quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Alçapão - fanzine de arquitectura dura #1

Ordem dos Arquitectos - Delegação de Portalegre; Out'06

Fanzines saídos do meio institucional? Mein Gott!? Só podia dar merda mas por acaso não é este o caso! Realmente foi impresso no formato A4 em papel couché e tem aquele ar de DTP old-school mas há aqui uma boa dose de sujidade que lhe dá credibilidade - um zine é sempre sujo, certo? Se fosse realmente um zine com uma pancada institucional (não podemos escrever isto ou desenhar aquilo) não suportaria as ilustrações com os negros do André Lemos, do José Feitor e do João Maio Pinto ou os "erros" do Bruno Borges nem toleraria as bd's da Rosa Baptista ou do Richard Câmara nem os escritos dos vários colaboradores deste primeiro número.
O plantel de ilustradores e autores de bd dá power ao zine que tem como tema e textos a "Arquitectura". Aliás, se não fosse estes tipos duvido que haveria zine de tão insipientes que são os textos. Este primeiro número saiu no âmbito das celebrações da Delegação de Portalegre da Ordem dos Arquitectos para o Dia Mundial da Arquitectura.

3,9

aqui.jas@clix.pt

terça-feira, 10 de outubro de 2006

(depois de) CCC@Helsinki.Comics.Festival

Nos dias 23 e 24 de Setembro ocorre o 21º Festival de BD de Helsinquia. A CCC estará lá presente com uma banca de títulos seus e dos seus associados MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha e Opuntia Books
...
Chili Com Carne editions and other Portuguese best kept secrets (like MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha and Opuntia Books) will be represented in the 21st Helsinki Comics Festival to be held on the 23rd and 24th of September 2006.



Em jeito de relatório...
Foi a segunda vez que me aconteceu tal coisa e com a mesma viagem! Segunda vez em HELLsinki e foi a segunda vez que me perdem a bagagem numa viagem de avião. Tal como há 2 anos do transbordo de Paris, desta vez foi no de Amsterdão. Se da primeira vez não havia grande drama, desta vez a coisa era grave porque a mala perdida tinha os livros da CCC e dos associados para serem vendidos no Festival de BD. E ao contrário da primeira vez que logo de manhã já tinha a minha bagagem recuperada desta vez só chegou depois das 18h - justamente quando o primeiro dia comercial do Festival terminava.

Ainda assim não me posso queixar: quase todo o material (seleccionado do catálogo da CCC e associados, que estivesse em inglês ou fosse meramente visual) foi vendido - e o que não foi, foi trocado por outro material ou deixado em lojas na Finlândia. Mais, o retorno monetário foi grande o suficiente para pagar 70% da viagem. Sendo que esta viagem era um misto de negócios e férias, a questão do lucro relativisa-se bastante.

Por isso posso dizer que valeu a pena. Manter ou fazer novos contactos, despachar exemplares de livros que em Portugal são ignorados pelo mercado e pelos críticos, receber feedback do público - elogiando ou não mas sempre reagindo. Diferente da letargia portuguesa, de um público que mais parece ter medo dos livros. Aliás, tão ricas que eram as reacções que as conclusões são impossíveis. O que posso dizer é o que me parecia que seria mais óbvio vender não vendeu tanto, e vice-versa. O público também era bastante diferenciado e misturado, desde dos nostálgicos e cromos maluquinhos aos os nerds dos nerds (os fãs de Manga e em regime cosplay - valia ter tirado fotografias!), dos góticos e góticas lamacentos (fãs dos 69 Eyes - o vocalista tinha sido autor de bd nos anos 90 e era reeditado o seu livro Helsinki Zombie Vampire Love ou algo parecido), aos estudantes de artes e similares, e gente normal, ... O que facilitava algumas aproximações - os CD's de música que levei que tinham Moonspell foram todos despachados prós vampiritos!

Não tenho fotografias do evento - a máquina estava na mala e no Domingo, último dia comercial do Festival, queria era vender e despachar material, dai a pobre reportagem fotográfica que se resume a duas fotos da banca e da mascote do Festival, ambas desmontadas...


Das trocas realizadas eis a lista (a actualizar nos próximos dias):

-
Canicola #2
- Canicola #3
a melhor revista italiana de bd do momento, em italiano c/ legendagem em inglês, 10€ cada / 8€ cada para associados
- C'est bon Anthology #1 (3ª série)
revista sueca de bd, em inglês, 14€
/ 11,2€
- Nazi Knife #2
graphzine do mesmo grupo do Rotkop, 10€
/ 8€
- Moving Plastic Castles
livro de arte do finlandês
Tommi Musturi, 6€ / 4,8€
- Madonreikä
zine de ilustração do mesmo autor de Kylmä Liha, 4€ / 3,2€
- Glömp #8
antologia finlandesa de bd, todo a cores!!!, em finlandês c/ legendagem em inglês, 20€ / 16€

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

CCC@BarreiroRocks

Yeah!
Nas noites de HOJE e AMANHÃ, a Chili Com Carne estará presente com uma banca de zines e edição independente no Barreiro Rocks - yeah!

sábado, 30 de setembro de 2006

Samizdata Club @ Trampolim (Tomar) HOJE


última hora: na mesa da Thisco estarão à venda os principais títulos da CCC e MMMNNNRRRG.

Túbaros bells

Samuel Jerónimo: "Rima" (Ed. autor + Thisco; 2006)

Se no disco de estreia, Redra andra endre de fase (Thisco; 2004), Samuel Jerónimo surpreendeu muita gente com o seu minimal-repetitivo cheio de energia e saúde, não sei qual será a reacção a este recente Rima. Já em Symptom of thisease (Thisco; 2005) onde assina a melhor faixa da colectânea sob o cognome de Bio havia pistas do que poderia a acontecer a seguir, ou seja, a aproximação às composições electrónicas ambientais soturnas. O que é estranho em Rima é que o próprio disco é assumido como bipolar: é composto por duas peças (Verso 1 e 3) que são ambientais electrónicas e duas outras (Verso 2 e 4) que são composições para órgão de estética clássica - digo eu, perfeito ignorante nas questões desse género-monstro que é a Música Erudita.
Intelectualmente, Jerónimo assina um texto sobre o seu trabalho, em que assume a vontade de materializar a sua opinião sobre as questões do modernismo e outros ismos tentando confrontar o modernismo (passado-presente) com o pós-modernismo (presente-futuro), o que por si só parece um pântano fedorento de ideias e de discussão pela forma como o autor consegue ser tão confiante sobre as definições do tempo - o que é o passado? Ou o que é o tempo? Por que raios o pós-modernismo terá de ser chancelado como "presente-futuro" - quando este se atira a uma entropia voraz dos símbolos e das ideias? Seja como for o que Jerónimo pretendia, conseguiu atingir, todo o disco é assumidamente uma cisão do moderno com o antigo e não uma fusão, em que as duas peças de carne (não) se complementam com as duas outras de peixe. As peças de órgão são estridentes e irritantes tal como se um gajo fosse parar à casa da avô lá na aldeia e tivesse de ouvir música de igreja na rádio sem poder mudar de canal. Os ambientes electrónicos são interessantes mas tenho sérias dúvidas de conseguir ouvir este disco como um "todo" sem ficar irritado com alguns Versos...
A nível gráfico estamos perante uma das melhores produções dessa editora eternamente e injustamente ignorada que é a Thisco. A pintura orgánica-psicadélica de Ricardo Pacheco dá uma bela capa.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Aqui no cantinho #1

J. Rubim; Jun'06

Uma coisa porreira que aconteceu na Feira Laica é que os editores que lá estavam representados tinham propostas completamente diferentes entre eles, mostrando que apesar da cena portuguesa ser pequena pelo menos é rica. Numa dessas mesas de editores estava o João Rubim a representar o seu zine Aqui no canto e a sua novidade para a Feira, o Aqui no cantinho #1, um zine de bd para crianças! O que é publicado é uma bd "underground" para crianças em que os personagens voam, vão ter com Deus que está a pescar, ... Cenas maradas que ainda por cima tem diálogos e textos que rimam: «- Moranga, que surpresa! Pensava que Deus não existia! - E au achava que no Ribatejo não havia pescaria...». Se os putos não delirarem com isto, não sei o que se passará com os putos dos dias de hoje.
Só é pena o preço exorbitante do zine que não tem mais do que 28 páginas A6 mal dobradas & agrafadas.

Em Portugal o Hip hop não tem armas e putas finas...

v/a: "Sensei D apresenta Hip Hop - Estratégias de auto-evolução - Parte 1: Mixtape" (Sensei D + Breakfast; 2006)
v/a: "Horizontal Records apresenta Poesia Urbana, vol.1" (Horizontal; 2004)

Duas colectâneas, uma comprada e outra de oferta, resultado da visita à loja Low Budget situada no (abandonado) Centro Comercial Portugália. Comprei a Poesia Urbana e o simpático dono da loja ofereceu a "mix-tape" Estratégias de auto-evolução, em formato CD-R (possível de descarregar na 'net pelo link do Sensei D). O que comprei acabou por ser menos interessante que a oferta... Ao contrário da Poesia que tem os grandes cromos da cena HipHop nacional (como Sam the Kid, Fuse, Kacetado, Tekilla) em Estratégias não me parece que haja "estrelas" sendo eu leigo na cena - tirando os Factos Reais (identificados como FR) que reconheci em algumas faixas nunca ouvi falar em nenhum dos participantes. Sendo uma mix-tape (*) é natural a fluidez da sessão ou da gravação, e até os erros da improvisação. Aqui há de isso tudo e corre sinceramente bem mesmo quando haja momentos mais fracos ou imbirrantes. Consegue ser eclético com doses de Rap, Scratch, R'n'B, Ragga, discursos inflamados ou divertidos ou óbvios que batem no ceguinho ou convencidos e outros poemas. Até se ouve crioulo e francês algures nas várias faixas. Mas é sobretudo a parte instrumental que é a mais-valia desta "mix". É forte, batendo num HipHop mais "clássico" - mais som Black e old-school do que o "sinfónico foleiro samplado" que tem sido tendência nas produções dos últimos anos.

Poesia urbana também é eclético só que funciona com demasiados altos e baixos. Os altos são passantes como o Kuduro-Hop Ragga-crioulo debitado em energia ultra-veloz dos Nigga Poison que depois da faixa lamechas-paneleira de NBC ganha logo o título da "melhor música do CD". É um power aquilo! Mas dizia que este disco andava numa montanha-russa, cujo pico é atingido com a faixa de Valete que rapa a letra mais imbecil que já ouvi em 33 anos de vida!!! Nem que fosse uma brincadeira provocatória teria piada: juntar o sentimento anti-americano à barbárie Taliban é bastante estúpido e infantilóide, demonstra sobretudo uma ignorância do pior! Felizmente em contra-picado temos a Anarquia propagada por Ikonoclasta que demonstra inteligência. Ignorem Lince, outra paneleirice pegada e tirando o "verdadeiro poeta urbano" Xeg, o resto é mediano - o que em Portugal, HipHop mediano significa estar acima da média da música urbana que passa nos mass-media. A militância deste movimento e até alguma mensagem de alguns destes projectos lembram-me o dogmatismo do Hardcore Straight Edge dos anos 90... A amplitude do movimento já mostrou ser capaz de gerar génios, imbecis e talentos medianos - o retrato recente (mesmo já sendo de 2004) é este, para o melhor e para o pior.

(*) Conjunto de músicas misturadas pelo DJ para que os MC's possam cantar/rapar por cima.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Outros baratos #1

Baratos do Ribeiro; Inverno'06

A visita mensal à loja de discos Carbono revelou-me este título no molho de publicações gratuitas. Do que vem do Brasil não é só xungaria e Festas de Forró-Beer, pelos vistos, também vai passar a ser distribuído a sua cultura alternativa. Editado por um "sebo" (alfarrabista em português do Brazzzil), situado no Rio de Janeiro, tem o formato e tipo de papel parecido com outros zines brasileiros que já vi (o Orbe que participou no Mutate & Survive ou o Tarja Negra). O conteúdo deste zine é mais virado para a literatura, ainda que um bocado ingénuo na maior parte dos textos - embora seja forte a dedicação e ética DIY. Destaco os seguintes textos sobre a editora Editio Princeps, a "Carta a Charlie Chaplin" de Peter Orlowsky e Allen Ginsberg, o conto "Moisés, o atravessador de ruas" (*) de Fernando Gerheim e a conversa entre dono de "sebos" e lojas virtuais de livros.
Gostei da designação "órfão" para a música "independente" (actualmente insuficiente) e "alternativa" (ingénuo) que Maurício Gouveia usa num texto sobre a programação musical no "sebo".
A atitude destes lojistas é de salutar e é um exemplo a seguir para muitos sebentos que andam por cá em Portugal.

3,4

* Não sei até que ponto é verdade este conto... trata de um desporto radical urbano brasileiro de atravessar avenidas plenas de carros a alta velocidade!!!

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Inguine @ Lisbon

Até dia 8 de Outubro está patente a exposição “Banda Desenhada política: esboços sobre a realidade por Gianluca Costantini” na (biblioteca da) Bedeteca de Lisboa.

Gianluca Costantini nasceu 1971, é Director de Arte da revista inguineMAH!gazine, é autor de bd underground, mas também é comissário de várias exposições (como as do Joe Sacco e Marjane Satrapi) e web-designer. O projecto “Political Comics” é um dos projectos que lançou na internet que será publicado na forma de livro em breve. O autor participou na antologia internacional de bd e ilustração, Mutate & Survive.




Inguine começou em Itália em 2001 como um site e depois como uma revista, em 2003. É um contentor de bd’s, imagens, poesia e palavras. É a evolução natural das experiências feitas com a bd e a sua relação com a web. Convictos das suas potencialidades enquanto autores de vanguarda, não tem havido limites de linguagens para este colectivo: música, VJ’s, arte digital, filmes de animação e projectos para exposições.
Alguns autores são conhecidos outros não. Alguns tem reconhecimento internacional, outros não. Algumas histórias são inéditas, outras não – foram editadas pela primeira vez na web. Alguns números são temáticos como o ultimo sobre Mussolini, o #3 sobre os EUA, ou outro sobre a Máfia, publicada durante o Festival Comicon (Nápoles) e distribuído durante as eleições na Sicília.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Mollusk - encyclopedia de Bongoût 01

Bongoût; Nov'05

Sem publicidade, (muito bem) impresso em papel amigo do ambiente, bilingue (inglês e francês), esta é a revista que faltava para deleite dos nossos olhos sedentos de Arte visual sem inibições do establishment cultural que só nos oferece, pelo menos cá em Portugal, modinhas já fora de moda ou trabalhos resultantes de favores sexuais (e não exagero por mais que venham dizer o contrário, auf auf rrrrrrrrrrrg).
É fácil verificar: a) abre-se uma janela para o Google ("Google imagens" facilita ainda mais!), e b) faz-se um "cut'n'paste" deste nomes: Moolinex, Karin Granstrand, Brent Wadden, Zeloot, Eileen Wunderlich, Keith G Herzik, Dave 2000, Antoine Bernhart, Dat Politics, Tetsunori Tawaraya, Kristoffer Busch, Eugene Kerozen, Miron Zownir, Nick Garrard, Jorge Alderete (este faço link directo porque até o sei de cor) e Sérigraphie Populaire - mais uma pequena investigação sobre os cartazes de filmes cubanos que é para uma pré-comemoração-anti-castro-666. Depois digam o que acham...
Claro que melhor que ver coisas giras na 'net, o melhor ainda é vê-las em papel, com um grafismo sem defeitos que mete as revistas das novas tendências onde elas deveriam estar: no rabinho. Concisa como esta resenha, Amén!

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