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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Think about the future...


Nada se espera da imprensa nacional ou da "crítica" (mesmo aquela que se diz estar atenta às novas tendências) sobre um projecto seminal como o Futuro Primitivo. Em breve deixarei algumas considerações sobre o livro - a sua resolução, problemas, etc... Até lá vamos recebendo feedback estranho dos autores e leitores que reproduzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzimos aqui

«curti bué do futuro primitivo memo,antes de ler(verdade seja dita) pareceu-me completamente caotico e sem minima hipotese de fio condutor,depois tive a tarde toda a pensar sera q aquilo tá perceptivel...e só as 19H 30 quando sai do bules é q pude entao disfruta-lo,e é lindo , mixaste um livro ou melhor mixaste o melhor pós apocalipse de sempre.tem tudo...o mix bate nas horas!!!!e a junção de desenhos graficamente diferentes foi mesmo em cheio!!!!
tá forte» - aparicio desaparece / Tue, 7 Jun 2011 23:56:00 +0100

«pah curti, sei q as minhs opniões são um bocado seca mas eu aprendo com alguns trabalhos, quer dizer, n é para ser pedagógico nem merda q se assemelhe e mesmo nem concordando com pontos de vista das histórias e das freakalhadas está com sumo e sustento.» - ana maria On 2011/06/08, at 18:03

«epá de vez em quando tem alguns saltos em que o leitor se perde,mas isso até é giro e é momentaneo ,porque o fio condutor reaparece logo de seguida,acho q no todo está bastante perceptivel,a ideia base está lá sempre presente.» - aparicio desaparece / Wed, 8 Jun 2011 21:15:28 +0100

«Futuro Primitivo tem sobretudo autores nacionais e no fundo serve de catálogo à exposição com o mesmo nome. A qual, enquanto conceito e qualidade global, foi em minha opinião a mais conseguida de todo o Festival.» - João Ramalho Santos in JL (21/06/11)
Comentário do editor, Marcos Farrajota: Holy caramba! Não é um catálogo da exposição! Há quem fique com essa ideia - não sei porquê, no outro dia alguém dizia que era um "catálogo dos artistas da Associação". Não percebo, o livro não vale per se? Sei que a aplicação do conceito - mistura das bds de vários autores - será seminal (creio) e dado a erros e falhas (há muitas, admito) como se pode esperar do seu carácter experimental mas pensar que é um catálogo já me deixa a pensar que falhei muito mais do que previa...
A exposição em Beja foi quase uma improvisação, o projecto real estará mais próximo na versão que foi para o Crack - espero fotos em breve para perceber se correu bem. Ou seja, tal como no livro pretende-se que nas exposições seja possível também misturar as tiras de bd de forma a criar sempre novas narrativas. Em Beja, como eram originais que estavam expostos não eram possível misturar o material dos autores (pela razão típica de protecção dos originais). Aproveitamos para deitar o lixo tecnológico na exposição como mera cenografia apocalíptica - tema do livro. Na verdade sempre abominamos as cenografias das exposições de bd mas esta permitiu diversão gratuíta. Como se costuma dizer: "para fazer uma instalação, atiram-se merdas pro chão!" - no colectivo P.I.d.E. já sabiamos disso nos Encontros CCC 1999, em 2011 continua a ser verdade, pelo menos prós cromos da bd que ficaram convencidos da qualidade da exposição. O importante é que se leia o livro...


«A unidade narrativa alcançada com esta espécie de remix aplicado às imagens e às sequências que os vários autores criaram é notável, até pelo potencial caótico dos próprios temas, entre a ficção científica distópica e os mundos pós-apocalípticos.
Mais de quarenta autores responderam ao desafio, escolhendo itens de uma lista cuidadosamente preparada para registar as invenções tecnológicas que terão colocado a humanidade a caminho do abismo. Da roda às armas de fogo, da imprensa à energia nuclear, a lista é suficientemente ampla para incluir elementos facilmente identificáveis com o caos ambiental e o desequilíbrio de produção alimentar que vivemos, mas igualmente com as grandes revoluções do progresso, o que só acentua o tom apocalíptico, configurando uma visão fatalista que alia qualquer avanço a uma inevitável degradação e que traça os princípios programáticos desta edição numa espécie de no future onde não haverá prisioneiros. Enquanto a devastação não chega, a clonagem da ovelha Dolly convive com as lições de sobrevivência que os genes humanos transportam e os autores abandonam as suas personagens à sorte de várias incógnitas, investigando o comportamento humano perante a ameaça do fim. Profecias, loucura, gestos de violência ou o desregramento total são alguns dos resultados. Autores consagrados e outros ainda em começo de publicação criaram sequências fortes, imagens perturbadoras e espaços de reflexão poderosos, mas é o trabalho de edição que lhes confere a unidade imprescindível para que este volume seja um marco para a afirmação da banda desenhada de autor no espaço, acanhado, da edição nacional.» Sara Figueiredo Costa in Expresso (Jul'11)

«Curiosamente, apesar de ser uma cena assumidamente "desconexa", o todo funciona muito bem e sente-se mesmo que é um projecto aberto e com pano para mangas para outras abordagens e sem grandes limites. Existe igualmente é um sabor amargo de estarmos perante algo incompleto, mas de certa forma, é isso a que o livro se propõe. No happy endings, no fucking fun. Demasiada informação para o mundo fazer de todo sentido. Curti mesmo.» On 2011/07/22, at 10:35, A.C. 
Comentário do editor: hum... boa abordagem / pespectiva que me propões... um dos problemas do livro é que alguns autores fecharam demasiado as narrativas para o livro ser mais "visual" mas faz sentido as "micro-narrativas" numa estrutura maior, talvez... Resposta de A.C., às 16:43: «Ya, mas olha que de certa forma, as micro narrativas acabam por funcionar como âncoras, no sentido em que criam momentos de focagem que depois só acentuam o caos gráfico que vem a seguir. Quase como teres momentos melódicos entre uma jarda de ruido sonoro num disco de noise ou assim. O livro tem uma dinâmica do caralho e nem sequer é um "album de BD" nem tão pouco tem aquela pinta de "antologia". É mesmo um overload fodido.»

«The concept is really great!» On 2011/09/10, at 15:13, Ilan Manouach

«El fin esta cerca. El 2012, las profecías mayas, tormentas solares, inminente invasión reptiliana, conspiraciones a la orden del día. A la humanidad le quedan 2 días. ¿Y después qué?. Osea, si algunos pocos "privilegiados" llegan a sobrevivir ¿qué futuro les depararía? No olvidemos que muchas veces el hombre es como una roña difícil de quitar.
Estas preguntas son el punto de partida del álbum distópico que la asociación Chili Com Carne nos hace al completo. Si, porque en Futuro Primitivo participan los alrededor de 40 socios que tienen, en un cadáver exquisito apocalíptico y antológico.
A pesar de lo difícil que resulta organizar un cadaver exquisito entre autores de diferentes estilos, algunos muy diferentes entre sí, el resultado es sólido, primando un aire a ciencia ficción pura y dura, con artefactos ultratecnológicos, contaminación en proporciones elevadas y mutantes y escombros a la vuelta de cada página.» -
Martin - 16/09/11 - in Bolido de Fuego



«I thought one great thing about Futuro Primitivo was that I couldn't understanding all of it. It felt like that was the point, like a global, multidimensional dystopia and you only understand the bit you can see with your own eyes. On the other hand, I think that was my very own subjective reading experince (I understand a little Portuguese but not enough to be sure what the comics were about, a bit like dreaming and half-understanding). Really impressed that you guys have translated it!» On 2011/11/20, at 20:06, tecknarn Sling

«Confessamos que não compreendemos por que razão os editores desta antologia afirmam, na introdução, de que esta é uma experiência “falhada”. Tecnicamente, trata-se de uma recombinação editorial feita sobre material que os autores providenciaram, ora sob a forma de tiras passíveis de serem quebradas e remisturadas, ora várias sequências em cadáver esquisito. A influência deste projecto parece ter sido semeada no tour do Boring Europa, como essa outra publicação demonstra. Todavia, a experiência editorial - que segue os projectos lançados por Marcos Farrajota que procura sempre soluções inovadoras e arriscadas num dito mercado nacional mas que encontra uma recepção francamente positiva noutros circuitos - que temos neste Futuro Primitivo parece-nos ter atingido o seu resultado prático justo. (...) Tendo conhecimento de algumas antologias nacionais e internacionais, é realmente bizarro que a atenção para com este projecto seja pautada por um silêncio quase consensual, apesar da franca “vanguarda” que ela apresenta (...) Falhanço? Ou trata-se isso de um exercício de contradição face aos discursos habituais das “vitórias” e “sucessos”, no campo em que apenas se vasculha na continuidade de sempre?» Pedro Moura in LerBD 16/05/12 

«A compilation of (post-)apocalyptic comics from Portugal and beyond, assembled as a kind of continuous, disjointed, exquisite corpse. This presentation actually makes for something surprisingly more cohesive and intriguing than most comps as it forces parallels and themes to emerge across juxtaposed artists' work. (did each know what the other would do, or is this happenstance? Is there a larger picture?) (...) I was going to come back and write more, but this remains cryptic and interesting as ever. Kind of a widely collaborative, free-association-narrative-connected art book.» Nate D / Goodreads / May 2012 

27 MAIO 2012 - nomeado para Troféu Central Comics Melhor Publicação Nacional 2011 - seja lá o que isso quer dizer e que nada trás para reflexão sobre o projecto ...

«I like the book, there are different moments actually, some parts look like a complete story and some are scattered, I don't understand most of the text so that could be the reason for me not being able to connect everything, but that is also kind of apocalyptic approach consistent to the theme. It can also be a part of the concept (this lack of communication that happened to me on the trip gave me an idea) that you have a solid story with a complete action, characters, articulate conversation at the beginning of the story, but as far as story goes on, everything is starting to lose the connection and at the end becomes a completely unconnectable neurotic abstraction of words and images. As the apocalypse has happened to the medium of narrative comic approach, lets say. I know it's not a hot water (as croats say), but I think it can be used related to the theme. And I like the theme.» Ivana Zubovic ... Tue, 24 Jul 2012 13:47:54 +0200


Panel are broken up from their sequence and then reorganized together, creating graphic tension between multiple artists' work on easch spread. The overall resilt of this strategy makes for a disconcerting and disjointed reading experience but sucessfully demonstrates a collaborative, group-derived aesthetic Kate Morgan / Journal of Artists Books 33/ Spring 2013

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Bárbaros do Norte!


Duas edições ligadas ao Festival Matanças - Dezembro 2010, Porto - ambas ligadas à adoração do Grande Bode.
A primeira é um CD, Aural Bowels (Latrina do Chifrudo + Let's go to war + Soopa; 201) que reúne bandas que já passaram pelo festival como Besta Bode, TendaGruta, Brutos da Natureza, New Tradicional Fang Music From Porto e outros projectos com nomes tão carismáticos que transitam do Metal para o experimental (e vice-versa?) passando pelo Free e o Industrial / Noise. No fundo o Metal já há muito tempo que passou a ter uma elite intelectual, tão activa e militante como os metaleiros normais, o que é melhor sempre que uma elite intelectual arrogantemente passiva como acontece em outras áreas artísticas. Seja como for, falta lumpen e toscaria porque Riffs com ambientes mórbidos já cá cantam! Capa de André Coelho, claro!
A segunda edição é já uma tradição, ou seja, outro "número" (o terceiro) do Enxebre, desta vez intitulado Meixedo Enxebre (Latrina do Chifrudo; Dez'10). É o número mais luxuoso e sofisticado a nível gráfico com a cópia lazer macia como a pele de Vénus e impressão brilhante como Apolo. Faltam os textos "think tank" que haviam nos números anteriores mas a entrevista aos Legião de Santa Comba Dão é bastante boa em que nem o puto Rudolfo (que fez o design deste número) é perdoado! As resenhas críticas aos discos continuam a ser o melhor do fanzine e a minha favorita é esta:«Eu gostava de Ash Pool. Agora já não." (e é tudo!). O André Lemos também faz aqui um bode para ser venerado!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Mishima - Blade Manifesto SOLD OUT


On the 25th November 1970 japanese writer Yukio Mishima (三島由紀夫 ) commited his ritualistic suicide. 50 years after, at the same day and month, our  RUBI collection released the book Mishima - Blade Manifesto by Portuguese artist Tiago Manuel. 

It's a graphic reading of Confessions of a Mask (1949), book that Mishima started writting also on the same day and month. This "Manifesto" was made by Tiago Manuel for an exhibition for Ciclo Mishima - Um Esboço do Nada, program dedicated to the write by Belém Cultural Center (CCB) in 2008 and after twelve long years finally it was published in book form - only a small except was published in #20 of Kuš! (Latvia) in 2015. 

The artist used scissors that shattered the original work, not to destroy it, but to honor it by making it bleed images. We hope this vision of Tiago Manuel will open an intellectual battle between "Comics" and conceptual drawing purists.

This edition includes also Visions of Mishima, a text written by curator António Mega Ferreira.


SOLD OUT but try still at Quimby's (Chicago),  Modo (Italy), Just Indie Comics (Italy) and Le Mont en L'Air (Paris)












Four different drawing were printed in risograph at Desisto. One of these images will be a gift to you if you buy directly to Chili Com Carne, There is 25 copies of each, all signed and numbered by the artist.



FEEDBACK

His works reminds me of Roland Topor's works and has a touch of Polish film posters. - DJ Cat Goshie (by email)

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Best Portuguese Books 2020 in Expresso newspaper

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Tiago Manuel is a national treasure (...) - Gabriel Martins in Paul Gravett site

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exciting, experimental recent release in Portugal, (...) Tiago Manuel's Mishima: Blade Manifesto is an evocative suite of transforming text-free images, one per spread (...). - Paul Gravett on FB

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Ostensibly a “graphic adaptation” of Mishima’s Confessions Of A Mask rendered as a series of wordless mixed-media illustrations (each presented within the gorgeous open-bound book adjacent a blank page for maximum consideration value and, if we’re being brutally honest, impact), it would be a mistake at best, betrayal at worst, to think of Manuel’s “suite” as concerning itself overly much with the literal aspects of its subject — after all, if conveying such were his intention, he could have simply gone the “prestige graphic novel” route. Rather, it is the character and philosophy of the work that we are both welcomed to explore and confronted by herein, and while original exhibition curator Antonio Mega Ferreira’s “Visions Of Mishima” text piece serves to set the table, it is the artwork that is the main course, replete as it is with all the martial precision, poetic beauty, unrequited longing, and psychosexual pathology that informed both the narrative it takes it cues from and, of course (and much more crucially, in my view) its author. - Ryan C.'s Four Color Apocalypse

I like it. He's keeping high and blazing the Roland Topor's flame. Samplerman (via email)

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Tiago Manuel (1955; Viana do Castelo) did his artistic training with the masters Aníbal Alcino and Júlio Resende. His work has been presented in the country and abroad in institutions and reference galleries. He has received several awards. Since 2013, he has been responsible for the artistic direction and organization of temporary exhibitions dedicated to illustrating artists, a project by Rui Faria Viana for the Municipal Library of Viana do Castelo. He is the artistic director of BIG - Bienal de Ilustração de Guimarães, a cultural project of the Guimarães City Council, created in 2017 in co-authorship with Rui Bandeira Ramos.

As an illustrator, he published in the newspapers Público, Expresso, Jornal de Letras, Letras & Letras, O Diário and Postas de Pescada, in the magazines Colóquio/ Letras (Calouste Gulbenkian Foundation), Ler-Círculo de Leitores, Cão Celeste, Intervalo, Bestiário and Torpor and in the publishers Âmbar, ASA, Afrontamento, Media Vaca (Valencia), Bertrand, Abysmo. Since 2000, he has published 10 of his 25 heteronyms (19 books), four of them published by MMMNNNRRRG. 

Some solo exhibitions: Galeria Abysmo, Lisbon, 2014; “Mishima, Manifesto de Lâminas”, Centro Cultural de Belém, Lisbon, 2008; Galeria Spectrum Sotos, Zaragoza, 2008; Galeria Palmira Suso, Lisbon, 2007; Lugar do Desenho, Júlio Resende Foundation, Gondomar, 2002. Some group exhibitions: “Sem Consenso”, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 2015; Annual Comic and Cartoon Art Competition, Society of Illustrators, New York, 2014; Arco, Casa da Cerca, Almada, 2008; Prémio Stuart, Lisbon, 2007, 2006, 2004; Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada (Bedeteca de Lisboa), 2004, 2002, 2001, 2000.

Latest works: 40 drawings for the website of the film Arabian Nights by Miguel Gomes, 2013/2014; poster for the film Gambozinos by João Nicolau, Quinzaine des Realizateurs, Cannes, 2013; poster for the film Ruínas by Manuel Mozos, IndieLisboa Festival, 2009; O sangue por um fio, poetry book by Sérgio Godinho, Assírio & Alvim, Lisbon, 2009.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Art 101 or the world's worst comic

The Jonkers
This is (not) a magazine; 2007

As revistas "artsy-fartsy" também sabem se divertir. Por exemplo, a italiana This is (not) a magazine criou uma extensão da sua antologia Who I think I Am como um mini-comic que se meteram a distribuir gratuitamente pelo globo fora - assim mesmo, aleatóriamente... tanto que chegou cá a Portugal via Matéria Prima.
É um livrinho A7 muito bem impresso cheio de desenhos feitos como se fossem de "leigos", daqueles que podemos encontrar por detrás da porta da WC público ou num caderno de um puto qualquer do básico ou do secundário que curte "trash". De bd nada têm - sem querer ser conservador - tirando um imaginário de desenho naif de quem quer desenhar uma bd comercial qualquer, e uma paginação que se pretende narrativa / com separação de vinhetas.
Não deixa de ser uma boa prenda (gratis) para quem for à loja de Lisboa...  a do Porto não sei se também tem esta publicação - e para quem não sabe a Matéria Prima está nestas duas cidades, na Rua da Rosa (Bairro Alto) e no Artes e Partes (Porto).

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Puro Turbo Folk!


A Caravana Underground portuguesa saiu no semanário sérvio independente Vreme, duas páginas em bd por Aleksandar Zograf - aqui em pormenor, a preto e branco (sai a cores na revista) e em inglês, ou seja a versão a sair no livro da tour em breve.
...
Na capa, a Raínha do Turbo Folk a ser chamada de "putovanja" (putéfia? não pode ser!). Explica Zograf: «She definitelly is "puta", not "puto"! Putovanja means travels. Ceca went to Australia, just before another trial, I think, as she did some illegal money transfers while selling football players in her club... She did it years ago, but obviously some political figures are defending her from being prosecuted... Anyway, at Vreme they told me that magazine sells better whenever she appears on the cover, so it's good for the strip... » Mais sérvio não podia ser!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Paulinho! Estava mesmo a reconhecer-te!

Foi o que disse um mamado num arraial no Martim Moniz pró Nevada Hill quando esteve cá para a Feira Laica e actividades paralelas... Um caso com piada de confusão mental - excesso de álcool para quem tivesse dúvidas - em que talvez o que acontece na vida real parece que passa para o trabalho artístico (e vice-versa?).
O texano-não-texano trouxe na bagagem (e deixou-nos cá alguns exemplares) o terceiro número do Mass, zine de bd em que prolonga uma viagem esotérica e escatológica sem palavras - literalmente...
São 20 páginas A5 impressas em cores diferentes que deixam qualquer um à toa até ao "Paulinho" que ainda teve problemas em imprimir o miolo do zine (a capa foi ele que fez em serigrafia) porque os tipos da fotocópias recusaram-se a imprimir tantos cus, mamas e dejectos fecais. Texas e a América são um nojo, e o Nevada é o nosso herói!

à venda na CCC, desconto 20% para sócios

Nevada também trouxe alguns discos do "underground" do Texas, a começar pelo seu projecto mais conhecido e endérmico de Nevada Hill, falo dos Zanzibar Snails, que preparam o primeiro álbum em estúdio - por isso nada poderei dizer sobre data de edição, editora nem título - uma vez que todos os outros registos sempre foram ao vivo. Continua nas fileiras deste colectivo de músicos e não-músicos a cantora Sarah Alexander, que já tinha participado no disco Vitiligo (Tape Drift, 2009). Talvez seja o álbum mais interessante deste colectivo que apesar de continuar a deambular em drones ganha uma voz pseudo-operática a servir de contra-ponto. Será um bom disco quando sair... estejam atentos!

Age of Desinformation (Mayyrh; 2009) é um CD-R que regista uma noite de improvisação ambiental de uma série de músicos dos Texas, com Aaron Gonzalez à batuta (e fazedor da capa, já agora) - ele que tem tocado em Portugal no Humanization 4 Tet. O "Paulinho" Hill não está aqui metido mas algum timbre Zanzibar Snails anda por cá porque continuamos nas buscas obscuras de ambientes negros e psicóticos - aliás, toda a reunião é uma ode à actual situação psicótica do colapso económico dos dias de hoje... Talvez seja porque estamos todos doentes! Esta é sói uma outra forma de o mostrar...

O Nevada trouxe também um vinilo de 10" dos Orange Coax - cujo o título e imagem de capa não encontro na 'net embora tenha sido editado pela We Shot J.R. Trio Noise Rock para quem gosta dos Melt Bananas ou dos God Is My Co-Pilot, sendo que a vocalista é uma tipa e um dos tipos é saxofonista, restanto outro gajo pra bateria. Curto, rápido e energético como deverá ser qualquer banda do género. Colocando o disco em rotações erradas (para 33rpm) também fica bom, a gaja passa a gajo e tudo é lento mas não propriamente mau... hum...


Mais vinil: um mini-Lp nem que seja pelo facto de só se poder ouvir de um lado do disco porque do outro lado o "Paulinho" imprimiu a informação do disco e desenhos ver imagem ao lado. São os Drug Mountain outra banda Noise Rock de forma "normal do Rock" (bateria, guitarra, baixo, voz) com uns extras: saxofone e actualmente violino (do "Paulinho" mas que ainda não gravou neste disco). Poderoso, gritadão e um "pós-Hardcore" de fazer mijar nas calças - poderão observar neste concerto dado dentro de uma casa (resiedencial, habitada... uma casa!).

O "Paulinho" ainda trouxe xungaria texana, ou seja, gangsta Hip Hop de Houston, os UGK, que é uma bosta cliché total do género, e ainda DJ Skrew, o criador do Chopped and Screwed, técnica de remistura de Hip Hop que consiste em abrandar o ritmo das músicas além de reeditar as músicas (tirando este ou aquele pedaço). O DJ Skrew é uma lenda da cena Hip Hop e como qualquer boa lenda morreu de overdose de "syrup" (codeína + prometazina)... E como qualquer invenção musical depende da droga que se toma, a codeína abranda a mioleira daí o Chopped and Screwed só podia ser uma coisa lenta, quase a lembrar o Trip Hop de alguma forma por causa do efeito narcótico do som desacelerado. O interessante é que as letras sobressaem mesmo que sejam para dizer as alarvidades dos gangstas sulistas... Vale a pena investigar... hum... É uma espécie de Butthole Surfers do Hip Hop... It's hard to think when your mind goes blink... * ... ehm... Exacto!

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Música para ver



Sinapses do Ivo Puiupo é o novo volume da Mercantologia, colecção que recupera material perdido. 

O livro é resultado do concurso dos 500 paus de 2022.

Serão 12 bandas desenhadas curtas com poesia ou serão 12 poemas com desenhos sequenciados?


116p. 15 x 21 cm p/b (48p a cores), edição brochada

à venda na loja em linha da Chili Com Carne e na Tinta nos Nervos, Snob, Kingpin, Utopia, ZDB, Linha de Sombra, Tigre de Papel, Alquimia, Socorro e Matéria Prima.

Historial:

Lançamento em 17 de Dezembro 2022 na Tinta nos Nervos, com a presença do autor e uma pequena exposição.


Segundo o Fábio Zimbres:

Há uma tentação de entender as histórias aqui como fazendo parte, alternadamente, de: 1) um diário; 2) registros de sonhos; 3) ideias para um filme. Decidimos uma vez por um e depois por outro mesmo sabendo que não é necessariamente uma coisa nem outra, nem apenas isso. Mas há alguma coisa de íntimo, como um diário, e há um prazer nas associações que se desenrolam, as ambiguidades e o aspecto sensorial dos sonhos. E há às vezes a imediatez de quem registra.

Só que não é só isso. É mais que isso porque são o que são, obras acabadas, mesmo que não pareçam encerradas. É como uma estrutura no ar ainda com o processo nu, transparente. Mas são verdadeiras pontes nos transportando para lugares desconhecidos, Puiupo na frente. Cada ponte, várias possibilidades de história, de literatura, de imagem e de gente. 

Provavelmente por isso podem parecer fragmentos de diário ou de sonhos, porque a matéria-prima dessas pontes (sinapses? Ou o que permite informação passar de uma célula a outra) é, basicamente, gente, essa coisa feita de sonhos. É realmente um livro feito de pessoas. Se comunicando, se desdobrando e se tocando. Transpondo pontes, ligando possibilidades ainda desconhecidas.

No meio de cada conto, podemos olhar para trás e imaginar de onde ele veio e para onde vai, como uma estrutura expansível que atravessa mais do que o que vemos. Podemos imaginar o que acontece antes do começo e depois do fim. Não é difícil imaginar também que estamos flutuando, como uma ponte às vezes nos faz imaginar.

No meio da travessia, de repente achei que estava assistindo a uma coleção de curta-metragens, com uma trilha sonora adequada, uma coleção de trilhas sonoras que viraram filmes. E esqueci da ponte, ou seja, lá onde estava e tudo virou um fluxo me levando, que é aquele momento em que eu me esqueci que devia escrever algo sobre o livro e tive que refazer todo o caminho de volta para me lembrar o que estava fazendo ali.

Que é o que um diário/ sonho/ filme deve fazer com a gente. Nos desorientar.


Feedback:

(...) exploram temas, como, por exemplo, a identidade de género, o luto e a intimidade de uma forma metafórica, mas que demostra uma grande honestidade emocional que é palpável ao virar de cada página.

"Danny" in Bombazine #2



Sobre o autor

Nasceu em Lisboa (1996) mas reside actualmente em São Paulo. Começou sua trajetória na BD em 2011 e participa da cena luso-brasileira de fanzines desde então. O seu trabalho já foi publicado em antologias, revistas e livros solo na America Latina, EUA e Europa. Trabalho esse que habita as fronteiras da narrativa sequencial desenhada-escrita e mescla-se com pintura, fotografia, produção de atelier e por vezes torna-se também contra-sequencial. 

Em 2018 participou do projeto de residência artística Revista Baiacu, sob curadoria de Laerte e Angeli sediado pelo instituto Hilda Hilst em parceria com o SESC São Paulo. Em 2019 foi vencedor do concurso de publicações Des.gráfica premiado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) São Paulo pelo livro Óbice, que posteriormente foi também publicado pela editora argentina Waicomics. 

Além das publicações e fanzines, Puiupo também actua como ilustrador em projetos tais como a edição brasileira do clássico "Ilha do Tesouro" publicado pela editora Antofágica, a capa do album "who told you to think??!!?!?!?!" do rapper e poeta americano R.A.P. Ferreira e diversos artigos para plataforma Narratively. Puiupo faz parte do selo editorial / conglomerado empresarial Pepito Corporation e publica-se através do mesmo ao lado dos artistas da jovem-guarda brasileira Adônis Pantazopoulos, Julia Balthazar e Flavushh. Também faz parte do coletivo de arte contemporânea BASA sob mentoria do curador Lucas Velloso. Por vezes também flerta com produção musical no duo Fuga. 

Venceu o concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! de 2022, traduzido no livro Sinapses que saiu em simultâneo em inglês com a Kuš!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Radio Live Transmigration

O Rapaz do Sul do Céu Celebra C.S. Lewis (FlorCaveira; 2013)
XNC : Dropa o Beat (FlorCaveira; 2014)
Tiago Lacrau : Sou Imortal Até Que Deus Me Diga Regressa (Amor Fúria + FlorCaveira; 2015)

Yup!
Citação "mash up" de Joy Division e P.K.Dick no "post".
Porque estes discos que irei fazer resenha são mesmo isso, uma transmigração da rádio para CD, os três casos mais ou menos de forma explícita.

O primeiro é assumido, dedicado a um escritor C.S. Lewis, em que Tiago Guillul / Cavaco / Lacrau / Rapaz do Sul faz de radialista alucinado (quem nos dera que a rádio fosse assim!) apresentando temas raros / perdidos / versões do catálogo da FlorCaveira, indo às fabulosas incursões Hardcore de Catacumba (hilariante o tema Pedreira dos Húngaros) e dos Borbulhas Borboletas, o Pop dos Pontos Negros, o Hip Hop falsificado de Xungaria no Céu (XNC) que não tem problemas em samplar Rage Against the Machine ou os "bosses" Jay Z / Kanye West, assim tudo na boa.
Pós-moderno e melómano, a música é para curtir sem tribos, nichos de mercado e dogmatismos de géneros, é tudo ao molho, como gosto.
Não há rádio assim, há é "podcasts" ou CD-Rs assim...

Mais alucinado e paradoxal é XNC em que se topa que as diatribes que Tiago & cia sempre tiveram contra a intelligentsia revelam que na realidade vivem em negação pois samplam entrevistas a César Monteiro e Vera Marmelo, gozam com o Dave Grohl, criam manifestos e orgias sonoras à Beck mas sem orçamento, homenageam o Rui Rocker dos Crise Total, enfim... Tudo o que "um intelectual de esquerda" costuma fazer...
Tiago pensa que é cristão mas o que ele faz é magia Pop - e não milagres Pop - porque a sua "nerdice" é humana e não divina, coitado, tenho pena de ele não perceber isso...
Ninguém no Hip Hop 'tuga consegue ter a contemporaneidade e personalidade como este disco - e que o Allen Halloween que me perdoe que era o melhor candidato ao título.
É que a brincar a brincar, tal é descontração dos XNC fico em dúvida se o melhor disco de Hip Hop 'tuga não será mesmo este disco!

O regresso de Tiago (num nome próprio) é menos radiofónico e glorifica o Panque Roque do Senhor e o Ribas (outro punk que se foi!), mandando ainda bocas à "indústria" musical portuguesa (Prémio Blitz) e à sociedade portuguesa em geral (Sugiro a minha sepultura para a Capital da Cultura), no bom nível que Tiago sempre nos habitou.
A gravação tem um som artificialmente rançoso para mimetizar o ruído das k7s que acho muito bem!
Num país que aparecem todas semanas bandas rabetas de Pop/Rock não ser um clone é dom.
E o Tiago tem o tom!


People like us : Don't think right, it's all twice (Cutting Hedge; 2013)

Não se percebeu o que a Vicky Bennett esteve a fazer no passado dia 17 de Abril na SMUP - o novo "hot spot" de toda a Estremadura!
Passou um filme sobre Londres que sampla imagens desde o Quarteto Fantástico ao Lobisomem em Londres ou ainda do The Great Rock'n'Roll Swindle ou vários parvos 007's.
O que estava ela a fazer por detrás de maquinaria?
Não me parece que pudesse manipular som ou imagem que projectou nessa noite pois a colagem dos filmes e o som é tão perfeito que não me parece que fosse possível fazer algo "live".
O que se viu foi uma gloriosa roubalheira que ofenderia os verdadeiros ladrões que são as SPA's e afins - curiosamente em sincronia com a visita do The Clock de Christian Marclay no Berardo, outra obra audio-visual em Ode à pilhagem!
Este CD compila trabalhos realizados entre 2006 e 2013 em linhagem com os Negativland ou John Oswald mas sem querer ter um discurso tão directo de subversão.
PLU mete a Nico, Frank & Nancy Sinatra, Beach Boys e bandas sonoras da Disney, Gustav Holst (que o Star Wars roubou, ah pois...) e mil outras referências sonoras num fluxo agradável Pop.
Na maior parte do tempo sentimos que estamos num sonho doce porque PLU melhorou as imperfeições dos registos passados ao mesclar todas estas referências, quase não se sente interrupções abruptas como se sentia nos primórdios dos  Negativland ou Taped-beatles tal é o perfeccionismo técnico de Bennett.
Se Antena 2 fosse assim...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Quantos š tem "desassossego"?


CHEGOU a antologia š! número especial dedicado à BD portuguesa e ao "Desassossego"!!! 

A Chili Com Carne deu apoio na selecção dos artistas a incluir neste volume e numa discussão com a redacção da Letónia chegou-se à conclusão que Portugal tem a mania de dizer que é um "país de poetas". Se for verdade, ao menos que se actualize ao século XXI e que eles sejam "visuais"! Daí a razão de explorar explorar o "desassossego", um dos maiores marcos literários do século XX do "nosso" Fernando Pessoa, para definir as tensões gráficas e narrativas angulares que unem esta lista de artistas ímpares: Amanda Baeza, André Lemos, André Pereira, Bruno Borges, Cátia Serrão, Daniel Lima (imagem), Daniel Lopes, Filipe Abranches, Francisco Sousa Lobo, Joana Estrela, João Fazenda, Marta Monteiro, Milena Baeza, Paulo Monteiro, Pedro Burgos, Rafael Gouveia e Tiago Manuel.

à venda aqui




...
texto (original e em português) de Marcos Farrajota para este número: 


Tudo o que fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer*. 

Os meus olhos queimam de tanto tempo que passo em frente ao monitor para escrever algo de original sobre a banda desenhada portuguesa. Desta Arte só podemos dizer que ela será boa para ti se tu fores boa para ela. Ainda assim, ela é uma tontura, uma pechincha, um suplício, um esforço inútil sem causas nem consequências, sem glória ou recompensa. Em Portugal e noutras partes do mundo, fazer BD é simplesmente um acto isolado, sem consciência de classe e sem localização de parentescos e aliados - que safodam as redes sociais, elas não ajudam em nada para quem se mete numa mesa a tentar equilibrar imagens e textos.

Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito de viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade, e a hiperexcitação*. 

Perguntei a António Kiala** opinião. Ele responde-me com a sua habitual fúria: “o que distingue a BD portuguesa das outras é a História do seu próprio país que sempre se acomodou ao esclavagismo e colonialismo e que devido à periferia europeia não teve problemas de sustentar um fascismo “light” (tudo é leve no nosso país) durante 50 anos. Esse clima católico e bem-comportado (senão iam para fogueira da Inquisição) tornou o povo analfabeto e dócil num húmus nauseabundo o que não impede que o génio sobressaia em alguns autores!” Tem de ser assim, senão a palavra “génio” nem existiria. Poucos mas bons! De baixa estatura também. E morenos, embora essa pureza genética dê vontade de rir – só os ingénuos e idiotas é que acreditam em eugenias e raças puras de cavalos. Por acaso, só na selecção de autores feitos neste número do Kuš! muitos têm mais que um metro e setenta e alguns até são loiros. Podiam passar por letões ou um eslavo menos deslavado. Em comum são autores que se dissociam obviamente do cliché da BD masculina, heterossexual e caucasiana – embora pouco importa a cor de pele ou a opção sexual quando não se tem talento ou vontade de dizer o que lhe vai na Alma.

Porque se sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura (Alberto Caeiro)* 

Pediram-me para escrever sobre a BD portuguesa. Um exercício inútil. Que adianta escrever aqui nomes de autores, publicações ou obras se nem os portugueses os conhecem ou se dignam a reconhecer? (incluindo as gentes da cena da BD que são uns merdas ignorantes) Para quê o “name-dropping” se não se pode encontrar os trabalhos de forma acessível? Se vierem a uma livraria portuguesa estranhamente até poderão encontrar duas obras reeditadas dos anos 70 - Wanya, de Augusto Mota e Nelson Dias e Eternus 9 de Vitor Mesquita - mas irão se rir da naivitée da época. Dos anos 80 nem há livros para falar. Só a partir dos anos 90 que até podem encontrar livros de BD portuguesa no estrangeiro como História de Lisboa de A.H. Oliveira Marques e Filipe Abranches e Mr. Burroughts de David Soares e Pedro Nora, ambos em francês. Neste milénio até há mais livros editados, alguns 14 anos depois da sua publicação portuguesa como os do Pedro Burgos e o do Pedro Brito com o João Fazenda em França, Polónia e Itália.

Por cá, o mercado da BD popular foi desaparecendo ao longo do século XX mas os seus autores sempre estiveram bem alinhados aos sabores dos tempos: dos grandes mestres do desenho realista e aventura (Victor Péon, Fernando Bento) aos fabricantes dos “grandes narizes” (Carlos Roque, António Fernandes Silva), dos que esmiuçam os políticos na imprensa (Nuno Saraiva) até aos que mostram as cuecas dos super-heróis no seu mercado (Jorge Coelho), houve sempre um pouco de tudo em doses homeopáticas e sempre com qualidade técnica irrepreensível. Mas não é destes que interessa escrever nem dos seus problemas profissionais – tal pode ser lido em Quadradinhos: Looks on Portuguese Comics, catálogo-antologia editada no âmbito do Festival de Treviso 2014.

Viver não vale a pena. Só olhar é que vale a pena. Poder olhar sem viver realizaria a felicidade, mas é impossível, como tudo quanto costuma ser o que sonhamos. O êxtase que não incluísse a vida!* 

Os movimentos da BD portuguesa não são de fluxo em progresso mas de interrupções contínuas que não oferecem passado nem futuro. Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) deu o verdadeiro arranque editando jornais e álbuns humorísticos que deveriam ser modelo para todos e até fez o primeiro acto de autobiografia com No Lazareto de Lisboa (1881). Não teve seguimento... Carlos Botelho (1899-1982) será excepção à regra da História com o seu misto de crónica, autobiografia, jornalismo e sátira, sabe-se lá como resistiu entre 1928 e 1950 a fazer uma página semanal no jornal Sempre Fixe! O Estado Novo tinha sido instalado dois anos antes embora seja verdade que algumas vezes a Censura deixou passar desenhos seus em que Mussolini e Hitler seminus eram expulsos do Paraíso – já agora, o ditador italiano fazia de “Eva” e é nomeada de “Mussolina”. Os especialistas internacionais da BD não pensam nestes dois autores como património mundial, Pinheiro ou Botelho não tiveram impacto internacional (nem poderiam com um país fechado ao mundo) por isso: continuem a brincar com as pilinhas da Krazy Kat (apesar de ser uma gata) e do Calvo!

Logo após a revolução de 25 de Abril de 1974 já havia Visão (revista entre 1975-76) aberta ao psicadelismo e à anti-autoridade. O anarquismo era “light” (Kiala dixit) mais a dar para o maoísmo resminga e não foram longe nem parecem ter tido consequências… É preciso esperar pelo pós-modernismo da revista Lx Comics (1990-91) para se ver a amplitude que a BD poderia ter mas ninguém percebeu aquilo. Depois veio a instituição pública da Bedeteca de Lisboa para conduzir a geração “indie” dos anos 90 para um “boom” mediático e editorial em que de repente, tudo parecia ser possível. Esse trabalho destes tempos foi decaindo lentamente a partir de 2002 até ao esquecimento de hoje, embora a biblioteca continue num edifício amarelo e com o maior acervo de BD nacional para consulta e empréstimo domiciliário. Desde 2005 que a cena portuguesa em geral vive um vazio existencial mas que não tem durado mais tempo do que os intervalos entre as outras referências históricas aqui indicadas neste parágrafo.

Este vazio nem deveria ser problemático porque há muito que vivemos sem Deus ou qualquer outro tipo de centro. É impossível agrupar estes artistas que entram neste livro a qualquer movimento até porque há aqui idades e percursos muito diferentes, isto ao ponto de apesar os conhecer quase todos, nem sabia que a Marta Monteiro fazia BD – foi o David Schilter que “descobriu” esse facto. Tal como foi ele que me indicou a Joana Estrela (tudo bem, ela andava pelos países bálticos) mas o mais importante foi que o Kuš! publicou o primeiro livro da Amanda Baeza.

Chegamos ao ponto deste mistério total que é porque raios a Kuš! está recheada de dissidentes? Existe outra palavra para eles? É certo que alguns até se movem em colectivos organizados como a Chili Com Carne (Daniel Lopes, André Lemos, Francisco Sousa Lobo, Rafael Gouveia), Oficina Arara (Bruno Borges) ou Clube do Inferno (André Pereira) – esse fenómeno incompreensível para os portugueses: a colectividade – mas a maior parte são “lobos solitários” como a Cátia Serrão e o Daniel Lima. Há “lobos” cheios de gente como o Tiago Manuel que deverá ultrapassar “as pessoas do Fernando” com o seu projecto de 25 heterónimos – a sua belga Marriette Tosel foi seleccionada pela Society of Illustrators no ano passado! E há o Paulo Monteiro que apesar da sua faceta institucional à frente da Bedeteca de Beja e respectivo Festival de BD, tem poesia pelos poros que afecta editores estrangeiros – é o autor português com mais edições estrangeiras do seu único livro! Estas internacionalizações são um fenómeno recente, durante muito tempo Portugal não participava na festa do intercâmbio. Sentia-se bem a comer gordura animal e batatas vindas da aldeia, era preciso que “viessem cá” para perceber o que se passava. O génio cria para a gaveta e é preciso que o chateiem!

Eles ficam comovidos com os desafios, claro. Afinal, o isolamento que sofrem é digno de um Arthur Dent*** que durante anos foi abandonado sozinho num planeta qualquer no Universo. As respostas sobre tudo isto da BD portuguesa que não consegui escrever na verdade estão nas sábias palavras que Dent pronunciou ao aparecer-lhe o primeiro ser inteligente, Bowerick Wowbagger the Infinitely Prolonged, nesse exílio e faço questão de citá-las: Whh...? Bu...hu...uh ... Ru...ra...wah...who?




*Frases do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa
**Prof. Universitário angolano de Sociologia que reside entre Lisboa e Belfast, um dos fundadores do zine Mesinha de Cabeceira e “think tank” na cena alternativa nos anos 90.
***Atenção, estamos no domínio d’O Guia Galáctico do Pendura de Douglas Adams!






domingo, 4 de janeiro de 2026

The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros - Obra vencedora do concurso "500 paus!" (2013) --- ESGOTADO


The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros
de

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! 2013

"Peter Hickey is to paedophiles what birdwatchers are to hunters". Peter Hickey dixit. What is meant by this oblique statement is the crux of this graphic novel. Peter Hickey is a godless catholic perv. Peter hickey has a saint syndrome. "Peter Hickey está para os pedófilos como os observadores de aves estão para os caçadores", assim diz Peter. O possível sentido desta frase obscura forma o próprio cerne deste romance gráfico. Peter é um católico tarado e sem deus com um síndroma de santo.


140p. duas cores 16x23cm, capa duas cores, edição brochada
ISBN: 978-989-8363-32-9
In English with Portuguese subtitles / Em inglês com legendas em português

ESGOTADO, pode ser que ainda encontrem nestas lojas: Matéria Prima, Kingpin e ZDB /// SOLD OUT but many there is still some copies @ Neurotitan (Berlin), Quimby's (Chicago), Dead Head Comics (Edinburgh), Just Indie Comics (Italy), Ugra Press (S.Paulo), Modern Graphics (Berlin), Mont en  L'Air (Paris) and Floating World (Portland).



Historial: 

Obra vencedora do concurso Toma lá 500 paus e faz uma BD! (2013) 
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Lançamento na BD Amadora 2015 
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Lista dos Melhores Livros de 2015 no Expresso 
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Best Graphic Novels (Portugal) by Pedro Moura in Paul Gravett site 
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Nomeado para Melhor Argumento pela BD Amadora 2016 
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Um dos Melhores Livros de 2016 no Expresso (apesar de ter saído em 2015... mucho weird!)
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Nomeado para Melhor Publicação Nacional, Melhor Desenho e Melhor Argumento pela Central Comics 2016 
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Spanish edition El Cuidado de los Pájaros by Reservoir Books / Penguin - Random House Spain (2019)
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Best of 2019 by La Cárcel de Papel
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French edition by Rackham (2021)



"peeping tom" aqui / here





Feedback:  

Já li o livro do Francisco Sousa Lobo. Gostei, apesar de toda a problemática do pedófilo e de às vezes ser difícil lidar com o que se possa sentir pela personagem (mas pensei que em relação a isso o livro era mais problemático e comprometedor), tem momentos muito bonitos, dos pássaros presos na rede, ele a conversar com as aves, desadequação do personagem ao mundo... e a parte final em que enlouquece (não estaria já louco?) e se deita do chão de cara para baixo à espera de um raio que o fulmine. Achei bastante poético. 

I like its mysteries and allusions, the gaps left in the dialogues, great use of the gaps and faultlines between what we are shown and what we are told.  Congrats, it’s further proof of Francisco's great work and development.
Paul Gravett (by e-mail)

Um dos mais discretos e interessantes autores portugueses de banda desenhada regressa com uma edição bilingue, uma narrativa que revolve as vísceras da natureza humana para as mostrar frágeis e inúteis enquanto conta a história de um homem que podia ser o nosso vizinho do lado. 
Sara Figueiredo Costa in Parágrafo, suplemento de Ponto Final (Macau) 

Desta vez Sousa Lobo debruça-se sobre um dos assuntos mais sensíveis, o da pedofilia. Esta é a história de Peter Hickey, um homem que parece acreditar que “está para os pedófilos como os observadores de aves estão para os caçadores”, um conceito que será explorado ao longo destas páginas naquele que é, sem qualquer hesitação, um dos mais portentosos livros do ano.

Is eager birdwatcher Peter Hickey ‘a godless Catholic perv’ or does he have ‘a Saint syndrome’? Deeply discomforting themes of sin and sincerity are cleverly underplayed and implied. I enjoy the book’s allusiveness, the gaps Lobo leaves in the dialogues, and his great use of the faultlines between what we are shown and what we are told, leaving what is left for us to tease out. “Words can become phantom limbs we never knew we had…”

LE PETIT OISEAU VA SORTIR... The Care Of Birds est un roman graphique de Francisco Sousa Lobo publié initialement en 2014 par Chili Com Carne, une maison d'édition post-psychanalytique portugaise dédiée à la BD et au dessin. Peter Hickey est ornithologue: il a été formé à 9 ans par un homme qui aimait beaucoup lui tenir la main. A présent, à 60 ans, il aimerait transmettre sa passion pour les oiseaux, en tout bien tout honneur. Dans cette histoire, où "les mots sont des membres fantômes", le dessin ne fait que suggérer ce que le langage ne recouvrira jamais. Le personnage principal communique avec les oiseaux, qu'il aime plus que tout étudier en compagnie de jeunes garçons. Les oiseaux lui disent des choses, et semblent lui obéir. L’ambiguïté de ses rapports avec ses petits collaborateurs est développé à la manière d'un malaise onirique, d'une torpeur fiévreuse.
Benjamin Efrati in Droguistes (e-mail newsletter)

The Care of Birds é, sem qualquer dúvida, um livro maior. Um livro que se desprende de toda e qualquer amarra de género e dos mecanismos (narrativos, visuais, estruturais) habituais da banda desenhada, portuguesa ou outra. Um título que não tem qualquer ambição de chegar a “todo o público”, nem sequer de serenar ou emocionar aquele ao qual chegará. A poeticidade de Francisco Sousa Lobo é sofrida, exigente, abole quaisquer consensos possíveis. Sem efeitos de pirotecnia emocional, lê-lo é uma armadilha se se toca a raia dos seus perigos. Difícil, profundo, angustiante, de uma lentidão que não significa tranquilidade, desprovido de quaisquer adornos e de efeitos, The Care of Birds é um jogo de tensões entre o melodrama de um Dostoievsky e a paralisia de um Kafka.
Pedro Moura in Ler BD

Despite its 100-plus pages, The Care of Birds is a tale mostly made of silences and doubts, both of the protagonist and the reader. Peter Hickey is an older man, an accomplished birdwatcher, birdsong imitator and bird draughtsman. But he is assaulted by strange feelings of seemingly innocent friendship toward children, which might be interpreted by many as pedophilia. A profound Catholic, Hickey is at the same time well aware of an uncrossable line but also haunted by sinning, that may or may not have taken place. All the questions that arise from the little plot there exists, if answered, are ambiguous. Difficult, profound, agonising, slow-paced but not tranquil, bereft of adornment and effects, The Care of Birds is a tour de force between Dostoevskyan drama and Kafkesque inaction, making it not only a great book within the Portuguese context but internationally as well.
Pedro Moura in Paul Gravett site

I just red The Care of Birds, liked the how the narration goes and the angle, remind me a bit of Hornschmeier work 
Franky (Les Requins Marteaux)

Se quisermos reduzir Sousa Lobo ao Santo Graal da assinatura do artista, podemos falar num programa que é recorrente no seu trabalho e que envolve estruturas de autoridade, doença mental e perversão. (...) Com um pezinho dentro e outro fora, entrar na galeria de arte ou na igreja com uma BD debaixo do braço continua a ser mais que uma provocação. É um acto de rebelião.
Hugo Almeida in Mundo Fantasma

The books look amazing, really nicely presented and designed. So far I've only had time to read the first section of The Care Of Birds, which I really enjoyed - looking forwards to continuing, also looking forwards to reading the other books as well. Andy Martin, one of the chaps in the band UNIT is a total bird fanatic, so maybe I'll pass The Care Of Birds on to him when I've read it. 
pStan Batcow (Pumf, Howl in the Typewriter) by e-mail

Même si quelques points d’appui, assez rares, quasi hors champ (à l’exception de la dispensable image de couverture) viennent peut-être inutilement-nous rappeler de quoi nous sommes en train de parler, c’est de loin le travail le plus subtil, le plus saisissant et le plus intelligent que j’ai vu traiter de la pédophilie depuis bien longtemps. Cette position, évoquée ici par un prisme clinique dont je n’ai jamais entendu parler — le syndrome de sainteté — mais qui n’est peut-être qu’une métaphore de l’auteur lui-même, se superpose à celle du birdwatcher — l’observateur ornithologique. Chaque touche nous faisant lentement approcher la psyché de la figure centrale est amenée de manière à produire, très finement, plus de questionnement et de trouble que de réponses ; ce sont les mouvements de fond des représentations de l’enfance chez l’adulte qui sont décortiquées, exposés à la lumière de désirs informulables, conduits dans de beaux couloirs métaphoriques, plutôt que la lecture factuelle d’une criminalité sexuelle tangible (et rien, d’ailleurs, dans le récit, ne laisse imaginer que la pédophilie soit menée ici à son terme ; ce n’est pas l’objet). Je me suis laissé faire assez rapidement par ce dessin au départ un peu rebutant, ces montages de plans exsangues, pour y voir pas à pas tout ce que cette claudication ouvrait comme inattendu de la marche, comme sortie de champ, comme invention. Il faut vraiment traduire urgemment ce truc, les gens. Il y a une intelligence warienne assez rare de la métaphore et des jeux de durée, mais également une solide culture littéraire qui affleure sous cette écriture subtilement polysémique.
The Care of Birds was definitely my favourite. There was something about the character that made me think of Raymond Briggs' book When The Wind Blows (the old man character in that story seemed to have similar mannerisms and characteristics). Your character is appealing, despite being a little twisted.
pStan (Pumf) by email

Curiosa y compleja aproximación la que hace Francisco Sousa Lobo al meterse dentro de la mente de un pedófilo, no practicante, que deambula en su día a día atrapado por sus bajas pasiones y su amor por el mundo de los pájaros. Una historia que remueve la conciencia y de paso también las tripas del lector, no tanto por lo que cuenta sino por lo que sugiere. Lleno de silencios, este cómic es una verdadero prodigio de narración demostrando que no siempre lo que se muestra es todo lo que se cuenta. (...)
El escritor, Francisco Sousa, se ha metido en un jardín y ha salido de él con nota. (...) De lectura sencilla, amena y reflexiva, este libro editado por Reservoir Books es un pequeña joya que podría pasar desapercibida si el mensaje no fuera la angustia vital de un hombre destinado a no encajar en la sociedad.
(sobre a edição espanhola) in Negra y Mortal

Hay que apostar por los cómics y los autores valientes, que arriesgan adentrándose en cuestiones de lo más espinosas, explorando las posibilidades que el medio proporciona. Es el caso de El cuidado de los pájaros del portugués Francisco Sousa Lobo, que publica Reservoir Books (...) El mérito de Francisco Sousa Lobo es lograr sumergir al lector en una obra tan tensa y oscura sin cargar las tintas de un asunto tan sensible ni subrayar el drama. Su uso de la elipsis narrativa es sensacional, sugiriendo —esas páginas 94 y 95— más que mostrando, y sin miedo a las viñetas que no necesitan texto para contarlo todo —esos sudores—. Una sutileza que asimismo se refleja en el aspecto visual, austero hasta el extremo, tanto en el parco uso del color —verdes y negros—, como en la simplista ilustración. Elementos que ahondan en lo enfermizo y la comezón interna del personaje central, y que permiten al lector centrarse en el meollo de un relato perfectamente armado, y de indiscutible pegada, sobre la oquedad y fragilidad humanas.
(sobre a edição espanhola) in Indienauta

Franciso Sousa Lobo se atreve, ni más ni menos, que a abordar el tema de la pedofilia. Pero lo hace sin amarillismo, sin efectismos, de una manera intima, y personal, casi tratando de comprender qué pasa por la mente de un pedófilo, en este caso, la de Peter Hickey, un hombre que vive agobiado por las dudas, por lo que sabe que es y no quiere ser, por tratar de entenderse, y siempre bajo la atenta mirada de la fe cristiana. No es un tebeo fácil, pero merece la pena enfrentarse a estos temas y alabar la valentía del autor.
(sobre a edição espanhola) in Blog de Comics

A slow-paced story that I’m not entirely sure how to describe, but that I enjoyed in all its mundanity.
The Care of Birds is so simple and beautiful

surprisingly subtle and bitter but not condescending
Łukasz Nowak (por email)

Une bd qui surprend par son choix de sujet et de traitement qui répulse et donne envie de vomir.
(sobre a edição francesa) 22h05 Rue des Dames

Comment réagir à de tels propos on ne peut plus dérangeants ? Comment ne se pas se sentir mal à l’aise envers cet homme qui dénie ses pulsions ? Et surtout, quel propos central a voulu soulever Francisco Sousa Lobo avec un tel album ?
(sobre a edição francesa) Planete BD

Le regard singulier de Francisco Sousa Lobo sur ce sujet complexe oblige le lecteur à regarder de front cette question répulsive, avec un récit qui mêle habilement crudité et expression métaphorique. Un album dérangeant, le premier de l'auteur traduit en France, dans lequel les oiseaux font figure de lanceurs d'alerte.
(sobre edição francesa) France Info

(...) é uma banda desenhada adulta, forte e estremecedora. (...) Peter Hickey é um personagem profundo, com várias camadas que se vão revelando à medida que viramos as páginas. é um homem mais ou menos idoso, que tem o passatempo de anilhar pássaros. Para isso, gosta de se fazer acompanhar de meninos com idades entre 10 e 12 anos. Mas porquê? Diz ele que há uma certa pureza na amizade entre um homem e uma criança. Mas os pássaros têm outras coisas a dizer. Vemos o personagem entrar numa espiral de loucura e auto-comiseração: o que ele procura, a companhia infantil, não pode ser conseguido. Os pássaros sabem disso. No entanto, quando ele encontra outras pessoas que o apreciam, não é capaz de lidar com as vozes dos pássaros. Os pássaros falam com ele frequentemente, e frequentemente dizem coisas terríveis.. Mas não só as aves são simbólicas. Também as pessoas, os outros personagens, têm diversos significados dentro da mente de Peter Hickey. Assim, todos os momentos de convívio acabam por ter mais profundidade do que aquela que poderíamos pensar à primeira vista. (...) Um livro poderoso que toca num assunto que ainda é tabu. A não perder.

Não me apetece estudar 


E a dos Pájaros de Francisco Sousa Lobo moi inquietante, gostei da lectura. Obrigado!

Manel Cráneo (via email)