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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

FESTA de LANÇAMENTO de ACEDIA e os 500 PAUS com SMELL & QUIM e shhh... vs RASALASAD

FESTA!!!!!
{tri-produzida pela Chili Com Carne, Nariz Entupido e Thisco}

A vida não pode ser só trabalho!

Se bem que no mundo pós-moderno o trabalho & os tempos livres já quase são a mesma coisa - mandem os tlms pró lixo!!!

Mas vá... Dia (noite!) 6 de Outubro no Lounge Lisboa há muita coisa para celebrar:


- o lançamento do regulamento do concurso interno TOMA LÁ 500 PAUS e FAZ UMA BD! pela Associação Chili Com Carne

- o novo livro-bomba de André Coelho, ACEDIA, vencedor da edição de 2015 do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD!

- estreia absoluta em território nacional dos Smell & Quim, uma verdadeira banda de bailarico! Mentira! Vai ser Noise do valente, vamos ver quem é que vai ficar até ao fim! Antes deles, o versus mais simpático de Portugal: Rasalasad e shhh...


cartaz de André Coelho

Sobre os músicos:

Smell & Quim --- Nos idos anos oitenta surgem no circuito internacional da musica ruidosa experimental uns iconoclastas sonoros britânicos de seu nome Smell & Quim que tomam de assalto a cena musical internacional aparecendo frequentemente em fanzines, com entrevistas nonsense e criticas aos seus trabalhos discográficos que muitas vezes roçavam a raiva e a aversão. Com um nome em jeito de trocadilho com a dupla pop britânica Mell & Kim, os Smell & Quim foram uma presença habitual no catálogo da editora nacional SPH (percursora da Thisco), já que era esta que distribuia todo o seu catálogo por cá, catálogo este que era difícil de actualizar já que frequentemente os seus discos ficavam retidos nas alfândegas ou eram devolvidos à procedência devido ao alto teor provocatório das suas capas, já que o imaginário e fascínio visual dos Smell & Quim pela pornografia, fetichismo e necrofilia era bastante explicito, tudo isto na era pré-internet.
Os Smell & Quim têm discos editados um pouco por todo o mundo, com destaque para as editoras Cheeses, Old Europa Cafe, Tesco, Red Stream ou Elsieandjack e gravaram com Aube, Merzbow, Evil Moisture, entre outros. Recentemente a Thisco editou uma cassete com uma colaboração com Rasalasad. As suas raras actuações ao vivo nunca foram concensuais e eram habitualmente incómodas para aqueles a que elas assistiam pela sua estética visual crua e visceral. Estarão hoje os Smell & Quim domesticados? Esperemos que não e é ver para crer.

shhh... --- Rui Bentes iniciou o projecto shhh… em 2003 e que conta com quatro álbuns editados, apara além de diversas participações em splits e compilações, ultrapassando as duas dezenas de edições fonográficas em CD, DVD, vinil, cassete, disquete e on-line nas editoras Thisco, Enough Records, Cold Model Records, Floppy Kick Records, Signal Void e Cobra Discos, em países como Portugal, Canadá, Espanha, Hungria e Japão, tendo colaborado com Sci-fi Industries, Dave Philips, Thisquietarmy, Anla Courtis, Philippe Petit, Cris x, Francisco Lopez, Kenji Siratori, Carlos Zíngaro entre outros. Partilha o projecto The Sleeper Has Awakened com Helder Luís e como complemento da música que faz, também cria a maioria dos vídeos para shhh… e produz composições para teatro, exposições, dança e instalações audiovisuais para o Bando, Útero, A Gaveta, Adriana Queiroz, Galeria da Salgadeiras, The Brooks Museum of Art, Fábrica da Pólvora, contando já com mais de quarto dezenas de peças. Em conjunto com a Overlook Filmes produziu três curtas-metragens, fazendo captação, mistura, sound-design e música original. Também criou o som para o filme de animação Alda e exerceu funções de co-director de som no filme Eclipse em Portugal, tendo até ao momento participado em seis filmes. Recentemente fez a composição sonora para um filme multimédia do Planetário de Lisboa.

Rasalasad --- Fernando Cerqueira iniciou as suas actividades no final dos anos 80 com o seu projecto de musica electronica industrial Croniamantal, com o fanzine Atonal e a editora SPH, onde editou Jim O'Rourke, Merzbow, Brume, The Haters, Telectu, etc... No final dos anos 90 funda o projecto de musica electronica Ras.al.Ghul com que edita vários CDs para a Symbiose, Thisco,  SPH, Grado, Blocsonic, Illuminated Paths, La Nostalgie de la Boue e Moloko +. No virar do século lança a editora Thisco, onde edita Merzbow, KK Null, Rapoon, Lasse Marhaug, Jarboe, Von Magnet, entre muitos outros.  A par da Thisco é editor das antologias oculturais Antibothis, onde participam Hakim Bey, V. Vale, Carl Abrahamson, Critical Art Ensemble, André Coelho, Pentti Linkola, Robin Rimbaud, Francisco Lopez, DJ Balli... Participa no documentário sobre a musica electrónica nacional, TeclaTónica.  As suas mais recentes edições incluem edições em colaboração com Matthew Waldron de irr.app.(ext.) e Nurse with Wound, Merzbow, Emil Beaulieau, Jarboe, Von Magnet, Hiroshi Hasegawa, Smell & Quim, Wildshores entre outros.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Electrónica 2010-1982


Ao fim de 15 anos de carreira Mikroben Krieg lança a sua estreia Final Cut (Thisco + Fonoteca de Lisboa; 2010) citando "abandonei toda a esperança" (Dante dixit) logo na primeira faixa. Pergunto se ele deixou mesmo porque é estranho como alguém que resiste 15 anos a produzir música Electrónica com interesse - namorando EBM, Electro-Industrial e IDM - num momento importante como este venha a tropeçar ou a perder o tino. Se nas várias compilações e splits que participou no passado estava mais inclinado para IDM neste disco pende para o EBM e Electro, com entradas de muitas vozes (estranhas às faixas do passado), algumas sampladas outras do mentor do projecto (e do convidado Broto Verbo), em que especialmente as últimas irritam pela sua monotonia e cliché com o fantasmas Joy Division e outros "darkismos" a assombrarem os vocalistas e a nós, pobres ouvintes. Tirem esse polegares do cu, sff, já chega! Estamos no século XX!! O álbum só aquece quando chegam ritmos asiáticos à faixa Inquietude e é justamente quando o disco acaba. Na verdade ele recomeça com seis faixas de "remixes" onde felizmente shhh..., Structura, Sci fi Industries e Mimetic ignoram as vozes, aplificam o power electronics, apertaram no glitch e desvirtuam q.b. os temas originais dos seus objectivos originais.


A Enough Records é uma net-label que existe desde 2001 e tem mais de duas centenas de discos para descarregar gratuitamente. Infelizmente parece faltar à editora um feltro de selecção que não seja o do "bem tocado / bem produzido" dentro do espectro de "música alternativa". Podem fazer um bom serviço público mas não tem um envolvimento estético da You Are Not Stealing Records, por exemplo. Por isso quando ouvi SOUNDResearch (2007) gravado num CD-R (e com a capa impressa) até fiquei surpreendido - porque é que alguém se deu ao trabalho de queimar um disco e imprimir e recortar uma capa? Ainda assim essa pessoa não curtiu o suficiente e passou-me o seu disco prás mãos... É uma colectânea de sete temas em que dois projectos electrónicos por faixa "lutam" entre eles com o tema comum da Inteligência Artificial. Entram alguns "clássicos" da Thisco como M-pex, Structura, Sci-Fi Industries e Oxygen em parceria com Dream Metaphor, NNY, Cygnus X1 e Electrólise, respectivamente, não esquecendo ps (mentor da net-label) entre outros projectos. No geral estamos perante IDM e Ambient electrónico que não atrofia nem revolta - excepto a voz gótica-azeiteira dos Dream Metaphor. É disco perfeito para se ouvir um bar pós-modernista frequentado por Designers, gajas insuspeitas com implantes de mamas, realizadores de vídeo-clips e outros robots a dizerem "é naice!". Talvez o momento mais emocionante seja Eletrólise com Oxygen devido ao Dub electrónico atonal, que iria jurar que era "marca registada2 dos Oxygen. Mas...


E por falar no Diabo! E com uma capa e embalagem de disco feito por uma Designer mamalhuda da província! Nem sabia que os Oxygen tinham um álbum! Auto-editado em 2003 e intitulado de Symbiosis_the art of creating the artificial é um disco confuso porque começa com "bom Massive Attack" cheio de atmosfera e mistério - Art-ficial é um dos temas que brilha na excelente colectânea Thiscology (Thisco; 2004) e acaba para "um mau Underworld" previsível e histérico. Nada contra o Electro / Techno, nada contra uma banda experimentar estilos diferentes num mesmo disco, é apenas porque a coisa acaba mesmo mal...


A SPH era a editora de Fernando Cerqueira antes de fundar a Thisco, nossa parceira em vários projectos. Diz a lenda que pela SPH foi editado em Portugal, em k7s, peças de Merzbow, Jim O'Rourke e outros cromos do Noise, música experimental e electrónica. Este foi o primeiro e único CD da editora, para além da sua última edição após uma falência económica e estética - não parece que Telectu tivesse muito haver com o resto do trabalho da editora. Mas eis Theremin Tao (1982-1992) editado em 1993 como forma de comemorar os primeiros 10 anos deste projecto de Jorge Lima Barreto e Vítor Rua. Projecto que não sendo pioneiro em música experimental em Portugal - há História antes deles - é sem dúvida o projecto com maior corpo de trabalho publicado e reconhecido. Numa ordem cronológica descendente vamos ouvir 17 faixas de muitos sintetizadores nos estilos auto-proclamados do projecto como, e passo a citar, "jazz-off", "música mimética", "rock-pop-off" ou "nova música improvisada" mas que na realidade sabe a Drone, gótico-ambiental ou a pós-industrial para filmes de Zombies. Nos tempos pós-PREC e pré-Internet havia mais liberdade para inventar conceitos melómanos.

Pedidos deste disco através da Thisco (?)


O bom fica para o fim! E também é a edição mais antiga, saída originalmente em k7, em 1991 e depois em CD-R pela Charlie Pirate Dreams - é esta versão masterizada e digitalizada que consegui. Trata-se de Sound & Fury de Astronauta Desparecido, onde vamos encontrar nas fileiras do duo o nosso ilustre Rui Eduardo Paes (REP) que pelos vistos na altura estava cheio de raiva. Projecto alinhado com a cena pós-industrial - que existiu em Portugal com alguma força, apesar do seu carácter "underground", completamente apagado ou esquecido pela História oficial, ao contrário do Rock ou do Punk que já há bastante bibliografia. Nesta História por se contar - que se encontra até neste "post" (o caso da SPH) ou em blogues que recuperam / oferecem informação (e não podemos esquecer deste) - temos mais um registo para baralhar tudo. Segundo o REP o som deste projecto tinha «uma postura punk e metodologias da música improvisada (gravações ao primeiro ou ao segundo take, depois de apenas se experimentarem associações de várias fontes sonoras – com base em gravadores de cassetes, gira-discos, leitor de CDs, rádio, televisão, processadores electrónicos, drum machine, sampler casio, percussão, objectos, flautas, vozes). Lembro-me que depois da gravação de Sound & Fury fiquei afónico durante três dias.»
O contraste maior que me parece de outros projectos "industriais" da altura é que este ataca em muitas faixas no Noise, género que por acaso vamos encontrar nesse mesmo ano com os No Noise Reduction - registados na colectânea Em Tempo Real (El Tatu; 1991). Esta k7 deverá receber o mérito de ser o primeiro "disco" de Noise português? É um ramalhete tão importante como o gato mais pardo da Irlanda. No entanto, Sound & Fury não é coisa para meninos nem para perguntas & respostas de Trivial Pursuit. A espontaneidade, a energia e o barulho marcam uma diferença que ainda hoje será difícil encontrar nas dezenas de projectos Noise e Improv que pupulam por aí. Dentro do fato de astronauta há muito Throbbing Gristle como também há SPK (via Zamia Lehmanni - Songs Of Byzantine Flowers), Cyber-Grindcore (!) e até pedaços de Heavy Metal por tratar. O REP é uma caixinha de surpresas!

Obrigado ao REP pelo acesso às gravações - a curiosidade era mesmo muita! Algures nas piratices da 'net encontram-se downloads da k7, é procurar!

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Toing!

v/a: "Antologia de Música Electrónica Portuguesa" (CD'04; Plancton Music)

Outra surpresa da Feira Laica, na sua componente da MAIOR feira de zines e edição independente, foi a tomada de existência da editora Plancton Music - que existe desde 2002. Apenas com três CD's editados prova a sua existência com um programa de reedição de música electrónica produzida em Portugal. O seu primeiro CD reeditou Música de Baixa Fidelidade de António Ferreira, originalmente pela Ama Romanta (1988), seguido de um CD (inédito?) de Jorge Lima Barreto e em 2004 esta antologia que reúne trabalhos entre 1972 e 1997 de criadores portugueses no campo da electrónica.
Dirigido por Rafael Toral (ele próprio incluído na Antologia, a solo e como integrante dos No Noise Reduction), este escolheu peças de Jorge Peixinho (1940-1995), Cândido Lima, Emanuel Dimas de Melo Pimenta, Isabel Soveral, Filipe Pires, Telectu, Carlos Zíngaro, António Ferreira, Nuno Canavarro, João Pedro Oliveira, René Bertholo, Nuno Rebelo e Anar Band. Toral afirma no texto da brochura do CD: «O meu objectivo foi o de tecer um fio histórico que ultrapasse livremente fronteiras entre os territórios culturais dos autores e documentar a maior diversidade possível de abordagens à electrónica, tanto a nível material como conceptual. É um trabalho que abordei numa perspectiva artística e pessoal. Ou seja, a antologia será uma obra em si, e as relações entre as peças representadas no disco regidas por valores musicais e não cronológicos ou outros. Quis também lançar sobre cada autor um olhar possivelmente surpreendente, tentando sempre escapar à imagem-tipo de cada um, evocando ainda subtilmente a dimensão lúdica dos processos criativos. Os excertos escolhidos foram-no pela sua importância musical e pela relevância na história (colectiva e/ou pessoal). Com esta abordagem, porém, não quis nem pôde a presente antologia ser exaustiva ou completa».
Música dura de se ouvir, tal é o ruído gerado pela maquinaria (alguma criada pelos próprios autores, como é o caso de René Bertholo), muitas vezes quase que monossilábica, provocadora de ambientes pesados e pouco lúdicos - duvido que até qualquer fitoplâncton, bacterioplâncton ou zooplâncton terá vontade de ouvir isto mais que uma vez. Um documento importante para um país que precisa de se ouvir.