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quarta-feira, 28 de março de 2007

europagraphics i

Nazi Knife #2 (Jonas Delaborde; 2006)
La Racle (Tetedemort; 2006)
S'ouvre la panse (Tetedemort; 2007) de Blanquet

Na França e europa da francofonia, o efeito Le Dernier Cri tem sido devastador, ao ponto de actualmente haver cada vez mais "graphzines" de arte degenerada e a serigrafia ter sido recuperada. Nazi Knife é fotocopiado em papeis de várias cores e tem colaborações de CF, Dennis Tyfus, Jelle Crama (estes dois últimos conhecidos do zine flamengo Rotkop), Sebastien Joly, Hendrik Hegray, Rory Hayes e Antoine Marquis em que muitas vezes os estilos gráficos se confundem (a maior parte dos trabalhos não estão assinados) porque há uma similiaridade dos temas nas suas paisagens de sci-fi monstruosas - quase a lembrar o barroco Druillet - e bonecos naífs. A complementar, algumas fotos quase-shock: alguém vestido de raposa de peluche em pose pin-up com uma bandeira nazi por detrás, blackexplotation e uma porca caucasiana amarrada em versão ritual S/M. C'est la vie... [3,8]
Tetedemort pelos vistos é um atelier de serigrafia que faz não só cartazes mas também livros, zines e desdobráveis usando esta técnica de impressão. E são os desdobráveis de que escrevo, o primeiro colectivo com trabalhos de Playmoo, Rica, Harald, e338, Blanquet, Angryblue, David Witt, Ad e Jimbo Valentine of Amalgam Unlimited entre outros numa estética zinista a relembrar o efeito da fotocopiadora nos gloriosos tempos antes das fotocopiadoras lazer e digitalizações. Oferece ainda uns autocolantes e um crachá [3,6]. O segundo é a solo de Blanquet, um dos autores mais influentes da bd alternativa dos anos 90, com o seu trabalho mais recente cada vez mais detalhado e escatológico [4,4].

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Nazi Knife #4, 5

Jonas Delaborde; 200_?

Da fotocópia à antologia impressa (livro) parece ser este o caminho cada vez mais normal de algumas publicações como o caso do Nazi Knife que é um zine francês mas que reúne todos os "gráficos Noise" do planeta - e a analogia não é tosca porque muitos tocam em bandas Noise: John Olson e Alivia Zivich (Graveyards), C.F., James Ferraro e Spencer Clark (Skaters), Heath Moerland (Sick Llama), Andy Bolus (Evil Moisture), Nate Young (Demons), Dom Fernow (Prurient), Mat Brinkman, os polémicos Mike Diana e Stu Mead, Leif Goldberg... Fazendo deste zine uma "bíblia" de todo o movimento "undergráfico" e essêncial para quem gosta de desenho.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

(...) o Marcos Farrajota, que me ajuda muito (e que é o punk mais generoso e mais carinhoso que eu já conheci) (...)

cartaz em Lisboa que apareceu na mesma altura do Corta-E-Cola / Punk Comix

Já perdi a conta dos documentários sobre o Punk português que foram feitos nos últimos anos. Agora foi mais um feito pela RTP e Antena 3 - Uma espécie de Punk - que é o melhor de todos apenas porque além de ser o mais curto (consegue dizer o mesmo que outros em menos tempo!) tem mais qualidade de produção e melhores imagens de arquivo. De resto, é o mesmo chorrilho de banalidades já escritas e conhecidas que vão de 1978 até 1990.

Passar dos 90 é que já têm todos medo!

Agradecem-me no final dos créditos e ao Afonso Cortez - talvez porque viram no(s) nosso(s) livro(s) A Verdade. Mas pouco adiantou, o Punk para esta malta, que anda a snifar o cuzinho do Punk para fazer guito, é só a "Música". Ora, a música é o que menos interessa, até porque 99% dela era e é uma valente merda.

Aqui vai um excerto do meu Punk Comix para ver se chegamos a algum lado: o punk tornou-se num movimento ligado à Anti-Globalização/Capitalismo, à defesa dos direitos animais, ao veganismo, femininismo e anti-racismo como relata Craig O’Hara em The Philosophy of Punk. Até, um académico da BD conseguiu perceber que: Acima de tudo, fica a ideia de que a maior herança do punk é a cultura do do-it-yourself, aliando-se então uma das tendências mais marcantes da banda desenhada moderna portuguesa, a da emergência e formidável produção de fanzines, a essa prática particular que ocorreu de forma tão dramática e especial no punk.

Mais do que isto ou é esquecido ou parece que se quer apagar de forma intencional.

Falar sobre os Punks que levaram porrada nas manifestações contra a McDonald ou contra as Touradas, isso já não serve para as narrativas bacocas destes documentários ou nas discussões que se possam ter sobre este movimento. Ignora-se que são os Punks que "okupam" as casas que o Estado ou os especuladores imobiliários que deixam ao abandono ou que lutam na rua contra a escumalha Nazi!

Pensar ou divulgar isto, parece proibitivo! Agora, passado estes anos todos, em que essa luta foi esquecida, ser Punk já é fixe desde que se esqueça as dores de quem combateu por algo que acreditava, algo correcto e para o bem da sociedade que ela própria ignora e despreza. Qual é que foi o intelectual ou artista dos últimos anos que levou na boca da polícia? Qual deles reclamou à séria da sua editora que o explora ou que explora outros? Não me lembro de ninguém, só de banalidades populistas como os feminismos à Capicua e aquela perua que queria transportes públicos só para mulheres - uma tia que nunca andou de autocarro, obviamente. Será por isso que não leio Peixotos, Tavares e quejandos? Hum...

Até dizer em público que se é Punk é porreiro. O título deste "post" é sacado de uma entrevista da autora de BD Cecília Silveira na Blimunda. A Cecília é amiga e sei que ela disse isto de uma forma coloquial e simpática numa conversa relaxada mas de repente é isto que sinto sobre "ser ou não ser punk". Tudo a gente é ou foi ou pode ser... Nada contra, a Liberdade do Punk permite-o, ao contrário que dizem os guardiões do "verdadeiro punk" - sabe-se lá se ainda existem ou que estejam preocupados com tal em 2017, no máximo acho que são coleccionadores de artefactos...

Sim, queria ser punk quando era "teenager", ter ar de galo de combate e meter nojo a toda sociedade que é mesmo nojenta. Redundante talvez, a crista veio tarde e durou pouco tempo. Ficaram outros valores que não foi na Universidade ou noutro lado "normal" que me ensinaram. Foram as "distros",  fanzines, as editoras e as pessoas dos meios underground que me mostraram como se pode fazer coisas com ética e sem cedências. Ser "punk" neste milénio é aderir às causas que O'Hara refere ou então se preferirem nem é preciso ser "nada" para se aderir a estas ideias porque elas são boas, simples, desejadas e virtuosas mas... mas... mas... Quando os cronistas-punheta do Público escreveram sobre os ataques a autocarros de turistas em Barcelona pelos moradores afirmando que estas praticaram actos de terrorismo (como se um morador fosse um bombista!), como contra-argumentou e muito bem o blogue L'Obéissance est morte: Durante décadas, os ecologistas defenderam um modelo agrícola livre de pesticidas. Claro que foram acusados de “radicalismo” já que os pesticidas, desde que “adequados às normas impostas pelas entidades reguladoras”, eram considerados indispensáveis às boas práticas de uma “agricultura moderna” que se impunha nos países desenvolvidos e que promovera a substituição progressiva da figura retrógrada do agricultor por aquela hodierna do empresário agrícola (...). No entanto, em 2013, um estudo demonstrava que 92% dos cursos de água franceses estavam contaminados por pesticidas, devido às práticas da agricultura intensiva, apenas escapando à contaminação generalizada algumas zonas montanhosas e outras onde ainda predomina uma agricultura pouco intensiva, pouco consumidora de herbicidas, os maiores culpados da contaminação. (...) Também acusados de “extremistas” têm sido aqueles que, principalmente em França, se têm rebelado nas ruas contra a invasão publicitária do espaço público. Estes “radicais” têm limpado paredes inteiras do metro do marketing que enche o campo visual das nossas cidades, questionando assim a hegemonia (ideológica) que os industriais detêm hoje sobre o nosso quotidiano. Basicamente, defendem que a penetração da publicidade em todas as esferas da existência condiciona os nossos comportamentos e reduz a nossa liberdade, pelo que há que atacar esse monopólio da imagem que goza de toda a legalidade democrática. Será o seu ponto de vista insensato e perigoso para a comunidade? Ou, inversamente, não estará uma vez mais o extremismo precisamente do lado que os “radicais” combatem?

Quando se escreve, desenha, edita e publica-se o que se quer, tal não é divulgado nos "meios sociais" - quem inventou esta expressão caricata? Pior é quando estes "meios sociais" mais tarde ou mais cedo limpam as Culturas de milhares de pessoas - olhem o livro do Queercore na Time Out. Assim sendo, só se pode ser mesmo é "punk", quer se queira quer não. como tal só se pode mandá-los para o caralho!

Poderia-se "dar alvíssaras pelo agradecimento no documentário" mas eu prefiro é dar-lhes masé pissas pelo agradecimento porque não contribui em nada directamente para estar nos créditos. Não estive em contacto com ninguém da Antena 3 / RTP, não forneci nenhuma informação ou material para merecer lá o agradecimento. Serão remorsos de terem seguido o guião da parte do livro do Afonso Cortez? Porque são "punks" e agradecem por tudo e por nada!? Se não me tivessem dito que estava nos créditos não teria visto se quer o programa porque não vejo TV nem nenhum media tradicional. Mudem ou morram!

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Agendas

vinhetas de Holocausto de Merda, de Carlos Carcassa

Este fim-de-semana que passou, a Chili Com Carne foi enganada, tal como muitas outras editoras e livrarias pela FLIFA, uma pretensa "Feira de Livro Independente" organizada pela Junta de Freguesia de Arroios, poiso de gente muito feia de direita em Lisboa (nitidamente com problemas de consanguinidade), o que coloca em questão onde está a "Comuna de Arroios", se não passa de um marketing de vendas de T-shirts...

O ano passado estivemos lá e foi um flop (de vendas) e com uma programação bizarra - lembro-me de uma tia e as suas crias bem treinadas a debitarem clichés sobre a "leitura". Mais, os carolas que se lembraram de fazer este projecto, dois gajos simpáticos armados em fura-vidas, já se queixavam que tinham sido enganados ou que o projecto tinha-lhes fugido do controlo, que a Junta pegou nas suas ideias e modificou como quiseram. Lembrei-me logo da história do Cais do Rock, em Póvoa de Varzim, que foi roubada ao Arnaldo Pedro e a sua "cru" nos finais dos anos 90, quando a Câmara da Póvoa registou o nome do evento. Para além de não ter feito mais nada com isso - e era um evento importante - impossibilitaram também ao Arnaldo de mudar de poiso se quisesse. Para quem ainda acredita no Estado...

Mas os carolas decidiram tentar outra vez! E novamente foram engrupidos - mas aceitaram de certeza o pagamento pelos seus serviços - e arrastaram umas série de editores que não concordavam com a programação, divulgada em cima do joelho, planeada maquiavelicamente, de forma a colocar no último dia e na última hora, uma conversa do decadente Pacheco Pereira com o Jaime Nogueira Pinto, um bostinha da extrema direita.

As Insurgentes foram as primeiras a recusar a participar no evento. O restante das grande maioria - claro que os cãezinhos da Junta disseram para a imprensa que só três editores é que boicotaram o evento - fechou as mesas por volta das 17h como forma de repúdio a ter presente um nazi num evento que se diz "independente" - mas que fez tudo para meter pessoas televisivas a promoverem o seu cuzinho ou que, pior, armou estas provocações infantis. Por isso, FLIFA nunca mais! Vão-se foder, palhaços!!!

Já no passado, numa Laica nessa mesma Junta - com regime PSD na altura - a coisa tinha sido amarga. O sucesso do evento foi estrondoso (de público, vendas, programação, tudo) mas o merdinhas do Presidente da altura, depois do fim do evento, só foi capaz de dizer isto: "não havia editoras de Direita", seja lá o que isso quer dizer...

Também neste mesmo fim-de-semana, recebemos um email a dizer "Remover" da Agenda Cultural de Lisboa. Foi o que fizemos imediatamente, tiramos da nossa "mailing-list", afinal, nunca foram capazes de divulgar um evento nosso ou uma publicação nossa. O "email do "remover" até era sobre o nosso jornal Carne Para Canhão, que só tem sido distribuído em Lisboa. Belo serviço público, putedo!

E já agora, em Agosto, andámos por Braga e acedemos à agenda do Theatro Circo. Na capa estava os nossos amigos dos Unsafe Space Garden (merecido!) mas reparei que de repente havia um suplemento na agenda intitulado O Dramatista, subintitulado O fanzine do Theatro Circo (o "bold" é deles!). Fanzine? Que me lembra, um fanzine nunca poderá ser editado por uma instituição (pública ou privada). Que eu saiba um fanzine é feita por pessoas que fazem por amor a uma causa e com poucos recursos. Que tenha reparado, um fanzine é uma publicação que edita informação pouco conhecida pela população, que se esforça em criar conteúdos originais e não apenas apenas reproduzir fotografias promocionais dos músicos que vão tocar num teatro público... Tudo isto cheira a a esturro. 

Em primeiro porque já devem ter reparado, nos últimos anos, como os programas de Culturgest, Gulbenkian ou vários teatros lisboetas, não poupam os tostões em fazer destas publicações hiper-luxuosas, cheias de brilhantes efeitos gráficos como vernizes localizados, cortes, papeis luxuosos e diferentes entre si, com pesadas gramagens, cores por todo lado mas também douradinhos e fluorescentes... Quem sou eu, editor pobreta, para criticar como as instituições gastam o seu dinheiro? Quem sou eu para pensar que um designer deve receber tanta importância versus os artistas dos programas? Mas não deixo de achar estranho, tal como as publicações das Juntas já agora, que haja tanto dinheiro para estes objectos gratuitos, enquanto que nós pequenos editores nos custa tanto fazer os nossos livros. Será que é assim que as Juntas e instituições pagam favores às empresas de comunicação por terem trabalhado nas  suas campanhas eleitorais? No caso das Juntas de certeza que é isso, com as instituições culturais, não sei, pode ser só corrupção e senilidade dos gestores deste capitalismo tardio?

Em segundo, já não basta a direita roubar constantemente as ideias dos radicais de esquerda ou anarquistas, as suas formas de luta social ou as suas manifestações contraculturais - por exemplo, o Metal cristão -, como ainda por cima, temos agora instituições públicas a quererem ser "cool" usurpando a cultura alternativa com "fanzines-agendas" ou "feiras de edição independente". Se com a GALP ou EDP vive-se o "greenwashing", nos museus de arte contemporânea é o "artwashing", então é melhor cunhar já um "zinewashing" para estes tempos manhosos que vivemos...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Milhões de Pilas

Correu bem melhor do que se estava à espera... ou então, não! O público do Milhões de Festa não é o mesmo público-escumalha da Zambujeira ou o público-pseudo-alternativo dos outros festivais grandes de Rock. E compraram montes de livros, zines e discos,... A aposta foi ganha, se calhar nem havia uma aposta para fazer!

Chegamos na Sexta-Feira e ainda vimos esse monstro dançante Otto Von Schirach que compensou tudo antes e depois do festival. Quem não o conhece e dança a música deste tipo é parvo e merece morrer!!! Ainda houve nessa noite bandas revivalistas para todos os gostos sendo o melhor momento no meio disso o encontro em palco das duas bandas míticas lá da terra de Barcelos, os La La La Resonance (ex-membros dos The Astonishing Urbana Fall, uma das poucas boas coisas que aconteceram em Portugal nos anos 90) e os Black Bombaim. Foi uma espécie de "jam ensaiado" intergeracional porreiro que ao menos não soava a mofo ou a retro. Otto arrasou e não haverá mais nada de memorável dessa noite.

No Sábado à tarde, montamos as mesas perto do palco Taina, gerido pela Dedos Biónicos, e obtivemos um excelente contacto com o público. Um público que era pendular entre o Taina e o palco da Piscina - que não visitamos porque não podiamos deixar o posto,  perdendo assim o grande "ex-libris" do Milhões e pior ainda, os Surya Exp Duo. A música no Taina pareceu a mais coerente do Festival porque focava em Rock e em Rock apenas, algum mais prá esquerda do cérebro outro mais convencional. Por exemplo, foi fixe ver que os Quartet of Woath são bons ao vivo apesar de serem insuportavelmente limpinhos em disco.

Barcelos pareceu ser uma cidade simpático e realmente o Milhões merece o estatuto do festival mais "cool" do país. O nível de stress é zero mesmo quando nos recintos estamos cercados por seguranças com pinta de militares frustrados - eles queriam era estar a defender-nos de Espanha ou de Marrocos (ou da Alemanha Nazi-Kapital) mas não... têm de ficar ali a aturar malta e a ouvir a batucada voodoo dos HHY & The Macumbas! Pobres diabos!

Por falar nisso, esta banda do Porto foi o melhor que aconteceu na programação mal enjorcada de Sábado, em que o pior de tudo foi a quebra total que um tal Dam Mantle trouxe. Man! Ibiza às 22h? Enganei-me no festival? Onde estão as gajas de saltos-altos bêbadas prontas para serem violadas por gajos de camisas brancas de alças? Vai haver "racing" daqui um bocado? Fuck!!! Que enorme monte de esterco! Felizmente houve EyeHateGod nessa noite, os seminais Sludgers! Embora, novamente essa noite tenha sido um suplício para passá-la, incluíndo a banda do camarada João Maio Pinto, baixista nos Loosers - banda que mais uma vez mudou de estilo e forma e tudo mais. Além do nosso querido ilustrador, parece que fazem parte da banda uma figurinha negra mítica qualquer (falaram-me que esteve metido com os Funkadelic?) e o Fernando Cunha dos Relfins e Desistência (?). Tudo chato nessa noite, sabe-se lá porquê... Acho que foi mesmo falta de tomates para colocar os nacionais Macumbas a tocarem à noite e não às 20h com quase ninguém no recinto. Os Macumbas estavam bem oleados, com pica para bater em congas e afins e teriam dado boas alucinações a quem já estivesse nos estados narco-qualquer-coisa habituais nesta vida de festivais de verão. Teriamos tido fantásticos pesadelos com os tipos se tivesse acabado a noite com as batucadas e Dub deste colectivo de simpáticos "weirdos".

Por causa de nulidades como Octa Push tivemos de beber imenso para ir prá tenda para encontrar um Domingo cinzento, chuvoso, que insistia no mau-tempo e que não nos deixou montar a banca porque, como bem sabem, livros e água não combinam em nada. E com isto nem livros nem Jibóia Experience que prometia ser algo nessa noite. Voltamos para casa, a pensar que Deus ficou chateado com os EyeHateGod...


O mercado de edições independentes que organizamos até teve novidades editoriais. O primeiro e simultaneamente era lançado na inauguração da excelente exposição Lixo Futuro, é o Musclechoo, vol. 1 (Ruru Comix; 2013) do Rudolfo. Quem se lembra do primeiro número desta coisa? E porque não é o número dois? Deve ser cena de putos... E é mesmo, a personagem é um misto teenage-wet-dream de Rambo e Picatchu - quem adulto gostaria de ver os dois num só? Diversão pura de javardar com a cultura Pop, Muschechoo é feito em cima do joelho embora a lambideza de Rudolfo comece a aparecer a meio deste novo volume. Excelente produção esta edição! E adivinhem porque chamei este "post" de "milhões de pilas"? Só lendo!  Encomendem antes que esgote!


E se o Rudolfo estava no Porto, apareceu-nos o Artur Escarlate com dois mini-zines seus, o Portátil / Volátil (cheio de vaginas) e o Segredo (cheio de... pilas!)... Porquê? Não faço mínima ideia, e tenho "mix fellings" sobre isto... Por um lado desenhos de orgãos genitais parece nos dias de hoje um tema tão chocante ou importante como desenhar elefantes ou ganchos de cabelos mas sobretudo é que sabe a pouco, duas ou três páginas A4 dobradas a fazerem A6, presas com elásticos fazem os zines. Truque engenhoso que nos obriga a abrir cada folha para descobrir cartazes pouco interessantes. Aliás, graficamente, os zines são podres (sujos) a dar uma ar amador de virgem embora Escarlate (é o verdadeiro nome do autor?) dê a entender que é um garanhão da tinta, a julgar pelos seus sítios em linha. O resultado é xoninhas com ou sem xoxotas. Porquê? (porquê? tudo)

 Por fim é de referir a K7 - desculpem, split-k7!!! - de Cangarra e dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS. Edição deste ano pela A Giant Fern, apesar de estar anunciado a um ano prá Feira Laica, só agora saiu em Julho. São 15 minutos para cada lado, para cada uma destas duas bandas mais activas do Noise Rock português. É curioso que são duas bandas bastante diferentes, em parte por causa do seu número de elementos. Os 2sci são mutantes, acho que só há dois elementos que estão "sempre lá" (nos milhares de concertos e nos registos áudio) mas nesta k7 aparecem com mais cinco músicos. A banda toda ela é nervosinha e volátil, quase nipónica e perto da demência, ao contrário de Cangarra que é um duo estável e racional, guitarra e bateria (a cargo do nosso Ricardo Martins) que preferem um psicadélico paisagistico cheio de detalhes para descobrir. Duas bandas, uma prá orgia, outra prá nicotina pós-coito, pelos vistos. Ah! o "artwork" da K7 foi feito pelo Ricardo e pela Margarida Borges, e impresso em risografia, a impressão que molha os designers dos dias de hoje com menos de 30 anos...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PEQUENO É BOM encontros sobre edição independente (3ª sessão)



DIA 5 de JUNHO
entre as 15h30 e as 19h

PEQUENO é BOM! é um encontro mensal sobre edição independente que pretende ser um espaço de reflexão e divulgação destas “coisas pequenas” que andam por aí a maior parte das vezes longe do olho público: zines, CD-R’s, k7’s, vinil, graphzines, livros de autor, etc…

Para o mês de Junho o tema da programação será “música - formas de edição independente” com Filipe Cruz (Enough), Bráulio Amado (Sleep City), Miguel Caetano (Remixtures) e Ricardo Martins (Lobster, I Had Plans, etc...) como convidados e moderados por uma dupla de Marcos, um é Marado e o outro é Farrajota.

Para além disso, acontece também uma apresentação da Feira Laica (que acontece nesse mês entre 26 e 27 de na Bedeteca de Lisboa) e de novidades editoriais.

Programa:
- Apresentação da Feira Laica
- Exibição dos vídeo-clipes Carbage Goma (26m, EUA, 2009) de David Lee Price (do disco Journey Into Amazing Caves dos Zanzibar Snails) e Reject'zine #3 de Andreia Rechena
- Lançamentos de novos zines
- Conversa “música - formas de edição independente”

Feira de edições com discos, CD's e K7's da Narcolepsia, Sleep City, Noori e outras edições nacionais e estrangeiras (Finlândia, França, Espanha, Itália, Suécia, Eslovénia, Bélgica) - e de todos os géneros: Crust, Punk, Electrónica, Metal, Pop, Experimental, Rock, Black, Hardcore,... E ainda alguns zines e livros da Chili Com Carne e associados (MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha,...)

novidades editoriais :
- Apupópapa, CD+zine colectivo contra o "Papa Ratazana Nazi Pedófilo"
- Reject'zine #3, de Andreia Rechena
- Seitan Seitan Scum (Chili Com Carne + El Pep), antologia luso-brasileira de bd e ilustração
- Woods Of Eternity (Noori) CD de Betray-Ed

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Se o mundo é uma sanita então Portugal é o quê?


Não me lembro onde vi a primeira vez o fanzine Psicóse Infantil... Talvez tenha sido no vácuo existencial das "sessões" no Clube Português de Banda Desenhada em 1990 ou em 1991. Foi alguém (o Fazenda? o Brito? o Lino?) que me emprestou dizendo que ele era "a minha cara". E era! Se calhar por causa dele que, em 1992, comecei com o Pedro Brito & cia, o Mesinha de Cabeceira para quebrar a monotonia dos outros fanzines dos anos 90 - eram das coisas mais quadradas e chatas que havia. Acho, modéstia à parte, que o Mesinha foi essa excepção juntamente com A Mosca (4 números, 1994-97) e pouco mais. E este Psicóse... Enfim,  que é como quem diz, ninguém soube deles e duvido que alguém tenha percebido que houve um segundo número (duplo, por isso três números, ena!), excepto o Geraldes Lino, claro, um mega-coleccionador de fanzines de BD.

Este Verão saiu o livro do Punk e apareceram logo gajos a mandarem vir que faltava nele isto ou aquilo (uau!). Um deles foi o Fernando Gonçalves (que conhecia porque teve uma loja de BD em Faro, a quase-extinta Ghoul Gear) mas ao menos ofereceu-me estes dois (três) números. Zeus! É verdade! Mea culpa! Como poderei ter esquecido disto!? (Simples, nunca tive um exemplar meu e passaram-se mais de 25 anos!). Que chapada do passado! Ya! Lembrava-me das páginas do primeiro número, dos desenhos à Gotlib e sobretudo das colagens de filmes Gore. Eis a tipologia daquela época: três marmanjos punk-metaleiros na secundária que curtiam BD e música, e pelos vistos filmes e política (citam Hegel!), fazem um fanzine A4 a preto e branco não tendo pejo em mandar bocas à merda grossa que foi o Cavaco, a "taveirada" das Amoreiras e a skinaria nazi - lá 'tá ela sempre presente na BD como refiro no livro do Punk Comix!! Depois do segundo (terceiro!) número acabam. Nunca mais fizeram nada, pelo menos em BD. Traíram a humanidade. Moral da história: Nada é raro em Portugal porque passados 26 anos encontrei este fanzine que só tinha lido uma vez na vida. Se fizermos uma reedição do livro do Punk, sim ele será incluído! Como ignorar esta beleza?

No meio disto tudo, a Chili Com Carne recebeu um estagiário que fez o que lhe apeteceu - calma, havia umas regras básicas e pedagogia! Incluo neste "post" o Cursed Tales do Marco Gomes, um rapaz de Leiria, por ele ser "metaleiro" e como tal pode servir para fazer uma comparação das diferenças de  produção de zines nos 90 por malta da mesma simpatia do Som Eterno (oh oh oh). É um ping-pong sem fim e talvez desnecessário porque pura e simplesmente as coisas mudaram mas embiquei em compará-los! O Marco é um rapaz simpático (todos os metaleiros o são!), íntegro e empenhado mas tem consigo os tiques de uma geração que me fazem comichão. Será "generation gap" ou o pedaço de "nostalgia" que o Psicóse trouxe que obrigam a escrever estas linhas? Tentarei não ser um velho reaccionário...

O livrinho reúne três BDs executadas por Gomes, com todo o suor de quem quer mesmo apostar nesta área criativa. Tem defeitos por causa da incontornável binómio imaturidade e aprendizagem. O esforço e trabalho que concedeu foi dando frutos e melhorias constantes nas BDs - e ok, vá, também a minha orientação ao longo do processo do estágio ajudou. Logo aí, faz-me alguma confusão saber que um zine é feito num ambiente escolar. Tudo bem se for como reacção à própria rotina fascista da escola, sem professores a controlar, olha que porra! Mas sendo os motivos de estudo do Marco a BD e a edição, Cursed é mais livro de autor que um fanzine canalha. Se calhar a discussão acaba aqui ou pelo menos devo deixar de referir Cursed como fanzine. Um fanzine tem de ser como o Psicóse, ou seja, de forma espontânea com energia a disparar para todo lado. Um zine tem de ser feito fora da hora de expediente senão fica manso. Tudo o que Gomes fez para o seu livro foi calculado, com uma expectativa profissional e objectivos técnicos a cumprir.

As diferenças entre os dois objectos são ainda maiores porque os primeiros eram um grupo de amigos e Gomes está sozinho, talvez não por opção porque vive numa cidade pequena que não deve ter tantos cromos da BD para se juntarem para fazer uma publicação porcalhona. O Psicóse eram fotocopias mal-paridas e baratinhas enquanto que o Cursed é de um rigor gráfico bestial, bem impresso quase "deluxe". Os "psicóticos" odiavam o poder e eram mal-criados, Gomes nunca desafia o poder e ensaia o terror como tema, o que é um beco sem saída em 2017. O "Terror'17" é o Trump ou Pedrógão Grande e não clichés simbólicos de Morte e Loucura à la Edgar A. Poe. Aliás, Trump e acólitos conseguem juntar num só corpo estas duas ideias - Morte e Loucura.

Loucura era sem dúvida a plataforma dos "psico-boys" enquanto que em Gomes é tudo estilizado e nada alucinante, apesar de a querer glorificar, inutilmente em fracasso tirando talvez The Family Man, curiosamente a primeira BD a ser criada, a mais curta e a mais escatológica. Hum... Acho que os miúdos de agora são mais controlados e/ou auto-controlados. Se calhar não se pode esperar as mesmas explosões de antigamente. O controlo nº1 é logo a merda dos smartphones que os pais oferecem para saber onde andam, daí ao "chip-GPS" enfiado no corpo, já deve faltar pouco. Controlo nº2 é o massacre e pressão que tem para serem "alguém", de preferência com sucesso e fama. Pais psicopatas - sim, estes é que são os doentes e não os metaleiros dos anos 90 - metem-nos a aprender piano ou aguarela ou as duas coisas logo aos 6 anos já a pensar que vão ter grandes artistas e génios na família. Nos ensinos básicos o próprio sistema já estudam economia para que os seus valores maiores sejam o Dinheiro e Dinheiro apenas. A razia máxima deve ser o pré-universitário e universitário em que pouco se pensa nem se deixa reflectir, é Bolonha para despachar canudos para alimentar o Capitalismo. E já agora, pelo que assisti durante o KISMIF, os mestrados e doutoramentos não são mais do que um mercado como o da produção infinita de cabeças de Pez.

O cenário é dantesco, em que todos querem sair profissionais em algo quando acabam a universidade para irem para o mundo do trabalho. Não é assim, meus caros, pouco adianta sair diplomado em BD ou em 3D quando não se leu um bom grego clássico ou um francês humanista ou um austríaco bem bem bem deprimido e assado. Ou um livro sobre Anarquia ou sobre o esclavagismo português ou... o que quiserem. Sem a ajuda do camarada livro, um gajo muito mais fiel que o colega de carteira, não há crescimento nem filosofia de vida. Nem boa arte...

terça-feira, 25 de junho de 2024

nunsky@h-alt

Nunsky é entrevistado no H-alt. Entretanto raptaram aqui uma prancha da estreia do artista no Mesinha de Cabeceira #4 (1994) antes de um verdadeiro Nazi Skins Massacre!!!!!
 

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

CD-Red Beatles

v/a: "BTLS.cvrs.rwks" (F. Leote; 2006)

Primeiro havia Jesus, depois vieram os Beatles, e ao que parece entretanto vieram os Oasis e os Arcade Fire sabe-se lá porquê... Deste grupo sem dúvida que os Beatles são os mais interessantes (Jesus não deixou registos fonográficos... e dos outros: "sem comentários") a julgar por esta compilação que junta versões e reconstruções das músicas dos "Fab Four"...
Esta compilação deve ter sido feito num Soulseek ou algo assim, foi colocada "beatles covers" no "procurar" e... pimba! Ao contrário das compilações limpinhas de "covers" de uma Mojo, esta é feita sobretudo com as versões dos "perdidos da História" como gajas que cantam em falsete (Cathy Berberian, Tiny Tim), concurso de talentos escolares (Tangley School), um fadista (sem creditação - um anónimo que pagaremos a peso de ouro pelo seu nome) com alguns sérios problemas de inglês no "Hey Jude" (hilariante!), malta mais dada para a dança seja funk-soul ou electro-disco (Shirley Scott & the Souls Saxes, Cassetteboy/Hylda Baker, Cristina)... Mas também há nomes sonantes como Buttholes Surfers (muito boa quando eles também eram muito bons), Siouxie & the Banshees, Cornershop, Residents, Daniel Johnson, Feelies e Chris Eckman (dos Walkabouts) cada um no seu tom e estilo. Há ainda o polémico plunderphonic John Oswald que (des)constroi os de Liverpool.
A melhor versão de sempre é a "She loves you" de Peter Sellers a recitar a letra em tom de alemão nazi - mesmo de chorar por mais!

terça-feira, 16 de junho de 2015

La pasión del hijo apático

Héctor Arnau Salvador + Ruca Bourbon (il.)
Ed. de Autor, 2015

Eis o livro de poesia mais brutal que tive a oportunidade de ter nas mãos! Alerta, está redigido em castelhano e admito que parte da minha excitação é por causa das colagens do "nosso" Dr. Urânio.
O design é de Rui Silva (que tem um trabalho exemplar em editoras como a Orfeu Negro) que faz deste livro um mimo gráfico, vencendo o estereótipo que um livro de poesia tem de ser sóbrio, sombrio e com ar de enconado. E se La pasíon (...) tiver estereótipos então serão aqueles que achamos nos espanhóis como exuberantes, empinados e sangue a ferver - contraponto aos portugueses xoninhas, deprimidos e cheios de saudades do Salazar.
O imaginário apocalíptico de Dr. Urânio assenta como uma luva nestes poemas cheios de voz - para quem já assistiu alguma performance do autor sentirá realmente a sua voz física a invadir-nos a leitura. Que força! Do amor pelos amigos, engates e à família, o Hector ainda esmaga o estado nazi de Israel. Não é qualquer um... Quando é que este gajo vem recitar a Lisboa?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

PEQUENO É BOM encontros sobre edição independente (2ª sessão)

cartaz por Lucas (4 anos) na oficina «Obrigatório Afixar» ministrada por José Smith na Casa da Achada

Encontro mensal na Casa da Achada / Centro Mário Dionísio sobre questões de edição independente (fanzines, zines, livros de autor, CD-R,...).

Nesta sessão dá-se atenção à criatividade e "mãos na massa" estando no programa:
- Orgia Gráfica, workshop por Lucas Almeida;
- A habitual Feira de Fanzines desta vez com uma selecção de títulos ligadas ao desenho/ ilustração/ graphzines;

títulos dísponíveis: da Chili Com Carne, Imprensa Canalha, Le Dernier Cri, MMMNNNRRRG, Nazi Knife, Opuntia Books, U.D.A. (de Blanquet) entre outras produções nacionais e estrangeiras (Suiça, Sérvia, Espanha, França, Itália, Suécia).
Novidades editoriais: A Segunda Vida de Djon de Nha Bia (Chili Com Carne), romance de Nuno Rebocho; ...

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sobre a Orgia Gráfica ou Bacanal de Desenho Experimental:
Desenho em conjunto, experimentação gráfica com várias pessoas, tendo como fim a libertação e a interacção entre as várias pessoas ao nível do desenho. Encarando o desenho como uma extensão do interior da pessoa, uma expressão única e genuína. Pretende-se com este encontro uma reunião de vários estilos e registos gráficos, expondo a ligação do desenho com a actividade sexual, fazer amor com o papel através do lápis ou pincel. Conseguir partilhar com as outras pessoas essa intimidade de desenhar e deixar que actuem no seu desenho. É um exercício de abertura, através do desenho explorar a dimensão do tesão e das energias que estão associadas. Encarar o desafio de por cá para fora o mais genuíno e único que cada um sente em relação à partilha de intimidade, através de meios gráfico de expressão.

Os materiais: Cartolinas, lápis, tintas, canetas etc…

Tendo como possível fim uma publicação, dependendo dos resultados alcançados. Sendo uma sessão experimental , fica em aberto esta possibilidade.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

š! #23


Esta antologia báltica faz números especiais temáticos a torto e a direito, de desportos à matemática venha o Diabo e escolha - até já fez um especial Portugal / Desassossego, lembram-se?
O número 23 sub-intitula-se "Redrawing Stories from the past" e participam apenas cinco artistas, a saber Paula Bulling (da Alemanha), o sérvio Vuk Paibrik (que já visitou Lisboa e participou no Boring Europa), a letã Martinš Zutis, o alemão Max Batinger e a polaca Zosia Dzierzawska. Ou seja, longe do maralhal que costuma ser habitual numa edição normal.
O tema também é sério, são histórias de sobreviventes ao Holocausto Nazi, o que obrigou aos artistas de terem um trabalho de investigação uma vez que tiveram de retratar história verdadeiras. A única história que é consanguínea a um autor é a de Paibrik que relata as histórias dos seus avós que se conheceram no campo de trabalho de Johanniskirchen em Munique, sendo que a narração é feita de memórias, anedotas e fotografias promovidas no seio familiar.
Este número quebra o monopólio da forma como o Holocausto tem sido retratado em BD por Maus de Art Spiegelman (defendido como qualquer outro monopólio económico, diga-se) ao mostrar outras narrativas, outras formas estéticas e sobretudo outros relatos menos óbvios como a dos argelinos franceses de Paula Bulling. A edição é complementada com um texto do alemão Ole Frahm que tem estudado sobre este assunto, o Holocausto e a BD.
Muito recomendável a leitura!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Xavier Löwenthal, Ilan Manouach : "Metakatz" (5éme Couche; 2013)


A 15 de Março de 2012, o livro Katz foi destruído (ver vídeo aqui) para espanto de muitos que pensavam que o Bücherverbrennung (queima de livros no regime Nazi) era coisa do passado. O livro não foi queimado (já lá vamos) mas triturado por uma empresa belga especializada em destruição de documentos.

O livro foi considerado uma contrafacção de Maus, obra de Art Spiegelman que até foi publicada em Portugal, sabe-se lá como, em dois volumes há muito esgotados e nunca reeditados. Para quem não sabe o que é o Maus: Obra baseada na biografia do pai do autor, que sobreviveu ao inferno dos campos de concentração Nazis. Tem como contexto o genocídio dos Judeus levado a cabo pelos Nazis, durante a 2.ª Guerra Mundial. Art Spiegelman, um dos principais nomes da BD “underground” norte-americana e, durante anos editor de capas da “The New Yorker”, escolheu a BD para contar a tragédia vivida pelos seus pais e aproveita o cariz biográfico da obra para abordar também alguns aspectos do seu relacionamento com os pais. Trata-se de uma das mais importantes obras da história da BD de sempre.
Em Maus, os Judeus são retratados por ratos e os nazis por gatos, para representar um "jogo do gato e do rato" (o jogo biológico e o da tradição "cartoonesca") e como analogia à propaganda antisemita que Hitler criou. Como refere Nicolas Verstappen (p. 141) Spiegelman consegue uma poderosa iconografia com a personificação dos ratos, as cabeças são meros triângulos (a lembrar os símbolos dos campos de concentração?) sem boca - como uma vítima que não pode falar. A discussão desta opção de Art já vêm de longe, Harvey Pekar em 1986, quando saiu o primeiro volume de Maus já o tinha referido na revista The Comics Journal, que as representações teriomórficas prolongavam a cultura de preconceito étnico. Questão que Katz, produzido pelo grego Ilan Manouach, iria levantar outra vez ao substituir todas as cabeças dos vários animais por cabeças de gato.
Katz pretendia reler Maus perguntando se o segundo não prolonga a cultura da vitimização - ainda por cima criada pelos próprios oprimidos - mas acabou por perguntar muito mais do que isso ao ser destruído. Daí que se encontra no livro a primeira parte do meu texto Comix Remix (traduzido em francês pela Joana Baguenier) e vários outros intervenientes, alguns dos meios académicos (estudiosos sobre as questões autorais ou sobre BD como o "nosso" Pedro Moura), autores de BD (Fabrice Neaud e Lewis Trondheim, os mais conhecidos), em que quase todos colocam em dúvida o velho regime do "copyright", "direito de autor" e "propriedade intelectual" que há muito se tornou uma coisa corrupta, absurda e bloqueadora do avanço das Artes, cultura e ciência (registar sementes, anyone?).

Quase ao mesmo tempo, que saiu o Meta Maus (livro sobre Maus) saí este Meta Katz, tal como Katz tinha saído no Festival de BD de Angoulême 2012, ano em que Spiegelman foi Presidente do evento. Soa a assédio artístico mas visto que Katz teve o destino que teve, só assim é que se pode manter uma chama acesa (ops, péssima escolha de palavras!!!) sobre o que Katz trouxe à praça pública - incluindo o que acontece com os papeis destruídos, vendidos à China e levados em contentores cheios de bicharada.

Mas afinal Katz era mesmo uma contrafacção de Maus? A editora belga 5éme Couche, responsável pela edição, teve de aceitar esta acusação feita pela Flammarion (detentora dos direitos de Maus em francês) porque sendo uma editora independente não teria recursos financeiros para continuar a defender Katz como uma obra de direito artístico próprio. Assim da tiragem de 800 exemplares, cerca de 600 foram legalmente triturados - e mais tarde queimados pelos membros da 5éme Couche como forma de protesto público e artístico, num acto à la Cage falhado e registado no vinil 7" que acompanha o Metakatz. Foi ainda pedido que o ficheiro digital fosse apagado o que só prova que a Flammarion é uma editora de velhinhos que não sabem que os ficheiros digitais são das coisas mais fáceis de se "reproduzir por aí"... enfim!

Quem se interessa por estas coisas de direitos de autor deve conhecer a história dos U2 versus os Negativland nos anos 90 e descobre a ironia inacreditável, ou deveria dizer apenas, de como a história se repete... Quando os Negativland foram processados pela Island, editora dos U2, estes últimos que são considerados como os "defensores do pobrezinhos" (relembro nas campanhas altruístas do badamerdas do Bono Vox!) nada fizeram para impedir que os pequenos Negativland fossem esmagados com processos judiciais... Não poderiam ter negociado com a Island para terem calma com os "engraçadinhos"? Vinte e dois anos depois, Art Spiegelman esteve caladinho como um rato (sim, um rato!) quando a grande Flammarion esmagou os pequenos 5éme Couche! Só por isto, Spiegelman merece ser assediado e apontado o dedo, desta vez não por neo-nazis ou revisionistas e outros paranóicos das conspirações judaicas (já agora, quer Xavier quer Ilan têm ascendência judaica para quem os tentou colocar de acusar de anti-semitas) mas pela sua própria classe profissional: autores de BD, ilustradores, artistas, músicos, etc... que sempre que fizerem uma obra que pegue em excertos doutra terão velhos dinossauros à coca para lhes espancar.

O mais estranho, é que Spiegelman já "roubou" muitos autores no passado e ainda recentemente no álbum In The Shadows of No Towers, como bem observa Pierre-Yes Lador, que lhe faz um percurso de "citações" desde o início de carreira com as ilustrações da Topps Bubble Gum, passando pelo álbum Breakdowns até às antologias Raw e Little Lit que editou nos anos 80 e 90. Mas isso já pouco importa para quem já passou para o outro lado da barricada.

Se Spiegelman é uma figura importante na BD, não o é como autor seminal de certeza (a autobiografia tem Pekar como figura paternal) mas por ser alguém que deu mais voz pública à BD de autor / à BD autobiográfica / à BD sobre memória e a de reportagem quando Maus ganhou o prémio Pulitzer em 1992. Ou dita de outra forma, foi a única vez que uma BD ganhou este importante prémio mediático. Depois de Katz sofre um abalo na sua imagem quanto a mim porque não podendo eu fazer uma leitura proposta pelo livro destruído passei a ter uma outra leitura que passa pela perspectiva histórica da própria BD em que Maus se verga. Se antes podíamos falar de antes de Maus e depois de Maus na realidade Maus já não é nada! Maus ao assumir-se como uma BD que usa o imaginário antigo e tradicional da cultura comercial da BD, ou seja, gatinhos e ratinhos (e já agora, de porquinhos e de cãezinhos) passa a pertencer a esse mundo ignóbil que é a História da BD, que amontoa os seus momentos "históricos" exclusivamente em aspectos mercantis, índices de popularidade e lutas jurídicas, e não por apreciações culturais ou discussões artísticas. Se Maus é tão importante porque é que ela foi buscar as suas ideias gráficas à BD do "antigo regime"?

É difícil ter respeito pela História da BD, mesmo que se possa ficar deslumbrado pelas visões fantásticas de Winsor McCay ou George Herriman, pelas suas técnicas ou pela sua perícia artesanal de trabalho gráfico mas a verdade é que a BD sempre foi um produto "todo público" e que se colou ao "infanto-juvenil" muito facilmente na dobra do século XX, tendo que esperar os libertários anos 60 para produzir finalmente obras "adultas". Face a isto, há realmente muito pouco para admirar ao nível de conteúdo literário - e mesmo a questão visual ou plástica também é bastante discutível - em 100 anos de História oficial celebrada pela treta dos 100 anos feitos em 1996 ao adoptarem o "Yellow Kid" como ponto de comemoração. Maus vêm desta tradição das figurações antropomórficas e teriomóficas para crianças e jovens, rebaixando-se perante o passado do médium, coisa que não havemos de encontrar em Pekar, ou em Buzzelli ou Breccia que se estavam bem nas tintas prá "bonecada". Talvez Ilan e Xavier não se aperceberam disso quando davam entrevistas, na altura de Katz, em que respondiam anonimamente usando nomes de gatos famosos da BD como Grominet (Sylvester), Garfield, Fritz the cat, Tom  (do Tom & Jerry) e Waldo... Uma brincadeira iconoclasta que na realidade levanta toda esta questão da História da BD feita exclusivamente de eventos da BD inDÚSTrial.

Em 2086 talvez haja alguém que coloque Maus como um ponto de referência para História da BD mas estarão enganados, agora podemos ver que foi uma histeria mediática e popular, que passado quase 30 anos adoptou ficar ao lado dos Vencedores da História - que são aqueles que a escrevem, como bem sabemos. Art está ao lado das corporações como a DC Comics, Disney ou da Marvel que humilharam centenas de criadores durante um século inteiro. Se depois dos Sex Pistols, como refere Greil Marcus, deixou de fazer sentido escrever mais canções Pop de Amor entre rapaz e rapariga, depois de Katz é impossível ler uma BD que meta animalitos a pinarem ou a snifarem Zyklon B, sem deixar de sentir que estamos a ser enganados...

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Suecas em cuecas

Quando a revista sueca Det Grymma Svärdet (Lystring; 2013) decidiu fazer o número 16 em formato k7, ou seja, com música, o humor negro seco sueco manteve-se como marca registrada da publicação, só mudou a forma de o expor. Pelos vistos veio ao de cima a ideia de gozar com as compilações Noise dos White House e a sua editora Susan Lawly, que se dedicavam à "música extrema" (Noise) produzida em África, na Rússia e por mulheres. Música extrema da Suécia poderia ser o quê? Que tal gaijas a fazerem noise e afins? E invés de ter as "pin-ups de bonecas partidas" do Trevor Brown que tal ter antes gajos nesse mesmo fetichismo médico? E mais umas fotos de homens de boxeurs e perucas parvas?
A k7 de plástico vermelho é metida numa caixa a lembrar as de cartuchos de jogos de computador e dá nas vistas, especialmente pela provocação gráfica. Passado 20 anos desde essas compilações pela Susan Lawly, realmente a nossa cultura evoluiu e diversificou as suas propostas estéticas... A música da k7 é mais experimental do que Noise, mais electrónica - que nos dias de hoje podemos encontrar em Portugal com a grande Jejuno, por exemplo - sendo as faixas com mais presença as de Miriam Kaukosalo (vozes processadas) e Yo Ameba (Noise na linha de Pan sonic).

No número anterior também havia uma k7, Summercamp 2013, a acompanhar a revista editada em modo normal (formato livro), dedicada a Lisa Carver / Suckdog. Colectânea de vários músicos, não-músicos, artistas e "pranksters" (pelos vistos os "snobs" de Estocolmo prestam-se a isso) a celebraram aquela que será das poucas mulheres que praticou cultura de choque antes desta ficar institucionalizada ao ponto de até se conseguir eleger um presidente dos EUA como o "trompas"... Lisa fez (punk?)rock perigoso, ao ponto da Courtney Love parecer uma corista virgem de igreja. Também é sabido que levou nas trombas do porco nazi do Boyd Rice e talvez tenha dado nas trombas no javardo do Costes... Não que fantasie com nada disto.
A k7 junta temas de ou dedicadas a Carver, tipo Pop indie feminino frágil com sabor agridoce a violência doméstica ao gajo a contar piadas porcas em sueco com risos enlatados. Não convence para ir aprender a língua de Pär Lagerkvist, no entanto parece que todos devem ter-se divertido neste projecto e isso é transmitido mesmo para os não-suecos.

O não-gaja-mas-doido-o-suficiente-para-assinar-como-tal Melanie is Demented lançou em Outubro o seu novo álbum, We split up searching for you. Lançar é quem diz porque falamos de ficheiros em linha para o Spotify - e sim esta coisa ao lado é a "capa"...
O que distingue dos outros discos anteriores é que é mais "poppy" e "fácil" ao mesmo tempo que é mais intimista. Segundo o músico, em troca de e-mails pessoais, disse-me que as tournês que tem feito incluindo a nossa Ibérica, impressionaram-no (não sei como ao certo) mas que isso justifica as músicas novas terem sido compostas para serem mais fáceis de tocar ao vivo. São realmente menos "estúdio", topa-se desde a primeira audição...
Simplicidade não significa parvoíce e MiD continua a ser um génio Pop/Rock capaz de "earworms" que não nos irritam ao contrário das putas da Rádio Comercial, por exemplo. Mago que tritura tudo do que foi feito nos espectros Rock, Electro e Hip Hop, MiD cria o seu melodrama sonoro muito próprio, tal como uns Blur ou David Bowie. Tanto que o que se pode dizer de A psychiatrist why? Raggamuffin de/para alienados? Espero que chegue ao Top 10 em qualquer lado...

Já agora e porque se falou de putas, eis uma música para as Três Grandes Putas que alinharam em dar prémios à Disney:

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Façam apostas!

Merda! Gostei do disco dos Facção Opposta, o Lendas Urbanas (Dunkel; 2013)!!! Juro que não queria porque o disco tem tudo o que menos gosto desde há muitos anos: directo, revivalista, skins e futebol. A sério, malta sem imaginação a querer ser algo que já não podem ser nem nunca poderiam ser, ou seja, elementos de uma subcultura criada na xungaria da Inglaterra nos finais dos anos 70 - man, nem houve Revolução Industrial em Portugal! Assumem-se Skins apolíticos sendo meramente reaccionários, nada contra. Não são racistas ainda que usem imaginário e letras com laivos nacionalistas que irritam mas como se calhar é para enganar e converter os Skins Nazis até passa. Algumas letras são sobre a bola e hooliganismo ou sobre malta proletária mas que se calhar até gastam uma milena para ter as marcas certas de roupa para o curtir este non-stop de síndroma Peter Pan que todas as subculturas da Humanidade sofrem desde que a web.2 passou a ser parte da nossa vida. Seja como for este será dos melhores projectos de Punk em Portugal nos dias que correm pois há aqui força masculina e letras contudentes - a maior parte delas acho de dificil identificação burguesa mas outras como Esquema é universal q.b. Claro que é estranho ouvir músicas sobre uma tradição urbana importada quando se quer fazer hinos à cultura portuguesa num disco editado no Brasil mas na pós-modernidade tudo se engole e tudo se perdoa. A nível instrumental 'tá bem tocado dentro do cânone Oi! mas há pequenas situações inesperadas como umas cordas em Celtiberos ou pífaros no História do 12. Para quem gosta dos brasileiros Garotos Podres (lembrei-me deles porque estão em digressão por Portugal esta semana) este é o disco! E caramba até ao o artwork impressiona de estar tão bem feito e telúrico ao ponto que se eu fosse um jovem Nazi cagava-me todo!

E por falar em boas edições de Punk 'tuga (coisa rara!) destacava o Split-EP lançado o ano passado pela Zerowork e Raging Planet dos Albert Fish e Grito! que tem uma capa super-porreira (quem é que fez a ilustração? não há créditos quando as cenas são boas!?). A mesma anuncia que vamos encontrar um encontro entre Skins e Punks com o cliché todo ao de cima - vendo as fotografias das bandas o que menos temos é moicanos e suspensários. As tribos urbanas em 2000 é todo um mundo Cosplay... A música dos Grito! é também um Oi! com pronúncia do Norte - um orgulho bairrista que só se encontrava ainda há alguns anos na cultura Hip Hop (a excelente e saudosa Matarroa ou o Rey por exemplo). Albert Fish é Albert Fish, Hardcore de sing-a-long escorreito que já não precisa de apresentações, só não sei se os temas são inéditos ou são de registo anteriores que nunca sairam em vinil (é verdade o pessoal desculpa-se com esta!). Quem desenhou a capa carago?

E ainda em vinil temos reedição dos únicos temas gravados dos Grito Final, ou seja Ser Soldado e Bairro da fome, temas que sairam em 1986 originalmente na compilação Divergências (da mítica Ama Romanta). Esta edição (pirata?) pela Teia Edições é deste ano e usa um estilo minimalista gráfico para apresentar uma banda da segunda vaga punk portuguesa. Podia ser um grafismo para uma banda Dark da altura do que para punks... Um erro de "casting"? Ao ponto de ser um design muito mais bonito que a música que ouvimos que é um Punk mais ou menos a abrir a lembrar bandas dessa altura como os Vómito. Talvez porque o som seja rançoso de "vintage" que o design envoque justamente esses outros tempos quando havia ainda esse nojo que era o serviço militar obrigatório e mal se sabia que ia haver o Cavaquistão I e II.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

(depois de) CCC@Helsinki.Comics.Festival

Nos dias 23 e 24 de Setembro ocorre o 21º Festival de BD de Helsinquia. A CCC estará lá presente com uma banca de títulos seus e dos seus associados MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha e Opuntia Books
...
Chili Com Carne editions and other Portuguese best kept secrets (like MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha and Opuntia Books) will be represented in the 21st Helsinki Comics Festival to be held on the 23rd and 24th of September 2006.



Em jeito de relatório...
Foi a segunda vez que me aconteceu tal coisa e com a mesma viagem! Segunda vez em HELLsinki e foi a segunda vez que me perdem a bagagem numa viagem de avião. Tal como há 2 anos do transbordo de Paris, desta vez foi no de Amsterdão. Se da primeira vez não havia grande drama, desta vez a coisa era grave porque a mala perdida tinha os livros da CCC e dos associados para serem vendidos no Festival de BD. E ao contrário da primeira vez que logo de manhã já tinha a minha bagagem recuperada desta vez só chegou depois das 18h - justamente quando o primeiro dia comercial do Festival terminava.

Ainda assim não me posso queixar: quase todo o material (seleccionado do catálogo da CCC e associados, que estivesse em inglês ou fosse meramente visual) foi vendido - e o que não foi, foi trocado por outro material ou deixado em lojas na Finlândia. Mais, o retorno monetário foi grande o suficiente para pagar 70% da viagem. Sendo que esta viagem era um misto de negócios e férias, a questão do lucro relativisa-se bastante.

Por isso posso dizer que valeu a pena. Manter ou fazer novos contactos, despachar exemplares de livros que em Portugal são ignorados pelo mercado e pelos críticos, receber feedback do público - elogiando ou não mas sempre reagindo. Diferente da letargia portuguesa, de um público que mais parece ter medo dos livros. Aliás, tão ricas que eram as reacções que as conclusões são impossíveis. O que posso dizer é o que me parecia que seria mais óbvio vender não vendeu tanto, e vice-versa. O público também era bastante diferenciado e misturado, desde dos nostálgicos e cromos maluquinhos aos os nerds dos nerds (os fãs de Manga e em regime cosplay - valia ter tirado fotografias!), dos góticos e góticas lamacentos (fãs dos 69 Eyes - o vocalista tinha sido autor de bd nos anos 90 e era reeditado o seu livro Helsinki Zombie Vampire Love ou algo parecido), aos estudantes de artes e similares, e gente normal, ... O que facilitava algumas aproximações - os CD's de música que levei que tinham Moonspell foram todos despachados prós vampiritos!

Não tenho fotografias do evento - a máquina estava na mala e no Domingo, último dia comercial do Festival, queria era vender e despachar material, dai a pobre reportagem fotográfica que se resume a duas fotos da banca e da mascote do Festival, ambas desmontadas...


Das trocas realizadas eis a lista (a actualizar nos próximos dias):

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Canicola #2
- Canicola #3
a melhor revista italiana de bd do momento, em italiano c/ legendagem em inglês, 10€ cada / 8€ cada para associados
- C'est bon Anthology #1 (3ª série)
revista sueca de bd, em inglês, 14€
/ 11,2€
- Nazi Knife #2
graphzine do mesmo grupo do Rotkop, 10€
/ 8€
- Moving Plastic Castles
livro de arte do finlandês
Tommi Musturi, 6€ / 4,8€
- Madonreikä
zine de ilustração do mesmo autor de Kylmä Liha, 4€ / 3,2€
- Glömp #8
antologia finlandesa de bd, todo a cores!!!, em finlandês c/ legendagem em inglês, 20€ / 16€

domingo, 16 de agosto de 2026

Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus : micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary LAST 66 COPIES - now in SPAIN

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1818: first edition of Mary Shelley's Frankenstein


2018: many horrific applications of technology (social network for example with their push to have people volunteering their time and creativity for their IT business purpose, they are represented in the book by @maryshelley.fr, not to mention the applications of technology like breakcore and the other musical sub-style, or the society of spectacle created monster Bally Corgan).





Frankenstein, or the 8 Bit Prometheus
micro-literature, hyper-mashup, Sonic Belligeranza records 17th anniversary 
by 
Riccardo Balli


Volume +06 of THISCOvery CCChannel collection published by Chili Com Carne and Thisco. 140p. b/w with illustrations and photographs. Full color cover. IN ENGLISH. Cover art, illustrations & design by Rudolfo. 


buy @ Chili Com Carne online store, Linha de Sombra (Lisboa), Tigre de Papel (Lisboa), Livraria do Simão (Escadinhas de S. Cristóvão, Lisboa), Matéria Prima (Porto), Utopia (Porto), Radical Bookstore (Vienna), Anarchistische Buchhandlung (Vienna), Chick Lit (Vienna), Stuwerbuch (Vienna), Housman (London), Toolbox (Paris), Freedom Press (London), Soziealistischer Plattenbau (Hamburg), Quimby's (Chicago), Bivar (Lisbon), Just Indie Comics (Italy), Kingpin Books (Lisbon), Socorro (Porto), Restory (A Corunha, Galiza, Spain) and Neat Records (Lisbon).

Released on 6th April 2018 @ Rauchhaus, Berlin ... mention at Bandcamp article about Extratone genre ... Portuguese release @ Tasca Mastai, Lisbon 12th July, 20h; and DJ set party @ Lounge, 23h ...  Low-resolution séance @ Galeria Municipal do Porto, 13th July under the influence of the exhibition O Ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã ... presentations @ Lauter Lärm (Wien) om 2sd August & Echo Buecher (Berlin) on 26th September 2018 ... registered in Neural magazine archive (wow!) ... presentation @ Buchandhung Stuwerviertel (Vienna), 18th January 2019 ... presentation @ Rosa Parks (Chiuppano), 6th April 2019 ... article at Zweikommasieben ... article in The Wire
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After having whistled quite a number of 8-bit versions of famous pop songs, and delighted his ears with chip-tune covers of black metal and classical music, Riccardo Balli thought it was about time to extend micro-music aesthetics to literature, and remix Mary Shelley's classic accordingly. 


Through some sort of low-resolution séance, the author evoked the spirit of corpse reviver Giovanni Aldini (1762-1834), credited for having inspired The Modern Prometheus. Aldini tells a compressed version of the original Frankenstein, exposing its language to retro-gaming jargon and simplifying the plot as if it were an arcade game.


The aforementioned 18th-century electrifier was the nephew of eminent Bolognese scientist Luigi Galvani. Also from MIDIevil Bologna is DJ Balli's electronic music label Sonic Belligeranza, whose 17 years of existence (2000-2017) this volume celebrates with 17 texts that explore the multitude of contradictory sounds constituting the corpse of this Sonic Frankenstein.


Send him an impulse from your Game-Boy! BLEEEEEEEEEEEP! 



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ATTENTION The file "A forward to further experiments from MIDIevil Bologna" is corrupted. Remember to read page 16 between 20 and 21 to recover the original text meaning
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DJ Balli (1972) is a DJ/ producer, and founder of the label Sonic Belligeranza. A true fundamentalist of Breakcore since year zero of this non-genre of music, as the style was getting more and more codified, he progressively tried to personify its attitude and even bring it outside of audio realms. Hence following the motto of M(C)ary Shell8Bit "Every cacophony is possible, infect the Underground!", the creation in his lab a la Bolognese of Sound Monsters such as skateboard-noise, gangsta-opera and his infamous poetry readings pretending to be Billy Corgan from The Smashing Pumpkins. Riccardo Balli is also active as a writer: Anche Tu Astronauta (1998), Apocalypso Disco (2013), Frankenstein Goes to Holocaust (2016), all in Italian, this is his first full-length book in English.

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FEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEDBACK 

Introduzido por um ressuscitado Giovanni Aldini - através da galvinização provocada pela corrente eléctrica de nove cartuchos de Game Boy dispostos em hexagrama -, este «remix literário de baixa qualidade» é mais uma alquimia de Ricardo Balli (...) Este livro é uma bizarra justaposição do Frankenstein de Mary Shelley com a cultura gamer (as planícies geladas do Pólo Norte são substituídas pelas da Cool, Cool Mountain do Super Mario 64, homens são bots, amigos e irmãos passam a Game Boys) e outros elementos da cultura pop (...) Aqui, o monstro de Frankenstein é uma incompleta remistura musical, que jura vingança contra o criador, toda a humanidade e as convenções musicais repressivas e autocráticas que desprezam o seu chiar emancipado e rejeitam a criação de um remix tão grotesco quanto ele. 
Além deste excêntrico exercício, Balli escreve sobre subculturas e subgéneros musicais que surgiram no final do século passado: revisitando a conotação neo-nazi do gabber e purificando-o da apatia do 4/4, atira-se às possibilidades revolucionárias do breakcore e do hiper-mashup dentro da alienação tardo-capitalista; procede à mistura definitiva entre skaters, situacionistas e accionistas vienenses; sugere que o horizonte tecnológico é a reunião do humano com o resto da fauna, numa simbiose sónica já tentada por Caninus ou Run the Jewels; revela que o grande cisma deste nosso confuso tempo é a violenta divisão entre aqueles que consideram ou negam que o splittercore é um subgénero autónomo do speedcore.
Balli é (...) o derradeiro farsante durante a speedrun final, o Grande Apropriador, um artesão do ofício profano do colagismo, que troça da autenticidade do autor, rouba-lhe a voz e utiliza-a para proveito de todos. Apresenta-nos à nova arte do social: aquela que liberta um Prometeu ultra-moderno, alimentado por um discurso aparentemente demente, mas que, no fim de contas, apenas apresenta a obsolescência da sisudez à colectividade, ao mesmo tempo que cose a manta de retalhos de uma modernidade esgotada. 
Russo in A Batalha

The relevance of this book is not just the content, but also the way it is reflexively reworked with a plagiarist and demystifying attitude. (...) A second layer in the book’s composition is the core literary metaphor that supports the patchwork put together by the author (i.e. the creative elaboration of the novel Frankenstein) (...), the idea of a new living entity made up by parts coming from other dead bodies is a perfect metaphor to give expression to the culture of plagiarism and plunderphonics. To do this, Balli’s writing exercise consists of re-writing Shelley’s original text infusing in it musical references coming from those same music electronic genres performed by Balli as a musician (including styles like 8-bit music, gabber and grindcore), with the further addition of other interventions. In these excerpts we read about Mary Shelley (called Squirting Mary) and Lord Byron(anism) engaged in an MCing contest where all participants “should attempt to create the most horrific sonic monster of music history” (...) After much effort, the monster finally comes to life in the shape of a mash-up generated in Shelley’s “bedroom studio” with a Gameboy, where the modified machine starts producing “most scary sounds: remixes of neo-melodic Neapolitan singers in a porno-grindcore style!” (...). As the readers can tell from these examples, demystification is a relevant ingredient of the book, as the author does not attempt to sacralise the art of plagiarism, instead insisting on a relentless endeavour to reframe plagiarism in a sarcastic way, explicitly linked with the situationist tradition. This demystification is particularly evident in the third type of content in the book, represented by a set of Dadaist passages where, for example, famous bands’ names are distorted in irreverent ways with mash-up techniques; some also accompanied by humorous visuals, including a photo of (...) "Lionel Nietzsche’s” album “Is it Truth you are looking for?”. Probably the most situationist section of the book is where the author recalls the history of his alter ego, Bally Corgan—inspired by Billy Corgan from the Smashing Pumpkins (who the author physically resembles)—an alter ego actually used by DJ Balli along the years in both his recordings and live acts. Above all, this last example helps to understand the actual continuity between the situationist spirit of the book and Balli’s whole artistic career. 
 Unfortunately available to an Italian-speaking readership only, the book succeeds in offering an original, meta-discursive and demystifying contribution on plunderphonic culture, not just for the content it offers, but also for its ability to intertwine multiple discursive layers, producing an experiment that is finally able—like Frankenstein’s efforts—to give birth to a weird and bizarre textual monster.
Dance Cult about the Italian (and different) version of this book - academics are always late...

I've enjoyed Balli's Frankenstein book so far - that guy is a total lunatic, which I appreciate.
Heikki Rönkkö (by email)

The 'Frankenstein' book was an incredibly detailed work, well researched and written - the only negative for me was that I didn't know enough about a lot of the subject matter to be able to fully immerse myself in it. I appreciated it hugely, however, because of the obvious enthusiasm with which it was written and the in-depth knowledge of the writer about his subject, his passion. In one sense it was like reading a fanzine of old, with personal writings, reviews, interviews etc. - as a fanzine writer myself it certainly struck a chord with me.
pStan (Pumf) by email

In reviewing Frankenstein, Or The 8-Bit Prometheus, Reynolds warned his readers of the danger that Balli might become the messiah of the enemies of realism. “Here at last was a self-proclaimed advocate of anti-writing: explicitly anti-realist and by implication anti-reality as well. Here was a writer ready to declare that words were meaningless and that all communication between human beings was impossible. Reynolds conceded that Balli presented a valid personal vision, but “the peril arises when it is held up for general emulation as the gateway to writing or music of the future, that bleak new world from which the humanist heresies of faith in logic and belief in man will forever be banished.’ Balli was moving away from realism, with “characters and events [that] have traceable roots in life” – from the writing of Paul Virilio, Stewart Home, Bill Drummond, Mark Manning, Lester Bangs, Brecht and Sartre.

Me gusta mucho la edición, (...) Tiene muy buena pinta!