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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

åbroïderij! HA! – International Graphic Arts Exhibition - até 15 de Setembro!

cartaz da exposição de José Feitor


Exposição åbroïderij! HA! – International Graphic Arts Exhibition na Bedeteca de Lisboa com trabalhos de André Lemos, João Rubim, José Feitor, Jucifer, Ilan Manouach (gr), Guillaume Soulatges (fr), Fabio Zimbres (br), Bruno Borges, Joanna Latka, Nuno Neves, Richard Câmara, Miguel Carneiro, Cátia Serrão, Luís Henriques, Rosa Baptista, Daniel Lima, Zé Cardoso, Rui Vitorino Santos, Júlio Dolbeth, Joana Rosa Bragança, Lucas Almeida, Pedro Zamith, João Maio Pinto, Teresa Amaral, Pedro Lourenço, Bráulio Amado, Christina Casnellie, Lucas Barbosa, Sérgio Vieira, Artur Varela, Ana Menezes, João Fazenda, Rafael Gouveia, Stevz (br), Christopher Webster (uk), Filipe Abranches, Marco Mendes, dice industries (ale), Kolbeinn Karlsson (sue), Gianluca Costantini (it), Daniel Lopes, MP5 (it), Andrea Bruno (it), Igor Hofbauer (cro), Kai Pfeiffer (ale) e Ulli Lust (ale).

terça-feira, 5 de agosto de 2008

descarregando o SPX


retrato meu feito por MP5 (do Crack e participante no åbroïderij! HA!) enquanto estava na banca - e por falar nela:




Estava ao lado do colectivo C'est Bon representados pelos camaradas Patrick e Mattias Elftorp (o tipo cyber-punk). Quando um de nós precisava um shot de nicotina, os outros olhavam pelas bancas. Graças a este simpático sistema pude ver a democracia em funcionamento:


Na praça onde está a Kulturhuset (e a Bedeteca de Estocolmo) estavam chineses a manifestar-se a favor dos Jogos Olímpicos de Pequim - realmente ninguém protestou contra os Jogos Olímpicos de Los Angeles quando sabemos que os EUA não são melhores que a China... Acabado o cigarro, lá voltei para o SPX:


Que este ano era numa sala interior - e não nos corredores da Kulturhuset como tinha visto à 2 anos atrás. Senti que havia menos público por causa disso.


Ninjas no metro de Estocolmo: os convidados Stan Sakai (da série Usagi Yojimbo) e Ulli Lust, autora alemã que participa na exposição åbroïderij! HA! e que fez uma foto-reportagem no site Electrocomics onde me considera um "veterano" da bd portuguesa - Mein Got! Já me sinto um José Ruy! E por falar em veteranos:

Também no metro, Edmond Baudoin, talvez o autor mais simpático de sempre... Apreciou e comprou o Já não há maçãs no Paraíso... quem sabe sabe!
...
brevemente: no blogue dos OSAMAsecretLOVERS uma bd sobre as músicas por lá...

sábado, 10 de março de 2012

ccc@mab.invicta





Estaremos no primeiro fim-de-semana deste novo evento portuense de bd com uma mesa recheada das nossas edições (e dos associados) e teremos uma mostra colectiva intitulada de Restos Mortais na Casa Viva.

Marcos farrajota escreveu o seguinte texto para este festival:

Kai Pfeiffer (Berlim; 1975) é um autor que se pode colocar na injusta prateleira dos “autores residuais”, ou seja, aqueles autores cuja a obra é rica em sugestões, estéticas, conteúdos e abordagens mas que devida uma publicação menos ortodoxa, desaparece do olho público e até dos próprios especialistas.

No entanto, Pfeiffer foi um dos fundadores do colectivo Monogatari, que no final dos anos 90 iniciaram a bd reportagem na Alemanha. Pfeiffer tem sido também instigador de revistas como a Plaque e Flitter (ambas pela Avant-Verlag) e de exposições, tradutor e designer de livros e mais recentemente professor de bd na Universidade de Kassel. O seu trabalho como autor de bd e ilustrador dispersa-se em antologias (como as do Monogatari), revistas da especialidade (Strapazin), livros de autor (com o Le Dernier Cri) ou jornais (Tagesspiegel, Frankfurter Allgemeine Zeitung). Tudo isto, como podem compreender, são publicações bastante perecíveis, especialmente para quem não estiver alinhado às geografias germânicas. Isso não o impediu de ter participado na exposição itinerante åbroïderij! HA! – International Graphic Arts Exhibition, criada em 2008 pela organização da Feira Laica com o apoio da Bedeteca de Lisboa – aliás, com o seu colectivo Monogatari, Pfeiffer já tinha trabalho exposto na edição de 2003 do Salão Lisboa.



Sob uma perspectiva tradicional o seu trabalho “oficial” encontra-se em dois livrinhos, pertencentes a uma colecção comum, Revue Mondaine. O primeiro volume intitula-se Land e o segundo Stadtelphen / Urban elphesm, ambos de 2004 e editados pelo Monogatari. Se este colectivo existente desde 1999 sempre teve uma preocupação mais vivencial na bd, tendo investido em bd's biográficas e de reportagem, é curioso ver o trabalho de Pfeiffer que foge para deambulações gráficas que apelam a ideias fantásticas sem serem fantasia e escapismo pueris.
O primeiro é uma série de paisagens que poderiam contar histórias caso Pfeiffer "parasse a sua câmara" durante mais do que alguns "segundos" - ou será essa a tarefa do leitor? As terras que vemos são desérticas e sujeitas a fenómenos extraordinários embora nunca sabemos a sua raison d'être nem o que irá acontecer. Um paralelismo possível seria o Malus de Christopher Webster (MMMNNNRRRG; 2005) por justamente desse non-sense e falta de pontos de referência, mas também pelo virtuosismo gráfico de ambos autores - curiosamente ambos podiam ser comprados e admirados na "exposição impronunciável" da Laica / Bedeteca. O segundo título é mais contido mas não menos misterioso, tem o aspecto clássico de bd - ou seja vinhetas em sequências certinhas, tudo limpinho e bonitinho como manda o figurino - mas continuam a ser polaróides (um bocado mais movimentadas e sequenciadas) de fantasmas / espíritos que existem por aí. O ambiente ou a ideia podem parecer um bocado "freak" demais para os nossos espíritos tecnocratas e racionais mas Stadelphen não tem moral nem histórias, apenas se observam “bichos” no meio de carros, paredes, pessoas ou cinzeiros com uma inocência parva que nos escava da memória infantil o Fantasminha (Casper) porque se descobrem expressões faciais caricaturais nas criaturas desenhadas que transmitem uma alegria insuportável... Não é suposto todos nós sofrermos até depois de mortos?

E se isto serve de metáfora, o caminho do sofrimento para quem quiser o trabalho de Kai Pfeiffer em formatos mais sólidos – livros – irá acabar pois ele prepara um livro com Dominique Goblet – também presente no MAB – intitulado Plus si entente, a lançar pela Frémok, bem como outro a solo (também a sair pela Frémok) e outros dois projectos, uma biografia com a colaboração de um ilustrador e a adaptação de histórias de Alexander Kluge. Und plötzlich…

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Os bons é que são sempre esquecidos...

Algumas mudanças de casa e de repente saltam meia-dúzia de edições que foram acumulando algures que não atraia a memória e a vontade de escrever sobre elas. Alguns casos, sei que as edições esgotaram mas dada a qualidade das mesmas tinham de ser divulgadas nem que seja para dar a conhecer os autores e adquirir trabalhos seus de futuros projectos.
No caso de Corpus (Lézard Actif; 2ªed. 2008) do francês Albert Foolmoon é um livro de autor com 16 desenhos de sobreposições de imagens de corpos (ou partes dele) criando um efeito surrealista de contemplação. Os desenhos são virtuosos e realistas, um trabalho sólido que poderá convencer qualquer um que esteja farto de "graphzines" degenerados. A edição é cuidada e forte - o papel que é impresso é bastante grosso.
Do mesmo autor e editor de The Walls are the publishers of the poor, Corpus encontra-se esgotada mas o trabalho de Foolmoon pode ser encontrado em outras antologias gráficas francesas espalhadas por aí...



O amigo Dice Industries (autor que participou na åbroïderij! HA! – International Graphic Arts Exhibition e em alguns números do Mesinha de Cabeceira) lançou mais números do seu "zine" Qwert, ou em auto-edição como Low Frenquencies (#13; 2008) ou por outras editoras como a austríaca Kabinett que editou Der Große Malspaß (#14; 2008). Em ambas publicações continua o seu trabalho de "remix" de imagens de bd's populares (Disneys, Mangas,... e do Casper já agora!) com resultados desconcertantes. Talvez possa não ser muito diferente da lógica surrealista das colagens de Max Ernst (A mulher das 100 cabeças, &etc; 2002) ou o Dry and Free from Greese (Opuntia Books; 2009) do André Lemos mas a diferença natural surge graças à matéria-prima com que Dice trabalha, 100% Pop e por isso redondinha e de formas "infanto-fofinhas". A maior parte das vezes é representada destruição e violência (de mesas, mobílias e casas mas as personagens (destruídoras) foram apagadas, ficando todo o sentido narrativo e pictórico descontextualizado. São eflúvios humorísticos, representações gráficas demagógicas, magia infantil em ácidos, são as entranhas do Rato Mickey reviradas ao contrário e sem hipótese de por na ordem. Será assim a Disneylândia se um tufão der cabo daquilo. Dá gozo... no caso do "Der grosse Malspass" ainda podemos gozar algo mais porque podemos colorir o livro, pelo menos em teoria...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Trans Europe Zine

Com os desenvolvimentos das tecnologias de tratamento digital de imagens e impressão, e da Internet, os tradicionais fanzines ou zines tem vindo a desaparecer, ficando no “mundo material” publicações com aspecto profissional – aliás, com cuidados gráficos ainda melhores que as revistas profissionais. Este texto é um mini-guia cartográfico bastante imcompleto para quem procura aventuras gráficas.


Partindo de Portugal temos os Opuntia Books já referido na Umbigo (Dez’07) e já agora investiguem também a Imprensa Canalha mas vamos imediatamente para aquela sempre foi e sempre será a capital da bd em Espanha, ou seja Barcelona, a sanita de Turistas anglo-saxónicos. Desde os anos 40 do século passado que se implantaram as editoras, grandes lojas de bd e o maior festival espanhol de bd. Claro que há muita boa gente no resto de Espanha mas é em Barcelona que aparecem projectos como a ARGH! que já vai no quarto número! E porquê a euforia? Simples... É que a ARGH! mostra que afinal os espanhóis não sabem apenas copiar como até fazem coisas boas - menos na música! Nas páginas da ARGH! vamos encontrar escatologia da grossa, bonecada "guilty-pleasure" e monstros nojentitos, piadas parvas de cócó-xixi & humor "serial-killer". As páginas são preto e branco mais uma cor extra que muda de número para número, permitindo aos autores explorarem temas – o “número amarelo” ligava-se à doença, por exemplo – ou potenciando grafismos mais adequados a cada cor, como aconteceu com o português residente em Madrid, Richard Câmara que participou no último número (verde) com uma versão colorida da bd publicada na colecção Lx Comics. Jorge Parras e Félix Diaz são os responsáveis pela publicação depois de terem feitos das suas no Fanzine Enfermo. Ambos são autores com estilos bastantes diferentes, o primeiro mais humorístico, o segundo mais “abonecado” na veia de Underground Pop. Cada vez que lançam um novo número refazem o sítio arghcomic.com.
Quando subimos para França é inevitável referir o colectivo Le Dernier Cri, sediado em Marselha no centro artístico Friche La Belle de Mai onde máquinas de serigrafia vomitam livros, cartazes e discos pelas mãos do casal Paquito Bolino e Caroline Sury. Nascido em 1993 das cinzas do movimento “undergráfico” francês dos anos 80, o colectivo publicou em 15 anos mais de 200 títulos, maioritariamente em serigrafia. Produção exorbitante para uma estrutura artesanal, que ainda edita a revista anual Hôpital Brut, produziu mais de 50 exposições (uma no Salão Lisboa 2005), discos e filmes de animação. Como afirma Bolino: «As edições do Dernier Cri consistem em artistas a editar outros artistas, artistas que vêm fazer residências, ateliers, ou simplesmente desejam fazer livros connosco, ao contrário de uma vontade de um editor em seguir conceitos pré-estabelecidos e colecções precisas. Isso permite-nos partir em qualquer direcção». A produção, toda ela assegurada pelo casal e colaboradores, é imparável e dispara para sentidos inesperados, por exemplo, num recente lote de edições quase todos livros incluíam música tão violenta como os desenhos: Evil Moisture (single 7" vermelho de Noise, co-editado com o colectivo dinamarquês Smittekilde), Le moindre doute de Guillaume Soulatges (que esteve numa Feira Laica) com desenhos seus Pop nostálgicos e música quase-que-relaxante, Judex (nome do autor e do livro + CD-R de Rock Noise na linha Fort Thunder / Load Records), Placenta Popeye (livro complicado de folhear + CD-R de Frenchy Noise Rock tão marado que parece uma banda de Black Metal que não sabe tocar), Vida Loco (Breakcore visual e sonoro!) e o “best of” do misógino Costes, Pot Pourri, acompanhado pelos desenhos da sua mulher Vanderlinden - se está casado ainda é misógino?

Bolonha, é outra capital da bd… em Itália. E é por lá que surgem projectos de uma qualidade irrepreensível como o Canicola, colectivo de oito autores e uma administrativa. A colar o grupo está uma vontade abrasadora de contar histórias sobre "coisinhas da vida" - no melhor estilo de Raymond Carver - mesmo quando a acção se passa em 2012 (Giacomo Monti) ou em universos oníricos de Amanda Vähämäki – a única autora do grupo, a finlandesa que estudou nesta cidade e que já regressou a Helsínquia. Na Canicola os desenhos são todos díspares embora se possa encontrar alguns pontos em comum com alguns autores que seguem uma estética "free" em que usam a seu favor, o facto da impressão dos dias de hoje conseguir apanhar tão bem os cinzentos do lápis - relembro que a bd sempre teve um processo de produção que obrigava os autores a "passarem a preto" (ou a tinta) os desenhos para serem reproduzidos. Nos dias de hoje, os autores ignoram essa técnica e caminham pelo "lápis directo".
Para além do grupo duro já passaram pelas suas páginas gente importante como Anders Nilsen (EUA), Chi Hoi (Hong Kong), Marko Turunen (Finlândia) e a alemã Anke Feuchtenberger, autora bastante influente na cena europeia, sobretudo nos últimos anos com a renovação do seu trabalho a grafite (que foi visto no Salão Lisboa 2003) e como professora de ilustração na universidade de Hamburgo – onde aliás ajudou a por de pé a revista Orang.
Justamente em Hamburgo que também encontramos o dice industries - já publicado em Portugal e participante na exposição åbroïderij! HA! que passou pela Bedeteca de Lisboa, Maus Hábitos, Casa da Animação e segue para a Biblioteca de Abrantes no mês de Abril. dice industries é DJ, designer, autor de bd, ex-homem do graffiti e recentemente abriu a galeria Linda. Qwert é o seu “zine de vida” que vai no 13º número onde tanto publica bd - Wien, ein mensch stirbt (2005) - como catálogos de exposições de artes plásticas: Low Density (2005) e Low Frenquency (2008) onde ele (ab)usa imagens dos «tios patinhas» (a font do Low Density não deixa dúvidas) e outras imagens populares, manipula-as ao ponto de ruptura sendo recriadas em ruído abstracto. A deformação é impressionante, um cruzamento histérico de Lynch com Lichtenstein.
Por alguma razão misteriosa, os finlandeses estão a descobrir o "ácido" na bd e ilustração. Fora do já conhecido desengonçado crumbiano ou da crueza non-sense ratada de Gary Panter, os finlandeses andam a borrar cores a torto e a direito nos seus desenhos. Prova concreta disso é o jornal Kuti editado pelo atelier Kuti Kuti, onde seja qual for o estilo gráfico das bd's, o que se vai destacar são as cores berrantes aplicadas ora com as canetas de feltro ora com o Photoshop. Outro ponto comum entre vários autores finlandeses é o imaginário sacado aos universos Pop da infância em que são revistos sob um prisma da decadência: ODNI (objectos Disney não identificados), Masters of the Universe destruídos e distorções da bonecada de plástico, da bd ou de desenhos animados xungas.
Do grupo destaca-se os livros de esboços de Tommi Musturi, a saber: Stand Alone and Smile rendido à arte psicadélica - a lembrar até o Moebius quando este tripava nos anos 70; Concrete Floor em formato A4 impresso em páginas verdes tem desenhos de dignos de manicómio visual; e Death to Most com desenhos feitos entre 1986 e 1992, quando o autor era um puto metálico “skater” a viver na província finlandesa e desenhava caveiras, demónios e "damas de ferro", foram-lhes acrescentadas as cores berrantes dando uma nova dimensão visual aos desenhos “teen”.

Texto publicado na Umbigo

terça-feira, 28 de outubro de 2008

tão rápido que é lento...

O Verão foi lixado... Um gajo até quer fazer serviço público e divulgar estas coisas da "independência" mas o ca-lor tor-na tu-do len-to... Quando foi o Crack? Porra, que depressão! Já foi em Junho... E Angoulême? É-pá! Foi em Janeiro! que vergonha, tanta coisa atrasada para escrever... E depois quando dei por mim, já chove e estamos no fim de Outubro. Fuck! Vamos lá:

O Ponti / Bridges, vol.1 (Forte Prenestino + Galago; 2008) é uma antologia sueca e italiana que serve para comemorar a equidistante amizade, cumplicidade e parceria entre italianos e suecos que, pelo menos, fizeram este ano o maravilhoso festival Crack (em Roma). O livro não foge muito de do formato de antologia que tem sido editados desde os anos 90 (tipo Mutate e afins - e claro com o pé na segunda série da Raw). Nas suas 96 páginas a preto e branco cheias de bd's os textos estão em italiano - mas há uma tradução em inglês no fim do livro. Destaque para o trabalho de Markus Nyblom (bonecada Dark), Marco Corona (surrelismo à italiana) e Valério Bindi que adapta um texto estranho de como sobreviver a uma guerra civil - é intrigante porque não percebi até que ponto é a sério...
À venda no site da CCC (50% desconto para sócios).

Nalle Uhh (ed. de autor; 2007) do finlandês Aleksi Jalonen é um atraente livro de bd num formato quase quadrado (15x16cm) a preto e branco - adquirido em Angoulême na banca divida com os finlandeses.
A bd é muda (sem palavras) e usa criaturas antropomorfizadas para contar um conto urbano existencialista num registo pictórico minimal que lembra Lewis Trondheim ou Nicholas Mahler mas mais cru e "free" como Fábio Zimbres. As páginas são divididas em quatro vinhetas que tem um ritmo heterogéneo mostrando que o autor domina as técnicas de narração - nem sempre fáceis quando se faz "bd muda". A única coisa que não percebi foi se o personagem principal é um porco ou um cão ou... a única coisa que sei é que tem um aspecto blasé e que está sempre a fumar. Mais um finlandês cheio de qualidades...
O livro está disponível na CCC (20% desconto para sócios)

Bomba #1 (La Chose; 2004) de Naz é um comic-book francês (a nivel de formato até é estranho na cena "indie" francesa) que trata das aventuras de uma equipa soviética que viaja (cladestinamente) pelos EUA num disco voador, vestidos de marcianos (ou marxianos!) e que incitam o proletariado a tomarem os meios de produção para si: «o povo de Marte (que é marxista como o filme Aelita já tinha mostrado em 1924) está furioso com o povo da Terra e irá destruir o planeta se não se tornar comunista, etc...». Fabuloso! Os desenhos ficam entre o Paul Pope e o Emmanuel Gilbert (no Le Photographe e se fosse a preto e branco). Infelizmente, parece que a série nunca saiu do primeiro número, o que é lamentável dado os bons minutos de entertenimento burguês que oferecia às massas exploradas da Europa. Escrevam à editora para pedir mais como eu já fiz!
Continuando na França com a antologia Week-end (Stratégie Alimentaire; 2007) que marca o fim do projecto editorial que fazia parte Guillaume Soulatges - autor presente na åbroïderij! HA! – International Graphic Arts Exhibition. Sendo a edição já impossível de encontrar valerá falar nela? Talvez sim nem que seja para documentar a participação de André Lemos, e já agora, do finlandês Tommi Musturi. Tal como deverei falar de L'Usine Nouvelle, livro de Soulatges também editado pelo mesmo colectivo francês? Não sei... Com tanta coisa a empilhar por estes lados mais vale o usar as vantagens da 'net e passar a "hipertexto" - e como o Pedro Moura já escreveu aqui, «I rest my case».
Para breve coisas antigas (ainda resultado da Feira do Livro Anarquista, do Crack, da Feira Laica e Festival de Helsínquia) mas que são sempre novas para estas bandas.