ALL WATCHED OVER BY MACHINES OF LOVING GRACE acaba amanhã!




Exposição na Tinta nos Nervos 
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 Ana Maçã, Amorim Abiassi Ferreira, André Vaillant,  André Pereira, Cátia Serrão, Cláudia Salgueiro, Dois Vês, Félix Rodrigues, João Carola e Vasco Ruivo 

 Mostra de estudos e desenhos originais realizados pelos autores da antologia AWOBMOLG, editada em 2019 pela Chili com Carne. 

 Venda parcial das obras expostas.

de 10 a 17 de Junho

domingo, 14 de junho de 2020

conversa virtual AWOBMOLG


Pedro Moura / Ler BD entrevista Dois Vês e João Carola, autores e editores da antologia All Watched Over By the Machines of Loving Grace...

quarta-feira, 10 de junho de 2020

10 Junho na Rádio Paralelo

Nem fronteiras nem nações nem bandeiras nem deportações nem barreiras nem prisões.

Emissão de oposição internacionalista e miscigenatória ao dia da raça e da discriminação do outro.

Todo o dia (a partir das 6 da manhã) na Rádio Paralelo. 

Para ouvir: https://indymedia.pt

(clicar no botão do player)


sábado, 6 de junho de 2020

Porque há leitores deste "bloguezine" que não leem A Batalha...

The Antifa Comic Book 
Gord Hill

Do mesmo autor de The 500 Years of Resistance Comic Book (2010) – sobre resistência indígena nas Américas – eis um resumo das grandes lutas anti-fascistas, num espectro de 100 anos. 

As BDs de Hill não são muito narrativas, estão mais próximas da onda “Príncipe Valente”, onde as vinhetas são sempre acompanhadas por cartuxos cheios de texto. Estamos perante uma tradição de BD pedagógica pouco sofisticada mas o que lhe joga a favor, tal como no livro sobre resistência indígena, é estar bem documentado, com uma abrangência histórica enorme, cobrindo desde a origem italiana até aos neo-nazis russos ou a “alt-right”. 

Outro pecado de Hill será intitular os seus livros de “Comic Book” quando sempre houve alternativas ao termo (basta pensar em Lynn Ward ou Will Eisner, só no espectro anglo-saxónico), sendo o mais comum nos dias de hoje seria apelidar de “graphic novel”. Mas como diz o prefaciador Mark Bray, há uma tradição enorme de super-heróis dos “comic-books” a esmorrarem o Hitler, justificando realmente o uso deste termo degradante, embora a única coisa cómica nos EUA do século XXI foi ver o facho do Richard Spencer a levar nos cornos.

PS - sim esta resenha já saiu há bué da meses num número d'A Batalha, filhotes...

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Os Homens Não Se Querem Bonitos



Homem Faca #1 é um fanzine de Guimarães com data de Dezembro de 2019 que até parece que vem substituir a hibernação do Surto. Não é só a geografia do berço nacional (fuuuuck that!) e formato A4 que partilham mas sobretudo a tomada de consciência que poesia, fotografia, desenho e banda desenhada podem e devem partilhar destinos editoriais em conjunto, por muito que isso meta nojo aos poetitas e "bedófilos". A diferença em relação ao Surto é que o Homem Faca é mais testosterona (e androstenodiona?), irrita por esse excesso e pelas páginas pixelizadas da inexperiência da "não-edição". 
O trabalho que mais se destaca é a versão em BD do excelente tema White Jazz de Metadevice, é curioso mas não imaginei aquelas imagens quando ouvia a música e letra mas mais fiel do que isto não poderá ser porque tem em comum a mesma autoria, o Manuel João Neto e o André Coelho. Mas vá, é preciso que este Homem Faca ande em frente para não parecer uma versão violenta do Fazedor de Letras... 

Não sei se sou eu que sou um nabo a procurar na 'net ou se não há mesmo nenhuma página oficial do projecto por isso digo-vos onde se compra, ou seja na Snob, a única livraria que leva a edição independente à séria!

sábado, 9 de maio de 2020

Regresso à anormalidade


Anda tudo entesado com a "normalidade" quando as narrativas são iguaizinhas, quer à Esquerda (trabalho, trabalho!) quer à Direita (a economia, temos de salvar a economia!), só merda, todos desejam voltar a vender patinhos de plástico e ir no fim-de-semana para a quinta muito-ecológica limpar a consciência com a prole (ops, herdeiros, prole é prós miseráveis). Felizmente há coisas que sairam nestas semanas para mantermos a cabeça sã e contra a velha ordem, como este livro Defects do norte-americano Thomas Grant Stetson pela Black Blood Press - editora de graphzines que há 10 anos que nos oferece as imagens mais chocantes aqui da periferia.
Na linha de arte grotesca, que se pode localizar nos punks anos 70 com o movimento graphzine dos franceses Bazooka vindo até aos dias de hoje com os Le Dernier Cri, eis uma galeria de corpos em formol, dissecados e esfolados, colocados em poses estatuárias a posarem arrogantes. Para quem? Talvez para quem as vendeu comida envenenada, para quem poluiu os ares que respiram, para quem lhes vendeu remédios que geraram abortos, quem sabe? Estes corpos corrompidos ter ar de desafio, isso é certo, fazem-nos mijar nas calças.
Edição menor que o formato A4 (o A4 é para parolos!) com 40 e tal desenhos feitos em caneta esferográfica cuja impressão offset capturou bem, eis a publicação mais "pro" da Black Blood, parabéns! Do autor nada se sabe, fez algum "artwork" para fonogramas pós-industrialitas mas também, queriam saber o quê mais depois disto?