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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

R-aging Planet


[f.e.v.e.r.]: "4st"
v/a: "E se depois... Tributo a Mão Morta"

(Raging Planet; 2007)

O paradigma de produção de música urbana dos últimos anos tem sido o que foi criado pelos horrorosos Blind Zero: cópia de modelos existentes, profissionalismo, bom trabalho de imagem e boa produção sonora. Diferente da produção dos anos 80: originalidade, amadorismo, qualidade flutuante de imagem e de produção sonora. Tendo ultrapassando o ano 2000, onde estamos nós no que diz respeito à música urbana?
Com raras e cristãs excepções, o panorama tem se afundado no profissionalismo e imitação de modelos, o que se considerarmos que a democratização da tecnologia trouxe gravações e embalagens tão profissionais que nos dias de hoje ouvir uma banda de Death polaca amadora ou uma alemã editada por uma editora comercial ou uma banda da Guarda é a mesma coisa. Serve Death como para Emo ou Indie ou outra coisa. Apesar de tudo vão aparecendo as tais excepções ou ainda bandas que tem como modelos menos vulgares no mercado português. Os [f.e.v.e.r.] estão na fronteira disto tudo por fazerem um "melting-pot" de Rock pesado, Pop meio-gótico e acompanhamento electrónico, apesar de não ter muitas referências em Portugal já as ouvimos noutros lados, sobretudo lá prás "américas" com os KMFDM ou Linkin Park ou qualquer banda que cante por cima de Riffs pesados e loops... Talvez por isso que [f.e.v.e.r.] possa soar a "novo" neste retângulo ibérico e que se esta banda conseguisse apanhado um "zeitgeist" talvez fosse um sucesso a nível global - ou pelo menos para um mercado norte-americano.
Este primeiro álbum, que é na realidade o quarto registo graças a uma carreira pós-moderna que se fragmentou em dois EP's, um álbum de remisturas e ainda uns dois singles, é daqueles discos que não se deveria colocar um único defeito de tão bombom que ele é: grande produção, som "catchy", ou seja tudo perfeito. Então o que corre mal? Não sei, na essência creio que é a voz, uma lamechice melódica e falsa que se ouve bem em dois ou três temas mas que depois começa a enervar de tão bonitinha que é. Admito que cada vez tenho menos paciência para melodia convencional e beleza caucasiana, se nos EP's ou singles os [f.e.v.e.r.] convenceram-me porque os registos sabiam a pouco, num registo mais longo, tanto dramalhão Emo acaba por levar à saturação suícida. Um destaque para o tema sincopado e funky Clockwork embora seja Prong q.b.

Bem, depois da febre, a mão morta... A banda portuguesa de sempre! A banda que veio dos anos 80 e continua no activo, que sempre manteve um nível alto de originalidade e coerência intelectual. Não podiam ser só os Xutos e GNR a apanhar com tributos, os Mão Morta já mereciam e foi a Raging Planet, uma editora independente super-profissional de Rock que teve "los tomates" de avançar com a ideia. Uma tarefa difícil de realizar dada à banda homenageada ser um monstro da cultura urbana, e apesar da Raging Planet meter logo o pé na poça com a capa nojenta e design horrível do disco, conseguiu fazer um bom trabalho mesmo que não tenha conseguido agradar todos os gregos e todos troianos.
O facto de ter conseguido fazer uma colectânea de 16 projectos bastante diferentes, faz deste tributo um disco eclético como devem ser todos os álbuns de tributo - ao contrário da moda dos anos 90 em que havia álbuns de tributo inóquos como 20 bandas Punk a versionar uma banda Punk sem acrescentar nada de novo, e quem diz Punk, diz Gótico, Metal, etc... Outro facto interessante ao ouvir o disco é perceber que o universo de Mão Morta é elástico o suficiente para ser incluído nos de outras bandas sejam elas Surf, Electrónica, Metal, ao ponto de 99% dos temas escolhidos pelas bandas baterem certo com as ambições musicais. E claro que no meio deste "compacto-caos" haverá sempre o "bom, o mau e o vilão":
1. Desiluções & Surpresas: uma pena os Bunnyranch não terem pegado em algum tema do Vénus em chamas (BMG; 1994)... as As tetas da alienação apesarem de serem tetas não tem sexo para o Rock destes coimbrões. Também se esperava dos Dr. Frankenstein ao pegar em Marraquexe (Pç das Moscas Mortas) um som mais Exotica e não tão Surf. Os Dead Combo (para os quais não tenho a santa paciência) como sempre fazem um tema instrumental, e com inteligência tocam o emblemático Aum, o hino urbano-depressivo dos MM! Bem pensado e bem executado. Os Wraygunn transformaram o E se depois num Blues etnico-psicadélico "mucho cool".
2. Mau: cineMuerte (claro) e Volstad (ambas bandas com vozes melódica-pretensiosas femininas de puxar pelos cabelos... das vocalistas!), The Temple (creio que a crítica de Ricardo Amorim no último Underworld resume a questão com muita ironia, por isso nem vou bater no ceguinho!). O que representa 20% do disco, menos mal embora algumas participações como as dos Acromaníacos e Mécanosphère deixem a desejar por serem rídiculas ou "kitsch".
3. O resto é eficiente e interesante como pegam nas músicas dos MM mas bom, muito bom mesmo são os D'Evil Leech Project, extreme-cyber-metal que transforma Cão da Morte num verdadeiro festim Death-Gore para Headbanging - mesmo no escritório colado ao computador o meu cabelo liso e longo solta-se pelo ar para curtir esta música... O que só prova que esta é uma das melhores bandas portuguesas do momento, mesmo que não tenham novo álbum à 4 anos e ao que parece teremos de esperar por 09.09.09 para ouvirmos o segundo álbum, filhos-da-mãe!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Kill all the white people!

Bizarra Locomotiva / [f.e.v.e.r.]  split-EP (Chaosphere , 2012)

É um vinil de 12" que junta estas duas grandes bandas portuguesas de Rock Industrial, para comemorar o "Record Store Day" - uma daquelas iniciativas à americana que celebrar a existência das discotecas. Sem capa, apenas embalada com um plástico transparente, o disco pretende ser uma réplica dos vinis "white label", ou seja, discos produzidos sobretudo para DJs de Hip Hop e música de dança, geralmente sem créditos editoriais e autoraias para fugir ao fascismo do "copyright" que bloqueia a cultura do "remix".
Cada banda tem direito a dois temas e a edição acaba por falhar as expectativas "brancas" em parte porque o "lado Bizarra" inclui um tema ao vivo, do pouco inspirado Álbum negro, no Musicbox em 2009, sem trazer alguma novidade. Só o outro tema é remisturado pelos [f.e.ve.r.], trata-se de Desgraçado de Bordo, tema do poderoso álbum Ódio (Metrodiscos; 2004) aqui transformado numa alucinante dança pós-Rave... bem feito! O "lado febre" oferece um tema inédito, Golden Rules, tema bizarro q.b. de definir, diria que é uma espécie de "electro emocore" que deixa à toa para quem gosta de rótulos musicais. O outro tema é mais uma remistura de Heaven Dividing Heaven - alguém lembra-se de Electronics (Thisco; 2005)? - desta vez em lógica Techno Hardcore demasiado linear para ter interesse, cortesia de DJ Mofo (dos Bizarra).
Falta ousadia nesta edição, por um lado já estamos habituados aos [f.e.v.e.r.] a darem-nos fragmentos editoriais e acredito que este disco deverá ter sido uma boa ideia deles mas faltou ser consequente e incisivo, como aliás, se passa em montes de coisas em Portugal, repetem-se ideias feitas sem ir até às últimas consequências. Espera-se que o disco no seu limite de 333 cópias venha a valer alguma coisa no... miau.pt.

sábado, 3 de julho de 2010

Perguntas sem respostas...

[f.e.v.e.r.] : Resurrection (Raging Planet; 2009)

Um single, "um lado b", remisturas do tema-single, 4 postais e uma faixa multimedia (que não consegui ver). Tudo isto empacotado numa caixa de DVD (nunca percebi porque os DVD's tem caixas maiores que os CD's...) e prontos! Mais uma peça marada para se tentar compor o puzzle [f.e.v.e.r.], banda de "Electronic Dark Rock" que tem das carreiras menos convencionais no que diz respeito a gravações de discos. 
Começaram com dois EP's, um álbum de remistura, colaborações aqui e acolá... até finalmente gravarem o primeiro álbum. Agora, voltaram à fragmentação em que este CD é exemplo. Pouco adiantam ao que já construiram, ou seja, Rock Electrónico orelhudo que se ouve bem. Claro que quando se faz 5 remisturas do mesmo tema poderá aparecer um certo enjoo, mesmo se puxa mais para o Rave (N3xu5) ou mais para o Electro Minimal (Malaguetta).
Mas o que é mais estranho nesta carreira da banda é tentar perceber, pelo facto de se meterem em todas e estarem sempre a inventar "conceitos", é se tiram mesmo proveito disso? Há mesmo uma comunidade que se interesse por aquilo que a banda faz? Alguém se interessa por todos estes artefactos que vão deixando? Existe alguma estratégia nesta dispersão do percurso discográfico? É para ir envenenando os vários segmentos de mercado? Ou apenas existe o acaso nesta vida da banda?
Mais uma vez seja como for, a banda safa-se bem em pequenos formatos porque nunca chega a irritar - graças à voz demasiada plástica Pop, única mácula que sinto neste grupo... Ainda bem que demoram imenso a gravar LP's!

sábado, 12 de maio de 2007

ccc@Samizdata Club

HOJE, XOTOX + Sci Fi Industries vs shhh..., afterparty com DJ Yggdrasil e Bak_Teria

Um dos projectos mais aguardados no nosso país, a julgar pelo número de aficionados, traz-nos pela primeira vez a Portugal a sua electrónica power noise extremamente apelativa e dançável. Coincidirá com o lançamento oficial do 4º álbum de Sci Fi Industries, "Drafts and Crafts", comemorativo dos 10 anos de carreira e que contêm remisturas de XOTOX, Mimetic, Ah Cama-Sotz, Flint Glass, shhh..., Mikroben Krieg, [f.e.v.e.r.] e Structura.
No Karnart [Rua da Escola de Medicina Veterinária 21, Lisboa (à Estefânia), Metro: Picoas] Entrada 15€ (13€ para associados da Thisco e do Industrial.pt) com oferta do CD de Sci Fi Industries

na banca da Thisco também estarão títulos da CCC à venda

terça-feira, 30 de agosto de 2011

E antes de partir deixo (literalmente) grande música para ouvir...



Gazormass : FuckFranceGermany (Wwilko; 2005)
Langsuyar & Euthymia : Apocalypse Cancelled : A memorial to Anton Szandor La Vey : 1930 - 1997 (Helloutro; 2007)
Traumático Desmame : Electro-mártires (Tapes She Said; 2010)
v/a : Putos Qui a Ta Cria (Laços da Rua; 2006)

De malas para fora do país e claro que nestas últimas semanas de teórica silly-season apareceram-me discos para ouvir sem tempo para tal. Pelo menos são coisas boas q.b. para facilitarem as resenhas críticas... aqui vão rapidinhas!
A começar pelos franceses Gazormass, cujo único registo é um real "FodeFrançaAlemanha" de Grindcore Digital, Power Electronics, Breakcore em velocidade alucinante, extrema e violenta. Imaginem três canais de som a bombarem a altos berros e simultaneamente os mais alucinantes desenhos animados Bugs Bunny, o Techno mais violento e as faixas mais curtas de Napalm Death embora haja coordenação no meio do caos. Uma bela encomenda vinda da loja Staalplaat, ThanksFranceGermany!
Continuando no vinil, finalmente arranjei uma peça editada pelos tótós da Associação Portuguesa de Satanismo (o braço editorial chama-se Helloutro) que existe por 666 exemplares assinados pelo Fernando Ribeiro dos Moonspell (aqui como Longsugar ou algo assim) e Luis Lamelas dos [f.e.v.e.r.] como Euthymia - que ainda recentemente gravou uma poderosa faixa pró vinil da Thisco. Feito para comemorar a morte do palhacito do La Vey, o tratamento é luxuoso sendo o vinil prateado e de 10". Textos de La Vey são recitados em português e em inglês por Ribeiro em cada lado do disco. A parte instrumental é a mesma em ambos lados, sendo ela na linha dos ambientes Dark pós-industriais como Deutsch Nepal e outros apocalípticos - tem força marcial. A grande vantagem do disco é que sempre se pode colocar em rotações mais aceleradas e divertirmo-nos muito mais que os outros 665 pseudo-satânicos.
Os Traumático Desmame "venderam-se" pela segunda vez. Primeiro foi com um engenhoso split-DVD editado em 2008, agora com uma k7 foleira. Em teoria, esta banda sludgecore dizia que nunca iria gravar nada... e pelos vistos não resistiram e aparecem aqui com um concerto gravado no Teatro Passos Manuel em Abril de 2010 - o concerto nº13 intitulado Perturbação Global de Desenvolvimento sem Outra Perturbação. Porque não optaram este título para a edição? A edição é manhosa, k7 branca (um bocado foleira!), impressão da capa em cartão demasiado grosso e burguês, "font" do pior DTP, não tem um lado B... Não é um objecto lo-fi como eram as k7s do Metal / Punk / Hardcore / Noise dos anos 80 e 90 (e que ainda existem nos dias que correm) nem é um objecto de luxo, parece apenas que alguém tinha dinheiro para gastar. De resto, a música do Traumático é aquele slow de final de baile metaleiro em que o vocalista Gamão faz catarse de "primal scream". Não é som para almas sensíveis e o melhor é ver a banda ao vivo. Entretanto gravei uma faixa de Neptune Towers no lado B para não ficar com uma k7 100% estúpida!
O Sócio nº69 ofereceu-me um duplo CD que mo vendeu como um "CD de Hip Hop com putos de bairro"... Pensei que seria um resultado de um workshop com putos tipo sub-16 ou ainda menos. Estava muito curioso... desilusão, a malta que participa tem mais de 20 anos e alguns creio que já são conhecidos na cena Hip hop como Dama Bete e Kromo di Ghetto (!). No fundo não percebo o que metodologia foi aplicada para este disco ou de que forma as comunidades foram envolvidas. De repente parece-me uma coisa "seleccionada" e sem relação com as bases populares, em que juntaram jovens rappers de vários bairros degradados da zona de Lisboa (Marianas, Bairro das Fontainhas, Cova da Moura, Damaia, Alapraia, e Queluz) para dar um exemplo de união às comunidades desfavorecidas do Vale do Tejo. Passado essa desilusão, só posso depois dizer que o CD é muito bom mesmo! Os "beats" e a parte instrumental está longe da fatelada do "Hip Hop Tuga" (Ex-Peão dixit) e as vozes têm força ao ponto que mesmo o horror R'n'N torna-se suportável. Raramente há discos Hip Hop portugueses que dão vontade de dançar e curtir porque andam sempre a centrar-se na voz e nas letras redundantes. Aqui as letras são "positivas" para agradar as instituições camarárias para que os "putos" (negros) não arranjem "problemas" nas suas comunidades marginalizadas mas também não são estúpidas nem tão doces. Só não conseguem é dar a volta aos clichés de quando se fala de SIDA, prostituição, repressão policial, desilusão política, drogas, preconceito racial. Felizmente são rimadas em crioulo "F da vida", não se percebendo toda a moral da mensagem. Há faixas que poderiam ser bandas sonoras épicas de motins de rua. Mas não, a ideia é ter consciência e atinar. Felizmente a edição deste CD não impede que um dia a Baixa de Lisboa ou de Cascais acabe num frenesi de carros incendiados, MacMerdas destruídos (um sonho molhado meu, admito) e outros vandalismos saudáveis como aconteceram em Paris e Londres neste novo milénio à beira da ruptura... Por falar nisso, se considerarmos que este disco é de 2006 e nesse mesmo ano saíram discos portugueses de música urbana que roçam entre o Genial e a Obra-Prima como Limb shop dos Mécanosphère, Máscara (uma obra-prima!) do Ex-peão, a colectânea seminal da FlorCaveira, as estreias de Most People Have Been Trained To Be Bored e Buraka Som Sistema e ainda Resistentes dos Niggapoison, é para dizer "onde estavas tu em 2006?" (Claro que ainda está para vir algo que suplante a melhor gravação portuguesa de sempre, Ke ki Rapasis Kré dos Nigga Poison em 2004). Associação Laços de Rua: Bairro das Marianas, 546, 2775-000 Parede.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Como é possível?

v/a : Metropolis Club 79-89 (Chaosphere + Metropolis Club + Raging Planet; 2009)

Porque odeio tantos os 80's? Simples... porque há 30 anos que oiço os 80's e parece que ninguém tem juízo para achar que em qualquer discoteca ou festa ainda há razões para ouvir a pior música dessa década. Se soubesse nunca tinha começado as Xungas Partys quando os meus pais deixavam-me em casa nos meados dos anos 90. Por alguma razão absurda - e esta colectânea colabora nisso - instituiu-se que os 80's não foram uma década rica em sons. Que não houve grandes evoluções no Punk, no Dub, no Metal (Slayer? por favor!!!), Hip Hop, Industrial (ninguém conhece Foetus?), Indie... Ou seja, querem uma visão limitada de que nesses tempos só houve Pop Xunga (Kim Wilde, Europe, etc...) ou Rock Dark (Cult, Sisters of Mercy, etc...).
Se o projecto até tem a sua piada ao pedirem a bandas nacionais para versionarem o que quiserem do período de 1979 a 1989, a verdade é que fica tudo a fazer a versão tró-ló-ró que nada acrescenta (CineMuerte, Mofo, Secrecy, Tarantula) ou a versão javardada óbvia (Twenty Inch Burial acelera bem o rabo e as mamas à Samantha Fox!), começando pelos Moonspell que dão um tiro nos pés ao fazerem de Love Will Tear Us Apart (Joy Division) - música que já mete nojo porque até nos supermercados Continente se ouve - uma versão tão asquerosa que parece um ensaio de uma banda de liceu. E quando disse começando, é porque o CD abre com os Moonspell... depois disso é o bordel cheio de gonorréia de mediocridade e putedo "kitsch" do pior.
Safam-se os Darks, curiosamente... Os [f.e.v.e.r.] com uma complexa versão de Cure, os góticos Phantom Vision repescam Lene Lovich (quem? exacto! seja quem for não é óbvio e a versão é solida!), N3xu5 que reduz os Sisters of Mercy a Techno Gó-Gó (é nestas alturas que é verdadeira a afirmação: "mais vale ser estúpido do que não ter tomates") e La Chanson Noire que transforma Hollow Hills (Bauhaus) num piano mais voz a caminho do cabaret - interessante, resta saber o que poderá reservar mais esta "Canção Negra" de futuro...
Com este disco é de chegar à conclusão que pior que a "música dos anos 80" só mesmo a da década passada porque apresenta-se sem imaginação, cheia de tiques e profissionalismos que só a levarão ao grandioso buraco do esquecimento. Um buraco imundo e profundo tão funcional como da mesma forma que nos impingem que os 80's foram os Frankie Goes to Hollywood*!
Por fim, resta dizer que o grafismo do CD está ao nível do "Fido Dido Apresenta Mega Remixes'97". Estamos mesmo na discoteca da província portanto...

*Por acaso um versão Doom do Power of Love feita por uns Desire teria ficado giro mas enfim...

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Graphzines.pt

Foi quase uma década quase que exclusiva de produção de graphzines cá em Portugal com a Opuntia Books e Imprensa Canalha a liderarem o movimento... No entanto o ritmo abrandou ou ficaram menos visíveis, não sei porque tirando as publicações daquelas duas saudosas editoras raramente me interessaram os conteúdos dos graphzines portugueses. Recentemente vieram-me parar às mãos algumas peças que acho interessantes. "PT"? Pois, nem por isso...



Xunga Tropik #0 do italiano residente em Lisboa Saba é segundo defenido por ele próprio como: A journey on the [sunny] postfordistik/ postapokaliptik side of the river Cacilhas/ Lisboa 2015. Zine A5 com fotografias de equipamentos industriais abandonados e decadentes que sob um olhar estrangeiro e/ou artístico ganha uma dimensão melancólica e romântica mesmo que os grafitos modernos nas paredes das fábricas destruam esse sonho anacrónico e das ruínas a serem dominadas de forma rasteira e discreta pela natureza. É preciso ser de fora e "apunkalhado" para visitar estes sítios e achar que vale a pena registar de alguma forma embora seja natural esta relação entre o Punk e os detritos urbanos. Outro graphzine de Saba que prova isso, mesmo que o lixo seja digital, é Blitch - sim, como ninguém se tinha lembrado de juntar "bitch" com "glitch" (erros de sistemas de computador e afins)? Também em A5 as suas páginas estão repletas de imagens com erros sistemáticos fazendo estranhas colagens digitais que se o Sniffin' Glue tivesse saído em 2014. Quando um graphzine consegue transmitir um ambiente ou energia vale a pensa ter imagens agrafadas! Estes zines provam que não é à toa que Saba está em contacto com artistas de rua "brutos" como os Cane Morto ou que ele se prepara para organizar um festival de ruído de três dias em que estará presente o nosso Camarada Balli! Tudo gente com pica!


Nem sei o nome deste zine do Binau, será Tatto Fever ou Fanzinélias? Ou será Screaming Shouting Stupid Man? Ou apenas o "zine do Binau"? Não sei nem se dá a conhecer nos sítios oficiais deste ilustrador que muitas vezes encontro na rua a vender desenhos pela dinheiro que quisermos dar. Deve ser assim com os zines dele, não sei, fizemos intercâmbio. Este glorioso zine anónimo é um A6 num papel com uma boa gramagem, o que lhe dá um corpo forte, quente e agradável de manusear. A capa pode alternar de cor como se pode ser pela imagem acima. O trabalho é feito com fotografias encontradas em que Binau passa-lhe tinta correctora e desenha por cima, numa longa tradição que pode ser acompanhada dos trabalhos da Camarada Jucifer, um zine do Burnay & cia até uma capa de Black Taiga - que brevemente verá edição em k7. O resultado é algo cómico na sobreposição com as fotografias que tem quase sempre um ar sério ou a imortalizar um momento importante. É "streeta" e é "naice" mais do que eu pensava. Entretanto já saiu um "volume II"...

Do lado oposto da sujidade DIY + Punk, temos uma Oficina do Cego a sair do armário finalmente! Tem editado um bocado mais do que cadernos vazios e lá encontraram uma Colecção Abstrusa para apresentar algumas surpresas editoriais. Formatinho A6 sempre com alta exigência de trabalho gráfico - mal seria se não fosse afinal de contas é uma oficina para isso mesmo - tem publicado trabalhos muito diferentes desde desenhos de crianças até este pseudo-conceptual (volume 6) Notes iOS de Filipe Matos (aka G3) sobre grafismo digital de ecrãs.
Para um gajo como eu que não usa "fezesbook" nem "aifone" admito este universo passa-me ao lado e parece-me superficial. Acho que preferia um livro com cenas divertidas com gatos porque o que vejo nisto é uma colectânea de piadas para "nerds" tecnocratas. No fun!

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Gente Remota --- ESGOTADO

 




Gente Remota é um livro ficcional que nasceu de quatro longas entrevistas com ex-combatentes anónimos das chamadas guerras de África, conversas que tive em 2014. Não há nada inventado, no que corresponde às experiências de Guerra de Alfredo Jacinto, não teria capacidade para tal. Nem o crime da PIDE, nem a acção salvífica e presença de espírito de Alfredo ao salvar um soldado do colapso moral, nada foi inventado. Limitei-me a baralhar os dados.

Esta é uma pequena história de Portugal, esse país sem problemas de consciência, com uma memória selectiva, ao mesmo tempo sincera e senil.

É uma história de cruzamento de ideias, de confrontos de perspectivas. Eu não estou em lado nenhum, neste livro. Ou então estou em todo o lado.

A questão do racismo é sempre um poço sem fundo. Incómoda, urgente, com ramificações que tocam a todos, profundamente. A minha relação com o nosso passado colonial é múltipla. Eu próprio nasci em Moçambique, rodeado de empregados e privilégio colonial.

Depois veio logo o 25 de Abril, essa tábua rasa a um tempo gloriosa, mas que nos oculta a história e nos iliba de qualquer culpa. Depois veio a primária em que aprendemos a hostilidade contra os espanhóis, e depois o liceu em que nos forçaram os Lusíadas pela goela abaixo. Este livro é talvez o paté resultante.  

A esperança é que sofre. 

- Francisco Sousa Lobo 


23º volume da Colecção CCC, 100p a duas cores, 16,5x23cm, edição brochada.

editado por Marcos Farrajota. Design de Joana Pires.


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Historial

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Obra realizada ao abrigo de uma Bolsa de Criação Literária da DGLAB/ Ministério da Cultura 

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Lançamento no dia 19 de Dezembro 2021 no M.A.L. com apresentação de Sara Figueiredo Costa

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artigo no Público



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artigo na Lusa

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entrevista no Pranchas e Balões

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ESGOTADO, talvez ainda encontrem na Linha de Sombra, Snob, Tinta nos Nervos, Kingpin, Tigre de Papel, Matéria Prima, ZDB, STET, Socorro, Alquimia, Essência do Livro e Stet.

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Feedback

(...) banda desenhada portuguesa maior, adulta e consequente.

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Partindo de entrevistas feitas a quatro ex-combatentes que passaram pela Guerra Colonial, Francisco Sousa Lobo constrói uma ficção que tira o melhor partido da linguagem da banda desenhada para colocar em confronto memórias, ideias feitas, traumas que persistem em não ser abordados. Não é um livro sobre o passado, antes sobre o modo como vários passados – uns colectivos, outros individuais – continuam a assombrar o nosso presente comum.
Sara Figueiredo Costa in Blimunda

Este é um livro desagradável! E ainda bem, porque de livros agradáveis está o Inferno cheio.



Melhor Obra Nacional nos Prémios Bandas Desenhadas

Sem ceder ao panfleto, Sousa Lobo cria uma história actual sobre Portugal e os seus mitos (...)
Sara Figueiredo Costa in Expresso
 
 
O Francisco pegou no século XXI e meteu numa cápsula. Está aqui tanta coisa... As teorias de conspiração dos cotas. Os "neo" coloniais. O jungle fever luso tropicalista. A memória histórica com esquecimento estratégico. As palas nos olhos. A saúde mental dos jovens, em especial dos rapazes, que não se debate nem se cuida. As empregadas domésticas, mesmo as que têm patroas feministas e liberais...
(Se queres levar porrada de todos os lados tenta falar sobre o "fim das empregadas domésticas"... mesmo nos círculos mais pra frentex ... ;) )
Na verdade, acho que tudo isto seria igual, mesmo sem a guerra colonial, mesmo só com brancos. Por essas e por outras não vejo grande utilidade no "white guilt"...
Esta BD é um espelho gigante. Pode ser "ficção" no estilo, mas o conteúdo não é nada ficcional. Demasiado familiar, até.
Miguel Santos (por email)
 
 




quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Electro-White-Trash-tronics

Sci Fi Industries: "Drafts and Crafts" (Thisco + CM Almada; 2007)
Mimetic Collective: "One by one" (Urgence Disk; 2006)
Umbigu: "Anatomia electrónica" (Skud & Smarty ; 2006?)

A música electrónica - ou aquela música que veio directamente do Techno e do Hip-Hop - tornou-se uma revolução criativa pelo mundo fora. Sem saber tocar uma única nota os "DJ's" ou os produtores podem recriar sons pre-existentes ou criar novos via software/hardware e misturá-los até compor... Música. Tal a simplicidade de operação e a acessibilidade tecnológica (ao príncipio com alguma aparelhagem, actualmente com qualquer PC) teve como consequência uma explosão de novos criadores e claro de novos conceitos e novos universos. Até em Portugal, já se comemoram carreiras de uma década, como a da Useless Poorductions ou do Sci Fi Industries que agora edita o seu quarto trabalho em jeito de aniversário mais uma vez via Thisco, uma das mais importantes editoras de música electrónica nacional. Trata-se de um disco fragmentado entre novos temas e temas remisturados por outros: Xotox, shhh..., [f.e.v.e.r.], Ah Cama-Sotz, Mimetic, Mikroben Krieg, Flint Glass e Structura. Nem sempre coerente (não seria necessário) e nem sempre linear (também não seria necessário) os resultados vão variando de intensidade e de energia, chegando ao ponto de alguma saturação - quem continua a encher os 80 minutos vagos dessa tecnologia redonda chamada CD arrisca-se a ouvir destas. E já agora, quem não arrisca num bom grafismo...
Quanto ao Mimetic que fez uma excelente remistura no CD de Sci Fi, em "One by one" compila uma série de remisturas que fez para Column One, Ah Cama-Sotz, Von Magnet (tema que tinha sido já editado num EP da banda), Ab Ovo, Dither, entre mais 10 projectos electrónicos mais ou menos Darktronics e Industrialitas... Ao contrário, do disco de Sci Fi com o qual também partilha "incoerência" e falta de linearidade (serpenteia no Techno, EBM, Electro-flamengo, Ambient entre outros estilos) consegue ter um som mais vivo. [um exemplar deste disco encontra-se à venda na CCC]
Por fim, Umbigu estreia-se com Anatomia electrónica, um álbum inofensivo como o próprio nome do projecto. Calmo e Muzak como se fosse uma banda sonora para um bar da moda feng shui só tem um momento de quebra em Cérebro Analógico devido à voz neo-romântica decadentista do Adolfo Luxúria Canibal. Umbigu vem na linha estranha da "estética do soar bem e bonito" com a qual não tenho quase nenhuma identificação ou empatia. Não perecebo esta tradição pirosa europeia de "Beleza Sonora" que se confunde com o Etéreo, o Harmonioso, o Melódico e o Funcional - como alías acho que tem sido sobrevalorizado os recentes sons da Islândia ou como foram os da Áustria nos anos 90.
Aliás, todos os projectos que aqui se falam sofrem da evasão à entidade mestiça que é a Europa do século XXI, para mim, "cabrito" de linhagem faz-me confusão toda esta "branquitude" num espaço criativo que permite ir mais longe do que electrificar as ovelhas (thank you, PKD) ou glamorisar o betão europeu. Longe de mim, impingir seja o que for a estes músicos mas entre estes projectos e uns Buraka Som Sistema ou Bong Ra, prefiro os últimos porque já sabemos que os caucasianos são os seres humanos mais chatos do planeta.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Comix Remix, parte II

Este artigo serve o proposito de divulgar uma perspectiva nova de fazer Banda Desenhada usando o conceito de “remix” banalizado na música Pop. Na primeira parte do artigo centrei-me sobretudo na manipulação de imagens – “cadáveres-esquisitos”, colagens e “detournement” – que possibilitam usar “matéria-prima visual” pré-existente para obter novas narrativas mas, esqueci-me de outro grupo de experiências – o Drone Comix!


WTF!? Drone comix!

Tira sacada à revista brasileira Animal

O realizador David Lynch chegou a fazer uma série de BD, a tira humorística (!?) The Angriest Dog in the World (1983-1992) que era constituída por uma tira de quatro vinhetas sempre com as mesmas imagens mudando apenas o texto nas vinhetas. Em Salut, Deleuze! (Fréon, 1998) de Martin tom Dieck com ajuda de Jens Balzer (texto), os autores repetem as mesmas nove páginas de uma BD cinco vezes no álbum. Cada repetição apresenta um texto diferente de forma a apresentar as teorias de “repetição e diferença” do filósofo Gilles Deleuze (1925-1995).

Para além destas repetições da mesma imagem (vinhetas ou páginas) também é de se referir casos em que o mesmo texto pode ser reinterpretado como é o de Tatanka (1) dos espanhóis Felipe H. Cava e Raúl, que usam o mesmo texto (de Cava) para ser ilustrada três vezes (por Raúl) de formas totalmente diferentes – a primeira de forma figurativa, a segunda iconográfica e a terceira abstracta. A reinterpretação teve o seu momento de glória recentemente, quando em 2010 o centro cultural “Cidade da BD” de Angoulême produziu a exposição, e respectivo catálogo, Cent pour cent, em que autores contemporâneos criavam uma versão de uma prancha “clássica” que lhes fosse querida.


Agora sim, é a segunda parte deste artigo!


Nesta tentarei mostrar uma segunda tipologia de “comix remix”, desta vez focada nas potencialidades de “misturar” unidades exclusivamente narrativas, como vinhetas, tiras ou BD’s inteiras. Se no primeiro grupo de “comix remix” apresentado, o cerne era a “criação” dirigida pelo artista sem quase intervenção de terceiros, o próximo grupo de exemplos, a BD é oferecida para o usufruto dos leitores ou dos editores, como se fosse um “open-source” em que os autores perdem o controlo (parcial ou total) sobre a sua criação, embora sem o extremismo como acontece na música porque na BD não há ferramentas electrónicas tão simples de manejar como há na música - basta pegar em dois CDs como Project Bicycle (Ache Records; 2006) ou o EP Bipolar (Raging Planet; 2006) dos [f.e.v.e.r], ambos têm uma faixa áudio com os sons separados (samples) da música original para poderem ser misturados por outra pessoa que saiba mexer num “software” como o Fruityloops.

Daí que a forma mais normal de “perder controlo” seja posto sob a forma da leitura da obra, oferecendo ”jogos narrativos” sob a forma de livro (ou objecto ou livro-objecto) ou de instalações em exposições de BD.


Construindo histórias


Em 2008, Jucifer participou num projecto de BD em que se usava “Post-It’s” (2) para fazer BDs originais, posteriormente coladas à parede numa exposição de uma galeria. Enquanto a maioria dos outros participantes fizeram histórias lineares nestes quadradinhos colantes (cada quadrado representava a maior parte das vezes uma vinheta), Jucifer além de ter intitulado o seu trabalho de Post shit (um feito em si, já que a distinguia dos autores betinhos) aproveitou o facto dos quadrados dos “post-it” permitirem ser vinhetas autónomas que podem ser soltas, colocadas em qualquer parte e como tal alinhadas de forma aleatória, como a autora ou os visitantes desejassem! Embora essa oportunidade dos visitantes de poderem mudar a ordem não foi dada durante a exposição, tal como infelizmente, a exposição não foi mais repetida para podermos ter um novo “remix” / nova leitura da história. Mais tarde foi feita uma edição de autor deste trabalho, novamente sem a hipótese de se poder misturar as imagens porque apareceu na forma de um zine agrafado que prendia as “vinhetas livres” à estrutura do códex.


O "Fim do Mundo" de Pedro Franz pronto a ser misturado! 

Já o segundo volume de Promessas de Amor a Desconhecidos Enquanto Espero o Fim do Mundo (edição de autor; 2011) de Pedro Franz é um pacote com vários papéis laminados que permite misturar tudo ao acaso e ser lido como o leitor quiser. O mesmo acontece com a caixa Building Stories (Pantheon; 2012) do “bébé chorão” do Chris Ware, que é constituída por 14 publicações de formatos bastante diferentes e que permitem ler uma história como se fosse um puzzle (3). As várias fases da vida das personagens são esquartejadas nessas tais 14 publicações, ou seja, nenhum desses livros / jornais / panfletos / brochuras tem uma “história completa”, tudo é feito de vários episódios aleatórios, com o típico existencialismo deprimente de Ware. Esse vazio existencial e a legendagem em letrinhas minúsculas que não me cativaram para ler aquilo tudo até ao “fim”, perdi alguma coisa?



Bio 421 aberto à toa...
Há também livros encadernados por argolas com as páginas do miolo cortadas em duas ou três partes, sobretudo no campo da ilustração para a infância como o fabuloso Animalário Universal do Professor Revilod (2003) dos mexicanos Javier Sáez Castán e Miguel Murugarren. Na BD não é assim tão normal mas vão-se fazendo este tipo de experiências aqui e acolá, como um zine italiano que descobri no Festival Crack, intitulado Bio edifício 421 (Lök; 2012) que reúne vários autores de um colectivo em que se pode misturar as suas tiras – três por página – para criar várias histórias diferentes. Para haver um nó narrativo, foi estabelecido a existência de duas personagens e uma estante Ikea para montar, e para “punchline”, uma frase final: Quem mais se ama menos pode amar.

o livro de instruções e algumas bases de copos da Strippble

Literalmente “jogos”, encontramos vários objectos lançados pelo movimento OuBaPo, como por exemplo, o Coquetèle (L’Association, 2002) de Anne Baraou e Sardon, uma «banda desenhada de três dados não ordenados». Já antes, Baraou tinha feito outra BD idêntica, Après tous tans pis (Hors Gambit; 1991) com desenhos de Corinne Chalmeau. Ambas são caixas com três dados, cada face do dado tem uma vinheta. O “leitor-jogador” tem de deitar os dados aleatoriamente, para depois juntá-los resultando numa sequência para ler. Emula portanto uma tira de BD sendo possível obter 216 (6 ao cubo) hipóteses de leitura. Também há o tabuleiro ScrOUBAbles (2005) que ao invés das normais letras do jogo Scramble temos vinhetas para criar pequenas histórias; e ainda DoMiPo (2009) que é dominó, só que invés dos números nas peças temos vinhetas. Na Eslovénia, a equipa da revista Stripburger com as mesmas premissas fizeram o Stripple (2008) mas desta vez com bases de copos! A ideia é colocar as bases de copos numa mesa e procurar combinações narrativas interessantes com as BDs de Matej de Cecco, Sasa Kerkos, Matej Lavrencic, Marko Kociper, Jakob Klemencic e Andrej Stular. Cada autor fez uma BD de seis vinhetas; cada vinheta equivale a uma base de copo, o que permite colocá-las numa mesa e misturá-las entre elas. Nas indicações deste objecto, a organização oferecia um prémio à melhor combinação e indicavam também que os “masters” deste jogo, a dada altura, podem usar as bases para aquilo que realmente servem: para colocar copos e garrafas em cima, de preferência de bebidas espirituosas! Se fores um “bar fly” e “comix nerd”, este é o teu jogo!


ignorem o cemitério escandinavo, topem a estrutura de madeira com a BD de Roope!
Síntese destas experiências todas é Ghost Story, do finlandês Roope Eronen, uma BD publicada na antologia Glömp X (Huuda Huuda; 2009) e ao mesmo tempo uma instalação da exposição homónima. Trata-se de uma estrutura de madeira constituída por quatro paralelepípedos, cada paralelepípedo tem quatro tiras de BD pintadas sobre as faces mais compridas e ao serem rodadas com um manípulo (colocado de lado em cada paralelepípedo) mudam o sentido da “página” – ou seja, com a ajuda do objecto obtemos uma “página” de BD de quatro tiras que giram. Na exposição era portanto uma peça interactiva que o público podia ler as várias possibilidades de ler histórias diferentes. No livro é oferecida a hipótese de recriar estes paralelepípedos recortando as páginas do livro – cada página tem as quatro tiras de cada paralelepípedo. Se for o leitor ainda estiver sobre efeitos do Stripple poderá recortar directamente no livro, danificando um belo livro de BD experimental!


Descubra as 7 diferenças

Em Setembro de 2003 tive a oportunidade de ver os dois suecos residentes em Berlim Max Andersson e Lars Sjunnesson a trabalharem no último capítulo do Cão Capacho Bósnio (4) e foi curioso reparar o tempo que eles discutiam entre eles – ou então o tempo pareceu-me enorme porque não percebo patavina de sueco – por causa de um detalhe de uma vinheta. Depois de um consenso sobre a história e a sua paginação, os autores desenhavam por cima de desenhos de um e do outro. Uma imagem esboçada leva tinta de um ou de outro, mesmo depois disso um dos autores não sabe se o outro irá respeitar o desenho proposto ou se irá colocar ainda mais tinta em cima para fazer mais contraste, alterar a forma, detalhes, texturas, etc… O objectivo de ambos é apresentar uma “BD coerente”, ou seja, que não se consegue descobrir quem desenhou o quê nem mesmo os próprios, que a dada altura acham que quem fez a BD foi um “terceiro autor”. Este é um exemplo da história recente da BD onde apareceu o impensável, duplas de autores que escrevem e desenham juntos, sem haver uma separação de tarefas tão típica da BD ligada à produção industrial em que se criaram cargos especialistas para despachar prazos de publicação: argumentistas, desenhadores, legendadores, coloristas, etc... No Cão Capacho Bósnio, tal como nas “comix-jams”, o trabalho foge ao controlo absoluto dos criadores, embora o processo seja feito pelos próprios artistas. A diferença das “jams” é que aqui vamos encontrar uma “fusão” de entidades enquanto que nas “jams”, vinheta a vinheta, os estilos individuais de cada participante são evidentes.

Apesar de misturar dois médiuns bastantes diferentes, a fotografia e o desenho, é curioso referir outra “fusão” que é Le Photographe (3 volumes, Dupuis; 2003-06) cujas provas de contacto do fotógrafo Didier Lefèvre (1957-2007) são usadas por Emamnuel Guibert para contar as aventuras de Lefèvre na sua primeira missão com os Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão em 1986. Aquilo que identificamos como BD (sequências de desenho e texto) é usada nestes álbuns como “cola” entre as várias elipses temporais das fotografias ou grupos de fotografias – a BD conta o que não se “lê” entre as fotografias. Injustamente esquecido é o trabalho do “terceiro autor” - que ao contrário do Cão Capacho Bósnio aqui é realmente uma pessoa! - Frédéric Lemercier, que fez o desenho da composição das páginas do livro, um trabalho de Designer que deu uma forma funcional ao trabalho. Sabendo-se muito pouco o que foi concretamente o seu trabalho no arranjo das imagens, vinhetas, cor, etc… mas isto lembra como muitos produtores de música parecem “designers” de música, manipulando sons e colando-os para criar uma forma.


exemplo de páginas do "Boring Europa", nesta BD de Marcos Farrajota é usado desenhos de outros autores: Ana Ribeiro, Aleksandar Zograf e Joana Pires

Estas duas características, a “fusão” do Cão Capacho e o “design” do Fotógrafo, são pontos importantes na “BD de viagem” do Boring Europa (Chili Com Carne; 2011). Originalmente a ideia deste livro era juntar os diários de viagem dos seis elementos da Chili Com Carne que entre 1 e 15 de Setembro de 2010 viajaram pela Europa numa turné, como se fossem uma banda de Rock mas ao invés de dar concertos suados andaram a vender livros e a montar exposições. O cansaço da condução de cidade em cidade anulou o desejo de desenhar em quase todos os seus elementos, fazendo a posteriori uma BD colectiva e não apenas um livro de esboços de viagem. Como um dos autores do livro, acumulei também o papel de editor, e a Joana Pires o de Designer, juntos fomos ordenando uma multiplicidade de materiais soltos que fomos acumulando durante a viagem: rabiscos, desenhos da viagem, material gráfico variado, moedas, multas de trânsito, “comix jams”, bilhetes, ilustrações, e-mails,… Gerou-se uma BD “freak”, que fundiu tudo isto numa obra para se ler una. São várias as situações em que usei o desenho de alguém para incluir nas minhas vinhetas. Também tiras de uma BD eram deslocadas da prancha original para outra parte do livro. A preocupação principal era manter uma cronologia de acontecimentos e não se repetir os mesmos relatos de cada uma das seis pessoas envolvidas. Um dos momentos de inspiração para a forma como este livro da turné se organizou foi o encontro com o colectivo austríaco Tonto, de Graz. Na entrevista que realizamos aos seus mentores Helmut Kaplan e Edda Strobl, estes admitem que «temos muitas pessoas no grupo que (…) fazem muitos desenhos mas não BD!». O que Kaplan faz com estes desenhos soltos é justamente misturá-los «dando um sentido a eles…» e criando assim BD’s onde não havia!


Hang the DJ!
Creio que um dos primeiros casos de “DJ narrativo” é Ed, The Happy Clown de Chester Brown, um dos livros de BD mais incríveis alguma vez feito e que tem uma estrutura acidentada e casual, para a qual parece que ainda não há uma edição definitiva. Pego na minha, da Vortex (1992), sub-intitulada The Definitive Ed book, embora a Drawn & Quarterly tenha anunciado a definitiva recentemente. A questão das diferentes edições deve-se ao facto de Ed the Happy Clown ter sido pré-publicada em episódios no “comic book” Yummy Fur e mais tarde compilada em livro. A história que Brown conta foi construída sem querer e talvez por isso não haja um consenso sobre a edição final. Nela vamos encontrar elementos surrealistas como mãos que se soltam por pecados católicos (assunto tão norte-americano), vampiros, pigmeus, defecações ad infinitum, buracos interdimensionais, a cabeça do Ronald Reagan no pénis do palhaço Ed, etc... Estes elementos da história foram aparecendo originalmente em várias BDs separadas e sem relação entre elas, de 1981 a 1985. Algumas delas eram bastantes parvas e juvenis como The man who couldn’t stop, que mostra um individuo numa sanita que não consegue parar de defecar. Até que em 1987, Brown começa a unir personagens, situações e ambientes de várias destas BDs para criar uma história coerente, por mais fantasista que seja.

A história editorial de Ed, the happy clown lembra-nos o que acontece com o Cinema em que muitas vezes há “director’s cut” ou versões cortadas pelo produtor ou distribuidor, ou pior ainda, pela censura! Aliás, algumas edições de Ed, como a inglesa, não incluem algumas das BDs “parvas e juvenis” com medo da censura – materializada em confisco e destruição de exemplares sob acusação de obscenidade como tantas vezes aconteceu naquela ilha de puritanos.

A partir daqui podemos chegar ao relato de três projectos contemporâneos em que o editor é o autor principal (o “terceiro autor”) e em que os trabalhos dos colaboradores são manipulados de forma artística – e não meramente “tecno-económica” como acontece com os editores tradicionais. Estes exemplos têm em comum, o facto de serem publicados por colectivos de autores de BD independentes que editam antologias de BD e decidiram expandir a forma de “editar” para além da simples acção de juntar trabalhos de vários autores para paginar por uma ordem ao longo de um livro. A dada altura acharam que deveriam intervir directamente sobre o material a publicar segundo um instinto, uma história a contar ou uma visão.

Uma página da GIUDA #4 com desenhos de Armin Barducci (1ª e 4ª vinheta), Gianluca Costantini, Darkam e Liliana Salone.
Em Itália, surgiu a revista GIUDA (4 números, Nov’09/Out’12), da mesma equipa que publicava a Inguine mah!gazine, da qual faz parte a curadora e escritora Elettra Stamboulis e que nos explica em que consiste este novo projecto: We wanted to work as an avant-garde of the beginning of the last century: the graphic design remind this, in particular Vienna's Secessionist. Using automatism, aesthetism, casualty, (…) we were coming from [the Komikaze Festival] year of mapping alternative forms of drawing from all over the world (…) and we wanted to produce something completely different. Also, themes are always connected to a geographical representation: a place is always the center of the story, drawn in a different way that traditional Geography, but it's always Geography. From this idea came also the name Geographical Institute of Unconventional Drawing Art.

Contudo, o que difere o projecto de outras publicações de BD é que em cada número da revista existe sempre uma BD com um texto escrito por uma pessoa (as primeiras três foram por Stamboulis, a quarta por Marco Lobietti) e ilustrado por vários artistas – a lembrar as experiências da BD do Joe Meek no Twilight Jamming. Stamboulis explica: There is a huge work of research behind the texts and the images, but there always an idea of fate and strategies that are coming from OULIPO experiences in literature. It's a script with very few indication divided already in squares. Every artist has his/her text to do, and can read the all story, but cannot see what the others are drawing. The artists are always the same, with some new entries, but it's a close collective. O processo complica-se algumas vezes porque there are also some complete pages that are connected to the general story, but they are written and drawn by the artists. Those pages are a kind of subtitle of elements of the main story and they become short stories itself. In the end Gianluca Costantini collects all the drawing and he puts them in the page. With a sort of magic powder of fortune, every time it works as if everything had been perfectly arranged.

Uma página do Futuro Primitivo com André Lemos, Sílvia Rodrigues e Ricardo Martins

Admito que a razão deste artigo foi o facto de ter produzido o Futuro Primitivo (Chili Com Carne; 2011) e ter ficado desiludido pela ausência de reflexão sobre o projecto, mesmo que tenha publicitado que ele tinha falhado. Ninguém me perguntou porque falhou nem sugeriram situações idênticas para analisar. Pois é! Tive de ser eu a investigar e promover estas ideias que estão a ler agora!

O objectivo do projecto era juntar todos os artistas da Chili Com Carne numa antologia em que iria misturar as suas várias BDs para criar uma nova BD – uma “meta-BD”. Para conseguir alguma unidade no livro, foi sugerido um tema comum (o pós-apocalipse) de forma a manter uma unidade estética apesar dos 40 diferentes grafismos que se podiam encontrar; foi pedido uma estrutura de BD de duas tiras por página para se poder deslocá-las mais facilmente do contexto original para qualquer outra parte do livro; e para manter um fio condutor da “meta-BD”, foi ainda pedido aos autores para escolherem um subtema, ou seja, uma lista de avanços tecnológicos na história da Humanidade - da descoberta do fogo à ovelha Dolly. Também se pedia aos autores para não fecharem demasiado as suas histórias de forma que não houvesse finais demasiado auto-conclusivos.

Tal como quando se compra uma nova aparelhagem, ninguém lê o livro de instruções – já Laurie Anderson dizia isso numa música: "o relógio do vídeo fica para sempre a marcar 00:00" – e foram poucos os autores a respeitar as regras do “jogo”. Apareceu toda a espécie de situações, e juntamente com alguns “cadáveres-esquisitos” pedidos a autores cujas cidades iriam receber a exposição (Beja, Roma, Helsínquia, Malmö), estava instalado o caos. O funcionamento do livro falhou segundo as minhas espectativas de “DJ narrativo” (5) que tentou controlar matérias insubmissas... mas para “fora”, a sensação foi outra como prova a declaração desta leitora sueca: I thought one great thing about Futuro Primitivo was that I couldn't understanding all of it. It felt like that was the point, like a global, multidimensional dystopia and you only understand the bit you can see with your own eyes. On the other hand, I think that was my very own subjective reading experience (I understand a little Portuguese but not enough to be sure what the comics were about, a bit like dreaming and half-understanding). A exposição também falhou devido à falta de tempo para uniformizar formatos porque a ideia era poder misturar as tiras de BD no espaço das exposições tal como o Post Shit. Com o cumprimento dos prazos para ter a exposição pronta em festivais de BD pela Europa e América, não houve “remixes” para ninguém… Fica para a próxima!


Por fim, Tonto Comics é o exemplo que fecha tudo o que se falou aqui, porque o último número (#13, Noise) publicado pela Avant Verlag (2012) fez a ponte entre a BD e a música e os conceitos da “remix”. Este projecto editorial começou como plataforma musical em 1994, daí que tenha sido natural que as antologias Tonto tivessem ligações com a música, sobretudo quando Kaplan assume que usa processos idênticos quer na música quer nas suas BD’s: cut, montage, speed, running direction, superimposition. Kaplan organiza as antologias “com conceitos engraçadinhos” (segundo algumas críticas), numa lógica qualquer que nós não percebermos lá muito bem. É normal encontrar nas páginas da publicação BDs há muito vistas (noutras publicações pelo mundo fora) de autores como Igor Hofbauer ou Marko Turunen, BD’s repetidas não porque haja uma vontade de divulgar estes autores na Áustria (ou Alemanha) mas sim porque estas BD’s têm um valor especial para Kaplan, que segue um programa como se fosse um curador de arte contemporânea. No caso de Noise, ele diz: The material is quite heterogeneous. It has accumulated at my place in the last years (…) Quotes and remixes from the existing material plus additions (…) my own and from others. Partindo das questões da apropriação que a Pop Art levantou em relação ao uso da BD (essa arte anónima e comercial) para se fazer Arte a serio, Kaplan consegue traçar um caminho ou fazer uma pesquisa que coincide com este artigo, interceptando-o com alguns nomes (Max Ernst, Henry Darger e Dice Industries) e com duas novas situações inesperadas que merecem ter aqui um destaque maior.

O motor de partida para o Noise, é que Kaplan fez uma versão de uma página do Jess Collins (1923-2004) que por sua vez misturou nos anos 50 uma BD do Dick Tracy, de Chester Gould. É assim feita uma (nova) referência de artistas que fizeram as primeiras experiências de “mistura de BD”, centrando-se entre o Max Ernst e o Chumy Chumez. Consultem o recente O! Tricky Cad & Other Jessoterica (Siglio; 2012) que inclui o trabalho de colagem de Jess e as BDs “Tricky Cad” e “Nance”, esta última consegue transformar o clássico para toda a família de durões do western “Lance” (de Warren Tuft) numa brilhante orgia homossexual de fazer corar o Tom of Finland.

BD colagem de Jess

Levantei, no início desta segunda parte do artigo, o “problema” (não é um problema, será antes uma dificuldade?) de não haver “software” para misturar BD como há na música, muito ironicamente Kaplan com Edda e Dice Industries inventam e desenharam um esquema de estúdio musical (loops, sinais, volumes, MIDI, LFO, canais mono) para criar no final da “mistura” um grafismo!!! Programadores do mundo uni-vos!

Kaplan, Edda e Dice a gravarem um estilo gráfico!

Dote de poto a tres de Martin Lam


Extra Extra

Talvez não só vivemos um mundo de “copy/ paste” mas também num mundo demasiado rápido. Não só houve a coincidência de eu e o Kaplan estarmos a abordar situações parecidas nos nossos projectos, como outros pelo mundo também andam a explorar estas questões do “remix”. Recentemente tropecei no brasileiro Sama, residente em Portugal, que tem feito algumas BDs usando desenhos soltos que já tinha feito anteriormente, para um texto novo. Experiências destas já todos que fazem BD devem ter feito, claro está. O engraçado é que de repente não é só uma pessoa a exibir este tipo de situações... Outro caso, o Martin López Lam, peruano residente em Espanha, com o zine Dote de poto a tres (Ediciones Valientes; 2013) usa as imagens do seu colossal livro de BD Parte de Todo Esto (De Ponent; 2013) para colocá-las ao serviço de um texto completamente diferente - o que os junta é também que o título de um é anagrama do outro. O resultado é que ficamos na presença de obras gémeas mas separadas à nascença.

Esta é a razão da “remix”, não é fazer tributos ou homenagens ou poupar tempo numa BD nova, aliás, perde-se muito mais tempo a usar trabalho de outros para ficar coerente e autoral. O que interessa é acrescentar algo de novo sobre uma propriedade intelectual que já deu o que tinha a dar assim que foi lançada para o mundo. Quem proibiu o Katz não quer saber disso mas há milhares de pessoas com ferramentas neste exacto momento que podem pegar num dos 14 livrinhos do Chris Ware e melhorá-lo com uma tesoura…


Agradecimentos a Elettra Stamboulis, Sami Aho e Benjamin Bergman. Este artigo foi publicado em Setembro no jornal finlandês Kuti, em inglês com tradução de Ondina Pires.


(1)   Edição em português na revista Quadrado #1, 3ª série (Bedeteca de Lisboa; Jan’00)
(2)   Quadradinhos. Histórias Postadas (Galeria Yron, 2008)
(3)   Já agora, este trabalho de Ware lembra a mesma estratégia fragmentada do romance Vida – Modo de Usar de Georges Perec (1936-1982), um “oulipista” que neste livro conta as histórias de cada apartamento de um prédio mas o livro enquanto objecto é um único volume de 500 páginas
(4) Há várias edições de Bosnian Flat Dog (título original), em monografias ou em antologias, é só procurá-la na sua língua favorita! Em Portugal, foi publicado o primeiro capítulo na Quadrado (3ª série; Bedeteca de Lisboa).
(5) Disfarçado como unDJ MMMNNNRRRG

sábado, 11 de março de 2006

Samizdata Club V HOJE

[Flyer por Jucifer]

Caixa Económica Operária HOJE 22h30

Com:
Ghoak vs Sci-fi Industries, live
Beeper, live
Policuska, dj set electro experimental

- entrada livre -

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Sci Fi Industries vs. Ghoak: MPC2000 vs SL1200, ou seja despique electrónico de sampler ritmico versus prato e vinil. Poucas formalidades envolvem este projecto work in progress que assentará em ambientes decompostos e batidas agressivas.

Beeper é Bruno Mendes, arquitecto de formação e músico autodidacta. Em 2003 edita um CD com 4 músicas que difunde de mão em mão, recolhendo depois as críticas que ajudam à consolidação do projecto. Tendo como base movimentos musicais dos anos 90, Beeper junta o digital contemporâneo com silvos de processadores de 8 e 12 bits utilizados por consolas de jogos e programas de entretenimento. O resultado é a fusão entre ritmos e melodias IDM com uma grande carga tecnológica e a plasticidade de sintetizadores mais tradicionais (dentro do digital), como os chips SID.

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Lançamento da colectânea Shock of this Light pela Thisco e Fonoteca de Lisboa. CD-duplo com temas de Thermidor, Structura, Sal, Beeper, Manifesto, Tarrafa, Saphira, Steamboat, Trauma, Blasaure, Nitya, Zpoluras, Cottonoir, Flat Opak, Slow Soldier, Ghoak, The Beatiful Schizophonic, Mikroben Krieg, Sciencia, Samuel Jerónimo, In Tempus, L´Ego, Rasal.Asad, Sci Fi Industries, shhh..., The Ultimate Architects e [f.e.v.e.r.].

[capa]

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Hélder Castro / Democratização da Arte / Arte Portátil "Transições" (Exposição)
"É um manifesto contra a condição da arte actual, que nos últimos anos abandonou o objecto artístico, em favor do conceito e no fundo distanciando-se das pessoas. As pessoas são e devem ser o fim da arte. As paisagens 12x12cm em platex, são um manifesto para a democratização do objecto e discurso artístico."

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Bancas de discos das editoras Thisco e Base, ilustração e bd da Chili Com Carne.