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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Brasil IX

Chegou-nos mais um pacote de bizarrias editoriais do Brasil, cortesia do zine Prego que nos enviou montes de coisas e que chega ao número quatro (2010) - a ilustração da capa feita pelo editor Alex Vieira já tinha aparecido na antologia MASSIVE sim-senhora... batota, não?

Este zine está mais volumoso e completa o seu ciclo de cores CMYK para as capas. A capa deste número é negra, talvez do tipo funeral porque abandonou as colagens loucas dos primeiros números e entregou-se mais às bd humorísticas, que são o género principal na produção brasileira e que tem dado o mote a estes "posts" (vejam os anteriores). Perdeu um bocado o interesse assim... embora as bd's de Gabriel Mesquita, Guido Imbroisi e Gabriel Góes (curiosamente todos eles colaboraram no recém-premiado Seitan Seitan Scum) fazem a diferença ao resto do material. Falta a experimentação gráfica que os números anteriores tinham...
Espero que não seja o primeiro prego para o caixão!



Curiosamente outro bicho que se destaca no último Prego com um suplemento A5, é Diego Gerlach que também apareceu no pacote que recebemos com 4 números do seu zine fotocopiado Pinacoderal da Parahyba (2009-10). Trata-se de uma bd surrealista "work-in-progress" que tem como tradição as deambulações feitas pelo Moebius - por ser uma bd em regime de escrita automática. O ponto de chegada é outro embora não se saiba muito bem qual é - não deve ser lido como algo negativo! O desenho tem vindo a refinar-se, não há piadinhas (ou pelo menos não consegui descobrir) e sabe-se lá que monstro sairá daqui. A acompanhar sob a máxima atenção de um "bongo-scope"!



Com o primeiro número de Peiote (Macacos Humanos; 2009) fico a pensar que a última coisa que chegou ao Brasil relativamente a bd de autor foi o Moebius... ou ainda o Richard Corben. As influências são óbvias - os resultados bem menores com a excepção para Law Tissot, velho da cena e como tal com maturidade para estar fora do resto da pandilha. Também é lhe realizada uma entrevista. Bem impressa e luxuosa, o pessoal da revista bem que precisa de tomar a substância que dá título à publicação. A Quase #12 (Out'09) quase tem piada... se não têm é porque exagera em textos de humor-retrete-forward, algumas bd's beisteirol-cliché... No momento ou noutro tem piada - como a fotonovela do retardado que é violado por bonecos insufláveis - mas o aspecto geral da publicação dá vontade fugir...




Por fim, um sabor contemporâneo... A Comadre do Zé (Graffiti 76; 2009) de Luciano Irrthum é um livro de bd, que podia ter sido desenhado por um francês alternativo dos anos 90 mas não é, é por um brasileiro dos anos 90. É uma estória de fadas do sertão brasileiro em que o "cumpadre" Zé ganha uma amiga chamada Morte... Graficamente pode ser julgado como um cruzamento entre Pedro Zamith e o Kapreles, não deixando de ser melhor ou pior por isso. Este livro faz parte de uma "nova tendência" no Brasil de editar autores em formato livro, sendo este título incluído na colecção "100% Quadrinhos" de onde já tinha saído um livro do Guazzelli. Por fim, a antologia Favo de Fel (2009) é composta por 160 páginas A5, um bocado mal impressas e coladas numa capa vermelho-revolução, e embalada ainda numa caixa de cartão. O interior é que desilude, como sempre com bd's piadolas brasileiras, o que safa acabam por ser os estrangeiros como a portuguesa Teresa Câmara Pestana, o sérvio Aleksandar Zogra, o italiano 81-85,... mete o Brasil nas rotas das antologias internacionais. É uma primeira tentativa...

terça-feira, 22 de julho de 2014

Seitan Seitan Scum / ESGOTADO


O número #22 do zine Mesinha de Cabeceira edita trabalhos de projectos frustrados pela inércia alheia e uma série de novos trabalhos vindos do outro lado do Atlântico sobre o tema das "Seitas"
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Chegou em 2010 numa altura que Portugal recebeu o decadente representante da Seita Seminal - a que criou as estruturas repressoras mais complexas da História da Humanidade. O Papa Rammstein fez de Portugal o seu penico católico e os portugueses nem piaram. Fecharam a Baixa Lisboeta para ele poder mijar disparates e o Estado português subserviente e salazarista deixou os seus Ministérios serem fechados, bem como escolas, universidades, bibliotecas e tudo o que é "seu" e ainda mandou rebocar carros para que o Papa Mais Feio de Sempre ("por cada pecado cometido, uma ruga te marcará a cara", como está escrito na Bíblia Sagrada!) possa sujar as nossas ruas com a sua legião de beatas pestilentas
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A única hipótese de salvar o país seria se o Representante Máximo do Porco Nazareno tivesse trazido a Peste Negra que lhe deve estar naqueles genes de Rato Negro e dizimasse todos os tontos que lhe cortejam. Mas o Universo é injusto e cruel e isso não acontecerá...

Restou-nos publicar o Seitan Seitan Scum
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Depois de mil atribulações, em que os editores do projecto já achavam que haveria uma Cabala contra o livro, conseguimos reunir ilustrações (muitas) e BD's (poucas) dos portugueses Bruno Borges, Pepedelrey, Filipe Abranches, Pedro Zamith (capa), Mulher-Bala, Jorge Coelho, André Lemos, José Feitor, João Maio Pinto, Daniel Lopes, João Tércio, Ricardo Cabral, e ainda cartuns de Silas - a representar a ala Protestante, bem como o Panque Roque do Senhor (ele pertence à banda Pontos Negros e outros projectos FlorCaveira)
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Do Brasil surgiram muitas propostas de bd vindas dos colectivos mais dinámicos do momento como o pessoal das revistas Prego (Chico Fêlix, Guido Imbroisi e Alex Vieira) e Samba (Gabriel Mesquita, Gabriel Góes e LTG), e do colectivo Pégassus Alado representados por Biú, Roberta Ramos e Stevz, e que nos visitaram em 2008 no evento Brucutumia. Também temos o Fábio Zimbres - excelente grafista e responsável pela extinta mas muito influente revista Animal - que desenhou uma história de Marte (Loverboy, NM), argumento escrito para outro projecto frustrado
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Por fim, temos ainda o norte-americano satânico-que-baste e polémico Mike Diana que numa BD decide homenagear a banda portuguesa industrialita Bizarra Locomotiva! Os originais, aliás, já tinham sido apresentados no evento Furacão Mitra, em Dezembro de 2008 na sua visita papesca, e nunca chegamos a perceber porquê a razão de tal coisa... aliás, não se percebe nada deste livro!
Amén!
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60p A4 a cores. edição brochada.
ISBN: 978-989-8363-00-8.
co-edição El Pep e Chili Com Carne
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Historial: lançamento a 20 de Maio 2010 na loja Trem Azul / Chiado After Work com a presença de alguns dos autores ... 3º prémio do Slowcomics Best Fanzine 2010 pela Fundação Franco Fossati (Itália) 
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Feedback: uma excelente antologia de histórias em quadrinhos, colagens, cartuns e ilustrações que falam – ou emitem pensamentos telepáticos – sobre as mazelas das religiões como um todo – ou como a própria contra capa resume, descrença secular. Nada recomendado para os de fraco estômago e os mais ortodoxos. Amém. Pula Pirata ...
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exemplos de trabalhos (Stevz, Mulher-Bala, Mike Diana e Daniel Lopes):

terça-feira, 1 de abril de 2008

Brucutumia revisto... e depois CCK

Links de revisão: overmundo.com.br/overblog/brucutumia-2008-secando-o-atlantico ... lifeofpepe.blogspot.com/2008/02/festa-no-brucutumia-2008-esta-uma.html

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E o CCK: «Kingdom Comics lança parceria com a portuguesa Chili com Carne. E das cinzas do Brucutumia 2008 surge... CCK (Chili Com Kingdom)... a invasão do quadrinho independente português na sua brasíleiríssima Kingdom Comics.

A Associação Chili com Carne, ou apenas CCC, é a maior aglutinadora e divulgadora de quadrinhos independentes de Portugal. A Kingdom Comics é a mais importante loja especializada em quadrinhos de Brasília. Agora as duas se unem com o objetivo de divulgar as publicações independentes portuguesas no Brasil e as brasileiras em Portugal. Para comemorar, uma festa, claro. No dia 5 de abril, a partir das 16h, em frente à loja da Kingdom, no CONIC, será realizado o lançamento da parceria com a CCC, com pacotes promocionais, cerveja e o show de Gonorants, Nonato Dente de Ouro e as Cantoras de Ébano e Subversão. A parceria é fruto do Brucutumia 2008 - Encontros de Arte Urbana Luso/Brasileira, que teve a participação dos editores brasileiros responsáveis pelo almanaque Bongolê Bongoró.

Os parceiros:

Kingdom Comics - Acaba de completar 10 anos como loja especializada em quadrinhos e agora também é editora. Seu primeiro lançamento foi a revista S&V, de Gabriel Góes, que foi o primeiro dos muitos projetos que deverão ser lançados em 2008. kingdomcomics.wordpress.com

Associação Chili com Carne - uma organização de jovens artistas sem fins lucrativos cujo funcionamento se baseia na cooperação livre e espontânea dos seus associados. Distribui uma série de editoras independentes portuguesas e publicações de outros países, entre elas a Bongolê Bongoró.

sábado, 10 de setembro de 2011

Pindura 2011 ganhou Geraldão!


O Pindura 2011! ganhou o Geraldão do Troféu HQ Mix como melhor projecto editorial no Brasil! 


Para quem não sabe o Pindura é um calendário para 2011 com participações de vários autores de bd e ilustradores brasileiros como o Alex Vieira, MZK, Nik Neves, Fábio Zimbres, Stevz, Adão Iturrusgarai, Gabriel Mesquita, Biu, Chico Fêlix, Gomez, LTG, Gabriel Góes - só para citar os mais conhecidos - e participaram os portugueses Marcos Farrajota, José Feitor, Pepedelrey e Pedro Zamith.

O calendário tem como base um desenho de um elevador em que cada desenhador interviu com 3 imagens sequenciadas ou não. O calendário é do tipo "folhinha" como se diz no Brasil - ou seja é uma agenda diária. Dá pena usar - cada dia que passa deve-se arrancar a folha do calendário... quem é que anda a fazer isso?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Brasil IV

Mais atrasos em comentar material "undagroundxi" que obrigam à famosa expressão "rapidinha", originária do Brasil humorístico. É um país estranho o Brasil, ainda à poucas semanas estava ver uma série de tv - Os Filhos do Carnaval - que mostrava vários extractos da sociedade brasileira. Por mais miserável que a vida das classes mais baixas pareça quando chega a hora do Carnaval e do Samba, pimba! O pessoal fica com aquela cara de "bobo", de felicidade infinita que nem os budistas conseguem. Algumas imagens da série mostravam isso muito bem. Haverá razão para a maior parte da produção bedéfila brasileira ser humorística? É mesmo uma característica genética?
Isto para dizer que é difícil encontrar bd brasileira sem ser humorística mas talvez duas recentes produções de Brasília venham discordar com esta afirmação... ou talvez não!

A S&V (Kingdom Comics; 2008) é um zine em formato A5 impresso a preto e branco e vermelho, feito pelo autor Gabriel Góes que deve ser um especialista em desenho Pop porque em várias bd's muda de estilos, um a lembrar o grafitti / street art, outros a lembrar o "indie" norte-americano dos anos 80 e 90 (em upgrade como o estilo do galego David Rubin), outro próximo das degenerações de Gary Panther - Soco! é um super-herói Manga todo lixado. A acompanhá-lo, outro Gabriel mas este é Mesquita, também degenerado mas como se estivesse nos anos 50 no pior episódio de super-herói espacial e atómico aliás, a bd que faz é publicada num suplemento que é o Capitão Atómo nº32 (pois claro, o número 32!). Esteticamente tudo muito longe da tradição caricatural mas ainda assim completamente virados para o humor. Um humor já não da piada Chiclete Com Banana mas mais sofisticado por ser iconoclasta e absurdo. A CCC distribui este zine aqui.

E voltamos ao Samba (Kingdom Comics; 2008), desta vez revista [sic]! Na redacção além dos "Gabrieís" junta-se Lucas Gehre, e nas páginas mais outros talentos e a malta do zine Bongolê Bongoró. Ou seja, toda turminha de Brasília e arredores dançam por aqui em pleno ataque de energia criativa.
O índice de humor e non-sense aumentou (com os "bongolês" seria impossível isso não acontecer) , bem como o número de páginas e as cores da impressão - é completamente a cores. O formato é o comic-book e de antologia com 12 criativos ligados à bd, ilustração e literatura.
Existe uma continuidade de intenções vindas do S&V sendo o "número 18 do Capitão Atómo" (sim, o número 18, claro está!) incluído, bem como o "número 2 do Soco!" mas com vontade de ampliar a esfera de interesses e de influência.
Editorialmente talvez a revista seja um bocado confusa e a desperdiçar as páginas a cores em alguns casos, ao jeitinho brasileiro do "que se dane". Ainda assim, uma óptima publicação para quem procura do Brasil uma bd mais próxima dos valores da "geração miniTonto".