Macacos me mordam! MARKO TURUNEN em LISBOA!!!!!!
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Aparentemente o pessoal cagou prá minha sugestão de passar a escrever mensalmente sobre edições que não conseguem entrar n'A Batalha - ou por falta de periocidade em que se encontra o jornal ou por alguns dos objectos não fazerem sentido numa publicação anarquista.
O certo é que Dabstep dos Greengo já é de 2018 mas só agora é que arranjei uma cópia do CD, editado pela Raging Planet. Apesar de fazerem parte dois terços dos "nossos" Krypto, só agora dei-me ao trabalho - uma aparelhagem à séria ajuda imenso - de ouvir isto com a seriedade que merece. Seriedade!? Má escolha de palavra nem que seja porque todas as imagens do disco são sobre erva - sim, aquela que tem THC - chegando ao cúmulo que a versão CD (existe também um LP) tem um recorte em cartolina da "planta maldita". Som pesadão na senda do Stoner que esteve tão em voga no pré-covid, ali onde Sleep largou as botas para os punks. É incrível o que um baixo + bateria fazem - e uma voz (já agora) que não sendo nada de especial, é funcional para o "género"... obviamente que a união com Gon para se transformarem em Krypto fez uma diferença brutal nesse nível (e nos concertos ao vivo). Sim, para simplificar isto é música brutal para ganzados...
Só faltam agora o fanzine e o livro.
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Marko Turunen
Kreegah Bundolo; 2009
Este terceiro volume desta colecção de "comics" que compilam bd's deste finlandês marcou um intervalo da Daada Books, a editora que Marko criou e onde editou "luxuosamente" não só trabalho dele próprio mas também de outros autores finlandeses e estrangeiros. Não se sente que os valores de produção tenham caído e muito menos o conteúdo que continua a ser um tufão de ideias de como o quotidiano podia ser mais giro se fosse a preto & branco, a roçar o Sin City, com personagens fisicamente absurdas imersas em consumismo exasperante e alienação social e mental. A ironia é súbtil, os resultados lidos e vistos não!
De resto continua o belo suplemento de fenómenos bizarros com contribuições de pessoas que não percebem o mundo e acham que existem mesmo fantasmas e OVNI's - será uma forma de apimentar as suas bochechantes vidas? Acho que sim!
Para breve teremos todas novidades do regresso da Daada.
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Marko Turunen
Daada; 2009
Segunda entrega do comic-book do finlandês Marko Turunen, que para além de continuar a publicar as suas bd's de recorte "quotidiano Pop bizarro" também inclui um suplemento de contos e desenhos sobre contactos de terceiro grau recebidos dos seus leitores e fãs - será por isso que é impresso em papel verde marciano?
Ufoja Lahdessa é tão excitante como se lia, nos anos 90, de três em três meses, os comics da Fantagraphics e Drawn & Quarterly (Hate, Eightball, Dirty Plotte, Peepshow...). Melhor elogio não deve haver...
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É o regresso do SPX 2008 (Estocolmo) e serve este "post" para dar as novidades:
_Temos para oferta alguns exemplares do último número do jornal finlandês de bd, Kuti - já várias vezes divulgado neste blogue. É um número especial SPX, com trabalhos de autores finlandeses e suecos. Os textos estão em sueco mas com legendas em inglês.
Esta oferta é exclusiva aos sócios da CCC e que comprem qualquer artigo que seja da Finlândia ou da Suécia (Boing Being, Napa, Daada) ou que tenha participação de autores finlandeses ou suecos (Chili Bean, Mesinha de Cabeceira Popular #200, Mutate & Survive, Canicola).
_Já é uma revista que se tem escrito com alguma regularidade (o #5 e o #1) e que número para número vai crescendo em forma e conteúdo: C'est bon anthology do colectivo sueco C'est Bon, com quem a CCC partilhou mesas na SPX. Trouxemos para venda os quatro volumes da terceira série (#17/20; Ago'06/Dez'07) que marcam a distribuição mundial desta publicação através do catálogo Previews (que distribui todos os comics norte-americanos para as lojas especializadas). A revista continua a sua redacção em inglês e está com um aspecto luxuosa, gordinha e brilhante devido ao papel couché. Tem mais colaborações de autores internacionais (ou seja, "não-suecos") e mais trabalhos arrojados - uma lista de nomes explica por si só a qualidade que a revista atingiu: os alemães Martin tom Dieck (que estará este fim-de-semana no Festival de BD de Beja!) e Arne Bellstorf, o sérvio Danijel Savovic (vol.1), o português Pedro Nora, o sueco Knut Larsson, os finlandeses (que estiveram no Salão Lisboa 2005) Marko Turunen e Jyrki Heikkinen (vol.2), o francês Yvan Alagbé, os italianos Andrea Bruno e Stefano Ricci (vol.3), ou ainda a finlandesa Amanda Vähämäki ou a israelita Rutu Modan (vo.4).
_Um dos editores desta revista é Mattias Elftorp que também é autor de bd. A série Piracy is Liberation é o seu trabalho mais conhecido, que já se encontra num quarto volume editado pelo colectivo desde 2006.
Graficamente próximo de (ou demasiado influenciado por) Brian Wood e Ben Templesmith, Elftorp é menos elegante em questões de anatomia, domina as lutas do preto e branco e dá bom uso de tramas e texturas.
Cada volume apresenta entre 64 a 72 páginas, o que mostra o enorme trabalho com que o autor está lançado. A trama de um futuro não longe do nosso, passado numa megalopólis sem memória, onde piratas informáticos procuram destruir o sistema de dominio dos padres capitalistas, poderá lembrar Matrix ou a bd Invisibles de Grant Morrison (este último menos conhecido mas mais copiado - os criadores do Matrix que o digam) mas não deixa de ter ideias próprias que estão em gestação - gosto particularmente de uma cena em que duas personagens Hackers que fazem "copy'n'paste" deles próprios do mundo virtual para o real. De certa forma as cerca de 240 páginas ainda não pareceram suficientes para perceber o que se passa por aqui - lógica de Manga? À primeira vista, poderá haver uma excessiva exploração de lugares-comuns de "anarco-glamour" mas uma leitura mais atenta revelará mais inteligência do que a visão superficial. Esperando por mais volumes até 2012?
_Nesta edição do SPX assisti, de certa forma, a saída do armário da bd sueca alternativa... enquanto os finlandeses há anos que traduzem as suas bd's para terem feedback internacional, os idiotas dos suecos sempre tiveram fechados no casulo editando livros na língua que nem os ABBA usavam para ganhar o Eurovisão. Resultado, tirando o Max Andersson e o Lars Sjunnesson (este último participou no Mutate & Survive), que vivem em Berlim, e o Gunnar Lundkvist e Joakim Pirinen (editado em Portugal pela Azul BD3), todos eles da "velha guarda" nada mais se conhece da bd sueca. Aliás, as minhas duas visitas ao país - e à SPX - não se traduziram em regressos com malas cheias de novas bd's, livros e zines... justamente o oposto do que aconteceu quando vou ao festival de bd de Helsinquía.
Saiu a antologia From the shadow of the northern lights : an anthology of Swedish alternative comics : vol. 1 (Galago; 2008), uma antologia em inglês (yeah!) que terá distribuição pela norte-americana Top Shelf. Podemos chegar à conclusão do que se passa por lá: há a "velha guarda" (já referida) mais gráfica e experimental, depois há a autobiografia chata dos anos 90 - daquela que ninguém têm nada para contar ou que saiba contar de forma interessante, havendo montes de históras sobre homossexualidade (um sucesso no mercado da bd, creio) - e por fim, o regresso do grafismo e bizarria bruta com nomes novos como Marcus Ivarsson, Marcus Nyblom (autor da capa), Knut Larsson e Kolbeinn Karlsson. Apesar das lamechices de alguns autores, vale a pena ler estas 200 páginas a preto e branco.
_E é este último grupo de autores referidos que faço um destaque porque como já escrevi, raramente há razões para comprar edições suecas por causa dos grafismos pobres e pela barreira da linguagem. As excepções são as seguintes: o livro Skissbok (Kartago; 2007) do Marcus Nyblom e os zines de Kolbeinn Karlsson: Benny Bjorn will never return e Rules of animation (com Hanna Petersson; 2007) e Harvar Vilda Vastern (2007?).
No primeiro caso coloca-se a questão se "skissbok" poderá mesmo significar "livro de esboços"... apesar da estrutura do livro apontar para isso porque os trabalhos publicados não parecem ter ligação aparente. Ora são desenhos soltos, alguns sim com aspecto de "esboço", ora são bd's mudas e insólitas como "Alice no País das Maravilhas". São as bd's que têm um ar mais esboço porque o estilo gráfico que Nyblom usa é "realista" e "certinho" bem longe das suas ilustrações que têm aquele aspecto derretido e degradado de quem está em sintonia com a ilustração deste milénio - embora as raízes deste tipo de desenho e imaginário estejam na Raw e no Fort Thunder, dos anos 80 e 90 respectivamente. É um livro "fifty/fifty".
Quanto a Kolbeinn (várias vezes pensei que ele chamava-se Cobain como o vocalista dos Nirvana ou Kobaïan, a língua inventada pelos prog-rockers franceses Magma) também está em sintonia com o tempo: degradação material e moral, fascínio pelo Pop (o Benny Bjorn para quem ainda não está bem a ver, é um dos tipos dos ABBA), monstros peludos e outras criaturas de série B. Zines fotocopiados em formato A5 com capas a cores, os dois primeiros são de ilustração em parceria com uma tal Hanna Petersson em que as autorias não são identificadas (embora as suspeitas sobre a autoria dos desenhos de Kolbeinn recaiam para os que têm mais texturas); o último é o único de bd - que está também publicada na antologia From the Shadow (...) - com uma estória violenta homoerótica do oeste norte-americano - acho.
_Por fim, material dos inteligentes finlandeses - é a segunda vez que fico com a sensação que a Suécia, ou pelo menos Estocolmo é dominada por campónios e novos-ricos.
Novidade absoluta: Supernormal (Daada; 2008) de Marko Turunen, um dos muitos autores de bd peculiares da Finlândia e também dono da editora Daada. Não é novidade mas é importante na mesma para qualquer português ignorante da cena bedéfila da Fenoscândia: Mystic sessions Vol.I (auto-edição; 2006) de Pauliina Mäkelä.
No primeiro caso são reedições de bd's de zines antigos ou ainda algumas bd's fora do padrão do universo do autor - que nos visitou no Salão Lisboa 2005. Aqui vamos encontrar bd's parvas de super-heróis criadas pelo Turunen de 1984 (de 11 anos) e redesenhadas pelo Turunen de 1998 (de 25 anos) que dão um sentimento estranho para qualquer apreciador de "nerd culture", há fotonovelas nervosas das aventuras do Sr. Pinguim (um boneco azul feito por Turunen) a interagir com patos e com um cão (hilariante!), algumas bd's "minimalistas" de coelhos ninjas ou de contos tradicionais sobre ursos broncos,... enfim, mais de 400 páginas A6 de Arte e pura diversão.
O segundo caso é um livro agrafado A3 de 16 páginas a preto e branco que foi criado pelos - e serve para quem quiser ilustrar - distúrbios e desvaneios psico-acústicos de projectos musicais como sunn0))), Earth, Burzum, Wolf Eyes, Melvins entre outros "dronemeisters".
Existe uma narração feita de imagens de uma figura feminina (uma menina) a tocar um tambor intercaladas com outras imagens de dimensões bizarras e psicadélicas, daquelas que podiámos chamar de "zona negativa" ou algo assim - quem leu os desvaneios de um tal de Kirby sabe do que falo.
Cada batida, um novo universo?
aviso: irá demorar a colocação destes artigos na nossa loja virtual, por isso quem quiser entretanto comprar poderá fazê-lo pedindo pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. cada número da C'est bon custa 15€ e cada volume de Piracy is Liberation custa 10€ (c/ desconto de 20% aos sócios da CCC)
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Enquanto o pessoal vai ver o mesmo de sempre à "BD Porcalhota", Filipe Abranches (a imagem ao lado é de sua autoria) e Marcos Farrajota vão a Ljubjana participar no projecto Greetings from Cartoonia de onde trarão exemplares do livro (co-edição com a Stripburger) para Portugal - por isso, se quiserem reservar já o podem fazer escrevendo para o nosso e-mail.
Participam da Eslovénia Kaja Avberšek, Jakob Klemenčič, Marko Kociper, Matej Lavrenčič, Gašper Rus e Matej Stupica (quase todos visitaram a Feira Laica e Bedeteca de Lisboa ou foram publicados pela Bedeteca de Lisboa, Chili Com Carne e Polvo), Bendik Kaltenborn (do grupo norueguês Dongery), Mateusz Skutnik (Polónia), Matei Branea (Roménia, do colectivo Hardcomics), o finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005), Andrea Bruno (do colectivo italiano Canicola) e o já referido Filipe Abranches. Mais detalhes sobre o livro para breve!
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Alto! Afinal a Chili Com Carne este ano vai estar na BD Porcalhota!!!
- "Mas como se escreveram isto o ano passado?"
Porque a loja Central Comics convidou-nos a ter as nossas edições no seu stand...
- "Mas como se escreveram isto o ano passado?"
Realmente... temos uma espinha dorsal de uma vulgar cobra, não?
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Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (Dildo Doodles) de Ana Menezes não é realmente uma adaptação de textos de Freud mas uma interpretação gráfica em que a autora muda de estilo de desenho como os materias da capa mudavam de exemplar para exemplar - como latex, lona, veludo, enfim, materiais "kinky"... desde que sempre preto com um recorte de máscara S/M.
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Colectivo Canicola, Out'06
Não é à toa que esta revista tenha recebido o Prémio de Melhor Fanzine / BD Alternativa... Já várias vezes referida neste blogue, este último número engrossou a quantidade de páginas (por culpa?) da sua abertura às colaborações "estrangeiras" - à nacionalidade do projecto como às do colectivo - como Anders Nilsen (autor também da capa), Chi Hoi, Marko Turunen (com a sua companheira Annemari Hietanen), Yan Cong e Jesse Moynihan... e passou a ter uma lombada brochada sem peder a coerência estética dos primeiros três números.
Se o Glömp e as cores histérico-psicadélicas finlandesas revelam um dos caminhos da bd deste novo milénio, o seu contraponto é a sujidade do grafite do lápis que a Canicola nos tem mostrado. Não será à toa que um dos desenhos publicados neste número é da alemã Anke Feuchtenberger, uma autora bastante influente na cena europeia, sobretudo nos últimos anos com a renovação do seu trabalho a grafite (que foi visto no saudoso Salão Lisboa 2003) e como professora de ilustração na universidade de Hamburgo.
O elo comum de quase todas as histórias é uma desorientação dos personagens quer sejam eles idiotas, passáros, empregados de bar ou de um estúdio de bd, soldados, elfos ou crianças, que habitam em cenários com tragos de surrealismo. Diria que serão metáforas fascinantes para o mundo que vivemos.
4,6
à venda na CCC, bem como os números 2 e 3. #2 e 3 a 10€ cada, #4 a 18€. Desconto de 20% para sócios.
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| cartaz de Paz Rodríguez |
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