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sábado, 11 de julho de 2009

Laicidade é necessária...




Na Feira Laica, pude ficar totalmente actualizado das edições da FlorCaveira, editora de Roque com religião à mistura. Do lote o que destaco logo é o CD-R de Guel, Guillul & o Comboio Fantasma, Variações & Lutero (2009) que recupera gravações de 2001 quando a FlorCaveira queria dizer panque roque do senhor (com o cunho Protestante bem marcado) e não todo o "cantautorismo" que (infelizmente) tem impestado a editora nos últimos anos. Sim, o que fez a FlorCaveira um símbolo de exotismo Pop num país que não se quer exótico culturalmente foi esta mistura de Panque e pós-Grunge que criaram faixas clássicas como Tens um 666 escrito na testa ao mesmo tempo que assumiam a versão do grande António Variações. Um disco para relembrar bons velhos tempos - sem ironias.
Até os Pontos Negros que são uma nhonhice entre os Strokes e os Nirvana (mas em versão "radio friendly") soam bem com o EP (2007), para quem as outras edições da FlorCaveira tornaram-se insuportáveis. Neste CD-R os Pontos Negros estão bem afinados para uma Pop saudável e orelhuda que provam que merecem o sucesso comercial que tem no mediocre jogo da música Pop português. É estranho que tenham carisma mas resulta. Até a capa claramente inspirada em Pettibon (Goo dos Sonic Youth) tem piada e autonomia apesar de ter um modelo óbvio.
Este ano sairam novos discos de B Fachada - Um fim-de-semana no Ponei Dourado - e de João Coração - Muda que Muda -, o pagão e católico da editora respectivamente. Disco mais límpido do primeiro caso e no segundo caso não tenho ponto de referência porque é a primeira vez que oiço o Coração (que piadinha). São bons discos - assumo que estou a ficar velho MESMO! - com arranjos musicais Pop/ Folk bem feitos e com bom gosto como pouco se via em Portugal, as letras servem par os propósitos de cada um, a pseudo-ironia de B Fachada e o romantismo pintarolas de Coração. Alguns tiques e sons lembram muita coisa internacional neste último músico mas nada de grave, embora ache que os universos pessoais precisem de ser mais acentuados. As edições luxuosas q.b., longe da estética panque CD-R das outras edições da Flor Caveira, mostram uma editora empenhada em apostar no cantautorismo em português, para o qual respeito quando tem esta qualidade mas que não procuro ao ponto de não saber o que pensar / sentir sobre o disco de estreia homónimo do Lipe, excepto que parece que andamos nos Escuteiros..
Do lote todo o mais interessante é o split de Tiago Lacrau/ Te Voy a Matar - o primeiro é o Tiago Guillul disfarçado - que é o primeiro disco electrónico da editora. Quatro faixas dedicadas ao O Verão nostálgico do Tiago Lacrau, em que Tiago sampla o máximo possível em deliciosa preguiça veranil: Gorrilaz, Tom Zé, Mutantes, Vampire Weekend,... As letras em retrato social minimalista transformam as músicas em agradável hinos Pop como só o Tiago é capaz - ele terá uma costela africana? As outras quatro músicas são do Silas dos Pontos Negros, um Techno Chill Out básico e lúdico quase tão tonto como os cartons do autor - quando o gajo actualiza o blogue!? Ainda assim uma lufada de ar fresco esta "electrónica cristã" depois de tanto trintão deprimido de barba e viola em punho. Curiosamente em Variações & Lutero existe uma faixa chamada Exclusivismo Punk que mete uma electrónica toda fodida... Tiago e comparsas já escreveram o seu futuro?

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Futuro Primitivo /// banda sonora descarga gratis /// FREE download soundtrack ::: Novo sítio / New site




Desde ontem que está disponível num novo servidor para descarga gratuita a banda sonora da antologia da Chili Com Carne, Futuro Primitivo, e da exposição homónima que rolou pelo planeta entre 2011 e 2012 - Festival de BD de Beja (Maio), Festival Crack (Roma, Junho), Helsínquia (Festival de BD), Mälmo, Barcelona, EUA e Brasil.

O disco está acessível pela net-label You Are Not Stealing Records, parceira desta aventura sonora neo-apocalíptica. Participam neste disco: Ondina Pires, Chiby Shit Plan, Cospe, Pedro Sousa, Stealing Orchestra & Kao Ryao, Assinante 35278/TW, J. Ortega, JMP, John P-Cabasa, Somália, André Ruivo, Pepedelrey, Rita Braga, Te Voy A Matar, TendaGruta, zZZOUNDZZz, Marte & Stealing Orchestra.

Foram pedidos ficheiros áudio aos artistas da Chili Com Carne (músicos e não-músicos) para contribuírem para esta banda sonora sob o tema do “futuro primitivo” - logo, um projecto com toda a carga distópica e apocalíptica que um tema destes imediatamente sugere. Assim, aparecem autores que já conhecidos pelas suas credenciais musicais como Ondina Pires (ex-Pop Dell Arte, ex-The Great Lesbian Show) ou os Stealing Orchestra - que ainda em 2011 lançaram um excelente terceiro álbum, Deliverance, e que acolheram este projecto como compilador e editor do disco. Alguns trabalham em franjas das “novas músicas” como Pedro Sousa (saxofonista de Improv, membro de Oto ou mais recentemente dos Pão) ou Somália (Noise), de electrónicas várias como John P-Cabasa (em estreia) e de Te Voy a Matar (de Silas, FlorCaveira, Pontos Negros), de lo-fi naturalista como Rita Braga ou de ambientes negros devedores ao Industrial como os misteriosos TendaGruta (obrigatório ouvir a colectânea Aural Bowels). No meio, encontram alguns autores de bd / ilustradores a estrearem-se no mundo sonoro como Pepedelrey, J.Ortega, JMP ou Marte (em registo spoken-word e com a ajuda musical dos Stealing) enquanto para outros é um regresso público como é o caso de André Ruivo (dos saudosos Rollana Beat).

Por mais eclética que fossem as personalidades dos participantes, é curioso reparar uma enorme coerência sonora neste disco. Talvez porque imaginamos todos o “fim do mundo” como algo tragicamente uniforme, sem a espectacularidade 3D + CGI, mal misturado com um filme trash dos anos 80. Como a Chili Com Carne sempre combateu a Nostalgia, temos muito orgulho neste opus. Podem rebentar os geradores nucleares. Estamos prontos!

It's available, since May, to FREE download the soundtrack of next Chili Com Carne anthology, Futuro Primitivo. It's also the exhibition soundtrack that was showed from Portugal to Rome, Helsinki, Mälmo, Texas, Portland, Barcelona and Brazil. The "record" can be downloadable at the You Are Not Stealing Records net-label official site. The artists / musicians are: Ondina Pires, Chiby Shit Plan, Cospe, Pedro Sousa, Stealing Orchestra & Kao Ryao, Assinante 35278/TW, J. Ortega, JMP, John P-Cabasa, Somália, André Ruivo, Pepedelrey, Rita Braga, Te Voy A Matar, TendaGruta, zZZOUNDZZz, Marte & Stealing Orchestra.

We asked to Chili Com Carne artists (musicians or not) to contribute in the soundtrack with "primitive future" as a theme - the theme of the comic-book - so you can expect dystopia and apocalypse from this record. Some of the collaborators are already known in the Portuguese music scene like Ondina Pires (from important bands like Pop Dell Arte and The Great Lesbian Show) or Stealing Orchestra that released in 2011 their third and truly amazing album, Deliverance. Some work on the fringe of the "new music" like Pedro Sousa (Improv sax player, member of Oto and Pão) and Somália (Noise Rock), abstract or functional electronics like John P-Cabasa or Te Voy a Matar (of the Christian Punk Rock collective FlorCaveira and Pop band Pontos Negros), naturalist lo-fi of Rita Braga and post-Industrial Dark Ambient of TendaGruta (mysterious band of Porto that released this year one track on Aural Bowels). And then some comix artists and illustrators made for the first time some "sound" like Pepedelrey, J.Ortega, JMP or Marte while for André Ruivo it's like a "comeback" since he had the Rollana Beat project in the 90s. Although the different personalities of the contributors, it's kind of curious that the soundtrack is musically rather coherent. Maybe we all imagine the "end of the world" tragically in a uniform way, without the show-off of 3D + CGI wrongly mixed with some 80s trash movie. Chili Com Carne always fighted Nostalgia, so we're proud of this opus not being "retro". Nuclear generators can explode. We're ready!


links:
bso/ ost - freemusicarchive.org/music/Various_Artists_at_You_Are_Not_Stealing_Records/Futuro_Primitivo/
livro / book - chilicomcarne.com/shop


Feedback: Categorizar este álbum é um desafio. É ver misturados tribalismos, futurismos, temas ambiente típicos de banda sonora, dark ambient, experimentações electrónicas e até música de carrossel. (...) Este é um conjunto de ecos de uma sociedade distorcida, que vagueia pelas cinzas da destruição. Aliás, o título da compilação resume bem o que esperar. Uma viagem sinuosa, um conceito original e bem conseguido. Infektion Magazine

segunda-feira, 28 de maio de 2007

O primo de Jesus era panque!

Já referidos aqui, foi no aniversário da Chili Com Carne que recebi a totalidade das edições da FlorCaveira, editora de bandas de cariz cristã (Baptista) de roque enrole. Dada a quantidade já razoável de edições lançadas desde 2002 terei de fazer uma vistoria rápida e cirúrgica aos discos, até porque na essência as características descritas na resenha da colectânea Cinco subsídios para o Panque-Roque do Senhor mantêm-se ao longo destes outros discos.

Começamos por Tiago Guillul, mentor da editora, e a sua estreia com Fados para o Apocalipse contra a Babilónia (2002) que é talvez o melhor dos seus outros discos [Mais dez fados religiosos de Tiago Guillul (2003) e Tiago Guillul Quer Ser O Leproso Que Agradece (2003)], pois é o que consegue criar um ambiente mais intimista digno do melhor daquilo que se chama de "cantautores" em que incompreensívelmente se fez de Old Jesuralem o expoente máximo. Num país de complexados é natural que aconteça mas esqueça-no porque aqui está o "real McCoy"... em português! O fado é mutante ou até residual (são apanhados mais tiques do que modelos - e ainda bem, não teria paciência para a merda dos faduchos que impestam a nossa cultura), as letras são mundanas variando entre a autobiografia (Quis ser jornalista), crítica social (Fado da minha vizinha ou Fado da Ana Russa), de imaginário bíblico (Fado do Mar Vermelho) e de mensagem cristã (Fado do poço Samaria). Muitas vezes o timbre lembra os Violent Femmes. Musicalmente tem uma base acústica mas o que não impede de recorrer ao computador para pequenos loops e ruídos, estas brincadeiras tecnológicas são mais evidentes nos Mais dez fados (...) que quase vai parar ao António Variações sem a líbido e mais próximo da catequese. Dentro da mesma seita (como?) de cantautor cristão baptista está O caminho ferroviário estreito de Samuel Úria (2003) com uma voz mais "Pop" e menos sentido de humor que Guillul. É também mais bluesy e com as intervenções de piano sentimos um espírito (pois pois) de Tom Waits embora o tema Socorro parece que saiu directamente do Pure Guava dos Ween.

Em paralelo estão Tiago Guillul quer ser o leproso que agradece e Samuel Úria & as Velhas Glórias (2005), dois EP's que se ligam à electricidade roqueira. No primeiro caso Tiago toca todos os instrumentos do roque (guitarra, baixo, bateria) mais alguns outros - para não dizer que no melhor espírito DIY é ele que faz o design dos discos além de produzi-los e editá-los! Gosto particularmente de A Isabel é intelectual («porque perdeu a virgindade na Feira do Livro») além dos títulos Tu tens o coração do tamanho do Salmo 119 (seja lá o que isso quer dizer). No segundo caso trata-se de um duo, Samuel Úria (baixo, guitarra, letras, voz) com Guillul (bateria, segundas vozes, produção) que em menos de 1/4 hora mostra toda a sua pica de panque roque.

Guel, Guillul e o Comboio Fantasma (2003) é Roque garageiro MMP que irrita pelo moralismo assumido das letras («não fumo charros prefiro jogar matrecos» entre outras falhas humano-pagãs) embora haja momentos bons de roque cantorável, afinal ainda «há uma canção em mil na tua rádio estéril». "O pessoal Caveira" encontram-se todos em A sessão de Água de Madeiros dos Ninivitas (2005) talvez o disco mais trabalhado da FlorCaveira que está mais para a missa do que para o roque, ou mais para acampamento faternal de escuteiros com um Jorge Palma tão puro como lã de ovelha da quinta biológica. Admito que enjoei de ouvir este "panque medieval" - como eles lhe chamam. Para quem gostava dos Resistência eis um álbum que os metia de K.O. no primeiro round!

O Outono melancólico das Borboletas Borbulhas (2003) é Hardcore fodido (desculpem o palavrão!) com rasgos de panque roque. É aquele clássico de máximo de faixas (36) em menos tempo (40 minutos) sendo que a faixa mais longa tem menos de 2 minutos. As bandas portugas do Core e afins deviam aprender com este bravo apóstolo pós-moderno de Deus que gosta de gatos (yeah!) - sim, porque falo de Guillul que toca todos os instrumentos, canta e grunha como um possesso! Juntamente com os Jerusalém (para quando um disco a solo?) tornaram-se nas minhas bandas favoritas desta comunidade... «Tens o teu cão da moda assassino» GROOOOOOOUUUUUUU!!! Mais softs são os Pontos Negros (2005?) que são uma confusão de intenções, ora andam pelo Hardcore barulhento como a seguir pegam na guitarra prá balada xungita. Falta-lhes humor mas tornarão-se mais interessantes nas futuras colectâneas da FlorCaveira
E por fim, justamente a última edição da editora é A FlorCaveira em Frequência Modulada (2007) que reúne as gravações feitas para a Antena 3 (programa Portugália de Henrique Amaro). O CD-R está embalado num envelope A5 que tem um desenho porreiro impresso - estes gajos não tem as capas nos sítios oficiais!? Tocaram os Pontos Negros, Lacraus, Ninivitas e As Velhas Glórias, cada banda faz uma versão de outra música (e mergulharam nos GNR, Heróis do Mar e Lena D'Água - os Ninivitas vão buscar um cântico tradicional religioso) e cada faixa é interrompida pelas bandas a apresentarem-se ou a explicarem os temas. Ouve-se como um programa de rádio em que uma MMP em português e com qualidade reina. Onde se consegue isso nos dias de hoje? Em CD's de Hipe-Hope, claro! Mas se quiserem um som Roque será só aqui!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Se ensinassem Grindcore na escola, aprendíamos mais rápido...

- Pedra, vocalista de Grog dixit num concerto recente no Ponto de Encontro (Cacilhas)



Dynamite: Onward future (Trapp; 2004)
v/a: A FlorCaveira apresenta o Advento (FlorCaveira / MBari; 2008)

Dois discos de Inverno e Inferno, muito próximos um do outro, pelos Folks que tocam em cerca de 30 minutos cada. O primeiro vindo do Canadá pelos artistas Tyler Brett e Tony Romano que tocam e ilustram o livrinho do CD é um produto sofisticado na produção. Começa com passarinhos a fazer o que os passarinhos sabem fazer melhor num registo áudio. Depois um Drone aproxima-se e come os passarinhos! Não, não, nada disso, depois vão aparecendo vozes e um ambiente deprimente entre o Goth e o Folk, ou melhor, quase Dark Folk feito de passos lentos (na neve?) enquanto as faces vão queimando com o gelo. Um disco de sofá e chá, simpático e para todas as idades de Nick Drakes, Leonard Cohens, Current 93's e Prunes... Com 35 anos, pelos vistos, estou a desacelerar na rapidze na música e a apreciar mesmo este tipo de coisas... nunca pensei!
A FlorCaveira está na moda, conseguiu romper as fronteiras do anonimato e a família cresceu - já há católicos e pagões no seio (no seio) no seio do, da... família ou melhor no seio do Tiago Guillul que agora tem montes de gajos para aturar... É bom não estar sozinho, é bom fazer um álbum de Natal com o Apocalipse como fantasma, é bom comemorar um ano intenso de actividade sem estar com a família real... mas ter apenas um "paz melódica" como registo é que não! Nada de Grindcore, nada de «panque roque do senhor» só baladinhas de «panque medieval». Este é um álbum de síntese da matéria dada: gravado no "ló-fai" caseiro como nunca antes em Portugal o tenha conseguido fazer de forma inteligente mas sabe a pouco para quem conheça bem o potencial da FlorCaveira. O Guillul agora deverá ter cuidado com o que faz, já começa a ficar longe os tempos em que a edição de CD-R's serviam apenas como um objecto de divulgação. Os holofotes do Diabo espreitam à espera do erro deste guerrilheiro cristão e ele terá de ser ainda mais severo na sua Caminhada. Primeiro, deverá pensar que as futuras edições tem de ter um teor definitivo - que um disco não é um apanhado de faixas ou de músicas em "work-in-progress". A Deus-Pop assim obriga caso contrário hoje não poderíamos adorar os Heróis do Mar ou o António Variações se não houvesse músicas "definitivas" - e mesmo para uma colectânea, este disco paarece uma manta-de-retalhos. Segundo, irá a FlorCaveira amansar? Já amansou? Esperava mais deste disco que reúne tanta gente (dos Pontos Negros ao reciclado Jorge Cruz, do Samuel Úria ao Manuel Fúria) e que finalmente tem uma capa "deluxe" feita por um certo escroque (na pior tradição FlorCaveira não encontrei a imagem completa, o que vêm é um excerto). Parece haver uma sintonia nesta comunidade (o "cantautorismo", o "lou-fai" e a demanda da melodia) mas pouco ou nada haver com um certo passado (sim cliquem no hiper-texto!) que achava bastante mais saudável de co-existência. Não me digam que aquela história dos 30 dinheiros é verdade... Bring the noise!

Kiitos à Kristiina Kolehmainen pelo disco dos Dynamite. Um saravá ao Tiago Guillul pelo segundo disco... Um saravá!?

terça-feira, 22 de julho de 2014

Seitan Seitan Scum / ESGOTADO


O número #22 do zine Mesinha de Cabeceira edita trabalhos de projectos frustrados pela inércia alheia e uma série de novos trabalhos vindos do outro lado do Atlântico sobre o tema das "Seitas"
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Chegou em 2010 numa altura que Portugal recebeu o decadente representante da Seita Seminal - a que criou as estruturas repressoras mais complexas da História da Humanidade. O Papa Rammstein fez de Portugal o seu penico católico e os portugueses nem piaram. Fecharam a Baixa Lisboeta para ele poder mijar disparates e o Estado português subserviente e salazarista deixou os seus Ministérios serem fechados, bem como escolas, universidades, bibliotecas e tudo o que é "seu" e ainda mandou rebocar carros para que o Papa Mais Feio de Sempre ("por cada pecado cometido, uma ruga te marcará a cara", como está escrito na Bíblia Sagrada!) possa sujar as nossas ruas com a sua legião de beatas pestilentas
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A única hipótese de salvar o país seria se o Representante Máximo do Porco Nazareno tivesse trazido a Peste Negra que lhe deve estar naqueles genes de Rato Negro e dizimasse todos os tontos que lhe cortejam. Mas o Universo é injusto e cruel e isso não acontecerá...

Restou-nos publicar o Seitan Seitan Scum
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Depois de mil atribulações, em que os editores do projecto já achavam que haveria uma Cabala contra o livro, conseguimos reunir ilustrações (muitas) e BD's (poucas) dos portugueses Bruno Borges, Pepedelrey, Filipe Abranches, Pedro Zamith (capa), Mulher-Bala, Jorge Coelho, André Lemos, José Feitor, João Maio Pinto, Daniel Lopes, João Tércio, Ricardo Cabral, e ainda cartuns de Silas - a representar a ala Protestante, bem como o Panque Roque do Senhor (ele pertence à banda Pontos Negros e outros projectos FlorCaveira)
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Do Brasil surgiram muitas propostas de bd vindas dos colectivos mais dinámicos do momento como o pessoal das revistas Prego (Chico Fêlix, Guido Imbroisi e Alex Vieira) e Samba (Gabriel Mesquita, Gabriel Góes e LTG), e do colectivo Pégassus Alado representados por Biú, Roberta Ramos e Stevz, e que nos visitaram em 2008 no evento Brucutumia. Também temos o Fábio Zimbres - excelente grafista e responsável pela extinta mas muito influente revista Animal - que desenhou uma história de Marte (Loverboy, NM), argumento escrito para outro projecto frustrado
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Por fim, temos ainda o norte-americano satânico-que-baste e polémico Mike Diana que numa BD decide homenagear a banda portuguesa industrialita Bizarra Locomotiva! Os originais, aliás, já tinham sido apresentados no evento Furacão Mitra, em Dezembro de 2008 na sua visita papesca, e nunca chegamos a perceber porquê a razão de tal coisa... aliás, não se percebe nada deste livro!
Amén!
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60p A4 a cores. edição brochada.
ISBN: 978-989-8363-00-8.
co-edição El Pep e Chili Com Carne
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Historial: lançamento a 20 de Maio 2010 na loja Trem Azul / Chiado After Work com a presença de alguns dos autores ... 3º prémio do Slowcomics Best Fanzine 2010 pela Fundação Franco Fossati (Itália) 
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Feedback: uma excelente antologia de histórias em quadrinhos, colagens, cartuns e ilustrações que falam – ou emitem pensamentos telepáticos – sobre as mazelas das religiões como um todo – ou como a própria contra capa resume, descrença secular. Nada recomendado para os de fraco estômago e os mais ortodoxos. Amém. Pula Pirata ...
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exemplos de trabalhos (Stevz, Mulher-Bala, Mike Diana e Daniel Lopes):

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Radio Live Transmigration

O Rapaz do Sul do Céu Celebra C.S. Lewis (FlorCaveira; 2013)
XNC : Dropa o Beat (FlorCaveira; 2014)
Tiago Lacrau : Sou Imortal Até Que Deus Me Diga Regressa (Amor Fúria + FlorCaveira; 2015)

Yup!
Citação "mash up" de Joy Division e P.K.Dick no "post".
Porque estes discos que irei fazer resenha são mesmo isso, uma transmigração da rádio para CD, os três casos mais ou menos de forma explícita.

O primeiro é assumido, dedicado a um escritor C.S. Lewis, em que Tiago Guillul / Cavaco / Lacrau / Rapaz do Sul faz de radialista alucinado (quem nos dera que a rádio fosse assim!) apresentando temas raros / perdidos / versões do catálogo da FlorCaveira, indo às fabulosas incursões Hardcore de Catacumba (hilariante o tema Pedreira dos Húngaros) e dos Borbulhas Borboletas, o Pop dos Pontos Negros, o Hip Hop falsificado de Xungaria no Céu (XNC) que não tem problemas em samplar Rage Against the Machine ou os "bosses" Jay Z / Kanye West, assim tudo na boa.
Pós-moderno e melómano, a música é para curtir sem tribos, nichos de mercado e dogmatismos de géneros, é tudo ao molho, como gosto.
Não há rádio assim, há é "podcasts" ou CD-Rs assim...

Mais alucinado e paradoxal é XNC em que se topa que as diatribes que Tiago & cia sempre tiveram contra a intelligentsia revelam que na realidade vivem em negação pois samplam entrevistas a César Monteiro e Vera Marmelo, gozam com o Dave Grohl, criam manifestos e orgias sonoras à Beck mas sem orçamento, homenageam o Rui Rocker dos Crise Total, enfim... Tudo o que "um intelectual de esquerda" costuma fazer...
Tiago pensa que é cristão mas o que ele faz é magia Pop - e não milagres Pop - porque a sua "nerdice" é humana e não divina, coitado, tenho pena de ele não perceber isso...
Ninguém no Hip Hop 'tuga consegue ter a contemporaneidade e personalidade como este disco - e que o Allen Halloween que me perdoe que era o melhor candidato ao título.
É que a brincar a brincar, tal é descontração dos XNC fico em dúvida se o melhor disco de Hip Hop 'tuga não será mesmo este disco!

O regresso de Tiago (num nome próprio) é menos radiofónico e glorifica o Panque Roque do Senhor e o Ribas (outro punk que se foi!), mandando ainda bocas à "indústria" musical portuguesa (Prémio Blitz) e à sociedade portuguesa em geral (Sugiro a minha sepultura para a Capital da Cultura), no bom nível que Tiago sempre nos habitou.
A gravação tem um som artificialmente rançoso para mimetizar o ruído das k7s que acho muito bem!
Num país que aparecem todas semanas bandas rabetas de Pop/Rock não ser um clone é dom.
E o Tiago tem o tom!


People like us : Don't think right, it's all twice (Cutting Hedge; 2013)

Não se percebeu o que a Vicky Bennett esteve a fazer no passado dia 17 de Abril na SMUP - o novo "hot spot" de toda a Estremadura!
Passou um filme sobre Londres que sampla imagens desde o Quarteto Fantástico ao Lobisomem em Londres ou ainda do The Great Rock'n'Roll Swindle ou vários parvos 007's.
O que estava ela a fazer por detrás de maquinaria?
Não me parece que pudesse manipular som ou imagem que projectou nessa noite pois a colagem dos filmes e o som é tão perfeito que não me parece que fosse possível fazer algo "live".
O que se viu foi uma gloriosa roubalheira que ofenderia os verdadeiros ladrões que são as SPA's e afins - curiosamente em sincronia com a visita do The Clock de Christian Marclay no Berardo, outra obra audio-visual em Ode à pilhagem!
Este CD compila trabalhos realizados entre 2006 e 2013 em linhagem com os Negativland ou John Oswald mas sem querer ter um discurso tão directo de subversão.
PLU mete a Nico, Frank & Nancy Sinatra, Beach Boys e bandas sonoras da Disney, Gustav Holst (que o Star Wars roubou, ah pois...) e mil outras referências sonoras num fluxo agradável Pop.
Na maior parte do tempo sentimos que estamos num sonho doce porque PLU melhorou as imperfeições dos registos passados ao mesclar todas estas referências, quase não se sente interrupções abruptas como se sentia nos primórdios dos  Negativland ou Taped-beatles tal é o perfeccionismo técnico de Bennett.
Se Antena 2 fosse assim...

domingo, 25 de setembro de 2016

Mesinha de Cabeceira #23 : Inverno /// ESGOTADO ... SOLD OUT


one comix collection about the WINTER (Inverno, in Portuguese) to comemorate 20 years of the zine Mesinha de Cabeceira created by Pedro Brito and Marcos Farrajota in1992
published by Chili Com Carne 
edited by Marcos Farrajota
designed by Joana Pires 
covers by José Feitor e Pedro Brito 
500 copies, 352 A6 b/w pages ALL in ENGLISH
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Antologia comemorativa dos 20 anos do zine Mesinha de Cabeceira, criado em 1992 por Pedro Brito e Marcos Farrajota.
Publicado pela Associação Chili Com Carne
Editado por Marcos Farrajota
Design por Joana Pires
capas: José Feitor e Pedro Brito
Foram impressos 500 exemplares, são 352 páginas A6 a preto e branco. todas as BDs foram redigidas em inglês.



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Com trabalhos de / comix by João Chambel, Daniel Lopes, Sílvia Rodrigues, Afonso Ferreira, Rafael Gouveia, Sara Gomes & André Coelho, José Smith Vargas, Bruno Borges, João Maio Pinto, Silas , Stevz (Brazil), Martin López Lam (Peru/ Spain), Lucas Almeida, Dice Industries (Germany), Uganda Lebre, Filipe Abranches, Tea Tauriainen (Finland), João Fazenda  and Zé Burnay.
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Apoios / support: Instituto Português do Desporto e Juventude e Trienal Desenho 2012 
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ESGOTADO / SOLD OUT - maybe still some copies at Mundo Fantasma (Porto), Neurotitan (Berlin), Lambiek (Amsterdam), LAC (Lagos), Strips & Stories (Hamburg) and Orbital (London).
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Lançamento na exposição 20 anos do Mesinha de Cabeceira, 25 de Outubro, na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa. Released 25th October at the exhibition "20 years of Mesinha de Cabeceira" at Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisbon.



 

Feedback:
dei uma olhadela na Mesinha de Cabeceira, e parabéns, gostei muito do que vi, a capa e primeiras folhas estão muito boas, assim como as ilustrações do José Feitor a fechar a publicação, com as folhas só a uma cor... 

parabenizo-te pela excelente edição! Graficamente, o conteúdo é todo excelente, com soluções muito interessantes por parte dos artistas - em especial, a história do Chambel (...) das melhores do zine. (...) Grande edição, com uma autenticidade que se sente logo de imediato, muito boas BDs, bem impresso e acabado num formato muito cativante - com as "tripas de fora", à livro setecentista, como um verdadeiro objecto contra-cultural e "bruto" como se deseja - e das tuas melhores edições, como um todo, dos últimos tempos. Dou-lhe cinco estrelas!

 Despite the theme, “Winter” (surely of many discontents but celebratory nonetheless), the stories presented are solid, readable (even if not for the faint of heart) and supported by a great variety of bold, stylised and grounded artwork. 
Pedro Moura in Paul Gravett site

Em termos gerais, o tom desta nova antologia é de facto melancólico. Não deixa de ser algo expectável construir tramas em torno de cenários apocalípticos, paisagens inóspitas ou em que se desenrolam características colhidas de variadíssimos géneros para que sejam subvertidos numa certa amoralidade. É uma espécie de celebração pelo desencanto, de que as imagens criadas por Brito e Feitor são um signo potente. Não se cantam aqui vitórias, nem se glorifica o passado, e tampouco se esperam promessas de desenvolvimentos futuros muito específicos, mas constitui-se mais um gesto editorial muito marcante de um percurso, de uma atitude e de uma certeza em relação à forma de trabalhar, cujo testemunho é a própria existência deste pequeno grande tomo.

livro magnífico (...) tem excelentes trabalhos 

Que brutalidade! (...) Capas diferentes e tudo, parece uma cena sem fim! 
Silas (Pontos Negros)

fanzine já mítico (...) que cumpriu recentemente duas décadas de vida (...) O que talvez não tenham imaginado foi o potencial que se guardava naquelas primeiras páginas, em 1992, e que haveria de desenvolver-se numa teia de colaborações, experimentalismos, abanões estéticos e narrativos de toda a espécie e a capacidade de manter uma publicação arejada e vibrante ao longo de tanto tempo. De tal modo que quem queira, hoje, conhecer o que se faz no campo da banda desenhada de autor e com poucas preocupações comerciais pode continuar a usar o MdC, e concretamente este número 23, como guia fiável. (...) uma babel de traços e estilos numa estranha e inquietante harmonia, (...) E se a coerência do conjunto não nasce do traço ou do estilo, é provável que se deva aos temas, uma radiografia nítida daquilo a que chamamos ar do tempo, com o tom apocalíptico, o peso do desperdício, a contaminação (real, nos montes de lixo que excedem da indústria de consumo e ocupam os campos, e visual, nas manchas que parecem alastrar como fungos) e uma certa ideia de no future que deve muito ao punk, mas deve ainda mais aos dias que vivemos. 

nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Obra Curta (Filipe Abranches, João Chambel, João Fazenda) e Melhor Argumento (João Fazenda) para os Prémios Central Comics 2012

Some amazing inkwork and disturbing imagery
White Buffalo Gazette

segunda-feira, 29 de março de 2010

Petiscos de Jesus



A FlorCaveira 2009 não é a de 2006, do "panque roque e cristo" passou para "folque e cantautor". A carreira de colectivo DIY de pobretanas descambou num grupo de gente que canta Pop/Rock em português com orgulho e com produção profissional. Longe ficou o "Hardequore" e "Panque", ou valor do barulho do Roque, o que diria que mesmo com o aguardado próximo álbum do Tiago Guillul não poderá eliminar o possível "sell-out" da coisa. A progressão lógica deu-se porque em Portugal é fácil ser "o primeiro". Sendo o panorama de músico Pop/Rock caquético, estando o Hip Hop (até algum tempo a única hipótese de salvação da língua portuguesa no campo da música urbana popular) nas ruas da amargura, é natural que a FlorCaveira tenha tido uma explosão nos "media" tal forma que o decadente Ipsilon tenha-se transformado num boletim da paróquia da FlorCaveira - que acredito que deve dar algum prazer ao pessoal Caveira - ao mesmo tempo que se deu uma implosão na Flor que permitiu entrar nas suas fileiras católicos e pagãos, que em linhas estéticas se identificavam com pelo menos uma linha da Caveira.
Por isso, acho que a aúrea da FlorCaveira perdeu-se por cansaço e repetição porque o que foi fácil de fazer ou de promover foi o melódico (claro) e porque os projectos "barulhentos" estavam (estão) adormecidos. Também acho que os músicos menos interessantes (o imberbe B Fachada ou o balofo João Coração) tiveram mais protagonismo do que o fundador, produtor e verdadeiro panque do senhor, Tiago Guillul - mas ele tal como o Senhor voltará, e será mais rápido que o Criador! É com a desconfiança dado ao "hype" - a máxima "Don't believe the hype" nunca se engana! - que ouvi umas trocas que me actualizaram das últimas edições da Flor e uma antiga que nunca tinha ouvido, do tal Coração...
Não podia estar muito certo nem muito errado, do lote há de tudo e quem se destaca é o Diabo na Cruz com o álbum Virou! (2009) que faz o "upgrade" à música popular portuguesa que já merecia, sem entrar em macacadas mercenárias como os Humanos e quejandos - mesmo quando DnC é uma "super-banda" que inclui Jorge Cruz ou B Fachada. Fazem "corridinho-panque", New Wave de cavaquinho, toda a batida da Pop moderna sobre raiz tradicional sem ser totalmente piroso. É orelhudo até ao tutano e viciante como o rabo de uma minhota - um rabo que aparece na capa do disco, próxima de qualquer capa de disco de Kuduro ou Lambada, e já agrediu o puritanismo da FlorCaveira... É bem feita, a música popular não religiosa! Meteram-se com os pagãos e sujaram as mãos. Mas acho que valeu a pena...
Se ainda gostasse de Pop diria maravilhas da estreia a solo de Jónatas Pires (dos Pontos Negros) com Vestido Preto (2009) mas como já não suporto Pop só posso ser minimamente maldoso. Ainda assim sabe bem ouvir o moço excepto quando a coisa vai parar aos tiques dos Arcade Fire (bandinha insuportável!) ou coros a lembram alguns dos Queens of Stone Age (boa banda esta sim!) o que torna a coisa óbvia. Excelente produção / gravação e calor humano... merece apostas!
Ambas capas foram desenhadas por Paulo Ribeiro, um dos grafistas da Flor.


Por fim duas desilusões, uma bem esperada, o Nº1. Sessão de Cezimbra (2008) de João Coração (o segundo católico da FlorCaveira) que depois de ouvir este álbum só apetece citar uma resenha crítica de um zine da Latrina do Chifrudo: «é chato chato chato». Se o próximo álbum tem alguma piada nada posso dizer sobre este primeiro, musiquinha de escoteiros, Prozac Nation e fetichistas de vitrais. Como se não soubessemos que os católicos são uns lagonhas...
Já Nem lhe tocava (2009) de Samuel Úria teria tudo para ser um grande álbum a começar pelos desenhos da capa e interiores do próprio Úria a dar-lhe nas canetas de feltro coloridas - belos desenhos, diga-se! - que ilustram realmente o disco que é. E o disco não é de feito das figurações de um canastrão janota mas pelas cores de rebuçado desses desenhos. Quem esperava um neo-blues protestante como Em bruto engana-se, Nem lhe tocava é rebuçado doce limpinho saído da fábrica. A sensação que tenho é a mesma de quando lia o Hate (comic-book de Peter Bagge sobre a geração X norte-americana) a preto e branco e deixei de o fazer quando ele passou a ser a cores. Algo se perdeu ou algo fez-me confusão - como a muitos puristas e fãs de base, suponho. Aqui é similar e até há um exemplo de estudo, o tema Teimoso, que em Em bruto é sujo e arrastado, em Nem lhe tocava está Pop com tiques de Beck e reduzido o tempo de duração... Talvez daqui uns tempos venha a descobrir que este álbum seja bom, agora, não engulo - aliás, os rebuçados não se engolem!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Panque Rock e Cristo


v/a: "A Florcaveira apresenta: Cinco subsídios para o Panque-Roque do Senhor" (Florcaveira; 2006)

Quando se pensa que é nos Esteites que existe bizarria Pop... Pasmem-se! Nas colónias do império cultural norte-americano também se passam coisas peculiares e até com uma qualidade superior graças à nossa cultura europeia. Rock cristão poderia existir em Portugal? Cêus, será possível tal paradoxo? Sim! E as facetas mais agressivas em formato religioso também? Tipo Hardcore, Grindcore, Metal, Punk, ...? Pelos vistos sim também!
Lembrou-me que em 1997 tive acesso a um zine de Guimarães, Ancient Ceremonies, que não era só um espelho do Metal Cristão vindo da Austrália - a editora Rowe era a plataforma deste sub-sub-género, entre outros como o White Metal ou Unblack Metal - mas também divulgava dois projectos cristãos nacionais, os Hardcores Bibletoons e os Metales Spiritus. O zine era uma galhofa que várias vezes animou até ao choro e dor de barriga (Deus castiga!) em vários encontros de pagãos - vulgo, festas em casa de amigos regadas com álcool, drogas e conversa. E o que era um kitsch estranho nunca saiu da Igreja Baptista de Queluz de Baixo (havia ensaios abertos ao público aos Sábados de manhã) e entretanto apareceu uma nova vaga de bandas com a mensagem do Senhor entre guitarradas de Panque Roque. Uma família unida pelos vistos que lançam CD's e CD-R's pela editora Florcaveira.
Esta colectânea de que aqui falamos oferece-nos os Lacraus (Panque & Soule com muito humor - humor!?), Pontos Negros (indío-pope lamechas como é todo o Indie Pop), Samuel Úria & as Velhas Glórias (roque e role), Borboletas Borbulhas (Hardcore) e Jerusalém (Christian Grind - I shit you not!!!). O que se topa logo à primeira é o humor e inteligência das letras - um choque, claro, porque como sabemos os cristãos são estúpidos até à medula -, depois a gravação lo-fi (gravação caseira «em gloriosa baixa fidelidade, não foi masterizado, sound verité») que nada tem de desagradável dada à pica incrível destes guerreiros de Cristo! Ouvir este CD é quase voltar aos gloriosos anos 80 em que a energia e imaginação passavam por cima do "saber fazer" e quanto a isso, vale «Ouro, incenso e mirra» (desculpem a expressão).
Quase que me converto com as letras fabulosas como Querem-me mal as filhas de Belial / querem-me bem as filhas de Jerusalém ou Dentro de cada libertino há um rato de sacristia, ambas dos Lacraus; ou de Samuel Úria, a Malha do Afonso - um hooligan que vandaliza os comboios por onde anda, acaba por descobrir Deus e apesar de ainda sair «em cada estação, o Afonso já não saí da linha»; ainda, "Não há Happy Meals no Inferno" dos Borboletas Borbulhas... E claro, outro momento divinal são os grunhidos Death dos Jerusálem onde se ouve (percebe-se para quem tem ouvido para estes extremos sonoros) que estão a vomitar palavras de ordem como És o caminho para a salvação ou Quero-te dizer que te amo... Napalm Death eat your heart out!!!.
Como diziam os Bible Toons há 10 anos: «saí da crista da onda e entra na onda de Cristo!»

sexta-feira, 6 de abril de 2012

CCC not Tex not Mex Shows (5) Futuro Primitivo


Fifth Chili Com Carne show in Denton (Texas), organized by Nevada Hill, again in Rubber Gloves, this time featuring Futuro Primitivo collective exhibition.
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Ulna , Dust Congress and Cerulean Giallo are playing on the opening night - 6th April.
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Not Tex Not Mex is a cycle of art exhibitons about Portuguese comix and illustration artists, curated by Texan artist Nevada Hill.
In this show you can see original work of 30 different artists that made Futuro Primitivo comix book, in a seminal project of mixing different strips from different artists making all together a brand new comix story. Somehow is a "skrew & chopped" comix experience in clear homage to Texan DJ Skrew remix concepts.
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«I step on skulls of generations that have not formed
I hear painful cries of wars that are to come
to create everything again, from the beginning
to teach new minds»
- Sepultura

For a long time, in this hyper-computerized society, that the role of publishing has been played in an apparent paradox: ubiquitous and insignificant. Every day we publish texts or images with DTP tools (word processors, software for sound and video) and, at the same time, we're “drowning” in an absurd abundance of information. All kind of things “come out to the public” - without ethics, censorship or discipline - issues that resurface later in more official and institutional registry. We would like “FUTURO PRIMITIVO” (Primitive Future) to be the last manifesto of the Art of Publishing and hence, we invited ALL members of the Chili Com Carne to participate in this volume!


We are well aware of the difficulties that one, wishing to do Comics in Portugal, faces: without the slightest expectation of financial return, most of the production is done by the author in his/her spare time; after browsing the site of the Finances; submitting his/her work to an idiot company; cleaning the house; having dinner and after the kids went to bed. At this pace, the putative conclusion of a book gloriously estimating 100 pages, would take how long? A decade? We started to prepare this project as the 12th volume of the CCC Collection, accompanied by an exhibition with the same name for the International Festival of Comics of Beja, followed by the Crack Festival in Rome, the Comics Festival in Helsinki and Malmö (Sweden) and now Denton / Texas / USA - soon it will be in Brazil too.


The given theme was dystopian and post-apocalyptic Science Fiction. As an inspiration, each author was asked to choose an item from a list of some of the biggest technological creations that caused Humanity to move forward into abyss: weapons, agriculture, fire, shelter, wheel, metal, currency, printing, steam engine, electricity, nuclear power, transistor, the pill and Dolly ... The Comics should be made of two strips per page in order to isolate the images, as if they were illustrations for the exhibition and, in this way we’d combine the work of different authors. Strips / panels/ comics should be reorganized and mixed together, so that it would create a "meta-story" with the sum of all these “graphic-narrative units” of various Comics.
Now, in Rubber Gloves (in Denton, Texas) you can admire the original work of many of the authors of the anthology like André Lemos (it's his 4th exhibition in US - the first Not Tex Not Mex show, other included Divide et Impera in Charlottesville VA), Bruno Borges, Lucas Almeida (both also in previous Not Tex Not Mex), Marcos Farrajota (publisher of MMMNNNRRRG label that published US artist like Mike Diana and Aaron $hunga), João Maio Pinto, Jucifer, José Feitor, Pepedelrey, Sílvia Rodrigues, Pedro Brito, Afonso Ferreira, Ricardo Martins (drummer of Lobster), Inês Cóias, André Ruivo, Rudolfo, Manuel Pereira (Noise artist of Narcolepsia tapes), André Coelho (Industrial musician of Sektor 304 released by US Malignant Records), Ana Menezes, Christina Casnellie (Seattle born and globetrotter), João chambel, Daniel Seabra Lopes, Ana Ribeiro, Andreia Rechena, Rafael Gouveia, David Campos and special guests Susa Monteiro and Nevada Hill.


There will be a soundtrack in the exhibition but it's available for FREE download at the You Are Not Stealing Records net-label official blog. The artists / musicians are Ondina Pires, Chiby Shit Plan, Cospe, Pedro Sousa, Stealing Orchestra & Kao Ryao, Assinante 35278/TW, J. Ortega, JMP, John P-Cabasa, Somália, André Ruivo, Pepedelrey, Rita Braga, Te Voy A Matar, TendaGruta, zZZOUNDZZz, Marte & Stealing Orchestra. We asked to Chili Com Carne artists (musicians or not) to contribute in the soundtrack with "primitive future" as a theme - the theme of the comic-book - so you can expect dystopia and apocalypse from this record. Some of the collaborators are already known in the Portuguese music scene like Ondina Pires (from important bands like Pop Dell Arte and The Great Lesbian Show) or Stealing Orchestra - that released in begining of 2011 their third and truly amazing album, Deliverance. Some work on the fringe of the "new music" like Pedro Sousa (Improv sax player, member of Oto and Pão) and Somália (Noise Rock), abstract or functional electronics like John P-Cabasa or Te Voy a Matar (of the Christian Punk Rock collective FlorCaveira and Pop band Pontos Negros), naturalist lo-fi of Rita Braga and post-Industrial Dark Ambient of TendaGruta (mysterious band of Porto that released this year one track on Aural Bowels). And then some comix artists and illustrators made for the first time some "sound" like Pepedelrey, J.Ortega, JMP or Marte while for André Ruivo it's like a "comeback" since he had the Rollana Beat project in the 90s.

Although the different personalities of the contributors, it's kind of curious that the soundtrack is musically rather coherent. Maybe we all imagine the "end of the world" tragically in a uniform way, without the show-off of 3D + CGI wrongly mixed with some 80s trash movie. Chili Com Carne always fighted Nostalgia, so we're proud of this opus not being "retro".
Nuclear generators can explode.
We're ready!