sábado, 3 de setembro de 2022
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
Vai ficar uma brasa... que vai ser preciso beber cerveja!! (esgotou a cerveja e acabou a brasa!)
30 anos é muita idade para um fanzine!!
Suspeitamos até que possamos ficar xéxés. No entanto o Mesinha de Cabeceira sabe o que faz - é a vantagem dos mutantes. Criado por Marcos Farrajota e Pedro Brito em 1992, já foi de tudo, fotocópia barata, perzines de Farrajota, serigrafia, alto, baixo, agrafado, brochado, grosso, fininho, graphzine, antologia e muitos trabalhos a solo, indo desde o infame norte-americano Mike Diana até ao cometa Nunsky.
Desde o ano passado que este título lembrou-se de voltar às bases, publicando monográficos de novos talentos, projectando-os prá praça pública. Foi o que aconteceu com André Ferreira e Alexandra Saldanha. Agora, de uma assentada só, e aproveitando a sobrevivente e sexta edição da Raia, lançámos dois títulos.
E não poderiam ser mais diferentes entre eles.
O número 31 é do jovem Marco Gomes (Hamburgo; 1995) que começa uma série de BD, Cerveja Depressão, com uma história intitulada Das Schwarze Lock (trad.: O Buraco Negro). Cerveja Depressão é um mergulho nas fantasias perversas e depressões que andam de mão em mão com o fundo de cada garrafa, copo ou lata (para os menos refinados) do qual tanto usufruímos para nos adormecer da realidade por uns breves momentos, mas que nos atira para um vazio sem fim. Das Schwarze Loch é uma aventura num mundo embriagado criado na sua própria mente onde é obrigado a enfrentar dos seus mais profundos medos. O ritmo é alucinante e faz de Marco um potencial autor a conquistar os mercados do mundo.
Força, meu!
O número 32 é o regresso maroto de André Ruivo (Lisboa; 1977) à Chili Com Carne (lembram-se do Mystery Park?) e ao Mesinha de Cabeceira onde colaborou entre 2003 e 2005. Hot é também é um regresso do Mesinha ao formato graphzine, apesar de uma mini-BD aqui metida! Este molho de desenhos cheios de rabiosques, pilinhas e maminhas prova que o sexo em 2022 pode ainda a ser divertido e amoroso. Chuac!
Entretanto a Tinta nos Nervos disse sobre o HOT: explorando o modo como os corpos e os sexos (todos e tantos) podem ser tão lúdicos como o Lego. Apenas para vacinados! E a cores! E a Sara Figueiredo Costa no Livros para atravessar a semana escreveu: A edição #32 do Mesinha de Cabeceira, publicação polimorfa que já foi fanzine fotocopiado na velha escola e encadernação com lombada, de autoria individual ou colectiva, é assinada por André Ruivo. Hot é um livrinho onde a nudez, a intimidade e o sexo se mostram em linhas claras e cores saturadas, sempre com um olhar terno, atento aos pequenos gestos da comunicação e do toque. Um homem e uma mulher compõem o par que entra nesta dança do desejo, ambos munidos de um corpo que se revela sem vergonhas e de uma vontade de chegar ao outro que implica diálogo e negociação com vista ao prazer. Como sempre, as imagens e as pequenas narrativas que se vão estruturando nascem de desenhos falsamente simples, uma linha que define a forma e manchas de cor que lhe dão contraste, textura e movimento, guardando-se em cada composição um manancial de sentidos, pequenos pormenores sobre o modo como nos relacionamos, como pensamos, como podemos perder-nos em tantos “ses” e “porquês”, como o humor é também uma partilha. Por entre a nudez explícita e o sexo sem cortinas para disfarçá-lo, Hot é um livro delicado e muito perspicaz sobre o desejo e as suas esquinas e também sobre como nos encontramos a nós mesmos/as quando nos perdemos num corpo alheio.
E o Bandas Desenhadas sobre a "cerveja": Com um ritmo desenfreado, quase como se fosse um sucedâneo de Tex Avery, Marco apresenta-nos uma imaginativa e divertida viagem, revelando um autor que merece toda a nossa atenção...
E a "pankaria" do Ninho de Rattus, secção da Loud! escreveu: destaque para Das Schwarze Loch, (...) de Marco Gomes (também conhecido no universo punk como guitarrista dos Manferior). (...) este livro com pinta de zine leva-nos a um delírio etílico que mergulha em fantasias e depressões e que se afastam da realidade nas fantásticas ilustrações de Marco Gomes.
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Casal de Santa Luzia - ESGOTADO
O novo Mesinha de Cabeceira foi impresso em risografia pela super-bacana Mago Studio!
Carambinha, o MdC também sabe andar na moda mesmo com 30 anos de existência!!
E não é só sobre... gatos!
Casal de Santa Luzia é realmente mais do que isso. Matilde Basto (2001) vai mais longe nesta banda desenhada para criticar uma cidade - Lisboa, que não haja dúvidas - que se vende ao metro quadrado sem qualquer enquadramento ecológico ou sociológico. O ambiente da BD entra em algo de Fantástico - lembra superficialmente o início da série Gideon Falls - sem nunca entrar numa aventura sci fi espectacular. Se há fogo de artifício esse passa pela mix-art da autora.
BD de 48 páginas mais ou menos A5, impressa uma cor (verde) em risografia e uma capa a duas cores, é mais um fascículo deste zine que comemora os seus 30 anos, sendo que a obra foi realizada no âmbito de um estágio não-explorador da London College of Communication entre Março e Maio 2022.
ESGOTADO mas pode ainda existir na Linha de Sombra, Tigre de Papel, Matéria Prima, ZDB, Snob, Alquimia e Tinta nos Nervos.
Lançado no Penhasco, 16 de Julho, com unDJ MMMNNNRRRG (single e com singles)
Entretanto o André Ferreira (por email) comentou isto: Do Casal de Santa Luzia gostei muito dos desenhos, mas o que mais me surpreendeu foi a forma como a história é contada, como a Matilde Basto nos vai dando pistas, como todos os pormenores contam e ampliam o significado da narrativa. Os gatos são o símbolo duma ameaça que paira sobre todos, um cerco que se aperta, e que nos vai expulsando dos espaços. A seguir para onde vão os gatos? Para onde vamos nós?
O Rodolfo Mariano: Gostei muito do Casal de Santa Luzia. O que parecia ser uma história fantasmagórica misteriosa, sem perder esse lançar das conchas sobrenatural, transforma-se numa mensagem de chamada de atenção para o degredo imobiliário. As sequências e o desenho são bons, os desenhos dos interlúdios mais elaborados suaves cremosos fazem um bom contraste com o desenho riscado imprevisível.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2022
"Depois passo por aqui com mais calma e menos pessoas" - Cabotino Monedas dixit
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1972 / 2022: 50 anos de fanzines de banda desenhada em Portugal - E agora?
Sem desprimor para edições precursoras, como “O
Melro”, editado nos anos 40 por José Garcês, podemos apontar o ano de 1972, como
marco inaugural da publicação de fanzines de BD com o surgimento de títulos
como Árgon, Saga, Quadrinhos, Orion, Ploc!, Yellow Kid e Copra. O 25 de abril
de 1974, proporcionou um novo ambiente de liberdade editorial e de expressão,
assistindo-se à disseminação de edições em diversos locais do país, com especial preponderância de Lisboa e do Porto. Ao mesmo tempo, ocorre
um notório desenvolvimento dos mecanismos de impressão e reprodução, tornando-os
bastante mais acessíveis, o que facilitou o aparecimento de diversas publicações.
Nesses tempos, os fanzines constituíam um espaço de partilha e divulgação de
trabalhos e expressões dos seus autores e em menor escala, de veículo de
intervenção cultural ou social. Estas publicações, assumiam-se como única
alternativa para muitos autores apresentarem os seus trabalhos, uma vez que o
acesso à publicação em álbum estava vedado à maior parte deles. De forma
amadora e com uma qualidade muito oscilante, iam surgindo pelo país as mais
variadas publicações que incluíam BD e alguns textos de divulgação e muito raramente
de crítica e reflexão. Na segunda metade dos anos 70, aparecem publicações como
“Estripador”, “O Evaristo”, “O Ovo”, “Prancheta”, “Vinheta”, “Gazua”, entre inúmeros
outros. Realizam-se também diversas Feiras, Salões, Festivais e Jornadas que
permitem aos editores e autores apresentar as suas publicações e contactar
directamente com o público.
Depois de algum fulgor registado nos anos 70 e 80, o
movimento fanzinista começa a decair gradualmente a partir dos anos 90, tendo
vindo a definhar no novo milénio, à semelhança do que foi acontecendo à BD mais
alternativa produzida e editada em Portugal. Os propósitos principais da edição
fanzinistica, como sejam a divulgação de trabalhos autorais, a partilha e
interação comunitária, foram sendo substituídos no quotidiano por formas de
entretenimento mais modernas, como o home-vídeo, os computadores pessoais,
consolas de jogos eletrónicos e muito especialmente pela internet. A rede
global, prometia uma conectividade alargada e a possibilidade ilimitada de
chegar facilmente a toda a gente em todo o lado. Ao invés, esta utopia foi
sendo obliterada por uma generalizada resignação melancólica e pela crescente
atomização social, onde a auto-suficiência activista se satisfaz na
artificialidade de um ecrã e respectivas caixas de comentários. Hoje em dia, os
mais jovens só comunicam através de mensagens curtas e estão soterrados numa
cultura narcisista de selfies. Lamentavelmente, as novas gerações estão a esvair
a sua energia da arena política e cultural e a aplicá-la somente nas redes
sociais para o respetivo círculo fechado de amigos.
Aqui chegados, impõe-se a questão se os fanzines fazem
algum sentido actualmente?
Quando o espectro do frio, da fome e da guerra paira
ameaçadoramente sobre milhões de pessoas, parecerá fútil escrever sobre fanzines, mas para
toda uma geração de jovens oriundos da classe trabalhadora, que não tinha
acesso à alta cultura e sem dinheiro para adquirir os originais em suporte
físico (discos, livros, filmes, etc.), a televisão pública (RTP 2), a imprensa
musical e os fanzines, foram fundamentais para a nossa formação e vivência,
pois significavam a irrupção do culturalmente novo e provocavam algum distúrbio
num quotidiano de horizontes bastante delimitados. Eram esses pequenos abalos
que permitiam sonhar que algo poderia mudar em outras áreas da vida, que talvez
as estruturas e o sistema vigente não fossem imutáveis para sempre.
Actualmente, assistimos à progressiva
desmaterialização da vida e à manipulação da informação de modo a condicionar
qualquer tentativa de pensamento crítico, caminhando para uma situação de
infertilidade imaginativa e de constante repetição de estilos e de modas, sintoma
evidente de uma cultura estagnada e completamente zombificada.
Acredito convictamente que os fanzines poderiam contribuir para insuflar a BD e a cultura com alguma vida, agregando as novas e as antigas gerações em projectos comuns e, gerando múltiplas ignições de novidade, de talento, de inconformismo e ousadia.
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sábado, 9 de julho de 2022
Será a caneta mais poderosa do que a espada?
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quarta-feira, 6 de julho de 2022
Hoje Não ESGOTADO na Chili...
Há em Hoje não um rigor gráfico virtuosamente obsessivo e um uso exaustivo das palavras, que me captura dentro de páginas-labirinto. Como se a autora me obrigasse a permanecer neste espaço claustrofóbico tanto tempo quanto aquele que investiu para desenhar aquela página. Mas a fluidez e originalidade das suas soluções narrativas deixam-me desarmado, vulnerável ao correr do tempo, cúmplice dos seus dias. Percorro as páginas como num jogo de xadrez, tentando antecipar jogadas e surpreendendo-me com os desenlaces. Xeque-mate.
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Com um novo confinamento a chegar, este livro é um registo diário entre 16 de Janeiro e 26 de Junho de 2021, com a premissa da autora não voltar a perder a noção do tempo, documentando tudo e qualquer coisa que aconteça no dia e resumindo o mais importante em apenas cinco linhas.
Cada página corresponde a um dia onde se capturam os limites da identidade pessoal num momento tão atípico na história da nossa existência, através das rotinas diárias, das crises existenciais e do que se vê na sociedade.
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Ainda se encontram exemplares à venda na Matéria-Prima, Sirigaita, Senhora Presidenta, Fábrica Features e Utopia.
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Historial:
obra vencedora do concurso interno Toma lá 500 paus e faz uma BD! 2020 .
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a única exposição relevante na BD Amadora 2021
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entrevista na TSF
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lançamento oficial no dia 27 de Novembro 2020 na Tinta nos Nervos com participação do psicólogo Vasco Oliveira
...
apresentação no Museu Bordalo Pinheiro, 12 Dezembro, 15h, com Marcos Farrajota
...
entrevista no Todas as palavras.
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Labels: 500 paus, ana margarida matos, Colecção CCC, marcos farrajota
La Terrible Histoire des Trois Cervaux de Magnólia --- ESGOTADO
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MMMNNNRRRG
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Labels: alexandra saldanha, marcos farrajota, Mesinha de Cabeceira
sexta-feira, 1 de julho de 2022
Chicão: lançamento no Zénite amanhã, às 18h
O Chicão já anda nas últimas!!! Teve mais sucesso que o outro nas últimas eleições...
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segunda-feira, 20 de junho de 2022
ccc@Crack.2022
Back to Crack!
This year we are represented by André Pereira and Rui Moura!
Seek for Chili Com Carne table in that wonderfull mess called Crack!
Ciao!
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