domingo, 8 de outubro de 2023

Colectiva CCC#6: "Carne Para Canhão" in Alpiarça


 
 A Associação Chili Com Carne é uma organização de jovens artistas sem fins lucrativos cujo funcionamento assenta na cooperação livre e espontânea dos seus associados. Desde a sua fundação em 1995 que temos promovido e desenvolvido as mais diversas realizações no campo das artes, que se têm concretizado, entre outros aspectos, na organização de diversas exposições e publicações. 

A última aventura editorial é o jornal Carne Para Canhão, que pretende ser uma publicação gratuita de crítica e reflexão sobre a Banda Desenhada.

Para a exposição Colectiva CCC#6 tomamos por base os trabalhos do jornal e complementada por outros trabalhos dos seus colaboradores, a saber: 40 Ladrões, Amanda Baeza, André Lemos, Ângela Cardinhos, Francisco Sousa Lobo, João Carola, Luís Barreto, Nunsky, Rodolfo Mariano e Rui Moura.

A exposição estará patente na Casa dos Patudos até ao final do mês de Outubro. Sendo que a Associação Chili com Carne esteve presente no dia 7 de Outubro no mercado do evento. E sim, quer dizer que Alpiarça será segundo local em Portugal com mais exemplares do Carne Para Canhão per capita! Ai!



sítio oficial em linha AQUI

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Agendas

vinhetas de Holocausto de Merda, de Carlos Carcassa

Este fim-de-semana que passou, a Chili Com Carne foi enganada, tal como muitas outras editoras e livrarias pela FLIFA, uma pretensa "Feira de Livro Independente" organizada pela Junta de Freguesia de Arroios, poiso de gente muito feia de direita em Lisboa (nitidamente com problemas de consanguinidade), o que coloca em questão onde está a "Comuna de Arroios", se não passa de um marketing de vendas de T-shirts...

O ano passado estivemos lá e foi um flop (de vendas) e com uma programação bizarra - lembro-me de uma tia e as suas crias bem treinadas a debitarem clichés sobre a "leitura". Mais, os carolas que se lembraram de fazer este projecto, dois gajos simpáticos armados em fura-vidas, já se queixavam que tinham sido enganados ou que o projecto tinha-lhes fugido do controlo, que a Junta pegou nas suas ideias e modificou como quiseram. Lembrei-me logo da história do Cais do Rock, em Póvoa de Varzim, que foi roubada ao Arnaldo Pedro e a sua "cru" nos finais dos anos 90, quando a Câmara da Póvoa registou o nome do evento. Para além de não ter feito mais nada com isso - e era um evento importante - impossibilitaram também ao Arnaldo de mudar de poiso se quisesse. Para quem ainda acredita no Estado...

Mas os carolas decidiram tentar outra vez! E novamente foram engrupidos - mas aceitaram de certeza o pagamento pelos seus serviços - e arrastaram umas série de editores que não concordavam com a programação, divulgada em cima do joelho, planeada maquiavelicamente, de forma a colocar no último dia e na última hora, uma conversa do decadente Pacheco Pereira com o Jaime Nogueira Pinto, um bostinha da extrema direita.

As Insurgentes foram as primeiras a recusar a participar no evento. O restante das grande maioria - claro que os cãezinhos da Junta disseram para a imprensa que só três editores é que boicotaram o evento - fechou as mesas por volta das 17h como forma de repúdio a ter presente um nazi num evento que se diz "independente" - mas que fez tudo para meter pessoas televisivas a promoverem o seu cuzinho ou que, pior, armou estas provocações infantis. Por isso, FLIFA nunca mais! Vão-se foder, palhaços!!!

Já no passado, numa Laica nessa mesma Junta - com regime PSD na altura - a coisa tinha sido amarga. O sucesso do evento foi estrondoso (de público, vendas, programação, tudo) mas o merdinhas do Presidente da altura, depois do fim do evento, só foi capaz de dizer isto: "não havia editoras de Direita", seja lá o que isso quer dizer...

Também neste mesmo fim-de-semana, recebemos um email a dizer "Remover" da Agenda Cultural de Lisboa. Foi o que fizemos imediatamente, tiramos da nossa "mailing-list", afinal, nunca foram capazes de divulgar um evento nosso ou uma publicação nossa. O "email do "remover" até era sobre o nosso jornal Carne Para Canhão, que só tem sido distribuído em Lisboa. Belo serviço público, putedo!

E já agora, em Agosto, andámos por Braga e acedemos à agenda do Theatro Circo. Na capa estava os nossos amigos dos Unsafe Space Garden (merecido!) mas reparei que de repente havia um suplemento na agenda intitulado O Dramatista, subintitulado O fanzine do Theatro Circo (o "bold" é deles!). Fanzine? Que me lembra, um fanzine nunca poderá ser editado por uma instituição (pública ou privada). Que eu saiba um fanzine é feita por pessoas que fazem por amor a uma causa e com poucos recursos. Que tenha reparado, um fanzine é uma publicação que edita informação pouco conhecida pela população, que se esforça em criar conteúdos originais e não apenas apenas reproduzir fotografias promocionais dos músicos que vão tocar num teatro público... Tudo isto cheira a a esturro. 

Em primeiro porque já devem ter reparado, nos últimos anos, como os programas de Culturgest, Gulbenkian ou vários teatros lisboetas, não poupam os tostões em fazer destas publicações hiper-luxuosas, cheias de brilhantes efeitos gráficos como vernizes localizados, cortes, papeis luxuosos e diferentes entre si, com pesadas gramagens, cores por todo lado mas também douradinhos e fluorescentes... Quem sou eu, editor pobreta, para criticar como as instituições gastam o seu dinheiro? Quem sou eu para pensar que um designer deve receber tanta importância versus os artistas dos programas? Mas não deixo de achar estranho, tal como as publicações das Juntas já agora, que haja tanto dinheiro para estes objectos gratuitos, enquanto que nós pequenos editores nos custa tanto fazer os nossos livros. Será que é assim que as Juntas e instituições pagam favores às empresas de comunicação por terem trabalhado nas  suas campanhas eleitorais? No caso das Juntas de certeza que é isso, com as instituições culturais, não sei, pode ser só corrupção e senilidade dos gestores deste capitalismo tardio?

Em segundo, já não basta a direita roubar constantemente as ideias dos radicais de esquerda ou anarquistas, as suas formas de luta social ou as suas manifestações contraculturais - por exemplo, o Metal cristão -, como ainda por cima, temos agora instituições públicas a quererem ser "cool" usurpando a cultura alternativa com "fanzines-agendas" ou "feiras de edição independente". Se com a GALP ou EDP vive-se o "greenwashing", nos museus de arte contemporânea é o "artwashing", então é melhor cunhar já um "zinewashing" para estes tempos manhosos que vivemos...

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Dois ou três pensamentos soltos (2)

O mundo das coincidências cósmicas é tremendo! Passado alguns meses depois de escrever estas linhas sobre livros de referência, pimba! eis que aparece o simpático HQ: uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações de Rogério de Campos.

E quem é o Rogério de Campos, perguntam vocês? Olha, só para começar é mais uma das cabeças da mítica revista Animal, foi o responsável de introduzir o Mangá no Brasil de forma coerente e agora é o "boss" da Veneta, uma importante editora brasileira de BD. Curiosamente conheci-o em pessoa no Festival de BD de Angoulême, em 2020, tendo valido a pena fazer tantos quilómetros para descobrir (sem querer) mais um ídolo da juventude!

O seu livro é uma tentativa de escrever sobre BD de uma forma excitante como Greil Marcus o fez com As Marcas de Baton (Frenesi; 1999) sobre os Sex Pistols e o fenómeno Punk (and beyond that!) mas infelizmente, a BD não é tão excitante na sua mitologia como o Rock, e falha nesse sentido. Em compensação invés de ser mais uma história chata da BD, Rogério, como mestiço e periférico cultural que é (e grande profissional do mercado editorial), soube misturar tudo numa narrativa sólida sobre a História da BD evitando os discursos simplistas dos cromos das várias indústrias de BD (o triângulo dourado França-EUA-Japão). Troca tanto e tudo que mesmo quando os capítulos sugerem uma dessas indústrias, ele acabará por falar de noutra coisa que parece não estar ligada. Por exemplo, o capitulo dedicado ao "Mangá" irá parar ao underground norte-americano, quando anuncia o capítulo "France" acabará por falar do grande assalto dos "comics-books" e sobretudo do Mangá no mercado europeu. Parece disparatado, dito desta forma mas não é de todo, muito pelo contrário, como ele nunca se perde e conhece bem os segredos profissionais deste mundinho da BD, tudo vai escorreito como um bom vinho. 

E ao misturar "tudo", não deixa os leitores ficarem nos seus guetos predilectos ou os seus "safe places". Ou seja, o perigo de um tarado do franco-belga ou do mangá de só ler o capítulo que lhe é querido é aqui impossível, terá de ler tudo para receber toda a informação que lhe interessa, porque tudo está interligado a dada altura. Cheio de observações interessantes, com capacidade de síntese e uma vontade explorar a política para o mundo da BD (o que os cromos acham isso herético!), só não lhe posso perdoar a ausência de assinalar o Guido Buzzelli como o primeiro verdadeiro artista na BD, as ilustrações centrarem-se quase todos no catálogo da Veneta e a falta de pensamento sobre as "minorias culturais" (que são só muito mais de metade da população do planeta mas enfim!) como as mulheres e não-binários. O texto ficaria ficaria maior mas, meu!, era 2022 quando saiu o livro e a Julie Doucet já tinha sido elegida como Presidenta do Festival de Angoulême nesse ano! Grave! Apesar destes pecadilhos e espartilhos masculinos, eis um livro que faz justiça ao seu título. Não é punk mas é rápido, curto e incisivo!

O norte-americano Christopher Sperandio voltou este mês a Portugal com uma exposição na Tinta nos Nervos e trouxe uma série de novos livros seus, um "teórico" e outros de "comix-remix" - o mais recente que saiu pela nossa parceira Kuš! terá uma resenha minha na próxima A Batalha

Comics Making : teaching the technology of comics (Argle Bargle; 2021) é uma colecção de ensaios de Sperandio de como fazer Banda Desenhada à sua maneira, isto é, usando BDs antigas e dando-lhes um belo de um tratamento "detournement" situacionista para passar novas mensagens (políticas). A ideia não é nova, claro, e nada melhor do que reciclar o lixo da História para fazer Arte nova, como os franceses Samplerman ou o Fredox e o português 40 Ladrões. Para política, o lixo se não for contemporâneo, como faziam os Situacionistas ou fazem os activistas "underground", coloca alguns problemas... 

Há um limite temporal-legal que Sperandio utiliza para usar o material dos outros para rapinar. Este tem de estar perdido para os olhos dos advogados da propriedade intelectual, e é por isso que ele (ou o Fredox e o Samplerman, já agora) usa "comic-books" com uma boa idade para cima dos 75 anos de existência, ou seja, quando essas criações entram em domínio público. A questão é como usar essa lixeira popular para as novas lutas sociais e políticas deste século, sem parecer anacrónico? Ou não ser uma dor de cabeça para o autor actual procurar imagens que tenham ainda aura para os dias de hoje? A mim parece-me impossível, especialmente quando não há quase mulheres representadas (uma conclusão que o próprio Sperandio indica numa BD no tal livro da Kuš!) ou "bem representadas" porque elas aparecem como meras companheiras dos homens, submissas e a servirem de isca para serem salvas pelo super-macho com músculos. E africanos ou asiáticos? Estes são também pouco representados, ou pior, quando o são, são subalternos, sub-humanos ou vilões! Não há "detournement" que valha quando a matéria visual é logo limitado em riqueza (ou na mera realidade) humana. 

Também não me parece que a evocação à Nostalgia, como arma de arremesso político seja uma boa ideia, porque a Nostalgia é do mais perigoso que há, usada pela Direita para nos adormecer com a retórica do "antes é que era bom". Até a Direita (a alt-right) sabe que mais vale usar uma bonecada Anime para fazer um méme racista e sexista do que usar uma imagem colonialista dos "bons velhos tempos". Esteticamente até parece que Sperandio quer dizer que os jovens de hoje são iguais aos dos anos 50 quando saíram tantos belos mutantes a partir dos 60! Não sei porquê, apetece-me voltar ao Burroughs mas desta vez citando-o: (...) he didn't want any juvenile connections, bad news in any language.

De resto, Sperandio faz uma boa súmula para principiantes sobre a tecnologia de impressão dos materiais e técnicas de como os reutilizar. Um erro num texto sobre a proveniência da palavra "zine" (diz que é de "magazine" e não de "fanzine") põe tudo a perder... Ignorância ou gralha? Ei-de lhe perguntar quando o apanhar por aí!

Como no "post" do ano passado acabei com um indicação a uma obra de referência portuguesa e o tema geral era sobre a raridade deste tipo de trabalhos no mercado nacional, eis que no mesmo ano foi feita outro livro sobre BD portuguesa também pela SHeITa. E sim, só se pode esperar merda, claro, porque é feita com o pior gosto dos "melhores" editores portugueses de BD. Convenhamos, a começar pela capa, o grafismo e desnecessária impressão a cores (receberam uns belos dinheiros comunitários para gastar à grande e à francesa), Conversas de Banda Desenhada de Carina Correia e João Miguel Lameiras é um terror editorial! Mas como nunca temos testemunhos dos autores de BD portugueses - a não ser quando arrotam postas de pescada nos festivais de BD, seca total! -, torna-se num documento bastante interessante para o público em geral (bom, pelo menos metade do livro) e para o que é especialista. Apesar do plantel escolhido ser um 50/50 de autores desinteressantes e de artistas com voz própria, em linhas gerais, pode ser bom para todos os que leram perceberem como se movem estes criativos em Portugal, e quando possível, o que lhes faz correr sem cansar.

Justamente, raramente se fala de Arte ou BD como Arte, o foco das entrevistas é quase sempre sobre o dinheiro e a carreira. Parece que me repito nestes dois "posts" mas é verdade: mulheres, claro, há uma apenas, a Joana Afonso, que apesar de ser uma boa artista comercial de BD (para quem gosta), é só mesmo isso, uma artista comercial croma de BD; o Luís Louro é uma cagão como sempre foi and we don't give shit; Filipe Melo y su muchacho nem me lembro nada para comentar tal a quantidade de clichés ditos; Osvaldo Medina revela ser um mero mercenário (a atitude dele perante os livros sobre o presidente angolano Agostinho Neto que "biografou" é exasperante) e creio que ele só está neste livro porque tal como a Joana Afonso fizeram álbuns de BD prá SHeITa; Jorge Coelho apesar de se o gajo que desenha prá Marvel revela mais sobre o underground lisboeta que alguma vez os ignorantes dos seus entrevistadores saberão (boa Jorge!); e é quando entram o Nuno Saraiva, Paulo Monteiro e Marco Mendes (os que podemos considerar artistas mais à séria) é que o livro torna-se iluminado com boas doses de poesia, humor, vida e experiências que fogem à mera "Bêdêzinha". Se calhar os outros até teriam algo para dizer (duvido muito) mas com os entrevistadores a serem apenas cromos da BD e da cultura Pop, a fazer piadinhas constantes sobre pitéus e cuja única pergunta repetida até à exaustão (e em alguns casos inútil) sobre um tema contemporâneo é sobre o que é que os autores acham destes tempos "perigosos" do "Politicamente Correcto" (ai ai ai que medo!),... Com perguntinhas destas nunca poderiam ir muito mais longe, parece-me. É pena! Ainda assim como já escrevi, fica aqui um documento importante para a posterioridade, dado que a BD é uma área de que ninguém (generalistas ou especialistas) parece saber nada de nada - incluindo a parte menos interessante como o dinheiro.

domingo, 24 de setembro de 2023

UBICCC

Não sabemos como vamos estar nestas duas feiras neste fim-de-semana:



 cartaz de Sara Chitas


ccc@feira.anarquista.do.livro.de.lisboa.2023


Lá estaremos com A Batalha e encontraremos a malta do Forte Prenestino 

Acaba hoje

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

ccc@queer.market.23


Como tem sido hábito desde 2018, uma selecção de títulos nossos estará presente no Queer Market do festival Queer Lisboa.

 

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Será a caneta mais poderosa do que a espada?




A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas a este desafio em Banda Desenhada por uma série de artistas. 

Este mês é a vez de DASL que é avesso a autorias...

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Escape-ism em Lisboa, HOJE

Um mundinho de coincidências! Ainda não recuperámos do feedback da resenha que saiu no Público ao último livro do Svenonius e eis que ele vai tocar ao Lounge HOJE às 21h30! Uma boa forma de acabar as férias ou (re)começá-las, depende de cada um...

O Lounge diz isto: Em 2009, Svenonius visitou Lisboa pela primeira vez para um concerto no Lounge, então a acompanhar o amigo (e boss baterista) Publicist. Quase quinze anos depois, o fundador de Nation of Ulysses, The Make-Up, Weird War e Chain and the Gang regressa ao Lounge para apresentar o mais recente projecto ESCAPE-ISM

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Elas voltaram! E já foram embora...



Com uma nova cara! Elas? És tu!

Eis a segunda edição das cartas de oráculo ilustradas 

It's you

de 

A artista Amanda Baeza (do livro Bruma) criou uma galeria de 85 retratos a partir de imagens encontradas na Internet, celebrando a diversidade humana e uma miríade de acções e sentimentos.

Com um esquema compositivo e cromático próximo do clássico Tarot de Marselha, essas imagens foram agora transformadas num baralho oracular, pronto a ser empregue de forma livre pelos seus utilizadores. 


Foram feitas duas versões, uma castelhano com a Fulgencio Pimentel, e outra em inglês com a Kus!

Só 100 exemplares da versão inglesa estão disponíveis em Portugal pela Chili Com Carne... e ESGOTARAM!!



Talvez ainda podem encontrar na Linha de Sombra, Tinta nos Nervos, Stet, Vida Portuguesa e Senhora Presidenta (Porto).

Eis fotos dos dois baralhos e um cão enamorado por elas:



sexta-feira, 18 de agosto de 2023