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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mundos em Segunda Mão - Volume 2 / últimos 50 exemplares - LIVRO DO DIA stand H12 na Feira do Livro de Lisboa


Mundos em Segunda Mão, volume 2
por
Aleksandar Zograf

Mais um volume cheio de crónicas em BDs publicadas originalmente na revista Vreme, na Sérvia, e depois um pouco por todo o lado. Com prefácio e "CineKomix" de Edgar Pêra

recomenda-se (...) vale a pena conhecer o universo único deste autor, da arqueologia da cultura popular a entrevistas com artistas contemporâneos, passando pela análise de estranhos (mas reveladores) objetos encontrados em feiras da ladra e alfarrabistas por toda a Europa. Jornal de Letras

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Em português, traduções por Sara Figueiredo Costa, Marcos Farrajota e Manuel João Neto. Legendagem DTP e design por Joana Pires.
68p. 16,5x22,5cm a cores.
500 exemplares.

Historial: lançamento na SNOB (Guimarães), 19 de Dezembro 2015, com uma conversa entre Manuel João Neto (tradutor, co-autor de Terminal Tower) e Marcos Farrajota (editor) e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ... lançamento lisboeta no dia 22 de Março 2016, na sala Luís de Pina da Cinemateca com as presenças de Marcos Farrajota (editor) e Edgar Pêra (que assinou o prefácio e os "cinekómix" do livro) e a exibição do filme On the quest for… Beograd Underground (Espanha / Sérvia; 2012) de Muriel Buzarra. ...

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à venda na loja em linha da CCC e ainda na Mundo Fantasma, Matéria Prima, ZDB, Linha de Sombra, Tigre de Papel, Rastilho e Palavra de Viajante.

Atenção: as BDs de Zograf não tem continuação, o que significa que ler este volume implique ler o anterior - que ainda está disponível aqui.


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Excerto do prefácio de Edgar Pêra: 

Conheci o Aleksandar Zograf há 10 anos. Soube que vinha a Portugal e, como forma de o conhecer, fiz–lhe uma entrevista em formato BD para o jornal Público. Falámos sobre a importância do universo onírico e do estado hipnagógico na sua obra e também da sua vida enquanto Saša Rakezić, vivendo sob os bombardeamentos da NATO. 

(...)

Tal como as antigas colunas gráficas de “Ripley’s Believe it or not”/“Sabia que?”, estes Mundos em Segunda Mão compõem um mosaico de curiosidades interessantíssimas, que tem tanto de geral como de particular. É um universo de conhecimento partilhado. Este segundo volume prossegue a caminhada do pioneiro, com algumas diferenças e excepções. Todas as sequências – quer sejam sobre o Cinema 3D de província ou sobre os campos de concentração – merecem sempre as mesmas duas páginas. Mas, perto do fim do livro, Zograf dedica cinco capítulos a um caderno diário perdido num alfarrabista de rua: com A História de Radoslav coloca-se ao serviço de um desconhecido e homenageia-o narrando excertos da sua vida. São estórias recheadíssimas de peripécias, que por si só dariam um grande romance. Por se tratar de uma adaptação é aparentemente a sequência que mais se aproxima da banda desenhada dita convencional. Mas o seu final abrupto obriga o leitor a regressar ao ambiente de descoberta meteórica do resto do livro. 

(...) 

Estes Mundos em Segunda Mão são afinal mundos em primeiríssima mão, passam sempre pela subjectividade do autor, pelo seu olhar e pelo critério de selecção das narrativas a ilustrar, resultado de uma compulsão para transformar as suas observações e experiências em sequências ilustradas. A vida é revelada sob o prisma da sua arte: pormenores excêntricos merecem atenção triplicada, memórias secundárias são reactivadas. Olhamos para o real sob um ângulo singular. Sem olhar para o umbigo, sem proselitismos, sem querer dar lições de vida, Zograf ensina-nos a olhar para ela de outra forma.


Historial: Lançado no dia 21 de Novembro 2015 na Feira Morta com apresentação por Marcos Farrajota (editor) e projecções de "cinekomixes" de Edgar Pêra... Apresentação na livraria Snob (Guimarães) a 19 de Dezembro por Manuel João Neto e Marcos Farrajota e projecção de "cinekomixes" de Edgar Pêra ...

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Feedback: 
  Zograf ilustra um passado histórico e pictórico que me interessa muitíssimo, seja a recordar episódios de guerra, os bombardeamentos na sua cidade natal, a apresentar os "tesouros" que invariavelmente descobre em feiras de rua ou a contar episódios de infância, passados no seu país, que me parece tão parecido e tão diferente do meu. 
... 
Este volume dá continuidade ao peculiar método de escrita de Zograf, que o aliará a autores como Bill Griffith, David Greenberg ou David Collier: autores que, em vez de criarem imensos blocos de reportagens ou explorações monumentais de um tema (o que podem igualmente fazer), concentram a maior parte do seu trabalho em curtos ensaios ou “artigos” em torno de notícias, eventos, personagens ou aspectos da realidade humana que não parecem possuir qualquer importância para a transformação das sociedades. (...) Como explica de modo perfeito o prólogo de Edgar Pêra, estas “notículas” fazem-nos lembrar as rubricas Ripley’s believe or not. Breves mas intensas, o modo como Zograf as parece “cortar” sem qualquer tipo de crescendo ou resolução emocional apenas as torna ainda mais inquietantes, promissoras e fantasmáticas. 
Pedro Moura

Garantidamente que o Sérvio entra directo na tertúlia, visão livre e sem rodeios, autêntico um elixir cerebral. Não conhecia, obrigado pela partilha de outros mundos, o de todos. (...) Tripante!
Era Uma Vez Um Tímpano (via email)

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Boring Europa ::: ESGOTADO!

 

primeiro volume nova colecção da Chili Com Carne, LowCCCost, dedicada a livros de viagens
#
de Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins 
e Sílvia Rodrigues


em Espanha, Itália, Eslovénia, Sérvia, Áustria, Alemanha e França
8000 km / 15 dias


sobre a tour europeia da Chili Com Carne realizada entre 1 e 15 de Setembro 2010 nas cidades de Valência, Bolonha, Ljubjana, Pancevo, Graz, Berlim, Poitiers e Vigo.


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participações especiais de Karol Pyrcik, Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Simon Vuckovic, Vuk Palibrk, Christina Casnellie, Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz, e ainda com Gasper Rus, David Krancan, Matej de Cecco, Matej Lavrencic, Katie Woznicki, Letac, Boris Stanic e Johana Marcade nas comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo.


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banda sonora gratuita em linha: "A Grande Explosão" de Ghuna X via Phonotactics


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128 p. 23 x 16,5 cm impressas a azul escuro, capa impressa a branco sobre cartolina Dali bluemarine 285 gr com badanas; ISBN: 978-989-8363-11-4

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ESGOTADO
talvez ainda encontrem exemplares na Fábrica Features, Matéria Prima, Mundo Fantasma, Tasca Mastai e Tinta nos Nervos.

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sobre o livro: a tournê europeia Spreading Chili Com Carne Sauce in Boring Europa tinha como objectivo principal divulgar o trabalho da Associação e dos seus artistas. Até pode parecer um acto desesperado de querer mostrar "à força" o nosso trabalho mas, desde sempre, a CCC trabalhou com projectos e autores estrangeiros – Mutate & Survive, Mike Diana, Greetings from Cartoonia, MASSIVE, Festival Crack, etc... O problema é que quase nunca vemos estes nossos amigos, dada a solidão imposta pela nossa posição periférica. Fomos dizer "olá" ao pessoal amigo! E aos que só comunicávamos por correio! E, claro, conhecer malta nova! Fomos percorrer 8000 Km de Europa em 15 dias oferecendo um pacote completo de cultura underground portuguesa a quem nos recebesse: concertos de R- e Ghuna X, festa animada com o unDJ MMMNNNRRRG, exposição de impressões e serigrafias, e, claro, uma enorme selecção de zines, livros e discos independentes. Em troca queríamos apenas simples alojamento, comida (se fosse possível à organização) e dinheiro das entradas para os espectáculos. Se os punks e metaleiros fazem isto porque não podemos fazer a mesma coisa com livros? Get in the van!


Decidimos chamar a coisa de boring, pelo sim pelo não, porque vivemos numa uniformização cultural capitalista à escala global - como tão bem ironiza Jakob Klemencic algures no livro - em que as identidades nacionais ficaram reduzidas a meia dúzia de artefactos rurais e rituais anacrónicos prontos para serem vampirizados pelos comportamentos fotográficos dos “turistas = terroristas”.


Desde o início pensámos que só podia ser bom editar um livro com os desenhos dos viajantes - um relato on the road das pessoas com quem nos cruzámos, das cidades e dos países que visitámos, etc... Era impossível de falhar: seis pessoas a desenhar, seis livros de esboços fundidos num livro "oficial". Pura ingenuidade! A excitação de conduzir, o esforço físico de alguns trajectos, a desistência da Sílvia Rodrigues, logo ao terceiro dia, e a falta de confiança em desenhar da maior parte dos participantes deixou-nos apenas com UM caderno de esboços da Ana Ribeiro. Todas as outras participações tiveram de ser feitas à posteriori, complicando com os prazos pessoais e profissionais de quem gozou estas férias diferentes. Juntámos textos, BDs, desenhos “acabados” bem como “esboços” da Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins e Sílvia Rodrigues; e bds de autores estrangeiros que relatam a recepção da nossa “caravana” - Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Vuk Palibrk e Christina Casnellie. Outros cederam-nos desenhos ou bds sobre viagens para enriquecer esta edição - Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz. Compilámos as melhores BDs-cadáver-esquisitos ou comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo - são bds feitas numa sessão com várias pessoas em que cada um desenha uma vinheta continuando o trabalho dos anteriores perdendo-se sempre o controlo do avanço da “estória”.
Em "Lissabon", a Karol Pyrcik ficou a tomar conta das gatas do Marcos e da Joana, e a fazer um diário gráfico sobre a sua estadia, contrapondo as nossas visões, mas fez batota e produziu umas divertidas ilustrações sobre futilidades lisboetas e quotidianas.
Criámos um inovador “Frankenstein comix” ou uma Babel impressa? Em breve teremos reacções a este livro. Esperamos ter surpresas exteriores tão agradáveis como as que tivemos quando chegávamos aos sítios durante a digressão. 


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Apoios (tour e livro): GRRR Program + Centro Cultural de Pancevo, IPJ, MMMNNNRRRG e Neurotitan

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Historial: Realização da tour Spreading Chili Sauce around Boring Europa (1-15 Set) ... Lançamento 27 de Março na MapDesign (Lisboa) e 2 de Abril na Feira do Jeco (10 anos dos Maus Hábitos) 2011 ... referência no Gabinete de Crise ... Cabaz Underground (sorteio dia 3 de Abril nos Maus Hábitos) ... reportagem na Câmara Clara (RTP2) ...


Feedback : 
reacções de viajantes aqui 
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I love tour books about la merde de la europa / jes we can Igor Hofbauer 
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O nome dificilmente poderia ser mais sugestivo e paradoxal (...) Porque, por mais quilómetros que façamos (...) o Velho Continente é cada vez mais um corpo uno. Ainda assim, o que vem dentro das páginas (...) é tudo menos entediante. Muitas ilustrações, desenhos e BD, uma forte componente gráfica e um sem-número de diálogos impróprios para gente sem sentido de humor. Tudo a duas só cores, azul e branco. Rotas & Destinos 
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(...) espécie de périplo autoreflexivo na forma mista de diário/ reportagem sobre uma viagem por uma Europa de movimentos independentes, que se transforma numa espécie de mini-manifesto (é algo pomposo, mas adequado) sobre modos de pensar a arte, a vida, o mundo. Destaque aqui para o importante trabalho de Marcos Farrajota, que, com todas as suas limitações formais, tem aqui um papel crucial ao unir as diferentes contribuições e preencher espaços em branco, destacando-se ainda o seu olhar sobre as várias contra-culturas que o grupo vai encontrando na viagem, entre a extrema empatia/ admiração e o desprezo ácido (o episódio de Berlim é particularmente elucidativo). Sem este fio condutor o livro seria uma amálgama de acasos individuais, e não faria grande sentido. JL 
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(...) é um livro que deve tanto à mítica Torre de Babel como às auto-estradas europeias, misturando várias línguas e registos tão diversos (...) Surpreendentemente, o resultado é tão coerente como são caóticos os dias aqui retratados. Mais do que uma colagem de histórias e fragmentos, Boring Europa é um livro de viagens, uma aventura em 8000 quilómetros de estrada e, sobretudo, um contributo relevante para se pensar a Europa e as suas relações internas. Agora que a ajuda entre países (mais ou menos forçada) anda na boca de toda a gente, seis pessoas e uma carrinha dizem mais sobre as vias possíveis para o encontro e sobre a capacidade de nos conhecermos para lá das fronteiras do que todas as directrizes da União Europeia. Sara Figueiredo Costa in Ler 
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Hace casi un año tuve la oportunidad de presenciar una de las exposiciones más atrevidas y frescas de ilustración y cómic de todo el tiempo que llevo dedicado al mundo gráfico y a la autoedición. Acostumbrado a una corrección profesional y buen rollista, que muchas veces rosa el aburrimiento y mojigatería, que encuentro habitualmente en la gráfica convencional -en la prensa, en la calle y en las estanterías de las librerías-, la expo-guerrilla del colectivo portugués Chili Com Carne resultó ser un contundente puñetazo visual e ideológico que demostraba, con la práctica, otras maneras de entender la ilustración y el quehacer visual. La exposición duro sólo dos días y era la primera parada en el tour Spreading Chili Sauce around Boring Europe que llevó a los CCC por España, Serbia, Austria, Francia, Italia, Eslovenia y Alemania, en 15 días y cuyo diario de viaje, publicado bajo el título Boring Europa, cuenta el cómo, cuando, cuanto y por qué recorrer alrededor de 8000 km con una furgo cargada de fanzines, y puede servir como guía de lo que es la autogestión cultural. Martin López in Bólido de Fuego 
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Quase todas as histórias tocam, portanto, aspectos autobiográficos, referentes aos acontecimentos destas visitas, mas ao mesmo tempo são também testemunho de variadíssimas práticas alternativas. Não apenas da cultura (música, artes visuais, festas, feiras) mas também das práticas propriamente ditas. Ou seja, da angariação de fundos, da organização de eventos, na forma como se gere um fundo de maneio, nos modos como se criam alternativas ao(s) mercado(s) convencional(ais), como se recebem os convidados, da cozinha à dormida, e sem esquecer aspectos de turismo (...) E além disso, as jantaradas e conversas em torno de cervejas e cigarros, que levam a discussões breves mas que apontam a interessantes tomadas de posição face aos estereótipos, expectativas e jogos de projecção que o encontro de “nacionalidades” forçosamente fornece. São muitos os pormenores estranhos e curiosos deste livro, deste a sua forma de organização, à “sinalização” que identifica as autorias, até ao tal orçamento ou custos da aventura, e os dados dos espaços visitados, que poderia até funcionar como convite à visita dos leitores (...) Pedro Moura in Ler BD 
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Um livro on the road, desenhado durante e após o tour dos autores num registo quase sempre próximo do biográfico. Foram 8000 Km de Europa percorridos em 15 dias, a bordo de uma carrinha e com orçamento reduzido. Mais do que um pout-pourri colado à pressão do trabalho dos diferentes autores, existe nesta obra um vero fio condutor (no pun intended), graças a um excelente trabalho de editor. É também um importante testemunho da existência de alternativas: à edição, à distribuição, à venda, à performance, à BD, à música, à arte, ao entretenimento, à festa, à viagem, à estadia, à habitação, ao turismo, à amizade, ao conformismo. E paralelamente vai-se criando a evidência de que, enfastiante ou não, não existe uma mas sim várias Europas. Afinal, mais do que estereótipos nacionais, somos todos indivíduos. Bandas Desenhadas
 
Terminei o Boring Europa no Domingo, no intercidades, de regresso a Lisboa.
Apercebi-me que o livro ganhou, para mim uma dimensão meio "mítica" (à falta de melhor expressão...): era dos poucos que não tinha lido da Chili, mas dos primeiros que folheei (...) e me deram a conhecer a associação, ainda estava eu na faculdade ou no estágio para a ordem. Acho que não percebi bem do que tratava, na altura, mas nunca mais me esqueci da capa.
Quando vos conheci e percebi a premissa, fiquei imediatamente curioso, mas o facto de estar esgotado (...) foi atrasando a leitura do livro.
Gostei muito. Em certa medida, foi o livro perfeito para terminar 2024, principalmente porque me aponta caminhos para o futuro: fiquei fascinado com o "DJing" gráfico de que falas a uma dada altura (...). Relativamente ao registo diarístico, acho que fiquei rendido; tenho sempre pudor e alguma resistência a fazer auto-biografia, mas o livro aponta caminhos e métodos para o fazer de forma não-punheteira, expande mesmo a forma de tratar uma viagem sem ser a banalidade pequeno-burguesa do "olha este sítio onde estive". Não estava à espera que fosse isso à partida, claro, mas talvez apenas no tema, mas ver o mecanismo de construção do livro a funcionar desbloqueou qualquer coisa em mim a que me estou a tentar agarrar.
Enfim. Servem estas palavras soltas para dizer que achei um livro especial, talvez dos meus favoritos da Chili.
A.P.
 



 exemplos de páginas:

terça-feira, 24 de maio de 2011

bordado underground


A mulher do Aleksandar Zograf, Gordana Basta, costuma fazer bordados de cadáveres-esquisitos durante eventos de bd. Este foi feito durante a passagem em Pancevo durante a nossa Tournê Europeia. Hum... jornais, TV, revistas e bordados... que multimedia sérvio freak!
PS - não esquecer: Zograf está cá este fim-de-semana no Festival de BD de Beja e lança o seu primiero livro em português, Mundos em Segunda Mão, pela MMMNNNRRRG.

domingo, 4 de janeiro de 2026

manual prático de uso da CCC (4/6) : bibliodiversidade

ilustração original de Jucifer (2009)
Quando escrevemos que os nossos livros têm qualidade para serem oferecidos a amig@s normais, namorad@s anormais, a elementos da família disfuncional e outros animais racionais no "post" anterior não estávamos a brincar! 

É que a Associação Chili Com Carne tem tanto interesse pela Banda Desenhada como um cão pelo Reagan - esse porco foi cremado ou ainda há ossadas?

Apesar de termos uma apetência para a ilustração, desenho e BD, a Chili Com Carne NÃO É uma "editora" de BD! Gostamos tanto dela como gostamos de música ou literatura, e gostamos ainda mais de cruzar estas diferentes áreas entre si.

Por isso se procura temas africanos podem encontrar no nosso catálogo os romances de Nuno Rebocho e de Rafael Dionísio ou o livro de BD de David Campos! Se for música temos o Rui Eduardo Paes, se for cinema temos a Ondina Pires, viagens a colecção LowCCCost, desenho o André Ruivo, autobiografia o Marcos Farrajota, reportagem o grande Aleksandar Zograf, ficção o André Coelho, auto-ficção o Francisco Sousa Lobo, humor o Loverboy, erótica o Grupo Empíreo, arte e cultura temos as antologias Antibothis... Sim temos isso tudo com vários cruzamentos possíveis!

Querem livros pequenos? Conhecem o Renda Barata e outros cartoons de Stuart Carvalhais n'A Batalha (em formato A6)? Livros grandes? Que tal o QVDI #3000 (A3)? Capa dura? Lá fora com os fofinhos... Vinil, K7, CD ou DVD? Fácil fácil... Serigrafias? Por favor...
E para o irmão de 5 anos? Ele vai tripar com o Caminhando com Samuel!
E para a sogra de 76 anos? Ela vai tripar com o Caminhando com Samuel!
E a prima gótica drogada? Neuro-Trip...
E assim para aprender inglês? The Care of Birds,... Livros de BD em inglês com legendas em português. Aprende-se mais a ler algo que se gosta do que a seguir a cartilha, não?
E livros premiados porque eu só ofereço Qualidade aos meus amigos? (Que pedante!) Olha tens o Revisão: Bandas Desenhadas dos anos 70...
E malta famosa há? Sim, já editamos o Mike Diana, João Fazenda, João Maio Pinto, Pedro Brito, Ondina Pires (dos Pop Dell'Arte, The Great Lesbian Show), Nuno Rebocho, Tommi Musturi, Marte, Igor Hofbauer, Fernando Ribeiro (Moonspell), Jarboe (Swans), Aleksandar Zograf, André Lemos, Pedro Zamith, Rui Eduardo Paes, Ian F. Svenonius, Jorge Coelho,...
E novos autores? (Que chato) Montes deles, pá!!! Quase todo o nosso catálogo é isso!!

Há alguma coisa que vocês não tenham? Sim!!! Só não temos livros de culinária, auto-ajuda e de gatinhos... mas até nisso estamos a mudar, para além do Gato Mariano temos o livro de um gato DJ japonês!

Se a Chili Com Carne não for a melhor forma de comprar as melhores prendas aos preços mais baixos (se for associado, claro) então é que a TUA timidez esqueceu-se que não precisas de ter uma relação fria com o sistema automático da loja online mas podes fazer perguntas pelo e-mail da CCC para saber mais sobre as nossas edições. Também podes frequentar eventos em que participamos - ver a coluna à direita no blogue intitulada de CCCalendário - para ver in loco o que editamos.

Não temos nenhum interesse, ao contrário das editoras comerciais, de vender "gato por lebre" - gatos, gatos gatos, sempre gatos! É verdade que os nossos livros são todos eles são muito diferentes entre si porque trabalhamos com ARTISTAS e não com robots, putas ou fantasmas. A diversidade de estilos e a oferta artística poderá criar alguma confusão aos leitores que muitas vezes querem "mais do mesmo" MAS connosco não funciona assim.

domingo, 11 de março de 2012

(On the quest for) Beograd Underground



On the Quest for Beograd Underground
Muriel Buzana, Espanha / Sérvia, 61’

Documentário sobre as movimentações alternativas de Belgrado que passam pela banda desenhada, música, artes plásticas ou aúdio-visual. A Sérvia vive um momento eufórico de produção artística após vários anos de guerra, sanções económicas e regimes ditatoriais. Curiosamente são entrevistados muitos autores e activistas da bd como o conhecido Aleksandar Zograf, e ainda Wostok, Septic, Vladimir Palibrk ou Johanna Marcadé.



Agradecemos ao Aleksandar Zograf que nos avisou deste documentário sobre a cena "underground" sérvia, onde aparece a "crew" toda da tournê Boring Europa. No gozo disse que o Marcos Farrajota agora é sérvio. Nós achamos até que ele deveria mudar o nome para Marko Faražotić e ir para Belgrado! Curiosamente ainda há pouco tempo tinhamos descoberto outro documentário daquelas bandas...

sábado, 19 de fevereiro de 2022

3 (+1) perguntas ao Harukichi


1. Senhor Harukichi, começou a fazer banda desenhada quando tinha 37 anos. Qual era o seu trabalho  e que relação tinha com a BD antes disso? Era um leitor apaixonado e o que lhe fez vir para a BD?

Primeiro, não era um leitor apaixonado por BD embora tenha lido os grandes nomes como Osamu Tezuka ou Shigeru Mizuki quando era jovem.
Estive em Tóquio a trabalhar em livrarias e em lojas de discos como ainda fui também assistente editorial para revistas durante 15 anos desde que conclui a Licenciatura. Durante esse tempo, o meu desejo era ser compositor de música clássica e concorri a vários concursos mas sem êxito. Um dia, talvez quando tinha 33 anos, li um livro do artista vanguardista Taro Okamoto. Ele dizia: “Tens de pintar agora. Tu podes dizer que o farás depois, ou que o irás fazer quando tiveres um bom tema. Não importa. Nada importa a não ser decidires para o fazer agora. Tu consegues facilmente fazer pinturas como as minhas." Fiquei muito impressionado e comece a pintar, não era BD. Passado algum tempo, estava mais interessado em pinturas de outros artistas e visitava sempre o sítio da Last Gasp que distribuía vários livros de Arte. E lá estava esta BD estranha (numa perspectiva japonesa e do Manga) intitulada Cão Capacho Bósnio [publicada em Portugal apenas a primeira parte na revista Quadrado #6 (3ª série)]. Comprei o livro, isto foi a primeira vez que comprei uma BD estrangeira - e já respondo a mais na segunda pergunta...

2. Quando começou a trabalhar em BD e qual era o seu motivo inicial?
Eu não sabia nada sobre a Guerra na Bósnia nem da desintegração da Jugoslávia na altura que comprei o livro mas achei a história muito interessante e fiquei atraído pelo estilo de pincel bruto de Max Andersson e Lars Sjunnesson. E senti uma mensagem da BD: “Tu consegues desenhar assim.” Mas não tinha uma história para fazer tantas páginas. Entretanto comprava mais e mais BD estrangeira, um dia comprei uma BD do Jeffrey Brown. O seu estilo era também cru e fazia histórias curtas de uma ou duas páginas. Ouvi também uma mensagem daí: “Consegues fazer isto: desenhos amadores e pequenas histórias". Então comecei a fazer BD. Espero que elas enviem as mesmas mensagens para quem não faz BD.

3. E como descobriste o trabalho do Aleksandar Zograf? O que achaste de interessante no seu trabalho?
Como disse na reposta anterior eu continuava a comprar BDs estrangeiras como por exemplo da Fantagraphics, Drawn & Quarterly, First Second, Top Shelf, etc..., Um dos livros foi o seu Regards from Serbia. Nunca tinha lido algo assim. O seu estilo gráfico é também muito cru e o seu texto é muito informativo para quem não sabe dos temas de que ele trata. E também, Regards, conta a verdade do lado vencido. Poucos o podem fazer como Joe Sacco, Peter Kuper e Seth Tobocman. O Aleksander Zograf é a resposta sérvia a estes artistas.

pergunta extra (Marcos Farrajota). Ficaste fascinado com o Cão Capacho Bósnio e autores estrangeiros pelo seu fulgor mas no Japão há a "tradição" do estilo Heta e a revista Garo. Não conhecias isso?
Conhecia  estilo Heta e a revista Garo (ou AX lançada mais tarde pelo ex-editor da Garo) antes de encontrar o Cão Capacho Bósnio. Não sei porque é que essas BDs não me inspiraram a desenhar. Admito que não conhecia BD estrangeira antes do Cão, que me apresentou a mundo ENORME de BD estrangeira. Foi uma espécie de epifania ou revelação para mim. Ao mesmo tempo, já tinha mais de 30 anos e era e ainda é tarde demais para ser um autor de BD no Japão. Mas pensei que teria uma pequena chance de me tornar autor no estrangeiro. Por isso comecei a fazer BD.

As perguntas iniciais foram feitas para o Festival Nova 2019 em Pančevo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Puro Turbo Folk!


A Caravana Underground portuguesa saiu no semanário sérvio independente Vreme, duas páginas em bd por Aleksandar Zograf - aqui em pormenor, a preto e branco (sai a cores na revista) e em inglês, ou seja a versão a sair no livro da tour em breve.
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Na capa, a Raínha do Turbo Folk a ser chamada de "putovanja" (putéfia? não pode ser!). Explica Zograf: «She definitelly is "puta", not "puto"! Putovanja means travels. Ceca went to Australia, just before another trial, I think, as she did some illegal money transfers while selling football players in her club... She did it years ago, but obviously some political figures are defending her from being prosecuted... Anyway, at Vreme they told me that magazine sells better whenever she appears on the cover, so it's good for the strip... » Mais sérvio não podia ser!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Novo Doba Festival

Novo Doba + Turbo Comix; 2010

Cátalogo de um novo Festival de bd na Sérvia - depois do seminal GRRR organizado por Aleksandar Zograf, agora reduzido a uma programação de galeria, onde a Chili Com Carne irá lá se apresentar no dia 7 de Setembro.
Novo Doba significa "Nova Era" em sérvio, em o editorial do evento / catálogo pretende apresentar uma nova bd, em que os tiques da mesma e os da ilustração, artes plásticas, música, animação e a cultura pop servem para serem recicladas, reconstruídas e recriadas. Uma pretensão maior em intenções do que em resultados - pelo menos a julgar pelos que foram publicados no catálogo não rompem barreiras de nenhuma espécie. O catálogo  que na verdade o que faz é apenas publicar bd's e ilustrações dos vários artistas que participaram, não fugindo à lógica do modelo das antologias de bd alternativa que existem pelo mundo fora, inclusive como as sérvio-croatas. Admito que esta publicação tem um ar mais "sexy" do que o habitual pelo formato ligeiramente maior ao A4 mas ficamos por aí, até porque a maioria dos colaboradores já os vimos nas páginas de outras antologias.
Há gente da Áustria (2143 Dead Srobl e Helmut Kaplan do colectivo Tonto), os franceses do Le Dernier Cri (Guedin, Pakito Bolino e Craoman), o croata Igor Hofbauer, o sueco Max Andersson,... e claro os "locais" como Aleksandar Zograf, Septic, Wostok, Radovan Popovic e Aleksandar Opacic.

Obrigado à Vera S. (da Firma) pelo livro

quinta-feira, 13 de março de 2008

Balcony power szene

Três antologias de bd, duas vindas da ex-Jugoslávia e a outra da Roménia.

Balkan Twilight (Vladimir Palibrk; 2007) é da Sérvia e Komikaze #6 (Komikaze; 2007) da Croácia, mas as duas são almas-gémeas: capas negras, colaboradores nacionais e alguns internacionais, coincidência de usar colaboradores comuns - em alguns casos com as mesmas histórias -, o aproximado formato 17x23cm (tornou-se um standart das antologias após os livros do colectivo esloveno Strip Core ou do Mutate & Survive), ambos assumem nas suas páginas as línguas maternas e a inglesa em perfeita orgia línguista, e ambas tem um suplemento (escondido nas badanas) com traduções das bd's escritas naquelas línguas "jugoslavas".
A única diferença é que Balkan Twilight pretende explorar temas dos Balcãs mesmo que os colcaboradores sejam estrangeiros como o italiano Alberto Corradi ou o esloveno Jakob Klemencic (que participaram no Mutate & Survive). Depois disso é o bordel de propostas em que é dificil dizer qual das duas antologias será a melhor... a Komikaze ganha porque tem mais páginas e menos trabalhos amadores mas por exemplo. Mas o mais estranho é que alguns dos cromos mais interessantes de cada país está menos bem representado na antologia da sua nação... O Balkan tem uma bd do croata Igor Hofbauer, um autor a seguir com muito cuidado, mas só aparece em "cadáveres-esquisitos" no Komikaze. Ao contrário, o sérvio Aleksandar Opacic, um hiper-activo do desenho bizarro já publicado no Mesinha de Cabeceira, tem três bd's no Komikaze... Um processo de reunião jugoslava ou a razão de haver tantos conflitos por aqueles lados?

Do Balkan, para além do Igor Hofbauer, há os "clássicos" Wostok e Aleksandar Zograf, o Septic - que Opacic e Zograf já me tinham falado quando estiveram no Salão Lisboa 2003 - um desenhador que meterá inveja a ilustrador de capas de bandas de Metal, e a francesa residente na Croácia (creio? começo a estar baralhado) Johanna Marcade que apesar de ter alguns vícios da formação francesa (creio que ela estudou em Angoulême...) tem nas suas mãos um texto bastante alucinado de um tal Radovan Nastic.

Do Komikaze, que é também o nome de um colectivo bastante animado pela dinâmica Ivana Armanini, sinceramente há trabalhos mais apelativos no geral, desde o nosso André Lemos ao Pakito Bolino (do Le Dernier Cri), da canadiana Nina Bunjevac ao francês Craoman (com um estilo preverso "cuty-pie"), os tais "cadáveres-esquisitos", etc... tudo se cozinha num livro com aspecto negro e forte. Só a capa mete respeito.


Ao lado da Sérvia, no país do Drácula e de outros horrores há malta que se diverte a fazer e editar bd num país com poucas tradições na bd. O colectivo Hardcomics lançou o sétimo volume de bd, dedicado à "Primeira experiência sexual" e com o apoio da Playboy romena!
Parece (quase) um livro pra putos dada a capa dura e à entrada haver aquela coisa que muita gente já faz como brincadeira, que é "Este livro pertence a _________". Depois disso é muitos pénis, algumas mamas e poucas vaginas em registo de humor juvenil orgulhosamante disseminado em inglês ou em romeno sem tradução possível. Acredito que a "coisa" esteja a fazer furor na Roménia porque se trata de genuíno - a julgar pela apresentação no Komikazen, a apresentação mais divertida sobre bd que já assisti - e se a maior parte da produção é muita amadora não deixa já de haver trabalhos (daqueles que se compreende) com interesse, sobretudo pela sua força gráfica apesar de serem muito "street-art". São os casos de Saddo, Matei Branea (um dos editores) e Alexandru Ciubotaru. De referir, os "stills" do filme de animação de Pierre Delarue (ok! é um francês!), os cães digitais a copular de Omar e a bd de Roman Tolici, um Hino ao Amor em jeito de vexo & siolência vectorizado... Não há dúvida que das 120 páginas a p/b (e algumas a cores) irá surgir qualquer coisa nos próximos anos. E se me perdoarem o cliché cito o Dracula (Bram Stocker) «- Not so! Alas! Not so. It is only the beginning!»

terça-feira, 7 de setembro de 2010

And the cyrillic letters say: UNDERGROUND CARAVAN FROM PORTUGAL


Chili Com Carne in Elektrica, Pancevo - land of Serbian Aleksandar Zograf, who made the graphic design of the poster... GRRR!Program is Zograf's curating events (no relation with MMMNNNRRRG) and this is all about the Spreading Chili Sauce in Boring Europa tour.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Relatório sobre Fanzines e Edição Independente em Portugal 2011 (actualização)

por Marcos Farrajota

Saiu este ano um importante livro de referência sobre banda desenhada, intitulado 1001 comics you must read before you die! e coordenado pelo comissário e conferencista inglês Paul Gravett. Trata-se de uma listagem de livros ou bds que tenta resumir as melhores bds do mundo, com a ajuda de vários especialistas espalhados pelo mundo – incluindo dois portugueses: Domingos Isabelinho e Pedro Moura. É sem dúvida um trabalho hercúleo e discutível quanto à sua utilidade de criar cânones. Curiosamente ao analisar o livro deparei-me com as seguintes situações:

1) A única entrada portuguesa é o livro Diário de K. de Filipe Abranches, editado nos tempos áureos da Polvo, com o apoio do IPLB e Bedeteca de Lisboa.

2) Livros / obras como Caminhando Com Samuel de Tommi Musturi, Uma semana de Bondade de Max Ernst, Ele foi mau para ela de Milt Gross, Os meninos Kin-Der de Lyonel Feininger, Mundo Fantasma de Daniel Clowes, Palestina de Joe Sacco, Persepolis de Marjane Satrapi foram editados em Portugal por editores independentes como a MMMNNNRRRG, &etc.., Libri Impressi, Mundo Fantasma / MaisBD e Polvo.

3) Também foram editores independentes que publicaram outras obras de autores referidos 1001 Comics como Cliff Sterrett, Aleksandar Zograf, Anke Feuchtenberger, Max, Baudoin, Joakim Pirinen,... Novamente pela MMMNNNRRRG, Chili Com Carne, Libri Impressi, ou publicações como a Azul BD3 e Quadrado…

Creio que fica provado a importância que estas pequenas editoras tem no mercado nacional face às “grandes” que editam produtos fáceis de investir pelos créditos já firmados e fama a rodos como Astérix, Tintin, Corto Maltese, Akira, X-Men, Batman, etc…


Definições

A edição independente é um termo que se tem utilizado para definir edições de livros ou de discos que fogem aos parâmetros, conteúdos e formatos das grandes editoras que geralmente dominam o mercado em vendas, distribuição, espaço de venda nas lojas e promoção dos seus produtos e artistas.
Há várias formas de identificar um editor independente: estrutura organizacional e laboral reduzida (uma pessoa, um casal, um colectivo), comunicação activa com os autores e o público, distribuição e promoção defeituosa, exploração de nichos de mercado, poucos apoios públicos ou institucionais, financiamento reduzido, inovação tecnológica, etc… Existe neste meio um cuidado extremoso para que as suas edições tenham o melhor aspecto, tradução ou tratamento gráfico do que as edições de grande tiragem – geralmente feitas de forma apressada e cheias de gralhas e erros de vários tipos.
São editoras que crescem conforme a longevidade e persistência dos editores, tornando-se mais tarde profissionais da área e editores de referência como é o caso da &etc…, Via Óptima, Black Sun, Edições Mortas, Mariposa Azual, Planeta Tangerina, Libri Impressi,...
Nesta definição alargada ainda assim cabem várias formas de publicação que passam por sistemas de impressão caseiros (impressora do computador), artísticos (serigrafia, gravura, xilogravura, linóleo), tecnológicos baratos (fotocópias) e relativamente mais caros (impressão digital e offset). Podemos identificar estes tipos de publicação:

Fanzine – publicação amadora feita por fãs ou militantes de alguma causa (bd, poesia, música, cinema, política) geralmente fotocopiada e agrafada com uma distribuição reduzida (em Portugal entre 50 a 500 exemplares, no Brasil dos 200 aos 2000).
Zine – evolução natural do fanzine abandonando a militância ou a idolatria pela cultura Pop, são publicações que não sendo “fãs” de algo, publicam trabalhos pessoais ou artísticos de um autor ou de um colectivo de autores.
Edição de Autor – , ou auto-edição. Edição realizada pelo autor, pode ter um aspecto profissional mas geralmente não tem um “selo de editor” como forma de garantia comercial.
Livro de Autor - edição realizada pelo autor de poucos exemplares com evidentes realizações manuais (capa, agrafamento, colagens, ex-libris, etc…) e coleccionistas (assinatura e numeração pelo autor).
Livro de Artista – edição de um livro geralmente de uma ou poucas cópias em que as páginas da edição muitas vezes são os próprios originais do livro - é o tipo de edição elitista cuja circulação passa mais pela galeria de arte do que pela livraria...
Impressão digital / P.O.D. – Impressão em fotocópia lazer que permite produzir poucos exemplares com um tratamento profissional (cozido, colado, encadernado) ou exemplares conforme a procura (print on demand). Esta tecnologia tem servido para Edição de Autor mas também para pequenas editoras ou para livros de pouca circulação de grandes editoras.
E ainda: split’zine (zine feito por dois títulos, a capa de um é a contra-capa do outro lado), prozine (termo anacrónico norte-americano para fanzines feitos por autores profissionais, mais vale usar o termo “auto-edição” ou “edição de autor”), micro-edição (edição bastante limitada, abaixo de 50 exemplares),… De fora deste “relatório” ficam as produções electrónicas: e-zines, pdfs para visualização e/ou descarga, etc…
É um mundo onde cabe de tudo: autores que vêm uma forma de promoção pessoal como uma espécie de escalada para chegar às “grandes”, autores que tem uma visão única como o seu trabalho deve ser tratado, um programa ou um plano de um editor, um registo de um movimento local/geracional/artístico, uma diversão de um autor ou de vários, uma provocação, uma necessidade de exposição pública, etc…


Onde observar este movimento?
Tirando o caso das editoras que publicam livros com Depósito Legal e ISBN, existe todo um grande movimento de publicações marginais que quase não existe em lojas nem em acervos públicos (arquivos, bibliotecas).
No primeiro caso, em parte porque os objectos não são compreendidos pelos lojistas – serão as poucas que se comportam estes objectos como algumas lojas de bd (Mundo Fantasma), galerias de arte (Dama Aflita, Galeria Ó, Estúdio JS, Re-Search,…) ou algumas de música (Matéria Prima) e de design (Fábrica Features). O facto das edições também não terem uma faceta legal (facturas, recibos, etc…) não ajuda a sua comercialização.
No segundo caso, os autores / editores não pensam na sua obra como algo válido para preservar para o futuro / memória cultural. Muitas das vezes dada à urgência de produção e edição das obras, falta esse sentido de imortalidade ou arquivo. Também pode haver uma recusa em oficializar a sua obra. Seja como for, como iremos ver mais à frente, muitas vezes estas obras serão descobertas pela “cultura oficial”.
Para encontrar a maioria destas edições é preciso frequentar alguns eventos especializados como a tradicional Feira Laica com as suas habituais duas edições por ano - uma na Bedeteca de Lisboa outra nos Maus Hábitos, Porto -, MAGA (regressou este ano!) nas Caldas da Rainha, F.E.I.A. (Montijo) e no Porto: Mercado Negro, Feira do Jeco e Feira de Publicação Independente (com duas 2 edições na Faculdade de Belas Artes do Porto). Alguns eventos de artes e de música também costumam ter mesas com este tipo de edições como o Comunicar:Design (Caldas da Rainha), Festivais Rescaldo e Matanças em Lisboa e Porto, respectivamente.
Alguns casos, as próprias entidades criam eventos próprios abertos ao público como foi o caso da Oficina do Cego que realizou uma série de workshops de livros de autor (na Faculdade de Belas Artes de Lisboa) e uma residência artística (programa Ghost nos Ateliers Real) ou da Chili Com Carne com o espaço CHILI ao QUADRADO na Work In Progress (Chiado).


Uma quantificação possível
Este ano, demos conta dos seguintes projectos de continuidade: O filme da minha vida (3 volumes – Luís Henriques, Pedro Nora, Isabel Baraona) pela Associação Ao Norte; Zona BD (2 volumes); Venham +5 (1 volume); É fartar Vilanagem! (um volume); Tertúlia BD’zine (12 volumes); BDJornal (um volume); Boletim CPBD (1 volume).

As editoras que continuaram em actividade
- Chili Com Carne com duas antologias: Boring Europa e Futuro Primitivo;
- Firma: Dark Shine, de Aleksandar Opacic;
- Kinpin Books: O pequeno deus Cego, de David Soares e Pedro Serpa;
- MMMNNNNRRRRG: Mundos em segunda mão, de Aleksandar Zograf, AcontorcionistA: Manifesto, de Grupo Empíreo, Neuro-Trip, de Neuro, Aspiração horrífica, de Aaron Shunga e Subsídios para MMMNNNRRRG #1;
- Oficina do Cego: Fábricas, Baldios, Fé e Pedras atiradas à Lama de Tiago Baptista, e a antologia Aforismo do Estádio;
- Pedrancharco: Li Moonface, de Relvas;
- Quarto de Jade: Animais Domésticos, de Maria João Worm;
- Polvo: dois livros de Lacas e Geral & Derradé (anunciados mas não os vimos ainda)
- Libri Impressi: Ele foi mau para ela, Milt Gross – e o terceiro volume da série Lance (também não o vimos).

Dos zines apareceram novos títulos, quase todos eles monográficos: O morto saiu à rua e The invisible hand de Bruno Borges; Headbanger de David Campos; Pixels Parts de Afonso Ferreira; Famous Tumours de Jaime Raposo; Metamofosis de Tiago Araújo; Stop Mundo dos U.A.T., 666 Hardware e Musclechoo, ambos de Rudolfo. e ainda duas fotonovelas da Pôe-te Fino e Mr. Krunk e o Senhor Klaxon dos Livros Espontâneos. Apercebemo-nos de vários zines e graphzines nas Caldas da Rainha (Zé Burnay, Aliböbö, Gennebra) e Porto (Panda Gordo, Hidromassagem,…) mas parece impossível de os contabilizar uma vez que não foi possível adquirir tantos títulos.
Destaque especial para dois novos projectos que pretendem continuidade: Lodaçal Comix dirigido por Rudolfo que lançou 4 números trimestralmente e o especial Hors Serie; e, Buraco feitos por autores de Lisboa e Porto que lançaram 2 números em dois meses…


No plano internacional
a) Publicações
Houve um abrandamento nas participações portuguesas em publicações estrangeiras, sendo que tivemos contas de colaborações nos seguintes países:
- Alemanha: Given (André Lemos) pela Bon Gout.
- Brasil: Pindura 2012 (André Lemos, Lucas Barbosa, Marcos Farrajota e Pepedelrey) e Prego (Marcos Farrajota e Manuel Pereira);
- Eslovénia: Stripburger (Teresa Câmara Pestana)
- Espanha: El Temerário #7 (André Lemos), Kovra #3 (Ricardo Martins), ambas pelas Ediciones Valientes;
- EUA: Hapiness (Rudolfo)
- Sérvia: Novo Doba (André Lemos e Bruno Borges), Silent Wall Army (Bruno Borges);

b) Eventos
Já em relação a participação de portugueses em eventos estrangeiros manteve-se estável como noutros anos, tendo sido registada de participação de autores, exposições ou publicações nos seguintes eventos: Festival de BD de Angoulême (França), Not Mex Not Tex com Bruno Borges e Lucas Almeida (EUA), Edita 2011 e La Noche de los libros mutantes (Espanha), Even my mum can make a book (Turquia), London Zine Symposium, Crack (Itália), Festival de BD de Helsínquia, ISV e Trauma em Mälmo (Suécia).

c) Autores
A visita de autores estrangeiros, que estão ligados à edição independente é uma prática saudável que se mantêm registada sobretudo no Festival de BD de Beja e a Feira Laica, permitindo os autores estrangeiros conhecerem autores nacionais e vice-versa. Na prática ajuda a divulgar e criar intercâmbio entre autores e editores de vários países.
A registar este ano: Andrea Bruno do colectivo Canicola (Itália), Aleksandar Zograf (Sérvia) ambos no Festival de Beja, Toff (França) na Feira do Jeco, colectivo Hetacombe (Suíça), Neuro (Roménia / Dinamarca), Alex Vieira (Brasil) e elementos dos colectivos Grut (França), Stripburger (Eslovénia) e Amalgama (Galiza) nas Feiras Laicas.


Institucionalizando
Este tipo de publicações acabam por ter um reconhecimento tardio em maior parte dos casos, veja-se por exemplo, o caso da exposição que esteve patente na Galeria ZDB entre Março e Setembro, All Power to the People. Então e Agora. A arte revolucionária de Emory Douglas e os Panteras Negras. Tratava-se da exposição da arte revolucionária de Emory Douglas e os Panteras Negras de material gráfico, ilustrações e até bds de Emory Douglas, Ministro da Cultura do Black Panther Party (desde 1967 até à dissolução do partido, em 1982). Muitos dos materiais gráficos da exposição foram resgatados graças aos arquivos pessoais do autor.
Antes, entre Janeiro e Março esteve patente uma importante exposição de banda desenhada no Centro Cultural de Belém / Colecção Museu Berardo intitulada Tinta nos nervos, e que não só mostrava 41 autores portugueses como muitos deles eram exclusivamente publicados em edições independentes. Também na exposição encontravam-se muitas destas publicações em plintos. A colecção das publicações era quase exclusivamente do seu comissário, Pedro Moura.
Estes são dois exemplos mostra como seria importante criar um organismo de procura e angariação deste tipo de edições - na verdade até há um mas só virado prá bd e ilustração!!! É a maltratada Bedeteca de Lisboa, única instituição pública portuguesa que inclui um acervo de fanzines, zines, livros de autor, micro-edição, split’zines - ainda quase todos por catalogar, acessíveis para consulta apenas. Também é verdade que a Bedeteca sendo um serviço especializado em banda desenhada detêm a maior colecção de livros de bd em Portugal. Inclui-se nesta última afirmação os livros auto-editados e de pequenas editoras – quase todos disponíveis para empréstimo. Só resta saber até quando é que esta colecção irá evoluir com os rumores que a Feira Laica não deverá continuar a sua edição de Verão neste espaço...

sábado, 28 de maio de 2011

ccc@beja.2011



Este ano a Chili Com Carne participa com a exposição + livro FUTURO PRIMITIVO, com a presença dos vários participantes no primeiro fim-de-semana do evento: Ana Menezes, Ana Ribeiro, Andreia Rechena, Daniel Seabra Lopes, David Campos, João Chambel, João Paulo Nóbrega, Joana Pires, Marcos Farrajota, Pedro Brito, Rafael Gouveia, Sílvia Rodrigues,...

Andrea Bruno estará presente no primeiro fim-de-semana, e que terá uma exposição de originais absolutamente impressionantes não fosse ele um dos autores mais interessantes de Itália e com quem já tivemos a honra de trabalhar em projectos como a antologia pan-europeia Greetings from Cartoonia (a respectiva exposição esteve patente no ano passado em Beja) e no Boring Europa.
...
A MMMNNNNRRRG irá lançar o livro Mundos em Segunda Mão do sérvio Aleksandar Zograf, que também estará presente e com exposição. Esta autor também tem passado pelas nossas edições: Crack On, Talento Local e Boring Europa. O livro é uma colectênea de crónicas do autora que publica desde 2003 no semanário Vreme, revista informativa independente que resistiu a embargos económicos, bombardeamentos da NATO e o regime de Milosevic.