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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Infecção urinária de gunaria


Ghunagangh
No Porto, apareceu esta parceria entre o Ghuna X e Rey que fazem “fusionismo” com um foco ideológico acertado para esta Era de Caos. O primeiro é um produtor de música electrónica já com quatro álbuns editados, o segundo é um rapper que lançou o ano passado o seu disco de estreia Sua alteza o vagabundo. Para rotulá-los pode-se dizer que procuram a violência punk num formato dubstep, designação que soa muito bem em papel, segundo o figurino contemporâneo, do tipo aceitável e “hip” para vender às revistas parvas de novas tendências. Mas essas publicações iriam borrar-se todas se os ouvissem. Isto não é para meninos de penteados de 100 euros! Por isso a única promoção possível é mesmo nas margens da cultura oficial!

Tintol
Uma das coisas que solta logo aos ouvidos é a voz do Rey, de sotaque nortenho sem vergonha e a usar expressões estranhas para “o resto do país”. Como ele diz: sou do Norte que sa foda Portugal. A sua voz está muito bem colocada com os instrumentais, o registo gravado inclui quase tudo o que se pode fazer com a voz enquanto instrumento: rap, gritos, sussurros, gemidos,... Rumores dizem que Rey no passado fez parte de bandas Hardcore, talvez isso explique o seu à vontade de fazer vocalizações fora da tabelinha do Hip Hop.

Negócio de Ódio
Será alguma coincidência que a estreia deste projecto começa com um tema intitulado Negócio do Ódio? É que se há uma característica comum a toda a música dita “pesada” é justamente o “ódio”. Do Punk ao Metal, do Industrial ao Hip Hop (ou deveria dizer que toda a música moderna?) é na maioria cheia de raiva, vinculando mensagens de destruição social, física e mental como se prova nas letras escatológicas de Cannibal Corpse, na auto-degradação de Kurt Kobain, já para não falar das toinices de Limp Bizkit ou as provocações de Marilyn Manson.

Guerra e Paz
Nos anos 60/70 o Rock era uma banda sonora de contestatários que de guitarra ou molotov na mão levavam porrada da bófia e sabiam perfeitamente o que pretendiam destruir do sistema. O sistema capitalista espertalhão que é, soube-se disfarçar com a Globalização, não só no seu tecido empresarial mas na forma como dissemina e controla a cultura. Ao ponto que há alguma dificuldade em perceber onde está o “inimigo”…
As letras do Rey nada têm haver com a verborreia do seu álbum de Hip Hop, conseguindo em Ghunagangh fazer letras simultaneamente simples, inteligentes e orelhudas – uma equação extremamente difícil. Figuras violentas e questões sociais aparecem nas letras de forma que se circunscrevem numa experiência de vida portuguesa real, sem fantasias anglo-saxónicas que não interessam a ninguém. O inimigo está à vista de todos: somos todos nós consumidores ociosos e irresponsáveis – com clarividência, o Rey soube identificá-lo!

Babylon arde
A codificação de tribos urbanas foi levada ao extremo na década de 80 e se hoje achamos que o Punk foi algo importantíssimo para todos os que praticam arte, na verdade o seu legado, ou melhor, a sua absorção pelo “mainstream” acabou por salvar justamente o sistema que se pretendia destruir. Não só a indústria fonográfica levantou-se como as vendas dos discos de Punk como o Punk trouxe lugares-comuns detestáveis como a (anti-?)mensagem “Sex & Violence” que se ramificou por subculturas posteriores como o Gótico, Metal, etc… Estas subculturas apesar de apontarem o inimigo (a sociedade, o Estado, Deus, etc…) tem um a maior parte das vezes um papel social nulo. Parece que só oferecem a audição de música carregada de milhares de decibéis, palavras de ordem e ruído que fodem apenas os ouvidos à malta “alternativa” e lobotomizam a acção directa! E pior, cada tribo juvenil criou complexos (e estúpidos) códigos de vestes, tipo de sons a consumir e uma rivalidade com as outras (sub) culturas.

Chibo
A geração Punk e consequentes criaram um antagonismo à geração Hippie. Diz-se que esta última “falhou” mas resta saber em quê? Porque graças às contestações desta é que passamos a trabalha menos, a ter direitos laborais, cívicos, sociais e até sexuais… Enfim, nunca o mundo esteve pior em termos de direitos humanos mas ninguém se lembra de apontar isso à geração dos anos 70!

Tudo ao soco
As “raivas” da música moderna são apenas catarses juvenis, que acabam por ser inócuas porque só servem para “mosh pits” em quem se magoa são os próprios indivíduos revoltados. Depois das descargas de adrenalina nos concertos já podem voltar à vida normal, mais calminhos e na linha no ambiente que tanto criticam. Quando Rey diz que se foda o povo (…) quero ver tudo ao soco não está a pedir para as pessoas andarem à pêra num concerto mas antes que se manifeste confusão nas ruas para acordarmos desta letargia que vive a sociedade ocidental.

Morre boi
O som do Ghuna X não anda nos passeios cósmicos do seu último disco homónimo mas produziu poderosos ritmos funcionais ao ponto que o nosso corpo não pode ficar quieto. Quando lhe dá em “beats” pesados é claro que queremos bater em alguém – de preferência em alguma tia estúpida que ao nosso lado comece a falar alto durante uma actuação ao vivo do grupo.
Disseram-me que “partiram” na noite do lançamento do disco… eu acredito porque quando os vi na sua segunda actuação às tantas da manhã no Porto, senti que tinha voltado há 17 anos quando vi os primeiros concertos dos Primitive Reason – quando estes eram bons, na formação original. A vontade de pular e cantar é tal que me sentia como um puto de vinte e tal anos.
Engana-se quem pensa que vai ver uma espécie de uma banda de EBM por causa da formação - um gajo nas máquinas e outro com microfone - dois no caso do Rey. Ghunagangh não é uma rabetice à procura de armários. O som que bomba é puro testosterona de mitra de subúrbio fodido. Esta banda não precisa de implorar por um “mosh pit” como vi montes de bandas no 15º SWR.

Estado de emergência
A música moderna é perigosa? Duvido... Talvez como toda a Arte seja perigosa quando nos faz questionar valores. Por ser um “Media” barato e de fácil acesso, conivente com “life-styles” é mais fácil ouvir música do que ler um livro ou ver um filme. A música proporciona alguma facilidade na transmissão de ideias porreiras (ou perigosas) que de outra forma os jovens iriam ignorar – nada mais saudável que ter flyers sobre vegetarianismo ou igualitarismo a caírem de um disco de Hardcore militante…

Cala boca e trabalha
As excepções em que a música moderna mostrou-se realmente conflituosa com o sistema foi com o activismo político de Fela Kuti nas suas várias acções e vicissitudes contra o governo da Nigéria, os anarco-punks Crass que eram perseguidos e investigados por tudo o que era organizações governamentais, as bandas Hardcore que fazem concertos ou discos “benefit” para causas humanitárias ou ambientais, e in extremis quando os Atari Teenage Riot tocaram no meio dos confrontos policiais no 1 de Maio de 1999 em Berlim, acabando a banda presa. Podemos ainda referir as campanhas para a câmara de S. Francisco e Londres por Jello Biafra (Dead Kennedys) e Malcom McLaren (manager dos Sex Pistols), respectivamente, ou as campanhas para Presidente da República por Manuel João Vieira (Enapá 2000), que acabam sempre em palhaçada. De resto: será que alguém me ouve quando berro?

Clube rude
Nos finais dos anos 80 surgiu uma série de bandas que praticavam o “fusionismo” de facções musicais antagónicas, falo de Urban Dance Squad ou Faith No More ou Infectious Grooves que nos relembraram que a música é algo que não merece para andarmos aos tiros uns aos outros. Se há alguém para acertar com balas é um rico filho-da-puta, um bófia (canídeo do sistema) ou uma top model - que só serve para promover a anorexia e bulimia.
Ghunagangh reúne dub, electrónica, hip hop, electro, noise e até Grindcore (sim-sim! o Morre boi é uma versão electro do You suffer dos Napalm Death!) com a mesma energia e frescura como as fusões loucas (e importantes!) de Bring tha noize dos Public Enemy com os Anthrax.


Gunaria Pesada
Ghunagangh não são “punks bestas”, a acção deles é subversiva ao ponto que a edição do disco é algo no mínimo insólita porque é um "patch" – para colocar no casaco de metaleiro arrependido, carago! Ele vem dentro de um envelope com um papel onde se encontra um código de descarga do disco em linha, mais uns autocolantes desenhados por Rudolfo e o norte-americano Mike Diana. O desenho do “patch” é de Rafael Gonçalves, a capa do “disco” e do cartaz do primeiro concerto é de Rafael Gouveia – que reforça a comparação a Primitive Reason, uma vez que este autor fazia os seus cartazes nos anos 90…

Qualquer dúvida é só ouvir em www.facamonstro.bandcamp.com/album/ghunagangh

terça-feira, 19 de abril de 2011

Eu não quero ver o Porto a arder!


Foi um fim-de-semana brutal no Porto a da Feira do Jeco... Ainda estou a recuperar da cidade que têm mais arte por metro quadrado e a melhor música do país - bastou o concerto de HHY & The Macumbas na noite de Sábado para perceber isso.  Finalmente  consegui ouvir / ler as edições que trouxe de lá depois de tanta animação e festa como se pode ver pelas fotos tiradas pelo Ghuna X. Só o Jeco é que não entrou...

Para uma feira tão pequena teve até muitas novidades editoriais, alguns lançamentos ou pelo menos resumiu bem a cena independente do momento com especial enfoque no Norte, claro. Começamos pelos mais velhos, já lá vão quatro números da «revista de poesia» Piolho (Ed. Mortas + Black Sun; Mai'10-Mar'11) que na realidade é um fanzine fotocopiado A5 que ou sofre de falta de modéstia ou não quer criar ruído de comunicação à população (quantos sabem o que é um fanzine?). É uma reacção à ausência de publicações que publiquem poesia - género literário desdenhado pelo mercado - em que assume o papel da falência da Poesia sem pejo ao publicar num formato económico. Atitude lógica, o contrário seria o "zero" ou o "fim". Não sendo eu fã de Poesia é-me difícil considerar sobre os trabalhos publicados mas uma coisa é certa, sente-se energia por aqui!

Já é chavão que "a revolução não ser passada na televisão" - o que não é bem verdade, vide a "Primavera dos Países Árabes" - mas se dependermos de publicações como a EVUSP (Las Cucarachas) que no segundo número (Jan'11) é o mais certo que "Revolução vai passar nas revistas de novas tendências" de tão "clean" e "design" que é. Este zine é todo ele "esquerda" - contra o Capitalismo selvagem, contra a alienação,... - mas é tão "fashion" a nível de aspecto gráfico e sonoro - ah! sim, é acompanhado por um CD de "spoken-work" e poesia musicada - que acaba por nada trazer de novo para qualquer mente sabida. No fundo, tal como milhares de bandas de Death Metal ou de Hip Hop, é mais um grito de revolta mas que nada altera o estado das coisas. E eles próprios sabem o que está mal quando Chullage (muito à Saul Williams) diz/ escreve «não só pensamos com computadores, também pensamos como computadores». Exacto, esta "Expansão Violenta de Um Sentimento ou Paixão" precisa de carne, ossos, nervos, vómito, tudo ao natural sem corantes e conservantes, PVC, PC e mp3. No fundo, sendo este colectivo capaz de se esforçar para um objectivo comum - uma publicação que junta ilustração, poesia/literatura e som, e dentro do género (qual?) com pernas para andar - deveria era partir cabeça de como se parte o sistema. Invés de poesia revolucionária preferia saber se é possível arranjar um advogado que conseguisse acabar com os outdoors nas ruas, por exemplo. Ou que fizessem um workshop com putos para danificar cartazes publicitários. Isso sim seria um soco na besta capitalista!

O Rey fez o melhor vídeo de Hip Hop de sempre... mas também o álbum que mais me desiludiu... A sua estreia com Sua Alteza o Vagabundo (ed. de autor; 2011) é um álbum de Hip Hop igual a cem álbuns de Hip Hop Tuga (percebo agora o que o Ex-Peão queria dizer com isso). Talvez algumas frases sejam mais fortes mas o "blá-blá-blá" autofágico e paranoíco é de sempre - pergunto, mas quem são os gajos xungas da cena? porque têm eles tanta importância para estarem sempre a ser denunciados mas sem nomes explícitos? -, uma faixa com vozinha de ir ao cu R'n'B, uma falta de coragem em sair do normalizado beat (já para não falar das orquestrações dramáticas xungas ou a guitarra acústica "sensível"),... Inexplicável! Um tipo que faz o vídeo mais antagónico aos clichés do Hip Hop acaba por não conseguir sair da caixa. Só há "bring da noize" em Rua, verdadeiro hino ao graffiti, que chega às formas sonoras mais contemporâneas, que dá o power e o groove que as palavras de Rey precisam. Correm rumores sobre a participação do Rey com o Ghuna X talvez aí finalmente teremos algo "dread" à séria tal como o Ghuna conseguiu traduzir a M7 em algo decente. Já agora, ela e a Capicua, são as Sygyzy, dupla feminina que participam neste disco, e tal como Rey, apesar das letras cortantes não conseguem fugir às palas do Hip Hop convencional. Parece que há muito que o Hip Hop falha como linguagem plástica, o que não é de admirar, nascida quase ao mesmo tempo do Punk e do Industrial, ambas há muito que se tornaram caricaturas de si mesmo (Eminem, Rammstein ou Green Day). Viva o Breakcore!

E por falar nisso... o Rudolfo têm novo álbum! Só os panilas ainda não compraram esta joia de 8(hate)bit nacional, intitulado Vampiro do Gueto que apresenta um Rudolfo que já não tem 17 anos a dizer xixi cócó mas um rapazola a mudar a voz e a escrever letras semiópticas. A estupidez da juventude continua mas está em metamorfose, as borbulhas desapareceram mas nada indica que vai sair daqui uma borboleta. As letras parecem mais Dark (Teen Angst?) e correm o risco de ficarem "intelectuais", o que não é um problema mas o Rudolfo já não é Rudolfo. Já é o Rudeman ou o Rudolfão. A mudança ainda não é total porque ainda há aqui muitas músicas muito parvas, divertidas, "nerds" e porcas como Poder Lunar, que fala da série de anime Sailor Moon. Todos irão desejar que o Rudolfo fosse conservado em formol e que não crescesse mas infelizmente não é o que vai acontecer. Seria fixe ele arranjar um puto, em jeito de franchising, que fizesse de Rudolfo-de-há-um-ano para continuarmos a ter acesso a esse Rudolfo que já não existe - se os Devo fizeram isso porque não pode fazer o Rudolfo? Os valores de produção sonora elevaram - está mais clean, sem dúvida - enquanto os da embalagem mantêm-se grandes como sempre - quase pensamos que estamos a comprar um single em vinilo no primeiro contacto com o objecto.

Vale a pena ouvir este puto que já 'tá na universidade! Até porque isso não o impede de ser um hiper-activo na cena underground, quer na música quer na bd. Ainda há poucas semanas lançou o primeiro número do zine Lodaçal (Rurucomix). Iniciativa de se louvar que pretende ser uma antologia trimestral de bd. Em 36 páginas A5 reúne um misto de autores novos (Natália Andrade, Maré Odomo), novos mas activos (o próprio Rudolfo, Afonso Ferreira, Tiago Araújo), uns velhotes (Marco Mendes, Christina Casnellie,...) e o Ricardo Martins que não sei em que saco colocá-lo - porque raramente saí trabalho dele cá para fora, e que aqui participa com uma bd toda bem feitinha e isso tudo. É uma mistura estranha mas que mostra um panorama diversificado de estilos e de vontades. Estaremos perante um "great comix zine revival" com iniciativas tão sincopadas como alguns títulos do ínicio de milénio? Espero bem que sim! Próximo número já está programado para Junho!

Outra novidade do Jeco, uma recuperação de baú industrial, cortesia chifruda, de um split'CD-R de Derrame Sanguíneo e Sektor 304 cujas primeiras 50 cópias contem um fanzine de 20 paginas com textos de André Coelho e Gustavo Costa, assim como artwork exclusivo de Coelho e uma capa serigrafada nas Oficinas Arara. «Derrame Sanguíneo foi um projecto de Gustavo Costa (infame baterista de diversos projectos como Motornoise, Most People Have Been Trained To Be Bored or Lost Gorbachves) e Iur, um visionário / doido devoto ao Industrial. As faixas apresentadas neste projecto são as únicas gravações deste projecto e são um bom exemplo do Industrial feito em Portugal durante o final dos anos 90 e inícios do século XXI. Industrial do virar do século, repleto de vocalizações ásperas, palavras duras e batidas programadas odiosas.
A segunda metade deste split pertence a Sektor 304, um projecto bem mais recente que apresenta aqui 3 faixas exclusivas dos seus inícios, incluindo uma remistura da única gravação de Intonarumori, a banda imediatamente anterior a Sektor que continha nas suas fileiras membros como Tshueda (ex-Hospital Psiquiátrico) e J.A. (Wolfskin, Karnnos). Sucata, batidas tribais e ruído.» Press-realease dixit. E diz muito bem, ao ouvir estas peças do passado vamos mesmo de máquina do tempo para sons de "junk" a sério, imaginário Dark, sem tampões nos ouvidos... nada a declarar! Já agora podiam reeditar as gravações de Hospital Psiquiátrico que também merecem uma edição tão ilustre como esta!

Por fim, saiu mais um baralho de cartas de Ricardo Castro, Monstruário, continuando a adaptação de Maldoror. As minhas dúvidas persistem em relação ao projecto e à obra literária. O que posso dizer é que gostei mais deste baralho porque o desenho é mais desenho orgánico e menos "design". Acho que está muito melhor...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sábado underground

Foi um fim-de-semana no mínimo activo em eventos musicais underground, em Lisboa e no Porto - era preciso era escolher a cidade...

Em Lisboa houve um concerto de Presidente Drógado que lançou o EP A minha drogaria (Leote Records; 2012) de seis músicas sobre... drogas! Algumas são sacadas a edições anteriores do Drógado, outras são novas - sim porque este tipo pode ser agarrado mas tem mais pica que qualquer outro músico "clean" que ande por aí.
A versão de Waiting for the man (at Cova da Moura) é de um neo-realismo feliz, A broca é hilariante (excelente imitação de voz de mitra), O vinho e o Haxixe é uma rapsódia divertida... Foi um concerto em ambiente "relax", quase familiar, banda sonora para uma geração que se drogou ou que se droga,... no fundo até se percebe porque o Presidente ainda não foi editado de forma profissional, as editoras fonográficas são geridas por betinhos que não entendem o humor de agarrados e afins...
Antes do Drogadito-Mor apareceu um puto Smiley Face, também "cantautor" humorístico como o Presidente mas com letras dedicadas à vida teenager portuguesa deste milénio. Nice! É bom saber que o "cantautorismo" português está a fugir às secas Bob Dylans + poesia urbana da sarjeta + amor de Deus...

Foi neste concerto que conheci a simpática e fascinada "crew" da Cafreta Records que me arranjaram a sua colectânea Granda Compilação! (2008​-​2011) onde os projectos deste grupo de jovens se manifestam no esplendor DIY do CD-R eda  capa em fotocópia. As malhas que se ouvem passam pelo indie-rock-sónico (Pega Monstro, Kimo Ameba, Egg Shell), alguma electrónica (Go Suck a Fuck), Noise (Rabu Mastah) e folk (Éme) geralmente com letras (quando se percebem no meio da sujeira lo fi das gravações) de inocência (auto)trocista da idade que vivem - conseguindo emitir histórias sobre testes de matemática e namoricos.
Como já devem ter reparado, eles andam na boca do povo, apadrinhados pelo B Fachada e pela Filho Único, o que é estranho dada à leveza musical verde que os projectos deste colectivo ainda se encontram. É difícil perceber se é oportunismo bacoco ou apenas desespero por uma ausência de projectos musicais Pop/Rock com interesse em Lisboa. Talvez seja paternalismo e nostalgia, ao ponto que já se tenha forçado uma comparação da Cafetra à Beekeeper (editora lo fi dos anos 90) por culpa da grande cota-parte de Rock Sónico de ambos catálogos. Mas a única comparação possível será à FlorCaveira, pelo simples facto de que a Cafetra são uns 10 putos que se juntaram numa estrutura comum - por amizade, companheirismo e... "namoradismo". A Beekeeper era uma estrutura vertical, com bandas que tinham o seu individualimo, com percurso próprio e que apenas estavam juntas por haver uma ou duas cabeças que as juntaram com as prácticas DIY da altura: zines (um número apenas seja como for), distro, edição em formatos baratos (demo-tapes em k7) e discos colectivos. Sempre pelo prisma parvinho do Rock Indie / Sónico, só mais tarde é que se abriu ao Garage e Hardcore. No fundo eram as mesmas prácticas do mundo underground Punk, Industrial / Electrónico, Hardcore e Metal que existia em Portugal desde os anos 80. A Beekeeper não era uma família ao contrário da FlorCaveira (unidos pela religião em primeiro lugar, onde nos primeiros tempos cabia Punk ou Grind e só mais tarde a febre do "cantautorismo") ou da Cafetra - que são amigos e têm um leque abrangente de géneros sonoros. Só a pseudo-elite lisboeta, burra que nem uma porta, pouco crítica e ansiosa é que cria um "hype" onde não há nada para "hypar" - os putos são verdes e inseguros e Lisboa continua a ser um deserto com ou sem Cafetra. 
Talvez não haja nada para estragar a não ser nomes fixes como Putas Bêbadas (não se encontram na compilação) e vontade de ser autónomo à falta de tesão lisboeta. Espero que estes putos façam bandas de Death e Grind para afastar os idiotas do costume e para que eu possa ouvir o CD mais do que uma vez - há muito que não suporto esta coisa morta chamada de Rock que se insiste em chicotear...

Literalmente debaixo de terra, na cave do Café au Lait (Porto - esta sim uma cidade que sabe o que é música) foi lançado um novo projecto, o GhunaGangh, parceria de Ghuna X com Rey, à procura de violência punk no formato electrónica pós-dubstep. De facto ela é conseguida se quiserem ouvir no leitor mais abaixo - dizem que partiram a noite do lançamento do disco, eu acredito... As letras do Rey nada têm haver com o delicodoce do seu álbum de estreia nem o som do Ghuna X anda nos passeios cósmicos do seu 12". Ah! a edição do disco é algo no minímo insólita porque é um "patch" (um remendo para colocar no meu casaco de metaleiro arrependido) que dá acesso à descarga em linha do disco. À venda aqui.


sábado, 2 de abril de 2011

ccc@Feira do Jeco

Feira de edições independentes no 10º aniversário do Maus Hábitos.
Dias 2 e 3 de Abril de 2011
Rua Passos Manuel, 178
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Lançamento do Livro da CCC, "Boring Europa"
Sorteio de Cabaz Underground
Lançamento de diversos fanzines e discos
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Interessados em participar contactar: feiradojeco@gmail.com Notícias e afins aqui no Facepoop
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participações das editoras 50kg, Associação Chili Com Carne, Bruno Borges, Doi Doi, Edições Mortas, Gajos da Mula, Latrina do Chifrudo, Marvellous Tone, MMMNNNRRRG, Oficina Arara, Opuntia Books, Rey X RingDingDong, Ricardo Castro, Ruru Comix, Soopa, Thisco e Toffeur (França).

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ccc@tenderete.7

Estivemos no Tenderete (a Laica de Valência) e passado uma semana ainda estamos a aprender a voltar a respirar de tão intenso que foi!

É verdade que os espanhóis têm a mania de imitar tudo, e o próprio cabecilha deste magnífico evento, o camarada Martin Lopez Lam, admite publicamente que se inspirou no Boring Europa e na Feira Laica para ter criado o Tenderete. Ficamos até lisonjeados mas sentimos que fomos ultrapassados dada a qualidade de oferta que vimos naqueles dois dias.

Se calhar, há logo um contexto urbano maior que torna o Tenderete tão potente, é que Valência é uma cidade de artes gráficas, provada por ter ruas com nome de artistas gráficos ou pelo Museu de Ilustração de Valência ou ainda por eventos como a exposição de Ops / El Roto / Rábago na La Nau da Universidade de Valência, justamente todo um oposto a Lisboa que apesar de estar numa latitude idêntica, destruiu os eventos Ilustração Portuguesa e Salão Lisboa, e agora prepara-se para destruir a Bedeteca de Lisboa e a rede BLX.

Se a Laica andou durante imenso tempo a definir-se como projecto, o Tenderete assume-se logo como "auto-edição gráfica e sonora", e mostra sinais de profissionalismo, criando folhas volantes com o programa e a disposição das mesas dos editores. Além de boas edições de ilustração e BD também fomos encontrar boa música, seja do "blues cerdo one-man-show" do camarada Tumba Swing ao "soundart" da plataforma Audiotalaia.



O primeiro tem um novo EP em vinil 7", Lamento Electrico (Calamidad; 2013), que mostra que apesar da pancada pela música do século passado, Tumba Swing sabe ser versátil nos vários tons de Rock'n'Roll; no segundo caso destaco para o CD A Country Falling Apart (2013) de Edu Comelles música ambiental feita de captação de sons, recusando o uso de qualquer tipo de instrumento na elaboração desta música. E tal como Tumba Swing, havia mais malta que divulgava tanto música como livros de autor, como a Bad Weather Press que partilhava mesa com a Orgonomy Records.


Buen Dolor é um fanzine editado por Álvaro Nofuentes e é um mimo para quem curte BD à procura de novas alternativas narrativas e gráficas. Participam uma padilha de autores ligados a um eixo que passa pela Argentina (com o nosso conhecido Berliac), de Valência (entre eles o camarada Lam) e de França, nesta última situação porque Nofuentes estudou em Angoulême. Buen Dolor é um bom companheiro do Kovra, só é pena que os dois estejam parados... porque o último número (o três) data de 2012, o que pode significar que não há mais continuidade ao projecto. O "sexo" (tema deste número) acabou com  o projecto, pelos vistos...

Quem anda cheio de tusa, e se calhar com tusa a mais é o autor do excelente livro Black Metal, Magius. Apareceu com dois títulos intitulados de Murcia, cidade onde reside, e que pelos vistos tem lendas profanas para contar, e depois assina como Yo Perro ou Diego Corbalán para La philosofie dans le boudoir e Eva Braun. Todas estas publicações são a cores, A5 e no máximo com 12 páginas, não têm numeração nem se percebe continuidade caso haja. La philosofie é uma BD que pega no Marquês de Sade e que parece que continua em duas páginas em Eva Braun que é na essência um caderno de esboços do autor e uma fotonovela de um gajo Black Metal a violar (?) uma hipster numa loja de discos (???). Confusão editorial e mental que apela a estarmos atentos ao que se passa no blogue oficial deste tipo muito muito estranho porque se prepara uma magnum opus então temos de esperar com sapiência e veneração! Hail Magius!



Incongruências mais fáceis de explicar são os desdobráveis em acordeão do El Monstruo de Colores No Tien Boca que publica sonhos (ou pesadelos) de crianças ilustrados, a lembrar o conceito de Duplex Planet Illustrated de David Greenberger que recolhia histórias de velhos em centros de dia para depois transformar em BD. Se o início destas publicações eram modestas - o mais antigo que tive acesso, o número 2, The King / El Rey / Le Roi (2010) ilustrado por Mitch Blunt - em formato 10x10cm a preto e branco, os mais recentes o formato não só aumenta (para cerca 15x15cm) como é adicionada uma cor como acontece com Inside my hair / Dentro de mi pelo (#26; 2013) por Thomas Wellmann. A colecção parte sempre de seis sonhos sacados a crianças por Roger Omar entre o México e Valencia -  o editor é mexicano e vive em Valência - mas também há um número com uma criança de Israel - #24, Lie Die / Mentir Morrir (2013) de Fitnat e Roni Fahima (i). Também há excepções como é o caso de Best Friends / Mejores Amigas (2013) de Mireia de Oliva e Wren McDonald (i) e Más Grandes y Viejos / Bigger and Older (2013) de Maria e Amanda Baeza (i) que são nitidamente "fora de colecção" porque ilustram apenas um sonho. São também os melhores deste projecto porque são mais sequenciais e narrativos permitindo que o texto seja explorado de forma mais alargada. Nos outros números, uma página representa quase sempre um sonho e uma ilustração tendo menos impacto. Ainda de referir que participaram neste projecto o português Pedro Lourenço (#11, El Mago / O Mágico / The Magician; 2011) e o moçambicano Rui Tenreiro (#14, Espada y Escudo / Sword and Shield / Espada e Escudo; 2012). Por fim, os sonhos das crianças mexicanas são muito mais violentos e mórbidos que as crianças de Valencia. E quando digo "muito mais"...

Arròs Negre Fanzine (4 números; 2011-13) lembra muita coisa (como a Lapin, Zundap ou ainda a linha estética da No Brow) por causa da sua elegância gráfica e impressão a duas cores. Interessam-se por banda desenhada, ilustração e tipografia mas também por temas sociais ou políticos como se pode verificar pelos temas de cada número: Beltor Brecht, os árabes ou a Espanha republicana. Chama-se fanzine mas parece uma revista literária numa altura em que pensamos que nunca mais irá haver tal coisa como a "nossa" saudosa Quadrado. Talvez seja mesmo um fanzine pelo facto dos trabalhos ainda serem um bocado verdes talvez porque os colaboradores ainda sejam estudantes da Universidade? [como sabemos os estudantes nos dias que correm são a massa menos contudente do planeta, já lá vão os tempos que o Estado tremia com as manifestações de estudantes] Talvez não deveria chamar-se "fanzine" porque acaba por ser pouco contudente, excepto o número dois porque pega em Brecht!

Mob Rule (Dez'13) é um fanzine literário mas que o editor e escritor Alejandro Álvarez Fernández não teve medo em pegar em nove ilustradores valencianos - ligados a estes projectos aqui divulgados como Jorge Parras (da extinta Arght!), Martín López Lam (ed. Valientes), Álvaro Nofuentes (Buen Dolor) ou Elías Taño (Arròs Negre) - para participarem. E não apenas de uma forma óbvia de ilustrar partes dos textos mas fazendo até BD e obrigando o texto a ficar preso para sempre das imagens - temos de aplicar esta fórmula nos nossos livros literários um dia destes e sermos nós a imitar os espanhóis! Interessante...

Por fim, deixo a glória editorial final para o camarada Martin López Lam, que não lhe falta capacidade de provocação, experimentalismo e empreendorismo. Bem sei que a última palavra é repugnante nos dias que correm porque parece que todos nós, por falha total do sistema capitalista, temos de ser todos chico-espertos que devem correr à frente de todos. Ora como sabemos, se o sistema sempre afirmou que há líderes e seguidores e que não há espaço para todos serem o número 1, o empreendorismo que se promove nos dias de hoje parece antes um "socialismo" para tolos. Martin por acaso até podia ser o número 1 ou um líder porque não está preso aos formalismos espanhóis desta Europa cansada, uma vez que o autor é peruano de origem. Este facto, e a sua emigração para Espanha, dá-lhe uma liberdade de pensamento e de acção que ultrapassa os outros valencianos sedentários. Daí que o Tenderete seja obra sua ou as Ediciones Valientes sejam mais cosmopolitas, atentas ao mundo para além do bairro e surpreendentes como provam as duas belas edições acabadas de sair. O número nove do El Temerário mostra como deve ser um "graphzine"! Duas cores e num formato maior que o A4 que é para os desenhos terem poder de nos causar perturbações! Se há muito que estou farto de ver graphzines (sobretudo portugueses e do Porto!) com este novo número voltei a ter fé neste tipo de publicações cheias de desenhos. Assim sim! Depois há o Chemtrail, um desdobrável que pode dar em poster mas que na realidade é uma BD feita de acasos imaginativos e manipulação digital drogada. Um produto a afastar das crianças, não por cenas explícitas mas porque as cores podem fazer danos mentais! Gracias Martin!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Façam apostas!

Merda! Gostei do disco dos Facção Opposta, o Lendas Urbanas (Dunkel; 2013)!!! Juro que não queria porque o disco tem tudo o que menos gosto desde há muitos anos: directo, revivalista, skins e futebol. A sério, malta sem imaginação a querer ser algo que já não podem ser nem nunca poderiam ser, ou seja, elementos de uma subcultura criada na xungaria da Inglaterra nos finais dos anos 70 - man, nem houve Revolução Industrial em Portugal! Assumem-se Skins apolíticos sendo meramente reaccionários, nada contra. Não são racistas ainda que usem imaginário e letras com laivos nacionalistas que irritam mas como se calhar é para enganar e converter os Skins Nazis até passa. Algumas letras são sobre a bola e hooliganismo ou sobre malta proletária mas que se calhar até gastam uma milena para ter as marcas certas de roupa para o curtir este non-stop de síndroma Peter Pan que todas as subculturas da Humanidade sofrem desde que a web.2 passou a ser parte da nossa vida. Seja como for este será dos melhores projectos de Punk em Portugal nos dias que correm pois há aqui força masculina e letras contudentes - a maior parte delas acho de dificil identificação burguesa mas outras como Esquema é universal q.b. Claro que é estranho ouvir músicas sobre uma tradição urbana importada quando se quer fazer hinos à cultura portuguesa num disco editado no Brasil mas na pós-modernidade tudo se engole e tudo se perdoa. A nível instrumental 'tá bem tocado dentro do cânone Oi! mas há pequenas situações inesperadas como umas cordas em Celtiberos ou pífaros no História do 12. Para quem gosta dos brasileiros Garotos Podres (lembrei-me deles porque estão em digressão por Portugal esta semana) este é o disco! E caramba até ao o artwork impressiona de estar tão bem feito e telúrico ao ponto que se eu fosse um jovem Nazi cagava-me todo!

E por falar em boas edições de Punk 'tuga (coisa rara!) destacava o Split-EP lançado o ano passado pela Zerowork e Raging Planet dos Albert Fish e Grito! que tem uma capa super-porreira (quem é que fez a ilustração? não há créditos quando as cenas são boas!?). A mesma anuncia que vamos encontrar um encontro entre Skins e Punks com o cliché todo ao de cima - vendo as fotografias das bandas o que menos temos é moicanos e suspensários. As tribos urbanas em 2000 é todo um mundo Cosplay... A música dos Grito! é também um Oi! com pronúncia do Norte - um orgulho bairrista que só se encontrava ainda há alguns anos na cultura Hip Hop (a excelente e saudosa Matarroa ou o Rey por exemplo). Albert Fish é Albert Fish, Hardcore de sing-a-long escorreito que já não precisa de apresentações, só não sei se os temas são inéditos ou são de registo anteriores que nunca sairam em vinil (é verdade o pessoal desculpa-se com esta!). Quem desenhou a capa carago?

E ainda em vinil temos reedição dos únicos temas gravados dos Grito Final, ou seja Ser Soldado e Bairro da fome, temas que sairam em 1986 originalmente na compilação Divergências (da mítica Ama Romanta). Esta edição (pirata?) pela Teia Edições é deste ano e usa um estilo minimalista gráfico para apresentar uma banda da segunda vaga punk portuguesa. Podia ser um grafismo para uma banda Dark da altura do que para punks... Um erro de "casting"? Ao ponto de ser um design muito mais bonito que a música que ouvimos que é um Punk mais ou menos a abrir a lembrar bandas dessa altura como os Vómito. Talvez porque o som seja rançoso de "vintage" que o design envoque justamente esses outros tempos quando havia ainda esse nojo que era o serviço militar obrigatório e mal se sabia que ia haver o Cavaquistão I e II.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

FuTuRo prImItIvO ESGOTADO ... fucking mutants!


UMA antologia ____________de BANDA DESENHADA
$$$  de artistas da Associação CHILI COM CARNE
€€€ a saber : :: Lucas Almeida, Ana Ribeiro, Manuel Pereira, João Ortega, Inês Cóias, Daniel Seabra Lopes, Marco
Moreira, João Chambel, Ana Menezes, André Coelho, João Maio
Pinto, Andreia Rechena, Bruno Borges, Rafael Gouveia, David Campos, Sílvia Rodrigues, Pepe

delrey, José Feitor, ________Natália Andrade com Christina Casnellie, Uganda Lebre, André Lemos, Bráulio
Amado, Gonçalo Duarte, Jucifer, Ana Menezes, Afonso Ferreira, Marcos Farrajota, Rudolfo, Ricardo Martins e Pedro Brito, e ainda participações CADÁVERES-ESQUISITOS com Mattias Elftorp
+ Sofia Lindh (SUÉCIA), Cláudia Guerreiro, Filipe Quaresma, Nevada Hill (EUA), Pedro Zamith, Margarida Borges, Jarno Latva-Nikkola
(FINLÂNDIA), Silas, André Ruivo, Rita Braga, Susa Monteiro (BEJA!) e Valério Bindi + MP5 (ITÁLIA)... mis

turados por unDJ MMMNNNRRRG.
\\\
Lançamento e Exposição dos originais no Festival de BD de Beja (28 Maio a 12 de Junho 2011);  CRACK 3D 2011 & HELSINGIN 26. SARJAKUVAFESTIVAALIT (5TH SepTemBER - 1ST OCtoberrr) then M¨¨älmo /ISV (14th October - 4th November) ; TEXXXXXXXXXXXAS ... 666 de April 2012 :;:;:;:;:;:;: PORTLAND at floating world comics 777 june 2012;; BReiZZZIL (808 2012 na PREgO); Barcel0na at FATbottom Books  (marÇho 15thmarch a 11 maio 2013) y SS. paulo no UGRA zine FesT (6-7abril2013).

...
... 160 p.
16,5 x 23cm p/b, capa a cores ... Capa & Design: Margarida Borges ...
Retratos mutantes dos __________________ autores: João Paulo Nóbrega ... apoios da Bedeteca de Beja, Instituto Português de Juventude, Sociedade___________Finlandesa de BD, Sociedade Sueca de BD,
Wormgod e You Are Not Stealing Records.


!!!) talvez ainda haja exeMPLares  § na, Munddo Fantasma, na zzzzzDB), fábrica features betos benneton lisboa und neuroTITAN y RRRRastilhuuu e BLACK_MAMBA_vegan_metal


§
EX

Foi feita uma banda sonora (inicialmente para a exposição
entretanto extensível ao livro) com as colaborações de André Ruivo, Somália, J. Ortega, TendaGruta, Te Voy
a Matar, John P-Cabasa,
J
M
P
, Marte &&&&&&&&& Stealing Orchestra, zZZOUNDZZz, Pepedelrey, Rita Braga, Pedro Sousa, Ondina Pires, Cospe,
 _________ Chiby Shit Plan e Assinante 35278/TW ### é gratis e pode ser descarregada em
You Are Not Stealing Records


valerio bindi + mp5


uganda lebre
ana menezes
lucas almeida
daniel lopes
andré coelho
João Chambel