Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Zines é no Porto!

Trouxe alguns zines da última edição da Feira de Publicação Independente, onde havia dezenas de novidades de zines fazendo do Porto de novo um pólo de zines e edição independente como já não acontecia há alguns anos. O único "mal" é que a maioria dos zines que vi eram de ilustração e design, que sinceramente não tenho paciência. Chamem-me de cromo mas o que gosto mesmo é de ler. Talvez seja um problema português, a falta de cultura visual, que cria comportamentos ora de desconfiança ora de euforia sobre "graphzines" e afins... Como só havia uns quantos zines de bd ou de texto fico por estes "lugares comuns", apesar de serem novidades:


Eis o primeiro número do Buraco que junta uma redacção de Lisboa e do Porto num objectivo de ser uma publicação de oposição política em bd, em que encontramos trabalhos de Bruno Borges, André Lemos, Carlos Pinheiro, Marco Mendes, Nuno Sousa, Miguel Carneiro e uns misteriosos pseudónimos. Dizem que "batemos no fundo e ainda escavámos um buraco" mas acabam por "bater no ceguinho" para quem já se habituou a ver os trabalhos destes autores em outras produções independentes, não havendo neles grandes diferenças temáticas ou na forma de os tratar. O caso mais flagrante é o de Marco Mendes que aparece com as suas mesmas tiras de sempre - é provável que elas sejam inéditas em papel mas para quem visita o seu blog parece que estamos a ver / ler outra vez o mesmo material, ad eternum...
Para uma publicação de "sátira" (?) política parece bastante púdico, talvez os autores tenham pena dos políticos... afinal eles também são seres humanos, snif, snif...

buracoeditorial@gmail.com

Tiago Araújo voltou com mais um zine seu cheio de alucinações sobre a existência e "raison d'étre", Metamorfis. Passou a escrever à mãozinha - coisa que irritava noutras bds suas - os seus textos esotéricos que nos ensinam o sentido da vida apesar de o autor ter só uns 20 anitos... merda! Não soa a muito convicente o que acabei de escrever... talvez seja isso que acontece com a sua bd também. 
Puto, mexe-te! Só há sentido para a vida se deres-te ao trabalho de a viver. Só há reflexão depois da acção... caso contrário é só melodrama português, fatal como o seu fadinho... Vai esmagar um carro contra uma esquadra de bófias, queimar algum outdoor ou algo útil do tipo! Ou ouvir o "Sean Paul Satre", o rei do Dancehall Existencialista, caga no escritor francês, boy! Como diz essa grande fonte de sabedoria, Matti Nykänen, "life is the best time you have!". 

Em compensação, o Rudolfo é só testosterona e acção xunga assumida para "skaters from hell" ou para quem viveu jogos de computador, "shokushu goukan" (porno japonês com violações por tentáculos), RPGs e toda uma alienação cultural dos últimos 20 anos. Falo de 666 Hardware, um micro-épico trash curtido com o Rudolfo a lamber o desenho para nos impressionar. É uma estupidez pegada numa edição bem cuidada. Pedidos práqui. Imagens em velocidade excessiva (mais que a bd):


Mas o melhor do Porto, aliás, do Rudolfo é mesmo o seu zine Lodaçal Comix, que vai agora no terceiro número. Um excelente trabalho que merece todos os elogios possíveis. Não sei se o título "lodaçal" apareceu para retratar a "cena da bd portuguesa" e a falta de expectativas que esta área comporta a nível social, económico, profissional e artístico.
Mas se todos os autores fossem empreendedores e abertos como o jovem Rudolfo, a cena seria um "continente" invés dos típicos nomes de projectos dos portugueses que insistem em "meter água" (literalmente) nas suas identidades: BaleiAzul, Polvo, pedranocharco, etc... Mas aqui falamos do oposto simétrico, com o Lodaçal meteu malta nova e "velha", feminina e masculina, nacional e estrangeira, numa produção de qualidade e com regularidade - o projecto apresenta-se trimestral e ainda não saiu um número atrasado! Junta bds de recortes autobiográficos com umas de alucinações grotescas, um bocado de surrealismo post-pop emperfeitamente sintonia com as correntes "underground" da bd mundial.
Só os idiotas do costume não irão perceber que se está a fazer História por aqui. O número quatro vai sair na próxima Feira Laica com um número "fora de série". Razões justificadas para quem gosta de bd ir a correr prá Laica! Entretanto, quem quiser gastar o subsídio de Natal que o faça aqui invés de ir gastar em pizzas (piças?)...

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Algumas pessoas depois


novo romance de Rafael Dionísio
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capa e desenhos de André Ruivo
design de João Cunha / Ecletricks
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204 p. 21 x 14,5 cm, capa a cores
ISBN: 978-989-8363-09-1
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11º volume da Colecção CCC
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PVP: 10 eur. (50% para sócios, lojas e jornalistas)
versão e-book: aqui
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sinopse:
trata-se de uma história sobre a perda, sobre a psicologia profunda das personagens, sobre o ciúme, a perda afectiva, a perda do controle emocional. Retrata no seu modo de narrar diferente o começo e a derrocada psíquica de um indivíduo. É também a história de um triângulo amoroso e de um homem que tentar resistir a afundar-se. Pelo meio vão ter lugar alguns acontecimentos imprevisíveis, desde salvamentos de pessoas até festas em casa do carismático (e perigoso?) padrinho. A narrativa desenrola-se irreversivelmente para um ponto de não-retorno.
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historial: lançado no dia 20 de Março na Sociedade Guilherme Cossoul ... Apresentação na Velha Gaiteira, dia 5 de Maio, às 22h

A Segunda Vida de Djon de Nha Bia

Este livro de Nuno Rebocho é uma obra maior da literatura lusófona. É uma grande alegoria das relações de poder entre os homens. A narrativa passa-se num arquipélago imaginário, onde de tudo um pouco acontece. É uma obra que, além de muito divertida, tem um conteúdo político (no sentido nobre, aristotélico, da palavra) muito agudo. Além disso, sendo escrita num português de latitudes mais quentes, é uma lufada fresca de palavras e expressões novas. Um grande livro, sem dúvida!
sobre o autor: Nuno Rebocho nasceu em 1945; opositor do salazarismo, foi jornalista e interventor cultural antes e depois do 25 de Abril. Foi jornalista na RDP, Antena 1 e 2, durante muitos anos. Recentemente passou a viver em Cabo Verde, enraízando-se nesse arquipélago lusófono. Publicou vários livros de poesia e de crónicas. Ultimamente tem desenvolvido uma poderosa linha narrativa em que o Djon é um dos primeiros títulos a ser revelado ao público. Sinopse O livro conta as aventuras de um tipo que sai para fora do caixão no seu próprio velório. Desse acontecimento só há uma testemunha meio bêbeda. A partir daí, o herói desta espécie de fábula irá percorrer a sua ilha, primeiro, e outras ilhas em busca do sentido de estar morto. Nessas ilhas acontece de tudo um pouco: os mortos votam nas eleições, o diabo aparece, há um doutor que faz chantagem e até uma das ilhas tem um rei. Enquanto o herói percorre as ilhas, na sua ilha de origem desenvolve-se todo um culto em torno da sua figura ressuscitada, com templos, restaurantes, e todo um conjunto de actividades económicas associadas ao fenómeno de um local sagrado.
Excerto Quando a carapinha lhe emergiu do caixão, Djon percebeu que estava morto. Fora da sala era a rua e de lá vinha a batida da tabanka, oca e ondeada, e uma voz narradora que entretinha a comezaina aconchegante do velório. Família e demais abancavam no terreiro, digerindo a noite antecedente ao funeral, que seria pela manhã.
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Nono volume da Colecção CCC editado por Marcos Farrajota e Rafael Dionísio, prefácio de Luíz Carlos Amorim, capa de Jucifer, design de João Cunha, ISBN: 978-989-8363-01-5
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PVP: 10€ (50% para sócios, lojas e jornalistas) à venda no site da CCC, Utopia, VOL, CDgo.com, Letra Livre, Casa Ruim, Fábrica Features e Re-Search *** E-BOOK: todoebook.com
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Historial: Lançado na XVI Feira Laica ... Apresentação pelo Prof. Dr. Luis Filipe Tavares (Universidade Piaget) na Cidade da Praia, Cabo Verde (08/07/10) ... brevemente algumas apresentações em Portugal ... Apresentação por Rafael Dionísio no Centro Interculturacidade (16/09/19) ...
Feedback: primeiro romance da autoria de Nuno Rebocho, escritor português radicado em Cabo Verde. Trata-se de estória salgada de crioulidade, onde o mágico e as driabruras se entrecruzam em artimanhas que envolvem mortos ressuscitados em revolta e o derrube de poderes vivos, santos sem vocação, fundamentalistas irredentos e muita tropelia que fez a vivência de um país chamado Arquipélago, igual a tantos arquipélagos que são países e a países que são, por isso mesmo, arquipélagos. Com humor e ironia, o autor traduz o insólito como realidade, mas onde quaisquer semelhanças com realidades conhecidas são mal-deliberadas coincidências, numa escrita colorida e cáustica para o novo acordo ortográfico adoptado pelos países lusófonos. Porosidade Etérea alegoria política de quem quem quer ajustar contas com o mundo, como "Animal Farm", de Orwell, ou "Aventuras de João Sem Medo", de José Gomes Ferreira. Os Meus Livros

Scorpio Rising : Transgressão Juvenil, Anjos do Inferno e Cinema de Vanguarda

eis um livro que deveria ter saído já à algum tempo na colecção THISCOvery CCChannel se em Maio de 2009 não tivesse havido uma verdadeira "Kenneth Anger-Mania" (de repente toda a comunidade artística de Lisboa conhecia Anger!), graças ao ciclo dedicado ao autor na Cinemateca de Lisboa, Fundação de Serralves e Galeria ZDB, onde o artista norte-americano esteve presente
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Kenneth Anger é um realizador controverso, com múltiplas linhas de ambiguidade, numa teia de símbolos e significados, de paradoxos, de ícones, e de manipulação violenta do imaginário. Ondina Pires (ex-Pop Dell'Arte, The Great Lesbian Show), faz neste livro ensaístico uma reflexão riquíssima sobre vários aspectos da cultura underground do século XX. Embora se centre numa análise de um filme do mítico realizador este livro é muito mais do que isso, uma vez que todos os aspectos invocados no seu filme são explorados a fundo por esta autora. Temas como os gangues, a violência, o Cristianismo, o Nazismo, a máquina, a civilização motorizada, os Estados Unidos, a apropriação de imagens, o cinema, a banda desenhada, a velocidade, o século XX, são tratados de forma fecunda e multilinear. Este livro cativará todos os que se interessem pela cultura enquanto local de aparição de fenómenos extremos. . capa de João Maio Pinto, design por Ecletricks, prefácio por Carlos Vidal
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152p. 22x16cm, capa a cores

ISBN: 978-989-95447-3-4

PVP: 12€ (50% desconto para sócios, jornalistas e lojas)

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o livro encontra-se à venda no site da CCC, Two Tone Store, Letra Livre, Casa Ruim, Fábrica Features, Matéria Prima, CDGO.com, B Shop (CCB), Utopia e Re-Search
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historial: lançado a 15 de Maio de 2009 na ZDB com a presença da autora, Carlos Vidal e Fernando Cerqueira, juntamente com o número nove da revista Acto ... Finalista e Vencedor da votação pública na categoria de Prémio de Melhor Ilustração Original (capa) dos Prémios de Edição LER / Booktailors 2010 ...

Feedback: A conclusão é que Scorpio Rising faz bem à cabeça: está muito bem feito, com uma sólida argumentação e ainda melhor documentado. É sempre um grande prazer ler livros escritos por quem sabe do que está a falar e Pires é um bom exemplo dessa premissa. David Soares ... Um natural apelo aos apreciadores de cinema mais experimental, este livro será também do agrado dos apreciadores de outras formas de contracultura. Os Meus Livros ...

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

Sábado, 26 de Novembro de 2011

Anti-tetânica


v/a : I Never Metaguitar (Clean Feed / Trem Azul; 2010)

Este ano a Clean Feed comemora 10 anos de existência muito bem merecidos numa Lisboa que não ata nem desata. Este deve ser o único caso de editora portuguesa que expressa realmente o que a sua cidade é. Em Lisboa e fácil poder assistir a concertos de Jazz, Free e Improv nas suas variadas facetas como Felipe Felizardo, Gabriel Fernandini / Red Trio, Sei Miguel, Carlos Zíngaro, Noberto Lobo, David Maranha, Tiago Sousa, etc... há sempre concertos durante a semana de pelo menos um deles. O que é impossível ver em Lisboa é um bom concerto de Metal, Hip Hop, Rock ou Dubstep sem ser em estádios de futebol ou coliseus. Não há "clubbing" nem salas médias de jeito, é preciso ir ao Porto curtir Duran Duran Duran ou Godflesh porque em Lisboa apodrecemos de tanto Free... Se este é o espírito musical da cidade não é por maioria mas por exclusão de partes.
Claro que a Clean Feed não tem nenhuma obrigação de salvadora da capital nem merece que a use para desabafar sobre a tristeza lisboeta. Estamos perante uma editora que criou um enorme catálogo respeitado internacionalmente e onde se pode encontrar a maior parte do tempo muito saxofone destructivo, o que não é som fácil de assimilar para quem não é "jazz nerd", como é o meu caso. De vez enquando em alguns discos da Clean Feed, os metais são colocados de parte como acontece com esta colectânea de "solo guitars for the 21st Century" produzida por Elliot Sharp. Numa elegante embalagem (como sempre) encontramos um CD com 16 guitarristas, incluíndo Sharp, que exploram a guitarra de várias formas, representações e estilos: acústica, eléctrica, electrónica, composição, improvisação, ao vivo, estúdio, folk, blues, noise, lounge,... ou seja um ecletismo invejável que não se encontra em Lisboa mas em Nova Iorque onde o disco foi comissariado. Parabéns à Clean Feed por trazer os cheiros cosmopolitas da "Big Apple" provocados para uma cidade que só cheira a mijo.

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Caminhando Com Samuel


livro de bd de Tommi Musturi
pela MMMNNNRRRG

Tommi Musturi é um dos autores mais importantes na Finlândia, e também como dinamizador da bd. Já visitou duas vezes Portugal: Salão Lisboa 2005 e na Feira Laica 2009 na Bedeteca de Lisboa, onde estava patente a exposição da antologia GlömpX, que participou como autor, comissariou e editou. Também já publicou em Portugal na revista Quadrado e no Mesinha de Cabeceira, tendo já um certo culto à sua volta.

Caminhando com Samuel é um livro universal porque a bd é muda (sem palavras), colorida e tão atraente que atinge vários quadrantes de público: o público infantil (embora haja um episódio sangrento), o adulto (que terá trips metafísicas), os colecionadores e os generalistas, os cromos da bd, da ilustração e do street-art (todos irão aprender com a técnica de Musturi), e até os "peter-pans" dos toys terão tesão - é uma promessa séria porque na MMMNNNRRRG sempre fomos muito sérios!
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140p. a cores, 21x21cm, capa Dura
PVP: 20€ (50% desconto para sócios, lojas e jornalistas)

exemplos de páginas : aqui / aqui / aqui
distribuído e promovido pela Chili com Carne
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locais de venda: Lisboa BdMania, B Shop (CCB), Fábrica Features, Kingpin Books, Mongorhead Madrid Panta Rhei, Sins Entido Moura Ao sabor da leitura Porto CDGO.com, Galeria Ó!Kuri Kuri Shop, Mundo Fantasma Torres Vedras Casa Ruim Cadeia de lojas FNAC, Matéria Prima
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Historial : obra seleccionada para a Bedeteca Ideal ... nomeado para Melhor Álbum, Melhor Desenho e Melhor Argumento Estrangeiro para os Prémios Central Comics ... obra seleccionada para 1001 Comic you should read before you die ... 
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Feedback : é muito bom o livro - vou precisar de outro livro porque ofereci o meu - Travassos um dos nomes de primeira água da banda desenhada finlandesa contemporânea (...) um roadbook cosmogónico onde o olhar da descoberta primordial se mantém até ao fim. Mas onde as cosmogonias (entre elas o Génesis) encenam a criação num tempo recuado e definitivamente perdido, Samuel parece assumir uma condição atemporal, um estado de permanência que o faz atravessar eras, estados de alma e espaços com o mesmo deslumbramento e a mesma disponibilidade para o mundo que trazia no início, quando surgiu por entre a vegetação. (...) Aqui, não há respostas, só deslumbramentos. Sara Figueiredo Costa / Expresso (...) não necessita que se diga muito sobre ela. E não é por ser uma bd muda. Nesta edição excelente da Mmmnnnrrrg é uma obra que precisa sobretudo de ser saboreada. Ao som ritmado dos passos JL Dos gelos da Finlândia chega a saga psicadélica do pequeno gnomo Samuel. É a mais relevante edição de BD produzida em território nacional este ano. João Chambel But Samuel is not the ultimate Godhead, as we have seen; he is played by a higher hand: Samuel is not just any puppet, he is THE puppet, a perfect in-between character, a mirror of both God and us. Succoacido I have been looking at the Musturi comic every day since I got it, so beautiful and imaginary! Christopher Webster + FEEDBACK aqui

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

ccc@2ª.feira.de.publicação.independente


Estaremos lá com as nossas edições [+ info AQUI] e Marcos Farrajota numa conversa sobre edição independente irá tentar responder às seguintes perguntas:

1. Brevemente, dizer em que consiste o projecto editorial de que faz parte:
- que tipo de objectos produzem?
- qual a tiragem?
- quais os processos de produção?
-  quais as motivações iniciais que levaram ao desenvolvimento do projecto?
2. Perante o mercado editorial português, dominado por grandes distribuidoras como a FNAC ou a Bertrand, acham que a edição independente aparece como alternativa a este tipo de mercado? Ou terá motivações completamente distanciadas desta ideia?
3. Quais as primeiras dificuldades com que se depara um editor que quer começar uma publicação ou uma editora? Quais os principais problemas?
4. As edições independentes vão vivendo num nicho de mercado muito específico. Muitas vezes são os próprios editores que compram a outros editores, e acaba-se por produzir material editorial para um círculo bastante fechado. Concordam? Acham preocupante? Acham que esta ideia choca com os objectivos principais dos vossos projectos editoriais?
5. Como é que se gere um projecto editorial independente? É posssível ter um estrutura económica sustentável? Têm como objectivo o lucro? O que pensam de apoios ou subsídios do estado ou outras instituições?
6. Acham que estamos a viver agora uma altura de 'popularidade' da publicação independente? Uma vez que o público está cada vez mais alargado, o que define uma publicação de sucesso?
7. Para terminar, no fundo, porque é que editam? Dinheiro, paixão, entusiasmo...?

Domingo, 20 de Novembro de 2011

Think about the future...


Nada se espera da imprensa nacional ou da "crítica" (mesmo aquela que se diz estar atenta às novas tendências) sobre um projecto seminal como o Futuro Primitivo. Em breve deixarei algumas considerações sobre o livro - a sua resolução, problemas, etc... Até lá vamos recebendo feedback estranho dos autores e leitores que reprodu
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzimos aqui

«curti bué do futuro primitivo memo,antes de ler(verdade seja dita) pareceu-me completamente caotico e sem minima hipotese de fio condutor,depois tive a tarde toda a pensar sera q aquilo tá perceptivel...e só as 19H 30 quando sai do bules é q pude entao disfruta-lo,e é lindo , mixaste um livro ou melhor mixaste o melhor pós apocalipse de sempre.tem tudo...o mix bate nas horas!!!!e a junção de desenhos graficamente diferentes foi mesmo em cheio!!!!
tá forte» - aparicio desaparece / Tue, 7 Jun 2011 23:56:00 +0100

«pah curti, sei q as minhs opniões são um bocado seca mas eu aprendo com alguns trabalhos, quer dizer, n é para ser pedagógico nem merda q se assemelhe e mesmo nem concordando com pontos de vista das histórias e das freakalhadas está com sumo e sustento.» - ana maria On 2011/06/08, at 18:03

«epá de vez em quando tem alguns saltos em que o leitor se perde,mas isso até é giro e é momentaneo ,porque o fio condutor reaparece logo de seguida,acho q no todo está bastante perceptivel,a ideia base está lá sempre presente.» - aparicio desaparece / Wed, 8 Jun 2011 21:15:28 +0100

«Futuro Primitivo tem sobretudo autores nacionais e no fundo serve de catálogo à exposição com o mesmo nome. A qual, enquanto conceito e qualidade global, foi em minha opinião a mais conseguida de todo o Festival.» - João Ramalho Santos in JL (21/06/11)
Comentário do editor, Marcos Farrajota: Holy caramba! Não é um catálogo da exposição! Há quem fique com essa ideia - não sei porquê, no outro dia alguém dizia que era um "catálogo dos artistas da Associação". Não percebo, o livro não vale per se? Sei que a aplicação do conceito - mistura das bds de vários autores - será seminal (creio) e dado a erros e falhas (há muitas, admito) como se pode esperar do seu carácter experimental mas pensar que é um catálogo já me deixa a pensar que falhei muito mais do que previa...
A exposição em Beja foi quase uma improvisação, o projecto real estará mais próximo na versão que foi para o Crack - espero fotos em breve para perceber se correu bem. Ou seja, tal como no livro pretende-se que nas exposições seja possível também misturar as tiras de bd de forma a criar sempre novas narrativas. Em Beja, como eram originais que estavam expostos não eram possível misturar o material dos autores (pela razão típica de protecção dos originais). Aproveitamos para deitar o lixo tecnológico na exposição como mera cenografia apocalíptica - tema do livro. Na verdade sempre abominamos as cenografias das exposições de bd mas esta permitiu diversão gratuíta. Como se costuma dizer: "para fazer uma instalação, atiram-se merdas pro chão!" - no colectivo P.I.d.E. já sabiamos disso nos Encontros CCC 1999, em 2011 continua a ser verdade, pelo menos prós cromos da bd que ficaram convencidos da qualidade da exposição. O importante é que se leia o livro...


«A unidade narrativa alcançada com esta espécie de remix aplicado às imagens e às sequências que os vários autores criaram é notável, até pelo potencial caótico dos próprios temas, entre a ficção científica distópica e os mundos pós-apocalípticos.
Mais de quarenta autores responderam ao desafio, escolhendo itens de uma lista cuidadosamente preparada para registar as invenções tecnológicas que terão colocado a humanidade a caminho do abismo. Da roda às armas de fogo, da imprensa à energia nuclear, a lista é suficientemente ampla para incluir elementos facilmente identificáveis com o caos ambiental e o desequilíbrio de produção alimentar que vivemos, mas igualmente com as grandes revoluções do progresso, o que só acentua o tom apocalíptico, configurando uma visão fatalista que alia qualquer avanço a uma inevitável degradação e que traça os princípios programáticos desta edição numa espécie de no future onde não haverá prisioneiros. Enquanto a devastação não chega, a clonagem da ovelha Dolly convive com as lições de sobrevivência que os genes humanos transportam e os autores abandonam as suas personagens à sorte de várias incógnitas, investigando o comportamento humano perante a ameaça do fim. Profecias, loucura, gestos de violência ou o desregramento total são alguns dos resultados. Autores consagrados e outros ainda em começo de publicação criaram sequências fortes, imagens perturbadoras e espaços de reflexão poderosos, mas é o trabalho de edição que lhes confere a unidade imprescindível para que este volume seja um marco para a afirmação da banda desenhada de autor no espaço, acanhado, da edição nacional.» Sara Figueiredo Costa in Expresso (Jul'11)

«Curiosamente, apesar de ser uma cena assumidamente "desconexa", o todo funciona muito bem e sente-se mesmo que é um projecto aberto e com pano para mangas para outras abordagens e sem grandes limites. Existe igualmente é um sabor amargo de estarmos perante algo incompleto, mas de certa forma, é isso a que o livro se propõe. No happy endings, no fucking fun. Demasiada informação para o mundo fazer de todo sentido. Curti mesmo.» On 2011/07/22, at 10:35, A.C. 
Comentário do editor: hum... boa abordagem / pespectiva que me propões... um dos problemas do livro é que alguns autores fecharam demasiado as narrativas para o livro ser mais "visual" mas faz sentido as "micro-narrativas" numa estrutura maior, talvez... Resposta de A.C., às 16:43: «Ya, mas olha que de certa forma, as micro narrativas acabam por funcionar como âncoras, no sentido em que criam momentos de focagem que depois só acentuam o caos gráfico que vem a seguir. Quase como teres momentos melódicos entre uma jarda de ruido sonoro num disco de noise ou assim. O livro tem uma dinâmica do caralho e nem sequer é um "album de BD" nem tão pouco tem aquela pinta de "antologia". É mesmo um overload fodido.»

«The concept is really great!» On 2011/09/10, at 15:13, Ilan Manouach

«El fin esta cerca. El 2012, las profecías mayas, tormentas solares, inminente invasión reptiliana, conspiraciones a la orden del día. A la humanidad le quedan 2 días. ¿Y después qué?. Osea, si algunos pocos "privilegiados" llegan a sobrevivir ¿qué futuro les depararía? No olvidemos que muchas veces el hombre es como una roña difícil de quitar.
Estas preguntas son el punto de partida del álbum distópico que la asociación Chili Com Carne nos hace al completo. Si, porque en Futuro Primitivo participan los alrededor de 40 socios que tienen, en un cadáver exquisito apocalíptico y antológico.
A pesar de lo difícil que resulta organizar un cadaver exquisito entre autores de diferentes estilos, algunos muy diferentes entre sí, el resultado es sólido, primando un aire a ciencia ficción pura y dura, con artefactos ultratecnológicos, contaminación en proporciones elevadas y mutantes y escombros a la vuelta de cada página.» -
Martin - 16/09/11 - in Bolido de Fuego


«I thought one great thing about Futuro Primitivo was that I couldn't understanding all of it. It felt like that was the point, like a global, multidimensional dystopia and you only understand the bit you can see with your own eyes. On the other hand, I think that was my very own subjective reading experince (I understand a little Portuguese but not enough to be sure what the comics were about, a bit like dreaming and half-understanding). Really impressed that you guys have translated it!» On 2011/11/20, at 20:06, tecknarn Sling

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

O nosso Consumo é Activo : cartazes Futuro Primitivo

Para acompanhar a exposição do homónimo livro Futuro Primitivo foram feitas cinco serigrafias, cada uma com pequenos detalhes.
O primeiro foi feito por Miguel Carneiro, impresso na Oficina Arara. A primeira edição-versão-limitada de 23 exemplares foi feito para o Festival de Beja dos quais sobraram 6 deste monstro 100 x 70 cm / uma cor / sob cartolina preta. Para o Festival Crack, em Roma, foi feita uma nova versão a duas cores de 66 exemplares.
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To travel along with the Futuro Primitivo book + exhibition we made five diferent silkscreens posters, each of them with small details.
The first one was made by Miguel Carneiro and printed in Oficina Arara. First edition is limited to 23 copies - most of them sold in the Beja Comics Festival. There's 6 copies of this 100 x 70 cm / one colour / black paper monster. But there's a 66 edition with 2 colour in pink paper made for the Crack Festival still available.


Os outros quatro cartazes foram concebidos EXCLUSIVAMENTE com uma "REMIX" das imagens das bds publicadas no Futuro Primitivo. por quatro diferentes artistas que puderam usar o "banco de imagens" do livro para criarem uma nova, seguindo o mesmo conceito do livro. Foram convidados André CoelhoBráulio AmadoFilipe Quaresma e Margarida Borges. Impressão por Lucas AlmeidaForam feitos 40 exemplares, muitos já foram espalhados pela Escandinávia na nossa participação nos Festivais de BD de Helsínquia e Mälmo.
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The image of other four posters are made ONLY of Futuro Primitivo skrewed & chopped comix book. The comix images were REMIXED by André CoelhoBráulio AmadoFilipe Quaresma and Margarida Borges creating brand new images in the same logic of the book. Printed by Lucas Almeida. There's 40 copies of each poster, many already sold during the Futuro Primitivo shows in the Helsinki and Mälmo Comics Festivals.

ANDRÉ COELHO

BRÁULIO AMADO


MARGARIDA BORGES

FILIPE QUARESMA

Estas belezinhas estarão à venda em eventos como a 2ª Feira de Publicação Independente, CHILI ao QUADRADO / Work In Progress Chiado, Feira Laica Internacional, etc... neste ano do Senhor de 2011 e pelo (fim-do-)mundo fora em 2012. Encontra-se também à venda no nosso site (-5 euros para sócios e lojistas). Se desconfia da visualização brilhante no écran do seu computador pode ir vê-los "ao vivo" na recém-inaugurada loja da Re-Search.
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You can find this posters in our site or visiting Lisbon, Brasil and Texas in 2012

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

sobre o livro "o remorso de baltasar serapião" de valter hugo mãe


A Luz de Lisboa... pfff!!!

A revista italiana L'Internazionale tem uma secção de bd semanal em que os autores criam bds sobre as suas viagens ou suas cidades. Lisboa já teve um retrato pelo Filipe Abranches em 2007 e agora volta pela mão de Andrea Bruno que esteve cá este ano no âmbito do Festival de BD de Beja.
Também o sérvio Aleksandar Zograf fez uma bd sobre a sua passagem em Portugal - e ao mesmo tempo de Bruno, houve aqui influências mútuas! A bd desta vez foca Beja, uma vez que esta foi a quarta visita deste autor ao nosso país.
Para os demasiado-entusiastas do jornal I, enviei estas bds para ver se eles gostariam de as  publicar neste pasquim mas depois de as receberam nem responderam... Povinho mal-educado!

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Futuro Trauma



Futuro Primitivo exhibition is doing a double date in Mälmo (Sweden)... After the ISV / Galleri Ocampo the show is going to TRAUMA where it fits as a glove since it's a Noise / Power Electronics music festival promoted by the infamous Wormgod group. 
Helvete, we'll not be there but our books and silkscreens will!

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

BD alemã em alta


+ sobre Anke Feuchtenberger aqui e sobre Two Fast aqui / novo site: twofastcolour.tumblr.com

Domingo, 6 de Novembro de 2011

Ontem jantei marisco antes do concerto Punk, hoje almocei pita shuarma a ler o Mein Kampf

Endless Night

Ed. de autor; 2010

Graças ao Lodaçal Comix recuperei um "link" com um autor de bd que descobri na 'net há uns bons anos e que depois desapareceu. Restabelecido o contacto e antes que a bd impressionante "Vacuum Horror" desapareça de vez decidi editá-la - é capaz de sair na próxima Feira Laica em Dezembro, pela MMMNNNRRRG.
Enquanto vamos preparando o livro fizemos algumas trocas de livros e ele enviou uma antologia de bds curtas de recorte autobiográfico onde nos abre as portas para uma galeria de punks, losers, hipsters, "arteists" e outras criaturas urbanas desesperantes. O tom negro dos contos afasta-o das comparações à superfície de Daniel Clowes e Adrian Tomine mas também por causa do "mash-up" temático que faz de surrealismo e de escatologia. O trabalho de Aaron parece simplificado mas os discursos e relações fragmentadas das personagens são o retrato social completo deste milénio no mundo ocidental.
O livro que a MMMNNNRRRG prepara é anterior a esta compilação, é um trabalho de violência doméstica cruzada com estravagância Manga, nada mais afastado deste Endless Night mas deveria começar a pensar em pegar também neste livro... Why not?

Sábado, 5 de Novembro de 2011

O mundo é finlandês!


Para quem pensa que a BD ou os belos livros acontecem nos EUA, França ou Japão... A Huuda Huuda garante que não! É impressionante a vitalidade da bd finlandesa como provam alguns livros (que não conhecia) do Marko Turunen e Jirky Heikkinen. Bem que podem comemorar os 100 anos da bd finlandesa!

Descartes X


Ghuna X (Marvellous Tone; 2011)
E ao quarto álbum chegou o vinil. Depois de Rokspace (CD), Patine (online) e A Grande Explosão (CD-R e online), Ghuna X chega a um LP (em vinil, boy!) homónimo que têm mais ligações ao último registo devido ao seu estranho fascínio pelos sintetizadores siderais dos "Cosmonautas-músicos" manhosos dos anos 70 e 80. Se eram manhosos há 30 anos, continuam a ser nos dias de hoje mesmo que se ponha carradas de Electrónica, Hip Hop e Dub de qualidade por cima.
Sendo um dos objectos fonográficos mais bonitos alguma vez feito em Portugal merece desde logo a nossa atenção graças à sua bela capa serigrafada e à grande rodela de vinil transparente! Se calhar, merece mais a nossa atenção por ser um disco disfuncional, que promete algo que nunca oferece. O seu possível roteiro de dança é sempre desviado. Os breakbeats brekam demais. Os sintetizadores vintage-foleiros interrompem-nos o bom-gosto. O dubstep não stepa nem duba como esperamos. No fundo é um disco sintonizado ao Universo porque como sabemos ele não funciona bem. As manias mecanicistas que o Universo é divino, perfeito e matemático são uma treta - ver as teorias das Borboletas, Entropia e Caos a provarem justamente o contrário. Na verdade, basta imaginar isto, depois de milénios de angústia existêncial, de luta contra o Capitalismo, a Opressão e a salvar baleias, imaginem isto, sim, imaginem isto: chega prái um meteorito à Terra e arrebenta com isto tudo! Um bocado "injusto" não é? Que se lixe o Descartes, viva o Ghuna X!
Não me entra este disco, desconfio que seja daqueles discos que só se vou perceber a sua importância daqui a 30 anos, não querendo dizer isto que o Jean Michel Jarre será melhor 60 anos depois...


Temos outra vez disponíveis cópias do disco - 15 euros, desconto 20% para sócios CCC. Encomendas via ccc@chilicomcarne.com

Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Very Important Publishers


O húngaro Daniel Csordás foi ao Festival de Helsínquia e fez uma bd "reportagem" do evento - numa língua pouco acessível ao português médio - em que vamos encontrar algumas caras conhecidas como o David Schilter (da Estónia), Tommi Musturi - editor da Huuda Huuda e autor de Caminhando com Samuel -, Marcos Farrajota (de Futuro Primitivo na mão!) e Nuno Neves (participante no Mutate & Survive mas mais conhecido pelo projecto Serrote)... O Farrajota parece um "turku"...

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

O Futuro é agora!


Como prometido temos as publicações da š! e kuš! - para quem se esquece rápido: são publicações do colectivo da Letónia que organizou a exposição O Último Fósforo que visitou Lisboa o ano passado. 
Pedidos e listagem de títulos acessiveis através do e-mail da Chili Com Carne. Stock limitado, prioridade para sócios da CCC.