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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Bacalhau da Noruega


Os latinos têm a mania que são muita loucos e extravagantes mas a verdade é que os humanos têm todos as mesmas características seja de onde eles forem. O colectivo Dongery é prova cabal que o humor não é exclusivo do sul como se gosta tanto de estereotipar por aí. Desde que existem desde 1997, o Dongery tem feito dezenas de zines de bd com títulos idiotas e conteúdo não menos idiota no melhor sentido pós-moderno. Da produção do grupo, há algumas curiosidades, as bd's sobre Lisboa (ver "post" anterior), a participação do português Pitchu (autor e editor do saudoso zine Sub) em zines como o recente Sing it out!!!!! (2008) - que tem um formato de piano de cauda! I shit you not!!! - ou ainda os coléricos Duncan e Folino, personagens de Bendik Kaltenborn e Kristoffer Kjølberg que tem aparecido nos zines Friends for Fighting (2 números, 2006) ou no mini-zine M walk with me (2006).
De forma geral, o Dongery o que faz juntar pessoal na sua esfera nacional, pegar num tema (cabelo, humor, música são exemplos de temas para essas edições) e lançam cá para fora sem grandes preocupações. Aproximações a David Shrigley não são de se excluir... Alguns resultados são hilariantes outros duvidosos mas desde o início até ao fim, os zines Dongery dão pica de ler/ver!
A CCC oferece títulos deste colectivo na compra de qualquer zine na sua loja online - oferta limitada ao stock existente. Have the funzine of your life!

Vieram todos do frio: Finlândia, Noruega, Lisboa... Lisboa?

Eis uma fornada de novos zines/livros que vieram da visita da CCC ao Festival de BD de Helsínquia, curiosamente todos eles pautados pela revisitação à infância e juventude.

A mais óbvia ou de relação mais directa é Death to Most (Boing Being) do Tommi Musturi que mostra que quando era puto já desenhava bizarrias virtuosas. Musturi resgata desenhos feitos entre 1986 e 1992 quando era um puto metálico e skater a viver na província finlandesa. Como é óbvio só poderia desenhar caveiras, demónios e "damas de ferro". A cor berrante - tão típica nas produções finlandesas - foi acrescentada para a edição deste mini-livro A6 de poucas páginas. Queriamos mais já que este ano não saiu a Glömp - a propósito o número 10 desta antologia sairá ainda este ano e servirá de catálogo para uma exposição de bd em três dimensões... Promessa feita de trazê-la a Lisboa para 2009. Cruzem os dedos!

Anna Sailamaa com Ollaan nätisti (Huuda Huuda) a infância é revisitada - por acaso é um tema do qual não tenho nenhum interesse seja em bd, literatura ou cinema. Apesar de tudo gostei de ver as distorções gráficas que a autora aplica no espaço e nas personagens criando um efeito "nostálgico" quando olhávamos para os adultos ou para os nossos pais e achávamos que eles eram enormes - as pessoas mais poderosas do mundo. Tirando as bd's de Chester Brown nunca tive interesse em bd's sobre a infãncia - acho que revelam fraqueza e falta de inspiração por parte do autor - mesmo assim este livro é interessante, novamente mais pela parte gráfica... Está escrito em finlandês mas com as legendas em inglês.

E se o finlandês consumiu demasiados desenhos animados pela TV, os noruegueses Kristoffer Kjolberg e Sindre Goksoyr leram demasiados "Tio Patinhas". E a piorar ainda tem uma obsessão doentia e inexplicável por Lisboa como se pode perceber pelo quatro zine dedicado a "Lisboa" em que o Gavião e o Prof. Pardal andam à bulha com a nossa capital como pano de fundo - um pano de fundo farçola e minimalista como as bd's Disney. Safety on Board (Dongery; 2008?) é um split-zine em que as bd's que se desenvolvem de um lado e do outro vai colidir nas páginas centrais. De um lado assistimos às acções do Gavião e do outro do Prof. Pardal, apesar de estarmos a assistir a uma bd de "continuação" pode-se ler com a independência sã de um oubapo. Escrito em inglês.

Experimental é o Jyrki Heikkinen com o seu novo livro (um deles, sairam mais mas só este é acessível para além dos 5 milhões de finlandeses e mais alguns conhecedores da língua suomi) Paparoad (Boing Being). Um livro horizontal que por pouco não se "parece com uma bd". Sem palavras, com desenhos que mudam de estilo/material de desenho/pintura, sem vinhetas clássicas podemos ser enganados a pensar que se trata antes de um livro de desenhos. O engano é tão legítimo como a qualidade e maturidade do trabalho.


E enquanto as fotos não são descarregadas, contas feitas e aquisições editoriais totalmente revisitadas (faltam dezenas de zines do Dongery e do Rui Tenreiro) podemos anunciar que já temos à venda o livro Nalle Uhh e que trouxemos também os últimos dois números do jornal "psico-berante-marado" Kuti que pode adquirido gratuitamente na compra de qualquer artigo finlandês ou com autores finlandeses no site da Chili Com Carne - a oferta é limitada ao stock existente - ou no caso do número 8 (imagem) por ser dedicada ao Trash, poderá ser oferecido na compra de qualquer bd Trash - as ofertas são acumulativas!

Para mais informações sobre o Kuti é só clicar aqui.

domingo, 8 de janeiro de 2006

Sub/Noriega connections

O Pitchu - do caótico zine Sub - fugiu deste país sem viabilidade económica para ligar-se ao Noriega... digo, para ir para a Noruega. Lá chegou e lá está ele muito bem ao que parece. Em recentes visitas deixou zines noruegueses editados pelo colectivo Dongery. Entre eles encontrava-se Car Crash um "electroclash" luso-norueguês de talentos gráficos. Pt versus No. O tema, "carros". Os resultados bons desenhos, ilustrações divertidas, bd's parvas, montagens de estética manhosa. Uma coisa genuína e fixe-zine. 3,5



Dos zines do colectivo Dongery, destaco duas monografias: English Conversation de Flu Hartberg e The Greedy Story of Six Hungry Men de Bendik Kaltenborn. Ambos em inglês.
A primeira é uma bd autobiográfica passada na secundária por... como dizer isto!? Geralmente as bd's autobiografias são feitas por tipos sensíveis, acanhados e nerdish... não é o caso deste tipo que parece um mimado mal criado com ódios vulgares (mãe, escola) e sexualidade normal (punhetas e incapacidade de comunicação com as mulheres) confessado numa vulgaridade desinteressante de quem vive um ambiente nórdico abastado e estéril. Gostei no entanto do início, em que o jovem autor tenta perceber a letra de uma música inglesa - quantas vezes já não nos aconteceu isso na Era Pré-Internet? - em que o autor escreve a letra correcta a sair da aparelhagem enquanto a sua representação tenta umas três vezes escrever uma palavra que não percebe. Sequência bem esgalhada no que diz às capacidades narrativas da bd. 3,1
A segunda é uma história bizarra passada algures nos desertos de gelo escandinavos, num registo surrealista entre o Lynch e o Chester Brown, este último em parte por causa do desenho. Homens obesos estão "internados" para emagrecer quando coisas estranhas como a acontecer. O humor é mesmo bizarro, o desenho idem. Muito bom. 4,5



Por fim, há ainda Back to Lisboa III de Sindre W. Goksøyr e Kristoffer Kjølberg!!! Como? Aqueles tipos com nomes noruegueses até ao tutano (com riscos nos O's não enganam ninguém!) fizeram algo sobre Lisboa!? Don't ask me why!
Mas o Pitchu explicou... Ao que parece os tipos vieram cá e curtiram tanto que nunca mais se esqueceram da "Smatest City on Earth" ou "Toughest City on Earth" ao ponto que este já é o terceiro livro das aventuras do Professor Pardal e o seu arqui-inimigo Gavião. Algures podemos ver a ponte 25 de Abril, o castelo S. Jorge e o Cristo-Rei numa estória absurda e declaradamente divertida - há uma versão inglesa desta edição cao contrário não perceberia nada. Outro aspecto curioso é que se trata de um trabalho a meias, um autor faz metade da história e o outro conclue-a. O primeiro autor ocupa as páginas impares - as pares estão de pernas para o ar porque é a continuação da bd pelo segundo autor - ou seja, no fim do zine temos de virá-lo ao contrário continuara a ler até ao princípio da edição para acabar de ler esta bizarra bd. Dada à bizarria da coisa, os estilos de desenho dos 2 autores não colidem apesar de serem bem diferentes entre si. 4

terça-feira, 20 de outubro de 2009

porquê é que os cães lambem os genitais? porque podem...

Enquanto o pessoal vai ver o mesmo de sempre à "BD Porcalhota", Filipe Abranches (a imagem ao lado é de sua autoria) e Marcos Farrajota vão a Ljubjana participar no projecto Greetings from Cartoonia de onde trarão exemplares do livro (co-edição com a Stripburger) para Portugal - por isso, se quiserem reservar já o podem fazer escrevendo para o nosso e-mail.

Participam da Eslovénia Kaja Avberšek, Jakob Klemenčič, Marko Kociper, Matej Lavrenčič, Gašper Rus e Matej Stupica (quase todos visitaram a Feira Laica e Bedeteca de Lisboa ou foram publicados pela Bedeteca de Lisboa, Chili Com Carne e Polvo), Bendik Kaltenborn (do grupo norueguês Dongery), Mateusz Skutnik (Polónia), Matei Branea (Roménia, do colectivo Hardcomics), o finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005), Andrea Bruno (do colectivo italiano Canicola) e o já referido Filipe Abranches. Mais detalhes sobre o livro para breve!

...

Alto! Afinal a Chili Com Carne este ano vai estar na BD Porcalhota!!!
- "Mas como se escreveram isto o ano passado?"
Porque a loja Central Comics convidou-nos a ter as nossas edições no seu stand...
- "Mas como se escreveram isto o ano passado?"
Realmente... temos uma espinha dorsal de uma vulgar cobra, não?

Vamos por partes, a Central Comics apesar de incentivar uma cultura "teen" e bedófila da bd, sempre foi simpática com a CCC (ou pelo menos de algum tempo para trás). Convidaram-nos e prometeram dar destaque às nossas edições - ao contrário ao que acontecia nos stands de outras editoras e livrarias que nos representaram no passado. Sendo, que se for verdade os vários rumores que ouvimos, que um stand no Festival Internacional de BD da Amadora (um momento sóbrio!) está estimado em 500 euros (ou mais, rumor do ano passado: 1000 eur!) não nos importamos de ajudar a Central Comics, que é uma pequena empresa privada, estilo familiar.

A CCC já esteve presente com mesas e stands em países nórdicos, na Itália e no maior festival de bd da Europa (Angoulême) sendo que nesses eventos ou nunca pagou ou pagou-se um quinto do que a Amadora pede, isto para eventos em que apesar de sermos "só mais uns" entre mil editores HÁ um público curioso, interessado e consumidor. Sem nunca termos saído milionários destes eventos, as vendas sempre cobriram custos de viagem (avião ou carro) e gastos do quotidiano (alimentação). No final das contas apareceu alguns cobres e outras recompensas: material trocado, contactos e satisfação de ter atingido algum público que parece não existir em Portugal.

Sabendo que o mercado de bd está em baixo (tão mal como antes de 1996, embora já ninguém se lembre desse tempo) isso pelos vistos não impede de um organismo público peça um valor absurdo a privados por seis dias de vendas - contamos apenas os fins-de-semanas porque nos outros dias o festival está às moscas. Como é possível?
É possível porque as editoras e lojas afinal sempre conseguem vender para pagar os stands? Porque afinal ainda há mercado de bd em Portugal e ele concentrasse na BD Amadora?

Há quem diga que não há capitalistas mais convictos que os comunas, é capaz de não ser uma frase tão reaccionária como isso se os valores destes rumores se confirmarem.

Bom, com sorte, pode ser que não vendemos nada e assim não teremos de por os pés ao Festival para repor exemplares.
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Com ou sem Amadoras, o mundo continua a girar e a única novidade desta semana é que temos uma nova moldura no nosso site - chilicomcarne.com - feita pelo associado Marco Moreira. Para quem nunca reparou mas desde que remodelamos o site todos os meses mudamos a pele... de cobra!

sábado, 17 de julho de 2010

Greetings from Cartoonia : The Essential Guide of the Land of Comics

Em Outubro 2009 estivemos na Eslovénia e trouxemos exemplares de Greetings from Cartoonia, projecto organizado pelo colectivo Stripcore - responsáveis pela revista Stripburger - que teve o nosso apoio e de outros colectivos europeus de bd, numa gloriosa iniciativa turística pan-europeia.


Um projecto bastante divertido em que cada autor teve de enviar e receber objectos (bizarros ou típicos ou nem por isso) do seu país para servirem de inspirações para as 12 bd's a preto e branco. Da Eslovénia participaram Kaja Avberšek, Jakob Klemencic, Marko Kociper, Matej Lavrencic, Gašper Rus e Matej Stupica (quase todos visitaram a Feira Laica ou foram publicados pela Bedeteca de Lisboa, Chili Com Carne e Polvo), Bendik Kaltenborn (do grupo norueguês Dongery), Mateusz Skutnik (Polónia), Matei Branea (Roménia, do colectivo Hardcomics), o finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005), Andrea Bruno (do colectivo italiano Canicola, que participou no Boring Europa e que recentemente esteve no Festival de Beja) e de Portugal e da Chili Com Carne, o Filipe Abranches
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Feedback: As edições especiais da Stripburger têm-se revelado objectos essenciais no traçar de um mapa europeu da banda desenhada. Sara Figueiredo Costa / Beco das Imagens O livro serve como diário de viagem, passaporte de brincadeira, e retrato dos imaginários em roda livre. Cria-se a ideia fantasma unificadora de todos estes diversos gestos, compõe-se uma família, ou aquela comunidade que Kant entendia ser a única possível entre os homens, a comunidade estética.... Pedro Moura / Ler BD ... obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

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A exposição esteve patente no 6º Festival de BD de Beja (entre 29 de Maio a 13 de Junho de 2010) por isso quem esteve lá viu quem não esteve vê agora umas fotos manhosas aqui ou compra o grosso livro de 220 páginas (17x23,5 cm, capa a cores) à Stripcore porque já esgotamos os nossos exemplares.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Fenoscândia II

Saltando para a Noruega, mais uma produção do colectivo Dongery... trata-se de Friends for Fighting de Bendik Kaltenborn (The Greedy Story of Six Hungry Men) e Kristoffer Kjølberg (Back to Lisboa III - ver este post) é uma estupidez pegada feita a quatro mãos e duas cabeças. Duncan e Folino são amigos e andam sempre à porrada porque... são amigos que gostam de andar à porrada. Non-sense e diversão "alien" numa produção zineira Punk q.b. feita de fotocópia em formato A5.
«Smell you later!» - diz um deles, iiiirc...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A sul, a centro e a norte...

Recolha de resenhas rápidas de zines e livros adquiridos nos últimos tempos...


- Espanha: Entroñable (2012) - zine de BD de El Rucio que faz juz à estética satânica do selo da Petit Comité del Terror. Em 36 páginas A5 há espaço para serial-killers, mass-murderers, onanismo inter-dimensional, artsy-fartsies, metaleiros, zombies, barcelona bashing... O que é preciso mais? Nada! É mesmo isto!


- Itália: Mais duas experiências de "remix narrativo": Bio Edificio 421 (Lök; 2012) e o número 3 de Giuda : Geographical Institute of unconvencional Drawings Arts (Mirada; 2011). A primeira é um jogo narrativo composto por três tiras por página que podem ser folheadas cada uma à sua vez, criando várias hipóteses de ler histórias. Interessante. A segunda é uma revista de psico-geografia por onde passa o futuro da BD, em que Milwaukee é nova paisagem escolhida para recolher material gráfico e narrativo para criar um só texto. Quem está por detrás disto são alguns conhecidos nossos: Gianluca Costantini (Mutate & Survive), Elettra Stamboulis e cia. A seguir com muita atenção!!!
Ruggero passou por Lisboa e dedicou-lhe uma serigrafia impressa no Atelier Mike Goes West... Além de ilustrador também edita uns mini-zines, na essência uma colecção de A3 dobrados de forma a criar graphzines ou pequenas narrativas com imagens. Participa gente que cola, desenha e pinta. Giro! Nada de novo até o Geral & Derradé fizeram isso nos anos 90! Ah! o projecto chama-se Muservola Edizioni é de contactar ou fazer igual!

Passamos agora para a Europa Central:



Bélgica: Da parte flamenga, com uma actividade singular nos últimos anos, surge um jornal de desenho dirigido por Ward Zwart (que participou no esgotadíssimo MASSIVE). A preto e branco talvez porque se intitula Sans Soleil, este primeiro número é dedicado a desenhadores belgas / flamengos por causa do convite da Bélgica para o Festival de BD de Helsínquia... Era bom que os jornais fossem assim! OFERTA de exemplar a quem adquirir algo "belga" da nossa loja virtual - dicas: Mesinha de Cabeceira Popular #200!, Lointain, Rotkop,...




- Holanda: Já não é segredo nenhum que a MMMNNNRRRG irá editar um livro de Marcel Ruijters... Mas não será o Sine Qua Non (Forlaens; 2011) nem Colare Humanum Est (Le Garage L; 2011) será melhor... claro! O primeiro livro é uma edição dinamarquesa do livro que mudou o estilo de BD a Ruijters - alguns devem-se lembrar de alguns livros editados em Portugal pela Polvo, não? - originalmente editada pela prestigiada francesa L'An 2, apresenta-nos Marcel fascinado pelo imaginário medieval cheio d emonstros mitológicos e freiras borregas - como aliás, são todas as freiras... O segundo livro é um livro de colorir desse novo estilo gráfico de Marcel. Quem tiver preguiça para riscar livros que espere pelas serigrafias que serão impressas no atelier Mike Goes West (para sairem em Dezembro na próxima Laica e exposição do autor na Mundo Fantasma) que estas terão muita cor!


- Alemanha: A Bon Gout (para quem não se apercebeu mas era uma atelier de serigrafia, editora e galeria bastante reconhecida) mudou de nome e agora é chama-se Re:Surgo! e já começou a mostrar o que vale com o novo livro de Atak intitulado de Targets for the modern home. Trata-se de uma catálogo das centenas de desenhos de placas de alvos que Atak fez. Primeiro Atak fez uma pesquisa à iconografia destes objectos (algo que pode ser absurdo mas só o atak para descobrir uma grande história sobre estes objectos mundanos) e depois começou a produzir os seus próprios alvos que são certeiros à decadência do mundo moderno. Simples. Danke Lars Henkel

Por fim, o norte da Europa:



- Dinamarca ainda, Regression (Cult Pump; 2012) é um livro em serigrafia de Zven Balslev - autor já publicado em Portugal via Opuntia Books. Inclue BDs cuja ausência de figuras humanas lembra Kai Pfeiffer ou uma experiência oubapiana de Ilan Manouach - uma BD do Petzi-sem-o-Petzi... Um graphzine cheio de ectoplasma!



- Noruega: Embora Martin Ernstsen seja norueguês vive em Berlim mas acho que não há problemas em colocá-lo aqui, até porque o rapaz não pára quieto e viaja para montes de sítios. Este zine, You're talking with the wrong person #3 (2012), é uma compilação de BDs autobiográficas de Martin, nelas podemos encontrar episódios fabulosos como uma tipa que lhe compra uma t-shirt durante a SPX de Estocolmo, despe a velha (não tem soutien!) e veste a nova t-shirt em frente dele e no meio do evento... Só por isso vale o zine! HRMF! (2010) e Pfft! (2012) ambos pela Dongery com BDs de Sindre Goksøyr são mini-zines que o universo Disney é abusado para contar histórias mal-humoradas de caminho à andropausa, como se o Tio Patinhas invés de ser um porco capitalista fosse apenas um mitra de classe média. A miséria humana antropomorfizada em patos é linda!



- Suécia : Novo volume de Piracy Is Liberation : Book 011 : Demockracy (Wormgod; 2012) de Mattias Elftorp - que deve voltar à Feira Laica este ano! - começa um novo ciclo desta série anarco-cyberpunk, desta vez fazendo um raíde à Democracia numa altura que em Portugal as chamas já chegaram à Assembleia... Oportuna leitura! Dois novos zines impressos em risografia do novo e activo colectivo Peow!: Nava de Mikael Lopez (a) e Olle Forsslöf (d) é o ínício de uma série com laivos místicos, parece mais um preview que outra coisa... e Sex Frog de Patrick Crotty apresenta duas histórias de terror - o título da publicação ajuda a lubrificar a líbido, não? - que consegue ter uns contornos de Ero Guro não tão selvagens como os do Suehiro Maruo ou do Aaron $hunga mas com uma abordagem própria - como se a treta da escola sueca autobiográfica went wrong! 



- Finlândia: Finalmente um livro de Jyrki Heikkinen com legendas em inglês para percebermos alguma coisa! Leijonan Veri Velvoittaa (Asema; 2012) é um pequeno livro que Jyrki sempre em forma. Escultor e Poeta por formação, faz BD por desvio mas os três "mediuns" fundem-se sem problemas para contar percursos de arrependidos, anjos e milagres. Essêncial para quem perdeu esperança na poesia e na BD! Outro ponto alto das novidades finlandesas é Offices & Humans : Road to Customex (Huuda Huuda; 2012) de Roope Eronen, que inverte os papeis no jogo de personagem (RPG) Dungeons & Dragons... Invés de de "nerds" a jogarem em mundo de fantasia, são os dragões que encarnam as personagens dos humanos em escritórios com toda a decadência mundana que tal implica: fotocopiar CVs às escondidas na empresa, ver pornografia na 'net, etc... Mais do que hilariante é mesmo preocupante! Thingie (Daada Books; 2012) de Marko Turunen (entretanto com originais patentes na exposição da "autobiografia" na BD Amadora) e Tea Tauriainen (entretanto publicada no recém lançado Mesinha de Cabeceira #23) é a continuação estética das "Tijuanas Bibles" ou dos Air Pirates que gozam com as personagens da Disney pondo-os a foder como uns animais - espera, as personagens Disney já são animais... -  a cagarem-se todos e toda a escalologia que os porcos capitalistas da empresa nunca nos deixarão ver oficialmente. Por isso, é aqui que se pode concretizar muitos sonhos de criança e de "nerd"...