sábado, 11 de novembro de 2023

ccc@FEIA#3


 

Vai haver terceira FEIA na Casa do Comum, lá estaremos com a nossa selecção de livros do nosso catálogo que tratem de música (REP, Balli, Gato Mariano, Nunsky), tenha música (Travassos, Zimbres + Mechanics, Krypto) ou os artistas sejam músicos (Coelho, Pita, Smith, Mariano, Rudolfo, Manouach) ou ainda edições fonográficas nossas. Faremos bons preços!! 

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Humanos : A Roya é um rio

Baudoin & Troubs

figurandorecuerdo(s); 2019


Edmond Baudoin é uma figura ímpar na BD francesa com uma longa carreira que foge às modinhas da indústria, especialmente quando começou nos anos 80, em que não era fácil partir o molde do álbum franco-belga com maminhas à mostra. A relação com Portugal não é normal, como aliás, como acontece com outros autores – olhem o espanhol Max que foi publicada uma BD n'A Batalha #288/289 -, quero dizer, ambos fartaram-se de nos visitar mas publicá-los ‘tá quieto! 

Baudoin visitou o Salão Lisboa 2000, depois passou tantas vezes pelos festivais de BD da Amadora e de Beja que perdi a conta e ainda voltou em 2020 à galeria Tinta nos Nervos em Lisboa, sempre com exposições de originais estupendos. Ainda por cima, ele é um amor de pessoa, cheia de boa disposição, simpatia e humildade, quem não teria a vontade de o editar? No entanto, até hoje, só saiu uma BD curta na revista Quadrado #2 (3ª série; Bedeteca de Lisboa; 2000) e o livro A Viagem (Levoir; 2015) - que faz parte daqueles 10% dos títulos que merecem ser lidos na horrorosa colecção Novela Gráfica que saí com o Público todos os anos. Querem mais? Procurem este álbum em galego-português porque não há mais nada para quem não atina com o francês, daí justificar-se divulgar aqui um livro com data de 2019.

Feito em parceria com Troubs, outro autor de BD francês que gosta de viajar e que em conjunto contam com pelo menos cinco livros editados, ambos vão retratar as caras de refugiados e de pessoas que os apoiam na sua marcha – sendo que essa solidariedade pode ser punida por lei. Roya, é um rio entre França e Itália, onde acontece um diário jogo do “gato e do rato” entre refugiados (ilegais) a tentarem passar as fronteiras e a bófia mas também das associações de apoio ou de apenas indivíduos insubmissos que decidem ajudar os refugiados. Mais que uma BD com um sentido narrativo clássico é uma galeria de retratos e de pequenas histórias, com algumas derrotas e algumas vitórias, como só Baudoin poderia “caligrafar” com a sua tinta. São belas as caras de todos estes humanos que os governos tentam desumanizar ou diabolizar. E se o exercício parece fútil ou exploratório, isto é de desenhar os retratos de pessoas em stress ou trauma, na realidade, é na realidade apenas um subterfúgio para quebrar o gelo, para que essas pessoas comecem a falar das suas histórias pessoais, de longe está a estetização da tragédia alheia.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Será a caneta mais poderosa do que a espada?




A edição portuguesa do Monde Diplomatique tem publicado, sob a nossa coordenação, as respostas a este desafio em Banda Desenhada por uma série de artistas. 

Este mês é a vez da Matilde Basto (2001, Lisboa), licenciada em Ilustração na London College of Communication. Tem um trabalho de ilustração diverso e experimental com foco em exploração de técnicas de impressão. Publicou o seu primeiro trabalho de banda desenhada em 2022, Casal de Santa Luzia, integrado no zine Mesinha de Cabeceira.

domingo, 5 de novembro de 2023

Somos os melhores ou lá o que é...

 


Segundo o Flynn Kinney, um bom gringo que vive em Lisboa, e que colabora no fanzine Bubbles. Este Top 10 é de 2022 e saiu no número 16. Fixe, mámêne!

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing Toing


Conheci a Ravenna este ano e demorei a digerir esta sua k7 intitulada Selected Works 2017-2019 (AMDNP; 2022) sobretudo porque é uma caixa de surpresas. Apesar de ser mais conhecida como saxofonista - o que me pouco interessa como instrumento, devo admitir - começa logo com uma tortura electrónica Noise inesperada, e essa sensação de espanto irá continuar ao longo da fita o tempo inteiro. Depois dos doze minutos de tortura, vai para o saxofone, depois para música(s) ambiente(s), toca piano, guitarra, capta gravações caseiras embriagadas, "field-recordings" e dronaria, iá, é a mulher dos sete instrumentos! O que torna difícil avaliar o conjunto da obra, pelo menos desta forma amadora como faço aqui, neste blogue. O engraçado é que todos estes temas dispersos em géneros e anos (apesar de não creditados) estão unidos de uma forma que parece uma peça única (no bandcamp da Ravenna isso até é assumido como tal), o que cria uma sensação de viagem ou de sonho. Graças a isso nós, meros mortais, podemos absorver esta jornada sonora sem problemas de erudição musical, ufa! O problema é sempre passar os primeiros doze minutos!

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Hoje é...

 


SEXTA-FEIRA 13!!! Para todos os tarados supersticiosos é melhor hoje não sair de casa, não vá um merdas de tuk-tuk (ou é tik-tok!?) atropelar-te! Mais vale ficar a ouvir música no sofá mesmo que seja este Pacto com o Diabo, recentemente editado pela Sinais e Universal Tongue - esta última uma editora que bem curtimos

Trata-se de uma colectânea de bandas nacionais de Metal a homenagearem os Black Cross, a mítica (cóf cóf cóf) primeira banda Black Metal 'tuga, sobre os quais as duas editoras já tinham feito, em 2019, um livro sobre a sua divertida história (escrevi uma resenha n'A Batalha, babes, fuck 'net!) incluindo também um CD que reeditava a demo-tape Sexta-Feira 13, de 1986, e mais uns temas extras ao vivo. Podiam ter ficar por aqui, toda a gente ficaria feliz, tipo História e Património recuperados, caso raro em Portugal, mas nãooooooooo... Nem é pelo pessoal ser metaleiro, porque esta doença do completismo, "peter-panismo" e elaboração de realidades paralelas calha a todos, dos maluquinhos dos Beatles aos da Marvel. 

Eis que avançam com revisitações sonoras os Decayed (esta sim a primeira banda "oficial" de BM'tuga, ou então a primeira de BM memo'à séria!), Morte, Martelo Negro, Cães de Guerra e os novatos Red Eyes, que infelizmente nenhuma destas bandas conseguiu melhorar o que era impossível de melhorar, isto é, uma banda metaleira dos anos 80 com letras muito naifs, de miúdos do Barreiro, fruto do seu tempo, colados a Venom e que só editaram uma demo. É certo que o "mito" em volta de Black Cross extravasa a demo-tape, concertos e a música porque há um culto ao kitsch da virgindade portuguesa naqueles anos em que podiam acontecer crossovers culturais bizarros q.b., hoje impossíveis de repetir. Os Black Cross que nunca tiveram uma carreira profissional sólida, ganharam notoriedade com um anúncio televisivo contra as drogas, e à pala disso foram meter nojo à "VIParia" da altura numa almoçarada institucional com o Presidente da República e Pop stars, apenas hilariante! Menos divertido são estas versões, que parecem apenas melhoramentos profissionais (execução, gravação) do que uma homenagem à séria. O que as bandas deviam ter feito era uma verdadeira orgia satânico-destrutiva para termos algo mais do que um simples "update" ao original. Como sabemos sempre que há "updates" no sistema, as coisas começam a funcionar pior... especialmente numa Sexta-Feira 13!

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

ccc@fexti

 

cartaz de Amanda Baeza


Sábado 14. 17-18h Mesa de diálogo sobre el panorama del cómic en Portugal con João Sequeira y Marcos Farrajota. Conduce Pablo García Martín. 

Sábado 14. 19-20h Encontro con autoras con Amanda Baeza y Mayte Alvarado. conduce: elena Masarah

Domingo 15. 11-12h Charla sobre fanzines con Amanza Baeza, Marcos Farrajota y Roberto Massó. Conduce Gerardo Vilches.

+ info aqui

terça-feira, 10 de outubro de 2023

O meu 1bigo é meu amigo, o seu cotão é meu irmão*


A revista Umbigo publicou, neste número de Setembro / Dezembro, um diálogo gráfico entre Tiago Baptista e a Bedeteca da Amadora e com os vários livros da Chili Com Carne a serem bombados na bibliografia da peça!! Não percebemos qual a raison d'etrê disto tudo, admitimos que estamos confusos com os meandros da Arte Contemporânea mas obrigado, sei lá...


*Repórter Estrábico sempre!

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

O que é isto?


É o Vale dos Vencidos de José Smith Vargas!!

O próximo grande livro da Chili!!!

Está na recta final e esperemos estar presente na próxima BD Amadora até porque vai ter lá exposição destes originais!

Cruzai os dedos!

E ainda estamos a discutir as cores da capa!!!



Quem diria?


Fui ao Festival de Fanzines e BD de Alpiarça, assim em modo de "onde é mesmo Alpiarça!?" e comprei muito mais fanzines do que na capital Raia. Marado, não é?

Logo à cabeça peguei no novo número do Olho do Cu, cujo número 25 foi feito para sair no festival. Energia punk desta já não há em lugar nenhum! Engraçado as "vinhetas-BDs" de Lard a lembrar o surrealismo do Miguel Carneiro há 20 anos, o "goldenshower" da equipa Karimo e Sanchez (já lá vou) e sobretudo a BD dos "três estarolas do Metal" que confundem Holocausto Canibal e Carcass com o Holocausto de Merda do Carlos Carcassa, muitaparvo este A5!!!

Na mesma mesa do Olho estava uma antologia brasileira, onde Carcassa participou, intitulada Pé-de-Cabra - acho que confundi com aquela banda de Hardcore de Linda-A-Velha que tocava o Punk Pudim! O número dois, de 2019, tem como tema a "Doença" (mais um profético para os anos covid), e quem esperar daqui BDs realistas e intimistas sobre este tema, evocando os grandes Harvey Pekar (Our Cancer Year) ou David B (L'ascension du haut mal), esqueçam. O objectivo é escatologia gráfica para meter, e conseguem!, aquele nojo "underground" sem terreno beatificado. Destaque para o Diego Gerlach, um dos poucos artistas brasileiros que vale mesmo seguir e que ninguém em 'tuga tem colhones para publicar! Mas há mais malta com interesse para quem gosta de gangrena: Victor Bello, Panhoca (que é o editor da revista), Marcio Bocchini, Bruno Guma, Fábio Vermelho e Fralvez. Diga-se que o "besteirol" brasileiro está a ficar mais sofisticado e graficamente exuberante (mesmo quando trata de borbulhas e pus) no seu bom A4. Só por isto valeu a pena ir a Alpiarça!!

Depois numa mesa de uns miúdos (Colectivo Tribeart) encontrei umas produções bem amadoras e verdes dignas de chamar de fanzine nos anos 90 - embora se tenha de contactar a Biblioteca de Alpiarça para arranjar esta pérola, olha o zinewashing! O Among Us #0 ganhou-me o coração até porque era um "benefit" para um canil. Os miúdos agora só pensam em Manga e Anime mas já começam a javardar também com isso. Um pouco, creio - até porque se calhar eu não conheço as referências... Mas pelo amadorismo e aura naive, parece-me bem melhor que a tonelada de "dojinshis" (fanzines em japonês) que uma amiga minha trouxe recentemente daquelas bandas. Destaco uma tal de Beatriz, acho, porque ou não se creditam os trabalhos ou não se percebem as assinaturas, que faz uns monstros bem "cool". E também para uma BD infográfica sobre a Polónia, o país que mais guerras perdeu. A5 a cores porque a Biblioteca deve ter pago as fotocópias, ao menos isso...

Mas a melhor peça foi Valkiria do português Samir Karimo e do espanhol Miguel Ángel Sánchez, um projecto ibérico em que Portugal fica logo a perder porque só há edição em castelhano. Felizmente ainda haverá o dia que não consumirei cultura em "espanhol"! Editado pela MASK Comic Projects, em 2021, trata-se de uma história 36 páginas A5 completamente alucinante - o escritor Karimo gosta de se afirmar como "splatterpunk" - com um desenho maravilhoso à la Art Brut

- Oh, já sei, haverá palhaços a dizer que "até o meu filho desenha melhor que isto!" mas eu responderia logo: "olha, então que o merdinhas tente fazer o mesmo!" 

Aqui, os corpos nas BDs são de plasticina, ainda mais moldáveis que os torturados pelos Cenobitas do Hellraiser, isto para entrarem noutros corpos e dimensões ou para  serem penetrados por demónios e outras criaturas fantásticas numa cosmogonia muito particular e que estou ansioso para descobrir mais. Há mais zines que continuam esta "saga" (?) e brevemente vou lê-los. Só tenho medo de saltar de excitação não vá o diabo tece-las e entrar-me pela pila! Mais sobre estes bons loucos para breve... Ou no blogue da MMMNNNRRRG ou nas páginas d'A Batalha, veremos!