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terça-feira, 15 de julho de 2025

MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU



RUBI é uma colecção nova da Chili Com Carne dedicada a romances gráficos à escala global. Mas sobretudo será uma selecção criteriosa de Romances Gráficos, para contrabalançar a literatura "light" que tem inundado o mercado português nos últimos quatro anos. Depois de Sírio eis

Música para Antropomorfos
de 
e


Romance gráfico e música Noise Rock nascido numa origem comum mas que se afastam cada um num trajecto paralelo. Nem o livro de Zimbres (S. Paulo, 1960) é uma adaptação das músicas de Mechanics (Goiânia, 1994) nem a música é uma banda sonora da banda desenhada.


A improvável gênese do artefacto musical/ visual que você tem em mãos é esta: uma banda de rock suja e malvada de garotos goianos (capitaneada por um fã ardoroso de Jack Kirby) criou a fagulha sonora, primitiva e ominosa para que Zimbres, o mais cortês dos quadrinistas experimentais, criasse seu grande épico. É um pequeno milagre das circunstâncias e uma grande história de origem, e quanto mais você pensa a respeito, mais faz sentido: quem possivelmente inventaria um treco desses? 

Essas pequenas instâncias de reconhecimento se repetem no decorrer das cerca de 200 páginas de leitura. Por trás de sua fachada desconjuntada, de capítulos desenhados em estilos drasticamente flutuantes, MPA tem uma narrativa sólida, com direito inclusive a toda aquela lenga-lenga de introdução, complicação e desenlace.  É como um recontar cubista e ultracondensado da história do Ocidente, com pitadas de profecia bíblica, mitologia grega e farsa borgiana. 
- Diego Gerlach 

(...) originalmente publicada em 2006 por iniciativa do grupo de rock Mechanics, comandado por Márcio Jr. A primeira edição, esgotada há muito tempo, se tornou um raro objecto de desejo dos fãs de Zimbres (...) Todos ouviram falar sobre o livro, mas poucos conseguiram um exemplar. No mundo desenvolvido por Zimbres/ Mechanics, conheceremos SP (San Paolo) e SF (San Francesco): duas cidades-robôts ou fortalezas andantes. Eles evoluem em meio a pântanos, florestas, desertos e campos povoados por jacarés musculosos, vacas amáveis e cães sem cabeça. Outras histórias paralelas se desenrolam dentro e fora das fortalezas: complôs políticos, editoras dirigidas por vacas tirânicas e fantasmas dominadores usando pessoas como títeres. Com seu traço que traz um profundo conhecimento das artes gráficas e narrativas visuais, Zimbres constrói um universo rico, complexo e coerente, aliando os quadrinhos underground à experimentação dos graffitis e artes-plásticas. Mergulhar no mundo de SP e SF é uma experiência única, onírica e caótica, regida pelos desenhos de Zimbres e pela música de Mechanics.
- Zarabatana Books




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Música para Antropomorfos foi originalmente publicado no Brasil, pela Monstro Discos em 2006, sendo reeditada recentemente na Colômbia e no Brasil (pela Zarabatana). Editado por Joana Pires e Marcos Farrajota e publicada pela Associação Chili Com Carne. Foram impressos 1000 exemplares deste livro, dos quais 300 150 exemplares oferecem o CD Music for Antropomorphics (em parceria com editora punk Zerowork Records) se for adquirido directamente à Chili Com Carne.

Alguns exemplares com CD estão no Porto - Matéria Prima, Mundo Fantasma, Utopia  - e Lisboa: Tigre de Papel, Linha de Sombra, Snob, Kingpin Books, BdMania e Tortuga. E algures na 'net: Língua nos Dentes

Procurem estes elementos:


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Fabio Zimbres, ou FZ, nasceu em 1960, em São Paulo, e vive em Porto Alegre. Estudou arquitectura e se formou em artes, é designer gráfico, organiza exposições, pinta, faz histórias em quadrinhos e ilustrações.

Fez parte da equipe fundadora da revista Animal que editou até seu final, em 1991.

Em Portugal só se encontram pedacinhos do seu trabalho, nos fanzines A Mosca (1997) e Mesinha de Cabeceira - Seitan Seitan Scum (2010), com uma BD escrita por Marte (do Loverboy) -  e no catálogo Divide et Impera (Montesinos; 2009).








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FEEEEEEEEEEEEEEEEEDBACK

Uma referência na BD do Brasil
Paulo Monteiro / Festival de BD de Beja
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Fábio Zimbres: Um "animal" inconformista
Rui Cartaxo in Splaft!
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Sendo já considerado dois dos mais importantes acontecimentos do ano (...) a criteriosa edição, por Farrajota e Joana Pires, do livro / zeitgeist sonoro (...) e a exposição de Zimbres no XV Festival Internacional de BD de Beja
André Azevedo in Splaft!
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Reportagem na TODAS AS PALAVRAS na RTP
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5 ESTRELAS
Expresso
...
(...) neste tipo de colaborações intermedia, e segue, conscientemente ou não, o procedimento que a parceria entre John Cage e Merce Cunningham definiu noutros domínios: a banda-sonora e a coreografia não dizem o mesmo, são autónomas e valem por si próprias, ainda que os movimentos dos bailarinos se refiram ao ouvido e o compositor tenha presente que a sua partitura se destina a um espectáculo de bailado. 
Esta referência “erudita” não é, de todo, descabida, ainda que a edição agora em causa tenha uma proveniência cultural popular. Cage, Cunningham, Jr. e Zimbres partilham uma perspectiva que é de suma importância: a experimentação. O rock implosivo dos Mechanics e a BD “belo horrível” de Fabio Zimbres são tão experimentais e exploratórios quanto o que conhecemos da dupla de John Cage e Merce Cunningham. Podem partir de pressupostos diversos, provavelmente até opostos, mas procuram o mesmo nível de libertação relativamente aos paradigmas estabelecidos para as artes e para a combinação destas. Com vantagem, inclusive, para este projecto que, reivindicando um estatuto de emancipação estética em áreas (BD, rock) que ainda hoje o vêm negado e derrubando as clássicas divisões entre “alta cultura” e “cultura de massas”, acabam por ter implicações sociais e políticas mais específicas e focadas do que confiar ao acaso as estruturas e os conteúdos do conceito indeterminista de criação dos dois norte-americanos. (...)
Rui Eduardo Paes in A Batalha

Recomendado pelo Expresso - livros 2019

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Música para Antropomorfos

Fábio Zimbres
Monstro + Voodoo; 2006

A ideia de juntar dois produtos culturais num só projecto não é nova. Nem quando esses produtos são um livro de bd e um disco de rock - e como chama atenção as editoras envolvidas, juntar duas das formas culturais mais populares do século XX que são marginalizadas pela "Alta Cultura" como é a bd e o rock. O que é curioso nesta edição, foi o desenvolvimento do trabalho entre duas entidades sobre uma mesma raiz - ou será antes raízes? Os Mechanics fizeram uma base instrumental, o autor Fábio Zimbres criou conceitos, um universo para eles e depois cada um foi para o seu lado: Zimbres fez bd's (com títulos), os Mechanics criaram as letras (em inglês), títulos para as músicas (que não coincidem com os títulos das bd's!) e finalizaram as gravações.
As bd's de Fábio Zimbres são a selvagaria de sempre graças ao seu traço da tradição "ratty" de Gary Panther ou dos "esquadrões da morte" Fort Thunder. Os traços soltos e "errados" não são menos coerentes com as histórias bizarras, aparentemente desconexas entre si. Na realidade as estranhas bd's estão ligadas e são capítulos, sendo Música para Antropomorfos um livro completo e não uma antologia de histórias soltas como uma primeira aproximação ao livro poderá dar a entender. A(s) história(s) incluem golpes palacianos e a porca da política, cidades-robots em conflito, sátira ao mundo da cultura e da edição. Mais não se pode dizer...

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Fábio Zimbres em Portugal até 6 de Junho




Esse cara aí, é nem mais nem menos mas o grande FÁBIO ZIMBRES!

Artista Gráfico único no Brasil e mais outro pedaço do Mundo bem grande, editor omnisciente (era ele o responsável pela revista ANIMAL : FEIO, FORTE, FORMAL!), autor de BD desigual e pessoa incrível e légau!

Para quem tem olhos - ou seja, quem comprou o Sírio - já sabe que o próximo volume da colecção RUBI é Música para Antropomorfos, um trabalho sinergético com a banda Mechanics.

Atenção que 300 exemplares apenas vai ter a oferta do CD Music for Antropomorphics dos Mechanics, editado em parceria com a Zerowork Records!!

E então? O homem tem o seguinte plano de actividades:

- 16 de MAIO - presença do autor na noite Ocupa Sapata no Braço de Prata, boa hipótese de apanhar a edição quentinha!
- 18 de MAIO - presença na Feira de Autorxs na Arco, olha se as 300 cópias não vão à vida!
- 21 de MAIO - feitura da serigrafia com a Oficina Loba
- 29 de MAIO - palestra e workshop na Escola Ar.co.
- 31 de MAIO - 2 de JUNHO presença no Festival de BD de Beja.
- 1 de JUNHO é dia oficial do lançamento com conversa com o autor, citando Sonic Youth, às 15h30.
- 6 de JUNHO - autógrafos Fábio Zimbres na Feira do Livro de Lisboa, stand B41, às 18h CANCELADO devido a problemas familiares o autor teve de voltar mais cedo que o previsto, no entanto deixou SETE livros com desenhos / autógrafos que serão vendidos EXCLUSIVAMENTE neste dia 6 de Junho.

De resto, em Beja foi assim (fotos de Cecília Silveira):







quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Dois ou três pensamentos soltos

Já podia ter morrido duas vezes feliz na vida. A primeira foi em 2010 quando o Fábio Zimbres entregou uma BD desenhada por ele e com argumento meu para publicar no Seitan Seitan Scum; e na semana passada quando recebi o número 11 da Expressa (Jul'20) onde essa mesma BD foi republicada. A Expressa é uma "revista" em que cada número é dedicado a um artista gráfico brasileiro - já lá iremos!

Para um anarquista ter ídolos é muito grave intelectualmente, só que o Zimbres como editor e artista influenciou-me a 100% quando era chavalo e agora nem devo fazer parte de 1% da sua vida - mas faço parte!! Admito que me rebaixo a essa percentagem para me sentir concretizado como ex-teenager. Quantas vezes nas nossas vidas podemos ter acesso e influenciar os nossos "heróis"? Ou já morreram todos por velhice ou por chutar cavalo - o Burroughs até foi aos 83 anos e ao ano de 1997, nada mal! Em 1993 estive a dois graus de separação dele, fuuuuuuck! Melhor mesmo só se tivesse feito uma capa pró Jello Biafra, oficialmente, hahaha

A Expressa é uma revista? Parece que sim, se os editores assim o afirmam para quê contrariar? Diria antes que é uma colecção de monográficos dedicados a um artista gráfico brasileiro, na essência ligados à BD, sendo este um campo alargado ao cartoon, "charge", tiras humorísticas (o pão-nosso de cada dia no Brasil), etc... O autor vivo é entrevistado, os mortos biografados. Depois a edição é enchida com BDs, tiras e ilustrações várias para fazer 120 páginas couché coloridas em A4 fechadas em capa dura. Caramba é um álbum! Mas talvez por sair mensalmente é que a consideram uma revista? Até dói! Mas se o Bestiário também é (não é) uma revista... Antes que comecem a correr com os cartões de créditos e premonições de problemas com a alfândega, existem rumores, que a "revista" irá aparecer em Portugal em breve. Rumores! 

Seja como for, a relação luso-brasileira ainda tem muito para se falar e estudar. Ao que parece não foi de toda pacífica logo com os dois "pais da BD/ HQ" de cada lado do Atlântico a ofenderem-se mutuamente e publicamente, Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e Angelo Agostini (1843-1910). O primeiro até foi atacado à facada (não por Agostini, atenção!), razão para deixar o Brasil e produzir o original No Lazareto (1881) - ao que parece 20 anos depois eram amigos outra vez! Mais pacífica e produtiva foi a emigração de Jayme Cortez (1926-87) em 1947, não só criou uma "escola" brasileira como ainda co-organizou, em 1951, a primeira exposição de BD brasileira ou de BD mundial - as fontes divergem. O autor foi esquecido por cá até ser recuperado graças às exposições organizadas pela Bedeteca de Beja. As Ditaduras não favoreceram contactos mas lá se descobria o Ziraldo em Portugal no jornal Lobo Mau, por exemplo. Nos anos 90 é a grande explosão de revistas brasileiras a chegarem cá: Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, Níquel Náusea e Animal (feio, forte formal). A explosão acabou em implosão graças ao plano Collor mas o mal já estava feito, Angeli e Laerte eram estrelas. Segue-se a primeira década do milénio de costas voltadas com alguns encontros fugazes, sendo o Seitan Seitan Scum o mais consubstanciado objecto ou a participação de Fábio Zimbres na exposição "Divide et Impera". Desde 2013 a editora Polvo edita muitos livros de autores brasileiros contemporâneos, destacando-se Marcelo D'Sallete ou Marcello Quintanilha. As migrações acontecem também, André Diniz vem para Lisboa e Puiupo para S. Paulo. A história aos quadrinhos ou aos quadradinhos continua... Sendo que esta Expressa será o local de encontro para saber tudo sobre os artistas entrevistados.

Este fim-de-semana vai haver o Mercado Aberto do Livro pela segunda vez. No ano passado lá andei a fazer "digging" no espaço da D. Ajuda cheia de tralha que já ninguém quer. Sem querer, claro, encontrei um belo monográfico dedicado ao grande Robert Crumb - com este tive também com dois graus de separação e até falei com o senhor que me mandou passear de forma assobiante, hehehe - escrito por Marjorie Alessandrini (1946-2020) e editado pela Albin Michel em 1974!

O ponto de exclamação significa algo? Adivinhem! Pensem nisto: a carreira underground de Crumb começou em 1967 e sete anos depois ele já tinha um monográfico sobre a sua obra em França, um trabalho crítico bem escrito por uma jornalista de Rock. É certo que os anos do ácido e "flower power" foram produtivos para este artista, em dois apenas produziu mais de 300 páginas todas elas a desconstruir a psique da cultura norte-americana. O trabalho passou para França, pela revista Actuel de início quando esta era uma grande fricalhice. O que é espantoso é que alguém escreveu um livro sobre este autor de BD contemporâneo ainda com o Crumb em início de carreira. Ena! Crumb não é o único contemplado, nesta colecção chamada Graffiti encontram-se outros títulos dedicados ao Gotlib (1934-2016), Reiser (1941-83), Moebius (1938-2012), Charles Schulz (1922-2000) e Fred (1931-2013), tudo publicado entre 1974 e 1976. Esta tradição de mapear autores de BD continua até nos dias de hoje em França mas noutras estruturas editoriais como a PLG.

Agora, lembrem-se de quantos monográficos sobre artistas ou autores de BD foram publicados por casas comerciais em Portugal? Há a biografia de Hergé (1907-83) e o livro de entrevistas a Hugo Pratt (1927-95), autores que rebolam nos caixões dada à exploração patrimonial que fazem dos seus trabalhos e que qualquer editor "cego-surdo-mudo" seria capaz de publicar e rentabilizar os livros. Tanto é verdade que escrevo que estes títulos foram publicados pela Verbo e Relógio D'Água, respectivamente, editoras generalistas. Há vários livros dedicados ao Bordalo Pinheiro, convenhamos, todos os anos sai mais um qualquer sobre um detalhe da sua vida (até a da sexual) ou da sua multifacetada obra. Depois (por isso não contam) há dezenas de catálogos ou monográficos das instituições como a Bedeteca de Lisboa ou aquilo que se chamava pomposamente de Centro Nacional de BD e Imagem (da CM Amadora, agora Bedeteca da Amadora) que publicaram, devido a uma inconsciente rivalidade camarária, montes de livros sobre vários artistas portugueses e até alguns estrangeiros. O último data de 2008 dedicado a Tiotónio (1936-85) talvez porque o último Salão Lisboa foi em 2005, sendo esta a perdedora do campeonato da BD municipal. Sem rival, a pilinha da BD Amadora esmoreceu tanto que não edita o catálogo do seu grande certame desde 2015. Em formato de BD (e voltando às editoras comerciais) foram publicadas uma sobre o Hergé e duas sobre o Edgar Jacobs (1904-87), essencialmente obras certinhas ao cânone instituído do biografado. 

Resumindo, das duas uma, ou o Relvas e o Alan Moore não são bons o suficiente para uma empresa comercial investir num livro sobre eles sem o apoio do Estado ou então as editoras comerciais de BD sempre nos enganaram com a sua dedicação e honestidade pela "causa" da BD. Inclino-me prá segunda hipótese a julgar pelas bostinhas que foram recentemente editadas em Portugal. 

Uma delas é Variantes : Uma Homenagem à BD Portuguesa (A Seita + Turbina), um álbum de novo-rico com boa guita para gastar. Lembra as iniciativas de um dos Trio Odemira que fez nos anos 90 ao publicar toscamente quatro volumes luxuosos, dois dedicados à "História da BD publicada em Portugal" e outros dois à revista O Mosquito. Ao menos os do Trio foram com a pasta dos direitos de autor da SPA do músico. O gesto simpático e trapalhão de Carlos Costa replica-se 25 anos depois com o do Júlio Moreira, co-responsável por este Variantes mas desta vez com apoios comunitários.

Seria acima de qualquer suspeita a qualidade da capacidade e do bom-gosto de Júlio, afinal, foi um dos responsáveis do importante e saudoso Salão de BD do Porto (que trouxe Joe Sacco, Julie Doucet, Chester Brown ou Marjani Satrapi antes de estarem na moda - e onde lançamos o nosso Mutate & Survive com uma divertida exposição) e da importante revista Quadrado. Talvez por não estar no activo há muitos anos, tenha deixado Júlio mole e sem capacidade de resposta aos seus novos comparsas de projectos cooperativos. Um deles, José Hartvig de Freitas, sem saber ainda hoje que foi enganado na sua vida de editor, escreve ao apresentar A Pior Banda do Mundo de José Carlos Fernandes: (...) tinha-me obrigado a ler uma vintena de páginas da Pior Banda, contra os meus protestos vivos e sonantes ("BD portuguesa, mas estás maluco? Isso são cenas pseudo-intelectuais que não interessam a ninguém!") (...). Ironia máxima, o autor mais "pseudo-intelectual" (no verdadeiro sentido da palavra!) português alguma vez cá nascido foi aquele que atingiu o coração de Freitas ao ponto de editar dezenas de livros dele. Talvez por não ser "pseudo-intelectual" (o discurso lembra qualquer personagem da Disney ou Astérix), Freitas não entendeu o paradoxo que  ele próprio montou.

Variantes parte do princípio de pegar numa página "clássica" e passar para um autor contemporâneo que a irá homenagear com o seu estilo gráfico - e em teoria, com uma possível corrupção narrativa. Há vários problemas com a edição, desde o design fatela (trabalhar com o JRF deve ser traumático, é certo, mas pelo menos rende, afinal a Quadrado sempre esteve a mil passos à frente até de revistas que não fossem de BD!!!) até aos artigos de contexto, que variam entre o bom (Isabel Carvalho) e o muito mau (Margarida Mesquita e o "bedófilo" Miguel Coelho) ficando pelo meio vários tons dos cinzentos do costume. Pelos vistos os nomes de Domingos Isabelinho, Pedro Moura e Sara Figueiredo Costa devem sofrer de "pseudo-intelectualismo" para não estarem presentes. 

A escolha em homenagear os primórdios da BD portuguesa começando pelo paizinho Bordalo Pinheiro e ir até ao "Tu és Mulher na minha vida (...)" do Pedro Brito e João Fazenda ou mostra oportunismo comercial porque A Seita reeditou este livro no ano passado ou que há medo de entrar no século XXI. É que assim ficou de fora um trabalho tão bom ou mesmo superior como a "Mulher", falo do Mr. Burroughs (outra vez o junkie!) de David Soares e Pedro Nora - e que teve uma imediata publicação pela "pseudo-intelectual" editora belga Fréon, mais tarde Frémok, facto inédito em Portugal, uma BD ainda por cima de uma editora pequena ter uma obra sua editada no estrangeiro. A escolha das pranchas / autores homenageados mostra uma falta de igualdade de géneros - os exemplos mencionados na Bedeteca Anónima são graves. Mas poderíamos considerar isto como uma situação perfeitamente cagativa, o Júlio & cia não são gajas, não leram propaganda da Mocidade Feminina - só leram a dos rapazes! - nem têm nada de curtir poesia "pseudo-intelectual" da Maria João Worm. Para além disso já passaram a barreira dos 50 anos e estão com a tensão "cringe" em alta. Tal como os livros d'O Mosquito, seguiram o coração nostálgico e sentimental e ninguém tem haver com isso. O problema é que este livro só prova que um trabalho bem feito deste género tem de ser feito, pelos vistos, pelas instituições públicas, é que não basta receber milhares da União Europeia, pois o resultado é este: uma História distorcida, uma selecção nostálgica, uma encomenda mal enjorcada que não se percebe a razão das escolhas dos autores e que, por sua vez, sofrem de disfunções na sua arte - induzida pelos editores que não curtem "pseudo-intelectuais"!? 

A escolha dos autores que homenageiam é errática, entre alguns que ninguém conhece no meio - o que é um risco com piada e vê-se pela revelação que são a Daniela Duarte e a Madalena Abreu que valeu a pena correr esse risco - passando por nulidades como a Marta Teives, que consegue transformar o neo-realista Borda d'Água de Miguel Rocha num agro-beto (duvido que tenha sido de propósito, isso mostraria um humor bem sacana) indo até um autor do "star-system". Aqueles que poderiam pegar nisto à séria acovardam-se: José Smith Vargas dá-se bem com o Carlos Botelho (bem escolhido e bem actualizado à Lisboa gentrificada) mas é redundante com José Ruy, o que André Pereira faz bem em Kolanville de J.L. Duarte com o seu grafismo gaijin mangá, n'O Macaco Tó Zé de Janus é apenas um absurdo de mimetismo. O mesmo para a Sofia Neto que moderniza Eduardo Teixeira Coelho mas vulgariza de forma totalmente plana a "erótico-psicadélica" Isabel Lobinho. O resto é quase tudo mau ou super-chato, com excepções para a prancha a "Mulher da minha vida" de Jorge Coelho e as do Marco Mendes. 

Alguns autores com quem eu falei comentaram esse à vontade de Mendes: "pá! mas esse é gajo da casa", isto é, os seus livros são editados pela Turbina e tem uma boa relação com o Júlio por isso pode brincar à vontade. Pseudo-intelectual ou apenas pseudo-tudo? 

Olha, que haja dinheirinho para distribuir aos autores de BD de vez em quando...


PS - para as pessoas que me perguntaram porque o Loverboy não está presente no volume, devo esclarecer que não houve nada de "evil shit" da parte da SHeITa e Turbina. Assim que soube que isto ia acontecer pedi ao Júlio para não incluir de nenhuma forma o meu trabalho antevendo uma desgraça, ou pelas escolhas incluídas (Jim del Monaco) ou pelas excluídas - é ofensivo não estar lá a Worm! Júlio, o que pensaria o nosso JPC desta ausência? Aliás, o que pensaria ele disto tudo?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Brasil VIII


Vida Boa
(Zarabatana; 2009)

Chegou um carregamento de livros da Zarabatana, editora brasileira de bd com uma catálogo bastante interessante de autores contemporâneos europeus, norte-americanos, japoneses e brasileiros. Do pacote aquele que se destacou logo - até porque o resto do catálogo já conheço daqui e dali - era o livro do grande Zimbres!
Esta edição recolhe as tiras humorísticas (já lá vamos!) de uma série desenvolvida pelo autor para a Folha de S.Paulo entre 1999 e 2001, algumas acabaram por ser eliminadas para o livro, ou então, refeitas e algumas foram feitas de propósito. Na essência para dar uma maior coerência narrativa às tiras que duvido que fosse necessário, pois apesar de elas ser o clássico "piadinha no final da tira" sincopado ao ritmo diário, a sua leitura unificada mostra uma dinâmica incrível, digna de estar ao lado de uns "Moomins" com as enormes e devidas distâncias.
Esta Vida Boa conta as desaventuras de um "looser" que procura emprego sem nunca o conseguir encontrar, em compensação encontra sim, é um copo que fala! Ou será imaginação do tipo? Nunca saberemos, que sacanagem! A incapacidade de gerir o dinheiro, distraído pelo pecadilhos gulosos do consumismo ou o deslumbramento fácil são temas que vão surgindo neste trabalho, com pretexto para criticar a existência urbana dos nossos tempos num discurso ágil e irónico. O desenho do Zimbres continua "bad" para quem gosta de coisinhas redondas mas parece um bocado mais composto e "clean" provavelmente para que "toda a gente possa ler" sem ter um chilique - afinal de contas já basta o texto ser corrosivo como é.

domingo, 7 de dezembro de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (12)

No Brasil só há um gajo que pode bater o Fábio Zimbres e esse gajo é o Jaca! Espera!!! Os dois estão juntos neste livro intitulado Corte e Costura (MMarte; 2025)!!!!!! Putzzzzzzzz! Ao que parece a produção do que seria um simples fanzine transformou-se numa epopeia de desgraças até ser transformado num livro - graças ao amparo editorial do Márcio Jr. (dos Mechanics). 30 desenhos do Jaca são rasgados a meio pelo Zimbres para ele fazer continuações dá em 60 "cadáveres-esquisitos" de alto nível gráfico. Para alguns ignorantes será baixo nível porque "o meu filho também desenha isso" e toda essa chachada repetida milhares de vezes ao longo da História. sim sim, desenhos "infantis", punks, brutos, voragem  gastropática de Pop mundial, em que não faltam cães, carros, casas, foguetes e humanos tontos, todos felizes num ambiente que nem é Utopia nem Distopia, antes uma espécie de "circumtopia", algo ao lado que não se define como pacífico mas também não destruidor. Tudo misturado mas "as pessoas até são felizes lá.". Muito bem! Muito bom!


A k7 de estreia de Enemy Wong significa também o regresso do punk italiano Saba a Portugal. embalada com cartão e com um stencil tão bruto como o som da música. É um electropunk qualquer que a dada altura envereda num pica-miolos digno de toing toing. É preciso ter coragem e vontade para ouvir estão confusão ideológica que Make China Great Again (wtf?) e Burn a Testla (sim, concordo) mas a comunicação com o Saba nunca foi fácil... 






The Artist's Mess é que seria um bom título para este zine mas afinal chama-se 1th Zine "Once upon a time" (sic) da tal Beatriz de há dois anos - lembram-se? E que aqui assina "Beatriz Lopes" (lol). Pois é! Mais uma investida pelas lezírias de Alpiarça e mais uma vez lá estava uma grupeta de jovens com zines feitos para o Festival. E mais uma vez o trabalho da Beatriz destaca-se graças à sua escatologia "cute" dos óbvios Manga/Anime e um esoterismo Poppy pouco preocupante - e até uma referência ao Bambi no filme dos Sex Pistols e uma poesia dedicada à Laika-cadela, não à Laica-feira claro. Tudo isto é trabalho verde mas com alguma convicção que acredito que irá a algum lado... Vamos ver pró ano, o que nos reserva!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

São tontos, senhor, são tontos...




Tonto-comics: #7 / Parabolica #2 / Festen (Fev'05); #8 / Stormy: Topografien des jenseits (Nov'05); #9 / Jack, Mom und die Anderen (Mar'07); #11 / Die Unsichtbare Attrappe / The Invisible Dummy (Jul'08)

Não confundir com o miniTonto do Brasil na batuta do camarada Fábio Zimbres, não, estes Tontos são da Áustria, da cidade de Graz, que conhecemos agora durante a tournê europeia da CCC. Trata-se de um colectivo que vive num país em que a bd tem ainda menos reconhecimento e massa crítica que Portugal, se conseguirem imaginar isso!
Sitiados - as suas poucas relações internacionais são com países da ex-Jugoslávia!, e com pouco incentivo para fazer bd, este colectivo começou a trabalhar de uma forma editorial fora do normal. As suas publicações levam a palavra "editar" à séria. O objectivo é ler um livro como um todo mesmo que tenha trabalhos de vários autores. Existe um tema que percorre a edição e que acolhe o que lhe vier à frente. Muitas das vezes parece que existiam apenas desenhos de ilustradores / artistas plásticos, e que o colectivo pegou neles e deram-lhe um sentido, uma sequência, uma narração...
São livros exemplares com grafismos fortes e produção sólida (a escolha do papel, a boa impressão) cuja a leitura é dificultada por estar escrito em alemão (e as traduções em inglês serem colocadas em suplementos como faz a Stripburger) e pelas próprias deambulações surrealistas que são quase sempre a tónica dos trabalhos. É quase tão bizarro como os crimes psicopatológicos que têm saído daquele país...
Armados em Embaixadores das BD's Bizarras, a CCC trouxe vários exemplares dos Tontos - 20% descontos para sócios CCC.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

«Go away, there's nothing to see!!!» said the Policeman

Desde a primeira edição - ainda no edifício da Câmara da Amadora bem me recordo - que vou ao Festival de BD da Amadora. Em alguns anos ia todos os fins-de-semana, nos últimos tempos só na inauguração (porque pode dar barrigadas de riso graças ao fogo de artíficio e outros malabarismos) e no último dia para recolher os livros e dinheiro das vendas de zines e livros. Este ano decidi que não vou:

1) porque há mais coisas fixes para fazer durante as próximas semanas;
2) porque o tema é Ficção Científica e como gosto no tema, sei que a Amadora vai estragá-lo da pior maneira, como sempre faz;
3) porque a bd para eles da organização do festival já é "Maior" (o ano passado era esse o tema) - então porque a FC é tratada este ano? Não que a FC seja uma cena de putos mas é dos temas mais vulgares para uma "arte que se quer maior";
4) porque não há convidados (autores e outros) para essa "Arte Maior" - apesar de gostar do Kevin O'Neil ou do Liberatore quando tinha..., ehm, 17 anos?;
5) porque perco tempo a ir prá Amadora - como se vai para lá, mesmo? Todos os anos tenho de de cravar boleia ao Pepe...
6) porque vou lá e não vejo nada, nas paredes ou nas bancas, que me estimule - o ano passado houve uma excepção - a exposição comissariada por Pedro Moura com trabalhos de Fábio Zimbres e outros;
7) porque no grande evento de bd em Portugal deve ser o único em que a Chili Com Carne e a MMMNNNRRRG não vendem nada (vendem, em conjunto, entre dois ou três livros para ser mais preciso) por isso mais vale gastar gasóleo para Lagos ou um bilhete de avião para Helsínquia;
8) porque o cartaz é feio - mas sempre foi tirando o do ano do André Carrilho;
9) porque nunca gostei do Blake & Mortimer (eles eram ou não eram "gays"?) nem sei o que é a Lucy - alguém sabe?;
10) porque a bd portuguesa está morta outra vez, ou no melhor dos casos em estado de "anacronismo agudo" - uma das novidades editoriais é uma biografia do Camões, «I rest my case»;
11) porque a Amadora não percebe nada de bd nem quer perceber (as gralhas em boletins de voto dos seus famosos prémios são, no mínimo, preocupantes);
12) porque a Amadora nunca deu atenção aos fanzines ou à edição independente, ou se deu, geralmente com um tratamento de desprezo (lembram-se de uma banca de zines que tinha um enorme pilar de betão mesmo à frente?);
13) porque o kitsch e mau-gosto do Festival tem limites - acho que 18 anos é suficiente como "limite", não?
14) porque só se edita merda em Portugal (com honrosas excepções) mas quase nunca presentes no evento;
15) porque não gosto do Tex e duvido que passe a gostar;
16) porque já tenho livros do João Abel Manta;
17) porque nunca gostei do Star Wars, do Nuno Marlk nem do trabalho do José Garcês;
18) porque temo que música poderá ser tocada por uma produtora chamada Tugaland;
19) porque a Amadora já se chamou de Porcalhota, dizem...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

When it rains, it pours

Caramba, e de repente... é livros dos EUA da Sparkplug, é encontrar o Haz na Feira de Publicação Independente, é o Romeo Julien (do Angoumerde) a enviar cenas dele, é o italiano Ruggero Asnago a parar por Lisboa, o Manuel Pereira e o André Ruivo a mexerem-se... Que caos! Por onde começar? Vai já o que tiver aqui à mão!

Patau (Black Blood Press; 2012) saiu há algumas semanas durante um concerto de Somália no espaço Flausina - tinham de ser estrangeiras para abrir um espaço artístico despretencioso em Lisboa! Zine A5 cheio de colagens de Manuel Pereira centradas em temas de sexo desviante Sado/ Maso extremo e deformações genéticas - Patau é um sindroma trisómico. A associação de imagens destes dois temas provoca-nos questões sobre o corpo deformado por acidente ou por imposição e que valor terá submissão voluntária (estética apenas) face as maleitas das deformações ou das violações. As pistas maiores que nos são dadas são com textos, também eles "encontrados", recortados e colados pelo zine, um deles pergunta "do que sabem vocês sobre humilhação?" e por cima do texto encontra-se um anão bastante deformado - a qualidade da imagem fotocopiada não permite identificar muitos contornos. Não pedia mais do que isto porque este "ritual Xerox" é perigoso para o olho mesmo que a inspiração dos manifestos de SPK sejam velhinhos.

Biblioteca (The Inspector Cheese Adventures, 2011) de André Ruivo é um zine muito simples de desenhos de Ruivo em volta dos livros que deve ter encontrado em bibliotecas - em Londres? durante a sua residência? - ou em "bibliotecas" particulares - de amigos? familiares? - ou pessoal - é?
Não sabe, não responde.
Livros amontoados, em prateleiras e acessíveis pela lombada (ó coisa chata de se desenhar!), em mesas de consulta de bibliotecas públicas, livros de dimensões assustadoras, portadores de enorme e pesado saber. O zine é no entanto leve...




 


Entretanto tenho os números 12, 14 e 14,5 (Afeite Al perro, 2011-12) do Haz (autor e título de zines) que não posso acrescentar nem mais uma linha do que escrevi neste "post": http://chilicomcarne.blogspot.pt/2009/07/haz-zine-2-8-9.html. Não é por preguiça ou falta de tempo, é mesmo porque as características do autor e dos seus objectos editoriais (caixinhas de surpresa) mantêm-se de forma saudável. Ah! Talvez só isto, Haz admitiu na sua passagem pelo Porto a influência que as exposições do Le Dernier Cri (em Madrid) tiveram nele e na sua produção. Nunca pensou que se podiam fazer zines de desenho apenas - aparentemente não conhecia a existência de "graphzines". É um exemplo dos danos que o Dernier Cri causa por onde passa...

O italiano Asnago passou por Lisboa por motivos semi-profissionais e semi-lúdicos, claro que saquei-o logo para fazer um cartaz para a colecção Checkpoint do Atelier Mike Goes West - o resultado está a qui para ver e venda: http://mikegoeswest.blogspot.pt/2012/04/certificate-this-is-to-certify-that.html. Asnago também faz uns zines em que usa o formato A3 para dobrá-lo em mini-zines A6 - táctica comum em muitos "zinistas", como faziam os BadSummerBoys (Geral & Derradé) nos anos 90 ou como o brasileiro Fábio Zimbres ainda faz... As edições são limitadas que nem vale a pena estar a digitalizá-las para vocês encomendarem. Invés disso vão masé comprar uma serigrafia ao Mike, cazzo!



De França, porque quando estivemos lá o Roméo Julien não parava quieto, recebemos dois livros das Editions Machine. É um colectivo de 11 autores de BD, residentes a Angoulême, e que adquiriam máquinas de impressão de forma que toda a produção é DIY! O primeiro, Mister Uppercut de Julien, impresso a vermelho, lembra as rotas de Matt Brinkmann mas em versão "linha clara". Redigido em inglês. Machin Machine é a segunda antologia deste colectivo com a participação de todos os seus autores com registos narrativos e gráficos variados embora o "humor" seja mais constante entre os outros géneros. Interessante...


Por fim, soube (tardiamente) que a tragédia tinha abatido na Sparkplug, uma editora que oferece alguma lufada de ar fresco na estagnada BD norte-americana. O seu fundador, Dylan Williams faleceu o ano passado, e a sua mulher e amigos tem mantido o projecto a funcionar apesar de algumas dificuldades financeiras anunciadas publicamente. Ao saber disto, foi uma "boa desculpa" para comprar alguns "comic-books" desta editora para apoiá-la. De um molho de coisas que chegaram, nem elas todas assim tão interessantes, destaco o trabalho de Austin English, um autor que usa um desenho "infantil", conseguindo uma réplica perfeita do "estilo": cores, formas, representações, materias usados, etc... como se tivesse saído da aula de desenho da 4ª classe. Infelizmente o texto e narrativas não em animaram muito, tanto que não me lembro do que se trata passados alguns minutos depois da leitura... Duas outras autoras que são interessantes: Julia Gfrörer de universo gótico-satánico e a auto-biográfica Tessa Brunton. Check them out!

Ufa, é tudo!

sexta-feira, 31 de maio de 2019

ccc@beja.2019

cartaz de Susa Monteiro

Temos duas exposições nesta 15ª edição do Festival de Beja, a saber

- Nódoa Negra, colectiva com originais da primeira antologia organizada por autoras portuguesas de BD: Bárbara Lopes, Cecília SilveiraDileydi FlorezHetamoé, Inês Caria, Inês Cóias, Marta Monteiro, Mosi, Patrícia Guimarães, Sílvia Rodrigues e Susa Monteiro.

Fábio Zimbres, autor brasileiro de referência que se estreia com um livro a solo em Portugal com Música para Antropomorfos... O autor estará presente no Festival!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

tão rápido que é lento...

O Verão foi lixado... Um gajo até quer fazer serviço público e divulgar estas coisas da "independência" mas o ca-lor tor-na tu-do len-to... Quando foi o Crack? Porra, que depressão! Já foi em Junho... E Angoulême? É-pá! Foi em Janeiro! que vergonha, tanta coisa atrasada para escrever... E depois quando dei por mim, já chove e estamos no fim de Outubro. Fuck! Vamos lá:

O Ponti / Bridges, vol.1 (Forte Prenestino + Galago; 2008) é uma antologia sueca e italiana que serve para comemorar a equidistante amizade, cumplicidade e parceria entre italianos e suecos que, pelo menos, fizeram este ano o maravilhoso festival Crack (em Roma). O livro não foge muito de do formato de antologia que tem sido editados desde os anos 90 (tipo Mutate e afins - e claro com o pé na segunda série da Raw). Nas suas 96 páginas a preto e branco cheias de bd's os textos estão em italiano - mas há uma tradução em inglês no fim do livro. Destaque para o trabalho de Markus Nyblom (bonecada Dark), Marco Corona (surrelismo à italiana) e Valério Bindi que adapta um texto estranho de como sobreviver a uma guerra civil - é intrigante porque não percebi até que ponto é a sério...
À venda no site da CCC (50% desconto para sócios).

Nalle Uhh (ed. de autor; 2007) do finlandês Aleksi Jalonen é um atraente livro de bd num formato quase quadrado (15x16cm) a preto e branco - adquirido em Angoulême na banca divida com os finlandeses.
A bd é muda (sem palavras) e usa criaturas antropomorfizadas para contar um conto urbano existencialista num registo pictórico minimal que lembra Lewis Trondheim ou Nicholas Mahler mas mais cru e "free" como Fábio Zimbres. As páginas são divididas em quatro vinhetas que tem um ritmo heterogéneo mostrando que o autor domina as técnicas de narração - nem sempre fáceis quando se faz "bd muda". A única coisa que não percebi foi se o personagem principal é um porco ou um cão ou... a única coisa que sei é que tem um aspecto blasé e que está sempre a fumar. Mais um finlandês cheio de qualidades...
O livro está disponível na CCC (20% desconto para sócios)

Bomba #1 (La Chose; 2004) de Naz é um comic-book francês (a nivel de formato até é estranho na cena "indie" francesa) que trata das aventuras de uma equipa soviética que viaja (cladestinamente) pelos EUA num disco voador, vestidos de marcianos (ou marxianos!) e que incitam o proletariado a tomarem os meios de produção para si: «o povo de Marte (que é marxista como o filme Aelita já tinha mostrado em 1924) está furioso com o povo da Terra e irá destruir o planeta se não se tornar comunista, etc...». Fabuloso! Os desenhos ficam entre o Paul Pope e o Emmanuel Gilbert (no Le Photographe e se fosse a preto e branco). Infelizmente, parece que a série nunca saiu do primeiro número, o que é lamentável dado os bons minutos de entertenimento burguês que oferecia às massas exploradas da Europa. Escrevam à editora para pedir mais como eu já fiz!
Continuando na França com a antologia Week-end (Stratégie Alimentaire; 2007) que marca o fim do projecto editorial que fazia parte Guillaume Soulatges - autor presente na åbroïderij! HA! – International Graphic Arts Exhibition. Sendo a edição já impossível de encontrar valerá falar nela? Talvez sim nem que seja para documentar a participação de André Lemos, e já agora, do finlandês Tommi Musturi. Tal como deverei falar de L'Usine Nouvelle, livro de Soulatges também editado pelo mesmo colectivo francês? Não sei... Com tanta coisa a empilhar por estes lados mais vale o usar as vantagens da 'net e passar a "hipertexto" - e como o Pedro Moura já escreveu aqui, «I rest my case».
Para breve coisas antigas (ainda resultado da Feira do Livro Anarquista, do Crack, da Feira Laica e Festival de Helsínquia) mas que são sempre novas para estas bandas.