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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

shitty zines

Encounter / Jorney into space; S.G. Leisure Magazine; Speculum Bioversitatis
(auto-edição; 2007)

Três zines eslovenos de bd e de desenho, o primeiro por Gasper Rus e os dois últimos por Jakob Klemencic. No que diz respeito aos de bd, tratam-se bd's traduziadas para inglês que já sairam na revista Stripburger. As bd's já estavam traduzidas mas encontravam-se no suplemento Connector - um anexo A5 que traduz várias textos da Stripburger escritos em esloveno como entrevistas, artigos e bd's, no último caso, as traduções não são acompanhadas pelos desenhos/vinhetas. Aliás, quer o Connector ou as famosas legendas no final das páginas (das antologias finlandesas ou do Malus) tem sido criticadas por serem disfuncionais na leitura das bd's. É verdade que são "disfuncionais" na leitura fluída das bd's mas servem para ajudar a entender o texto e não para ler uma bd como normalmente acontece numa leitura de uma linguagem que se entenda. É óbvio que é chato estar a olhar/ler as vinhetas e um suplemento ou legendas "em simultâneo" mas é melhor isso do que não se perceber nada, para além disso é uma questão de hábito tal como acontece para quem lê as Mangas editadas na forma japonesa (a leitura é da direita para a esquerda).
Talvez por esta ligeira "disfuncionalidade" ou então para individualizar o esforço dos seus trabalhos no meio da cacofonia das antologias que, quer Jakob quer Gasper, decidiram fazer os seus zines individuais com algumas bd's da Stripburger - e falamos de zines "típicos": formato A5, capas em papel colorido, 30 e tal páginas... Agora que os balões e cartuchos tem o texto em inglês é realmente mais fácil lembrar as histórias. Ambos exploram bd's autobiográficas ou de vivências, no caso de Gasper são relatos de desconforto "nerd" na entrada para a universidade de Belas-Artes e o mundo da criação - o desenho é um tanto tosco por ser um "nem carne nem peixe" que cruza o realismo e a caricatura... mas o desenho funciona de tal forma que sentirmos empatia com a criatura.
Jakob usa uma personagem, o "S.G.", como alter-ego para relatar viagens, encontros e pesadelos. Um sentido de nostalgia, melancolia e de perda da inocência dos "bons velhos tempos" persegue estas bd's, dando a entender que as mudanças que operam no Leste europeu tal como as que aconteceram e continuam a acontecer em Portugal a afundar-se no neo-liberalismo estúpido e as suas regras idiotas controladas pelos cães fascistas do Estado como a ASAE - eu sei, não veio muito a propósito... - não são de agrado de todos. Algo se está a perder, daqui uns anos não haverá comida tradicional para ninguém, nem na terrinha mais perdida. Se houver será para quem tiver dinheiro para um "turismo rural" ou algo assim.
O Speculum são desenhos soltos de Klemencic - um deles até publicado em Portugal para ilustrar o editorial do número seis da Quadrado - e por falar nisso o formato deste zine é quadrado, 12x12 cm. Umas quantas páginas de desvaneios biológicos e míticos. Um zine simpático e nada shitty.

PS - A culpa é do Jakob por este título, o rapaz veio com aquela boca que gostou do Chili Bean porque era bom saber que não era o único a fazer "shitty zines". Parece que os zines estão fora de moda nos dias das edições serigrafadas, myspaces & deviantart, impressões digitais e chap books. Talvez fosse apenas uma piada ou talvez esteja a levar demasiado a sério, não sei. Seja como for: The Shitty Zines are Dead! Long Live the Shitty Zines!
PPS - Creio que os pedidos destes zines podem ser feitos directamente à Stripburger, seja como for, este colectivo esloveno estará na Bedeteca de Lisboa em Janeiro para a exposição Honey Talk.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology na Oficina (CIAJG)


Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology
de
Marcos Farrajota

Oitavo volume da Colecção Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines. 80p. 15 x 21 cm. 666 exemplares. ISBN: 978-989-8363-34-3

à venda na loja em linha Chili Com Carne, Mundo Fantasma, BdMania, ZDB, Oficina (CIAJG), LAC, Matéria Prima, Linha de Sombra, Bertrand, RastilhoTigre de PapelLAR / LAC (Lagos), Black Mamba e Vault.

Eis a terceira compilação das BD's autobiográficas de Marcos Farrajota depois de Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne nesta mesma colecção. O novo livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology reúne material disperso em várias publicações - incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Metalfest mas também em vários zines e revistas como Cru, Prego (Brasil), Pangrama, Stripburger (Eslovénia) e ainda antologias de países começados por "s" como a Suécia ou a Sérvia!

As Bds que se encontram aqui são cada vez menos os episódios mundanos como noutras BDs de Farrajota para dar primazia a ensaios críticos sobre a cultura portuguesa e subculturas underground... Talvez por isso que só agora é que são compiladas as míticas tiras da série Não 'tavas lá!? que fazem crítica aos concertos assistidos pelo autor publicadas na mítica Underworld : Entulho Informativo e vários outros zines e revistas. Podem encontrar nestas tiras bandas famosas como os Type O Negative ou Peaches, de culto - Puppetmastaz, Repórter Estrábico ou Dälek - como algumas "fim-da-linha" como os Dr. Salazar (quem?), para além de ainda relatar conferências (Jorge Lima Barreto), museus e instalações sonoras (MIM de Bruxelas ou MACBA de Barcelona) mostrando um gosto ecléctico mas sobretudo amor à música.



O livro foi lançado em Outubro na exposição homónima na Mundo Fantasma  no 10 de Outubro e lançamento sulista no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, no âmbito da exposição SemConsenso a inaugurada no dia 31 de Outubro ... Dia 23 de Junho de 2018 é apresentado na Casa da Cultura de Setúbal por Tiago da Bernarda ...

Ah! O Rudolfo participa no livro... com aquela BD sobre drogas que saiu no Prego e com o design da capa/contra-capa!



...

sobre o autor: Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa tendo sido responsável por várias publicações e eventos como o Salão Lisboa 2003 e 2005. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita (26 números). Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD: Publish or Perish, Amo-te, Osso da Pilinha, Stereoscomics (França), Milk & Wodka (Suiça), Prego (Brasil), Cru, White Bufallo Gazette (EUA), Shock, Blitz, Free! Magazine (Finlândia), Bíblia, V-Ludo, Umbigo, Pangrama, Stripburger (Eslovénia), Pindura (Brasil), My Precious Things, Banda, Page, Biblioteca, La Guia del Comic (Espanha), Quadrado, Underworld / Entulho Informativo, Zundap, Inguine Mah!gazine (Itália), Splaft!, Kuti (Finlândia), š! (Letônia), Hoje, a BD - 1996/1999 (Bedeteca de Lisboa), Crack On (Forte Pressa), Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa (Museu Berardo), Boring Europa (Chili Com Carne), Futuro Primitivo (Chili Com Carne), No Borders (Alt Com), Sculpture? (Cultural Center of Pancevo), Komikazen - Cartografia dell'Europa a fumetti (Edizioni Del Vento), Metakatz (5éme Couche) e Quadradnhos : Sguardi sul Fumetto Portoghese (Festival de Treviso).

Criou e escreveu a série Loverboy (4 volumes) com desenhos de João Fazenda, tal como já escreveu BDs para Pepedelrey, Jorge Coelho e Fábio Zimbres. Tem feito capas, cartazes e BD's para bandas punks e afins: Acromaníacos, Agricultor Debaixo do Tractor, Black Taiga, Censurados, Crise Total, Çuta Kebab & Party, Gnu, Gratos Leprosos, Ideas For Muscles, Jello Biafra, Lacraus, Lobster, Melanie is Demented, Peste&Sida, Rudolfo, Sci-Fi Industries, shhh..., Sunflare, Vómito e Whit. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como BD & Cafeína - performance de 24h (1997), Feira Laica (2004-2012), Pequeno é Bom (2010),... Bem como de acções de formação (Ar.Co, IPLB,...), colóquios, um programa de rádio - o Invisual (Rádio Zero, 2008-09) - e sessões de unDJing tendo já "tocado" (pffffff) nos Maus Hábitos, Festival Rescaldo, Jazz em Agosto, Bartô, Sabotage Club e Damas.

Já participou em algumas exposições de BD sobretudo colectivas - sendo de salientar a Zalão de Danda Besenhada, o último salão dos independentes na Galeria ZDB (2000), LX Comics 2001 na Bedeteca de Lisboa (2000/01); Mistério da Cultura na Work&Shop (2008) e Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011); bem como em vários festivais: BoDe, Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, KomikazenMAGA e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito gosto e lágrima no olho ao desafio de mostrar originais seus (horríveis e em visível degradação perversamente antecipada) na galeria da loja Mundo Fantasma - um grande chi-coração ao Zé e ao Júlio!

Estava previsto um "stand up comedy" para a inauguração mas o autor não foi rápido o suficiente para preparar a peça! Shame on tha nigga!

Bibliografia: É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), Loverboy (c/ desenhos de João Fazenda, 4 volumes, Polvo, Chili Com Carne; 1998-2001, 2012), NM2.3: Policial Chindogu (c/ desenhos de Pepedelrey, Lx Comics #9, Bedeteca de Lisboa; 2001), Noitadas, Deprês & Bubas (Mercantologia 3, Chili Com Carne; 2008), Raridades, vol.1 (c/ arg. Afonso Cortez Pinto, Zerowork Records; 2009); Talento Local (Mercantologia 4, Chili Com Carne; 2010), 15º SWR DVD (SWR inc.; 2013).


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FEEDBACK: 
Toast!!!And the Jamaican use of the word refers to "extemporary narrative poem or rap" like in reggae music, but toast also means a call to drink's at somebody's health or good news. In our case, the release of the Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology book !!! 
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 UAUH..... respect.... 666 exemplares? o must :-) 
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FINALMENTE!!! O livro do ano!!! 
Gamão (Traumático Desmame, Putman was the bastard) 
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já li o free dub modafoca seguido de bué géneros musicais hauntology (...) o Rudolfo fez pra lá umas tripalhices bem giras. as que curto mais são "punk e hardcore", o especial swr, o cristão colorido e o como enviar livros pelo correio. já tinha lido quase tudo mas tudo compilado é outra coisa! devias fazer mais cenas sobre o Zaire,os desenhos de infância foi alta jogada. 
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Gostei muito da péssima critica aos Boris no teu livro. Fez-me sentir menos sozinho no meu desdém por essa bandazeca tão estranhamente hype e sem consequência que felizmente desapareceu do mapa. 
Pastor Gaiteiro 
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ah, já chegou o livro, altamente!! lá foi de uma acentada. morro a rir com o teu humor-caricatura-psico. para não falar nos desenhos, sempre descomprometidos e podres. do caralho como se diz aqui pelo norte. 
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Curti o teu livro, especialmente a parte do festival de Barroselas. Devias fazer aquilo todos os anos, deve ter cenas hilariantes, mas realmente deve ser duro, haha! 
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no seu conhecido estilo de borrifamento universal, e as suas figuras rapidamente rabiscadas em esferográficas ou canetas o mais à mão possível, e sobre restos de papel, senão mesmo páginas descartáveis de Bíblias impressas (o autor respiga vinheta de histórias umas para as outras, ou constrói uma prancha final a partir de vinhetas rasgadas noutro local), Farrajota transforma sempre qualquer oportunidade para, ao aparentemente querer dar conta de um evento de modo objectivo, ou partilhar uma opinião de maneira descontraída, acaba por revelar traços dessa tal identidade que faríamos bem em questionar. Daí que o uso do vocábulo filosoficamente prenhe de “hautologia”, de Derrida, não seja um rodriguinho, mas um caso sério. A visão particular sobre o dito mercado independente de edição de livros ou música, o estado da arte e as suas misturas com os negócios camarários, a forma como interesses comerciais rapidamente co-optam, como se costuma dizer, movimentos culturais que poderiam ter sido alternativos, são alguns desses elementos. Mas acima de tudo está uma certa bonomia e complacência da “cultura média burguesa” para com a nossa própria história, o que nos leva poucas ou nenhumas vezes a pormos em causa aquilo que achamos que faz de Portugal “um grande país”, ou dos portugueses “um povo nobre”, e coisas quejandas. Algumas das sendas das histórias enveredam pela autobiografia, mesmo rebuscando o passado, dando continuidade a uma das linhas que o autor mais cultivou, em larga medida, quase isoladamente no nosso país. Há ainda uma divertida participação de Rudolfo, que ilustra um aviso sobre os perigos da droga aos mais jovens. Muito pedagógico. Seguramente que seria um ganho para o PNL. 
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  Não conheço ninguém que tenha como maior ambição piorar em vez de melhorar, só esta ave rara. Coisas bonitas são para betinhos, acha. Presumo que seja um trauma, pois o rapaz cresceu em Cascais. O certo é que deixou já uma marca. Basta ver uns quadradinhos com aqueles garatujos para saber que estamos perante uma obra de Marcos Farrajota, figura incontornável da BD nacional underground (não o irão ver no Canal 180!) e, deixem-me acrescentar, um dos autores da dita com mais sentido narrativo. O gajo sabe contar uma história. Neste livrinho conta algumas, tendo-o a ele próprio como protagonista, e não se preocupa em sair bem das ditas. Ou melhor, como qualquer punko-descendente que se preze, e como autor de banda desenhada que quer mexer com as consciências dos leitores, ele sabe que o pessoal prefere seguir as ridículas atribulações de um Robert Crumb do que os relatos de um tipo certinho e dado a intelectualices como Will Eisner. O curioso é que, quando entra neste registo, a nossa personagem torna-se umas vezes num jornalista e outras num crítico musical. Daqueles que fazem juízos de valor peremptórios e não medem as palavras, tipo Lester Bangs. O giro é que, se o virulento Bangs contribuiu para a fama dos Black Sabbath e dos Jethro Tull cascando neles, os grupos que Farrajota arrasa também acham graça. As suas bedês críticas e jornalísticas são mais acutilantes do que os textos sobre música que escreve para o blogue Mesinha de Cabeceira e a blogzine da Chili Com Carne. Nelas está na sua água, boiando à grande, e nestes é como se vestisse pele alheia. Nas primeiras é simplesmente um mamado de cerveja na mão, um aficionado que só não segue os princípios científicos da dúvida metódica ou o cepticismo filosófico do taoismo porque até estas fabricações mentais interferem comas reacções epidérmicas, as únicas em que devemos confiar. Nas prosas, pelo contrário, e quando o desagrado estala, adopta inadvertidamente o tom de deploração condescendente que têm os académicos quando observam a vida real. Algo, de resto, que me leva a mim, escrevinhador profissional, a constantes autovergastadas…
Rui Eduardo Paes in Bitaítes
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Obra seleccionada pela Bedeteca Ideal
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Já li o Hauntology e tenho que te dar os parabéns. As resenhas de concertos do início já conhecia várias e são bem divertidas - porra, nunca dizes bem de nada! Mas quando chegas ao Barroselas a coisa muda de nível - análise acutilante e sem piedade. Acho que tens toda a razão e pões o dedo na ferida. Até me ajudou a perceber o que me desagradava tanto no metal de hoje, e agora tenha a desculpa perfeita para nunca mais ir a nenhum festival. Imagino que quem te encomendou isso tenha ficado furioso!
Pedro B. (Damage Fan Club, Baby Boom, Stuka)
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Coisa linda de Jesus! Já li os seus. Excelente cobertura METAAAAAAAAAAAALLLLLL! Faltou falar das bandas. Se os metaleiros te pegam...
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

International working in progress press

É injusto não referir alguns projectos editoriais por falta de tempo nem que escreva dez linhas apenas. Um dos injustiçados é Cinema Zenit (Canicola; 2014-15) de Andrea Bruno - autor de Bolonha publicado no Boring Europa e que nos visitou várias vezes (Feira Laica, Festival de Beja, BD Amadora). "Zenit" é uma série que ainda está em construção, tem sido publicada em álbuns A3 de 32 páginas e já sairam dois volumes, o último em 2015. Sinto que entrei num filme degradado de Fellini pois há um ambiente de sonho que lembra os rodopios narrativos de Amarcord ou Oito e Meio. O formato gigante dos livros dá uma sensação de esmagamento pelo monolítico preto e branco de Bruno. O tema principal é a identidade nacional de um indíviduo que pode-se transportar à própria questão da nacionalidade italiana (uma manta de retalhos costurada por Garibaldi) mas também aos conflitos dos Balcãs nos anos 90 e às crises recentes envolvendo a Ucránia e a Rússia. Em "Zenit" vive-se um estado de ansiedade com um estado de sítio. Talvez esteja seja a obra mais nervosa de Bruno...

A revista eslovénia Stripburger é capaz de ser a publicação de BD mais velha na Europa no activo depois da suiça Strapazin. Mas enquanto os piços dos suiços ficam-se pela língua alemã, os renos dos eslovenos publicam em inglês - ou com tradução inglesa. Depois de alguns anos de alguma decadência da rotina do formato, nos últimos três anos tem dado provas de um novo fôlego e em especial nos últimos dois números (65 e 66) com a edição de uma nova geração de autores interessantes - especialmente franceses, flamengos e alemães. Eslovenos ou dos Balcãs é que não há quase nada a vir de lá - tão paradoxal como um concerto de Laibach...
Uma revista é para se ir acompanhando número a número, a Stripburger é aquele "lembrete" para os tarados da web 0.2 que se esqueceram o que são revistas. Ela têm cumprido a sua parte... e vocês?  Assim aproveito para relembrar que a Chili Com Carne tem um número desta revista para venda na sua loja em linha. Quem procurar mais números antigos (em Portugal) deve investigar as lojas lisboetas 1359 e El Pep e creio que também há na Mundo Fantasma.

Cari amici soldati
Srečno novo leto!

sábado, 17 de julho de 2010

Greetings from Cartoonia : The Essential Guide of the Land of Comics

Em Outubro 2009 estivemos na Eslovénia e trouxemos exemplares de Greetings from Cartoonia, projecto organizado pelo colectivo Stripcore - responsáveis pela revista Stripburger - que teve o nosso apoio e de outros colectivos europeus de bd, numa gloriosa iniciativa turística pan-europeia.


Um projecto bastante divertido em que cada autor teve de enviar e receber objectos (bizarros ou típicos ou nem por isso) do seu país para servirem de inspirações para as 12 bd's a preto e branco. Da Eslovénia participaram Kaja Avberšek, Jakob Klemencic, Marko Kociper, Matej Lavrencic, Gašper Rus e Matej Stupica (quase todos visitaram a Feira Laica ou foram publicados pela Bedeteca de Lisboa, Chili Com Carne e Polvo), Bendik Kaltenborn (do grupo norueguês Dongery), Mateusz Skutnik (Polónia), Matei Branea (Roménia, do colectivo Hardcomics), o finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005), Andrea Bruno (do colectivo italiano Canicola, que participou no Boring Europa e que recentemente esteve no Festival de Beja) e de Portugal e da Chili Com Carne, o Filipe Abranches
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Feedback: As edições especiais da Stripburger têm-se revelado objectos essenciais no traçar de um mapa europeu da banda desenhada. Sara Figueiredo Costa / Beco das Imagens O livro serve como diário de viagem, passaporte de brincadeira, e retrato dos imaginários em roda livre. Cria-se a ideia fantasma unificadora de todos estes diversos gestos, compõe-se uma família, ou aquela comunidade que Kant entendia ser a única possível entre os homens, a comunidade estética.... Pedro Moura / Ler BD ... obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

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A exposição esteve patente no 6º Festival de BD de Beja (entre 29 de Maio a 13 de Junho de 2010) por isso quem esteve lá viu quem não esteve vê agora umas fotos manhosas aqui ou compra o grosso livro de 220 páginas (17x23,5 cm, capa a cores) à Stripcore porque já esgotamos os nossos exemplares.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Saudades da Cartoonia

Eis algumas "tele-fotos" da visita à Eslovénia, mais concretamente ao evento Greetings from Cartoonia que decorreu na semana passada em Ljubjana, que incluiu uma exposição (a trazer para Portugal), um livro e ainda serigrafias que foram assinadas pelos autores presentes no evento.


Na primeira foto, o impressor explica o que se deve assinar. Jakob Klemencic, Matej Stupica e Filipe Abranches (por detrás de Stupica, mal dá para vê-lo!) estão atentos ao contrário do Matei Branea - é sempre assim com os romenos ;)
Segunda foto com resultados serigrafados...


Uma apresentação sobre bd em Portugal descambou numa instalação de livros no chão cortesia do romeno!


Igor Hofbauer estava em Ljubjana e assim finalmente conheci-o pessoalmente. Espera-se a sua visita para 2010 a Portugal. Seguido do finlandês Jyrki Heikkinen (que já nos tinha visitado no Salão Lisboa 2005) e o romeno sempre "mucho cool"...


Uma "comic-jam" no Kinovdor, Jakob do lado esquerdo, Marko Kociper ao meio, seguido pela "boss" da Stripcore Katerina Mirovic, Kaja Avbersek (que nos visitou na última Feira Laica) e o norueguês Bendik Kaltenborn.


Os escritórios da Stripburger muito limpinhos... aliás, a Eslovénia NÃO é "Balcãs & Kusturica", o sangue germano/aústriaco corre nas veias e na cuidada organização.

Bom... esta será a estante menos organizada, e por acaso é a que tem as edições portuguesas e espanholas - um destino latino inevitável?

Esta semana deveremos disponibilizar os 30 exemplares do livro que vieram para Portugal, alguns números recentes da revista Stripburger e uns discos antigos da Stripcore (ver mais tarde no blogue OSAMAsecretLOVERS as resenhas críticas).

Sendo impossível escrever (ou dizer) "obrigado" em esloveno, fica em português para os organizadores, autores do projecto e em especial para a Embaixadora Maria do Carmo Magalhães, pessoa bastante afável e curiosa, que permitiu, via Instituto Camões, a nossa representação onde "acaba a Europa".

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Subsídios para MMMNNNRRRG #1 na Oficina (CIAJG)

o primeiro fanzine de Art Brut português!!!


Editado por Marcos Farrajota e Joana Pires têm as colaborações de João Bragança (editor do extinto zine Succedâneo), João Mascarenhas (Stealing Orchestra e You Are Not Stealing Records), A.C.P., Manuel Correia, Jucifer, Jakob Klemencic (Eslovénia, ligado à Stripburger), Latrina do Chifrudo, Pakito Bolino (do Le Dernier Cri), uns putos se Sesimbra e Rafael Dionísio para tratar dos seguintes temas: Caretos de Podence, Kurents (da Eslovénia), Moliceiros da Ria de Aveiro, Franklin, o jardim da família F***, Match de Catch à Vielsam, Raw Vision, Metal e Deusa Loira apaixonada por Cradle of Filth 2006.
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São 128p. 13x20cm a cores, 2 capas diferentes (uma para metaleiros, outra para pessoas normais).
A tiragem foi de apenas 300 exemplares que estão disponíveis na shop online da CCC, Fábrica Features, Casa da AchadaMatéria Prima, Letra Livre, NeurotitanStaalplaatXYZ BooksTigre de PapelN.L.F. , Oficina (CIAJGe FNAC.
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Historial : versão online lançada a 21 de Julho 2010 ... versão física lançada Janeiro 2011 ...
Feedback : muito interessante publicação, com um artigo bem pertinente e divertido sobre a nossa exposição “Onde Mora o Franklim?” Museu de Etnologia ...

Exemplos de páginas:

terça-feira, 26 de março de 2019

Noitadas, Deprês & Bubas / último exemplar!!!



«É extremamente difícil escrever um livro medíocre. O livro conseguido está na ordem do dia. Falhar em literatura é um gesto de pura rebeldia. Um péssimo romance é um acto de terrorismo. Só uma miopia extrema, ainda assim facilmente corrigível, pode conduzir ao desastre. A possibilidade de errar foi reduzida ao mínimo indispensável que mantém as aparências e evita o escândalo. Só nos resta escrever livros certos e vendê-los a um público certo. Um público obedientemente entusiástico e atento. (...) O que antes era puro empirismo ou um difuso ritual feiticista tem agora um método de infabilidade. A improvisação e o gesto institivo estão desactualizados. Pior, são nefastos. O escritor deve actuar com rigidez e concisão. O êxito é a meta. O êxito é a única saída.» - Artur Portela, filho in Feira das Vaidades (Atlântida Editora; 1959)

É com palavras da juventude de "alguém que foi para a Alta Autoridade para a Comunicação Social", que apresentamos um livro novo de Marcos Farrajota. De novo quase nada têm, a não ser uma bd inédita de 10 páginas (para o #5 do zine A Mosca que nunca chegou a sair), porque o livro insere-se na colecção Mercantologia, uma colecção da Chili Com Carne dedicada à reedição de bd's perdidas no mundo dos zines.

São bd's autobiográficas de Farrajota, publicadas entre 1995 e 1997, nos números (esgotados) 6 ao 12 do Mesinha de Cabeceira, antecedentes ao É sempre demais... (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), apresentam o grosso da exploração da autobiografia no seu trabalho. Género esse pouco habitual em Portugal, mesmo depois do "boom" e da implosão da bd portuguesa, ao qual o autor acabou por subverter e abandonar gradualmente.

E como na vida, há de tudo nestas bd's: sexo juvenil, amores de recorte Primavera/ Verão, uso de drogas leves, vida suburbana em Cascais, relações sociais (envolvendo desde vários autores de bd a músicos como os Primitive Reason), deambulações urbano-filosóficas de quem andava à toa, rapinanços de conteúdos alheios (Mão Morta, Julie Doucet, Einstürzende Neubauten, Madman) e participações alheias de amigos - como acontece na bd Die Fliege II com textos de Miguel Caldas....
volume 3 da Colecção Mercantologia ... 72p. p/b 21x22,5 cm, capa a cores, edição brochada ... com prefácio de Daniel Lopes e apoio técnico de Pepedelrey... apoio: Instituto Português de Juventude
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algumas páginas aqui.
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à venda no site da CCC e talvez encontrem ainda exemplares na BdMania, Fábrica Features, Matéria Prima, Mundo Fantasma e Neurotitan.
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historial: Comemoração 9 dos 10 anos da Chili Com Carne ... Lançado na 10ª Feira Laica ... Nomeado como Melhor Argumento Nacional pelos Troféus Central Comics ... Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ...

feedback: 

Os meus sinceros parabéns por teres sempre conseguido pôr a alma a nu, sem concessões nem comiseração! Ondina, The Great Lesbian Show 
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É excelente sem favor! Belo trabalho! João Chambel, co-autor de Heróis da Literatura Portuguesa ... 
os registos variam, da autobiografia à crítica ou ensaio sarcástico, a fantasias sexuais. Também em termos formais ultrapassa o desenho para explorar a colagem, faz citações a partir do uso de fotografias, bocados de outras b.d.’s (caso do período gigante da Julie Doucet ou capa do Kill Your Boyfriend), letras de música, cartões da J.S., que cruza com apontamentos do seu diário gráfico. Afonso Cortez-Pinto in Umbigo [ler aqui artigo completo] 
...
é o delírio, mesmo! excelente a tua ideia de compilares tudo e editares. dei comigo a rir sozinho enquanto via o teu livro (e a rever-me em algumas das situações ;) tens ali um documento de grande fôlego (e talvez seja o livro de BD menos pretensioso que alguma vez vi ;) e isso dá-lhe uma força brutal. agora é pensares numa compilação "não tavas lá?!" e coleção de discos UnDj... daqui por mais um 10 anitos!! Nuno Moita, Grain of Sound





+ feedback: 
Acho que agora te fiquei a conhecer perfeitamente! Eh, eh, eh! Tiago Guillul, FlorCaveira 
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é necessário tomar em conta que os acontecimentos retratados nestes pequenos episódios, alguns solitários – a própria criação dos trabalhos, a masturbação, as migalhas, as paranóias dos charros, as fantasias mentais, as reflexões sobre a vida – outros colectivos – saídas à noite, festas, concertos, passeios, férias, conversas – vivem em torno de uma cultura noctívaga, de um certo grau de rebeldia em relação à imposição da “normalidade social”, de uma ansiedade em relação ao futuro e àquilo a que nos parece obrigar, que se revela no próprio modo de trabalhar a banda desenhada: os traços nervosos, a flutuação dos estilos, as complicadas ou grotescas composição de página, as inclusões de material alheio (...), as diatribes contra a “normalização” aventada acima, etc. Pedro Moura in Ler BD 
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Gostei muito, irmão! Bacana! Jakob Klemencic, autor esloveno de férias em Curitiba! 
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O livro está do caralho!! Lembro-me de uma ou outra coisa mas ler tudo de uma só vez é completamente diferente. Li aquilo em duas vezes e a meio já ganhava o hábito de andar a rodar o livro para ler as letrinhas no fundo e referências. Acho que as histórias funcionam bem melhor num todo do que fragmentadas! Gostei particularmente da do ano 2000, o pesadelo da droga (ainda sonho com isso!!) e aquela sobre nosso Portugal está brilhante (mesmo que tenhas gamado o texto!). A do Salão do Porto fez-me lembrar montes de coisas dessa altura, acho que esse foi o melhor festival que fizemos cá! Está tudo muito porreiro, desde a história das calinadas (hehe) até às desventuras amorosas. O problema da BD autobiográfica é o de se descobrirem os podres todos: vodka na cona é naquela... mas cartões do PS?? arrggghh Hei, quando é que sai o próximo?? Rui Ricardo, ilustrador 
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parecem polaroids dessa década. muito fumo de charros, mão morta, fantasias na carreira do 414? sem guita, música em altos berros, existencial. um trabalho interno rico e muito interessante que não começa nem acaba com este livro. in thefootballer-vs-thepugilist.blogspot.com 
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  it's crazy. I liked it. It is something in between Andrea Pazienza and Edika MP5, ilustradora italiana
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  gostei do livro, acho que foi mesmo boa ideia compilar tudo numa mesma edição. Apanhei uma valente gripe (...) e as primeiras gargalhadas, foram provocadas pela leitura de tiradas tuas decorrentes das vicissitudes da tua lúgubre existência. A “tua dor de braço” ser uma possível doença psicossomática resultante da tua timidez, quase que me deslocava os maxilares. Paulo, Division House 
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MAS COM RESPEITO AO TEU LIVRO, ESTA LIDO E DIGERIDO. (...) FIQUEI COM BOA IMPRESSAO DO AUTOR. UMA PESSOA HUMILDE, QUE DEMONSTRA CUIDADOS MUITO HUMANOS NO TRACTO COM OS OUTROS, ESPECIALMENTE COM AS MULHERES; QUE DEMONSTRA INTERESSES ALTRIUSTAS PARA ALEM DO CULTO DA POPCULTURE, UMA GRANDE QUALIDADE EM DEGENERAÇAO NOWADAYS; QUE DEMOSNTRA SABER COMUNICAR-SE COM O MEIO FISICO E SOCIAL INTERCAMBIADO AS SUAS FRAILIDADES E DEBILIDADES (UMA VEZES MELHOR OUTRAS VEZES PIOR É CERTO), O QUE O MANTEM NUM PROCESSO CONSTRUTIVO DE AMADURECIMENTO E CRESCIMENTO EXISTENCIAL MUITO VALIOSO; ESSENCIALMENTE DEMONSTRA GRANDES QUALIDADES PARA DOMINAR UM TIPO DE DESENHO LIVRE QUE EU PARTICULARMENTE APRECIO EM CONJUNTO COM O SEU GREEDY MEAN WAY EM QUE SE AUTO-CRITICA TORNAM O TEMA "EGOCENTRISMO" MUITO INTERESSANTE IN A FUNNY WAY, E ATÉ EDUCATIVO, E A LEITURA VIVA, RICA E ...ESSENCIAL! VERA SUCHANKOVA 
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Gostei muito do teu livro, o periodo em que foram escritas as tuas histórias corresponde à altura em que vivi em Lisboa e identifico-me com muitas das coisas de que falas(música, timidez, charros, copos, filmes....) André Ferreira, Ao Sabor da Leitura / Goran Titol 
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  Back then, the guy was young; he thought important to write down the names of fave bands as many times as possible (the way less creative colleagues do on schoolbags and tables (...) occasional innovative solutions in using and combining words and pictures, that several times reach across the standard comic language in Stripburger #48
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  Bom, o pacote chegou (...) Caí primeiro no seu porque foi uma surpresa, não esperava por isso, não sabia que você estava preparando um livro e é realmente muito bom, ainda estou nele. (...) parabéns pelo livro. Fábio Zimbres 
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  Entretanto o pessoal começou a contar histórias de "coincidências das nossas vidas" que acho hilariantes - ler aqui a primeira e mais recentemente esta.
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Só coisa fina. Weaver Lima

quarta-feira, 13 de março de 2019

manual prático de uso da CCC (6/6) : projectos

Desenhos de André Ruivo in CapitãoCriCa Ilustrada (2005)
Sendo uma associação sem fins lucrativos e perfeitamente legalizada, a Chili Com Carne de dois em dois anos elege uma nova Direcção que põe em marcha os planos que são apresentados na Assembleia Geral - ou seja segundo a vontade dos associados que se apresentam nesta reunião.

Geralmente a Chili Com Carne publica projectos de novos autores mas sobretudo de trabalhos que desafiam a modorra literária e artística. Procuramos a hibridação de estilos e talvez por isso que dá prioridade a livros colectivos como aliás está tão bem registado desde 2001 com o seminal Mutate & Survive, passando pelo extremamente bem-sucedido MASSIVE (2010), pelo "omnívoro" Futuro Primitivo, e ainda em projectos especiais como a digressão europeia Boring Europa ou a antologia Lisboa é very very typical. O que não impede de publicar livros "a solo" de autores que temos muito orgulho como Nunsky, Rafael Dionísio, Marcos Farrajota, André Ruivo, Ondina Pires, Francisco Sousa Lobo, Rui Eduardo Paes, Nuno Rebocho, Mariana Pita, Xavier Almeida, Filipe Felizardo, André Coelho, Tiago Baptista...

Não sendo a Chili Com Carne uma editora profissional ou comercial, como é óbvio não nadamos em dinheiro mas quando fazemos livros é porque queremos e inventamos formas de financiar o projecto! Dependemos das quotas dos associados, subsídios do estado mitra e das vendas, tudo isto permite ir trabalhando com algum desafogo mesmo que implique sacrifícios pessoais para fazer livros quase a custo zero - tirando a gráfica, raramente os autores, designers, tradutores e editores são remunerados nos projectos. Tentamos fazer parcerias com outros editores para amortizar custos de impressão, armazenagem e partilhar know-how tal como já fizemos com a Bicicleta, Faca Monstro, MMMNNNRRRG, The Inspector Cheese Adventures, Thisco, You Are Not Stealing Records e a nível internacional com os festivais Alt Com (Suécia) e Crack (Itália) e o colectivo Stripburger (Eslovénia).

Actualmente a Direcção é oficialmente composta por Amanda Baeza, João Carola, Dois Vês, Marcos Farrajota e Rudolfo, havendo mais seis elementos da Associação que funcionam como consultores nas decisões da Direcção.

Gostamos de ser desafiados no entanto nem vale a pena tentar se não tiver capacidade de autocrítica, perceber em que mundo é que está (dica grátis, espreite a Internet no seu melhor e no seu pior!) e se não conhecer bem o nosso catálogo, não vale a pena tentar meter o seu trabalho à força. Já agora, se encontrarem o nosso nome em directórios de editoras (o que permite pessoas enviarem propostas ridículas sem verem para onde estão a enviar), façam um favor, tentem apagar o nosso nome, não queremos ser massacrados por desesperados!

sábado, 16 de janeiro de 2016

este é que é o verdadeiro INFERNO / metade da edição esgotada!


A Divina Comédia de Dante Alighieri (1265–1321) é daqueles livros que toda a gente já ouviu falar mas terão sido poucos os que realmente o leram.

O Inferno tem nove círculos nos quais as almas dos condenados são punidas de forma burocrática. Entre elas vamos encontrar alguns dos inimigos de Dante – entre muitas coisas, esta obra também é uma sátira política. Dante viu o nascimento do Capitalismo tal como o conhecemos e criticou os novos ricos do seu tempo.

Quando Marcel Ruijters trabalhava neste livro, havia cada vez mais conversas nos media sobre a morte do capitalismo. A edição original holandesa saiu meses antes da queda dos mercados de 2008.

Esta adaptação que é feita num estilo de “gozo medieval” é a forma que Ruijters encontrou de criar interesse pelo texto original.

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edição MMMNNNRRRG
120p. p/b, capa 3 cores, 165x230mm
500 exemplares impressos em Dezembro 2012 
ISBN: 978-989-97304-5-8
tradução: Ondina Pires --- arranjo gráfico: Joana Pires

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PVP: 15 Euros 

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Feedback:
Inferno é o melhor trabalho de Marcel Ruijters, um dos livros mais hilariantes nos tempos recentes. A versão de Ruijters do La Divina Commedia de Dante é uma pastiche grotesca com belos desenhos (…) cheia de trocadilhos visuais à Tex Avery, que deixa os leitores em risinhos. Relatório do Júri VPRO para melhor BD holandesa de 2008
Inferno é cheio de horror e humor. As surpresas e piadas aparecem sobretudo nos detalhes dos seus robustos desenhos. De Groene Amsterdammer [jornal holandês]
Quando se compara com a arte, obrigatóriamente romântica, de Doré, os desenhos de Ruijters são fixes e excitantes. Ele alterou uma obra clássica com aprazível malícia. Elsevier Weekblad [jornal holandês]
Já tenho um exemplar; e está uma maravilha!!! :D Mr. Esgar [e-mail 19/12/12]
André Coelho também curtiu mas disse palavras profanas que nos impede a reprodução [19/12/12]
diálogo intenso com Dante (...) não se poupam as críticas ao poder temporal, à mesquinhez quotidiana e aos expedientes comuns de corrupção, na ascensão social e no enriquecimento fácil. (...) uma releitura pertinente à luz do presente. Sara Figueiredo Costa / Atual / Expresso  [4 estrelas em 5]
Ruijters alcança aqui um acto alquímico Pedro Moura / Ler BD
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Historial:
- Melhor BD Holandesa 2008 
- edição portuguesa lançada na última Feira Laica (Lisboa) e na Mundo Fantasma (Porto) com exposição de originais e serigrafia impressa pelo atelier Mike Goes West em Dezembro 2012
- edição francesa pela The Hoochie Coochie em 2013
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algumas páginas aqui:




foto: Paul Gravett, em Ravenna (2007)
Marcel Ruijters nasceu em 1966, cresceu no sul da Holanda e frequentou durante alguns anos uma escola de arte nos anos 80. Desde os 7 anos que fazia BD. Com ao advento das fotocopiadoras que tornavam a auto-edição possível para toda uma geração e Marcel viveu esses tempos fazendo títulos como Onbegrijpelijke Verhalen, Mandragoora, Dr. Molotow, Fun&Games, Thank God it’s Ugly e vários monográficos raros, sendo que algumas destas publicações eram antologias com colaborações de vários artistas que Marcel descobriu em vários países como Matthias Giesen, Daniel W. Core, Chris Crielaard, Jakob Klemencic, Prof. Bad Trip, Karen Platt, Mike Diana, Berend Vonk, Kapreles, Matthias Lehmann, Olle Berg – tudo isto nos tempos antes da Internet, claro!

Actualmente é editor da revista Zone 5300 (de Roterdão, onde o autor reside), escreve crítica a BD no jornal Dagblad De Limburger, faz ilustrações, traduções e tudo o mais que é preciso fazer neste mundo da edição. O seu livro mais conhecido será Trogloditas, que teve edição holandesa (pela Oog & Blik), norte-americana (Top Shelf Comix) e portuguesa (Polvo).

Com Sine Qua Non mudou de estilo gráfico e começou a explorar o imaginário medieval, tendo o livro sido editado pela prestigiada Les Editions de l’An 2. A continuação deste novo estilo é Inferno, livro ganhou o melhor álbum de BD na Holanda em 2008 e que chega a Portugal pela MMMNNNRRRG.

Apesar de já ter participado em várias exposições colectivas em Portugal – como a celebre Honey Talks na Bedeteca de Lisboa, organizada pelo colectivo esloveno Stripburger – Ruijters terá a sua primeira exposição a solo na galeria da Mundo Fantasma em Dezembro 2012, sendo feito para a ocasião uma serigrafia pelo Atelier Mike Goes West.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

20ccc15mnrg


cartaz de Joana Pires sobre desenho de André Lemos

Amamos Espanha!
É um país que sempre soube tratar a Chili Com Carne e a MMMNNNRRRG como deve ser! Tanto que vamos comemorar lá os 20 anos de existência da Chili e (mais uma vez) os 15 anos da MNRG!!!

              desde
  20ccc   1995
  15mnrg 2000

é uma exposição de material gráfico das duas "editoras" que curiosamente comemoram aniversários "redondos" e simbólicos em 2015, na Biblioteca Pública Casa de las Conchas em Salamanca, Espanha, de 11 de Setembro a 12 de Outubro, integrado no Encuentro de Editores Inclasificables as editoras estarão presentes nos dias 18, 19 e 20 de Setembro nas pessoas de Marcos Farrajota, Joana Pires e Tiago Baptista.




A Chili Com Carne é uma organização de jovens artistas sem fins lucrativos cujo funcionamento assenta na cooperação livre e espontânea dos seus associados. Desde a sua fundação em 1995 que temos promovido e desenvolvido as mais diversas realizações no campo das artes, que se têm concretizado, entre outros aspectos, na organização de diversas exposições e publicações. Temos entendido como sendo prioritária uma linha de actuação que privilegie a independência do autor, entendida como liberdade e autonomia de critérios do produtor de objectos artísticos, acentuando a diversidade de formas e conteúdos que caracterizam a expressão artística e cultural contemporânea. Desde 2000 que trabalhamos sobretudo na área da edição de literatura, BD, ilustração, ensaios e música.



A MMMNNNRRRG é um projecto editorial dedicado a “art brut comix” criado em 2000 por Marcos Farrajota e dirigido com Joana Pires desde 2010. “Art Brut comix” significa para nós, autores de BD marginais, visionários, artistas que não se conseguem meter em caixinhas com rótulos. É por isso que publicamos autores de todo o planeta como Janus, Mike Diana, Pepedelrey, André Lemos, Christopher Webster, Max Tilmann, Igor Hofbauer, João Maio Pinto, Tommi Musturi, Neuro, Aaron $hunga, Grupo Empíreo, Alexander Brener & Barbara Schurz, Marriette Tosel, Olivier Schrauwen e Anton Kannemeyer. A MNRG já trabalhou com várias instituições como a escola Ar.Co ou o MUSAC (Espanha); recebeu um prémio em 2010 do concurso TITAN com Já não há maçãs no Paraíso de Max Tilmann; em 2011 os cinco autores portugueses que publicou estavam representados na exposição Tinta nos Nervos no Museu-Colecção Berardo; Caminhando Com Samuel de Tommi Musturi foi seleccionado no livro 1001 Comics You Must Read Before You Die, a critical history of comic books, manga and graphic novels por Paul Gravett; e em 2014 W.C. de Marriette Tosel foi escolhido para um concurso promovido pela Society of Illustrators. Desde 2010 que por volta da meia-noite que esta besta visual transforma-se num “unDJ”, o que significa um DJ sem qualidades e profissionalismo que apresenta as misturas mais improváveis, cuja maior glória foi ter “tocado” no festival Jazz in Agosto de 2012 sabe-se lá porquê…

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20 CCC
     15 MNRG 


Es una exposición de material gráfico de dos “editoriales” que conmemoran aniversarios “redondos” y simbólicos en 2015.

 La Asociación Chili Com Carne (CCC) es una organización de jóvenes artistas sin fines lucrativos cuyo funcionamiento se asienta en la cooperación libre y espontánea de sus socios. Desde su fundación en 1995 ha promovido exposiciones y publicaciones entre otras actividades culturales entendiendo como prioritaria la independencia del autor, así como la libertad y autonomía de criterios del productor de contenidos artísticos para favorecer la diversidad y riqueza de la escena artística contemporánea. Desde el año 2000 estamos trabajando en el ámbito de la edición manteniendo los siguientes principios: 

1. Editar el trabajo de los asociados de forma colectiva o monográfica a través de libros y zines, ya sean literatura, cómics, ilustraciones y ensayos en las siguientes coleciones: a) Colección CCC, dedicada a la fragmentación: poesía, (anti) novela (Rafael Dionísio, Nuno Rebocho), dibujo (João Cabaço, André Ruivo), novela gráfica (Francisco Sousa Lobo, André Coelho, Nunksy), etc… b) LowCCCost, colección de libros dedicados a los viajes en sus formas más variadas: una gira punk-con-libros de CCC por Europa, los 6 meses de David Campos en una ONG en Guinea-Bissau, las experiencias de la emigración contemporánea de los portugueses o la gentrificación en Mouraria (Lisboa) – de la mano de José Smith Vargas... c) Mesinha de Cabeceira, revista de cómics creada en 1992 con 26 números publicados que cambian continuamente de formato y concepto, en la que se han publicado trabajos de la mayor parte de los autores portugueses contemporáneos así como vários internacionales como Mike Diana (EUA), Dice Industries (ale), Claudio Parentela (it), Tommi Musturi (fin), Aleksandar Opacic (ser), Fábio Zimbres (br),... d) Mercantología, colección de reediciones de material del mundo perdido de los zines con trabajos de Marcos Farrajota, Lucas Almeida, Afonso Ferreira, João Fazenda, Jorge Coelho... 
e) THISCOvery CCChannel, colección “Ocultural” de ensayos, entrevistas e ficción con colaboraciones de Hakim Bey, Critical Art Ensemble, Aesthetic Meat Front, Boyd Rice, Rui Eduardo Paes...

2. Apoyar otros proyectos editoriales de los asociados en la promoción y distribución: El Pep (cómics série B / proyecto de Pepedelrey), Imprensa Canalha (graphzines y libros ilustrados dirigido por José Feitor), MMMNNNRRG (Art Brut comix dirigido por Marcos Farrajota), Opuntia Books (libros de autor dirigido por André Lemos), Plana Press (ilustración),… 

3. Promover la ética y modo DIY (hazlo tu mismo) a través del blog chilicomcarne.blogspot.com, así como co-organizando eventos como Feira Laica (2004-12), Samizdata Club (2005-07), Pequeno é bom (2010), F.E.I.A. (2010-…) y co-editando en colaboración con Thisco, El Pep, Festival Crack (Roma), The Inspector Cheese Adventures (André Ruivo), You Are Not Stealing Records (netlabel), Faca Monstro (música electrónica), SWR (Barroselas Metal Fest), Festival de Treviso (Itália), Kus (Estónia), Stripburger (Eslovénia), Wormgod (Suécia), Clube do Inferno (colectivo de artistas)… 

4. Organizar un concurso de cómics para autores portugueses, "Pilla 500 pavos y haz con cómic!" con dos vencedores hasta el momento: Francisco Sousa Lobo y José Smith Vargas, que aparecerán en breve. 

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MMMNNNRRRG

 Proyecto editorial dedicado a los “art brut comix” creado en el año 2000 por Marcos Farrajota y dirigido junto con Joana Pires desde 2010. Para nosotros “Art Brut comix” son los trabajos de autores de comic marginales, visionários, artistas que no consiguen permanecer dentro de viñetas con rótulos. Este es el motivo por el que publicamos autores de todo o planeta: Portugal, EEUU, Inglaterra, Croácia, Finlandia, Sérvia, Rumanía, Rusia, África del Sur o Bélgica… con nombres como Janus, Mike Diana, Pepedelrey, André Lemos, Christopher Webster, Max Tilmann, Igor Hofbauer, João Maio Pinto, Tommi Musturi, Neuro, Aaron $hunga, Grupo Empíreo, Alexander Brener & Barbara Schurz, Marriette Tosel, Olivier Schrauwen e Anton Kannemeyer

El proyecto MMMMNNNRRRG trabajó con varias instituciones como la escuela Ar.Co o MUSAC (León, España); ha recibido el premio en 2010 del concurso TITAN con la obra “Já não há maçãs no Paraíso” de Max Tilmann (Tiago Manuel); en 2011 los cinco autores portugueses que publicaron en MNRG estaban representados en la exposición Tinta nos Nervos en el Museu-Colecção Berardo: Janus, André Lemos, Pepedelrey, João Maio Pinto e Tiago Manuel; “Caminhando Com Samuel” de Tommi Musturi fue seleccionado en el libro 1001 Comics You Must Read Before You Die, a critical history of comic books, manga and graphic novels de Paul Gravett; en 2014 W.C. de Marriette Tosel (Tiago Manuel) fue seleccionado para un concurso promovido por la Society of Illustrators. 

Desde 2010 esta bestia visual se transforma después de media noche en “unDJ”, lo que implica aparecer como un DJ sin aptitudes ni profesionalidad que programa las mezclas más improbables y cuya mayor gloria es haber “tocado” en el festival Jazz in Agosto de 2012 a saber porqué...

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Pionir

v/a
Fijuk; 2015

Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez - aliás algures neste blogue deve haver até uma quarta -, que tenho avisado da "euforia criativa" que se vive nas  Balcãs depois de tanta História negra no fechar do século passado.
E este jornal/revista/zine (whatever!) é o culminar desse processo de invenção e descoberta. Foram-se os pénis nas BDs sérvias (que já era marca registada) e ficaram os escrotos - fantásticos como os de Bernharda Xilko que assina a capa tal como da última Stripburger - que continuam a sustentar a experimentação mas agora mais estetizada.
E a excitação continua! Basta ver por alto os trabalhos novos de Igor Hofbauer ou de Aleksandar Opacic para perceber que continua-se com algo aqui que não se encontra em mais lado nenhum, talvez só com os Tontos da "vizinha" Áustria.
O jornal publica desenhos, colagens, BDs e artigos sobre o DIY das Balcãs e música. Tudo redigido em inglês, embora tenha havido um "número" anterior que estava escrito em sérvio.
Na 'net é que não se consegue apanhar nem um "jpegito" da capa... ainda falta o "passo 2" para o "profissionalismo" (que autores como Wostok abomina) mas a marcha parece imparável e com um caminho cheia de surpresas incríveis!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Granda Morta!

Foi este fim-de-semana que houve uma Feira Morta e, fuck you! Qual Morta! Viva! Cheia de gente mas sobretudo cheia de edições com uma qualidade incrível e que me deixou ainda intoxicado de tantas propostas. Vamos ver se vou conseguindo durante a semana falar de tudo que adquiri.

A primeira aquisição foi o zine Freedom de Gréc (Guilherme Figueiredo) que pode ter o pior nome para assinar - Gréc? soa a "greg" mas pior faz lembrar os franco-belgas com nomes desse tipo (Duba, Dopa, Greg, Cócó, Xixi, Merde, sei lá...) - mas tem o ritmo do cinema de animação, o humor ligeiro e certeiro para além do desenho gloriosamente decadente. O zine só tem um pequeno problema com o papel que é liso de um lado e rugoso do outro, o que cria um ruído na apreciação deste zine. Muito fixe!

Os quatro elementos do Clube do Inferno vão ser coroados como os reis da produtividade! Ah, não há monarquia... vai ser mesmo os porras do Coelho ou do Cavaco a darem uma medalha de empreendorismo ao André Pereira, Astromanta, Hetamoé e Mao por fazerem estes belos "chapbooks" que produzem de Morta em Morta. Desta vez sairam quatro - quatro! - publicações muito bem cuidadas embora com velocidades diferentes e no final tudo sabem a pouco! 3 Stories de Mao foi feito em dois dias e graficamente é mais interessante que o texto tal como Build More Love de André Pereira [(ops!) ele usa aqui uns pseudónimos mas caramba vê-se que o belo desenho é dele!] que tal como um álbum de Prog Rock temos virtuosismo num estéril exercícío narrativo. Yonkoma Collection Vol.1 de Hetamoé é o melhor do grupo, espécie de poesia haiku-gráfica e sessão de photomaton-narrativo - que lembra as possibilidades de Das Haus de Anke Feuchtenberger. Apanhei uma edição impressa a azul que faz babar com este Manga degenerado. The Day The Masses Left History de Astromanta é o mais estruturado do grupo fazendo ligação a uma BD / publicação anterior embora não se perceba qual... Cheira-me que haja uma vontade de montar um universo mas que falta tempo para juntar as peças todas. Sem dúvidas que são publicações que dão vontade de levar embora sejam poluentes com aquela maldita mania dos sacos de plásticos a protegerem-nas. Sick people!

A Oficina Arara voltou aos eventos smallpress de Lisboa e trouxe o segundo volume de The Abolition of Work de Bruno Borges sem surpresas ao que já foi escrito em relação ao volume anterior. O texto de Bob Black agora comenta sobre a falácia de que sociedades "primitivas" passarem mais necessidades e que precisam de trabalhar mais do que "nós que temos smart-phones" -  nada mais errado e é justamente o contrário, "nós" é que trabalhamos mais e "jogamos" pouco. Impresso em vermelho comuna, esta edição é mais agressiva a nível estético mas o melhor é que também vem embalado com um saco de plástico mas este acto poluente tem uma razão de ser porque inclui um zine A5 impresso a preto sob papel amarelo que reedita o primeiro volume para quem não conseguiu arranjar esse volume na edição original em serigrafia (e como tal limitada, bla-bla-bla...). Não consigo conter a satisfação que tive em (re)ler a BD desta vez neste modesto fascículo porque não perde nada em ser mais pequeno e sem a cor serigrafada - o que mostra como o trabalho gráfico de Borges é brilhante. Isto é tipo Marco Paulo e os seus dois amores, um é pequeno, modesto e articulado e outro é loiro, alto e vaidoso. Give the anarchist another cigarette...

Quanto a música peguei na k7 Trippy Daze / Silvx (Cafetra; 2013) dos Go Suck a Fuck, que tem uma das capas mais parvas de sempre (podia ser dos... ehm... Entre Aspas? Hands on Approach? Deolinda?...) que se opõe ao psicadelismo destes teen-robots em pânico. Cheira a Fricara Pacchu mas sem planos e com os instrumentos cansados e mais velhos que os músicos que os tocam. Para complicar tudo, ainda assim a música é feita de colagens de eventos diferentes num "fucked up" 'tá-se bem. Em compensação os "fucked ups" de EITR no LP Trees have cancer too (Mazagran) são mais pensados por Pedro Lopes (Oto, Whit) e Pedro Sousa. Gira-discos, electrónica e saxofone à exploração do Santo toing toing toing toing toing toing toing... mas falta audácia como nos 'fetrakids.

Por fim, a Morta pela primeira vez recebeu editores estrangeiros nos seus eventos, e foi à bruta, logo três! Aproveito para avisar que a Chili Com Carne recebe mais um molho de exemplares do #62 da Stripburger que inclui uma BD e entrevista a este vosso escriba.
Mas a grande novidade foi a vinda da Centrala, editora de BD polaca agora localizada em Londres e quem promovem concursos de BD bastante interessantes. O seu actual ex-libris no catálogo é Adventures on a Desert Island do polaco Maciej Sieńczyk. Álbum luxuoso e bem produzido mas que infelizmente desiludiu-me bastante. Se num formato "mini" como num volume da colecção mini kuš! - o título é Historyjki - impressionou bastante. Em formato grande tudo caí por aí abaixo, como se diz quanto mais alto maior a queda. Lembra A pior banda do mundo de José Carlos Fernandes, pelo uso do absurdo em pequenos episódios que se prolongam ad nauseam sem sentido ou interesse algum. Mais próximo do surrealismo "light" de Boris Vian do que o anacronismo assumido de Ben Katchor, estas "Aventuras" contam histórias mirabolantes que tem piada a primeira vez mas passadas 120 páginas chateiam tanto como ler de rajada as repetições de Ramón Gómez de la Serna. Graficamente num formato "mini" os desenhos também parecem melhores, em grande topa-se um grafismo estático que incomoda (intenção do autor?) mas que se mostra vazio. Ao contrário de Fernandes, Maciej ao menos não faz "name-dropping" nem piscadelas de olho em todas as vinhetas. Ao menos isso...