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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

LSD na CCC, ... não! LDC na CCC... não! LDC na Carpe Diem!

A Chili Com Carne fez uma parceria com a Carpe Diem, e para além da livraria passar a ter a maioria das suas edições e dos associados também irá receber de mês a mês o melhor da bd e ilustração europeia no seu espaço.
E começamos esta parceria de distribuição com os brutais livros do Le Dernier Cri - o colectivo francês de grafismo bruto, cujo objectivo é fazer os olhos vomitarem...
Por isso até Outubro quem quiser ter problemas escatológicos que se diriga à livraria para poderem admirar a antologia Hopital Brut (que inclue participações de associados nossos como André Lemos) ou monográficos de Vida Loco (Breakcore visual e sonoro), o misógino ma non-troppo do best-of de Costes, Pot Pourri, acompanhado pelos desenhos da sua mulher Vanderlinden - ei! afinal se está casado com ela então não é misógino, não é!? Va te faire foutre!
Ou ainda Le Japon Parano (antologia de 5 autores japoneses-lixados: Ichiba Daisuke, Takashi Nemoto, Sekitani, Ayano e Tamano Daisuke), Pet Shit de Craoman,... Bof! Tantos livros que quase podiamos dizer que temos o catálogo do LDC se todos os meses não houvesse mais livros a sair daquela máquina infernal de Marselha!

Dia 18 de Setembro, às 18h30 estaremos na livraria para fazer uma pequena apresentação deste material: a Livraria Carpe Diem celebra o seu primeiro aniversário com um programa de actividades especial. Pelas 18h30, Marcos Farrajota, irá falar sobre os livros de ilustração da editora francesa Le Dernier Cri. Le Dernier Cri é um colectivo de Marselha criado por Pakito Bolino e Caroline Sury em 1993. Nascido das cinzas do movimento “undergráfico” francês dos anos 80, publicou mais de 200 títulos, maioritariamente em serigrafia, produziu mais de 100 exposições pelo mundo fora – tendo passado pelo Salão Lisboa 2005 -, alguns discos, cartazes e três filmes de animação – o último, “Les Religions Sauvages” com mais de 2 horas e sem qualquer subsídio para a sua produção.
A noite será dedicada à música com uma selecção da Matéria Prima, que se iniciará pelas 21h00.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

edições de Crack



Crack 3D Revolution, v/a ; Va Tutto Bene / Everything is ok (Deriva #3), Henrik Bromander (a) e Hanna Petersson (d)
(Forte Pressa; 2011)

O Festival Crack deste ano teve como tema "3D Revolution", por influência do colectivo Le Dernier Cri. Imagino a orgia que deve ter sido, os italianos, povo por si mesmo já alucinado, todos com aqueles óculos de lentes vermelha e azul a triparem pelo Forte - até grávidas que deviam ter juízo andaram com os óculosinhos marados! Com esta "revolução" a habitual antologia de bd, Ponti (que a Chili Com Carne teve o prazer de produzir na edição de 2009) sofreu metamorfoses não tivesse o Dernier Cri sido o co-editor deste ano. O que salta menos à vista? A bd foi à vida e o formato esticou-se para o horizontal (o formato italiano, passe a ironia) e a edição foi reduzida a 400 exemplares (esgotados?). O salta à vista é que todo o livro é a 3D e já que não consegui ir ao evento participar na orgia visual, parte dela chegou-me esta semana. O livro têm menos escatologia que é normal das edições do Dernier Cri, em parte por causa das colaborações que fogem ao circuito de arte gráfica do colectivo francês, e espera... Em compensação vemos desenhos num espectáculo da ilusão óptica-anáglifica orquestrado por Dave 2000. É curioso o uso desta tecnologia para a temática de autor invés das habituais patranhas comerciais, existe uma sensação de frescura ao ver os desenhos tratados desta maneira.
Tal como no ano passado, sem a antologia Ponti a funcionar "normalmente", a organização aproveita para alimentar uma outra coleccão, a Deriva. Este terceiro volume é um monográfico feito por autores suecos. Ao contrário que a organização dclara, não acho que a cena bedéfila sueca seja interessante mas está a mudar e este é um exemplo disso. A história é de uma crueldade que só me lembra comparar a cineastas nórdicos como Igmar Bergman ou Lars von Trier pela forma melodramática que manipulam o espectador - neste caso, o leitor. O livro é pequeno em formato daí que poderia sair dali uma estória simples mas trágica de uma violoncelista que fica para tetraplégica (só consegue mexer dois dedos). Graficamente lembra uma linha francesa de bd "alternativa" que remonta a Blanquet. Talvez o desenho seja um bocado frio mas pelo menos é bem feito no plano técnico. Em inglês e tradução em italiano.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Trans Europe Zine

Com os desenvolvimentos das tecnologias de tratamento digital de imagens e impressão, e da Internet, os tradicionais fanzines ou zines tem vindo a desaparecer, ficando no “mundo material” publicações com aspecto profissional – aliás, com cuidados gráficos ainda melhores que as revistas profissionais. Este texto é um mini-guia cartográfico bastante imcompleto para quem procura aventuras gráficas.


Partindo de Portugal temos os Opuntia Books já referido na Umbigo (Dez’07) e já agora investiguem também a Imprensa Canalha mas vamos imediatamente para aquela sempre foi e sempre será a capital da bd em Espanha, ou seja Barcelona, a sanita de Turistas anglo-saxónicos. Desde os anos 40 do século passado que se implantaram as editoras, grandes lojas de bd e o maior festival espanhol de bd. Claro que há muita boa gente no resto de Espanha mas é em Barcelona que aparecem projectos como a ARGH! que já vai no quarto número! E porquê a euforia? Simples... É que a ARGH! mostra que afinal os espanhóis não sabem apenas copiar como até fazem coisas boas - menos na música! Nas páginas da ARGH! vamos encontrar escatologia da grossa, bonecada "guilty-pleasure" e monstros nojentitos, piadas parvas de cócó-xixi & humor "serial-killer". As páginas são preto e branco mais uma cor extra que muda de número para número, permitindo aos autores explorarem temas – o “número amarelo” ligava-se à doença, por exemplo – ou potenciando grafismos mais adequados a cada cor, como aconteceu com o português residente em Madrid, Richard Câmara que participou no último número (verde) com uma versão colorida da bd publicada na colecção Lx Comics. Jorge Parras e Félix Diaz são os responsáveis pela publicação depois de terem feitos das suas no Fanzine Enfermo. Ambos são autores com estilos bastantes diferentes, o primeiro mais humorístico, o segundo mais “abonecado” na veia de Underground Pop. Cada vez que lançam um novo número refazem o sítio arghcomic.com.
Quando subimos para França é inevitável referir o colectivo Le Dernier Cri, sediado em Marselha no centro artístico Friche La Belle de Mai onde máquinas de serigrafia vomitam livros, cartazes e discos pelas mãos do casal Paquito Bolino e Caroline Sury. Nascido em 1993 das cinzas do movimento “undergráfico” francês dos anos 80, o colectivo publicou em 15 anos mais de 200 títulos, maioritariamente em serigrafia. Produção exorbitante para uma estrutura artesanal, que ainda edita a revista anual Hôpital Brut, produziu mais de 50 exposições (uma no Salão Lisboa 2005), discos e filmes de animação. Como afirma Bolino: «As edições do Dernier Cri consistem em artistas a editar outros artistas, artistas que vêm fazer residências, ateliers, ou simplesmente desejam fazer livros connosco, ao contrário de uma vontade de um editor em seguir conceitos pré-estabelecidos e colecções precisas. Isso permite-nos partir em qualquer direcção». A produção, toda ela assegurada pelo casal e colaboradores, é imparável e dispara para sentidos inesperados, por exemplo, num recente lote de edições quase todos livros incluíam música tão violenta como os desenhos: Evil Moisture (single 7" vermelho de Noise, co-editado com o colectivo dinamarquês Smittekilde), Le moindre doute de Guillaume Soulatges (que esteve numa Feira Laica) com desenhos seus Pop nostálgicos e música quase-que-relaxante, Judex (nome do autor e do livro + CD-R de Rock Noise na linha Fort Thunder / Load Records), Placenta Popeye (livro complicado de folhear + CD-R de Frenchy Noise Rock tão marado que parece uma banda de Black Metal que não sabe tocar), Vida Loco (Breakcore visual e sonoro!) e o “best of” do misógino Costes, Pot Pourri, acompanhado pelos desenhos da sua mulher Vanderlinden - se está casado ainda é misógino?

Bolonha, é outra capital da bd… em Itália. E é por lá que surgem projectos de uma qualidade irrepreensível como o Canicola, colectivo de oito autores e uma administrativa. A colar o grupo está uma vontade abrasadora de contar histórias sobre "coisinhas da vida" - no melhor estilo de Raymond Carver - mesmo quando a acção se passa em 2012 (Giacomo Monti) ou em universos oníricos de Amanda Vähämäki – a única autora do grupo, a finlandesa que estudou nesta cidade e que já regressou a Helsínquia. Na Canicola os desenhos são todos díspares embora se possa encontrar alguns pontos em comum com alguns autores que seguem uma estética "free" em que usam a seu favor, o facto da impressão dos dias de hoje conseguir apanhar tão bem os cinzentos do lápis - relembro que a bd sempre teve um processo de produção que obrigava os autores a "passarem a preto" (ou a tinta) os desenhos para serem reproduzidos. Nos dias de hoje, os autores ignoram essa técnica e caminham pelo "lápis directo".
Para além do grupo duro já passaram pelas suas páginas gente importante como Anders Nilsen (EUA), Chi Hoi (Hong Kong), Marko Turunen (Finlândia) e a alemã Anke Feuchtenberger, autora bastante influente na cena europeia, sobretudo nos últimos anos com a renovação do seu trabalho a grafite (que foi visto no Salão Lisboa 2003) e como professora de ilustração na universidade de Hamburgo – onde aliás ajudou a por de pé a revista Orang.
Justamente em Hamburgo que também encontramos o dice industries - já publicado em Portugal e participante na exposição åbroïderij! HA! que passou pela Bedeteca de Lisboa, Maus Hábitos, Casa da Animação e segue para a Biblioteca de Abrantes no mês de Abril. dice industries é DJ, designer, autor de bd, ex-homem do graffiti e recentemente abriu a galeria Linda. Qwert é o seu “zine de vida” que vai no 13º número onde tanto publica bd - Wien, ein mensch stirbt (2005) - como catálogos de exposições de artes plásticas: Low Density (2005) e Low Frenquency (2008) onde ele (ab)usa imagens dos «tios patinhas» (a font do Low Density não deixa dúvidas) e outras imagens populares, manipula-as ao ponto de ruptura sendo recriadas em ruído abstracto. A deformação é impressionante, um cruzamento histérico de Lynch com Lichtenstein.
Por alguma razão misteriosa, os finlandeses estão a descobrir o "ácido" na bd e ilustração. Fora do já conhecido desengonçado crumbiano ou da crueza non-sense ratada de Gary Panter, os finlandeses andam a borrar cores a torto e a direito nos seus desenhos. Prova concreta disso é o jornal Kuti editado pelo atelier Kuti Kuti, onde seja qual for o estilo gráfico das bd's, o que se vai destacar são as cores berrantes aplicadas ora com as canetas de feltro ora com o Photoshop. Outro ponto comum entre vários autores finlandeses é o imaginário sacado aos universos Pop da infância em que são revistos sob um prisma da decadência: ODNI (objectos Disney não identificados), Masters of the Universe destruídos e distorções da bonecada de plástico, da bd ou de desenhos animados xungas.
Do grupo destaca-se os livros de esboços de Tommi Musturi, a saber: Stand Alone and Smile rendido à arte psicadélica - a lembrar até o Moebius quando este tripava nos anos 70; Concrete Floor em formato A4 impresso em páginas verdes tem desenhos de dignos de manicómio visual; e Death to Most com desenhos feitos entre 1986 e 1992, quando o autor era um puto metálico “skater” a viver na província finlandesa e desenhava caveiras, demónios e "damas de ferro", foram-lhes acrescentadas as cores berrantes dando uma nova dimensão visual aos desenhos “teen”.

Texto publicado na Umbigo

quarta-feira, 16 de maio de 2012

When it rains, it pours

Caramba, e de repente... é livros dos EUA da Sparkplug, é encontrar o Haz na Feira de Publicação Independente, é o Romeo Julien (do Angoumerde) a enviar cenas dele, é o italiano Ruggero Asnago a parar por Lisboa, o Manuel Pereira e o André Ruivo a mexerem-se... Que caos! Por onde começar? Vai já o que tiver aqui à mão!

Patau (Black Blood Press; 2012) saiu há algumas semanas durante um concerto de Somália no espaço Flausina - tinham de ser estrangeiras para abrir um espaço artístico despretencioso em Lisboa! Zine A5 cheio de colagens de Manuel Pereira centradas em temas de sexo desviante Sado/ Maso extremo e deformações genéticas - Patau é um sindroma trisómico. A associação de imagens destes dois temas provoca-nos questões sobre o corpo deformado por acidente ou por imposição e que valor terá submissão voluntária (estética apenas) face as maleitas das deformações ou das violações. As pistas maiores que nos são dadas são com textos, também eles "encontrados", recortados e colados pelo zine, um deles pergunta "do que sabem vocês sobre humilhação?" e por cima do texto encontra-se um anão bastante deformado - a qualidade da imagem fotocopiada não permite identificar muitos contornos. Não pedia mais do que isto porque este "ritual Xerox" é perigoso para o olho mesmo que a inspiração dos manifestos de SPK sejam velhinhos.

Biblioteca (The Inspector Cheese Adventures, 2011) de André Ruivo é um zine muito simples de desenhos de Ruivo em volta dos livros que deve ter encontrado em bibliotecas - em Londres? durante a sua residência? - ou em "bibliotecas" particulares - de amigos? familiares? - ou pessoal - é?
Não sabe, não responde.
Livros amontoados, em prateleiras e acessíveis pela lombada (ó coisa chata de se desenhar!), em mesas de consulta de bibliotecas públicas, livros de dimensões assustadoras, portadores de enorme e pesado saber. O zine é no entanto leve...




 


Entretanto tenho os números 12, 14 e 14,5 (Afeite Al perro, 2011-12) do Haz (autor e título de zines) que não posso acrescentar nem mais uma linha do que escrevi neste "post": http://chilicomcarne.blogspot.pt/2009/07/haz-zine-2-8-9.html. Não é por preguiça ou falta de tempo, é mesmo porque as características do autor e dos seus objectos editoriais (caixinhas de surpresa) mantêm-se de forma saudável. Ah! Talvez só isto, Haz admitiu na sua passagem pelo Porto a influência que as exposições do Le Dernier Cri (em Madrid) tiveram nele e na sua produção. Nunca pensou que se podiam fazer zines de desenho apenas - aparentemente não conhecia a existência de "graphzines". É um exemplo dos danos que o Dernier Cri causa por onde passa...

O italiano Asnago passou por Lisboa por motivos semi-profissionais e semi-lúdicos, claro que saquei-o logo para fazer um cartaz para a colecção Checkpoint do Atelier Mike Goes West - o resultado está a qui para ver e venda: http://mikegoeswest.blogspot.pt/2012/04/certificate-this-is-to-certify-that.html. Asnago também faz uns zines em que usa o formato A3 para dobrá-lo em mini-zines A6 - táctica comum em muitos "zinistas", como faziam os BadSummerBoys (Geral & Derradé) nos anos 90 ou como o brasileiro Fábio Zimbres ainda faz... As edições são limitadas que nem vale a pena estar a digitalizá-las para vocês encomendarem. Invés disso vão masé comprar uma serigrafia ao Mike, cazzo!



De França, porque quando estivemos lá o Roméo Julien não parava quieto, recebemos dois livros das Editions Machine. É um colectivo de 11 autores de BD, residentes a Angoulême, e que adquiriam máquinas de impressão de forma que toda a produção é DIY! O primeiro, Mister Uppercut de Julien, impresso a vermelho, lembra as rotas de Matt Brinkmann mas em versão "linha clara". Redigido em inglês. Machin Machine é a segunda antologia deste colectivo com a participação de todos os seus autores com registos narrativos e gráficos variados embora o "humor" seja mais constante entre os outros géneros. Interessante...


Por fim, soube (tardiamente) que a tragédia tinha abatido na Sparkplug, uma editora que oferece alguma lufada de ar fresco na estagnada BD norte-americana. O seu fundador, Dylan Williams faleceu o ano passado, e a sua mulher e amigos tem mantido o projecto a funcionar apesar de algumas dificuldades financeiras anunciadas publicamente. Ao saber disto, foi uma "boa desculpa" para comprar alguns "comic-books" desta editora para apoiá-la. De um molho de coisas que chegaram, nem elas todas assim tão interessantes, destaco o trabalho de Austin English, um autor que usa um desenho "infantil", conseguindo uma réplica perfeita do "estilo": cores, formas, representações, materias usados, etc... como se tivesse saído da aula de desenho da 4ª classe. Infelizmente o texto e narrativas não em animaram muito, tanto que não me lembro do que se trata passados alguns minutos depois da leitura... Duas outras autoras que são interessantes: Julia Gfrörer de universo gótico-satánico e a auto-biográfica Tessa Brunton. Check them out!

Ufa, é tudo!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Mangalho!

Heta-Uma / Mangaro
v/a
Le Dernier Cri + MIAM; 2015

Ainda estamos em Valência... Esteve lá também o Le Dernier Cri em modo de azar, uma vez que os seus livros tinham ficado por entregar pelos correios (é o que dá privatizar um serviço destes!) e por isso ficaram com uma banca reduzida mas onde encontrei esta deliciosa edição dedicada ao grafismo e BD underground do Japão.
São dois catálogos num só livro excessivo graficamente como é apanágio do LDC representando duas exposições em França, uma no "Museu das Artes Modestas" em Sète e outra na sede do LDC em Marselha.
A primeira era dedicada à arte à margem de criativos japonesas que "desenham mal" (é o estilo "heta" - daí termos uma tal de Hetamóe para quem não tinha ainda descodificado o significado do pseudónimo desta autora) com alguns autores já nossos conhecidos como Shuehiro Maruo, Yusaku Hanakuma, Daisuke Ichiba, Norihiro Sekitani, Shintaro Kago, Nekojiru - lembram-se quando a Chili em 2009 tinha uma loja com isto tudo?
A segunda mostra era dedicada à revista Garo criada em 1964 que é seminal para uma primeira vaga de artistas na BD japonesa. Até 1996 passaram nesta publicação autores tão importantes como Seiichi Hayashi ou os recentemente falecidos Shigeru Mizuki (1922-2015) e Yoshihiro Tatsumi (1935-2015).
Claro que está tudo um caos no livro... perceber de quem são alguns dos créditos ou que situações são as que estão representadas é tarefa de cromo... desculpa-se porque isto faz parte do telurismo do Pakito Bolino, a cabeça e o mangalho do LDC. Descarga de informação à fartazana para um gajo se desenrascar! Felizmente existem um grupo de textos com informação limpa e bem colocada para se poder mergulhar nisto tudo. São loucos os japoneses e os franceses, especialmente quando estão juntos.

sábado, 12 de setembro de 2009

Iron Man... mas versão Butthole Surfers!


A malta anda toda mamada, é só doidos por todo o lado... como é o caso deste francês J.M. Bertoyas que já fez livros pela L'Association e pelo Le Dernier Cri, o que não lhe impede de manter uma actividade DIY tão cheia de energia que até isso passa pelas cartas que envia. A que recebia teve um efeito inacreditável em mim - afinal já não recebo cartas de chalados como acontecia antes do advento E-Mail. Seja a fazer bd - Men in Blue (ed. de autor; 2009) - ou desenho - Derch (Le Dernier Cri; 2007) - as qualidades de Bertoyas passam pela estética iconoclasta underground e o sem-sentido degenerativo que nos faz perder em referências culturais várias mas que nunca nos deixam outra opção a não ser o desnorte narrativo. É mais para ver do que ler dirão, não digo o contrário, embora seja divertido de ler e de ver. Suspeito que o autor deve ser um hiperactivo que não pára de criar 24h sobre 24h, no Festival de Angoulême deste ano a única exposição que se aproveitava era numa casa particular cheia de desenhos por todo lado - era a exposição do Bertoyas... yup, man! Salut, pá!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Woofer Takeover Jubilee

André Lemos
Cotoreich , 2012

Enquanto o seu proejcto editorial Opuntia Books está dormente, André Lemos não está assim tão parado. A provar é este novo título (mais um daqueles títulos de extravagância criativa, apanágio do autor) que foi realizado pela editora / atelier de serigrafia Cotoreich, de França.
A Cotoreich como projecto segue o enorme movimento de livros gráficos / livros de autor que existe nesse país, em que o colectivo Le Dernier Cri seja o projecto mais conhecido à escala global. Não significa que outros projectos em França sejam inferiores ao Dernier Cri, seja em conteúdo ou na técnica. Este livro de Lemos é prova disso, seja pelo impacto luxuoso que sobresalta logo à primeira, pela qualidade do seu trabalho enquanto artista, e já agora, porque andam todos entesados com a crise, mantendo uma acessibilidade monetária para quem gosta de objectos únicos. Todo ele é impresso em serigrafia, com objectos encontrados e outros extras... Aliás, são dois livros na realidade (cada caderno é agrafado à lombada) que ainda incluem mais dois pequenos suplementos dentro dos cadernos principais.
É um verdadeiro labirinto editorial à descoberta do universo de Lemos, onde se recolhe uma colectânea de desenhos variados - alguns nossos conhecidos como um desenho que foi cartaz do Brucutumia e publicado no Seitan Seitan Scum. O tratamento em serigrafia cria outras hipóteses para os desenhos, ora pelas vibrações e texturas das tintas, ora pela sobreposição de desenhos diferentes que oferecem novas leituras, para quem achar "batota" a reedição de imagens já "conhecidas".
Este livro dá o devido tratamento merecido a um autor ignorado em Portugal. Nada como o olho franco-gráfico para resolver a injustiça. Quem quiser continuar a ser preguiçoso advertimos que os 80 exemplares deste livro devem estar quase a esgotar... Depois não é "que pena" que deverão dizer mas antes "hélas"!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

ccc@HELLsinki-&-komikazen or how Portuguese and Italians work together...

Chili Com Carne editions and other great Portuguese labels like Imprensa Canalha, MMMNNNRRRG [site not working due to server problems!] and Opuntia Books, will be sold at the Canicola stand in the Helsinki Comics Festival.
...
In October, Marcos Farrajota and Filipe Abranches will be present in Komikazen. They'll have a exhibition along with other artists and also other two Portuguese comics authors: with Janus and Marco Mendes.

KOMIKAZEN: 3rd INTERNATIONAL FESTIVAL OF REALITY COMICS
European Comics Cartography
From the 12th to the 13th of October, the most important European comic writers of magazines and underground Festivals will be on show in Ravenna.

On Friday, the 12th of October, the 3rd International Festival of Reality Comics will open with a workshop involving authors and promoters coming from all over Europe. Authors of well-known magazines like Strapazin (Switzerland), Babel (Athens), Glomp (Finland), Chili Com Carne (Portugal) and new self-productions coming from new members of the EU, like Romania, active with the magazine Hard Comics and with various festivals, will participate at the meeting at the Albergo Cappello in Ravenna. For the first time in Italy, there will be the young authors of Stripoteka, a Bosnian collective based in Sarajevo. It will be a very important day to closely get to know stories and projects of European Magazines editors and to organize a common plan for the future (authors exchange, exhibitions…). The participation in the event is open to the public upon registration.

The Festival highlight will be on Saturday the 13th of October, with the opening of the collective exhibition European Comics Cartography at the Museo Nazionale of Ravenna. This prestigious institution hosts an exhibit of about 50 European authors working in all the invited magazines. The exhibit opens up to a virtual journey, through the youth imaginary, in Europe, a country that widened its borders allowing the flow of comics’ styles and stories.


At 3.30 p.m. there will be the meeting with the author of Martin Luther King, Ho Che Anderson: this Canadian author will present the book, published in Italy with Becco giallo in the Mirada gallery, and will show his original plates at the Biblioteca Classense. A masterly biographical work, which closely follows the light and shade of the Afro-American leader and points out how everyone seems to have forgotten about the political lab of non-violent conflicts. Considered the most important Graphic Novel after Maus, it is a book that touches the boundaries of the political essay, the annotated biography and the novel.

At 7 p.m. on Saturday the 13th, there will be the prize giving of the GAER (Giovani Artisti dell'Emilia Romagna) selection, comics’ section 2007 in the exhibition room of the Assessorato Politiche Giovanili. The commission chose Marino Neri (Modena) and Leonardo Guardigli (Massa Lombarda - Ravenna) as the young authors whose works will be published (Kappa Edizioni and Centro Fumetto Andrea Pazienza). On show there will be 10 authors coming from Emilia Romagna.

In the same room there will be the exhibition Honey Talks, organized by the Slovenian magazine Stripburger and promoted by the Slovenial Cultural Department. A work in between comics and anthropology. The decorated beehives of the Slovenian beekeepers inspire the original plates. Anke Feuchtenberger, Danijel Zezelj, Rutu Modan, Matthias Lehmann and many others artists took part in the project.


At midnight the collective from Marseilles Le Dernier Cri, will inaugurate at the Mirada gallery, with absinth tasting and live music. The Stakhanovites of limited edition books create a wild chaos of anomalous esthetic. On show and on sale their original serigraphies, the latest fashion.

The 13th of October festival events will intersect the Notte d’Oro Festival, organized by the Ravenna Municipality and by the city centre shopkeepers. Artists will go around town to draw books, show videos and surprises and Ravenna will be an open city until dawn.

The exhibitions will stay open until the 15th of November, except for the Dernier Cri that will close the 6th of November.

For the closing of the Festival “L'uomo cane suda olio” – personal exhibit by Stefano Ricci, opening the 10th of November at the Mirada gallery. Stefano Ricci is in Ravenna for a project with Ravennateatro.

For biographies and information about the festival, the authors on show and guests contact:
www.mirada.it/komikazen

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Respetroll (Solotroles #3)

v/a
Pilas; Fev'09

Zine gráfico do galego Pilas - que conhecemos na Mula Ruge, participou no MASSIVE e reencontramos em Vigo durante a nossa CCC Freak Tour.
Fotocópia chunga, formato A5, cheio de desenhos mal-paridos em pleno Free style para desenhar o que se quisere como se quiser. Acho que o tema é "gajas feias" não faltando vaginas e peitos mutantes por aí a fora... só vendo mesmo... é um zine, caramba!
Mostra sobretudo que os galegos estão no zeitgeist da produção gráfica Pop surrealista onde podemos meter no mesmo saco a street-art, toy design, cultura pop iconoclasta propagandeada pela Juxtapoz, materializada pelo Fort Thunder, a revista Argh! ou pelo colectivo Le Dernier Cri,...
Já era tempo de vir da Galiza algo assim, os "irmãos" galegos eram uns chatos nestas questões da ilustração e bd. Viva los Troles, tío!

Oferta na compra de qualquer número da Argh! ou dos livros do Le Dernier Cri já que ninguém terá coragem em gastar 2 eur numa publicação escatológica lo-fi!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Angoulême report / off

E mais um ano houve um Off ao programa oficial do Festival de Angoulême. Criado há 3 anos pelo Le Dernier Cri têm-se mantido e crescido este evento essêncial para festa e descoberta de editoras e colectivos alternativos ao grande circo das tendas mercantilistas do Festival.
Este ano alugaram um espaço comercial no centro da vila onde estavam cerca de 20 editores, entre eles a Chili Com Carne.



O cartaz foi obra do Mattt Konture, autor que tem uma carreira enorme, importante e influente mas sempre à margem dos focos da fama. Também foi realizada uma exposição com trabalhos dele no espaço do Off e exibido um documentário sobre o seu trabalho.



Eram três salas de excesso visual mas com menos lixo comercial, onde se encontravam também sérvio-croatas (do Komikaze) e a sueca Wormgod.



A banca da Chili Com Carne... O best-seller (mais uma vez!) foi o disco dos Çuta Kebab & Party - acho que vamos parar de publicar livros e zines!!!

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Há uma estrela nova na Chili Com Carne... serigrafia esgotada! & últimos exemplares


RUBI é uma colecção nova da Chili Com Carne dedicada a romances gráficos à escala global. Mas sobretudo será uma selecção criteriosa de Romances Gráficos, para contrabalançar a literatura "light" que tem inundado o mercado português nos últimos sete anos.

O primeiro título desta nova colecção é Sírio de Martin López Lam (Peru/ Espanha) que saiu na Raia 3 (2018), em que o autor esteve presente. Sírio foi originalmente publicado em Espanha, pela Fulgencio Pimentel em 2016. Traduzido para português por Ana Menezes. Editado por Joana Pires e Marcos Farrajota e publicada pela Associação Chili Com Carne. 

Foram impressos 500 exemplares deste livro, dos quais 100 exemplares oferecem um ex libris assinado pelo autor, se for adquirido directamente à Chili Com Carne.

À venda na nossa loja em linha e na BdMania, Kingpin Books, Tigre de Papel, Linha de Sombra, Snob, Língua nos Dentes e Matéria Prima.

Que raio de capa é esta? É a capa e a sobrecapa!

López Lam (Lima, 1981) acompanha um casal que passa uns dias perto do mar aproveitando a época turística baixa, numa casa de uma dessas urbanizações no meio do nada, um não-lugar em que o seu isolamento quase total submete as suas possibilidades de comunicação e as suas personalidades a uma espécie de prova de fogo em que o tédio e o mistério são os catalisadores das suas horas, distorcidos apenas pelos ruídos (grande representação onomatopeica da natureza!) e pelo crime sem grande explicação que acontece na casa do lado. 
Felipe Hernández Cava 

É como o hotel gerido por Ava Gardner em A noite da Iguana (1964) de John Houston. Transforma-nos numa personagem ativa dentro de um espaço passivo, em que acontecem as coisas e onde somos meros observadores, não por vontade própria, mas pela vontade do autor. 
Miguel A. Pérez-Gómez 

...


Martin López Lam [Lima, Peru; 1981] é duplamente Licenciado em Belas Artes, tanto no Peru como em Espanha, onde reside desde 2003. quando não está a brincar com susto, o seu cão, divide o seu tempo entre o desenho, impressão em serigrafia, auto-edição (as maravilhosas Ediciones Valientes são dele!!!), BD e eventos de edição independente (é um dos fundadores do Tenderete, em Valência).

Tem recebido vários prémios, foi o importante "Premio Internacional de Novela Gráfica Fnac Salamandra Graphic" de 2018. Publicou em várias antologias internacionais: ARGH!, Qué Suerte! (Espanha), Puck Comic Party (Itália), Carboncito (Peru), Mesinha de Cabeceira (Portugal), Kus! (Letónia) e Kuti (Finlândia)...

Apesar de ter participado em vários eventos de edição independente (Feira Laica e Feira Morta) ou ter divulgado imenso as artes gráficas portuguesas em publicações ou eventos (como o Tenderete), o seu trabalho só foi publicado em Portugal no livro colectivo Boring Europa (2011) e no número 23 do zine Mesinha de Cabeceira (2012), ambos pela Chili Com Carne. Faz-se agora justiça com este Sírio.

Bibliografia Parte de Todo Esto (De Ponent, 2013), Sírio (Fulgencio Pimentel, 2016; Chili Com Carne, 2018), El Título No Corresponde (Valientes; 2016), Ensalada Mixta (Le Dernier Cri; 2017) Colectivos (selecção)  Boring Europa (Chili Com Carne; 2011), Mesinha de Cabeceira #23 (Chili Com Carne; 2012)...












Foi feito um Ex libris limitados a 100 exemplares para este livro lindo! ESGOTADO! Aliás, Martin López Lam aproveitou a sua presença em Lisboa para o lançamento de Sírio e para a execução de uma serigrafia pela Oficina Loba.





FEEDBACK

 o livro é uma excelente edição - parabéns!
A. Silva (email)

é sem dúvida o melhor livro publicado pela Chili que já li! Ficção bem feita, que mantém a tensão e o mistério até ao final. Lembrei-me imenso de uns contos do Ballard passados precisamente em estâncias balneares em Espanha ou nas pensões e ruas desertas de Cocoa Beach onde não se percebe se houve um colapso civilizacional ou o fim da época alta. Assim que comecei a ler tive a noção de que a narrativa não iria trazer grandes surpresas, mas digo-o no bom sentido. Isto absorve o leitor pela sua estaticidade e por sabermos que as personagens se encontram num beco sem saída, ainda que inscrito numa paisagem aparentemente cheia de espaços abertos. Talvez por isso eles se percam quando tentam sair dela. Fim do mundo. Graficamente é incrível.
André Coelho (email)

Basta um relance para se perceber o teu dedo editorial neste objecto que é bem distinto, quase uma peça de artesanato, cheio de melancolia, sonhos febris e contemplações interiores a entrecortar o silêncio e a desolação dominantes. Julgo que o grafismo dificilmente poderia ser mais eficaz a ilustrar todos esses ingredientes, por forma a que a relevância das ambiências e das sensações se sobreponha à narrativa. E no final soa de facto como uma viagem a uma constelação estranha e distante...
Nunsky (email)

Como refere Álvaro Pons, Sírio destila força, sendo uma narrativa visceral e em estado puro, esmagadora.
Bandas Desenhadas

Desenhado em tons de azul e amarelo, Sirio foi descrito pelo autor, numa entrevista à agência Efe em 2016, como um 'thriller' que se mistura com uma teoria filosófica sobre a vida e a morte, o amor e a apatia. "Desde início a intenção da banda desenhada foi mergulhar o leitor numa espécie de experiência narrativa que suporta a história, porque o argumento é bastante pequeno e pode resumir-se numa frase. Mas não tive a intenção de contar uma sucessão de anedotas, reflexões ou acções; tinha de ser algo como uma não-acção, uma anti-história", disse o autor na mesma entrevista, quando o livro saiu em 2016 em Espanha.
Lusa / DN

Na Lista de Melhores Livros de BD de 2018 do Expresso
Sara Figueiredo Costa

5 estrelas no Expresso

(...) recuperado o fôlego, que a coisa acaba em alta voltagem cinemática –, nos assalte a tentação de declararmos que em Sírio o verdadeiro personagem principal é a paisagem. Não chegando a tanto, diríamos antes que o fulcro deste livro é o efeito entrópico da paisagem – ou ambiente – em dois personagens, que se deslocam até esse outro lugar já munidos de uma semente de dissolução. Ora esta paisagem é composta por onomatopeias de bichos perdidos, uma rede sobrenatural de luzes na noite, sombras a crescerem sobre ervas que parecem destinadas a engolir tudo, pelo menos uma nuvem obscena e, por entre tudo, viscosa, a canícula que embrutece. (...) 
António da Cruz in A Batalha

A forma como Lam joga com o silêncio, o tédio e um mistério de homicídio tornam este livro numa peça indispensável a todos aqueles que gostam de ver novas e distintas explorações na linguagem da BD.