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terça-feira, 11 de novembro de 2008

FEIRA LAICA EM COIMBRA

Cartaz da Mulher Bala

A Feira Laica é um projecto vivo e multifacetado:partindo de uma lógica de espaço de comércio cultural alternativo e justo, tem dado visibilidade a inúmeros editores independentes, artistas gráficos e artesãos e promovido diversos eventos geradores (exposições de artes gráficas, workshops de serigrafia, concertos, publicações).
Ao longo de 9 edições, em Lisboa, Oeiras, Seixal e Porto, a Feira Laica tem assumido um lugar improvável na vida cultural portuguesa enquanto espaço de encontro entre os criadores e o público, numa lógica que permite a aquisição de bens culturais e criações artísticas ou artesanais, sem a existência de intermediários.
A feira é organizada por um pequeno grupo informal de editores e criadores que funcionam como foco galvanizador de uma comunidade criativa muito mais abrangente. A Feira vai agora a Coimbra, a convite da Associação Casa da Esquina, com um leque de actividades que dá grande destaque à animação infantil, para além da habitual oferta de comércio cultural justo: edições independentes, ilustração, artesanato urbano, 2ª mão, serigrafia.

Nesta edição haverá uma mostra de filmes de animação feitos por Lili Carré (EUA), Aapo Rapi (Fi) do colectivo Kuti Kuti, Piirustus Kerho (Fi), Bendik Kaltenborn (No), Nicolas Mahler (At), Goran Titol (Pt), os colectivos Inguine (It) e Le Dernier Cri (Fr).
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Editores que estarão presentes: Associação Chili Com Carne, MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha, fanzine Alçapão, as autoras finlandesas Anna Kaisa Laine e Tiitu Takalo, Via Óptima, Hülülülü e Opuntia Books.
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Novidades editoriais:
- Até que a morte nos separe (Hülülülü), de Ricardo Martins;

terça-feira, 18 de novembro de 2008

São todos uns Coimbrões!

«Coimbra tem mais encanto na hora da despedida (...) Coimbra é um caixão!» cantavam os Enapá 2000 num concerto qualquer nos anos 90. Realmente se há cidade deprimente em Portugal é Coimbra - até Peniche ou Vila Nova de Famalicão parecem sítios optimistas. E Coina sempre tem um nome mais simpático!
A Feira Laica na Casa da Esquina foi um desastre como só podia acontecer numa cidade como Coimbra onde os bares tem nomes como "Abismo" ou "Buraco Negro", onde a hipocrisia é alta mas as bebidas brancas são baratas (por 700 paus na altura dava direito a 6 Vodkas no Buraco Negro), onde todas as noites gajos de batinas choram e vomitam quase ao mesmo tempo, onde a cultura não é um valor necessário - aliás, a CCC tirou as suas edições da livraria do Centro de Artes Plásticas de Coimbra porque há anos que eles não vendem nada, por outro lado e porque também estamos a acabar com a venda à consignação, será a Dr. Kartoon e a XM que irão manter-se a vender os nossos livros na "Cidade do Conhecimento"... Menos mal!
Nem a malta do Espaço - Centro de Desastres (lembram-se nos Anjos?) era tão preguiçosa e mitra como a Casa da Esquina que convidaram e co-organizaram a Feira Laica a fazer lá uma edição mas que pouco fizeram e muitos problemas colocaram - situações manhosas que não adianta aqui lavar a roupa suja, serve este "post" para chamar atenção, cuidado com os coimbrões! São arrogantes, preguiçosos e saloios. Nem a segunda mão (um dos eternos sucessos da Feira Laica) compram de tão vaidosos que são.
Por falar nisso, ainda tive de aturar a Teresa Câmara Pestana a destilar o seu veneno ridículo. Apareceu com o primeiro número da nova série do Gambuzine - agora em formato de antologia anual, pálido produto dos seus tempos gloriosos da primeira série, e já com acólitos e seguidores da sua editora. Safa-se duas boas bd's, uma impressionante de Ulli Lust sobre crianças na guerra (o efeito de substituir crianças africanas por "europeias" é espantoso! pode ser vista aqui) e a bd autobiográfica da Pestana que relata um episódio dos seus tempos de "Deutsch squating punx". A autora como pessoa é uma velhaca e uma víbora de primeira mas quando quer sabe o que faz, com talento gráfico e sensibilidade desarmante.
Kiitos e pedidos de desculpas aos editores arrastados para este fiasco: a malta do Alçapão, ao Lucas Malucas, os Hülülülüs e as suomi-girls Anna Kaisa Laine e Tiito Takalo.
Finito: Coimbra é um caixão! Mal enterrado...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mitra sound baby 2

Segunda semana do Furacão e mais umas surpresas porreiras da edição nacional alternativa!

A começar pelos Löbo e o seu CD-R de apresentação Dânaca (ed. autor; 2008) com um tema apenas de 16m. Tocaram numa noite do Mitra mostrando que vão pelos ambientes Neo-Doom recentemente popularizados pelos Earth e Sunn0))) e pelas superfícies planantes (da treta) do Post Metal. A vantagem dos Löbo é que não dão tretas como temos assistido às milhares de bandas instrumentais que tem aparecido - portuguesas ou não. Aqui a estória é outra, a cena é mesmo para ser "Dark Attack" sem tretas pseudo-sensíveis da moda e secas monumentais. E ainda por cima gravaram bem a música. A acompanhar, sem sombras de dúvida!
Um dos elementos dos Löbo, o baterista, faz parte dos The Youths, banda punkoíde que tem um EP vinil 7" ntitulado Generationless (Regulator + SxHxOx; 2007). São cinco músicas abrir de Punk / Core cheio de energia, energia essa que me passa ao lado porque há anos que não consigo ouvir as infinitas variações autofágicas do Punk e Hardcore. É nitidamente "teeny-boopy" em que conseguem dizer barbaridades não lá muito pensadas, como por exemplo, na música Suicide City que se refere a Lisboa (uma das mais belas cidades da Europa embora seja verdade que lhe falte o "verde") dizem que as miúdas de Lx são feias - tentem Coimbra ou Peniche para ver o que são chavalas feias, seus idiotitas! E já agora, a cidade portuguesa com maior taxa de suicídios é Setúbal... de onde são os Löbo! «Sorry, but no cigar!» mas ao menos a banda não tem aquela voz merdosa de gata com o cio como a dos Vicious 5. Falta dizer que a poderosa capa e design do disco é da autoria de Manuel Donada, que participou na colectiva Furacão Mitra e é baterista dos "muy" divertidos Grabba Grabba Tape. Já sabem, não julguem um disco pela capa...


Na edição natalixa da Feira Laica (a finalizar o Furacão Mitra) apareceu mais uma nova produção do Filipe Leote desta vez com um CD-R intitulado Radio CD (F.Leote; 2008) que oferecia um... rádio! Exacto, nestes estranhos dias em que a música se desmaterializa a olhos vistos, também há o caminho inverso, ou seja, quem estime o objecto raro (como uma obra de arte massificada ou não). Daí que o vinil esteja a voltar ou alguns CD's tenham embalagens cada vez mais extravagantes. Neste caso, o gozo é outro, Leote pegou em vários rádios que recebeu (?) e gravou um CD-R de 25m com uma colagem de várias peças envolta da rádio, a maior parte delas vindas da revista sobre multimedia, Resonance, mas também de outras fontes como os Negativland. De forma geral, soa aquilo o que se espera do tema, transmissões de rádio a serem saltitadas intercaladas com sons de interferência num típico jogo de experimentação sónica não muito radical. O rádio que me fez comprar o CD-R é bem giro. O Sr. Leote já fez melhor...

Para acabar, as edições da Skinpin Records que também apareceram na Laica. São CD-R's com capa impressa e geralmente ilustradas - como deveria ser regra de ouro em todas as edições fonográficas. Apneia (2008) é dos Musgo uma dupla - pelo menos até este disco gravado em 2006, acho que agora já são um trio. Dizia, que é uma dupla que faz música ambiental dronesca usando muita electrónica mas também analógico e orgânico como por exemplo uma bateria. Há algo de aquático nestes sons que flutuam pelos 50 e tal minutos de duração. Depois de ouvir a nada desagradável música, pouco fica na cabeça. Porque será? Fica a capa que talvez por nada ter haver com água seja mais memorável...

Os Ideas for Muscles lançaram o segundo "opus" intitulado Misuse of muscle's appliance (2008 - edição online pela Merzbau) que mais uma vez tem uma excelente capa de Paulo Bento. Nas notas de imprensa que fui encontrando dizem que os IFM neste disco decidiram inverter o processo do primeiro EP, ou seja, sujar as "músicas-canções" - apesar desse EP estar cá incluído. Mais caótico? Sem dúvida. Melhorou? Apesar de tudo não consigo detectar diferenças - seja como for a banda já é "melhor" do que a maior parte das porras que andam por aí. Até os títulos das músicas são fixes: Hostage's dialect ou Hands off my booze motherfucker! (que lembra os "nipo-homeless" Ultra Bidé). Fuck Portugal I got Ideas but Mitra's over!