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terça-feira, 25 de agosto de 2026

DJ Cat Gosshie World Tour de HARUKICHI na TERCEIRA EDIÇÃO e EDIÇÃO em TAIWAN!!!


As forças cósmicas são fortíssimas, é o nosso segundo livro na colecção Mercantologia com um gato que curte música!! Fazer o quê? Contra estas forças nada podemos fazer, maninhos! Este é um "best of" dos hilariantes seis números do zine do gato DJ, criação e alter-ego (?) do japonês Harukichi.

O gato viaja por tudo o que é lado - Japão, Holanda, Irão, Suíça, Singapura, LISBOA (e ao Boom!!!), Peru - para encontrar discos raros a preços modestos, fumar ganzas, por som e comer queijo do bom e do melhor, enfim... como qualquer pessoa normal fazia quando viajava, certo?

E como toda a gente gosta de gatos, esta é uma co-edição com as Ediciones Valientes e a Kuš! Komikss (que vai na quarta impressão) - em castelhano e inglês respectivamente. 

O sucesso deste gato é tal que reimprimimos pela terceira vez!!!

à venda na nossa loja em linha, Tinta nos Nervos, Utopia, ZDB, Snob, Linha de Sombra, Kingpin, Tigre de Papel, Matéria Prima, Neat Records, Cult, Socorro, Mundo Fantasma e STET.


Gosshie no Peru...


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De resto o Harukichi é fã do Hanawa, se calhar há mais aproximações entre estes dois livros tão díspares do que se pensava inicialmente:


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E a gata Deus (RIP) curtia uma beca do Gosshie!


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exemplos de cultura portuguesa do Gosshie:







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historial


lançado 19 de Fevereiro 2022 na Tinta nos Nervos, acompanhados com a Sendai  e o seu Na Prisão de Kazuichi Hanawa ... reedição do livro em 2023 ... terceira edição em 2025 ... livro aparece no filme Neko de Inês Oliveira ... ediçãona Formosa em 2026



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FEEDBACK 

Se o grafismo da obra é cativante, confesso que me interessei mais pela primeira estória do que pelo world tour que se lhe seguiu. Inclusivamente, a referência ao filme Uma Rapariga Regressa de Noite Sozinha a Casa foi um pouco ao lado, dado a BD ter muitos mais pontos em comum com o filme iraniano Gatos Persas. De qualquer modo, é sempre curioso o olhar estrangeiro sobre os países evocados.

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(...) O desenho afasta-se da Manga tradicional e tem uma certa "naïveté", desopilante e colorida.

Um manga absolutamente genial (...) Gosshie é um gato, que também é DJ. Na sua carrinha mágica visita vários países do mundo, onde vai passar bons sons e fumar muita ganza. Gosshie vai a cada país e descobre as coisas típicas de cada um deles, com as suas coisas boas e com as suas limitações. Ele até vem a Portugal, onde passa Moonspell no Festival Boom! Para além disso Gosshie é um connoisseur, um verdadeiro melómano, e sua variedade de discos não só é excelente como muito representativa. Este manga tem muita cor, em traços finos que dão todo um aspecto acidificado e tripanado a cada uma das histórias. É impossível deixar de querer acompanhar Gosshie nas suas viagens, sobretudo agora que ele tem uma carrinha nova.

 DJ Cat Gosshie World Tour is a friendly looking novel on the surface, but as you journey through its pages, unhinged undertones' arise. The cat smokes weed, meets great new friends, and travels the world to share music. What’s not to like? (...) 

Até as "normies" gostam! Ó!

E o #8 do zine do DJ Cat Gosshie (de onde retirámos as BDs que fizeram este livro) ganhou um concurso de fanzines da Rock'n'Cave / Paredes de Coura 2023

 
(...) The collection of travelogues is drawn in detail, and intensity of lines, combined with vivid colorurs, has a slightlly psychedelic effect (...)










E apareceu na Popeye Magazine graças ao DJ Ronaldo Rómulo!




terça-feira, 18 de agosto de 2026

Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology


Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology
de
Marcos Farrajota

Oitavo volume da Colecção Mercantologia, colecção dedicada à reedição de material perdido do mundo dos zines. 80p. 15 x 21 cm. 666 exemplares. ISBN: 978-989-8363-34-3

à venda na loja em linha Chili Com Carne, Mundo Fantasma, BdMania, ZDB, Matéria Prima, Linha de Sombra, Rastilho, Tigre de Papel, Snob, Tinta nos Nervos, Velhotes, Língua nos Dentes e Neat Records.

Eis a terceira compilação das BD's autobiográficas de Marcos Farrajota depois de Noitadas, Deprês e Bubas (2008) e Talento Local (2010) ambos pela Chili Com Carne nesta mesma colecção. O novo livro Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology reúne material disperso em várias publicações - incluindo o livro do DVD do 15º Steel Warriors Rebellion Metalfest mas também em vários zines e revistas como Cru, Prego (Brasil), Pangrama, Stripburger (Eslovénia) e ainda antologias de países começados por "s" como a Suécia ou a Sérvia!

As Bds que se encontram aqui são cada vez menos os episódios mundanos como noutras BDs de Farrajota para dar primazia a ensaios críticos sobre a cultura portuguesa e subculturas underground... Talvez por isso que só agora é que são compiladas as míticas tiras da série Não 'tavas lá!? que fazem crítica aos concertos assistidos pelo autor publicadas na mítica Underworld : Entulho Informativo e vários outros zines e revistas. Podem encontrar nestas tiras bandas famosas como os Type O Negative ou Peaches, de culto - Puppetmastaz, Repórter Estrábico ou Dälek - como algumas "fim-da-linha" como os Dr. Salazar (quem?), para além de ainda relatar conferências (Jorge Lima Barreto), museus e instalações sonoras (MIM de Bruxelas ou MACBA de Barcelona) mostrando um gosto ecléctico mas sobretudo amor à música.



O livro foi lançado em Outubro na exposição homónima na Mundo Fantasma  no 10 de Outubro de 2015 e lançamento sulista no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, no âmbito da exposição SemConsenso a inaugurada no dia 31 de Outubro 
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Ah! O Rudolfo participa no livro... com aquela BD sobre drogas que saiu no Prego e com o design da capa/contra-capa!



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sobre o autor: Marcos Farrajota (Lisboa; 1973) trabalha na Bedeteca de Lisboa tendo sido responsável por várias publicações e eventos como o Salão Lisboa 2003 e 2005. Faz BD e fanzines desde 1992 quando criou com o Pedro Brito o zine mutante Mesinha de Cabeceira que ainda hoje edita (26 números). Criou a editora MMMNNNRRRG "só para gente bruta" em 2000 mas antes fundou a Associação Chili Com Carne em 1995.

Participou em vários fanzines, jornais, revistas e livros com BDs ou artigos sobre cultura DIY e BD: Publish or Perish, Amo-te, Osso da Pilinha, Stereoscomics (França), Milk & Wodka (Suiça), Prego (Brasil), Cru, White Bufallo Gazette (EUA), Shock, Blitz, Free! Magazine (Finlândia), Bíblia, V-Ludo, Umbigo, Pangrama, Stripburger (Eslovénia), Pindura (Brasil), My Precious Things, Banda, Page, Biblioteca, La Guia del Comic (Espanha), Quadrado, Underworld / Entulho Informativo, Zundap, Inguine Mah!gazine (Itália), Splaft!, Kuti (Finlândia), š! (Letônia), Hoje, a BD - 1996/1999 (Bedeteca de Lisboa), Crack On (Forte Pressa), Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa (Museu Berardo), Boring Europa (Chili Com Carne), Futuro Primitivo (Chili Com Carne), No Borders (Alt Com), Sculpture? (Cultural Center of Pancevo), Komikazen - Cartografia dell'Europa a fumetti (Edizioni Del Vento), Metakatz (5éme Couche) e Quadradnhos : Sguardi sul Fumetto Portoghese (Festival de Treviso).

Criou e escreveu a série Loverboy (4 volumes) com desenhos de João Fazenda, tal como já escreveu BDs para Pepedelrey, Jorge Coelho e Fábio Zimbres. Tem feito capas, cartazes e BD's para bandas punks e afins: Acromaníacos, Agricultor Debaixo do Tractor, Black Taiga, Censurados, Crise Total, Çuta Kebab & Party, Gnu, Gratos Leprosos, Ideas For Muscles, Jello Biafra, Lacraus, Lobster, Melanie is Demented, Peste&Sida, Rudolfo, Sci-Fi Industries, shhh..., Sunflare, Vómito e Whit. Organizou ou fez parte de organização de vários eventos como BD & Cafeína - performance de 24h (1997), Feira Laica (2004-2012), Pequeno é Bom (2010),... Bem como de acções de formação (Ar.Co, IPLB,...), colóquios, um programa de rádio - o Invisual (Rádio Zero, 2008-09) - e sessões de unDJing tendo já "tocado" (pffffff) nos Maus Hábitos, Festival Rescaldo, Jazz em Agosto, Bartô, Sabotage Club e Damas.

Já participou em algumas exposições de BD sobretudo colectivas - sendo de salientar a Zalão de Danda Besenhada, o último salão dos independentes na Galeria ZDB (2000), LX Comics 2001 na Bedeteca de Lisboa (2000/01); Mistério da Cultura na Work&Shop (2008) e Tinta nos Nervos na Colecção-Museu Berardo (2011); bem como em vários festivais: BoDe, Xornadas de Ourense, Salão do Porto, Salão Lisboa, Komikazen, MAGA e BD Amadora.

Exposições individuais só houve uma, Auto de Fé(rrajota) na Biblioteca da Universidade de Aveiro (1998), e é por isso que o autor aceitou com muito gosto e lágrima no olho ao desafio de mostrar originais seus (horríveis e em visível degradação perversamente antecipada) na galeria da loja Mundo Fantasma - um grande chi-coração ao Zé e ao Júlio!

Estava previsto um "stand up comedy" para a inauguração mas o autor não foi rápido o suficiente para preparar a peça! Shame on tha nigga!

Bibliografia: É sempre tarde demais (Lx Comics #2, Bedeteca de Lisboa; 1998), Loverboy (c/ desenhos de João Fazenda, 4 volumes, Polvo, Chili Com Carne; 1998-2001, 2012), NM2.3: Policial Chindogu (c/ desenhos de Pepedelrey, Lx Comics #9, Bedeteca de Lisboa; 2001), Noitadas, Deprês & Bubas (Mercantologia 3, Chili Com Carne; 2008), Raridades, vol.1 (c/ arg. Afonso Cortez Pinto, Zerowork Records; 2009); Talento Local (Mercantologia 4, Chili Com Carne; 2010), 15º SWR DVD (SWR inc.; 2013).


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FEEDBACK: 
Toast!!!And the Jamaican use of the word refers to "extemporary narrative poem or rap" like in reggae music, but toast also means a call to drink's at somebody's health or good news. In our case, the release of the Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology book !!! 
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 UAUH..... respect.... 666 exemplares? o must :-) 
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FINALMENTE!!! O livro do ano!!! 
Gamão (Traumático Desmame, Putman was the bastard) 
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já li o free dub modafoca seguido de bué géneros musicais hauntology (...) o Rudolfo fez pra lá umas tripalhices bem giras. as que curto mais são "punk e hardcore", o especial swr, o cristão colorido e o como enviar livros pelo correio. já tinha lido quase tudo mas tudo compilado é outra coisa! devias fazer mais cenas sobre o Zaire,os desenhos de infância foi alta jogada. 
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Gostei muito da péssima critica aos Boris no teu livro. Fez-me sentir menos sozinho no meu desdém por essa bandazeca tão estranhamente hype e sem consequência que felizmente desapareceu do mapa. 
Pastor Gaiteiro 
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ah, já chegou o livro, altamente!! lá foi de uma acentada. morro a rir com o teu humor-caricatura-psico. para não falar nos desenhos, sempre descomprometidos e podres. do caralho como se diz aqui pelo norte. 
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Curti o teu livro, especialmente a parte do festival de Barroselas. Devias fazer aquilo todos os anos, deve ter cenas hilariantes, mas realmente deve ser duro, haha! 
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no seu conhecido estilo de borrifamento universal, e as suas figuras rapidamente rabiscadas em esferográficas ou canetas o mais à mão possível, e sobre restos de papel, senão mesmo páginas descartáveis de Bíblias impressas (o autor respiga vinheta de histórias umas para as outras, ou constrói uma prancha final a partir de vinhetas rasgadas noutro local), Farrajota transforma sempre qualquer oportunidade para, ao aparentemente querer dar conta de um evento de modo objectivo, ou partilhar uma opinião de maneira descontraída, acaba por revelar traços dessa tal identidade que faríamos bem em questionar. Daí que o uso do vocábulo filosoficamente prenhe de “hautologia”, de Derrida, não seja um rodriguinho, mas um caso sério. A visão particular sobre o dito mercado independente de edição de livros ou música, o estado da arte e as suas misturas com os negócios camarários, a forma como interesses comerciais rapidamente co-optam, como se costuma dizer, movimentos culturais que poderiam ter sido alternativos, são alguns desses elementos. Mas acima de tudo está uma certa bonomia e complacência da “cultura média burguesa” para com a nossa própria história, o que nos leva poucas ou nenhumas vezes a pormos em causa aquilo que achamos que faz de Portugal “um grande país”, ou dos portugueses “um povo nobre”, e coisas quejandas. Algumas das sendas das histórias enveredam pela autobiografia, mesmo rebuscando o passado, dando continuidade a uma das linhas que o autor mais cultivou, em larga medida, quase isoladamente no nosso país. Há ainda uma divertida participação de Rudolfo, que ilustra um aviso sobre os perigos da droga aos mais jovens. Muito pedagógico. Seguramente que seria um ganho para o PNL. 
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  Não conheço ninguém que tenha como maior ambição piorar em vez de melhorar, só esta ave rara. Coisas bonitas são para betinhos, acha. Presumo que seja um trauma, pois o rapaz cresceu em Cascais. O certo é que deixou já uma marca. Basta ver uns quadradinhos com aqueles garatujos para saber que estamos perante uma obra de Marcos Farrajota, figura incontornável da BD nacional underground (não o irão ver no Canal 180!) e, deixem-me acrescentar, um dos autores da dita com mais sentido narrativo. O gajo sabe contar uma história. Neste livrinho conta algumas, tendo-o a ele próprio como protagonista, e não se preocupa em sair bem das ditas. Ou melhor, como qualquer punko-descendente que se preze, e como autor de banda desenhada que quer mexer com as consciências dos leitores, ele sabe que o pessoal prefere seguir as ridículas atribulações de um Robert Crumb do que os relatos de um tipo certinho e dado a intelectualices como Will Eisner. O curioso é que, quando entra neste registo, a nossa personagem torna-se umas vezes num jornalista e outras num crítico musical. Daqueles que fazem juízos de valor peremptórios e não medem as palavras, tipo Lester Bangs. O giro é que, se o virulento Bangs contribuiu para a fama dos Black Sabbath e dos Jethro Tull cascando neles, os grupos que Farrajota arrasa também acham graça. As suas bedês críticas e jornalísticas são mais acutilantes do que os textos sobre música que escreve para o blogue Mesinha de Cabeceira e a blogzine da Chili Com Carne. Nelas está na sua água, boiando à grande, e nestes é como se vestisse pele alheia. Nas primeiras é simplesmente um mamado de cerveja na mão, um aficionado que só não segue os princípios científicos da dúvida metódica ou o cepticismo filosófico do taoismo porque até estas fabricações mentais interferem comas reacções epidérmicas, as únicas em que devemos confiar. Nas prosas, pelo contrário, e quando o desagrado estala, adopta inadvertidamente o tom de deploração condescendente que têm os académicos quando observam a vida real. Algo, de resto, que me leva a mim, escrevinhador profissional, a constantes autovergastadas…
Rui Eduardo Paes in Bitaítes
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Obra seleccionada pela Bedeteca Ideal
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Já li o Hauntology e tenho que te dar os parabéns. As resenhas de concertos do início já conhecia várias e são bem divertidas - porra, nunca dizes bem de nada! Mas quando chegas ao Barroselas a coisa muda de nível - análise acutilante e sem piedade. Acho que tens toda a razão e pões o dedo na ferida. Até me ajudou a perceber o que me desagradava tanto no metal de hoje, e agora tenha a desculpa perfeita para nunca mais ir a nenhum festival. Imagino que quem te encomendou isso tenha ficado furioso!
Pedro B. (Damage Fan Club, Baby Boom, Stuka)
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Coisa linda de Jesus! Já li os seus. Excelente cobertura METAAAAAAAAAAAALLLLLL! Faltou falar das bandas. Se os metaleiros te pegam...
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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Hoje não (2ª edição) na Livraria Subtil



Eis que saiu a segunda edição de 

Hoje não 
de 
Ana Margarida Matos 

- as "sete diferenças":  menos páginas e nova capa com uma bela fotografia tirada por Diana Laneiro -


é o 22º volume da Colecção CCC com o ISBN: 978-989-8363-47-3,  de 500 exemplares, com 112p 16,5x23cm p/b, edição brochada e colada no verso.



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Correndo por fora do habitual corredor da comiseração autobiográfica - tão frequente na chamada BD alternativa - as bandas desenhadas da Ana Margarida Matos surpreendem-me pela densidade e liberdade conceptual.

Há em Hoje não um rigor gráfico virtuosamente obsessivo e um uso exaustivo das palavras, que me captura dentro de páginas-labirinto. Como se a autora me obrigasse a permanecer neste espaço claustrofóbico tanto tempo quanto aquele que investiu para desenhar aquela página. Mas a fluidez e originalidade das suas soluções narrativas deixam-me desarmado, vulnerável ao correr do tempo, cúmplice dos seus dias. Percorro as páginas como num jogo de xadrez, tentando antecipar jogadas e surpreendendo-me com os desenlaces. Xeque-mate. 

António Jorge Gonçalves

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Ana Margarida Matos (1999) cresceu no Montijo mas entretanto como não gosta muito de touradas fugiu para Almada. Estudou Design Gráfico na Escola Artística António Arroio e licenciou-se em Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. 

Em 2019 lançou o seu primeiro zine Passe Social através do selo editorial Erva Daninha e participou na antologia Querosene publicada pela Chili Com Carne bem como em várias antologias internacionais, a saber: Kus! (Letónia), Stripburger (Eslovénia) e Soñario (Espanha).

No ano de 2021 ganhou o concurso Toma Lá 500 Paus e Faz Uma BD promovido pela Chili Com Carne com o projeto Hoje Não que entretanto teve direito a uma versão norte-americana, pela Fieldmouse Press, e uma segunda edição portuguesa.



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Com um novo confinamento a chegar, este livro é um registo diário entre 16 de Janeiro e 26 de Junho de 2021, com a premissa da autora não voltar a perder a noção do tempo, documentando tudo e qualquer coisa que aconteça no dia e resumindo o mais importante em apenas cinco linhas. 

Cada página corresponde a um dia onde se capturam os limites da identidade pessoal num momento tão atípico na história da nossa existência, através das rotinas diárias, das crises existenciais e do que se vê na sociedade.

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disponível na nossa loja em linha e também na BdMania, Kingpin, Linha de Sombra, Snob, Tigre de Papel, Livraria das Insurgentes, Socorro, STET, Subtil, Tinta nos Nervos, Greta, Velhotes e Vida Portuguesa. E na Eventual (Valência) e TFM (Frankfurt).

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Historial: 

obra vencedora do concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! 2020 ... a única exposição relevante na BD Amadora 2021 ... entrevista na TSF ... lançamento oficial no dia 27 de Novembro 2020 na Tinta nos Nervos com participação do psicólogo Vasco Oliveira ... apresentação no Museu Bordalo Pinheiro, 12 Dezembro, 15h, com Marcos Farrajota ... entrevista no Todas as palavras ... edição norte-americana pela Fieldmouse Press em 2023 ... segunda edição com nova capa em 2024 ... artigo no Público / Ípsilon ... participação no programa Pessoas que Desenham Liberdade (RTP 2)

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Feedback

Hoje Não é um diário da autora criado durante seis meses de 2021, durante um dos confinamentos desencadeados pela pandemia da Covid 19 em Portugal. Exercício de construção de uma rotina de atenção do quotidiano, e modo de organização do trabalho, da saúde e da comunicação humana, este livro reformula as estratégias da banda desenhada ao mesmo tempo que relança questões de identidade, sobre a criação artística e sobre a responsabilidade de sermos cidadãos numa sociedade. Verdadeiro processo em fabricação à medida que se faz, explorando variações internas, ritornellos gráficos, desdobramentos e atenções atomizadas, Matos criou um dos mais interpelantes objectos da banda desenhada portuguesa dos últimos  tempos. 
Pedro Moura in newsletter da Tinta nos Nervos



(...) está bem esgaaaaalhaduuu!


(...) A pandemia, o sentimento de estar preso num mesmo lugar, num mesmo dia, imposto pela perda de elementos referenciais distintivos, ansiedade em relação ao futuro académico e profissional (a voz que nos fala é a de uma estudante a terminar a licenciatura em Belas Artes), indagações/apontamentos sobre a natureza da arte, a procura e formação de uma entidade artística, o registo de uma dieta que a minha sensibilidade vegetariana não pode deixar de reprovar, estes são os temas encenados para nós no espaço confinado de cada página. (...)


Um dos melhores livros de 2021 segundo o Expresso



41 livros favoritos 2021 d'Observador


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(...) a exposição mais conseguida do Festival Amadora BD (...) e merece loas enquanto revelação de 2021. 
Jornal de Letras

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(...) escapa a todos lugares-comuns do "diário da quarentena" (...)
Sara Figueiredo Costa in Expresso
5 estrelas

(...) Os ensaios de auto-retrato ou o hiperpreenchimento da página, dando a ideia da restrição rotineira da vida num pequeno espaço, são outros bons momentos desta narrativa por imagens e texto. É aqui, porém, que as coisas se complicam: impregnadíssimo pelo ar do tempo – seria estranho se assim não fosse –, e pela ausência de referências; apenas má televisão, de que é crítica, mas não chega. Melhor quando se projecta no que está fora: o rapaz imigrante do metro, o vizinho que passeia o cão. Há, no entanto, personalidade e substância – o resto virá com o tempo.

As its pages get us further along, we are forced to question, who is it who lives in our homes? what makes our days mean something? Who gets to question what it means to be? A beautiful, splippery work which defies easy description and leaves yoy turning it over in your head long after it's finished. 
Bhanu Pratap sobre a edição norte-americana





Eis uma reedição que se impunha, ou não estivéssemos perante um dos trabalhos mais disruptivos da banda desenhada portuguesa dos últimos anos. (...) Afirmando-se como um diário, facilmente se lê este livro como um ensaio sobre a inevitável existência simultânea dessas duas categorias, fundidas numa só, essa ideia de espaço-tempo como um continuum a que os físicos dedicam o pensamento e que aqui se declina nas suas muitas variações quotidianas, confirmando que em cada existência há tantas curvas quânticas e buracos negros como no Universo que não sabemos como apreender.

domingo, 4 de janeiro de 2026

manual prático de uso da CCC (6/6) : projectos

Desenhos de André Ruivo in CapitãoCriCa Ilustrada (2005)
Sendo uma associação sem fins lucrativos e perfeitamente legalizada, a Chili Com Carne de dois em dois anos elege uma nova Direcção que põe em marcha os planos que são apresentados na Assembleia Geral - ou seja segundo a vontade dos associados que se apresentam nesta reunião.

Geralmente a Chili Com Carne publica projectos de novos autores mas sobretudo de trabalhos que desafiam a modorra literária e artística. Procuramos a hibridação de estilos e talvez por isso que dá prioridade a livros colectivos como aliás está tão bem registado desde 2001 com o seminal Mutate & Survive, passando pelo extremamente bem-sucedido MASSIVE (2010), pelo "omnívoro" Futuro Primitivo, e ainda em projectos especiais como a digressão europeia Boring Europa ou a antologia All watched over by machines of loving grace. O que não impede de publicar livros "a solo" de autores que temos muito orgulho como Nunsky, Rafael Dionísio, Marcos Farrajota, Francisco Sousa Lobo, Rui Eduardo Paes, Mariana Pita, Gonçalo Duarte, Amanda Baeza, André Coelho, Tiago Baptista, Rudolfo, Tiago da Bernarda, Rodolfo Mariano, Ana Margarida Matos, Rui Moura, Hetamoé ou Ivo Puiupo.

Não sendo a Chili Com Carne uma editora profissional ou comercial, como é óbvio não nadamos em dinheiro mas quando fazemos livros é porque queremos e inventamos formas de financiar o projecto! Dependemos das quotas dos associados, subsídios do estado mitra e das vendas, tudo isto permite ir trabalhando com algum desafogo mesmo que implique sacrifícios pessoais para fazer livros - tirando a gráfica, raramente os autores, designers, tradutores e editores são remunerados nos projectos. 

Tentamos fazer parcerias com outros editores para amortizar custos de impressão, armazenagem e partilhar know-how tal como já fizemos com A Batalha, Bicicleta, Clube do Inferno, Faca Monstro, Lovers & Lollypops, MMMNNNRRRG, Mundo Fantasma, O Panda Gordo, Rotten // Fresh, Ruru Comix, Shhhpuma, The Inspector Cheese Adventures, Thisco, You Are Not Stealing Records e a nível internacional com os festivais Alt Com (Suécia) e Crack (Itália), a antologia Kus! (Letónia) e o colectivo Stripburger (Eslovénia).

Actualmente a Direcção é oficialmente composta por Alexandra Saldanha, Inês Louro, Marcos Farrajota, Matilde Basto e Tomás Ribeiro, havendo mais seis elementos da Associação que funcionam como consultores nas decisões da Direcção.

Gostamos de ser desafiados no entanto nem vale a pena tentar se não tiverem capacidade de autocrítica, perceber em que mundo é que estão (dica da semana, leiam o jornal A Batalha!) e se não conhecerem bem o nosso catálogo, não vale a pena tentar meter o seu trabalho à força. Já agora, se encontrarem o nosso nome em directórios de editoras (o que permite pessoas enviarem propostas ridículas sem verem para onde estão a enviar), façam um favor, tentem apagar o nosso nome, não queremos ser massacrados por desesperados!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Co.Mix (relatório 2025 das independências)


Foi bonito de se ver. O governo PSD fez merda com as Bolsas de Criação Literária, nomeadamente com as de BD e Ilustração para a Infância. Ao contrário do que aconteceu quando em o PSD deu cabo delas em 2003, desta vez houve uma reação da parte dos vários agentes da cena. Foi escrita uma carta aberta à Ministra da Cultura com centenas de assinaturas de autores, artistas, editores, formadores, curadores, jornalistas e quejandos, o que nitidamente fez o Governo mudar de atitude, voltando
atrás, remexendo tudo para ficar mais ou menos igual, desorientando as instituições subalternas (DGLAB) e ainda poupou uns cobres - uma vez que as bolsas em 2025 não foram atribuídas devido às referidas trapalhadas. Esta gente da política sabe que a Cultura é importante para o "show off" do capital simbólico, não haja ilusões sobre isso, talvez em 2003 não sabiam disso embora tenha visto uma vez o "Cherne" numa premiere do Manoel de Oliveira no CCB, sabe-se lá porquê... 

Curioso foi quem não assinou a tal carta: Catarina Valente - directora do maior certame de BD no país sendo que maior não quer dizer melhor - e Luís Louro que comemorou 40 anos de carreira, tendo sido este ano galardoado com várias medalhinhas do aparelho - é um autor perfeito para o sistema, especialmente de Direita, que quer espectáculo e inconsciência política. Realço um facto para não diabolizar os direitinhas em exclusivo, afinal a "gerigonça de Esquerda" não mexeu uma palha para que Fernando Relvas não morresse na miséria... 

É claro que o Louro nunca se sujeitou às Bolsas porque exige unhas que ele não tem, tudo bem, desculpa-se o idiotita, agora a Directora da BD Amadora estar ausente só mostra que, ou é uma menina bem comportada ou é ignorante - ou as duas coisas, porque não? Ambas personalidades gostam de se distanciar da maralha, armados em aristocratas da treta e são bons exemplos das contradições da BD portuguesa. Louro vende pouco mais do que qualquer outro autor português de BD (ou até menos se pensarmos que a Chili Com Carne tem reeditado vários títulos nos últimos anos) e a BD Amadora desde a saída de seu director Nelson Dona tem piorado na programação e no relacionamento com os actores da cena da BD. Apesar disso, ambos sabem usar os seus passados históricos para alavancar facilmente os seus nomes neste meio em que falta referência, reflexão e crítica. Ambos estão cada vez mais distantes do que se escreve nos jornais - como foi a capa do Ílpsilon / Público de 26 de Setembro - ou na TV - programa Pessoas que Desenham a Liberdade (RTP 2) de António Jorge Gonçalves que entrevistou vários artistas gráficos como José Feitor, Ana Margarida Matos, Ana Biscaia, João Fazenda, Amanda Baeza,... - ou do que se mostra em eventos como o WC/BD (que acabou este ano), Story Tellers, Flexágono (Festival Fólio, Óbidos) ou a Miragem que foi sem dúvida o evento do ano em relação à BD!

Comecemos por aí, a Miragem foi mais do que um mero mercado de edições independentes - que aliás proliferam pelo país: Autónoma (Almada), FLIFA, Raia, Parangona (Lisboa), Feira da Alegria, Mercado do Contra, Perímetro (Porto), Festival de BD e Fanzines de Alpiarça, Feira do Livro de Arte (Coimbra) e FLOP (Açores). Teve workshops, conversas incisivas (invés das punheteiras que acontecem nos festivais de BD), apresentou espetáculos que misturavam desenho e música - sem ser aquelas xaropadas dos "concertos desenhados" -, e apresentou a exposição Ponto Ponto Ponto que ultrapassava a mera prancha na parede. Durante dois dias de Maio, sob a batuta do colectivo A Goteira, na Biblioteca de Marvila, a civilização reapareceu na BD portuguesa. Uma ilusão, claro, antes e depois, a merda foi omnipresente.

Ainda assim o Festival de Beja recebeu Ana Margarida Matos e Amanda Baeza (finalmente!), a Tinta nos Nervos teve exposições de Miguel Rocha, Diniz Conefrey, Alexandre Piçarra e Beatriz Brajal - estes dois últimos no âmbito dos concursos Toma lá 500 paus e faz uma BD! de 2024 e 2025 respectivamente. A Bedeteca do Porto organizou a colectiva Próximos Capítulos com trabalhos de Carlos Pinheiro, Daniel Silvestre, Marco Mendes, Nuno Sousa e Sofia Neto.

Foi um ano pobre na internacionalização mas Ana Margarida Matos, Hetamoé e Ivo Puiupo participaram na antologia letã š! e Mao fez um mini kuš!. Matos e Bruno Borges participaram na revista eslovena Stripburger - aliás, o Bruno já faz parte da casa! O livro Andrómeda do Zé Burnay teve uma edição em Espanha pela Mondo Cane e o Mangusto de Joana Mosi voltou ao Canadá mas agora em língua inglesa - o livro originalmente apareceu primeiro lá em francês e em 2023. Também as participações em eventos internacionais foram mais reduzidos mas a Chili Com Carne esteve no Crack (salvo seja) em Roma e Viñetas desde o Atlântico n'A Corunha, Francisco Sousa Lobo na Feira do Livro de Leipzig, Burnay no Graf (Barcelona), Gonçalo Duarte, André Pereira e Bia Kosta no Autobán (A Corunha) e Ana Margarida esteve por Bruxelas na BD Comic Strip e na residência do Camões (salvo seja). Pedro Moura também foi ao Texas num projecto universitário com a š!, que ajudou a coordenar.

O contrário também é verdade. Tirando a presença do espanhol Miguel Ángel Martin na LouriBD e do grego-belga Ilan Manouach na Casa do Comum, não houve mais ninguém estrangeiro interessante para nos visitar, a não ser versões baratas da Marjane Satrapi e outros sucedâneos que se publicam neste mercado sem rasgo e amorfo que até já enjoa de tanto livro do Junji Ito. Finalmente publicou-se o Alack Sinner de Muñoz & Sampayo - se ignoramos o jornal Lobo Mau em... 1979 - pela Devir, que reeditou também o Silêncio de Didier Còmes (1942-2013) outra vez a preto e branco e é assim que deve ser impresso! Na colecção 25 Imagens a Levoir e o Público assaltaram à descarada as bolsas dos leitores, apesar dos bons nomes dos participantes: Tardi, Thomas Ott, Nina Bunjevac e Joe Pinelli - lembram-se quando a Polvo era boa em... 2002? Sobra Flash Point de Imai Irata, uma parceria da Chili Com Carne e Sendai, um autor japonês com teor político, como tal, desconhecido e desafiante. Ficámos à espera do HP de Guido Buzzelli (1927-92) com argumento de Alexis Kostandi, pela Escorpião Azul, anunciado em Março mas que só sairá agora em Janeiro de 2026.

Dentro do atrasos na Chili somos culpados de não cumprir as datas redondas, a reedição da comemoração dos dez anos da edição original da Plana Press (e finalmente em português) de Propaganda de Joana Estrela não foi em 2024 mas este ano. Tal como reedição de Mr. Burroughs de David Soares e Pedro Nora não foi feita este ano - para comemorar os 25 anos da edição original da Círculo de Abuso - mas sairá em 2026. A nível de reedições ainda de assinalar a colecção da série Pós-Tugal de Diogo Barros, em formato zine auto-editado - e aproveitando a deixa, houve uma nova página da série n'A Batalha : Jornal de Expressão Anarquista.

Soares regressou com desenhos de Sónia Oliveira com o livro Atrahasis, pela Kingpin,tal como a revista Umbra (OK boomer!), o projecto Magma Bruta com How to kiss a crying man da ex-jugoslava residente no Canadá Andrea Laukic, o "Gato Mariano" aos zines (para comemorar 10 anos de existência), Filipe Felizardo com o Bestiário dos Rios e Sim Mau com o zine Super Mum. Continuou a colecção O Filme da Minha Vida, o jornal Carne Para Canhão, os zines Mesinha de Cabeceira e Olho do Cu e títulos vários de Gonçalo Duarte e Samir Karimo. Começou o zine Enfarta-Brutos sob batuta de Tetrateles. Não sendo BD, é de se referir sempre as gráficas Imprensa Canalha, Noturno Azul e Opuntia Books. Destaques para as edições de autor de Pats - especialmente o título Sortido - e claro o Rei da BD Rudolfo da Silva que fez uma obra-prima intitulada Fusão Dimensional na sua Palpable Press, e que trata da gunaficação da realidade. É o livro do ano!!! É por isso que este "post" abre com a imagem da capa do Fusão, dah!

Giro foi falar com a Pats na Autónoma, em que no seu mini-zine Eye-volution publica uma BD-ensaio sobre o seu estilo gráfico. Estava sem óculos quando estava a comprar o zine e vi algures numa vinheta referências aos grandes monstros da BOA BD: Julie Doucet, Robert Crumb, Lynda Barry, Jim Woodring, e... 

- Espera não estou a ver bem este, quem é este?

- Rory Hayes...

- O quê? [além de começar a ficar pitosga também começo a ficar surdo ou não perceber inglês, cóf cóf cóf]

- Rory Hayes!

- Ah!!!!!! Mas... isto são tudo excelentes referências!! Como conheces esta gente toda? Os teus pais tinham uma boa "bedeteca" em casa?

- Não, descobri na 'net...

- A sério!? Parabéns! Tiveste uma sorte no teu algoritmo!!!

"Sorte"! Num país em que as editoras não publicam livros de referência - ou se publicam é vómito absoluto como se viu com os livros da Escorpião e Polvo deste ano (sobre a carreira do Louro, as leituras e escritas inócuas do evangelista Pedro Cleto e algo sobre da série Astérix relacionado com Portugal, WTF!?) - alguém conseguir "sair da linha" e encontrar os verdadeiros e grandes artistas que também raramente se publicam cá é mesmo um "random" do caneco! Esta autora não ter ficado nas "mangacadas" ou nos "comics" dos fachos gringos, é mesmo algo de agradecer à entidade divina da "Sorte"! Resta saber o que Pats irá fazer com este maná de informação de futuro, se conseguirá alguma vez algo poderoso e original. O Sortido, colectânea de comix curtos, aponta já para aí. Que ela invista mais e melhor em 2026 é tudo o que lhe peço!

Fechando aqui a secção da referência: a Agenda Cultural do Porto deu tempo de antena ao Rudolfo e Goteira num especial BD (melhor que o paspalho do Gross na Agenda de Lisboa em 2021), reeditou-se o meu texto-metade-de-livro Punk Comix com actualizações e foi feita uma mostra no Festival de Alpiarça, editou-se também um texto da minha intervenção sobre BD do BIG de 2023 no catálogo deste ano (que espero a quem o ler lhe ajude a encontrar novos caminhos na BD), Mosi foi entrevistada no sítio em linha inglês Broken Frontier, publicam-se textos e resenhas no jornal Carne Para Canhão, continua o trabalho de recuperação da imprensa underground nacional no blogue My Nation Underground e por fim houve umas entrevistas em linha com Rodolfo Mariano (por causa d'O Filme da Minha Vida) e Diniz Conefrey por causa da exposição retrospectiva na BD Amadora, curada por António Jorge Gonçalves, na Galeria Artur Bual. Foi o ano Conefrey sem dúvida, ainda se acrescenta mais duas exposições, uma Lisboa na já referida Tinta nos Nervos e outra na Bedeteca do Porto, ambas no âmbito do seu último livro Estância do Sino Coberto, pela Quarto de Jade. Uma verdadeira comemoração de carreira que não merece medalhas histéricas mas serenidade artística.

Por fim, os que desapareceram em 2025. Logo em Janeiro faleceu Arlindo Fagundes, figura mais conhecida pela olaria ou pela ilustração, no entanto foi dos poucos autores portugueses a publicar um livro de BD nos anos 80 e talvez o único a abordar temas contemporâneos ou sobre a realidade portuguesa em formato de livro - claro que havia mais autores, como Relvas, com estes temas mas eram publicados nos jornais (que se deitam fora depois da leitura) ou nos fanzines (difíceis de encontrar). Era um Comunista convicto, não teve direito a condecorações, embora a Biblioteca Municipal de Alcântara tenha feito uma boa exposição retrospectiva da sua obra, entre Maio e Junho. Faleceram autores de peso como norte-americano Jules Feiffer - que mudou a escrita da BD - e egípcio-francês Édika - um badalhoco de peso. Menos conhecido e mais gráfico que narrativo, também faleceu o francês Y5/P5 que influenciou a malta d'A Vaca que veio do Espaço nos anos 80 quando passou por Lisboa. Longe da BD mas que puserem os seus dedos uma vez ou outra nela, morreu o realizador David Lynch e o pintor Eduardo Batarda, cujos respectivos cão raivoso e "pinguim cego" ainda são monumentos por tratar. O jazzman e amigo Sei Miguel também nos deixou. Não fez BD mas algumas imagens que queriam ser isso, publicadas em 2017 pelo Homem do Saco / Marmita Gigante, sobretudo mostrou que gostar de BD é saber ser exigente e crítico, coisa que os agentes que trabalham na cena não o são...

Que 2026 seja melhor! Bom Ano Novo!

Marcos Farrajota

 

desenho de Pats in Eye-volution

sábado, 12 de abril de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (4)

Saiu este ano o Questmaster (Ao Norte; 2025) do Rodolfo Mariano, que é um gajo tramado!! Dá sempre a volta às coisas!!! Um gajo pede um registo autobiográfico para o Querosene (Chili Com Carne; 2021) e ele sai um tratado psicadélico sobre o como Coimbra é podre. Os tipos da Ao Norte pedem para ele fazer uma BD sobre "O Filme da Minha Vida” (nome da colecção) e saí tudo menos um bárbaro homoerótico com a megaxuxu da Grace Jones! Invés disso, parece que partimos para uma realidade paralela “furry” do filme do Conan (de 1982) com discussões filosóficas de pessoal embriagado. Dentro de um estilo que foi o seu último grande livro, Maldito Aquele Lugar,  é assim que ele deixa-nos pendurados mas com a vantagem de podermos fazer outros filmes na nossa cabeça! Muito bem!


Outro gajo tramado é o Fernando Cerqueira. Só quando fizemos o livro da comemoração dos 30 anos da SPH e 20 da Thisco é que pude ver finalmente as k7s que ele editou nos anos 90. Belas capas e embalagens, quase que demorei 20 anos para vê-las, desde que o conheci e começamos a colaborar em projectos... poças! Com o tal livro houve uma segunda vida para a SPH e se pensam que ele ia continua a fazer tudo por tabelinha esqueçam. Para provar isso eis que ao fazer a série de colectâneas Atonal (título homónimo do seu fanzine de 1990 onde vinha o primeiro volume) escolheu um formato diferente de apresentação, ou seja, uma embalagem que lembra algumas de produtos de tecnologia nos quiosques. Na segunda vida da SPH, além de ter reeditado velhas glórias, foram feitas k7s de recuperação de sons, obras e músicos vindos dos anos 80 e 90, como acontece com este terceiro volume (2022) onde, tal como as BDs de Mariano, somos apanhados de cuecas na mão para Noise, Techno experimental, IDM, Glitch, (mau) Ambient(e), dronaria e o catano, cortesia de Pas Musique, If, Bwana, Discman, Francisco Lopez, Manuel Mota,... Quando menos se espera tudo muda nesta colectânea e pergunto-me se não é assim que deve ser sempre? Seja como for, quem vê embalagens não vê os sons!


Outro cromo que surpreende sempre é o Harukichi e o seu DJ Cat Gosshie, cujo pelo dourado que larga converte tudo em ouro: já lá vai na terceira impressão, ganhou um prémio e dá mote a uma curta. Não é gatinho para dormir uma "catnap" sobre os seus louros e eis que saiu o número nove de DJ Cat Gosshie Short Stories (Toge No Jizo; Jan'25) que apanha alguma BDs feitas para as antologias Kuš! e Stripburger. Num A5 todo a cores deslumbram-se nas suas páginas de BD passeios ganzados pelo México, Angoulême e Cleveland, viagens essas em que serão aproveitadas de certeza para um próximo volume deste gatinho feito gatão!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

1 livro 1 disco 1 zine (2)

A split-tape de Thir e Death Posture já saiu em 2023, editada pela Tribunal of Penance, mas foi só no Perímetro que me apercebi dela. Fui na conversa do Durvena Cabina porque este fez um dos discos mais interessantes no ano passado pela Rasga. 

No cômputo geral é Industrial, sendo Thir mais próximo de experimentação electrónica a lembrar os saudosos tempos da Thisco, à procura do "fantasma da máquina", como escreveu Rui Eduardo Paes num Bestiário, enquanto que Death Posture é mais funcional num Dark Tekno que seria uma bela dança se houvesse pistas de dança para esta música em Portugal - existem? Duvido... Não impressionam apesar da qualidade do som, composição e produção mas sobretudo sabe a pouco, são apenas quatro temas apenas nem dá para atropelar ninguém, conscientemente ou não, ao ouvir a k7 no carro... I want more!!! 


Doghead #1 (The Mansion Press; 2024) também é "split" e sobretudo é o regresso à BD do canadiano Dave Cooper, artista gráfico virtuoso de tendências Neo-Pop e Crumbianas.

São duas histórias cada uma numa parte do livro, The Great Hierarchy é uma cosmogonia surreal e sexualizada, que só iremos perceber - ah, esqueci-me ambas BDs são de continuação, ou melhor divididas em 6 capítulos ou seja o Doghead irá ter 6 volumes - se tem pernas (e/ou pénis e/ou vagina) para andar depois de lermos esta "introdução". Longe da tontice do Suckle e a meio caminho do Crumple - embora este fosse uma ficção especulativa feminista. L'architecte já é outro animal completamente diferente, passa-se nos anos 70 em Nova Scotia (onde o artista nasceu) e mete uma trama com um edifício brutalista na narração. Uma personagem feminina voluptuosa leva-me logo a pensar que isto está na linha das tensões psico-sexuais do erótico Ripple mas cheira-me que isto vai dar em algo entre o Hitchcock ou o recém-falecido Lynch. Promete!!

O traço de Cooper está excelente, sempre com detalhes excessivos em matéria de vegetais e ovais, usando traços a duas cores. A editora é francesa mas está a publicar sobretudo artistas não-PCs norte-americanos e japoneses mas também o "nosso" Carlos Carcassa... Ou seja os livros estão para o pseudo-esperanto do inglês.

Por falar em "pseudo-esperanto", não será a BD sem palavras essa oportunidade de comunicação universal? Duvido muito porque o desenho, ou melhor, as representações pictóricas e as culturas nunca são uniformes, por exemplo, um quadrado com uma porta e janela (mais quadrado dentro do quadrado) e um telhado que é um triângulo não quererá dizer casa para algumas culturas em que estas não se assemelham a nada disso... Os dois números do ano passado da revista eslovena Stripburger foram "mudos", ou seja, publicaram BD sem palavras. Internacionalista como sempre encontramos vários nomes de toda a parte do planeta. O número 84 em especial tem uma boa selecção de BDs, bastante impressionantes como já não acontecia a algum tempo, em que destaco o português Bruno Borges, os alemães Alexandra Rügler, Andy Leuenberger, Lili Gaigal e Nadine Redlich (também autora da divertida capa), o belga Simon De Waepenaere, o grande gringo Peter Kuper e os franceses Nicolas Presl e Gary Colin.

Sendo um número especial, o tradicional "suplemento tradutor para inglês que costuma acompanhar a revista desta vez inclui o índice, a ficha técnica e um artigo sobre o mestre da BD muda Jim Woodring. Um grande número!!!

A revista encontra-se distribuída em Portugal na livraria Tinta nos Nervos e a colecção completa da publicação pode ser consultada no acervo da Bedeteca de Lisboa.