A apresentar mensagens correspondentes à consulta kovra ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta kovra ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Kovra #6 (Ed. Valientes; 2015)


Não sei como aconteceu mas de repente - não, não não, de repente não, ele tem vindo a evoluir para tal - o Kovra transformou-se na antologia de BD contemporânea mais importante do mundo. Hiperbólico? Também não!!! Com talentos espanhóis, sul-americanos e da Europa centro-oriental enche-se 220 e tal páginas - a "coisa" começou naquele raquítico número de 32 páginas -, com o Design exemplar heio de todas as mariquices desse pessoal (sobre-capas com posteres, papeis de cor, etc...) e com nomes fortes como Igor Hofbauer, Martin López Lam - el jefe de la "coisa" -, Ulli Lust, Diego Gerlach, Pedro Franz, Berliac - yo! façam uma pesquisa só neste blogue para ver o que achamos como eles são OS gajos! - entre outros. E ainda a "nossa" Amanda Baeza - com duas BDs, rica fartura! - o que é preciso mais para achar esta publicação A cena do momento!? O "experimentalismo" figura nesta nova geração narrativa não deixa de haver "tradicionalismos" como é o caso de Lam mas com a vantagem que ele escreve tão bem como desenha, um verdadeiro segredo que deveria ter maior reconhecimento alm do mundo latino... Antologia obrigatória para 2015!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

As serigrafias valentes do Martin!

Para acabar com os "posts" da visita do Martin à Laica nada melhor do que acabar com o melhor, o seu próprio trabalho. Tal como ele brincou na sua biografia: De Valência, cidade onde vive trará (...) edições do seu projecto Gráfica Valiente, que desde o Inverno de 2006 tenta destruir o mundo destabilizando a economia europeia com os seus zines e serigrafias caseiras e, eventualmente, com exposicões. Edita o zine El Temerario, dedicado à ilustração, e Kovra, dedicado à bd.

As palavras citadas resumem os seus projectos principais, o Temerário é uma antologia quadrada de ilustração com uma capa serigrafada. Ilustrações com pica (sobretudo as do Martin) que andam pelo puro hedonismo, pelo quotidiano non-sense e alguma mensagem política (pouca). O zine é super-atraente (pelo formato e objecto) tanto que logo no ínicio da Tour europeia da CCC trocamos exemplares e não chegou nenhum exemplar a Portugal - ficaram todos pela Itália, Eslovénia, etc... 
Sem o sucesso de vendas do Temerário, Kovra (ver aqui a capa do segundo número de Outubro 2010) é muito mais importante. É um zine de bd em castelhano - daí a "falha" das vendas. É a eterna injustiça das "línguas" que nos impede de adquirir publicações que não se consegue ler. Não será o caso em Portugal que podemos ler sem grandes problemas o "espanhol" por isso adquirem antes que se esgote este zine. Porquê o grande alarde? Apesar de não ter o mesmo aspecto profissional das outras revistas de vanguarda como a Canicola ou a Glömp, ou a conterrânea Argh!, julgo que poderá estar ao mesmo nível de interesse e qualidade. A verdade que o aspecto modesto esconde experimentalismos próximos do OuBaPo, o abstratismo, o seguimento da técnica narrativa dos “The Upside-Downs of Little Lady Lovekins and Old Man Muffaroo" (1903-05) de Gustave Verbeek, recuperação do psicadelismo 60/70 ou ainda do italiano Jacovitti. Isto tudo em 56 páginas A5. Uma publicação obrigatória para quem gosta de bd!
Por fim, Martin fez umas marionetes que se puxam a pila ou a língua e os membros dos bonecos levantam-se - ver as primeiras imagens deste "post". A impressão é em serigrafia e a colecção chama-se Jala Jala. Mostra que quando um desenhador e impressor tem ideias mete qualquer "artesanato urbano" no canto da mediocridade.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Kovra #5

Ediciones Valientes; Jun'13

Novo número do zine de Valência, dirigido por Martin López Lam, novamente em formato gordo tal como o número anterior. O enfardanço só se perdoa porque nas suas páginas vamos encontrar alguns doa autores de BD (ah sim, é um zine  de BD!) mais excitantes do momento como os dois croatas Igor Hofbauer e Dunja Jankovic, os aústriacos do Tonto, o francês Craoman e claro o Martin... e pelo meio ainda o "nosso" Rudolfo armado em Crepax do Século XXI e mil outros autores com qualidade.
Kovra perdeu a personalidade do início, como aliás, acontece com todos os que engordam mas também é verdade que os gordinhos costumam tornar-se bonacheirões... Para quem gosta de BD é actualmente a antologia mais importante para seguir!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Kovra #3

 Apesar do isolamento na residência finlandesa ainda recebo zines daqui e dali do mundo. Há algumas semanas foram uns zines dos anos 90 de Nova Iorque, ontem foi o Kovra da Ediciones Valientes. Neste número aparece uma bd do camarada Ricardo Martins também ele exilado, em Barcelona. Pedidos obrigatórios à Bolido de Fuego!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ccc@TENDERETE 3, VALENCIA (ES)


A Chili Com Carne deslocou-se a Valência, nos passados dias 4, 5 e 6 de Janeiro, sob a responsabilidade de Ghuna X, para a terceira edição do Tenderete (uma espécie de Laica lá do burgo). Apresentou-se como o único editor internacional da feira, que contava com cerca de trinta bancas, na sua maioria valencianas e com grande enfoque nas edições fonográficas, ou não fossem os espanhóis admiradores da cultura do "ruído" e da k7.
A feira iria decorrer num espaço recente da cidade chamado "Mutante", por sinal bastante bem localizado, sítio de workshops e exposições com arte contemporânea daquela freak.
Tudo decorria bem, feira a começar ao final a tarde e, a aproveitar o trânsito comercial decorrente da altura festiva (Reyes). Por volta das 22h, já rolava o segundo concerto quando aparece a moina. Feira embargada e, até às 11, foi empacotar tudo de novo, sob o controle atento de dois polícias que iam comendo batatas fritas no bar.
Após alguma discussão entre a organização, lá se mudou a feira para outro espaço: "La Residencia", onde se poderia estar mais a vontade, tocar mais alto bla bla bla. O problema é que era afastado comá merda e não havia outra hipótese que ir de carro/taxi. Ou seja, perdeu-se a véspera de reis, dia mais consumista em terras de Espanha, para as pequenas compras e trocas entre editores.



Resta saudar o grande Martin (Kovra, El Temerario, etc...) pela capacidade de organizar tanta gente tão dispersa e louca, num evento singular.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Valente mas perdido!

O camarada Martin passou-se! O número 4 do Kovra, zine de BD que ele edita via o selo Ediciones Valientes, engordou e perdeu parte da sua personalidade. É científico e está provado que antologias tem este percurso: começam com uma força inovadora, contactam artistas fora da estrutura inicial, engordam o número de páginas e perdem personalidade. Não que a qualidade piore mas apenas deixam de surpreender nas suas páginas - foi o que aconteceu com a Canicola ou Glömp no passado. Destaque para o trabalho de Carlos Maiques que continua a investigar a abstração na BD com técnicas de "cut'n'paste" - que nos remete para o dice industries ainda à pouco tempo aqui referido. De notar que os nossos associados Ricardo Martins e Rudolfo também participam neste número! Less is more? KISS (keep it simple stupid)?


Por falar em abstracto AA (2012) de Ellen Capriota e Aitor Pacnelle é um zine de experiência gráfica em que se juntaram uma série de "glitches visuais" que se podem ler de todas formas e por todos os lados - o zine é um split mas podems folheá-lo na horizontal ou vertical, de pernas para o ar (segundo uma indicação inicial da capa que nos dirige para uma direcção). Abstracção, erros ampliados digitais ampliados para folhas impressas, é um "artsy-fartsy" para designers e hipsters... Desconfio que os traços desenhados sejam do Martin mas ele recusa-se a abrir o jogo!
E por falar nele, o Martin (Lam López) é incansável, tanto que ainda publicou mais um volume da colecção TRRRzine intitulado Cantatas (2011). De sua autoria este objecto é um desdobrável alucinado que prova que o Martin é um desenhador impressionante que mistura as suas raízes peruanas, influências "comiqueiras", experiências gráficas e erotismo sem medos. Adapta duas canções com um desenho que se alarga até ao eterno retorno.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Piru piru piru pompero


Em Valência conhecemos o Martin López das Ediciones Valientes, que editou o zine Combate, e trocamos algumas edições que deverão estar disponíveis para a próxima sessão do PEQUENO é bom!, dia 3 de Outubro (Domingo) na Casa da Achada.
Das suas edições destaco o Kovra #1 (Fev'10), zine A5 antológico em que por apenas 3 euros têm-se acesso a boas bd's de autor que variam entre a crítica social, registos autobiográficos, escatalogia e alguma experimentação. Participam Jorge Parras (do Argh!), Álvaro Nofuentes, Rodrigo La Hoz, Pablo Soto e o próprio editor, Martín López - cujas bd's de vivências urbanas lembram os filmes Nouvelle Vague (pelo desnorte e desepero que a vida moderna trouxe), os ínicios de Jaime Martin (talvez pelo nome e por ser em castelhano, jajajaja) e graficamente o Eddie Campbell. Sem dúvida a melhor publicação que trouxemos de Espanha, que pelo facto de estar em castelhano chegou incólume a Lisboa enquanto todas as outras edições esgotaram-se pela "Europa aborrecida"!


Na estadia de dois dias em Valência, preocupado com o diário gráfico da tournê, achei a melhor solução para poder participar sem os meus desenhos duvidosos era fazer entrevistas aos organizadores que nos receberiam. Assim ao entrevistar o Martin descobri que é do Peru, e claro, comecei a chateá-lo a perguntar pela cena peruana. Arranjou-me alguns zines e livros, que destaco o Carboncito #11 (Dez'08) revista A5 e o livro Y se me presento en forma de Bestia (Contracultura; 2008) de Jorge Pérez-Ruibal, autor que já tinha topado aqui e participado no Último Fósforo. A revista varia entre uma produção amadora (cheia de clichés e muitas vezes a piscar o olho ao comercialismo) e uma produção de autor interessante como a de Manuel Gomez Burns. No meio estão convidados de Espanha (Alberto Vasquez), Colombia (Alvaro Velez) entre outros países latino-americanos. É interessante para conhecer a produção daquelas bandas mesmo que de vez enquando parece que estamos numa máquina do tempo como é o caso da bd David Galliquio, sobre uma banda punk que lembra o Kebra do francês Jano nos anos 80. Já o livro "Bestia" é puro prazer. Junta várias bd's e ilustrações de Pérez-Ruibal, algumas autobiográficas outras 100% maldosas (tipo satânico-escatológicas) a lembrar Kaz e Mike Diana, mostrando que a Aldeia Global está a funcionar a 100%.
Estas edições e outras estarão à venda no próximo Pequeno é bom! mas poderão ser feitos pedidos antes para o e-mail ccc@chilicomcarne.com. Descontos para sócios e ofertas de algumas edições aos primeiros pedidos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Valientes à vista!


Apesar de estarmos a reformular a "shop" do nosso site - logo não queríamos ter mais produtos para complicar o sistema - não conseguimos resistir em trazer do Edita 2011 mais zines das Ediciones Valientes, nomeadamente o último El Temerário (e números antigos) e ainda os dois números do Kovra.
Projecto dirigido por Martin López, este último Temerário participam André Lemos e o francês Albert Foolmoon entre outros ilustradores espectaculares e colaboradores regulares deste graphzine. Refiro estes dois porque foram descobertos por Martin na sua visita à Feira Laica - é bom saber que ela serve para isto!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Laica Last Hour!

ana biscaia


Fechamos a programação da Feira Laica - com a feira per se, filmes de animação e os convidados estrangeiros e respectivas exposições. Mas há sempre situações de última hora! Temos mais uns convidados especiais, nomeadamente uma exposição de Ana Biscaia e ainda a vinda do peruano/espanhol Martin Lopez.

Biscaia (1978) é ilustradora e designer gráfica. Estudou design de comunicação na U. Aveiro, ilustração na Konstfack University College of Arts, Crafts and Design (Estocolmo). Em 2010 foi distinguida pelo júri do Prémio Nacional de Ilustração pelo livro "Poesia de Camões para todos". Tem colaborado com diversas editoras portuguesas e suecas. O livro "O Carnaval dos Animais" foi seleccionado pelo júri do prémio TITAN Illustration in Design.
Este ano participou na nova antologia da Chili Com Carne, Destruição ou bandas desenhadas sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 e ainda no jornal alemão Jungle World.

Como o Martin atrasou-se a confirmar a visita e não poderá ter uma exposição embora isso não seja um problema porque virá cheio de material! De Valência, cidade onde vive trará a excelente revista Argh! e edições do seu projecto Gráfica Valiente, que desde o Inverno de 2006 tenta destruir o mundo destabilizando a economia europeia com os seus zines e serigrafias caseiras e, eventualmente, com exposicões. Edita o zine El Temerario, dedicado à ilustração, e Kovra, dedicado à bd com o segundo número ainda quentinho, além de apoiar outras auto-publicações como Usted de Esteban Hernandez e Buen Dolor de Álvaro Nofuentes. Do seu país natal, o Peru, trará ainda produção desse hemisfério...
Conhecemo-lo na tournê europeia da CCC, foi o responsável pelo mini-zine Combate (entre autores da CCC e autores espanhóis) e irá participar no livro da tournê - mas terão de esperar para depois da Feira Laica porque ainda está a ser feito...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Baku


Carlos Maiques
Col. TRRRzine!, Ediciones Valientes; Nov'11

O Martin é um valente! Além de organizar o Tenderete, distribuir as nossas edições na sua Bolido de Fuego, ser um autor de bd com sumo, um ilustrador impressionante é ainda editor de três zines fabulosos: El Temerário (de ilustração), Kovra (de bd) e agora este TRRRzine! - de bd, formato A6 e baratinho... As condições de muitas colecções do passado: Patte de Mouche (pela L'Association), o Quadradinho (do saudoso Salão de BD do Porto) e mais recentemente o Filme da minha Vida (Ao Norte), etc...
Inaugura bem a colecção com uma bd "abstracta" com possíveis identificações de algo de imaginário de ficção científica e figurações humanas. Caí o rótulo "abstracto", sem querer ser cínico até porque o trabalho é fresco e interessante, mas acaba por ser aproximar mais das desconstruções / colagens / "remixes" do alemão Dice Industries. É curioso que este tema da abstração na bd esteja a ser alvo, nos últimos anos, de publicação e estudo nos EUA e Portugal pelas mãos de Andrei Molotiu (que compilou um livro para a Fantagraphics), Pedro Moura e o Diniz Conefrey.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ccc@tenderete.7

Estivemos no Tenderete (a Laica de Valência) e passado uma semana ainda estamos a aprender a voltar a respirar de tão intenso que foi!

É verdade que os espanhóis têm a mania de imitar tudo, e o próprio cabecilha deste magnífico evento, o camarada Martin Lopez Lam, admite publicamente que se inspirou no Boring Europa e na Feira Laica para ter criado o Tenderete. Ficamos até lisonjeados mas sentimos que fomos ultrapassados dada a qualidade de oferta que vimos naqueles dois dias.

Se calhar, há logo um contexto urbano maior que torna o Tenderete tão potente, é que Valência é uma cidade de artes gráficas, provada por ter ruas com nome de artistas gráficos ou pelo Museu de Ilustração de Valência ou ainda por eventos como a exposição de Ops / El Roto / Rábago na La Nau da Universidade de Valência, justamente todo um oposto a Lisboa que apesar de estar numa latitude idêntica, destruiu os eventos Ilustração Portuguesa e Salão Lisboa, e agora prepara-se para destruir a Bedeteca de Lisboa e a rede BLX.

Se a Laica andou durante imenso tempo a definir-se como projecto, o Tenderete assume-se logo como "auto-edição gráfica e sonora", e mostra sinais de profissionalismo, criando folhas volantes com o programa e a disposição das mesas dos editores. Além de boas edições de ilustração e BD também fomos encontrar boa música, seja do "blues cerdo one-man-show" do camarada Tumba Swing ao "soundart" da plataforma Audiotalaia.



O primeiro tem um novo EP em vinil 7", Lamento Electrico (Calamidad; 2013), que mostra que apesar da pancada pela música do século passado, Tumba Swing sabe ser versátil nos vários tons de Rock'n'Roll; no segundo caso destaco para o CD A Country Falling Apart (2013) de Edu Comelles música ambiental feita de captação de sons, recusando o uso de qualquer tipo de instrumento na elaboração desta música. E tal como Tumba Swing, havia mais malta que divulgava tanto música como livros de autor, como a Bad Weather Press que partilhava mesa com a Orgonomy Records.


Buen Dolor é um fanzine editado por Álvaro Nofuentes e é um mimo para quem curte BD à procura de novas alternativas narrativas e gráficas. Participam uma padilha de autores ligados a um eixo que passa pela Argentina (com o nosso conhecido Berliac), de Valência (entre eles o camarada Lam) e de França, nesta última situação porque Nofuentes estudou em Angoulême. Buen Dolor é um bom companheiro do Kovra, só é pena que os dois estejam parados... porque o último número (o três) data de 2012, o que pode significar que não há mais continuidade ao projecto. O "sexo" (tema deste número) acabou com  o projecto, pelos vistos...

Quem anda cheio de tusa, e se calhar com tusa a mais é o autor do excelente livro Black Metal, Magius. Apareceu com dois títulos intitulados de Murcia, cidade onde reside, e que pelos vistos tem lendas profanas para contar, e depois assina como Yo Perro ou Diego Corbalán para La philosofie dans le boudoir e Eva Braun. Todas estas publicações são a cores, A5 e no máximo com 12 páginas, não têm numeração nem se percebe continuidade caso haja. La philosofie é uma BD que pega no Marquês de Sade e que parece que continua em duas páginas em Eva Braun que é na essência um caderno de esboços do autor e uma fotonovela de um gajo Black Metal a violar (?) uma hipster numa loja de discos (???). Confusão editorial e mental que apela a estarmos atentos ao que se passa no blogue oficial deste tipo muito muito estranho porque se prepara uma magnum opus então temos de esperar com sapiência e veneração! Hail Magius!



Incongruências mais fáceis de explicar são os desdobráveis em acordeão do El Monstruo de Colores No Tien Boca que publica sonhos (ou pesadelos) de crianças ilustrados, a lembrar o conceito de Duplex Planet Illustrated de David Greenberger que recolhia histórias de velhos em centros de dia para depois transformar em BD. Se o início destas publicações eram modestas - o mais antigo que tive acesso, o número 2, The King / El Rey / Le Roi (2010) ilustrado por Mitch Blunt - em formato 10x10cm a preto e branco, os mais recentes o formato não só aumenta (para cerca 15x15cm) como é adicionada uma cor como acontece com Inside my hair / Dentro de mi pelo (#26; 2013) por Thomas Wellmann. A colecção parte sempre de seis sonhos sacados a crianças por Roger Omar entre o México e Valencia -  o editor é mexicano e vive em Valência - mas também há um número com uma criança de Israel - #24, Lie Die / Mentir Morrir (2013) de Fitnat e Roni Fahima (i). Também há excepções como é o caso de Best Friends / Mejores Amigas (2013) de Mireia de Oliva e Wren McDonald (i) e Más Grandes y Viejos / Bigger and Older (2013) de Maria e Amanda Baeza (i) que são nitidamente "fora de colecção" porque ilustram apenas um sonho. São também os melhores deste projecto porque são mais sequenciais e narrativos permitindo que o texto seja explorado de forma mais alargada. Nos outros números, uma página representa quase sempre um sonho e uma ilustração tendo menos impacto. Ainda de referir que participaram neste projecto o português Pedro Lourenço (#11, El Mago / O Mágico / The Magician; 2011) e o moçambicano Rui Tenreiro (#14, Espada y Escudo / Sword and Shield / Espada e Escudo; 2012). Por fim, os sonhos das crianças mexicanas são muito mais violentos e mórbidos que as crianças de Valencia. E quando digo "muito mais"...

Arròs Negre Fanzine (4 números; 2011-13) lembra muita coisa (como a Lapin, Zundap ou ainda a linha estética da No Brow) por causa da sua elegância gráfica e impressão a duas cores. Interessam-se por banda desenhada, ilustração e tipografia mas também por temas sociais ou políticos como se pode verificar pelos temas de cada número: Beltor Brecht, os árabes ou a Espanha republicana. Chama-se fanzine mas parece uma revista literária numa altura em que pensamos que nunca mais irá haver tal coisa como a "nossa" saudosa Quadrado. Talvez seja mesmo um fanzine pelo facto dos trabalhos ainda serem um bocado verdes talvez porque os colaboradores ainda sejam estudantes da Universidade? [como sabemos os estudantes nos dias que correm são a massa menos contudente do planeta, já lá vão os tempos que o Estado tremia com as manifestações de estudantes] Talvez não deveria chamar-se "fanzine" porque acaba por ser pouco contudente, excepto o número dois porque pega em Brecht!

Mob Rule (Dez'13) é um fanzine literário mas que o editor e escritor Alejandro Álvarez Fernández não teve medo em pegar em nove ilustradores valencianos - ligados a estes projectos aqui divulgados como Jorge Parras (da extinta Arght!), Martín López Lam (ed. Valientes), Álvaro Nofuentes (Buen Dolor) ou Elías Taño (Arròs Negre) - para participarem. E não apenas de uma forma óbvia de ilustrar partes dos textos mas fazendo até BD e obrigando o texto a ficar preso para sempre das imagens - temos de aplicar esta fórmula nos nossos livros literários um dia destes e sermos nós a imitar os espanhóis! Interessante...

Por fim, deixo a glória editorial final para o camarada Martin López Lam, que não lhe falta capacidade de provocação, experimentalismo e empreendorismo. Bem sei que a última palavra é repugnante nos dias que correm porque parece que todos nós, por falha total do sistema capitalista, temos de ser todos chico-espertos que devem correr à frente de todos. Ora como sabemos, se o sistema sempre afirmou que há líderes e seguidores e que não há espaço para todos serem o número 1, o empreendorismo que se promove nos dias de hoje parece antes um "socialismo" para tolos. Martin por acaso até podia ser o número 1 ou um líder porque não está preso aos formalismos espanhóis desta Europa cansada, uma vez que o autor é peruano de origem. Este facto, e a sua emigração para Espanha, dá-lhe uma liberdade de pensamento e de acção que ultrapassa os outros valencianos sedentários. Daí que o Tenderete seja obra sua ou as Ediciones Valientes sejam mais cosmopolitas, atentas ao mundo para além do bairro e surpreendentes como provam as duas belas edições acabadas de sair. O número nove do El Temerário mostra como deve ser um "graphzine"! Duas cores e num formato maior que o A4 que é para os desenhos terem poder de nos causar perturbações! Se há muito que estou farto de ver graphzines (sobretudo portugueses e do Porto!) com este novo número voltei a ter fé neste tipo de publicações cheias de desenhos. Assim sim! Depois há o Chemtrail, um desdobrável que pode dar em poster mas que na realidade é uma BD feita de acasos imaginativos e manipulação digital drogada. Um produto a afastar das crianças, não por cenas explícitas mas porque as cores podem fazer danos mentais! Gracias Martin!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Parte de todo esto


Martín Lòpez Lam
De Ponent; 2013

As pessoas são burras, estúpidas, egoístas, complicadinhas, fodidas da carola seja em Lisboa, ou no Porto, em Barcelona ou Valência, Lima (no Perú) ou Ponte de Lima já agora. Este é um livro sobre isto. Quer dizer, não é... é sobre pessoas, as suas relações com outras e o meio que as rodeiam. Se calhar nem é isso, na realidade é uma forma do autor falar sobre a sua relação com o seu país-natal, o Peru - Martin emigrou para Espanha, para a cidade de Valência, há uma década e tal.
Talvez as suas histórias em Lima poderiam ser as mesmas que se fossem em Lisboa - as pessoas são as mesmas em todo o lado, a diferença é que em Lima de vez enquando explodiam bombas implantadas pela Sendero Luminosa, uma organização terrorista de teor marxista que operou no Perú entre a década de 80 e 2000. Não havendo feridos dessas bombas nem se querendo um retrato jornalístico ou antropológico, é a forma como se vive e como se conta que faz a diferença, dentro de uma tradição de raiz latina-americana na BD onde vamos encontrar os irmãos Hernandez e o mestre José Muñoz. Martin apesar de novinho e só com este livro já se meteu ao lado destes! Só lhe falta a fama e respeito que os outros têm! Como é possível?
O livro é pesadão com as suas 200 e tal páginas cheias de tinta da china à pincelada - a lembrar o registo gráfico do belga Joe G. Pinelli - num tamanho de álbum que deverá meter inveja a muito francês tosco. O livrão junta várias BDs - algumas ensaiadas no seu zine Kovra - que são fragmentos autobiográficos e auto-ficções de Martin na sua juventude nos anos 90 no Peru. O texto é tão pesado como o livro porque não obedece à regra comercial da BD do pouco texto mais imagem tão em voga nos dias de hoje mas também não escreve para ser redundante - o texto não repete a imagem. O teor literário desta obra pode ser encontrado em outros autores de BD que também partilham a autobiografia como Eddie Campbell (o seu trabalho com Alec), Fabrice Neaud e o referido Pinelli ou a auto-ficção como Adrian Tomine nos bons velhos tempos do Optic Nerve. Não se sabe onde está o Martin nas várias personagens que aparecem nas BDs, não sabemos se ele é tão cínico nas suas opiniões pessoais - tudo diria que sim a julgar pela sua participação no Boring Europa - ou se é tão tarado pelo sexo oposto (idem idem aspas aspas) como se vê e lê com as personagens do livro.
A beleza do livro é como todos os pensamentos dessas personagens, alter-egos de Martin, vão criando um sentido e uma resposta final sobre o que Martin pensa sobre o seu passado. Se ele alguma vez o Martin voltar a Portugal para alguma feira de edição independente (esteve duas vezes na extinta Laica) não lhe perguntem pelo Peru mas comprem-lhe este livro, sff.

Este é para mim já um dos livros de BD de 2013. E não é à toa que é um livro que serve para várias interpretações. O próprio autor já tratou até disso publicando o Dote de poto a tres (Ed. Valientes; 2013) descrito como um «zine improvisado e realizado a partir de desenhos e vinhetas da BD "Parte de todo esto", do mesmo autor junto a outras imagens encontradas».
Trata-se de um "comix-remix" sofisticado de reaproveitamento de imagens com um texto completamente novo. As estruturas narrativas de Parte de todo esto não influenciam em nada este novo trabalho, o uso é exclusico sobre o(s) desenho(s) para contar algo diferente, tanto que a "literatura" de Martin prevalece sem ter-se de vergar à figuração humana para avançar o texto. Obra independente do "livrão", não é preciso o grandalhão para "perceber" este. Genial!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vai uma revisão da edição independente de 2012?

O passado

2012 é, pelos vistos, o ano de “nostalgia” ou recuperação do passado, situação inédita na edição independente quase sempre mais interessada em mostrar trabalho novo e seguir em frente... São gestos muito simples mas interessantes de assistir. A El Pep reeditou várias BDs de Fernando Relvas, figura singular na BD moderna portuguesa, publicadas originalmente no jornal Se7e nos anos 80. Sangue violeta e outros contos é um acto de recuperação patrimonial da BD portuguesa que por si só reveste-se de enorme importância. Muitos especialistas da área da BD queixam-se que a BD é uma arte que não tem memória e percepção da sua própria história, situação que para ser contornada passa (também) pela republicação de material antigo. Tal como em 1998 foi a Associação do Salão de BD do Porto que recuperou o L123 (seguido de Cevadilha Speed), eis outra estrutura “amadora” como a El Pep a fazer o papel que as instituições públicas ou as casas comerciais deixaram de o fazer, colmatando (de forma aleatória, ligeira e incompleta) o final do programa de reedição de BDs perdidas em periódicos como a Bedeteca de Lisboa fez de 1997 a 1999 com os sete volumes da Colecção Bedeteca (co-edição com a BaleiAzul). Felizmente o esforço da El Pep já ganhou algum respeito institucional ao receber o “Prémio Clássicos da BD” na BD Amadora.

Comemorou-se os 20 anos de existência dos fanzines Cru e Mesinha de Cabeceira (MdC). Estas comemorações tiveram pesos e medidas diferentes mas em comum trouxeram novos números de cada título. O Cru teve como último número o 13 – saltou o 12 não se sabe bem porquê – em 1999! Em 2012 volta com o número 34 e uma festa algures num bar do Porto. Alguém, uma vez disse-me que as bandas Punk e Hardcore são como as baratas porque podem estar inactivas 10 anos ou mais mas depois voltam sempre! Acho que se pode incluir o Cru nesta metáfora… Resta acrescentar que o Cru disponibilizou na plataforma em linha issuu.com os números antigos dos tempos gloriosos da fotocópia (ver http://issuu.com/esgar).

O MdC só esteve inactivo entre 1997 e 2000, 2006 e 2009 e em 2011. Este ano voltou com dois números, o 24 que saiu antes do 23. O primeiro a servir os propósitos do seu editor sobrevivente, e este vosso escriba, Marcos Farrajota, para publicar as suas BDs autobiográficas. O 23 tem como objectivo a celebração dos 20 anos de existência do zine, tendo compilado um pequeno (em formato) mas grosso (em nº de páginas) volume de BDs essencialmente narrativas e de autores portugueses. Era para ter sido um número de despedida do título com o editor fundador Pedro Brito nos comandos mas nada disso aconteceu… como é normal nos fanzines, é o “erro” que proporciona dinâmica e criatividade. De realçar a curiosa exposição patente na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos que faz uma retrospectiva do MdC mostrando originais, zines, maquetes desde 1992 até aos dias de hoje, possibilitando uma discussão sobre os meios de produção de BD e a influência das técnicas digitais nos últimos 20 anos - mas tal não aconteceu, os únicos comentadores interessantes da miserável cena bedéfila não comentaram absolutamente nada até à data de fecho da exposição. Se calhar os 20 anos do Mesinha não têm interesse para ninguém excepto para os seus próprios editores e autores...

A carismática revista norte-americana Journal of Artist Books (JAB) no seu número 32 dedicou as suas páginas aos livros de artistas portugueses. Sob a batuta de Catarina Cardoso, foram publicados vários artigos e estudos relacionados sobre o tema como a Po. Ex. ou a Alternativa Zero. O mais interessante é o ensaio de Pedro Moura que analisa os trabalhos de André Lemos / Opuntia Books, José Feitor / Imprensa Canalha, os heterónimos de Tiago Manuel, e algumas experiências de Jucifer e José Carlos Fernandes. Lançado em Lisboa, com a presença do editor Brad Freeman, foi constrangedor o ingénuo apelo de Isabel Baraona (artista que fez a capa e um suplemento no JAB) para um maior contacto ou intercâmbio entre artistas que façam livros, sendo que a artista afirmou não sabia que poderia haver tantos artistas a produzirem este tipo de objectos. Sempre desconfiei que o mundo dos livros de artistas era um mundo elitista (materiais caros, feitos por artistas profissionais, distribuição em galerias e o mundo institucional da Arte, dirigido para o mercado coleccionista) em oposição a dos zines que privilegia uma comunicação democrática pelos seus materiais baratos de impressão, amadorismo e/ ou sujidade gráfica, pelas regras quase dogmáticas de intercâmbio entre editores, alguma recusa em fazer lucro para não comprometer a criatividade e ausência de interesse comercial,… Afinal o que custa trocar meia dúzia de fotocópias por outras? Ambos interlocutores recebem em troca inesperadas mensagens artísticas, políticas, sociais, etc… Ora se um livro de artista tanto pode custar 250 euros como 10 euros, estará Baraona disposta em trocar um livro que vale 250 por um de 10 replicando os sistemas da mail-art ou dos zines? Eu duvido muito... Mas entretanto arranjou uma solução que poderá ter interese de futuro: a Portuguese Small Press Yearbook, uma plataforma online de divulgação de edição independente que poderá ajudar a ter uma visão mais alargada da produção portuguesa, embora o acervo para consulta pública destes objectos continue a ser na Bedeteca de Lisboa - que finalmente começou a catalogar alguns destes "estranhos objectos".




O presente

Este ano, demos conta dos seguintes projectos de continuidade: O filme da minha vida (1 volume – António Gonçalves) pela Associação Ao Norte; Zona BD (2 volumes); É fartar Vilanagem! (1); Tertúlia BD’zine (12); BDJornal (1), Lodaçal Comix (3), Buraco (3) e um Efeméride (1).

As editoras que continuaram em actividade foram:
- Chili Com Carne com Mystery Park (livro de desenhos de André Ruivo), Inverno (Mesinha de Cabeceira #23, antologia de BD), O Hábito Faz O Monstro (de Lucas Almeida) e Love Hole (de Afonso Ferreira).
- El Pep – o já referido livro do Relvas e ainda Psicose de Miguel Costa Ferreira e João Sequeira;
- Firma: Circle Cycles Circuits de Dunja Jancovic;
- Oficina do Cego: Sarilhos (de André Lemos) e e o colectivo Faca Romba;
- Kinpin Books: O Baile de Nuno Duarte e Joana Afonso;
- MMMNNNNRRRRG: outro volume da série a AcontorcionistA, de Grupo Empíreo, Claim Against Fame (de Alexander Brener e Barbara Schurz), Mesinha de Cabeceira #24 (de vários artistas) e Inferno (de Marcel Ruijters);
- Polvo: Hän Solo de Lacas e Três Sombras de Cyril Pedrosa;
- Libri Impressi – o quarto e final volume da série Lance.

Regressaram às lides a Imprensa Canalha com Estátua Falsa, graphzine de Tiago Baptista e Sobrevida de Carlos Pinheiro e Nuno Sousa; a Mundo Fantasma com Diário Rasgado de Marco Mendes e a Montesinos com VSAdH/ EdWB/ IpAN (uDdPL) de Pedro Moura e do grego Ilan Manouach; os zines Kzine e Funzip do Grupo Entropia; Cleópatra de Tiago Baptista – este último sob o selo Façam Fanzines Cuspam Martelos lançou outros títulos – e ainda o artista João Fonte Santa editou o zine Crianças Grandes brincam com brinquedos grandes.

As novidades deste ano foram: Death Grind e Doom Mountain de Zé Burnay, Drei abhandlungen zur sexual theorie (Dildo Doodles) de Ana Menezes, Magical Otaku (um número) de Rudolfo, Leopardo Surdo pela Stepping Stone, Enjôo da Invocação e Innermath / Megafauna de João Machado e André Pereira pelo Robô Independente e Clube do Inferno, Prosjektet Ragnarok de Tiago Araújo, Landing of the mothership de David Campos e saíram vários graphzines, dois títulos do ilustrador Esgar Acelerado e outros de vários outros artistas. É ainda digno de referência o Nicotina’zine que se dedica à Poesia mas incluiu nas suas páginas ilustração e um BDs do sueco Lars Sjunnesson e de João Chambel.

Manteve-se uma actividade mais ou menos normal, sólida e com novidades e regressos. Diria que foi um ano desde já positivo sobretudo porque tem solidificado um regresso à BD por uma nova geração com muito talento e vontade de fazer – e melhor ainda com capacidade de fazer – são eles: Afonso Ferreira, André Pereira, Rudolfo e Zé Burnay, verdadeiros "Chavalos do aPOPcalipse" nesta nossa sociedade de Anorexia, Smart Shops, Holiganismo e Cancro.

Os eventos especializados foram: Feira Laica (duas edições), Feira de Publicação Independente (duas edições, em Abril e Maio no Porto), Feira de Edição Independente (Novembro no Porto) e a Feira do Livro de Poesia e BD (desde Outubro todos os sábados em Lisboa). Sendo ainda possível encontrar em eventos de BD (MAB Invicta, Festival de Beja e BD Amadora), cinema (Fantasporto, Cinanima), Música (Rescaldo, SWR, MIA, Xjazz, Poetry Slam Sul) e em faculdades de artes com iniciativas como a Comunicar:Design (Caldas da Rainha) e a Books made friends (ESAD/ Matosinhos). A moda do “livro de artista” gerou os eventos O que um livro pode (Lisboa) e Pa/per View (Porto). De realçar o fim da Feira Laica após 8 anos de importante actividade.

A nível internacional é de se referir imediatamente o livro a solo de André Lemos produzido pelo atelier francês de serigrafia Cotoreich, Woofer Takeover Jubilee. De resto a participação de autores em publicações estrangeiras parece ter aligeirado, embora as Ediciones Valientes tenham feito um especial El Temerário com ilustração portuguesa. No espanhol zine Kovra aparecem Ricardo Martins e Rudolfo, na antologia sueca do Festival Alt Com, No Borders, está Marcos Farrajota e André Lemos; para o zine francês Gestro Club participa David Campos. Apesar de tudo a presença portuguesa em vários eventos internacionais não diminuiu, especialmente com a Associação Chili Com Carne a servir de embaixada para a produção nacional, tendo material representado em Fanzines! Festival (Mediateca Marguerite Duras, Paris), Festival Crack (Roma), Angoulême Fuck Off (França), Edita (Espanha), Libros Mutantes (Madrid), Tenderete (duas edições, em Valência), Maravilloso Encontronazo de Autoedicíon (Madrid), Festival de BD de Helsínquia e C.A.T.A. (Timisoara, Roménia). Com exposições esteve no Not Tex Not Mex (Denton, EUA), na loja Floating World Comics (Portland, EUA), Alt Com (Malmö, Suécia) e loja Prego (Brasil).

Por Portugal passaram vários autores estrangeiros com ligações a produção independente: ruGGGero (Itália) para realizar uma serigrafia com o atelier Mike Goes West, Kai Pfeiffer, Lars Henkel (ambos da Alemanha), Dominique Goblet, Olivier Deprez (ambos da Bélgica) no MAB, Dice Industries (Alemanha), Albert Foolmoon, Ar-Decó (ambos de França), Andrea Bruno (Itália), Dunja Jancovic (Croácia / EUA) na 20ª Feira Laica, Baudoin e Fabrice Neaud (ambos de França) na BD Amadora, a norte-americana residente na Europa Julliacks num evento promovido pelo espaço cultural Flausina; e na última Laica regressaram Dice Industries, Martin López Lam (Peru / Espanha) e Mattias Elftorp (Suécia) e estrearam-se o colectivo Tonto (Áustria), Zulo Azul (Espanha) e Marcel Ruijters (Holanda) que também estará no Porto para uma exposição na loja Mundo Fantasma no âmbito do livro Inferno lançado pela MMMNNNRRRG e a serigrafia pelo Mike Goes West.



O futuro

Têm-se discutido imenso na arena global sobre questões digitais dos livros, o que tem dado “megabytes” de discussão por todo o lado. O que se passa com os negócios do “visual e textual” é o mesmo que aconteceu com a música e a popularização da internet nos finais dos anos 90: assistimos à desmaterialização de objectos, ao aumento de capacidade de pesquisa e encontro de informação e de objectos, à multiplicação do espectro de gostos, escolhas e conhecimentos, à destruição dos elementos intermédios entre o produtor e o consumidor (editores, promotores, críticos), à participação activa na promoção e discussão de obras, ao financiamento de produção de obras pelos consumidores, à destruição de grandes estruturas físicas de divulgação cultural (cadeias de lojas), à hipótese de uma criação existir exclusivamente em digital e nunca ser editada em fisicamente, à hipótese de ficheiros serem multiplicados até ao infinito ou até ser gravados / impressos fisicamente com tecnologia caseira,… O que se tem passado nos últimos anos com o “livro” no meio da revolução digital são as reacções de macro-agentes em similar agonia como as editoras fonográficas nos últimos 15 anos: as guerras “amazónicas” e “googlinas” entre os virtuais e as lojas físicas e editores, o desfasamento das leis de direitos de autor perpetuadas por organizações anacrónicas como a nossa SPA, as discussões sobre o direito de empréstimos de ficheiros de “e-livros” nas bibliotecas públicas, os códigos de protecção DRM, etc…

Escrito assim até parece que o “mundo vai acabar” com esta revolução digital. É certo que há alguns tipos de livros que parecem ter um final certo no mundo físico. É o caso das enciclopédias e dicionários (que estão sempre actualizados algures na ‘net), os livros técnicos e científicos (também actualizados em digital e até com possibilidades de aplicações media que facilitem a compreensão para leigos), os periódicos e os “best sellers” pelo facto de serem produtos baratos (sendo que é indiferente para o consumidor que espécie de formato ou cópia que consegue arranjar desde que o leia o mais rápido possível enquanto é uma novidade)… Parece estranha esta combinação de “livros a desaparecer”, de um lado estão produtos eruditos e científicos e do outro produtos de consumo popular, “trashy” e “Pop” mas a questão digital passa por questões de formatos e não tanto pelos conteúdos. Daí que haja um grupo de livros que não terão uma desmaterialização (tão rápida?) como outros, é o caso dos livros de fotografia, design, arquitectura, desenho e… BD! Um exemplo mais simples de provar é que a pesquisa de referências visuais num livro não é feita da mesma forma como se procura uma palavra num texto (seja ele num ficheiro, num computador ou na internet) por mais se faça indexação. O formato de livro físico permite uma procura mais rápida e prática (manual) de uma imagem do que “folhear” num livro electrónico. O ecrã também não permite o mesmo usufruto das imagens – como acontece com os álbuns de arte que devido à sua dimensão conseguem transmitir uma maior força emotiva do que qualquer ecrã.

Talvez isto explique o interesse das grandes editoras pela BD nos últimos anos. Se por um lado deve-se ao facto da BD ter atingido uma idade madura de propostas de temas longe do simples entretenimento infanto-juvenil, creio que a outra parte passa pela necessidade de vivermos uma sociedade virada para a imagem, sendo necessário encontrar cada vez mais livros que sejam “visuais”. Em Portugal, este fenómeno pode-se verificar de uma forma mínima e recente com o interesse da Contraponto (uma editora fachada do grupo Bertrand) que editou o Persépolis de Marjane Satrapi e o Funhome de Alison Bechdel, livros aliás premiados e com sucesso de público há vários anos nos EUA, França, etc… Também é verdade que a BD servirá para alimentar as bolhas de investimento das grandes editoras que não poderão alimentar mais livros de Códigos Da Vinci, Vampiros, Anjos, Gatinhos e outras palermices. A BD está a ser a grande novidade editorial e que irá comer o bolo da produção nos próximos anos. Um sonho de muitos nós, amantes da BD, só que é pena é que as BDs que irão surgir serão tão fúteis como qualquer outro “best-seller” – basta consultar aquela parvalhona do cancro da mama editado pela Asa há dois anos atrás, por exemplo – nem todos podem ser profundos como o Joe Sacco ou como o Baudoin.

Entretanto, a defesa do formato físico do livro não vive do fascínio e da moda nostálgica que se assiste nos dias de hoje, do regresso às técnicas tradicionais de impressão (ou do livro de artista). Os pontos de defesa são conhecidos, os livros físicos (e especialmente impressos em serigrafia, gravura, tipografia, etc…) são mais tácteis, olfactivos, etc… ou seja mais sensoriais que os assépticos “tablets” e quejandos, para além de permitirem ter tamanhos e formatos extravagantes (inacreditavelmente minúsculos como o Pecaritchichi do João Bragança ou gigantescos como Sarilhos de André Lemos) condicionando as formas de leitura – algo que os “electrónicos” não podem fazer, ou se podem modificar a forma de leitura passa pela interactividade e pela navegação.

No caso da BD por ser intensamente visual e gráfica, a impressão e o design dos livros influenciam a leitura da obra, e por isso está neste grupo de livros difíceis de desaparecerem mesmo que os “webcomics” tenham começado a tornar-se um hábito de leitura e até de produção de qualidade como prova o actual “work-in-progress” Margem Sul de Pedro Brito, no sítio P3 do Público.

Encontramo-nos num ano em que muitos periódicos já acabaram ou anunciaram o final da sua versão física para entrarem exclusivamente na edição digital. Já se falam em “best sellers” digitais bem como histórias de fama e riqueza de autores publicados apenas em digital. Mas não podemos esquecer que a “literatura popular” pode ser lida tanto em edições “deluxe” como na mais reles reprodução fotocopiada / pirateada (como acontecia com o movimento “samizdat” nos tempos soviéticos da Rússia) porque são livros que vivem um momento de história/ histeria para serem esquecidos pouco depois. Há todo um grupo de “long runners” que parecem estar esquecidos nas eufóricas discussões sobre o “fim do livro”.

As quebras de vendas do mundo físico estão a forçar a uma redefinição das regras do mercado editorial, juntando à conjuntura económica de crise que se vive, têm-se assistido ao estreitar dos serviços criativos – cada vez menos e cada vez mais mal remunerados, serviços mais baratos de produzir, e consequentemente com menos qualidade... O que tem levado muitos artistas a procurarem na auto-edição ou a edição independente numa forma de preencher as suas necessidades artísticas e até económicas. Um exemplo, se vender uma ilustração a um jornal têm-se mostrado complicado e mal remunerado, alguns artistas perceberam que podem vender os seus desenhos em linha ou imprimirem múltiplos: serigrafias, gravuras, glicées, canecas, t-shirts, cuecas, e claro, livros ou zines em edições limitadas ou em sistema de “print on demand”. Também devido à crise económica, a compra de arte têm-se retraído e ao que parece os coleccionadores têm encontrado nos múltiplos (como os livros de artistas, cartazes, serigrafias) uma espécie de sucedâneo às peças artísticas originais (como telas). Toda esta combinação de factores tem mostrado um activismo sobre a publicação e o livro, fazendo surgir novos talentos ou regressar alguns velhos autores a trabalharem em objectos gráficos cada vez mais sofisticados e aliciantes, tal como aliás se pode verificar na 20ª Feira Laica (Jul’12) em que se sentia uma energia muito intensa no evento, nunca antes tão cheia de novidades e novos projectos editoriais – há quem diga que foi pelo facto de se ter quebrado com a tradicional residência na Bedeteca de Lisboa (que acontecia desde 2005) mas não acredito que tenha sido pela mudança do espaço físico apenas que aconteceu toda aquele entusiasmo que aliás, prolongou-se até à última e 21ª Feira Laica (Dez’12). Há um rejuvenescimento a acontecer na edição independente e na BD portuguesa em que a piada aos “Chavalos do aPOPcalipse” não é assim tão inconsequente como possam julgar à primeira…

Há luz neste anunciado apocalipse da revolução digital. O formato físico e a edição independente, combinados ou não, são opostos a todo este imediatismo tecnológico – mesmo que muitas vezes a produção de edições independentes venham de ânsias de publicação dos artistas e editores. Muitas vezes quando falo da MMMNNNRRRG costumo dizer que é uma editora "slow food", de livros que têm de ser degustados e não engolidos à alarve como a "fast food" que bem sabemos nos faz mal à saúde e destrói o planeta. Entre a McDonalds ou a Leya, entre a Nestlé e a Marvel, venha o Diabo e escolha.

Apesar da edição independente sofrer de um processo de promoção e comercialização lento e tortuoso, depois de se varrer o lixo, será ela a “vencedora da História”, como aliás sempre aconteceu no passado.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Relatório sobre Fanzines e Edição Independente em Portugal 2011 (actualização)

por Marcos Farrajota

Saiu este ano um importante livro de referência sobre banda desenhada, intitulado 1001 comics you must read before you die! e coordenado pelo comissário e conferencista inglês Paul Gravett. Trata-se de uma listagem de livros ou bds que tenta resumir as melhores bds do mundo, com a ajuda de vários especialistas espalhados pelo mundo – incluindo dois portugueses: Domingos Isabelinho e Pedro Moura. É sem dúvida um trabalho hercúleo e discutível quanto à sua utilidade de criar cânones. Curiosamente ao analisar o livro deparei-me com as seguintes situações:

1) A única entrada portuguesa é o livro Diário de K. de Filipe Abranches, editado nos tempos áureos da Polvo, com o apoio do IPLB e Bedeteca de Lisboa.

2) Livros / obras como Caminhando Com Samuel de Tommi Musturi, Uma semana de Bondade de Max Ernst, Ele foi mau para ela de Milt Gross, Os meninos Kin-Der de Lyonel Feininger, Mundo Fantasma de Daniel Clowes, Palestina de Joe Sacco, Persepolis de Marjane Satrapi foram editados em Portugal por editores independentes como a MMMNNNRRRG, &etc.., Libri Impressi, Mundo Fantasma / MaisBD e Polvo.

3) Também foram editores independentes que publicaram outras obras de autores referidos 1001 Comics como Cliff Sterrett, Aleksandar Zograf, Anke Feuchtenberger, Max, Baudoin, Joakim Pirinen,... Novamente pela MMMNNNRRRG, Chili Com Carne, Libri Impressi, ou publicações como a Azul BD3 e Quadrado

Creio que fica provado a importância que estas pequenas editoras tem no mercado nacional face às “grandes” que editam produtos fáceis de investir pelos créditos já firmados e fama a rodos como Astérix, Tintin, Corto Maltese, Akira, X-Men, Batman, etc…


Definições

A edição independente é um termo que se tem utilizado para definir edições de livros ou de discos que fogem aos parâmetros, conteúdos e formatos das grandes editoras que geralmente dominam o mercado em vendas, distribuição, espaço de venda nas lojas e promoção dos seus produtos e artistas.
Há várias formas de identificar um editor independente: estrutura organizacional e laboral reduzida (uma pessoa, um casal, um colectivo), comunicação activa com os autores e o público, distribuição e promoção defeituosa, exploração de nichos de mercado, poucos apoios públicos ou institucionais, financiamento reduzido, inovação tecnológica, etc… Existe neste meio um cuidado extremoso para que as suas edições tenham o melhor aspecto, tradução ou tratamento gráfico do que as edições de grande tiragem – geralmente feitas de forma apressada e cheias de gralhas e erros de vários tipos.
São editoras que crescem conforme a longevidade e persistência dos editores, tornando-se mais tarde profissionais da área e editores de referência como é o caso da &etc…, Via Óptima, Black Sun, Edições Mortas, Mariposa Azual, Planeta Tangerina, Libri Impressi,...
Nesta definição alargada ainda assim cabem várias formas de publicação que passam por sistemas de impressão caseiros (impressora do computador), artísticos (serigrafia, gravura, xilogravura, linóleo), tecnológicos baratos (fotocópias) e relativamente mais caros (impressão digital e offset). Podemos identificar estes tipos de publicação:

Fanzine – publicação amadora feita por fãs ou militantes de alguma causa (bd, poesia, música, cinema, política) geralmente fotocopiada e agrafada com uma distribuição reduzida (em Portugal entre 50 a 500 exemplares, no Brasil dos 200 aos 2000).
Zine – evolução natural do fanzine abandonando a militância ou a idolatria pela cultura Pop, são publicações que não sendo “fãs” de algo, publicam trabalhos pessoais ou artísticos de um autor ou de um colectivo de autores.
Edição de Autor – , ou auto-edição. Edição realizada pelo autor, pode ter um aspecto profissional mas geralmente não tem um “selo de editor” como forma de garantia comercial.
Livro de Autor - edição realizada pelo autor de poucos exemplares com evidentes realizações manuais (capa, agrafamento, colagens, ex-libris, etc…) e coleccionistas (assinatura e numeração pelo autor).
Livro de Artista – edição de um livro geralmente de uma ou poucas cópias em que as páginas da edição muitas vezes são os próprios originais do livro - é o tipo de edição elitista cuja circulação passa mais pela galeria de arte do que pela livraria...
Impressão digital / P.O.D. – Impressão em fotocópia lazer que permite produzir poucos exemplares com um tratamento profissional (cozido, colado, encadernado) ou exemplares conforme a procura (print on demand). Esta tecnologia tem servido para Edição de Autor mas também para pequenas editoras ou para livros de pouca circulação de grandes editoras.
E ainda: split’zine (zine feito por dois títulos, a capa de um é a contra-capa do outro lado), prozine (termo anacrónico norte-americano para fanzines feitos por autores profissionais, mais vale usar o termo “auto-edição” ou “edição de autor”), micro-edição (edição bastante limitada, abaixo de 50 exemplares),… De fora deste “relatório” ficam as produções electrónicas: e-zines, pdfs para visualização e/ou descarga, etc…
É um mundo onde cabe de tudo: autores que vêm uma forma de promoção pessoal como uma espécie de escalada para chegar às “grandes”, autores que tem uma visão única como o seu trabalho deve ser tratado, um programa ou um plano de um editor, um registo de um movimento local/geracional/artístico, uma diversão de um autor ou de vários, uma provocação, uma necessidade de exposição pública, etc…


Onde observar este movimento?
Tirando o caso das editoras que publicam livros com Depósito Legal e ISBN, existe todo um grande movimento de publicações marginais que quase não existe em lojas nem em acervos públicos (arquivos, bibliotecas).
No primeiro caso, em parte porque os objectos não são compreendidos pelos lojistas – serão as poucas que se comportam estes objectos como algumas lojas de bd (Mundo Fantasma), galerias de arte (Dama Aflita, Galeria Ó, Estúdio JS, Re-Search,…) ou algumas de música (Matéria Prima) e de design (Fábrica Features). O facto das edições também não terem uma faceta legal (facturas, recibos, etc…) não ajuda a sua comercialização.
No segundo caso, os autores / editores não pensam na sua obra como algo válido para preservar para o futuro / memória cultural. Muitas das vezes dada à urgência de produção e edição das obras, falta esse sentido de imortalidade ou arquivo. Também pode haver uma recusa em oficializar a sua obra. Seja como for, como iremos ver mais à frente, muitas vezes estas obras serão descobertas pela “cultura oficial”.
Para encontrar a maioria destas edições é preciso frequentar alguns eventos especializados como a tradicional Feira Laica com as suas habituais duas edições por ano - uma na Bedeteca de Lisboa outra nos Maus Hábitos, Porto -, MAGA (regressou este ano!) nas Caldas da Rainha, F.E.I.A. (Montijo) e no Porto: Mercado Negro, Feira do Jeco e Feira de Publicação Independente (com duas 2 edições na Faculdade de Belas Artes do Porto). Alguns eventos de artes e de música também costumam ter mesas com este tipo de edições como o Comunicar:Design (Caldas da Rainha), Festivais Rescaldo e Matanças em Lisboa e Porto, respectivamente.
Alguns casos, as próprias entidades criam eventos próprios abertos ao público como foi o caso da Oficina do Cego que realizou uma série de workshops de livros de autor (na Faculdade de Belas Artes de Lisboa) e uma residência artística (programa Ghost nos Ateliers Real) ou da Chili Com Carne com o espaço CHILI ao QUADRADO na Work In Progress (Chiado).


Uma quantificação possível
Este ano, demos conta dos seguintes projectos de continuidade: O filme da minha vida (3 volumes – Luís Henriques, Pedro Nora, Isabel Baraona) pela Associação Ao Norte; Zona BD (2 volumes); Venham +5 (1 volume); É fartar Vilanagem! (um volume); Tertúlia BD’zine (12 volumes); BDJornal (um volume); Boletim CPBD (1 volume).

As editoras que continuaram em actividade
- Chili Com Carne com duas antologias: Boring Europa e Futuro Primitivo;
- Firma: Dark Shine, de Aleksandar Opacic;
- Kinpin Books: O pequeno deus Cego, de David Soares e Pedro Serpa;
- MMMNNNNRRRRG: Mundos em segunda mão, de Aleksandar Zograf, AcontorcionistA: Manifesto, de Grupo Empíreo, Neuro-Trip, de Neuro, Aspiração horrífica, de Aaron Shunga e Subsídios para MMMNNNRRRG #1;
- Oficina do Cego: Fábricas, Baldios, Fé e Pedras atiradas à Lama de Tiago Baptista, e a antologia Aforismo do Estádio;
- Pedrancharco: Li Moonface, de Relvas;
- Quarto de Jade: Animais Domésticos, de Maria João Worm;
- Polvo: dois livros de Lacas e Geral & Derradé (anunciados mas não os vimos ainda)
- Libri Impressi: Ele foi mau para ela, Milt Gross – e o terceiro volume da série Lance (também não o vimos).

Dos zines apareceram novos títulos, quase todos eles monográficos: O morto saiu à rua e The invisible hand de Bruno Borges; Headbanger de David Campos; Pixels Parts de Afonso Ferreira; Famous Tumours de Jaime Raposo; Metamofosis de Tiago Araújo; Stop Mundo dos U.A.T., 666 Hardware e Musclechoo, ambos de Rudolfo. e ainda duas fotonovelas da Pôe-te Fino e Mr. Krunk e o Senhor Klaxon dos Livros Espontâneos. Apercebemo-nos de vários zines e graphzines nas Caldas da Rainha (Zé Burnay, Aliböbö, Gennebra) e Porto (Panda Gordo, Hidromassagem,…) mas parece impossível de os contabilizar uma vez que não foi possível adquirir tantos títulos.
Destaque especial para dois novos projectos que pretendem continuidade: Lodaçal Comix dirigido por Rudolfo que lançou 4 números trimestralmente e o especial Hors Serie; e, Buraco feitos por autores de Lisboa e Porto que lançaram 2 números em dois meses…


No plano internacional
a) Publicações
Houve um abrandamento nas participações portuguesas em publicações estrangeiras, sendo que tivemos contas de colaborações nos seguintes países:
- Alemanha: Given (André Lemos) pela Bon Gout.
- Brasil: Pindura 2012 (André Lemos, Lucas Barbosa, Marcos Farrajota e Pepedelrey) e Prego (Marcos Farrajota e Manuel Pereira);
- Eslovénia: Stripburger (Teresa Câmara Pestana)
- Espanha: El Temerário #7 (André Lemos), Kovra #3 (Ricardo Martins), ambas pelas Ediciones Valientes;
- EUA: Hapiness (Rudolfo)
- Sérvia: Novo Doba (André Lemos e Bruno Borges), Silent Wall Army (Bruno Borges);

b) Eventos
Já em relação a participação de portugueses em eventos estrangeiros manteve-se estável como noutros anos, tendo sido registada de participação de autores, exposições ou publicações nos seguintes eventos: Festival de BD de Angoulême (França), Not Mex Not Tex com Bruno Borges e Lucas Almeida (EUA), Edita 2011 e La Noche de los libros mutantes (Espanha), Even my mum can make a book (Turquia), London Zine Symposium, Crack (Itália), Festival de BD de Helsínquia, ISV e Trauma em Mälmo (Suécia).

c) Autores
A visita de autores estrangeiros, que estão ligados à edição independente é uma prática saudável que se mantêm registada sobretudo no Festival de BD de Beja e a Feira Laica, permitindo os autores estrangeiros conhecerem autores nacionais e vice-versa. Na prática ajuda a divulgar e criar intercâmbio entre autores e editores de vários países.
A registar este ano: Andrea Bruno do colectivo Canicola (Itália), Aleksandar Zograf (Sérvia) ambos no Festival de Beja, Toff (França) na Feira do Jeco, colectivo Hetacombe (Suíça), Neuro (Roménia / Dinamarca), Alex Vieira (Brasil) e elementos dos colectivos Grut (França), Stripburger (Eslovénia) e Amalgama (Galiza) nas Feiras Laicas.


Institucionalizando
Este tipo de publicações acabam por ter um reconhecimento tardio em maior parte dos casos, veja-se por exemplo, o caso da exposição que esteve patente na Galeria ZDB entre Março e Setembro, All Power to the People. Então e Agora. A arte revolucionária de Emory Douglas e os Panteras Negras. Tratava-se da exposição da arte revolucionária de Emory Douglas e os Panteras Negras de material gráfico, ilustrações e até bds de Emory Douglas, Ministro da Cultura do Black Panther Party (desde 1967 até à dissolução do partido, em 1982). Muitos dos materiais gráficos da exposição foram resgatados graças aos arquivos pessoais do autor.
Antes, entre Janeiro e Março esteve patente uma importante exposição de banda desenhada no Centro Cultural de Belém / Colecção Museu Berardo intitulada Tinta nos nervos, e que não só mostrava 41 autores portugueses como muitos deles eram exclusivamente publicados em edições independentes. Também na exposição encontravam-se muitas destas publicações em plintos. A colecção das publicações era quase exclusivamente do seu comissário, Pedro Moura.
Estes são dois exemplos mostra como seria importante criar um organismo de procura e angariação deste tipo de edições - na verdade até há um mas só virado prá bd e ilustração!!! É a maltratada Bedeteca de Lisboa, única instituição pública portuguesa que inclui um acervo de fanzines, zines, livros de autor, micro-edição, split’zines - ainda quase todos por catalogar, acessíveis para consulta apenas. Também é verdade que a Bedeteca sendo um serviço especializado em banda desenhada detêm a maior colecção de livros de bd em Portugal. Inclui-se nesta última afirmação os livros auto-editados e de pequenas editoras – quase todos disponíveis para empréstimo. Só resta saber até quando é que esta colecção irá evoluir com os rumores que a Feira Laica não deverá continuar a sua edição de Verão neste espaço...