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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vieram todos do frio: Finlândia, Noruega, Lisboa... Lisboa?

Eis uma fornada de novos zines/livros que vieram da visita da CCC ao Festival de BD de Helsínquia, curiosamente todos eles pautados pela revisitação à infância e juventude.

A mais óbvia ou de relação mais directa é Death to Most (Boing Being) do Tommi Musturi que mostra que quando era puto já desenhava bizarrias virtuosas. Musturi resgata desenhos feitos entre 1986 e 1992 quando era um puto metálico e skater a viver na província finlandesa. Como é óbvio só poderia desenhar caveiras, demónios e "damas de ferro". A cor berrante - tão típica nas produções finlandesas - foi acrescentada para a edição deste mini-livro A6 de poucas páginas. Queriamos mais já que este ano não saiu a Glömp - a propósito o número 10 desta antologia sairá ainda este ano e servirá de catálogo para uma exposição de bd em três dimensões... Promessa feita de trazê-la a Lisboa para 2009. Cruzem os dedos!

Anna Sailamaa com Ollaan nätisti (Huuda Huuda) a infância é revisitada - por acaso é um tema do qual não tenho nenhum interesse seja em bd, literatura ou cinema. Apesar de tudo gostei de ver as distorções gráficas que a autora aplica no espaço e nas personagens criando um efeito "nostálgico" quando olhávamos para os adultos ou para os nossos pais e achávamos que eles eram enormes - as pessoas mais poderosas do mundo. Tirando as bd's de Chester Brown nunca tive interesse em bd's sobre a infãncia - acho que revelam fraqueza e falta de inspiração por parte do autor - mesmo assim este livro é interessante, novamente mais pela parte gráfica... Está escrito em finlandês mas com as legendas em inglês.

E se o finlandês consumiu demasiados desenhos animados pela TV, os noruegueses Kristoffer Kjolberg e Sindre Goksoyr leram demasiados "Tio Patinhas". E a piorar ainda tem uma obsessão doentia e inexplicável por Lisboa como se pode perceber pelo quatro zine dedicado a "Lisboa" em que o Gavião e o Prof. Pardal andam à bulha com a nossa capital como pano de fundo - um pano de fundo farçola e minimalista como as bd's Disney. Safety on Board (Dongery; 2008?) é um split-zine em que as bd's que se desenvolvem de um lado e do outro vai colidir nas páginas centrais. De um lado assistimos às acções do Gavião e do outro do Prof. Pardal, apesar de estarmos a assistir a uma bd de "continuação" pode-se ler com a independência sã de um oubapo. Escrito em inglês.

Experimental é o Jyrki Heikkinen com o seu novo livro (um deles, sairam mais mas só este é acessível para além dos 5 milhões de finlandeses e mais alguns conhecedores da língua suomi) Paparoad (Boing Being). Um livro horizontal que por pouco não se "parece com uma bd". Sem palavras, com desenhos que mudam de estilo/material de desenho/pintura, sem vinhetas clássicas podemos ser enganados a pensar que se trata antes de um livro de desenhos. O engano é tão legítimo como a qualidade e maturidade do trabalho.


E enquanto as fotos não são descarregadas, contas feitas e aquisições editoriais totalmente revisitadas (faltam dezenas de zines do Dongery e do Rui Tenreiro) podemos anunciar que já temos à venda o livro Nalle Uhh e que trouxemos também os últimos dois números do jornal "psico-berante-marado" Kuti que pode adquirido gratuitamente na compra de qualquer artigo finlandês ou com autores finlandeses no site da Chili Com Carne - a oferta é limitada ao stock existente - ou no caso do número 8 (imagem) por ser dedicada ao Trash, poderá ser oferecido na compra de qualquer bd Trash - as ofertas são acumulativas!

Para mais informações sobre o Kuti é só clicar aqui.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

hANGOUver

Pepedelrey a conduzir. km 156 em Espanha
tableta a identificar a Chili Con Carne

foto-fdd-tlm do stand da Chili Com Carne com o Boing Being. + fotos do stand aqui.


foto-fdd-tlm de casal finlandês vip (very important punk): Tommi e Tiina

foto-fdd-tlm de vips dos balcãs: Miss Ivanini & Mr. Zograf

Angoulême adora suar a bd


Yin/Yang: amigo Benoit / camarada Farrajota pelas ruas da cidade da bd...

Estação de serviço vindo de Vilar Formoso, Pepedelrey entre a k7 do DJ Bobo e o CD das Doce.


A não perder também uma reportagem fotográfica da croata Ivana Armanini em jedinstvo.hr/pmwiki/pmwiki.php?n=Komikaze.Angouleme2008. Ela deixou a antologia Komikaze para a CCC vender, em breve na shop online na secção de livros / vários.
"Kiitos" ao Tommi / Boing Being pela partilha de stand.

E já agora, já todos sabem que o(s) presidente(s) do festival vai ser a dupla Dupuy-Berberian... A "cara-metade" Charles Berberian tem um desenho no livro Malus (MMMNNNRRRG; 2005) onde retrata o seu autor, Christopher Webster. Na realidade trata-se de um pormenor retirado de um desenho maior de Berberian numa noite "bairro-autista" com vários autores de bd, durante a sua visita ao saudoso Salão Lisboa 2000.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Feira Laica 2009

na
dias 27 e 28 de Junho
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Estão confirmadas presenças dos autores/ editores Benjamin Bergman, Jarno Latva-Nikkola e Tommi Musturi (que desenhou o cartaz da Feira) do colectivo finlandês Boing Being (com ligações ao jornal Kuti e à antologia Glömp), Kaja Avbersek e Gasper Rus do colectivo esloveno da revista Stripburger
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De Portugal:
revista Acto, Alexandre Esgaio, Averno, Bela Trampa, Chili Com Carne, colectivo Pinopaco, El Pep, discos F.Leote, FlorCaveira, zine O Hábito Faz O Monstro, Hülülülü, Imprensa Canalha, Lemur, Mike Goes West, MMMNNNRRRG, Opuntia Books, Piggy, Reject Zine (com All*Girlz zine, Doczine, Shock e Terminal), Skinpin Records, Sleep City, Thisco, Zona Zero e zine Znok
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novidades editoriais:
Crack On (Chili Com Carne + Forte Pressa), antologia de bd
Cult Pump (Opuntia Books), grafzine de Zven Balslev
Derby (Imprensa Canalha + Mike Goes West), grafzine colectivo
Dry and Free From Grease (Opuntia Books), grafzine de André Lemos
É fartar vilanagem!! #2, zine bd de Alexandre Esgaio
Kuti #12 (Kuti Kuti), jornal finlandês de bd
Le Sketch #7 (P. Patrício), mini de Craig Atkinson
As Raças Humanas (Imprensa Canalha), grafzine de José Feitor
serigrafia de Alberto Corradi (Mike Goes West)
Shock #29, fanzine bd de Estrompa
T-shirt CCC #3 (O Hábito Faz O Monstro), de João Chambel
Zona Zero, antologia de bd
Znok #2, zine bd de Filipe Duarte
Time Life Life Time (Opuntia Books), grafzine de Luís Henriques
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outras atracções:
- exposição GlömpX - narrativas em três dimensões vindas da Finlândia

- exibições de filmes no auditório:
Sábado, a partir das 14h30: CTRL+ALT+TOONS : A collection of independent cartoon by Inguine.net (66m, Itália, 2006) do colectivo Inguine ; Carbage Goma (26m, EUA, 2009) de David Lee Price (do disco Journey Into Amazing Caves dos Zanzibar Snails) ; 20 ans de Fanzino (49m, França, 2009) de Marika Boutou e Karel Pairemaure ; Doczine, vol. 1 e 2 (2h, Portugal, 2004/09) de José Lopes, com a presença do autor para questões após visionamento
Domingo, a partir das 14h30: filmes da Animanostra (2h total, Portugal, 2000/09) - Histórias de Molero de Afonso Cruz, Januário e a Guerra de André Ruivo, Pássaros de Filipe Abranches, Algo importante de João Fazenda, Diário de uma inspectora do livro de recordes de Tiago Albuquerque, Um degrau pode ser um mundo de Daniel Lima, O Paciente, Sem respirar e Sem dúvida, amanhã de Pedro Brito.

- animação infantil (máquina de desenhar, BD é fixe!, mini-laica,...)

- concertos
Sábado, a partir das 19h: Amon Düde (da Finlândia e ligado aos Avarus!)
Domingo, às 17h: Goran Titol (no auditório com projecções das suas animações)

- Festa pós-Laica, Sábado, dia 27, no Scandy Bar, com DJ's Filho Único

flyer: Jucifer

domingo, 13 de julho de 2008

catálogo Napa disponível pela CCC

O colectivo finlandês Napa já faz parte da história da bd "suomi". Juntamente com outros colectivos (Asema, Boing Being,...) de edição independente nos anos 90, mudaram o panorama da bd finlandesa.
Criado em 1996, editou o zine Napa, primeiro em fotocópias com trabalhos dos seus autores e depois foi editando de forma cada vez mais profissional e internacional - como aliás aconteceu um pouco por toda a Europa e América do Norte. Na Finlândia, a título de curiosidade, é de se realçar o facto de haver uma igualdade de número entre autores do sexo masculino e feminino em quase todos estes colectivos.
No novo milénio, os interesses do grupo fragmentaram-se no fascínio da animação (como aconteceu com a exposição no Salão Lisboa 2005) e noutras áreas criativas como o Design ou fotografia, tendo no seu catálogo livros bastante ecléticos: flip-books, livros de bd, de fotografia, documentais e de ilustração. As edições de Jenni Rope (a líder do grupo?) são as que mais se destacam pela quantidade inerente ao conceito de querer "retratar uma semana", mas há mais e bom como por exemplo o livro de fotografias de pedaços não-óbvios das cidades que (o atelier) King Nosmo visitou, não faltando uma série de fotografias de tampos de esgoto de Lisboa. Continuando: o terceiro livro de Terhi Ekebom (editada no Quadrado e exposição individual no Salão Lisboa) que é uma antologia de (des)amores; o livro de estreia de Aapo Rapi (mais um grande autor da Finlândia e que fez o cartaz do Festival de Helsinquía do ano passado) que conta uma bizarra estória de teor marxista-circense (sim, sim, é verdade!); o número 6 da Napa dedicada a entrevistas dos autores do colectivo; e um livro de postais com ilustrações de mobílias imaginadas pelos elementos do grupo.

à venda no site da CCC (com desconto de 20% para os sócios)

sábado, 8 de janeiro de 2022

CRACKING de TOMMI MUSTURI até AMANHÃ na TINTA NOS NERVOS


 


Cracking  
Pintura, bandeiras e obra gráfica 
Tommi Musturi

A  Tinta nos Nervos apresenta um conjunto de trabalhos diversos do artista multifacetado finlandês Tommi Musturi (Ruovesi, 1975) que, nas duas últimas décadas, tem sido uma influente referência no seio de vários selos editoriais e gráficos independentes da Europa, e para além dela. Um artista multidisciplinar, tanto no campo das “belas artes” e das “populares”, trabalhando em imagem e som, como no campo editorial editorial através da Boing Being, da Huuda Huuda e da KutiKuti, Musturi é um nome celebrado.    

Em Portugal o seu trabalho tem sido apresentado sobretudo pela editora MMMNNNRRRG, que publicou, entre outros trabalhos curtos, os dois volumes da série Samuel Antologia da Mente, um livro que coligiu a produção de banda desenhada do autor de entre 1997 e 2017 em pequenas editoras, zines e outras peças.

A exposição patente na Tinta nos Nervos até o início de 2022 apresentará uma série de 15 pinturas e 3 bandeiras, todas datadas de 2019 e 2020, em tintas acrílicas e outros materiais, que mostram uma das práticas ou produções correntes do artista: uma permanente tensão entre o figurativo e o abstracto, entre as formas mais afectas a um certo imaginário popular da animação e banda desenhada e um movediço informe que parece dar conta daquele fundo inquieto de onde partem todas as formas (o reino das Madres de Goethe).   

A exposição incluirá ainda um conjunto alargado de múltiplos que remontam a 2012 e atravessam esta última década de trabalho. Será também projectado o episódio do projecto do realizador português Edgar Pêra, Cine Comics, dedicado a Tommi Musturi.    

Esta exposição conta com o apoio do Instituto Iberoamericano de Finlândia

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Asterixin Persreiät


Chili Com Carne and associates labels (El Pep, MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha and Opuntia Books) will be dividing a booth with Boing Being crew from Finland in the Comics Festival of Angoulême next week between 24th and 27th January.

We'll be selling the best Indie Portuguese editions in the NEW YORK Bulle while dancing Finn Death Core Tango. You've been warned!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

abrindo as malas da viagem...

É o regresso do SPX 2008 (Estocolmo) e serve este "post" para dar as novidades:

_Temos para oferta alguns exemplares do último número do jornal finlandês de bd, Kuti - já várias vezes divulgado neste blogue. É um número especial SPX, com trabalhos de autores finlandeses e suecos. Os textos estão em sueco mas com legendas em inglês.
Esta oferta é exclusiva aos sócios da CCC e que comprem qualquer artigo que seja da Finlândia ou da Suécia (Boing Being, Napa, Daada) ou que tenha participação de autores finlandeses ou suecos (Chili Bean, Mesinha de Cabeceira Popular #200, Mutate & Survive, Canicola).

_Já é uma revista que se tem escrito com alguma regularidade (o #5 e o #1) e que número para número vai crescendo em forma e conteúdo: C'est bon anthology do colectivo sueco C'est Bon, com quem a CCC partilhou mesas na SPX. Trouxemos para venda os quatro volumes da terceira série (#17/20; Ago'06/Dez'07) que marcam a distribuição mundial desta publicação através do catálogo Previews (que distribui todos os comics norte-americanos para as lojas especializadas). A revista continua a sua redacção em inglês e está com um aspecto luxuosa, gordinha e brilhante devido ao papel couché. Tem mais colaborações de autores internacionais (ou seja, "não-suecos") e mais trabalhos arrojados - uma lista de nomes explica por si só a qualidade que a revista atingiu: os alemães Martin tom Dieck (que estará este fim-de-semana no Festival de BD de Beja!) e Arne Bellstorf, o sérvio Danijel Savovic (vol.1), o português Pedro Nora, o sueco Knut Larsson, os finlandeses (que estiveram no Salão Lisboa 2005) Marko Turunen e Jyrki Heikkinen (vol.2), o francês Yvan Alagbé, os italianos Andrea Bruno e Stefano Ricci (vol.3), ou ainda a finlandesa Amanda Vähämäki ou a israelita Rutu Modan (vo.4).

_Um dos editores desta revista é Mattias Elftorp que também é autor de bd. A série Piracy is Liberation é o seu trabalho mais conhecido, que já se encontra num quarto volume editado pelo colectivo desde 2006.
Graficamente próximo de (ou demasiado influenciado por) Brian Wood e Ben Templesmith, Elftorp é menos elegante em questões de anatomia, domina as lutas do preto e branco e dá bom uso de tramas e texturas.
Cada volume apresenta entre 64 a 72 páginas, o que mostra o enorme trabalho com que o autor está lançado. A trama de um futuro não longe do nosso, passado numa megalopólis sem memória, onde piratas informáticos procuram destruir o sistema de dominio dos padres capitalistas, poderá lembrar Matrix ou a bd Invisibles de Grant Morrison (este último menos conhecido mas mais copiado - os criadores do Matrix que o digam) mas não deixa de ter ideias próprias que estão em gestação - gosto particularmente de uma cena em que duas personagens Hackers que fazem "copy'n'paste" deles próprios do mundo virtual para o real. De certa forma as cerca de 240 páginas ainda não pareceram suficientes para perceber o que se passa por aqui - lógica de Manga? À primeira vista, poderá haver uma excessiva exploração de lugares-comuns de "anarco-glamour" mas uma leitura mais atenta revelará mais inteligência do que a visão superficial. Esperando por mais volumes até 2012?

_Nesta edição do SPX assisti, de certa forma, a saída do armário da bd sueca alternativa... enquanto os finlandeses há anos que traduzem as suas bd's para terem feedback internacional, os idiotas dos suecos sempre tiveram fechados no casulo editando livros na língua que nem os ABBA usavam para ganhar o Eurovisão. Resultado, tirando o Max Andersson e o Lars Sjunnesson (este último participou no Mutate & Survive), que vivem em Berlim, e o Gunnar Lundkvist e Joakim Pirinen (editado em Portugal pela Azul BD3), todos eles da "velha guarda" nada mais se conhece da bd sueca. Aliás, as minhas duas visitas ao país - e à SPX - não se traduziram em regressos com malas cheias de novas bd's, livros e zines... justamente o oposto do que aconteceu quando vou ao festival de bd de Helsinquía.
Saiu a antologia From the shadow of the northern lights : an anthology of Swedish alternative comics : vol. 1 (Galago; 2008), uma antologia em inglês (yeah!) que terá distribuição pela norte-americana Top Shelf. Podemos chegar à conclusão do que se passa por lá: há a "velha guarda" (já referida) mais gráfica e experimental, depois há a autobiografia chata dos anos 90 - daquela que ninguém têm nada para contar ou que saiba contar de forma interessante, havendo montes de históras sobre homossexualidade (um sucesso no mercado da bd, creio) - e por fim, o regresso do grafismo e bizarria bruta com nomes novos como Marcus Ivarsson, Marcus Nyblom (autor da capa), Knut Larsson e Kolbeinn Karlsson. Apesar das lamechices de alguns autores, vale a pena ler estas 200 páginas a preto e branco.

_E é este último grupo de autores referidos que faço um destaque porque como já escrevi, raramente há razões para comprar edições suecas por causa dos grafismos pobres e pela barreira da linguagem. As excepções são as seguintes: o livro Skissbok (Kartago; 2007) do Marcus Nyblom e os zines de Kolbeinn Karlsson: Benny Bjorn will never return e Rules of animation (com Hanna Petersson; 2007) e Harvar Vilda Vastern (2007?).
No primeiro caso coloca-se a questão se "skissbok" poderá mesmo significar "livro de esboços"... apesar da estrutura do livro apontar para isso porque os trabalhos publicados não parecem ter ligação aparente. Ora são desenhos soltos, alguns sim com aspecto de "esboço", ora são bd's mudas e insólitas como "Alice no País das Maravilhas". São as bd's que têm um ar mais esboço porque o estilo gráfico que Nyblom usa é "realista" e "certinho" bem longe das suas ilustrações que têm aquele aspecto derretido e degradado de quem está em sintonia com a ilustração deste milénio - embora as raízes deste tipo de desenho e imaginário estejam na Raw e no Fort Thunder, dos anos 80 e 90 respectivamente. É um livro "fifty/fifty".

Quanto a Kolbeinn (várias vezes pensei que ele chamava-se Cobain como o vocalista dos Nirvana ou Kobaïan, a língua inventada pelos prog-rockers franceses Magma) também está em sintonia com o tempo: degradação material e moral, fascínio pelo Pop (o Benny Bjorn para quem ainda não está bem a ver, é um dos tipos dos ABBA), monstros peludos e outras criaturas de série B. Zines fotocopiados em formato A5 com capas a cores, os dois primeiros são de ilustração em parceria com uma tal Hanna Petersson em que as autorias não são identificadas (embora as suspeitas sobre a autoria dos desenhos de Kolbeinn recaiam para os que têm mais texturas); o último é o único de bd - que está também publicada na antologia From the Shadow (...) - com uma estória violenta homoerótica do oeste norte-americano - acho.

_Por fim, material dos inteligentes finlandeses - é a segunda vez que fico com a sensação que a Suécia, ou pelo menos Estocolmo é dominada por campónios e novos-ricos.
Novidade absoluta: Supernormal (Daada; 2008) de Marko Turunen, um dos muitos autores de bd peculiares da Finlândia e também dono da editora Daada. Não é novidade mas é importante na mesma para qualquer português ignorante da cena bedéfila da Fenoscândia: Mystic sessions Vol.I (auto-edição; 2006) de Pauliina Mäkelä.
No primeiro caso são reedições de bd's de zines antigos ou ainda algumas bd's fora do padrão do universo do autor - que nos visitou no Salão Lisboa 2005. Aqui vamos encontrar bd's parvas de super-heróis criadas pelo Turunen de 1984 (de 11 anos) e redesenhadas pelo Turunen de 1998 (de 25 anos) que dão um sentimento estranho para qualquer apreciador de "nerd culture", há fotonovelas nervosas das aventuras do Sr. Pinguim (um boneco azul feito por Turunen) a interagir com patos e com um cão (hilariante!), algumas bd's "minimalistas" de coelhos ninjas ou de contos tradicionais sobre ursos broncos,... enfim, mais de 400 páginas A6 de Arte e pura diversão.
O segundo caso é um livro agrafado A3 de 16 páginas a preto e branco que foi criado pelos - e serve para quem quiser ilustrar - distúrbios e desvaneios psico-acústicos de projectos musicais como sunn0))), Earth, Burzum, Wolf Eyes, Melvins entre outros "dronemeisters".
Existe uma narração feita de imagens de uma figura feminina (uma menina) a tocar um tambor intercaladas com outras imagens de dimensões bizarras e psicadélicas, daquelas que podiámos chamar de "zona negativa" ou algo assim - quem leu os desvaneios de um tal de Kirby sabe do que falo.
Cada batida, um novo universo?

aviso: irá demorar a colocação destes artigos na nossa loja virtual, por isso quem quiser entretanto comprar poderá fazê-lo pedindo pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. cada número da C'est bon custa 15€ e cada volume de Piracy is Liberation custa 10€ (c/ desconto de 20% aos sócios da CCC)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Glömp #9

Boing Being; 2007

Um mamote com 308 páginasa cores de bd e ilustração psicadélica de porte global: da Coreia do Sul a Portugal (com André Lemos), da Grécia ao Canadá, e claro pela Escandinávia fora - ver aqui pormenores mas atenção à baba que vos escorrer pela boca não atingir o teclado.
Esta antologia finlandesa organizada por Tommi Musturi mostra o melhor que se faz em bd de autor neste novo milênio. E se todo este texto parece histérico é porque o conteúdo não deixa outra opção tal é a quantidade de material marado (e "marado" é mesmo a melhor expressão) que aparece nas páginas deste livro.
É de aproveitar enquanto existem exemplares porque quando esgotar ficarão a chuchar no dedo como já aconteceu com muita boa gente em relação ao número anterior - que já preparava o terreno para o que vinha a seguir.
Neste momento só há 5 exemplares em posse da editora (que para a semana conta esgotá-los participando numa feira do livro) e 3 exemplares à venda no site da CCC. Estão mais do que avisados...

sábado, 24 de novembro de 2007

europagraphics ii

Moving Plastic Castles
Sketchbooks, vol. 2: Stand alone and smile ; vol.3: Concrete Floor
(Boing Being; 2006-07) de Tommi Musturi
Kuti #1/5
Uusi Pulmis
(Kuti Kuti; Set'06-Set'07)

Por alguma razão misteriosa, os finlandeses estão a descobrir o "ácido" na bd e ilustração. Fora do já conhecido desengonçado crumbiano ou da crueza non-sense ratada de Panter, os finlandeses andam a borrar cores a torto e a direito nos seus desenhos.
Prova concreta disso é o jornal Kuti editado pelo atelier Kuti Kuti, onde seja qual for o estilo gráfico das bd's a dada altura o que se vai destacar são as cores berrantes aplicadas ora com as canetas de feltro mais básicas até ao Photoshop. Outro ponto comum entre vários autores finlandeses (ou os artistas do atelier Kuti Kuti) é o imaginário sacado aos universos Pop da infância em que são revistos sob um prisma da decadência: ODNI (objectos Disney não identificados), Masters of the Universe desconstruídos, distorções da bonecada fosse ela vindo do brinquedo de plástico ou da bd impressa ou desenhos animados. O último número mudou o rumo exclusivo da bd nas folhas do jornal e começaram a aparecer alguns artigos e entrevistas... Sim, letras e texto - desilusão dirão, mas não projecto está ainda melhor mostrando que a bd finlandesa continua com a força toda.
Musturi (que faz parte desse atelier) tem publicado sketchbooks, o segundo, Stand Alone and Smile está rendido à arte psicadélica - a lembrar até o Moebius mas sobretudo à arte tripada dos anos 60. O mais recente, Concrete Floor, aumentou para o formato A4 e as páginas estão todas verdes - o melhor é tomar alguma coisa antes de fohear o manicómio visual que se apresenta. Há ainda mais um livrinho quadrado daquele que é o resultado (em imagens) de um sonho sobre "Moving Plastic Castles". Mais confusão mental marcado a cores fortes e forte componente iconoclasta.
Por fim, Uusi Pulmis é um mini-zine A6 de lixo do atelier, ou seja, feito espontâneamente de desenhos rejeitados e deitados para o lixo, recuperados pelo gozo apenas de fazer uma experiência "zinista". O lixo de uns é o luxo de outros? A ideia de reciclagem ultrapassa o resultado final, claro está.


à venda na CCC (20% desconto para sócios)

sábado, 11 de julho de 2026

MAXIMUM TROLL-ON de BENJAMIN BERGMAN --- últimos 2 exemplares!


Maximum Troll-on por Benjamin Bergman editado pela MMMNNNRRRG

Troll On é uma BD de dois elfos e um cavalo metidos em várias aventuras que devem mais aos Freak Brothers ou aos Blue Brothers que ao Senhor dos Anais ou a Guerra dos Cornos ou lá o que é. 

As BDs são mudas mas canta-nos as aventuras destas personagens fantásticas entre ácidos e Sword & Sorcery, cogumelos mágicos e ZZ Top, MDMA e Conan, o BárbaroComparando com muita freakalhada da produção contemporânea como o Matthew Thurber ou Joe Daly, que parecem sempre pálidas imitações de Gary Pather, venham antes para este livro. 

Ele rocka prá caralhu!

Benjamin Bergman quando era puto deve ter absorvido demasiado desenhados animados e bonecada em PVC, daí ser um autor do famoso atelier de Helsínquia Kutikuti. Já nos visitou em 2009 numa Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e até sobreviveu até hoje (2019) um mural seu na entrada da biblioteca, feita colectivamente com Tommi Musturi, Jarno Latva-Nikkola e Tiina Lehikoinen. 





 108p TODAS a CORES e MUDAS (sem palavras) 12,5x17cm. edição brochada.
Tiragem de 666 exemplares, publicado pelo autor na Finlândia e pela MMMNNNRRRG em Portugal - para cá estão disponíveis apenas 333 exemplares - disponíveis ainda 35 exemplares
Este 43ª volume da MNRG foi possível graças ao apoio do FILI - Finnish Literature Exchange
Esta série foi originalmente publicada em quatro fascículos pela Kutikuti e Boing Being, entre 2008 e 2013.

capa do primeiro fascículo

Livro distríbuido pela Associação Chili Com Carne
+
à venda na Linha de Sombra, Tigre de Papel, Matéria Prima, BdMania, Nouvelle Librarie FrançaiseSnob, Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão) and Quimby's (USA), Just Indie Comics (Italy), Ugra Press (Brazil), Big Brobot (Berlin) and Freedom Press (London)



Historial: 

Lançamento do Festival de BD de Helsínquia 2018
+
Lançamento português no 8º Necromancia Editorial no Milhões de Festa no dia 7 de Setembro como os CIRCLE como "banda sonora"
+
Autor presente nos dias 1 a 3 de Novembro na BD Amadora 2019




Feedback:

(...) extravasa a concepção clássica de BD, aliando as técnicas da ilustração ao mais puro expressionismo pop.
Time Out (Lisboa)

Num registo gráfico só aparentemente infantil, o autor finlandês Benjamin Bergman cria histórias em banda desenhada onde ecoam referências populares como os ZZ Top ou a série Conan, o Bárbaro, sempre atravessadas por um psicadelismo desencantado onde a acidez omnipresente parece dever tanto às substâncias químicas como à ironia mais aguda.
No final dos anos 1970 e depois 1980, existiam bonecos de PVC com cores garridas de todas as séries de animação, banda desenhada e outras. Tendo todas o mesmo tamanho, era prática comum guardá-las no mesmo local e não haveria quaisquer limitações a, quando se brincava, criar crossovers. O Estrumpfe de óculos e o Marco da Montanha podiam perfeitamente juntar-se para dar cabo do Flip, da Abelha Maia, enquanto o pai do Vickie e Willy Fog faziam apostas. E havia uma certa beleza em tê-los simplesmente empilhados, onde as formas de plástico e as cores garridas se misturavam num padrão promissor, numa espécie de alucinação visual sem drogas e confortavelmente caseira. Folhear Maximum Troll On partilha dessa energia.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Fenoscândia I

Novas dos países escandinavos, onde está acontecer uma emergente cena bedéfila. A mais visivel, é a finlandesa como devem ter reparado no ano passado no Salão Lisboa.

Finalemente saiu Uusissa maisemissa (trad.: Nas novas paisagens) da Terhi Ekebom, pela Asema... finalmente porque fiquei à espera de ver o livro impresso depois das pranchas originais terem estado numa das exposições do Salão Lisboa. Desde já é de referir a boa produção do livro: uma capa dura que sugere uma textura de papel de cenário - onde aliás, foram desenhados os originais da bd. O miolo é impresso em fundo azul e provoca um choque térmico para quem viu os originais. Este é o segundo livro desta autora, distante do primeiro, "A Cow's Dream" (ver Underworld #11) quer no aspecto quer no tema. Graficamente, Tehri explora (já algum tempo, consultem o Quadrado #6) o lápis para fazer um registo mais "free" / desenho livre, geralmente com uma composição de 2 vinhetas por página muitas das vezes ligadas entre elas por uma imagem única. O resultado é francamente agradável (e económico). Nas novas paisagens o tema abordado, também de encontro com os seus últimos trabalhos, são sucessões de acontecimentos em volta da infância / puberdade com laivos de autobiografia. Um puto muda-se com uns pais (que são criminosos!?) da Suécia para a Finlândia - sabendo que a autora é meia-sueca e meia-finlandesa devo supor que haja aqui uma relação. Trabalho misterioso, este, escrito em finlandês mas com a tradução em inglês no rodapé de cada página.



Também publicado no Quadrado #6 e presente no Salão Lisboa mas sem exposição, Tommi Musturi, lançou o seu primeiro livrinho de esboços, Autiomaa Kis-Kis, pela sua editora Boing Being. São 24 páginas todas a cor impresso num papel grosso q.b. com imagens grotescas roçando o Pop em estado de degradação. Os corpos de Roma ardem e Tommi regista-os com um talento plástico que mete inveja.

domingo, 18 de novembro de 2007

Glömp #7

Boing Being; 2005

Antologia finlandesa (mas com apenas um autor finlandês desta vez) que edita o melhor que se faz de bd no Ocidente pelas novas gerações gráfico-narrativas.
Os nomes não enganam: Tom Gauld, Helge Reumann (o Elvis Studio no Salão Lisboa 2005), Till D. Thomas (na última CriCa), Giacomo Nanni (Canicola), Fréderic Poincelet, ... e ainda bd's inéditas de Isabel Carvalho e Pedro Nora!!! Mais não é preciso escrever, creio.
A impressão do miolo é feita a cores diferentes de caderno a caderno mas sempre a uma cor (azul, verde,etc...).
Um bom livro!
Está escrito em finlandês mas tem legendas em inglês no fim de cada prancha.

domingo, 1 de julho de 2007

Não há regras sem excepções

Tal como este país se queixa permanentemente de atrasos sobre a Arte, também acho que haja um exagero tipicamente latino relativamente a essas queixas, especialmente quando aparecem “coisas” como os Opuntia Books, perfeitamente sintonizados com a cultura contemporânea.

Desde Janeiro de 2006 que o ilustrador André Lemos começou a lançar edições que publicam desenhos seus ou de outros autores. Essas edições monográficas são feitas de tiragens limitadas entre os 50 a 100 exemplares – sem reedições, especulando a raridade dos mesmos. Cada exemplar é numerado com um carimbo e muitas vezes também são assinados pelo autor. O formato é o A5 e as capas são impressas em cartolina, muitas vezes em serigrafia. Por fim, as edições são embaladas em sacos plásticos para proteger algumas surpresas que costumam saltar do interior - folhas volantes, fotografias... Falta dizer que a impressão é feita a fotocópia a lazer garantido uma qualidade de reprodução, simulacro de uma impressão profissional.

Dos títulos até agora editados, dois são de autoria de Lemos: Even gravediggers read Playboy (Jan’06) e Family Portraits (Mar’07). No primeiro caso, é reproduzido uma selecção de desenhos do autor, no segundo, é uma série temática - um desfile de famílias toscas. Não porque elas sejam toscas per se mas porque a maioria das criações de Lemos tem um ar bruto, resultado do tratamento gráfico condimentado com traços musculados e negros; e, os desenhos são acompanhados por frases irónicas. Aliás, basta constatar pelo primeiro título a capacidade de Lemos para criar frases idiossincrásicas. A primeira edição é impressa sobre papel azul de 25 linhas – um pormenor sádico da burocracia portuguesa – e o segundo título inclui uma fotografia “vintage”. O primeiro título encontra-se esgotado, fechando desde já o seu ciclo de vida pública – embora quem o quiser consultar poderá encontrar um exemplar na Bedeteca de Lisboa, provavelmente a única instituição pública com um bom acervo de fanzines.

E por falar em fanzines, creio que tem havido confusão em designar os Opuntias como fanzines. Geralmente têm sido divulgados como tal (incluiu-me na lista de culpados) porque em parte em Portugal (agora sim, uma queixa) há alguma falta de denominações para alguns objectos urbanos. O próprio “fanzine” tem sido divulgado para qualquer edição com as seguintes características formais: publicações amadoras e não remuneradas que tratam de um assunto - daí a contracção das palavras: “fan” e “magazine” -, edições fotocopiadas de tiragem reduzida (100 exemplares máximo) e de distribuição ainda mais restrita (amigos e redes de contactos). É verdade que os primeiros fanzines, nos anos 30, que versavam sobre ficção científica, e nos anos 60 de música. Mas «desde os anos 70, que o “fã” tem sido abandonado do "fanzine". O aparecimento da estética “Do It Yourself” do movimento Punk aliado ao acesso às fotocopiadoras, fez com que as pessoas começassem a tratar de assuntos mais pessoais e que não poderiam ser associados à ideia de ser “fã” de seja o que for» 1, ou seja, os editores / autores não quiseram ser meros admiradores da cultura comercial e passaram a querer ser produtores de uma outra cultura, a sua, seja ela qual for. Os Opuntia teriam todas as características para serem zines, por manter as características físicas (tiragem e formato) e as de conteúdo pessoal ou artístico. Então porque se chamam de “Books” e não “Zines”? É que apesar dos fanzines ou zines serem aperiódicos (saem quando podem, dependendo do tempo e economia do seu editor) tem uma numeração como se fossem uma revista. Os Opuntias também saem quando o editor pode e também tem uma numeração poderá ser contraposto, no entanto, a numeração surge como uma colecção de volumes independentes tal como numa colecção de livros de uma editora profissional. O que são os Opuntia Books?

Mesmo sabendo que nem sempre as definições funcionam e que no mundo pós-moderno em que vivemos com avanços tecnológicos que por pouco são quase em tempo real (um exagero, eu sei), o que era certo há 5 anos poderá não ser hoje ou nos próximos 5 minutos. Eu diria que são “livros de autor” impressos na tecnologia barata da sua época tal como noutras alturas aconteceu com outros movimentos artísticos ou criativos: Dada, Futurismo, Surrealismo, Beatnik, Situacionismo, Fluxus, Punk, Rrriot Girl. Daí que não teria dúvidas que os Opuntia pertencem à cartografia de projectos gráficos radicais que misturam Art Brut, neo-psicadelismo, porno-hard-gore, iconoclastia ao ritmo Breakcore, estéticas kitsch do Punk ou do Metal, bichos fofos-freeform onde vamos encontrar (apesar das diferenças de estatuto) editoras como Le Dernier Cri (França), MMMNNNRRRG (Portugal), Boing Being (Finlândia), Francis Laporte (França), Smittkilde (Dinamarca), Bongoût (Alemanha) e Stratégie Alimentaire (França) – onde inclusive Lemos já participou em antologias ou livros a solo.

Na realidade o termo certo dos Opuntia são “chapbooks” mas não podemos usar a tradução da palavra para português porque significa "folhetos de cordel" - «literatura (…), persistente desde o século XVII, fora dos circuitos tradicionais do livro ou, melhor dizendo, paralelo a estes; (…) antecessor do livro de bolso, pela facilidade da sua circulação». 2 Em inglês, tem essa origem antiga - os folhetos eram vendidos por “Chapmen” (vendedores ambulantes) - mas foi rejuvenescida pela literatura marginal dos Beatniks que editavam em pequeno formato e baixo custo de produção. Não vale a pena queixarmos de não termos tido “beatniks” em Portugal, nos anos 50, a tristeza de Salazar era a cultura oficial mas reparem: 50 anos depois temos os Opuntias Beatniks, digo, Books! Rewind!

Raio Verde (Mar’06) é uma selecção de desenhos de Bruno Borges, num estilo gráfico que reduz os objectos ou pessoas a linhas essenciais que retratam fantasias infantis (um militar, animais, um mago). No interior há ainda uma separata com uma bd de quatro páginas que regista uma conversa de café do tipo «só estou bem onde não estou» em castelhano entre um tipo e um urso; e um envelope com desenhos soltos.

Animália (Jun’06) de Frederico é uma colecção de 30 desenhos de dinossáurios com mandíbulas ameaçadoras, feitos por este autor de 4 anos de idade. Um autocolante colado no plástico avisa: «pode ser usado como livro de colorir» por outras crianças - ou adultos, cada um sabe de si.

Suicide Reporté (Mar’07) e Life is life (Set’07) de Sylvain Gérand e Mehdi Hercberg, respectivamente. Sylvain é conhecido pelo seu trabalho de editor: o zine mutante L’Horreur est Humaine (que ganhou o prémio de Fanzine no Festival de BD de Angoulême), e actualmente as Editions Humeurs. Sylvain é sobretudo um virtuoso Pop mas ao serviço do “choque”. Um exemplo do seu trabalho pode ser visto nesta página - a criança com ar terminal que diz “Não tens um ‘naite, ó idiota?!”, ao seu lado, alguém desmaia numa típica convenção de cartoon. Um estilo Reader’s Digest mas com a mensagem “estragada”. Alguns desenhos parecem exercícios de estilo, com uma enorme capacidade de criar texturas complexas. Hercberg é simétrico a Gérand, as imagens que cria num estilo “ratty” (devedor a Gary Panter) de figuras humanas em permanente derrame. Apesar da decadência física, as personagens tem um carisma por parecerem simpáticos patetas. Grind-Cutie Pie? Hum…

Sítios: opuntia-syndrome.blogspot.com, opuntia-books.blogspot.com, chilicomcarne.com.


1 In Cascais Submerso (Chili Com Carne; Set’07)
2 Da mostra documental “Folhetos de Cordel e outros da colecção de Arnaldo Saraiva”, que esteve patente na Biblioteca Nacional este ano.

Texto publicado na Umbigo

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Simplesmente Samuel, últimos 66 exemplares - LIVRO DO DIA stand H12 na Feira do Livro de Lisboa


As novas caminhadas existênciais de Samuel

Simplesmente Samuel de Tommi Musturi

160p. 20x20cm a cores em papel Orla Cream 140g
capa dura a cores, marcador de fita

à venda na loja em linha da Chili Com Carne, BdMania, ZDB, Linha de Sombra, Mundo FantasmaTigre de PapelMatéria Prima, Snob, Tinta nos Nervos, Universal Tongue e Kingpin Books.

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Simplesmente Samuel é uma narrativa visual silenciosa, uma homenagem à vida e à existência humana. Samuel é uma figura fantasmagórica que caminha por um mundo colorido (muito parecido com o nosso) praticamente invisível para o que está ao seu redor, como um verdadeiro herói da nossa vida quotidiana e mundana. As vinhetas sem palavras de Simplesmente Samuel lidam com o individualismo e o conceito de liberdade, ponderando nossas atitudes diárias, escolhas e os valores por trás delas - tudo isso através das acções e expressões de Samuel.

Simplesmente Samuel é a continuação de Caminhando Com Samuel (2009), primeiro trabalho de Tommi Musturi com este "pequeno fantasma que caminha", e escolhido pelo jornalista Paul Gravett para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die.

O traço de Musturi exprime uma narrativa contundente, combinando psicadelismo dos seus mundos interiores com uma precisão matemática no acabamento e no design. O universo rico em cores e formas funciona como uma parte da narrativa ecléctica que continua a surpreender o leitor página a página.

Simplesmente Samuel é um romance gráfico peculiar, que induz o leitor a ver e experimentar a arte impressa a um novo nível.

Simplesmente Samuel foi lançado simultaneamente em nove países diferentes - a edição portuguesa foi em parceria com a brasileira A Bolha - incluindo nos EUA pela Fantagraphics Books. Foi nomeado para Melhor Álbum Estrangeiro pela BD Amadora 2017.

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Sobre o Caminhando Com Samuelum dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos. Sara Figueiredo Costa / Expresso (...) 


Sobre o novo título:

(...) o mesmo tempo entrega-nos instrumentos de interpretação que poderiam permitir-nos ler Simplesmente Samuel como uma imagem de algo para além da aparente simplicidade prometida. O livro é, portanto, uma pequena máquina que tanto permitirá uma leitura de consulta rápida, em que nos deleitamos nas cenas isoladas, nas anedotas por si mesmas, mas também uma mais aturada e ponderada consideração do seu significado holístico (...) Pedro Moura in Ler BD. 

I just had Sam for lunch today, such a visionary guy, childish but in a twisted way, I like him for now, but I have to get to know him better DJ Balli (email)

Samuel es un personaje vacío, sin personalidad, un conducto para que la aventura gráfica se desarrolle. Sin embargo, al mismo tiempo es lo mismo y otra cosa diferente, una recopilación de páginas más experimentales y profundas, donde Musturi ha logrado dar un salto al vacío y llegar un territorio nuevo. The Watcher (em relação à edição espanhola)

Nunca tínhamos visto os colhões ao Sapo Cocas, obrigado Tommi Musturi. Clube do Inferno

Melhores Livros de BD de 2016 no Deus Me Livro

A viagem de Samuel através das páginas transforma-se pois numa estranha meditação sem palavras, contada apenas com desenhos. (...) há inúmeras descobertas a fazer neste belo livro. João Ramalho Santos in Jornal de Letras

Livro seleccionado para prémio pacóvio de 2019 (o livro é de 2016!) pela BD Amadora e FNAC - nem editora ou autor foram avisados de tal!!















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Tommi Musturi nasceu em 1975, é um dos autores mais excitantes num país onde onde surgem dezenas de autores excitantes!

Desde miúdo que é um activista, começou por editar nos anos 90 singles de Noise Rock e zines de BD sob a chancela Boing Being, em que se destaca a antologia Glömp cujo último número explorou narrativas em três dimensões - número experimental, luxuoso e basilar que teve direito a uma exposição que passou pela Bedeteca de Lisboa em 2009. Apesar de viver em Tampere é um dos elementos mais activos do atelier Kuti Kuti (de Helsinquia) que edita o muy psicadélico jornal de BD Kuti - um caso único no mundo, diga-se de passagem.

As bandas desenhadas de Musturi são quase sempre mudas (sem texto) e de uma comicidade camuflada. Acima de tudo é um humanista que apresenta o seu mundo e as suas personagens de todos ângulos de forma a girá-los num círculo em que a verdade apresenta-se sempre em mutação. No ano de 2011 ganhou o prémio principal da BD finlandesa, Puupäähattu, pela Sociedade Finlandesa de BD. Os seus trabalhos tem sido exibidos e publicados em mais de 10 países - como o The Books of Hope editado pela importante Fantagraphic Books.

No caso português participou nas antologias Quadrado (3ª série, Bedeteca de Lisboa), Mesinha de Cabeceira Popular #200 e no MASSIVE - ambas da Chili Com Carne. Foram também publicado os livros To a stranger (Opuntia Books; 2010) e Beating (MMMNNNRRRG; 2013) dedicados à sua obra gráfica. Este autor já nos visitou várias vezes entre elas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa (2009) e no Festival de BD de Beja (2014).

Os livros Caminhando Com Samuel e Simplesmente Samuel, com edição em nove países, têm lhe granjeado fama internacional, sendo que o primeiro título foi uma das obras seleccionadas para o livro de referência 1001 Comics you must read before you die.